Como é difícil dizer adeus!

No post anterior, eu tentei escrever brevemente sobre o meu primeiro dia em Moscou, a minha mala quebrada, o jogo da Champions, e o meu aborrecimento com a Katya.

As primeiras pessoas que me despedi na Rússia, foram as pessoas que ficaram em Saratov, e não foram pra Moscou, como a minha host family, e alguns amigos que fiz, e vi na minha festa de despedida no bar soviético, na principal avenida da cidade.

A segunda despedida aconteceu logo após o jogo da Champions. Me despedi da Katya, do Kolya e da Alina ali no metrô mesmo. A Katya ainda estava super nervosa, com medo de perder o ônibus de volta pra casa, e só deu um tchau rápido, e logo quando o trem chegou, eles foram embora. Mais cedo naquele dia, também nos despedimos da Yasmin, que era aquela brasileira que conhecemos lá em Moscou, já que ela já ia pegar o voo de volta pro Brasil na manhã cedo seguinte.

Naquele momento, ficamos no hostel, eu, o Pedro, o Marcio e o Rhushabh, e a Sasha na casa de um amigo, mas todos os dias nos encontrávamos pela cidade, onde passeávamos, íamos fazer compras, conhecendo museus e outras coisas.

Alguns dias após o jogo, o Márcio partiu pra Praga numa manhã bem cedo. Eu até ia com ele, mas pelo site de passagens não ser muito confiável, a compra da minha passagem foi bloqueada pelo cartão, e fiquei em Moscou mesmo. A partir de então, ficamos nós três, e a Sasha.

No dia seguinte, a Sasha teria que voltar pra Saratov de trem. Como ela estava dormindo na casa de um amigo, nós combinamos de nos encontrar em um determinado ponto, mas chegar até lá foi meio complicado. Eu, o Rhushabh e o Pedro fomos atrás de um restaurante indiano que havíamos encontrado online, mas após rodar a tarde toda em uma parte de Moscou que ninguém conhecia ainda, desistimos de procurar, e encontramos uma Subway, e ficamos por ali mesmo. Já era 18h e ainda não tinha comido nada naquele dia, e juro que comi um sanduíche de 30 centímetros! Até hoje não sei como consegui fazer essa proeza. :)

Essa Subway ficava perto de uma tal estação de metrô, e pedimos pra Sasha ir até lá. Ela chegou, e entregou pra mim e pro Pedro dois presentes muito fofos. Ela nos deu uma caixinha de chocolate com várias barrinhas, e cada uma delas tinha uma letra do alfabeto cirílico, uma palavra que começasse com essa letra, e o desenhinho dela. Era bem didático e meio infantil, mas foi muito fofinho! Fora isso, ela deu uma cartinha que até hoje guardo com carinho. Ali mesmo ela foi embora, e logo senti o peso da despedida. Após a partida daquelas pessoas, eu sentia que deveria ter dado mais atenção pra elas, e agradecer bem mais do que já havia agradecido por tudo a eles.

A partir de então, ficamos só eu, o Pedro e o Rhushabh. Até o fim da minha permanência em Moscou, seríamos só nós três, e confesso que quis aproveitar ao máximo o tempo que tinha com eles. O nosso último dia juntos seria no dia 28 de fevereiro. Acordamos cedo, e fomos dar uma de turistas pela cidade. Ficamos quase todo o tempo juntos, com exceção da visita ao Kremlin, que não pude ir, pois não tinha dinheiro pra comprar o ingresso, que estava muito, muito caro, e ainda estava sem a minha carteirinha de estudante (muito válida!).

Chegou o fim da tarde, e o Rhushabh tinha que ir embora. Ele ainda teria que passar cerca de um mês em Saratov, e lá fomos nós no metrô, indo deixar o nosso amigo ir. Quando ele virou as costas, a partir daquele momento, era só eu e o Pedro. Para comemorar as nossas últimas “horas” como intercambistas, decidimos ir até o Hard Rock Café da ulitsa Arbat, comer um lanche, e conversar, seja sobre a vida, planos, família, amigos, lembranças, e outros. Não sei se o Pedro estava percebendo, mas eu comecei já a sentir o peso da despedida desde a saída da Sasha. Não sei, mas senti que eu poderia ter dado mais um abraço, mais um “obrigada por tudo”.

Lá no Hard Rock, um momento descontraído aconteceu! Sentamos em uma mesa, começamos a conversar, e o Pedro começou a sentir umas goteiras caindo em cima dele, e trocou de lugar na mesa. Sério, menos de um minuto depois disso, um monte de água suja caiu bem na cadeira onde ele estava! Era uma espécie de água com espuma, meio escura que caiu de uma espécie de tampa, que havia bem em cima das nossas cabeças. Agora, já pensou se ele tivesse ali sentado ainda? Fica a dica de ver em todo lugar, o que tem acima das nossas cabeças (risos).

Após comer, voltamos ao nosso hostel, onde tínhamos que passar como uma hora esperando. Passamos mais esse tempo refletindo sobre a vida lá na sala de espera. Quando deu uma hora certa pra ir ao aeroporto, fomos ao guarda volumes do hostel, pegamos as nossas malas e fomos em direção ao aeroporto!

Ali, um dos momentos mais tensos de todo o meu intercâmbio (e creio que do Pedro também) aconteceu. Lá estávamos nós, fim da nossa viagem, com mais compras do que nunca, carregando as nossas malas de volta ao metrô. Em um dia normal (sem malas), o trajeto hostel-metrô era tranquilo. Era como uns 5 minutinhos andando. Cada um de nós estávamos carregando 4 bolsas. Eu estava com a minha mala nova gigante mas com aquelas rodinhas que viram, uma mala de mão (aquela que me ferrou no início da minha viagem), uma bolsa de ombro mesmo, e uma pequena transpassada. Olhando assim, parecia até fácil levar, mas lembre-se que eu sou muito sedentária! Eu até me cansava rápido, mas esse trajeto foi bem mais tranquilo do que da ida a Moscou.

O Pedro, coitado, estava carregando a mala grande dele, uma bolsa de mão que nem a minha, uma mochila, e a minha finada mala quebrada carregando na mão, que estava cheinha de vodka. Ele dava uns dez passos e parava ofegante. Imagina, só a minha mala estaria pesando horrores por causa da vodka. Eu me lembro, em uma certa altura falar algo como “que era a última vez que estávamos nos desafiando naquele frio desgraçado!” Ele estava voltando ao Brasil, e iria despachar tudinho e se livrar do peso, e eu estava indo a Paris, e lá teria uma vida de turista, não de intercambista. Hehe.

Cheguei no metrô, e a senhora que resguardava a entrada olhou pra gente e disse que precisaríamos pagar as nossas passagens, e as das malas. Olha, quando eu fui pra Saratov, e tive que fazer uma baldeação no metrô, só paguei a minha passagem! Mas liguei aquela tecla lá, e não achei problema em pagar uns 2 reais a mais por causa disso.

Chegamos na estação Beloruskaya, e necessitaríamos pegar o Aeroexpress pro aeroporto. Só que o Aeroexpress ficava num prédio fora do metrô. O Pedro disse que ele iria lá fora pra procurar esse prédio, e enquanto isso, eu fiquei ali na estação com as malas. Uns 10 minutos depois, ele voltou, e eu já estava começando a ficar nervosa. Imagina, eu, sozinha, quase meia noite, com 8 malas ao meu redor. Comecei a pensar que as câmeras estavam me monitorando, e alguém poderia estar pensando que eu poderia ter alguma bomba nessas malas. Heheheheh. O mais engraçado, foi que o Pedro voltou, e disse que por pouco ele não entrava, pois a carteira dele havia ficado na mochila, que estava comigo. Sorte a dele que ele havia alguns trocados no casaco.

Então, entramos no trem pro aeroporto, e durante o trajeto, uns 40 minutos, uma playlist bem triste começou a tocar na minha cabeça. Mais algumas palavras trocadas, e chegamos no Sheremetyevo. Olhei para as partidas, e vi que o meu voo pra Istambul já estava com o check in aberto. Imagina o alívio de ter que me livrar das minhas malas logo ali! Foi uma sensação ótima. Nunca mais precisei carregar tanto peso naquela viagem.

Isso era um pouco mais de meia-noite, e o meu voo pra Istambul saía às 6:40 da manhã, e do Pedro, pra Amsterdam, às 6:45, ou seja, teríamos que passar uma bela noite no saguão do aeroporto. Agora, imagina a enrolação. Não tinha nada aberto no aeroporto, com a exceção de um restaurante com nenhuma comida atraente. Todas as lojas do complexo do Aeroexpress estavam fechadas, e foi uma batalha pra encontrar alguma tomada disponível.

Depois que achamos essas tomadas, foi fácil passar a noite, especialmente pelo aeroporto ter wi-fi livre e ilimitado. Liguei o skype com um amigo, e passei umas boas horas lá batendo papo com ele. Me lembro que ele me prometeu me levar para comer uma comida regional assim que eu chegasse, já que ele não estaria em Manaus para me buscar no aeroporto. Mais de um ano se passou, e ainda não fui comer com ele! Estou aguardando convites. :)

Depois que abriu o check-in pra Amsterdam, o Pedro foi lá, despachou as coisas dele, e decidimos logo embarcar. Não pegamos nenhuma fila, e a imigração foi bem tranquila. Eles carimbaram a minha saída na última página do meu passaporte, pegaram a minha folhinha da imigração, que havia preenchido na entrada, e pronto! Teoricamente, estávamos fora da Rússia.

Estava morrendo de fome, e já que não tinha nada pra comer no saguão do Sheremetyevo, eu achei que na área do embarque, teria algo. Realmente, lá havia uma área de free shop grande, com vários chocolates, perfumes, bebidas (claro, é a Rússia!), mas não comprei nada, mesmo achando os preços bons. Por exemplo, o perfume Prada Milano grande estava só 52 euros. Em Paris, eu achei esse perfume só mais que 70 euros. Agora vai comprar um Prada Milano aqui em Manaus pra te ver…

Fora o free shop, só haviam uns dois lanches abertos, mas eles eram estranhos. Acho que um era só de comida saudável, e o outro, de doces. Sinceramente, não gostei da aparência de nada dali, e comprei só uma Coca Cola, e uma espécie de Club Social russo em uma maquininha tipo vending machine.

Isso já era quase 5 da manhã, e meus olhos estavam fechando. O Pedro perguntou se ele poderia pegar as fotos que eu tinha do nosso intercâmbio no computador, e enquanto isso, deitei minha cabeça na mesa e tirei uma soneca. Alguns minutos depois, o Pedro pergunta se não era a hora de nós irmos, pois as companhias aéreas já estavam se organizando. Quando as filas começaram a crescer, nos levantamos, e me despedi dele.

Sabe, foi um aperto no coração muito grande, não só pelo Pedro ter se tornado um grande amigo durante a viagem, mas também por ele ser o último. O último! Quando iria voltar pra Rússia? Quando eu veria novamente algumas daquelas pessoas? Desde a minha host family, os meus estudantes, os professores, o meu amigo que me buscou na chegada, o pessoal da AIESEC e todos os amigos trainees que fiz? Eu senti que havia chegando na reta final, e eu tinha acabado de desapegar da última pessoa.

No meio da fila de embarque, eu não resisti. Eu chorei que nem uma criança! Todos aqueles momentos me vieram à mente, e chorava horrores! Senti uma pena vindo das aeromoças que me viram entrar no avião. Fiquei triste sim, mas engoli o choro quando vi a situação lá fora. Estava nevando forte, e comecei a pensar como o avião subiria naquelas condições. O medo de avião voltou, e por um momento esqueci a saudade e comecei a ficar apreensiva. Não sei se ficava feliz ou não, quando o piloto, com um sotaque turco bem forte, falou, com uma voz de preocupação que o avião estava fazendo o degelo das asas. E se aquele degelo não fosse bem feito? Socorro!

O avião decolou. Minutos depois, acabei relaxando, e voltei a ficar triste. Comecei a assistir um filmezinho, e fiquei esperando a minha chegada a Istambul, mas por algum motivo, todas aquelas imagens não saíam da minha cabeça. Horas depois, peguei a minha conexão a Paris, e fui aproveitar meus dias na França.

Nada melhor que a sensação de estar um passo mais perto de casa, mas saber que lá do outro lado do mundo, existem pessoas que você vai guardar no seu coração pra sempre é quase inacreditável.

Longe de casa, mas no centro do mundo

Continuando com mais detalhes sobre o último post, a chegada na Rússia foi tranquila, mas vale ressaltar alguns detalhes sobre locomoção ali. Fica a dica para outras pessoas que podem passar pela mesma situação que a minha. Eu não ia ficar em Moscou, e sim numa cidade no interior. E teria que arrumar uma maneira de sair do Aeroporto de Sheremetyevo e ir até a estação Paveletskaya, que é tanto estação de metrô quanto de trem.

Para viajantes que vão ao interior, vale uma dica: verifique a estação de trem (que também atuam como metrô) que vai até a sua cidade de destino, e depois verifique qual o aeroporto que tem uma conexão direta ou mais próxima para esta determinada estação.

Foi o meu erro. Antes de explicar o meu raciocínio, todos os três grandes aeroportos de Moscou (Sheremetyevo, Domodedovo e Vnukovo) são ligados por um trem de superfície chamado Aeroexpress a três estações de metrô (Belorusskaya, Paveletskaya e Kievskaya respectivamente). Mais informações desse trem, com horários e preços em http://www.aeroexpress.ru/en/

Eu cheguei no Sheremetyevo e deveria pegar o trem para Saratov na estação Paveletskaya. Nesse caso, tive que partir no Aeroexpress até à sua estação respectiva, a Belorusskaya, e depois fazer uma baldiação no metrô até a Paveletskaya. Minha vida teria sido mais fácil se eu chegasse no aeroporto de Domodedovo, por motivos óbvios de conexão.

No Sheremetyevo, as indicações para chegar ao Aeroexpress são bem claras pelo menos, mas estão escritas em cirílico. Nada melhor que já sair do Brasil com uma noção do alfabeto. O desembarque acontece no andar de baixo, e é preciso pegar um elevador até o andar acima. Lá, existem várias máquinas do Aeroexpress, inclusive em inglês, e o ticket pode ser comprado ali. Com as passagens em mãos, é bom ir partindo logo para o complexo do Aeroexpress, que é bem junto ao aeroporto, só seguir as placas vermelhas. Modéstia a parte, esse complexo tem mais lojas, lanchonetes, e outros estabelecimentos do que o aeroporto em si. Fica a dica pra quem quer pelo menos comer alguma coisa antes de partir.

Eu não tive tempo de passear pelo complexo na chegada. Saí correndo para o trem, que já ia partindo, e demorei pra achar um lugar vago. Lá, pelo menos passavam de vez em quando umas senhoras vendendo água, salgadinhos e afins. Os trens são super modernos, e com opção de classe executiva e econômica. Cerca de meia hora depois, chegamos à estação Belorusskaya, e depois de sair desse complexo do Aeroexpress, que é fora da estação de metrô em si, entramos no metrô.

O meu amigo me levou até a parte superior da estação, onde se vendiam as passagens, e após comprarmos, liguei pra Katya, minha TN Manager (a pessoa que estava cuidando da minha chegada à Saratov). Avisei a hora de chegada, número do vagão e pronto. Era só esperar a partida!

Minha passagem de trem Moscou-Saratov.

Ainda faltavam algumas horas para o trem sair, e o meu amigo me perguntou se eu queria conhecer a Praça Vermelha. Eu, com um sorriso no rosto disse: “claro!” Mas antes de ir até lá, nessa mesma estação, fomos até a seção de guarda volumes para deixar as minhas malas. Esse guarda-volumes ficava num subterrâneo muito escondido. Esse lugar era meio sombrio, caindo aos pedaços, e me senti de volta aos tempos soviéticos ali.

Era 7 de janeiro, sábado à noite, e data do Natal ortodoxo. A Praça Vermelha ainda estava lotada, cerca de umas onze da noite. Achei aquele lugar incrível! Mas logo percebi outro dilema. Levei uma máquina simples, mas de 14 megapixels, e notei que a qualidade das minhas fotos não saía tão bem ao ar livre em climas frios, que nem aquele. Então, o meu amigo tirou da mochila dele uma câmera profissional e começou a tirar fotos! Depois ele me passou por email. Fica outra dica: levar uma câmera semi ou profissional pro próximo inverno.

Depois fomos ao Mc Donald’s da Praça Vermelha (que sempre está lotado), e comi um lanche, afinal, não comia há muito! O gosto do Mc Chicken era igual ao que eu sempre compro aqui no Manauara Shopping, mas fiz questão de tirar uma foto do Mc Donald’s em cirílico! Mal eu pensava que o meu almoço iria se resumir ao Mc Donald’s por quase todos os dias de trabalho em Satatov.

Mc Donald’s, em cirílico!

Cheguei na plataforma do trem, o meu amigo me mostrou o vagão, onde eu podia beber água, onde era o banheiro, e me mostrou onde estavam o meu travesseiro, lençóis, toalhas e etc. Chegou meia noite, e o trem começou a se mover devagar, e o Vasily ficou lá até o trem partir de vez. Mais uma vez, sou extremamente grata pela ajuda! :)

Era noite, e mesmo tendo dormido durante quase todo o percurso, decidi dormir mais ainda. A minha cabine tinha 4 camas, e eu fiquei em uma de baixo, e todas as outras eram ocupadas por homens. O que estava na cama acima da minha saiu logo pela manhã, ficando apenas um senhor ao meu lado, que agia muito naturalmente, até demais ali dentro, e um adolescente, que estava na cama acima dele. Uma coisa que achei demais, era o fato desse adolescente falar muito ao telefone! Onde que no Brasil teria sinal de celular no meio de uma linha férrea?!

Quase no fim das dezoito horas de viagem, os dois começaram a me perguntar em Russo de onde eu era. Eu tentava me comunicar em inglês, também gesticulando, já que o meu russo era o mais básico possível. Quando eu disse que eu era de “Braziliya”, ou seja, Brasil, eles me perguntaram algo que iria ter que responder muitas vezes na Rússia: “O que você veio fazer aqui em Saratov? Aqui não tem nada. O seu país é lindo, e tem verão, e você vem no inverno?” Procurei a palavra “volunteering”, que significa voluntáriado em inglês no meu dicionário inglês-russo, e quando eles viram o significado em russo, eles se olharam, e se impressionaram com isso. Ficamos nesse jogo de comunicação através de gestos e mostrando palavras no dicionário até desembarcar em Saratov.

Saí do trem, procurando a Katya, ou pelo menos como ela era nas fotos, e também outros brasileiros, um que eu já conhecia por estudar comigo, e outro que ainda não conhecia. Logo os reconheci, e entramos no carro, em direção à minha futura casa por dois meses. Estava nevando, e antes que eu pudesse me impressionar com a neve, senti um alívio profundo por finalmente, ter chegado ao meu destino.