Um pequeno prazer

Às vezes eu paro e penso o quanto nós reclamamos da vida. “Trânsito está ruim e demoro pra chegar em casa”. “A unha acabou de quebrar”. “Não quero acordar cedo amanhã”. “Queria comer uma determinada coisa que não tem aqui em casa”. “O meu time acabou de perder o jogo”. E por aí vai.

Mas às vezes percebemos que o prazer se encontra nas pequenas coisas! Como foi bom poder andar descalça no chão, após passar um mês com o meu pé enfaixado. Um mergulho na piscina nunca foi tão gostoso, depois de passar um inverno longe de casa. Como é bom comer o que você gosta quando você está morrendo de fome!

Para percebemos isso sem ter que passar por certas situações, a reflexão é perfeita. Nada que uma bela paisagem possa resolver.

O meu papel de parede do desktop é uma foto minha no Castelo de Praga. Naquele dia, a minha roomate queria visitar os jardins do castelo, coisa que eu não queria fazer, já que eu já vi muitos jardins na vida e não é algo que me interesso. Enfim, eu acredito que ela passou cerca de uma hora passeando pelo jardim. O que eu fiz durante esse tempo todo? Nada! Isso mesmo, absolutamente nada.

Praga <3

Praga <3

Sabe aquele momento na vida em que você tem que tomar decisões efetivas para o futuro? Futuro profissional, pessoal, saúde, viagens, ambições, amigos, e todas as questões que parecem não ter resposta depois de alguns anos. Eu fiquei lá, sentada, por cerca de uma hora apenas observando a beleza de Praga com a mente vazia e ao mesmo tempo cheia de perguntas e “estratégias” para se levar na vida.

Aquela vista era tão tranquila e pacífica que eu simplesmente quis aproveitar o momento. Eu estava lá! Lá mesmo, em uma das cidades mais belas do mundo, apenas comigo e fazendo reflexões que ninguém consegue entender.

A verdade é que eu estava morta! Era umas 7 da noite, o sol ainda não havia se posto e eu estava andando desde as 6 da manhã. Subir ali no Castelo de Praga não foi nada fácil e os meus joelhos e costas estavam gritando por ajuda durante a subida na escada. Esse momento de reflexão foi super útil, fisicamente falando, mas eu confesso aqui que uma lágrima caiu. Emoção? Viver, ser feliz e estar ali.

Eu acabei de falar que eu não gosto de jardins. Mas eu passei um dos momentos mais reflexivos das minhas viagens em um jardim. Em Paris eu havia acabado de sair da minha melhor experiência de vida, na Rússia, e estava ali para aproveitar uma semana de férias quando decidi passar pelos Jardins du Luxembourg para caminhar, relaxar e pensar no que acabava de ter acontecido.

Jardins du Luxembourg

Jardins du Luxembourg

Os Jardins du Luxembourg não estavam nos seus melhores dias, já que era inverno e as folhas ainda estavam crescendo. Mas deu pra sentar ali e ficar observando a Torre Eiffel bem de longe, com a mente limpa, sem preocupações.

Talvez a associação da experiência que eu tive na mãe Rússia não fosse tão fácil assim, mas esses pequenos prazeres me fizeram perceber que sim,  eu sou uma privilegiada por ter estado lá.

Quando der, eu vou passar algum tempo só observando a paisagem e “limpando a mente”. Esse pequeno prazer faz muito bem.

 

 

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