O que é importante saber sobre Villa de Leyva

Olá, internet! Faz tempo que eu queria fazer um post específico sobre Villa de Leyva, mas o problema é que eu havia visitado essa linda cidade boyacense há muitos anos, quando eu nem era adolescente ainda! Também faltavam informações mais concretas sobre o lugar, já que eu havia esquecido de muitas coisas e também não havia buscado nada muito específico na minha primeira visita.

Ontem (amém que finalmente estou de férias!) eu fiz um post estilo relato sobre a cidade e prometi a mim mesma que eu iria escrever um texto mais informativo sobre VdL ainda hoje. Então vamos lá!

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O que é?

Villa de Leyva é uma das cidades coloniais colombianas mais conhecidas pelo público em geral. Ela foi fundada em 1572 e muitos dos seus edifícios são bem antigos ou mantém características originais.

Para ajudar a “continuar com o clima colonial”, mesmo novas construções na cidade precisam manter algumas características, como o tipo de telha, número de pavimentos, cor das casas e esquadrias assim como o material e o acabamento destes. Isso faz com que toda a cidadezinha mantenha o mesmo padrão, o que deixa tudo bem mais charmoso.

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Como chegar

Antes de começar, vale ressaltar que esse é o ponto de vista de uma pessoa com carro, mas existem ônibus que saem para Villa de Leyva todos os dias, tanto de Bogotá quanto de Tunja.

Villa de Leyva fica no departamento de Boyacá (que eu já falei muitas e muitas vezes aqui), e chegar lá não é difícil para quem sai de Bogotá. De acordo com o mapa, a viagem pela estrada via Tunja dura mais ou menos 2h40 para quem sai da capital, mas eu não recomendaria isso.

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Bogotá a Villa de Leyva via Tunja

Se você tiver tempo, fique alguns dias em Boyacá! Não é somente por causa de minhas origens, mas também (e mais importante) pelo fato de Boyacá ser absolutamente deslumbrante! Existem muitos lugares lindos a serem visitados, e muitos deles não tem aquela congestão de turistas. Preços são acessíveis, e também ajuda o fato de que Boyacá é um dos departamentos mais seguros e um dos que possuem idh mais alto na Colômbia.

Mas (voltando ao tema do tópico) se realmente não for possível, não se preocupe com a qualidade da estrada até Villa de Leyva, mas já vou falar de uma ressalva. A estrada parece um tapete, e até Tunja (que é a capital de Boyacá) a via é duplicada. Lembrando que estamos nos Andes e alguns trechos da estrada são sinuosos, e é preciso ter cuidado após Tunja, já que Villa de Leyva fica num vale, então passamos por vários trechos de descida com curvas.

A ressalva é o caminho via Arcabuco. Como havia pico y placa em Tunja, evitamos passar por lá na ida e decidimos pegar esse caminho alternativo, só que a estrada não está em boas condições. Na verdade, parte dela nem é asfaltada, e isso atrasou muito nossa chegada.

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Saímos de Paipa e fizemos o desvio rosa na ida (que demorou muito mais)

 

Pontos de interesse em Villa de Leyva

Primeiramente tenho que dizer que a cidadezinha por si já é um encanto! Apreciar as ruas e as construções já é o maior charme que você poderá ver! Como muitas das construções são bem antigas e todas seguem o mesmo padrão (e é muito difícil de encontrar cidades assim tão bem conservadas), é muito legal de ver o conjunto da obra, digamos assim.

Talvez o ponto de partida para começar a explorar Villa de Leyva seja a Plaza Mayor, e ao redor dela existem vários lugarzinhos a serem explorados como alguns museus, e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Também existem uma série de lugarzinhos onde vendem comida, tanto típicas quanto algo mais internacional.

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Construções típicas de Villa de Leyva

Eu também gostei de ir numa chocolateria quase ao lado da Igreja do Rosário. O nome do lugar é Museu del Chocolate, mas na verdade é uma loja que vendem uns doces maravilhosos! Não achei tão caro e é bem gostoso, de verdade!

Nos arredores de Leyva (daí precisa de um tipo de transporte próprio) também é interessante ver a Casa de Terracota e o museu paleontológico (já que alguns fósseis de dinossauro foram encontrados por ali).

Não é difícil de encontrar locais para hospedagem dentro do coração da cidade. Como o local é pequeno, é bem fácil de se locomover a pé. Acho que só é ruim puxar as malas pela cidade por causa da rua que é revestida de pedras gigantes.

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Vista desde a Plaza Mayor

Ráquira

Como falei mais acima, Boyacá tem muita, muita coisa para fazer! Existem algumas cidadezinhas ao redor de Villa de Leyva que merecem uma visita, mesmo que rápida.

Por exemplo, Ráquira é conhecida como a capital das artesanias de Boyacá. Uma série de produtos feitos pelos locais são vendidos pelas ruas, e a preços muito bons! Fora que a cidade em si é um encanto, cheia de cores e sensações.

Ráquira fica bem pertinho mesmo de Villa de Leyva, e acho que vale a pena conferir.

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Villa de Leyva e memórias

A primeira vez que fui a Villa de Leyva foi em 2003. Eu já era grandinha o suficiente para me lembrar de muitos detalhes, e algumas coisas foram tão marcantes que sempre quis ter a oportunidade de voltar lá e ver tudo… de novo!

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Me lembro que tinha uma praça central – normalmente na América Espanhola essas praças são chamadas de Plaza Mayor – e o piso dela era de pedras amarelas. Não de paralelepípedos, mas pedras grandes, e era muito difícil de caminhar. Dava pra estacionar bem no meio da praça, e foi lá que ficamos.

Ao redor da Plaza Mayor haviam várias casinhas brancas com telhado de barro, e elas eram divididas em várias lojinhas, que vendiam artesanatos. Era cada coisa linda! Saíamos de uma loja e entrávamos em outra, e sempre com uma sacolinha a mais! Compramos tanta coisa que por muito tempo a decoração da nossa casa era puramente colombiana, e algumas dessas coisinhas vieram dali.

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Uma loja ao redor da Plaza Mayor que vende ruanas e ponchos

Me lembro que não haviam tantos turistas. Quando víamos algum, eles falavam espanhol, e pareciam latinos mesmo. Os mais “exóticos” eram nós, os brasileiros.

Como não esquecer da viagem de carro até lá? Villa de Leyva fica num vale, e pra isso precisamos descer a montanha numa estrada cheia de curvas. O ouvido espocava e estalava, e nunca havia sentido essa dor na minha vida. Na volta me lembro claramente do meu primo me oferecendo um chiclete apimentado de metro que tinha o desenho de uma régua. A quantidade de centímetros que você mastigava te dava um apelido, algo como “você é forte por conseguir mastigar essa quantidade de chiclete”.

Pois é… recentemente consegui voltar para Villa de Leyva. Agora em Boyacá eu falei com meus primos e disse que topava viajar para qualquer lugar dali que eles quisessem, mas eu dei todas as indiretas possíveis sobre Villa de Leyva, haha. Fizemos uma programação e encaixamos essa viagem para um determinado dia lá.

Quando cheguei, vi que muita coisa continuava a mesma, mas tudo estava muito diferente! As ruas com suas pedras gigantes continuavam as mesmas. As casinhas ainda eram brancas e ainda possuíam telhadinhos de barro. As ruas continuavam floridas. As montanhas estavam iguais! O cenário que vi enquanto meu primo me dava o chiclete apimentado há muitos anos era o mesmo!

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Ruas adjacentes seguem esse padrão: piso de pedras, casas brancas com esquadrias de madeira (pintadas de verde escuro) e telhadinhos de barro

Não conseguimos estacionar o carro no meio da Plaza Mayor, nem nas ruas adjacentes. Hoje é proibido e os oficiais multam mesmo! Isso é uma coisa boa (eu acho), pois ajuda a preservar o local, impedindo que uma variedade de carros entupam sua área mais icônica.

Cadê os artesanatos? A estrutura das lojas continua no mesmo lugar, mas seu conteúdo mudou. As “artesanías” viraram bares, pizzarias e outros estabelecimentos mais internacionais, quero dizer, sem muita essência boyacense.

Enquanto em 2003 nós éramos provavelmente os únicos estrangeiros dali, hoje em 2018 vi muitos gringos nos arredores da Plaza Mayor. Alguns até aparentavam estar perdidos, mas quando estava quase indo na direção deles para oferecer ajuda (aparentemente eles não falavam espanhol), eles pegaram suas malas e saíram sem rumo como se estivessem procurando alguma coisa.

Assim, eu fico muito feliz que Villa de Leyva esteja atraindo visitantes que não são da Colômbia. Boyacá em geral é muito bonita e basicamente desconhecida do público internacional, então me enche de orgulho saber que uma pequena parte de minha terra esteja atraindo pessoas de lugares tão diversos.

É impressionante ver como a cidade cresceu. Ela ainda continua pequena se compararmos com outras cidades, mas me lembro claramente de alguns lugares nos arredores que eram cercados pelo nada e que hoje já possuem comércios e uma vida mais animada.

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Uma varandinha

Uma frase que eu sempre falo é “o tempo passa e nem percebemos”. Tempo passou muito rápido. 15 anos se passaram num piscar de olhos. É interessante comparar a primeira e a segunda visita e ver o que mudou e o que continua igual. Sabe… isso não é uma comparação ruim tipo aquelas que dizem que tal coisa é raiz e outra coisa é nutella. O passado foi muito bom, mas o presente também é bom no seu tempo. O mais legal é ver que você presenciou duas situações diferentes: como era, e como é.

Leyvinha continua linda! Hoje é meu primeiro dia de férias (teoricamente ainda não estou 100% de férias, mas falta bem pouco), então me inspirei em fazer um relato mais pessoal, mas eu queria muito em breve (tipo amanhã) escrever sobre algumas coisas interessantes para fazer em Villa de Leyva, assim como outras informações importantes.

Mas o importante é que me senti muito realizada com a minha volta para Villa de Leyva. Sinto que realizei um pequeno sonho de visitar novamente esse local.

8 cidades históricas para você conhecer na Colômbia

Quando os brasileiros resolvem conhecer a Colômbia, normalmente ficam no eixo Bogotá – Cartagena – San Andrés. É compreensível, pois esses são os três locais mais falados no país, mas assim como o Brasil não se resume a somente Rio e São Paulo, a Colômbia também possui muitos outros lugares maravilhosos não tão frequentados por turistas.

Puxando um pouco a brasa para minha sardinha, hoje vou falar sobre 8 cidades coloniais que existem no departamento de Boyacá, onde ficam as origens da minha família. A região é linda, e é uma pena que poucas pessoas conheçam esse lugar.

Os textos vão ser bem reduzidos devido a quantidade de itens, mas o que está aqui é o suficiente para termos uma visão geral de cada cidade!

  1. Tunja (Pop: 191.000 hab)

Tunja é a capital de Boyacá, a cidade mais populosa do departamento, e ela é uma das cidades mais antigas do país, já que foi fundada em 1539. Com tanto tempo de história (pensando bem, essa cidade tem quase a idade do Brasil!), muitas construções da cidade ainda são antigas, especialmente as que se localizam na região central.

Existe uma parte da cidade chamada de Centro Histórico, cujo coração fica na Plaza de Bolívar. A partir de lá é muito gostoso caminhar pelas suas ruas de paralelepípedos, onde os prédios de dois pavimentos ainda te dão a sensação de volta ao tempo.

Tunja fica apenas a duas horas de Bogotá. Já fui de carro e ônibus para lá: a estrada é boa, e é duplicada desde Bogotá. A rodoviária também não fica muito longe dos principais pontos de interesse da cidade, mas isso vai mudar em breve, já que um novo terminal está sendo construído em outro local, mas aparentemente ele será ligado ao centro.

2. Villa de Leyva (Pop: 17.000 hab)

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Assim como Tunja, Villa de Leyva é uma cidade muito antiga e que preserva muito seu passado colonial com características espanholas. Fundada em 1573, essa cidadezinha é um dos pontos turísticos mais reconhecidos no país por sua beleza histórica. Provavelmente de toda essa lista, esta é a cidade com mais turistas e curiosos a visitando.

Villa de Leyva possui todo seu centro pavimentado com paralelepípedos (umas pedras grandes na verdade), e assim como o centro de Tunja, é muito gostosa para se caminhar, apreciando as casinhas coloniais em estilo espanhol. A diferença entre ela e outras cidades da região é que ela não cresceu muito, então seu “todo” é mais uniforme. Nessa última viagem comentaram comigo sobre uma lei que obriga todas as construções a seguirem os mesmos padrões de edificação, ou seja, elas precisam ser parecidas às construções originais.

Uma outra característica sobre Villa de Leyva é que ela fica num vale, ou seja, temos que descer a montanha para chegar até lá, sendo que a grande parte das cidades boyacenses ficam no alto. A estrada para chegar lá é bem sinuosa, e exige cuidado, mesmo ela estando em excelentes condições.

3. Paipa (Pop: 31.000 hab)

Lanceros del Pantano de Vargas

Paipa é uma cidade que eu costumava frequentar bastante. Conhecida como a capital turística de Boyacá, ela é pequenininha, possui um centro com uma linda catedral e prédios antigos ao redor, mas diferente de outras cidades da lista, ela possui uma mescla de passado e presente que combina bastante.

Paipa também é uma das cidades que conheci que conseguem criar uma simbiose de rural+urbano bem interessante. Prédios bonitos e modernos convivem lado a lado com casinhas antigas, com muitos detalhes de madeira tipicamente colombianos.

E falando de história, um dos lugares mais importantes da história da Colombia se localiza dentro do município de Paipa, mas ainda longe do centro da cidade. O Pântano de Vargas foi o local da batalha decisiva das tropas de Bolívar contra os espanhóis, e com isso, a independência da Gran Colombia veio às custas de muitos boyacenses.

Outra atração famosa de Paipa são seus banhos termais. Como a cidade se localiza em cima de uma espécie de “ponto quente”, as águas são bem quentes, o que ajuda a melhorar o turismo dali. Alguns resorts muito bons se encontram em Paipa, e eles se concentram ao redor do Lago Sochagota.

4. Chiquinquirá (Pop: 65.500 hab)

Chiquinquirá (sim, muitas cidades nessa região terminam com “rá”) é uma das cidades mais novas dessa lista, fundada apenas nos anos 1800. Ela é uma das maiores cidades de Boyacá, e muitas partes da cidade são bem modernas, mas seu centro ainda guarda muitas características coloniais antigas.

Provavelmente o maior interesse da cidade é a Basílica da Virgem de Chiquinquirá, que é uma bela igreja que lembra muito as catedrais de outras cidades pela América Latina, ainda que menor. Ela se localiza na Plaza de Bolívar (sim, também exstem muitas Plazas que levam o nome do Libertador na Colômbia), que também são rodeadas pelas famosas casinhas coloniais com detalhes em madeira.

O Palácio da Cultura também é um ponto de interesse bem importante de Chiquinquirá, e é considerado um monumento nacional.

5. Monguí (Pop: 4.900 hab)

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Plaza Mayor de Monguí, e a Catedral

Algumas listas de jornais da Colômbia e do Exterior sempre listam Monguí como um dos povoados mais bonitos do país. Fundada no século XVII, Monguí não cresceu muito, e toda sua cidade se mantém fiel ao que era há séculos atrás.

Eu consegui conhecer Monguí nessa última viagem, e ela me lembra muito a cidade de Ronda (que é um dos meus lugares de sonho para visitar). A temperatura é bem agradável para quem gosta de frio também, muito por causa de sua localização muito no alto da montanha. A temperatura média fica na casa dos 13 graus por boa parte do ano.

Um dos lugares mais fofos de Monguí é sua ponte de pedra que parece que saiu de um romance! Dá para tirar lindas fotos ali.

Uma curiosidade sobre Monguí é que ela também é conhecida como um pólo importante para a confecção de bolas de futebol, devido à qualidade do couro da região.

6. Ráquira (Pop: 13.500 hab)

Ráquira é uma das cidades que jamais vou esquecer na vida. Esse povoado é pequenininho, mas é muito conhecido pelas suas casas coloridas que vendem artesanatos. Muitos habitantes da cidade se tornaram artesãos, e com isso, o comércio desses produtos atrai consumidores de toda a região.

As principais ruas da cidade me lembram muito do Caminito em Buenos Aires: casinhas coloridas bem decoradas com cores vibrantes. Ah, e vale lembrar que Ráquira fica bem pertinho de Villa de Leyva, e é bem possível de conhecê-las numa mesma perna.

Compramos muitos desses artesanatos para decorar a nossa casa! O meu favorito de todos é essa tapeçaria (foto abaixo) que colocamos uma moldura.

7. El Cocuy (Pop: 5.200 hab)

El Cocuy é uma pequena cidade localizada bem ao norte de Boyacá, quase na fronteira com a Venezuela. Com isso, já imaginamos que essa cidadezinha fica bem mais longe de Tunja e outras cidades desta lista.

Assim como a maioria das cidades dessa lista, ela ainda preserva uma ou outra característica colonial espanhola, mas ela é visada por muitos mochileiros como um dos pontos de início para explorar a Sierra Nevada. Por causa disso, já imaginamos que o local é bem friozinho, e os meus primos sempre falavam do frio dali.

A partir de El Cocuy existem várias trilhas de exploração para o Parque Nacional Sierra Nevada, que é um dos destinos mais bonitos, mas também é um dos mais subestimados da Colômbia. Eu mesma queria muito conhecer a Sierra Nevada, mas ainda me faltam culhões de exploradora. Enquanto isso, fico com as cidades coloniais. :)

8. Sotaquirá (Pop: 7.500 hab)

Pracinha de Sotaquirá

Claro que Sotaquirá não poderia ficar de fora desta lista! A cidade natal do meu avô e de boa parte dos meus parentes é linda! A maioria de suas casas segue um padrão de telhados laranja, paredes divididas entre o branco e o verde, e para completar, lindos detalhes em madeira por todos os lugares!

Eu já fiz um post só sobre Sotaquirá, mas tem algum tempo. Desde então eu não voltei lá, então infelizmente não possuo informações mais novas. Ali existem vistas maravilhosas, e curiosamente o meu local favorito é o cemitério. A sua vista é fantástica, e me traz uma paz de espírito sensacional! Não tem como não amar a minha Boyacá!

A “feijoada” de Boyacá

Meu avô é colombiano e ele vem de uma região não tão conhecida assim pelo público brasileiro, que é o departamento de Boyacá. Cresci ouvindo histórias dele sobre as montanhas, a cidadezinha onde ele nasceu, as fazendas e os animais dele e sempre fiquei com uma imagem bem bucólica na cabeça sobre Boyacá.

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Chegando lá pela primeira vez em 2000, fomos até Sotaquirá, o pueblo onde ele nasceu, e iríamos almoçar Índios. Sim. Índios!!! Agora explica para uma criança que não iríamos comer os índios (indígenas), mas sim um prato chamado Índios (sem canibalismo, pfvr).

Não comi aquilo ali de jeito nenhum da primeira vez. A aparência não me era boa a princípio e aquele nome me fazia pensar que aquela carne do prato era de uma pessoa (mesmo não sendo, obviamente).

Alguns anos atrás (2012), voltamos à Colômbia e como sempre pegamos a estrada e fomos até Boyacá. Dessa vez eu decidi que eu iria sim comer os famosos Índios! Não teria escolha mesmo…

Na casa de uma prima foi um enorme banquete com muita música e animação! Ela providenciou todos os ingredientes, os cozinheiros, chamou alguns músicos que cantavam música boyacense e ela chamou toda a nossa família que ainda morava na região.

Chegou a hora e todos fomos servidos com Índios. O prato estava bem cheio, mas não tão assustador quanto da primeira vez. Antes eu me lembrava de uma sopa com um pedaço de carne no meio, mas eu cheguei a conclusão de que eu “pensei que tinha visto isso”. Os Índios são um prato cheio de vários ingredientes.

Comida sotaquireña: Índios

Comida sotaquireña: Índios

Ele tem essa carne de boi e porco meio que assada na brasa, uma couve especial encontrada só em Sotaquirá preenchida com uma espécie de massa, milho, batatas, e uns feijões grandes. Não sou muito fã de carne assada, mas até que consegui comer um pouco. A couve com a massa é bem gostosa, e me impressionei com o tamanho dos feijões!

Tinha muita comida ali e não consegui comer tudo. Fora isso o prato é pesado, e você acaba sentindo isso durante o resto do dia. O que achei da comida? Gostei! E comeria de novo uma segunda vez.

Para completar o post, o meu avô me contou a história do surgimento do “Índios”, e como esse prato ficou famoso (pelo menos no interior de Boyacá). Ele fala que quando os nossos antepassados que eram colonizadores vindos da Espanha, chegaram à Colômbia, eles se instalaram na região montanhosa de Boyacá. Porém lá viviam uma tribo indígena que resistiu bravamente à ocupação de suas terras.

Ele também colocou no meio a história do Sotaire, que era um líder indígena que lutou contra os espanhois para impedir a colonização da região. Porém ele foi preso, e reza a lenda de que numa eventual fuga, ele se refugiou numa montanha bem alta dali, mas acabou se jogando lá de cima para não ser capturado novamente.

Com o líder indígena morto, os outros índios acabaram virando empregados dos espanhois, sendo como domésticos, cavaleiros, agricultores e afins. Fiz a analogia da feijoada no título, pelo fato de que os “Índios” foram criados com a sobra de comida que esses empregados tinham. A couve é única na Colômbia, a carne é assada na brasa, de maneira bem rústica e assim sucessivamente.

Só que assim como a feijoada, os Índios se tornaram bem populares entre os espanhois, e este passou a ser um prato bem apreciado por todos os habitantes da região. Então, o prato foi batizado de “Índios” para homenagear seus criadores! Vale também lembrar que a cidadezinha que o meu avô nasceu, Sotaquirá, recebeu este nome em homenagem ao índio Sotaire.

Conversar com o avô dá nessas histórias, certo? Além do mais, vale compartilhar esse prato diverso e bem delicioso da região mais charmosa da Colômbia.

A batalha do pântano

Hoje eu vim falar de um lugar que eu não visito faz mais de 10 anos, e provavelmente nem lembraria dele se não fosse esse blog e a minha lista de possíveis pautas. O que é muito bom, pois o Pântano de Vargas é um lugar com uma história muito interessante que deveria ser ensinada nas escolas de toda a América Latina.

O que acontece é que houve uma batalha crucial para a consequente independência de alguns países do norte da América Latina. Essa batalha é conhecida como “Batalha do Pântano de Vargas” que causou a derrota espanhola. Essa desmoralização abriu espaço para que os espanhois fossem perdendo espaço, o que resultou na independência do futuro país chamado de Grã Colômbia.

A Grã Colômbia era gigante e acabou se dividindo. Seu território hoje compreende toda a Colômbia, Venezuela, Panamá, a maior parte do Equador, e pequenas partes da Costa Rica, Nicarágua, Guiana, Peru e até do Brasil (leia-se, a região da Cabeça do Cachorro).

De qualquer forma, ali no local da batalha, foi erguida uma estátua de 33 metros em 1969 para comemorar os 150 anos da vitória colombiana. Essa estátua também foi tombada como patrimônio histórico da Colômbia e se encontra estampada na nota de 1000 pesos. Essa estátua retrata o líder da revolta, o general Simón Bolívar (ele mesmo) junto com 14 lanceiros que venceram as forças da Espanha.

Todas as vezes que eu vou pra Colômbia, eu tenho que ir pra Boyacá (sim, minhas terras ancestrais), e de praxe passar por Tunja, Sota, e também em Paipa, que é onde se encontra esse momumento. Os “Lanceros del Pantano” não ficam dentro de Paipa em si, mas um pouquinho distante.

Lanceros del Pantano de Vargas

Lanceros del Pantano de Vargas

Ao lado do monumento, existe uma pequena vila com alguns cafés e me lembro até de uma igrejinha. Fora isso, ali não tem muita coisa além da linda vista das montanhas de Boyacá. Vale a pena contratar algum guia ali mesmo para contar a história da batalha, caso haja interesse (fontes na internet são escassas, mesmo em espanhol).

Em Paipa mesmo, existem os banhos termais e a pracinha da Igreja. A cidade é bem pequena mas muito acolhedora. Ao redor existem Tunja, Duitama e outras cidades com teor turístico bem forte como Villa de Leyva e Ráquira.

Enfim, visitei o pântano em 2003 (mais de 10 anos!!!!) e não lembro de mais detalhes, e as fotos que tenho são bem pessoais, por isso não preferi postar aqui. Mesmo assim, achei válido apresentar essa experiência de Colômbia, e especialmente de Boyacá, minha terrinha colombiana favorita.

Bucolismo Colombiano

A Colômbia é um país ainda desconhecido para muitos brasileiros. Já que a minha família é proveniente da região andina da Colômbia, eu não faço parte desta estatística. A minha primeira viagem teve Bogotá como destino final, e apesar de sempre ficarmos bastante tempo na capital, a minha família sempre gosta de passar alguns dias no interior.

Hoje eu vou falar de Sotaquirá, ou como nós chamamos, “Sota”. Dificilmente pessoas que já conhecem o país, e inclusive colombianos natos conhecem essa cidade. Falo dela porque essa é a cidade onde o meu avô nasceu, e onde toda a nossa família se estabeleceu há muitos anos atrás.

Segundo a Wikipédia, Sotaquirá tem cerca de 8 mil habitantes, muito menos que algumas cidades do interior do Amazonas. Ela fica a 3 horas dirigindo de Bogotá, e a cidade ganhou muito respeito na primeira metade do século passado com a produção de leite. O meu avô costuma falar que os queijos produzidos na fazenda dos pais dele eram incríveis!

Portal de entrada para o “pueblo” de Sotaquirá

Após passar pelo portal da cidade, temos que passar alguns minutos atravessando uma estrada de pedra pelo “Valle de Sotaquirá”. Esse vale é tomado por fazendas, especialmente de produção leiteira. Com certeza veremos muitas vacas pelo caminho! A vista é incrível! Vemos um vale tomado por gramados, e, ao fundo, a pequena Sota surge no meio das montanhas, com destaque para os telhadinhos vermelhos.

Subindo a montanha, chegamos na cidade. As ruas são todas de pedra, e as casas, em sua maioria preservam a arquitetura original da cidade, com paredes brancas, com a metade de baixo pintada de verde escuro, e telhados de barro. Muitos dos habitantes são colombianos tradicionais, utilizando ponchos e grandes chapéus.

Pracinha de Sotaquirá

 

Como a cidade fica no topo de montanhas, é normal termos altos e baixos. Apesar de termos uma bela vista por quase toda a cidade, existe um lugar que particularmente acho incrível: o cemitério! Sem dúvida, a vista mais bonita fica ali! A vista do vale é magnífica, assim como a do pueblo. Além do mais, o por de sol é lindo! Dá uma sensação de paz apaixonante! Tenho certeza de que todos os meus antepassados enterrados ali estão descansando com a total paz que as montanhas podem trazer.

Linda vista do cemitério

Toda vez que eu saio da cidade, me dá uma sensação estranha, pois sinto que um pedacinho de mim veio dali, e que, por morar relativamente longe, a dúvida bate em saber quando eu retornarei para lá. Da última vez que eu senti esse aperto no coração, imaginei que talvez, eu nunca mais voltaria ali. Demorou nove anos, mas voltei. Quando é que eu volto então?