Um tal palacete em Godollo

Como qualquer país com um histórico imperial, a Hungria tem lindos palácios que são dignos de visitação. Um deles é o palácio de Godollo, bem pertinho de Budapeste.

Eu acabei descobrindo esse palácio ao acaso, por causa de uma amiga italiana. Um dia estávamos conversando sobre os nossos dias em Budapeste, e ela havia me dito que a chefe do trabalho dela a havia levado para um palácio fora de Budapeste, onde alguns imperadores passavam o tempo por lá. Esse palácio ficava em Godollo, e ela super me recomendou a ida.

Godollo é uma cidade que faz fronteira com a faixa nordeste de Budapeste, onde eu morava. Lá, um comerciante húngaro muito rico havia construído um palácio para a sua família, e com a subida ao trono do imperador Francisco José e da imperatriz Elizabeth (Sisi), ele começou a ceder seu palácio para que a família imperial pudesse passar algumas temporadas – especialmente durante o verão – hospedada ali. Vale ressaltar que a minha casa era mais próxima ao centro de Godollo do que do centro de Budapeste. :)

A Sisi era apaixonada pela Hungria e tomou Godollo como um refúgio de toda a vida caótica que ela levava. O palácio foi adaptado às necessidades da imperatriz, e o palácio logo ficou conhecido como “palácio da Sisi”.

Após pesquisar como fazia pra ir, animei a Rekha e o Diego pra irem comigo. Verificamos como fazia pra chegar até lá, e descobrimos duas maneiras. Uma com o trem metropolitano, e o outro com trem de linha normal. De qualquer maneira, precisaríamos pagar cerca de 700 HUF em qualquer viagem, já que estaríamos fora dos limites de Budapeste. Em lugares dentro de Budapeste através do trem metropolitano, por exemplo, é necessário somente o ticket de transporte que já havíamos comprado.

De trem metropolitano, o trem saía de Örs Vezér tere e parava uns 30 minutos depois em Godollo. De trem regular, o trem saía de Keleti Pályaudvar e demorava uns 5 minutos a mais. Para o Diego, Örs era melhor, e pra nós, Keleti. Como Örs ficava mais contramão pra mim e pra Rekha do que Keleti pro Diego, acabamos indo por Keleti.

Em Keleti, existem duas cabines de tickets. Uma vende tickets internacionais, e uma para lugares dentro da Hungria. Fomos para os tickets locais e compramos as nossas passagens por cerca de 700 HUF mesmo. Compramos um gyros (sdds) que serviria de almoço, e corremos para o trem (desnecessariamente) pois pensávamos que ele já estaria partindo. Só que ele demorou um tempão ainda….

Então, o trem era bem moderno e confortável. Chegamos em Godollo um tempo depois e fomos tentar descobrir onde ficava esse palácio.

Em Godollo, existem várias placas de indicação de onde fica o palácio, e fomos seguindo. Logo avistamos a fachada e fomos entrando. Ele é bem bonito, pintado de rosa claro, e com uma aparência interna meio hispânica. Compramos as nossas entradas e fomos visitar.

Diferente de outros palácios que visitei, como Versailles e Schönbrunn, Godollo não tem aquela imensa quantidade de turistas, tirando foto de qualquer coisa, empatando o caminho, guias fazendo grupinho nem nada. Isso dá a oportunidade de se aproveitar melhor os pequenos detalhes do palácio, como os objetos, quadros, passagens secretas e tudo.

Existem muitos quadros lá dentro, assim como vários objetos curiosos da época imperial. Uma parte que achei bem curiosa foi a última, que mostrava a restauração do palácio, já que ele foi quase todo destruído depois da Segunda Guerra Mundial. O antes e o depois é de se impressionar! Imaginar que muitos daqueles lugares que passamos não eram mais os originais (e perceber que eles haviam economizado em vários detalhes) foi bem triste, mas é bom saber que em algum lugar, as pessoas realmente cuidam do que é pertencente a sua cultura, e que de alguma forma, ela vai sobreviver.

Depois do palácio, compramos sorvete e fomos apreciar o jardim. Existem algumas outras pequenas construções e estátuas no jardim – que é um dos maiores jardins palaciais do mundo – e lá as pessoas costumam ler livros, fazer piquenique, e outras atividades para se relaxar.

Após o jardim, a Rekha foi embora, e eu continuei lá com o Diego. Andamos um pouco pela cidade mas não há mais nada além do palácio. Diferentemente de Szentendre, por exemplo, Godollo não tem muito que se ver. Após uma volta no quarteirão, voltamos à estação de trem para esperar a volta pra Budapeste. Dessa vez, voltamos num trem bem velho e quente, diferente do da ida.

Vale muito a pena visitar o palácio de Godollo! Não é longe de Budapeste, e dá pra se aproveitar muito mais do que Versailles por exemplo (apesar do palácio de Godollo ser bem menor). Por algo como 7 reais de passagem mais as entradas do museu, a visita ao palácio tem um ótimo custo-benefício.

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