Ninguém me entende!

Ser inquieta me proporcionou algumas das experiências mais importantes da minha vida, assim como me fez (ou faz) passar vergonha por aí.

Geralmente eu gosto de brincar com meus amigos, falando que “ninguém me entende”, quando a realidade é por isso mesmo! Por exemplo, a única pessoa que eu conheço que não gosta de ir ao cinema é… eu mesma! Por mais incrível que pareça, eu não consigo ficar quieta por duas horas sentada numa cadeira prestando atenção em um enredo… e ninguém me entende!

Faz algum tempo, eu sonho em trabalhar pela ONU. Claro que sonhei em morar em grandes centros urbanos e/ou culturais. Quem aqui não gostaria de morar em Londres, em New York, em Viena? Depois de refletir muito, me veio à cabeça a importância de viver em um centro em desenvolvimento, com a economia em potencial de crescimento, ao mesmo tempo com um certo conforto e qualidade de vida. Mas com o amadurecimento de certas ideias, comecei a pensar que talvez seria interessante passar uma temporada na África, para ajudar no crescimento de pessoas com dificuldades que talvez jamais alguns de nós passaríamos. Ao falar dessa vontade para algumas pessoas que fazem francês comigo, eu senti a vontade deles de rir da minha cara. “África?! Tá louca?!”

Mas parte da minha agitação me levou a arriscar situações totalmente fora da minha zona de conforto. Por sentir que eu posso conquistar o meu além através de pequenas ações, eu comprei minha passagem pra Budapeste, onde vou passar um mês e meio trabalhando em prol da cultura brasileira, se desafiando mais uma vez.

Eu vou pra Budapeste sem 100% de apoio da minha família, já que eles queriam que eu fosse passar 10 dias na Disney com eles. Eu sinceramente coloquei as duas viagens na balança, e cheguei à conclusão que seria muito mais importante pra mim se eu fosse ter um engrandecimento pessoal através do intercâmbio do que viver uma vida de turista por alguns dias em um lugar que quase todo mundo conhece, ou sonha em ir.

Algumas pessoas, além das que “iam” viajar comigo pra Disney, acharam confusa a escolha de NÃO ir passar uns dias maravilhosos na Flórida do que ir para um país lindo e interessante, mas sem luxos de turista. Outras já me incentivaram muito, falando super bem da cidade, e da experiência que eu terei em Budapeste.

Aos outros que fazem intercâmbio, mas não o social, que é o que eu fiz na Rússia e voltarei a fazer na Hungria, não conseguem entender o PORQUÊ de eu não viajar para a Inglaterra ou Canadá para estudar inglês.

Bem, eu já sei falar inglês, muito bem por sinal, inclusive já dei aulas pra adolescentes e adultos, então não faz sentido estudar inglês em uma escola no exterior pra mim. Alguns podem indagar que eu posso praticar meu inglês trabalhando em um Mc Donald’s na Austrália, ou lavando o chão de uma estação de esqui em algum canto dos Estados Unidos. Com todo respeito a essas profissões, não vejo crescimento profissional para mim nisso. Além do mais, eu estudo pra ter um futuro brilhante (como trabalhar na ONU ^^), e gostaria de ver as pessoas da minha nação pensando junto comigo, e buscando reconhecimento através do esforço e estudos, ao invés de eu esbarrar com a comunidade latina sendo explorada e diminuída socialmente devido ao preconceito de estarem em um estrato social mais baixo.

Até que tem gente que me entende! Infelizmente, aquelas que não me entendem vão continuar postando suas fotos em Miami Beach no Facebook vestindo uma camisa da Hollister, com uma Louis Vuitton falsa, e todas tiradas com seu iPhone dividido em 10x em alguma loja de departamento. Tudo “bem” até aí, mas a partir do momento que eu colocar foto com as pessoas que eu impactei seja em Saratov, ou seja em Budapeste, essas mesmas pessoas vão me dizer que eu fui lesa por me deixar levar por um trabalho voluntário, o que significaria pra eles, sem valor.

Eles não me entendem, mas não tem problema.

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