Vida suburbana

Então, eu já contei por aqui uma incrível experiência vivendo em Budapeste, na Hungria. Porém, diferentemente de vários amigos que moravam no centro da ação da capital húngara, eu morava nas margens da cidade, bem no subúrbio.

Quando descobri onde iria trabalhar e morar, já fui logo pesquisando tudo na internet, mas confesso que não achei muita coisa. O bairro de Újpalota tem poucas referências em inglês, e imagina em português! O que consegui encontrar com clareza mesmo foi a localização, quase nos limites da cidade mesmo.

No início, confesso que fiquei meio incomodada, pois aqui em casa eu tenho um carro mas raramente preciso ir para muito longe, por que existe de tudo perto daqui. Ali, eu teria que me deslocar bastante para poder chegar a qualquer lugar, e isso significa andar, se perder, gastar bastante tempo, mas esse é o significado de “se desafiar”, certo?

Com o tempo, passei a me adaptar com os ônibus, as paradas, as lojinhas ao redor, o parque na frente da escola, várias raças de cachorro a correr por ali, os ciganos, os ônibus lotados às 5 da tarde, e tive mais uma comprovação de que eu sou uma pessoa privilegiada, e de que toda e qualquer experiência nova agregaria muito mais ao meu ser, para que no fundo, eu melhore como pessoa e começasse a engajar àqueles que estão ao meu redor.

Sobre ônibus: em Újpalota, eu basicamente pegava dois ônibus, o 173 ou o 173E a partir de Blaha Lujza ou de Keleti. O 173E é mais rápido por possuir menos paradas, e o usava mais por isso. Basicamente, ele vai em linha reta até a parada final.

Sobre acomodação: Esse distrito que eu morava (o XV), foi construído entre os anos 1970 e 1980, como uma forma do então governo comunista húngaro oferecer moradias a pessoas de baixa renda. Daí já pode se imaginar que o estilo arquitetônico dos prédios remonta muito aquele modernismo comunista, como grandes blocos de apartamentos pequenos compilados em superquadras, sempre com árvores, bancos e outras estruturas que deveriam causar a integração entre vizinhos.

Vista da parada de ônibus perto de casa.

Vista da parada de ônibus perto de casa.

E compras: Um dos maiores shoppings da cidade fica ali do lado de onde eu morava, só era preciso atravessar uma avenida. O nome desse shopping é Polus Center e ele até possui umas lojas de porte grande, mas em geral ele é um shopping mediano, sem grandes emoções. Também tinham vários supermercados, como o Tesco e o Spar.

Mas além do Polus Center, perto de casa existiam várias lojas de tudo que é tipo, como padarias, sorveterias, açougues (achei coraçõezinhos de frango lá!), lojas que vendiam todo tipo de comida barata (sdds barras enormes de Milka custando o equivalente a R$0,50), roupas e muito mais.

Lojinhas

Lojinhas

É distante mesmo? Bem, eu morava numa superquadra com a escola, prédios em formato de paralelepípedo, um parque com playground, mesas de ping pong e várias coisas mais que ficava ao lado de uma grande avenida, que circunda Budapeste como se fosse um anel. Atravessando essa avenida, se encontrava o Tesco, o Polus Center e o Mc Donald’s, e logo atrás deles se encontra o limite de Budapeste. Ou seja, é bem no final da cidade mesmo.

Outro detalhe curioso é que um dia eu fui até a casa de um amigo que ficava num prédio em uma parte alta e também longe do centro da cidade. Da varanda dele se via vários detalhes lindos da Budapeste imperial, com foco ao Castelo de Buda, ao Danúbio, ao Parlamento e todas aquelas estruturas bonitas “comuns” de quem pensa em Budapeste. Olhando para o outro lado, é super fácil de identificar os enormes paralelepípedos comunistas destoando de todo o resto da cidade. Dali, era bem feio de se observar esse detalhe.

Mas eu acho que se vive muito bem ali. Qualquer lugar bem arborizado, planejado e com várias opções de lazer e compras para a população pode oferecer uma boa qualidade de vida. Para quem tem carro, o acesso a qualquer parte da cidade é mais fácil obviamente, mas em uma cidade em que o sistema de transporte público funcione, independente da qualidade dos ônibus, tudo se torna mais fácil.

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