“Te desafia!”

Nem acredito que estou escrevendo o centésimo post! E para comemorar, quis escrever sobre algo bem especial e confesso que pensei bem antes de decidir o assunto aqui. E até que tem outra coincidência envolvida próxima de hoje, que é justamente o aniversário de 2 anos da minha ida para a Rússia, em 7 de janeiro (post especial vem aí!).

Middle of nowhere

Middle of nowhere

Considerando tudo, pensei que hoje talvez fosse um bom dia para escrever sobre o famoso (e até desconhecido) choque cultural. Mas o que que é isso, afinal?

O choque cultural é aquela sensação de confusão que a pessoa sente quando ela está em um lugar completamente novo, onde ela tem que se adaptar para poder conviver normalmente. Isso acontece muito com estudantes de intercâmbio e até viajantes muito acostumados a uma rotina tipicamente brasileira.

Muitos pensam que esse sentimento é como se fosse uma frescura, e que isso só pode acontecer com gente mal acostumada com a vida. Não é bem assim não! Às vezes temos tantas confusões de sentimentos, enjoos, irritabilidade, dúvidas sobre as coisas e as pessoas ao nosso redor pelo simples fato de você estar imerso em um lugar diferente, com pessoas que tem uma outra visão de mundo. Chega um momento que nos perguntamos se o que nós sempre acreditamos é de fato o certo. Mas certo em que ponto de vista?

Alguns psicólogos apontam três fases diferentes para o choque cultural: a fase da lua de mel, a negociação e a ajustagem.

A fase da lua de mel acontece logo após a chegada no destino. Tudo é mais bonito e organizado, o costume das pessoas para tudo é maravilhoso, um tipo de comida incomum se torna delicioso e assim sucessivamente. Assim que as semanas passam, esses sentimentos são substituídos por outros mais sombrios.

Aí que começa o próximo sentimento, que é a negociação. Você começa a se perguntar por tudo, e qualquer coisa já se torna mais difícil. A saudade de casa se torna mais forte, e em certos momentos confesso que chegava a me perguntar: “pra quê deixar o conforto da minha casa pra ter que viver uma experiência que só vai me desafiando cada vez mais?”.

Se desafiar! Essa é a expressão que move tudo! Caso você não saia pra pegar ônibus, você não sai de casa. Caso você não vá ao supermercado, você morre de fome. Caso você tenha preguiça de conhecer o lugar que você mora, vai acabar voltando pra sua casa sem saber falar nada sobre a sua experiência.

A partir do momento que começamos a compreender isso, chega a terceira (e melhor) fase, que é a do ajuste. Tudo começa a fazer sentido e todos aqueles momentos difíceis e desafiantes já fazem um peso (bom) e trazem aquela esperada confiança e experiência que buscamos quando vivemos no exterior!

Não sei se isso é psicológico, mas eu acho que essa sensação de ajuste acontece quando começamos a perceber que o nosso tempo fora de casa está chegando ao fim. Não sei, mas parece que essa sensação nos prepara para ir para casa. Mas aí que temos um ponto interessante.

Quando voltamos para o conforto da nossa casa, com uma cama quentinha e todos os nossos pequenos luxos à nossa mão, começamos a nos perguntar por que a nossa cidade não é como o lugar onde moramos. Por que a comida não é igual? Por que a educação das pessoas não é a mesma? Por que um milhão de coisas! Voltar à nossa rotina parece não ser tão fácil assim, especialmente quando voltamos um lugar de sonhos e na volta pra casa precisamos enfrentar desafios do dia-a-dia como trânsito, trabalho estressante, e pouco tempo para fazer as coisas.

Depois disso, só fica a saudade e a nostalgia. E eu acho que é isso que nos move para realizarmos uma nova experiência! Daí fico pensando… esse ciclo que é a graça da coisa! Descobrir, conhecer e explorar são verbos que expressam milhares de coisas! E para passar por diversas experiências, é preciso ir de 8 a 80, do céu ao inferno, do doce ao salgado. Essa é a graça do choque cultural! É tentar se adaptar ao máximo com qualquer situação, lembrando que somos humanos, e que temos sentimentos e sensações. Essa é a graça de viajar!

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