Abrindo a janela para o mundo!

Acho que viajar é o principal sonho de consumo da maioria das pessoas. E sou, descaradamente uma delas!

Desde a primeira vez que entrei num avião, em dezembro de 1999, um antigo e confortável Varig, sempre senti aquele friozinho na barriga, não por ter medo de altura, turbulência, ou coisas parecidas. Era a vontade de ir no aeroporto, e passar algumas horas dentro de um avião! Lembrando que naquela época viajar era uma coisa diferente, menos cotidiana que o usual. É fácil de ter amigos e conhecidos que passam o fim de semana em um lugar longe só por estar, como se fosse a coisa mais comum do mundo! Ainda sou daquelas clássicas que conta os dias para entrar no avião, planeja cada passo a ser dado, lugares a visitar e afins.

E diferentemente da maioria das pessoas que conheço, sou fascinada por conhecer lugares distantes, e que são diferentes da minha realidade. Sou do Norte, só tinha visto calor e chuva por boa parte da minha vida, e até agora, a viagem mais fora da minha realidade aconteceu em janeiro de 2012, onde decidi passar dois meses no meio do inverno russo.

Claro, existem muitas histórias pra se contar desta, e outras aventuras. Mas posso dizer que tive um dos principais momentos de reflexão da minha vida ali, no meio do nada, dentro de um trem com destino a Saratov, na região do Volga.

Após dormir por muitas horas no meu vagão compartilhado, resolvi olhar a paisagem do lado de fora. Só tinha neve e mais neve! Árvores mortas cobertas de neve, e grandes espaços vazios com simplesmente nada. A primeira coisa que pensei foi: “nossa, que lindo!”. Fiquei alguns segundos sem pensar nada, e depois refleti algo que me marca até agora. Percebi que só via árvores e neve, e achava lindo! Quando eu ouvia os meus amigos estrangeiros falando que, a região que eu morava era linda e única, eu meio que menosprezava. Nascida e crescida no meio da cultura amazônica, eu achava a floresta ao meu redor banal, simples, e que os animais que nela vivem, comuns. Afinal, cresci, de alguma maneira conectada, acostumada a isso. E quando eu também ouvia que a terra deles era “sem graça”, não podia acreditar! Eu pensava impossível que alguém, na América do Norte ou Europa achasse o lugar que viviam sem graça. Olhando para aquelas árvores mortas, eu entendi o porquê. Ninguém tem a beleza da minha região. Lembrei também de um amigo que uma vez me disse: “Pra quer supervalorizar aquilo que nos é externo? Pegue um barco e passe algumas horas longe da civilização. Temos tanta beleza pra oferecer!” Naquele momento, descobri que moro no paraíso.

A partir de então, viajo por cultura! Prefiro ir passar o dia em museus, do que fazer compras. Uma vez, uma amiga me chamou para ir a Orlando fazer compras no Black Friday. Daí falei que queria me focar em uma viagem desejada para o Oriente Médio ou Índia no ano que vem, e que compras em New York ou Chicago poderiam ser melhores. Ela começou a rir, e me deu uma indireta, me chamando de “estranha” por querer viajar pro Oriente Médio e Índia, e não querer ir até Orlando, cidade que ela já foi umas duas vezes só nesse ano, dizendo que eu ia me arrepender de não ir nos parques da Disney. Bem, gosto é gosto! ;)

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