A tal da vergonha alheia

Ontem enquanto estava escrevendo o post sobre imigração, lembrei de duas situações bem peculiares. Infelizmente envolvendo brasileiros! É daqueles momentos que você tem vontade de se enterrar, ou se deliciar com as pérolas das pessoas. Eu escolhi o segundo caso. :)

Nas viagens por aí, o que não falta é escutar várias pessoas conversando em português, um pouco aqui, pouco ali. Brasileiros estão em todas as partes do mundo, até nos lugares mais incomuns! Com certeza a receptividade de brasileiros que se encontram por aí fora é incrível, além de sempre estarem solícitos a tudo. A maioria de nós age com naturalidade, e no máximo uma atitude meio de “turista”, mas isso é totalmente normal e saudável!

Mas vi umas brasileiras, que olha… senti a tal da VA (vergonha alheia) estampada na minha cara!

As duas no aeroporto, e a primeira delas se superou!

Eu já estava voltando para o Brasil. Não havia dormido nada durante a madrugada e saí 5 da manhã do meu hotel. Cheguei um caco, e me sentei de qualquer jeito em uma cadeira, só procurando qualquer posição pra dormir um pouco.

Bem na hora eu vejo um casal chegando. Ele sentou em uma cadeira e foi ler um livro. Ela estava com um trench coat, botas, cabelo na chapinha e óculos de sol (!). O que me chamou a atenção dela foi o andar, de aparência superior, e literalmente, de nariz empinado. Fora que ela falava super hiper mega alto em português. Parece que ela fazia questão que os outros ouvissem o que ela estava falando.

Comecei a me perguntar se não era alguma socialite que estava de passagem por Paris, mas ela deu logo a entender que não. Com todas as letras e bem alto ela disse: “Amor, estou indo ao Duty Free pra gastar um pouco antes do nosso avião decolar”. Isso com um jeitinho bem blasé de falar. :)

Acho que ela passou uma hora naquele Duty Free pequeno, e ela voltou sem nenhuma sacola. Ok.

Logo depois a fila de embarque se formou, e ela ficou bem atrás de mim. Daí ela foi perguntar pro marido: “Amor, será que tem algum brasileiro aqui indo nesse avião? Acho que não né, brasileiro não consegue viajar muito pro exterior. Hahaha”. Prontamente o marido respondeu que achava que tinham brasileiros. Ela ainda falou mais coisas de brasileiros durante esse tempo na fila.

Era só ela ter olhado ao redor e ver os passaportes azuis da grande maioria das pessoas da fila.

Já entrando na aeronave ela solta outra: “Tchaaaaaaaaaaaaau Pariiiiiiiiiis!!!!! Até Fevereiro do ano que vem por que é mais barato, e eu não tenho dinheiro. HAHAHA! Vou contar pra todas as minhas amigas que eu venho, e elas vão ficar morréeendo de inveja”.

Depois do jeito que ela falou “Tchau, Paris” (nunca vou me esquecer do sotaque), eu comecei a rir por dentro. Achei ela engraçada e isso fez o meu dia. :)

Realmente, apesar do teor cômico, ela aparentemente falou de uma maneira blasé, e menosprezando os brasileiros em geral. Até parece que ela é a única que pode viajar pro exterior hoje…

Sofrida, sentei na última fileira, na cadeira do meio. Ela sentou duas fileiras na minha frente.

A segunda brasileira era pra se contrariar. Ela também tinha um ar bem blasé, além de estar usando glitter no cabelo(?). Ela sim aparentava ter um diva lifestyle real, ao invés da minha colega Tchaaaaaaaau Pariiiiiiiiisss.

Só que ela estava nervosa pelo fato que ela estaria chamando algum(a) amigo(a) a viajar junto com ela. Já estávamos na fila do embarque, prestes a entrar no avião, e ela estava desesperada gritando no telefone com o(a) amigo(a), por que tinham ainda passagens disponíveis no mesmo voo, e eles poderiam voltar pro Brasil juntos!

Ela foi conversar com o pessoal da Cia. aérea para esperar o amigo dela, que já estava chegando, que era só mais um pouquinho, e ele precisaria vir naquele voo!

O voo já estava atrasado, e ela achava que só pelo fato dela estar na primeira classe, todos os passageiros deveriam esperar o pobre amiguinho que ainda iria comprar a passagem pra viajar com a gente <3

Não sei se essa pessoa embarcou. Ainda tinha check-in, imigração e tudo.

Mas enfim, pessoas percebem atitudes. Legais ou não. Corretas ou não. Engraçadas ou não. Não sei se a Tchau Paris falou mal de brasileiros abertamente em português em algum outro lugar cheio de pessoas, ou se a diva lifestyle realmente achava que o amigo poderia atrasar o voo ainda mais. É preciso ser discreto às vezes, e aquele ditado que diz que o silêncio é a melhor virtude não tem como se encaixar melhor nestas situações.

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