O sonho bávaro

A primeira vez que eu fui à Alemanha foi em 2010 com a minha família, e acabei não conhecendo muitas cidades, somente Frankfurt, Munique, Cochem, que é uma cidadezinha à beira do rio Mosela, e Rothenburg ob der Tauber, a cidade mais linda que eu visitei em toda a minha vida, que deu inspiração à cidade aonde o Pinóquio (sim, o do filme) morava!

Em meados do ano passado, comecei a planejar uma nova viagem com a minha mãe, e bateu a vontade de voltar a Munique pra conhecer um pouquinho mais, e relembrar bons momentos de 2010.

A primeira parada dessa viagem foi Milão. Depois de passar o natal por lá, fomos direto pra Munique. Saímos de Malpensa por volta do meio-dia, onde pegamos nosso voo pra Munique. Compramos nossas passagens no site da Lufthansa, mas o nosso voo era operado por outra companhia, a Air Dolomiti. Essa empresa é italiana, mas tinha sido adquirida pela Lufthansa algum tempo antes, e no nosso trecho, as aeronaves eram da Embraer.

O voo foi super confortável, recebemos chocolates italianos e lencinhos umedecidos. Acabei nem provando os chocolates, por eles serem amargos. Não sou muito fã.

Pouco mais de 1h no avião, e chegamos em Munique. O aeroporto é muito grande e cheio de opções de restaurantes, lojas, entretenimento e bares. Apesar do aeroporto de Malpensa ter muita coisa, o de Munique era maior, mais organizado e mais clean, de uma maneira geral.

Depois de me deslumbrar um pouco com o aeroporto, busquei alguma informação de onde comprar a passagem de trem para sair do aeroporto. Existem duas linhas do metrô (S1 e S8) que saem do aeroporto, e que levam à diversas estações depois. Não sei informar se existe algum tipo de carteirinha de estudantes, ou um ticket semanal ou mensal. Acabei comprando a passagem única em uma máquina bem no meio do aeroporto. Cada uma (uma pra mim, e outra pra minha mãe) saiu por €10,40 cada. Achei caro.

Enfim, saímos do terminal 2 em direção à estação de trem que fica bem em frente ao aeroporto. Como era dezembro, havia uma “winter fair” em um espaço entre a estação e o terminal. Era a coisa mais linda! Cada barraquinha feita de madeira à mão, com detalhes natalinos, de neve, e algumas luzinhas coloridas enfeitavam o lugar! Pra completar, uma música do clima agradou muito!

Essas barraquinhas vendiam muitos produtos artesanais, como meias, luvas, chocolates, o Bratwurst (pão com salsichão), uma espécie de maçã do amor. Tudo muito lindo e encantador!

Outro detalhe muito importante era a temperatura. Naquele dia em Munique, estava quente! 13 graus numa época em que o normal é -10! Definitivamente levamos o calor do Amazonas pra Alemanha! ;)

Precisávamos ir ao nosso hotel. Segundo direções na internet, era só pegar a linha S8 em direção à estação Rosenheimer Platz, e que teria um elevador bem na estação de metrô. Dito e feito. Achamos o tal elevador e já saímos no saguão do hotel.

Era 25 de Dezembro, e na Alemanha, nada, absolutamente nada funciona!!! Fomos dar uma volta ao redor mas tudo estava fechado. Super triste. Nem deu pra acreditar que no meio de uma das cidades mais importantes da Europa, não se via uma alma na rua! Dei um desconto por que era natal…

No dia seguinte, faríamos um passeio pela Bavária. Iríamos a Linderhof, a Oberhammagau e ao castelo de Neuschwanstein, que até então era o meu sonho de viagem!

Era.

O passeio pra Linderhof foi incrível! Jamais pensei que gostaria tanto. Na verdade, até comprar o ticket no conceirge do hotel, nem sabia da existência dele. O Ludwig II, o rei louco da Baviera construiu esse palacete para descansar e passar alguns momentos de paz. Vale a visita! Tudo muito lindo, e parecia até uma casinha de boneca!

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Palacete de Linderhof

Depois de Linderhof, fomos direto à cidadezinha de Oberhammagau, que é conhecida mundialmente pelas pinturas em todas as paredes das casas da cidade, e principalmente pela encenação da Paixão de Cristo, que acontece uma vez por década, e que envolve todos os 5000 habitantes da cidade. Vale ressaltar que essa encenação acontece desde o século XIV.

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Exemplo de pintura nas paredes, presentes em quase todas as cidades de Oberhammagau

Então, partimos pra Hohenschwangau, o povoadozinho que fica no sopé do castelo de Neuschwanstein. Eu estava prestes a realizar meu sonho, mas acabei sofrendo um acidente, e o tempo que eu passaria visitando o castelo, acabou sendo passado no hospital. Saí de muleta e tudo. Claro que saí arrasada por não ter realizado meu sonho, mas também (ou pior ainda) de ter passado o que eu passei por lá.

Mas o fato do meu pé estar machucado não impediu em nada o prosseguimento da viagem. No dia seguinte fomos a Viena, onde passamos 3 dias de muito frio e dor no pé. Mas nós voltaríamos a Munique no dia 30. O clima do réveillon estava no ar, e todo mundo foi celebrar nas ruas!

Acabamos por fazer o mesmo trecho – compra ticket no aeroporto, vai para a S8, mas dessa vez, nós iríamos a um hotel em Marienplatz – praça mais famosa de Munique. Só que eu não me lembrava exatamente como fazia pra chegar no hotel. Minha mãe se estressou comigo, e quando eu vi, já estávamos na Platzl, em frente ao Hofbräuhaus. Dali eu já sabia como fazer pra chegar no Hotel!

Depois de uma boa noite de sono, fomos desbravar uma Munique ainda com muitas lojas fechadas – era 31 de dezembro. Andamos bastante, e fomos conhecer muitas coisas da cidade que ainda não conhecíamos.

Realmente Munique é apaixonante. Eu moraria lá muito fácil. Pra completar, fui comer em um restaurante japonês em Platzl, onde comi os melhores sashimis da minha vida! Juro que quis ir contemplar algo bem alemão, como o Hofbräuhaus, mas as filas sempre eram enormes, e já tava muito mais frio do que os 13 graus da chegada.

Voltamos à Marienplatz pra ver os fogos de artifícios da virada do ano. Chegamos umas 22:30, e ainda não tinha muita gente, mas o frio estava cortante! Logo tudo começou a lotar, e as pessoas são livres para soltar fogos de artifício. Quanto mais lotado, mais perigosos esses fogos estavam! Estávamos na capital mundial da cerveja, e já tinha muita gente bêbada por lá. Os fogos estavam saindo pra todos os lados…

Deu meia noite, e os fogos de artifício da prefeitura – os oficiais – começaram a iluminar o céu. As badaladas do cuco do Rathaus também deram a entender que 2013 tinha chegado, e com grande estilo!

No dia seguinte, bem cedo, tínhamos que voltar ao aeroporto pra pegar o nosso voo pra Milão antes de voltar ao Brasil. Nunca eu vi um lugar tão deserto em toda a minha vida! No metrô, só um grupo de turistas chineses. Ressaca estava certamente comandando tudo por lá.

Eu sinceramente queria ter conhecido mais da Baviera. Infelizmente não ter ido à Neuschwanstein foi um fato bem triste, mas ainda existem outras oportunidades com certeza. Fora isso, existe uma infinidade de lugares interessantes que já coloquei na minha lista de turismo, como passear pelas lindas ruas de Nürnberg, ver um teatro de marionetes de Augsburg, visitar o campo de concentração de Dachau, voltar a Rothenburg ob der Tauber e comprar muitas miniaturas e cucos, além de conhecer outros lugares que não tive oportunidades de ir em Munique, como o Olympiapark, o Deutches Museum, e assistir um jogo do meu Bayern lá na Allianz Arena, certo?!

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