Longe de casa, mas no centro do mundo

Continuando com mais detalhes sobre o último post, a chegada na Rússia foi tranquila, mas vale ressaltar alguns detalhes sobre locomoção ali. Fica a dica para outras pessoas que podem passar pela mesma situação que a minha. Eu não ia ficar em Moscou, e sim numa cidade no interior. E teria que arrumar uma maneira de sair do Aeroporto de Sheremetyevo e ir até a estação Paveletskaya, que é tanto estação de metrô quanto de trem.

Para viajantes que vão ao interior, vale uma dica: verifique a estação de trem (que também atuam como metrô) que vai até a sua cidade de destino, e depois verifique qual o aeroporto que tem uma conexão direta ou mais próxima para esta determinada estação.

Foi o meu erro. Antes de explicar o meu raciocínio, todos os três grandes aeroportos de Moscou (Sheremetyevo, Domodedovo e Vnukovo) são ligados por um trem de superfície chamado Aeroexpress a três estações de metrô (Belorusskaya, Paveletskaya e Kievskaya respectivamente). Mais informações desse trem, com horários e preços em http://www.aeroexpress.ru/en/

Eu cheguei no Sheremetyevo e deveria pegar o trem para Saratov na estação Paveletskaya. Nesse caso, tive que partir no Aeroexpress até à sua estação respectiva, a Belorusskaya, e depois fazer uma baldiação no metrô até a Paveletskaya. Minha vida teria sido mais fácil se eu chegasse no aeroporto de Domodedovo, por motivos óbvios de conexão.

No Sheremetyevo, as indicações para chegar ao Aeroexpress são bem claras pelo menos, mas estão escritas em cirílico. Nada melhor que já sair do Brasil com uma noção do alfabeto. O desembarque acontece no andar de baixo, e é preciso pegar um elevador até o andar acima. Lá, existem várias máquinas do Aeroexpress, inclusive em inglês, e o ticket pode ser comprado ali. Com as passagens em mãos, é bom ir partindo logo para o complexo do Aeroexpress, que é bem junto ao aeroporto, só seguir as placas vermelhas. Modéstia a parte, esse complexo tem mais lojas, lanchonetes, e outros estabelecimentos do que o aeroporto em si. Fica a dica pra quem quer pelo menos comer alguma coisa antes de partir.

Eu não tive tempo de passear pelo complexo na chegada. Saí correndo para o trem, que já ia partindo, e demorei pra achar um lugar vago. Lá, pelo menos passavam de vez em quando umas senhoras vendendo água, salgadinhos e afins. Os trens são super modernos, e com opção de classe executiva e econômica. Cerca de meia hora depois, chegamos à estação Belorusskaya, e depois de sair desse complexo do Aeroexpress, que é fora da estação de metrô em si, entramos no metrô.

O meu amigo me levou até a parte superior da estação, onde se vendiam as passagens, e após comprarmos, liguei pra Katya, minha TN Manager (a pessoa que estava cuidando da minha chegada à Saratov). Avisei a hora de chegada, número do vagão e pronto. Era só esperar a partida!

Minha passagem de trem Moscou-Saratov.

Ainda faltavam algumas horas para o trem sair, e o meu amigo me perguntou se eu queria conhecer a Praça Vermelha. Eu, com um sorriso no rosto disse: “claro!” Mas antes de ir até lá, nessa mesma estação, fomos até a seção de guarda volumes para deixar as minhas malas. Esse guarda-volumes ficava num subterrâneo muito escondido. Esse lugar era meio sombrio, caindo aos pedaços, e me senti de volta aos tempos soviéticos ali.

Era 7 de janeiro, sábado à noite, e data do Natal ortodoxo. A Praça Vermelha ainda estava lotada, cerca de umas onze da noite. Achei aquele lugar incrível! Mas logo percebi outro dilema. Levei uma máquina simples, mas de 14 megapixels, e notei que a qualidade das minhas fotos não saía tão bem ao ar livre em climas frios, que nem aquele. Então, o meu amigo tirou da mochila dele uma câmera profissional e começou a tirar fotos! Depois ele me passou por email. Fica outra dica: levar uma câmera semi ou profissional pro próximo inverno.

Depois fomos ao Mc Donald’s da Praça Vermelha (que sempre está lotado), e comi um lanche, afinal, não comia há muito! O gosto do Mc Chicken era igual ao que eu sempre compro aqui no Manauara Shopping, mas fiz questão de tirar uma foto do Mc Donald’s em cirílico! Mal eu pensava que o meu almoço iria se resumir ao Mc Donald’s por quase todos os dias de trabalho em Satatov.

Mc Donald’s, em cirílico!

Cheguei na plataforma do trem, o meu amigo me mostrou o vagão, onde eu podia beber água, onde era o banheiro, e me mostrou onde estavam o meu travesseiro, lençóis, toalhas e etc. Chegou meia noite, e o trem começou a se mover devagar, e o Vasily ficou lá até o trem partir de vez. Mais uma vez, sou extremamente grata pela ajuda! :)

Era noite, e mesmo tendo dormido durante quase todo o percurso, decidi dormir mais ainda. A minha cabine tinha 4 camas, e eu fiquei em uma de baixo, e todas as outras eram ocupadas por homens. O que estava na cama acima da minha saiu logo pela manhã, ficando apenas um senhor ao meu lado, que agia muito naturalmente, até demais ali dentro, e um adolescente, que estava na cama acima dele. Uma coisa que achei demais, era o fato desse adolescente falar muito ao telefone! Onde que no Brasil teria sinal de celular no meio de uma linha férrea?!

Quase no fim das dezoito horas de viagem, os dois começaram a me perguntar em Russo de onde eu era. Eu tentava me comunicar em inglês, também gesticulando, já que o meu russo era o mais básico possível. Quando eu disse que eu era de “Braziliya”, ou seja, Brasil, eles me perguntaram algo que iria ter que responder muitas vezes na Rússia: “O que você veio fazer aqui em Saratov? Aqui não tem nada. O seu país é lindo, e tem verão, e você vem no inverno?” Procurei a palavra “volunteering”, que significa voluntáriado em inglês no meu dicionário inglês-russo, e quando eles viram o significado em russo, eles se olharam, e se impressionaram com isso. Ficamos nesse jogo de comunicação através de gestos e mostrando palavras no dicionário até desembarcar em Saratov.

Saí do trem, procurando a Katya, ou pelo menos como ela era nas fotos, e também outros brasileiros, um que eu já conhecia por estudar comigo, e outro que ainda não conhecia. Logo os reconheci, e entramos no carro, em direção à minha futura casa por dois meses. Estava nevando, e antes que eu pudesse me impressionar com a neve, senti um alívio profundo por finalmente, ter chegado ao meu destino.

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