Linderhof: castelo ou palácio?

Linderhof é um dos lugares inesquecíveis a se visitar na Baviera, e escrevi (só um pouquinho) sobre neste post aqui. Mas o que é Linderhof? Castelo? Palácio? Quem construiu? Onde fica? Vale a pena visitar?

Primeiramente vou confessar que não conhecia Linderhof até o dia que fui até lá. Comprei no concierge do hotel um passeio para Linderhof, Oberhammagau e o castelo de Neuschwanstein, que incluía todo o translado e ingressos.

Eu no castelo de Linderhof (desconsiderar essa cara, hahaha.)

Eu no castelo de Linderhof (desconsiderar essa cara, hahaha.)

Dessa vez não vou contar pra vocês em detalhes o que aconteceu, mas acabei não visitando Neuschwanstein por causa de uma emergência médica, o que me deixou arrasada. Pelo menos tive um belo prêmio de consolação, que foi conhecer a linda Linderhof enquanto ainda estava tudo bem.

Enfim, a maioria dos sites e blogs em português classifica Linderhof como castelo, fato que discordo, pois ela não tem nenhuma característica de castelos que nós conhecemos. Para tirar a dúvida, vamos à raiz da palavra: Linderhof é classificada em alemão como Schloss, ou seja, palácio. E vou classificar mais ainda: diria que Linderhof é um palacete, que lembra muito uma casinha de boneca.

Quem construiu Linderhof foi o rei bávaro Luís II (ou Ludwig II em alemão), que foi conhecido como der Märchenkönig, ou seja, o rei “conto de fada”. Isso por que ele tinha um projeto de construir uma série de palácios na Baviera que remontavam a contos de fada. Dentre esses palácios se encontram Neuschwanstein, Herrenchiemsee e claro, Linderhof.

Linderhof

Linderhof

Ludwig também foi envolvido em muitas polêmicas, e até hoje ele ostenta a fama de louco: tanto pelas ideias de grandeza e opulência refletidas nos palácios, gastos de uma grande quantidade de dinheiro, o casamento que nunca saiu do papel com a prima Sisi, e o forte envolvimento (possivelmente amoroso) com o famoso compositor Richard Wagner.

Ludwig mandou construir Linderhof como se fosse uma residência particular para ele, por isso o tamanho diminuto do palacete. Os cômodos dali foram projetados para só uma pessoa, e a localização isolada reforça a ideia de paz e tranquilidade que Ludwig pretendia manter longe de Munique e outras cidades da Baviera.

Linderhof recebeu muitas influências de Versailles, levando em conta a adimiração que Ludwig sentia pelo Rei Sol Lous XIV. A decoração estilo rococó com muitos detalhes em ouro é um reflexo da ostentação que o rei bávaro gostava de mostrar, fato que preocupava os responsáveis pelas finanças do reino.

Infelizmente não é possível tirar fotos de dentro do palacete. Então fica aí a inspiração e a imaginação. :)

dscf0963

Isolamento: no meio da natureza

Isolamento: no meio da natureza

Duas outras grandes influências de Versailles são sentidas em dois lugares. A galeria dos espelhos é provavelmente uma cópia menor do famoso salão dos espelhos do palácio de Louis XIV. Não que isso seja algo ruim, pois ambos os cômodos são bonitos do seu jeito.

Um outro lugar que também merece destaque são os jardins, que Ludwig chamava de Jardins dos Prazeres. Muitos também dizem que a influência de Versailles é óbvia, considerando as formas retas e detalhes com água. A gruta de Vênus também é um destaque de Linderhof, atraindo muitos visitantes.

Infelizmente não pude apreciar nem o jardim quanto a gruta. Era fim de dezembro: a gruta estava fechada, e os jardins cobertos de neve.

Mesmo muito frio, achei Linderhof encantadora! As visitas ocorrem com grupos fechados em horários específicos, então não é bom perder a hora da entrada, quando o guia chama. Existe também uma loja de lembrancinhas com um preço meio salgado, para os que se interessarem.

Entrada de Linderhof (lojinha e restaurante ao fundo)

Entrada de Linderhof (lojinha e restaurante ao fundo)

Enfim, visita recomendadíssima e interessante! Visite Linderhof! :)

Pedaços do mundo

Cada povo possui suas próprias características e cultura, e uma das formas onde percebemos essas peculiaridades é através da culinária local. Afinal de contas, viajar por si só já é uma oportunidade de conhecer coisas novas – e a comida é um desses meios! :)

E falando em culinária local, não é preciso gastar uma fortuna em restaurantes para conhecer o que o povo daquela cidade gosta de comer. Às vezes encontramos pérolas em barraquinhas bem simples, ou em fast foods especializados da região. Mas enfim, seguem algumas dicas para aproveitar todo e qualquer tipo de comida!

Pesquise sobre a culinária local, assim você já vai se ambientando com as possíveis comidas que você vai encontrar durante a sua viagem.

Caso exista algum tipo de restrição alimentar, considere bastante o que você vai comer. Mas se essa restrição for irrelevante (especialmente quando tratamos de saúde), abra sua mente para novas possibilidades.

Barraquinhas na rua com várias pessoas é um bom sinal! Se jogue nela!

Mas se você tiver oportunidade, saia para comer num bom restaurante pelo menos uma vez. Garanto que a experiência será inesquecível.

Deixe as calorias para lá, afinal de contas, se você é um daqueles viajantes “level hard”, as andanças pelas cidades vão te ajudar a manter o peso :)

Não deixe a higiene te levar. Às vezes nos preocupamos demais com a qualidade da comida e deixamos de aproveitar coisas. Já percebeu que o Fish and Chips é dado numa folha de jornal?

Mas se a situação for muito tensa, e as condições sanitárias serem extremamente precárias, a saúde vem em primeiro lugar, obviamente.

Se a cidade possui um grande mercado, essa é uma visita que vale a pena.

Procure saber de questões culturais antes de viajar para algum país. Afinal de contas, o choque cultural também existe na mesa.

E é claro que eu pessoalmente tenho as minhas preferências na “cozinha do mundo”! Vou fugir um pouco dos estereótipos como Paella, Sushi, Pizza, Tacos e afins, e vou apresentar 5 coisas que eu adoro, mas acho difícil, ou até mesmo impossível de se encontrar para vender aqui no Brasil.

– Kürstoscalács (Hungria): Ele é um pãozinho caramelizado ao fogo que tem forma de cano, e pode receber uma espécie de “cobertura” de coco, canela, baunilha e outros sabores.

Comi esse Kürstocalács inteiro em uma tarde.

Comi esse Kürstocalács inteiro em uma tarde.

– Blinis (Rússia): Blinis não são panquecas nem crepes! Eles em geral são mais finos e são feitos com uma massa mais leve. Eles sempre são comidos com geleias que são típicas das regiões onde eles são feitos.

Mesa com blinis e biscoitos russos.

Mesa com blinis e biscoitos russos.

– Bratwürst (Alemanha): Esse é o famoso “pão com salsichão” alemão. Não importa se eu cozinho aqui no Brasil, o gosto nunca será o mesmo da Alemanha.

Nhami!

Nhami!

– Cordeiro (Colômbia): A carne de carneiro é diferente da de cordeiro, e é bem difícil de achá-la assada na brasa aqui pelo Brasil. Mesmo assim, o ar na Colômbia é diferente… o gosto sai diferente também!

Nhami!

Nhac!

– Pirulin (Venezuela): Eu classificaria o Pirulin como algum tipo de droga viciante. Ele é simplesmente a coisa mais DELICIOSA do mundo! Você come um e não consegue mais parar! Infelizmente ele só é vendido na Venezuela e faz 7 anos que eu não vou pra lá. :( Para aqueles que (infelizmente) não o conhecem, o Pirulin é um daqueles canudinhos crocantes que colocamos no sorvete recheado com Nutella. Saudades e amor eternos! :’)

Hoje só restou a lata, que guarda algumas pulseiras.

Hoje só restou a lata, que guarda algumas pulseiras.

 

E o pitoresco é sempre belo

Quando a cidade é muito antiga e poucas coisas mudam, aquele ar de volta ao tempo se consolida na nossa mente, e em muitas vezes, de uma maneira belíssima! Isso que eu senti com a cidade alemã de Cochem, que fica às margens do rio Mosela.

Fomos até lá em uma excursão de ônibus, que teria Frankfurt como destino final. Pelo caminho, deveríamos passar por essa tal cidadezinha, mas sinceramente eu não esperava muito. Na verdade, nessa época eu não pesquisava muitas coisas antes sobre os lugares que eu ia, mas gostava de aprender bastante a partir do momento que eu chegasse lá.

Então, quando o ônibus começou a descer a montanha, logo vi uma das imagens mais fofas na minha vida! Um castelo no topo de um morro milimetricamente planejado com pequenas casinhas de telhados alaranjados na beira do rio. Todos que estavam no ônibus deram aquele suspiro de surpresa quando começamos a entrar na cidade.

Reichsburg Cochem

Reichsburg Cochem

Descemos todos e cada um era livre o suficiente para desvendar a cidade da sua maneira. Primeiramente seguimos até uma rua, que levava a uma parte mais moderna da cidade. Ali tudo era bem organizadinho, mas não era o que estávamos procurando. Queríamos sentir aquele choque do presente com o passado, ver construções antigas e claro, nos deleitar com a paisagem.

Voltamos até a base da ponte, que tinha um tour com um trenzinho que passava por toda a cidade. O nosso guia nos havia recomendado essa viagem pelas paisagens e quantidades de informação disponíveis, porém tínhamos como umas duas horas e meia para conhecer a cidade e o único horário disponível nesse break estava lotado de trilhares de turistas chineses.

Vista linda!

Vista linda!

Fica a dica de quem quiser andar no trenzinho, mas ainda bem que nós temos pernas e vitalidade pra andar! Atravessamos a ponte e conhecemos um pouco do outro lado da cidade, mas eventualmente acabamos voltando e continuamos sempre na margem do rio, aproveitando a vista e tentando aprender um pouquinho mais da cidade.

Nesse meio tempo, fomos tentar descobrir alguma informação importante sobre o castelo. Como não conseguimos subir até lá pelo tempo, achei importante procurar alguma informação sobre o assunto. Esse lindo castelo foi construído lá pelo século XII e logo foi ocupado por um rei, que decretou o status de castelo imperial. Com a ocupação francesa na época do Rei Sol, o castelo foi destruído e apenas nos anos 1800s, o castelo foi reconstruído e continua aberto até hoje.

Reichsburg Cochem visto da estrada

Reichsburg Cochem visto da estrada

Outras coisas interessantes de se fazer em Cochem incluem o aluguel de bicicletas para explorar a cidade, fazer trilhas pelas montanhas ao redor, a degustação de vinhos em vinhedos pela região, e dependendo da época, participar de festivais específicos ou até presenciar um “Easter Market” ou até um “Christmas Market”.

Cochem é linda demais, assim como outras cidadezinhas na beira do Reno ou do Mosela com as mesmas características. Aproveitar essa atmosfera germânica longe das grandes cidades é essencial para quem vai passar uns dias na Alemanha.