No topo do mundo

Outro dia escrevi sobre a “saída da zona de conforto” relacionada com o choque cultural por aqui, e o post de hoje é meio que uma continuação dele. Só que vim falar de um fator físico, e não psicológico. Estou falando da altitude, e como ela pode afetar qualquer pessoa desprovida de alguma resistência física.

A América do Sul provavelmente é a região do mundo com a maior concentração de grandes cidades no topo de montanhas, e logo lembramos de capitais como Quito, Bogotá, La Paz, e claro, fora outras cidades que se encontram a mais de 2500 metros de altitude.

Quanto mais alto estamos, o ar se torna mais rarefeito (ou seja, existe uma menor pressão da atmosfera e a concentração de oxigênio é menor), o que pode dificultar a respiração de algumas pessoas. Com isso, menos oxigênio corre pelo corpo, causando alguns efeitos colaterais, como dores de cabeça, sono, tontura, má digestão, enjoo e afins. Esse “mal da montanha” ou até mesmo “soroche” (expressão utilizada principalmente no Peru) acontece principalmente com aqueles que estão acostumados com altitudes próximas ao nível do mar.

Mas como evitar esses sintomas chatos, Sand? 

Não adianta abraçar o mundo com braços e pernas, ou seja, não adianta querer subir a escadaria para Monserrate logo após a saída do aeroporto sem sentir nenhuma fadiga. Ir acostumando o corpo aos poucos pode ser o melhor remédio.

Hidratação sempre, e falo de água! Bebidas alcoolicas podem só piorar os sintomas e até causar uma ressaca ainda pior.

Condicionamento corporal ajuda bastante! Que tal fortalecer o corpo antes de viajar? Nada que alguns dias de academia, caminhada e natação não ajudem a preparar o corpo.

Coma aquilo que você está acostumado, mas dê preferência à comidas leves e de fácil digestão. Quanto maior a digestão, mas energia (consequentemente oxigênio) o corpo vai gastar.

Consulte um médico caso você tenha algum problema cardíaco ou pulmonar. Algumas pessoas (especialmente idosos) são proibidos de viajar para grandes altitudes.

Dormir bem, não só em qualquer altitude mas também em qualquer viagem. :)

Afinal de contas, toda dica é bem vinda sempre! Assim como você não pode entrar num avião partindo do Rio de Janeiro com destino a Londres no verão daqui usando short, sandália e uma blusinha leve, para desembarcar e pegar temperaturas abaixo de zero, você não pode fazer o que o seu corpo não pede quando passamos de uma altitude 0 para uma 3000.

Existem pessoas que não sentem nada desse mal da montanha? Com certeza! Eu sou uma que nunca tive dor de cabeça, sangramento nasal ou tonturas nas minhas ida para a Colômbia. Para dizer que não senti nada, a única dor que senti em toda a minha vida foi a descida de uma montanha chegando em Villa de Leyva, onde o meu ouvido foi estalando até o fim.

Enfim, com cuidados e com tempo (sim, ele é o melhor remédio, risos), os efeitos da altitude são minimizados. Mas se privar de viagens para países lindos com medo de consequências de saúde, isso não pode.

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Bucolismo Colombiano

A Colômbia é um país ainda desconhecido para muitos brasileiros. Já que a minha família é proveniente da região andina da Colômbia, eu não faço parte desta estatística. A minha primeira viagem teve Bogotá como destino final, e apesar de sempre ficarmos bastante tempo na capital, a minha família sempre gosta de passar alguns dias no interior.

Hoje eu vou falar de Sotaquirá, ou como nós chamamos, “Sota”. Dificilmente pessoas que já conhecem o país, e inclusive colombianos natos conhecem essa cidade. Falo dela porque essa é a cidade onde o meu avô nasceu, e onde toda a nossa família se estabeleceu há muitos anos atrás.

Segundo a Wikipédia, Sotaquirá tem cerca de 8 mil habitantes, muito menos que algumas cidades do interior do Amazonas. Ela fica a 3 horas dirigindo de Bogotá, e a cidade ganhou muito respeito na primeira metade do século passado com a produção de leite. O meu avô costuma falar que os queijos produzidos na fazenda dos pais dele eram incríveis!

Portal de entrada para o “pueblo” de Sotaquirá

Após passar pelo portal da cidade, temos que passar alguns minutos atravessando uma estrada de pedra pelo “Valle de Sotaquirá”. Esse vale é tomado por fazendas, especialmente de produção leiteira. Com certeza veremos muitas vacas pelo caminho! A vista é incrível! Vemos um vale tomado por gramados, e, ao fundo, a pequena Sota surge no meio das montanhas, com destaque para os telhadinhos vermelhos.

Subindo a montanha, chegamos na cidade. As ruas são todas de pedra, e as casas, em sua maioria preservam a arquitetura original da cidade, com paredes brancas, com a metade de baixo pintada de verde escuro, e telhados de barro. Muitos dos habitantes são colombianos tradicionais, utilizando ponchos e grandes chapéus.

Pracinha de Sotaquirá

 

Como a cidade fica no topo de montanhas, é normal termos altos e baixos. Apesar de termos uma bela vista por quase toda a cidade, existe um lugar que particularmente acho incrível: o cemitério! Sem dúvida, a vista mais bonita fica ali! A vista do vale é magnífica, assim como a do pueblo. Além do mais, o por de sol é lindo! Dá uma sensação de paz apaixonante! Tenho certeza de que todos os meus antepassados enterrados ali estão descansando com a total paz que as montanhas podem trazer.

Linda vista do cemitério

Toda vez que eu saio da cidade, me dá uma sensação estranha, pois sinto que um pedacinho de mim veio dali, e que, por morar relativamente longe, a dúvida bate em saber quando eu retornarei para lá. Da última vez que eu senti esse aperto no coração, imaginei que talvez, eu nunca mais voltaria ali. Demorou nove anos, mas voltei. Quando é que eu volto então?