Schönbrunn por três vezes

Schönbrunn é sem dúvida o palácio mais bonito de Viena, e diferente do ar conciso de Hofburg ou do estilo palacetiano do Belvedere, Schönbrunn ganhou uma preferência vienense e grande fama internacional devido a suas excentricidades.

“O Palácio de Versailles de Viena” começou como um simples moinho até a sua compra no século XVI por um antigo governante vienês, que construiu sua casa senhorial ali, que foi conhecida como Katterburg. Alguns anos depois, o terreno foi comprado pelo imperador Maximiliano II, que o transformou em um grande jardim repleto de espécies exóticas.

No século seguinte, planos para a construção de um palácio começaram a sair do papel, e o palácio foi dado à futura imperadora Maria Teresa pela falta de interesse do seu pai, o Sacro Imperador Romano-Germânico Carlos IV. Então a própria Maria Teresa passou a modelar o seu palácio de acordo com os seus desejos, estabelecendo muitas das estruturas localizadas hoje no palácio, como muito de seu interior e a Gloriette. Ela também transformou o palácio no centro da vida da corte austríaca.

Com o passar dos anos, o palácio ganhou mais notoriedade dentro e fora da Áustria, e logo foi “promovido” à residência oficial dos Habsburgos durante o verão. Ele também foi palco de reuniões importantes e serviu inclusive como um complexo de apartamentos para inválidos nos anos 1920.

Hoje, o palácio e os jardins são abertos para visitação, e quem ir a Viena não pode deixar de ir até Schönbrunn!

A primeira vez que fui lá foi em 2010, durante o verão. A simplicidade do palácio perante a Versailles me deixou completamente deslumbrada! Não existem portões de ouro como no palácio Francês, o deixando de certo modo carregado. Schönbrunn tem uma enorme pomposidade por si só. O palácio todo é de cor amarela, e com um amplo espaço na frente e atrás dele.

Não tive muito tempo para conhecer o palácio em 2010 pois estava em uma excursão de ônibus, mas apreciei um pouco dos jardins em seu pleno esplendor. Deu um gostinho de quero mais.

Palácio de Schönbrunn em 2010

Palácio de Schönbrunn em 2010

Em 2012 retornei a Viena, dessa vez no inverno, e quis de novo ir pra Schönbrunn. Dessa vez, por estar com um machucado no pé que me impedia de andar muito, preferi ir de táxi ao invés de andar de metrô, mas só de estar ali me deu aquela vontade de conhecer tudo e enfrentei a dor no pé sem arrependimentos.

Estávamos eu e a minha mãe e compramos o Imperial Tour, que era o mais simples e podíamos conhecer a essência do palácio sem comprometer o meu pé, me fazendo poupar da dor. O ticket custou cerca de 12 euros e dava direito a um audioguia, que contava cômodo após cômodo, curiosidades sobre a vida dos Habsburgos no palácio.

O ticket veio com hora pré-determinada e lá é pontualidade britânica mesmo. Se o ticket vem 11:47 (como veio o meu), você só vai entrar às 11:47. Minuto após minuto eles ficam anunciando, e mesmo que só falte um minuto, você não entra. Também não é permitido tirar foto dentro do palácio.

Após me maravilhar com os cômodos com mobílias originais e todas as histórias “behind the scenes” do palácio, decidimos ir até a Gloriette não importasse a dor! Essa Gloriette é uma estrutura que fica acima de um morro, localizada pontualmente atrás do palácio. Reza a lenda de que ali alguns dos encontros mais chiques da Maria Teresa com a realeza aconteciam. Hoje, além de um deck de observação, existe um restaurante fino dentro da Gloriette.

Subir até lá foi um martírio pra mim, morrendo de dor no pé esquerdo, mas a cada momento que eu olhava pra trás e via como a vista de Viena se tornava mais bonita, eu pegava mais um fôlego e procurava engolir a dor. Cheguei bem lá em cima e me senti que nem o Rocky (risos).

Finalmente no topo!

Finalmente no topo!

A vista da Gloriette é incrível e fez o meu dia! De lá dá pra observar os grandes monumentos de Viena, com foco para a Stephansdom, a principal catedral da cidade.

Esse ano voltei a Viena (forçada) novamente. Dessa vez, na primavera, foi de longe a mais divertida de todas. Estava com meus amigos do intercâmbio, passei por altas aventuras (como perder o ônibus de Budapeste pra Viena por 1 minuto), fofocas que rolavam entre todo mundo do hostel, compras diversas e dessa vez não tinha pé machucado pra atrapalhar.

Só tinhamos (para variar) o fim de semana para estar em Viena, e fomos a Schönbrunn no domingo. Estávamos em 6, sendo 3 brasileiros, uma australiana, uma chinesa e uma filipina. Como eu tinha visitado o palácio há menos de 6 meses, eu deixei bem claro que eu não queria comprar aquele ticket para ir até lá dentro, mas que também eu não queria ficar sozinha e seguiria com o fluxo, não importasse o que os outros decidiriam. A minha sorte foi que os dois brasileiros acabaram não querendo visitar o palácio, mais por uma questão de custo-benefício para poderem aproveitar os jardins e tirar fotos. As outras meninas compraram o Gold Pass, que é o passe que mostra todos os aposentos do palácio, a Gloriette e o labirinto.

Nós, os brasileiros, preferimos ir até os labirintos para tirar foto, e foi muito bom. Andamos bastante pelos jardins, apreciamos a vista do palácio e das fontes, alimentamos esquilos pelo caminho e acabamos chegando na Glorette com quase nenhum esforço (risos para a vez anterior). Estava friozinho e a vista, como sempre, linda! Foi ótimo termos ido até lá.

Dessas três vezes que fui a Schönbrunn, de certeza a mais bonita foi no verão, quando o jardim logo atrás do palácio estava mais bonito, mas nada que uma visita nas outras estações não faça a ida até lá ser mais bonita. Porém, o inverno tem um diferencial, já que os tradicionais Christmas Markets de todo o mundo germânico se instalam na entrada de Schönbrunn. Ali se pode comprar comidas típicas, peças para o frio como luvas e cachecóis e pequenos souvenirs.

Além de tudo isso, o zoológico mais antigo do mundo se encontra ali. Alguns animais faziam parte da coleção particular da Maria Teresa e a tradição continua até hoje. Muitos falam que a visita vale a pena, mas ainda não fui lá visitar.

Para chegar até Schönbrunn, é só seguir pela linha do metrô U4 com o mesmo nome do palácio. Ele fica relativamente no centro da cidade, e chegando lá é só seguir as indicações para a entrada.

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