Passeio de barco na Amazônia

Oi gente! Acho que já devo ter comentado isso em posts anteriores, mas 2016 está sendo um ano bem fraquinho em relação a viagens para mim. Não gosto de não ter assunto para comentar aqui, o que me deixa bem triste pois sempre gosto de ficar atualizando tudo que eu passo e aprendo em experiências fora da minha cidade. Mas chega de choro e vamos à luta! Creio que em breve terei novidades para contar, e hoje vou falar sobre o itinerário de um passeio que fiz semana passada.

Então, aqui em Manaus existe uma série de empresas de turismo que fazem um passeio de barco pelos arredores da cidade, mostrando uma “palhinha” do que há de melhor da Amazônia. Com o almoço e água inclusos o passeio ainda oferecia:

  • Ida ao Encontro das Águas;
  • Visita à comunidade do Catalão;
  • Fotos com preguiça, cobra e jacaré;
  • Avistamento da Vitória Régia;
  • Ida no pesque e pague com direito à mergulho no rio;
  • Nado com os botos;
  • Visita à tribo indígena.

O passeio custou R$ 120 e até onde eu sei se encontra na faixa média de preços aplicados pela maioria das empresas do segmento. Geralmente esses passeios ocorrem na sexta, sábado e domingo, e tem uma duração de aproximadamente 7 horas. Acho interessante você não marcar nada no resto do dia, pois esse é um passeio extremamente gratificante, porém cansativo.

Então, saímos do Porto de Manaus localizado próximo à Praça da Matriz às 9 horas da manhã, num lindo sábado ensolarado. Sorte nossa que não choveu, e ainda pegamos uma boa época do ano para navegar. Agora no final de maio e início de junho é que tradicionalmente os rios se encontram mais cheios, e em 2016 o nível do rio não subiu tanto, comparado a outros anos como 2012, onde aconteceu a “cheia histórica” que inclusive alagou várias ruas no Centro da cidade. Entre meados de outubro e novembro o rio se encontra muito baixo, às vezes impedindo a navegação por certos trechos, o que não é tão interessante para o turista.

A primeira parada era o Encontro das Águas, que obviamente tem esse nome por ser o ponto de encontro entre os rios Negro e Solimões. As águas dos dois grandes rios nunca se misturam por diferenças de velocidade, temperatura e pH, o que deixa uma divisão óbvia para todos aqueles que passam por ali.

O rio Negro é o que banha quase toda a orla de Manaus, com águas escuras e ácidas. A nascente deste rio se encontra na Colômbia, e desce pela região noroeste do Amazonas, passando pelos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos (que foi a primeira capital do Amazonas nos anos 1800). Para fins de curiosidade, o rio Negro também abriga os dois maiores arquipélagos fluviais do mundo: Mariuá e Anavilhanas.

Já o rio Solimões nasce no Peru, e aos poucos é alimentado por diversos rios tributários, e também aos poucos vai aumentando de largura e intensidade. De fato, o rio só se chama “Solimões” ao passar da tríplice fronteira Brasil-Peru-Colômbia, na cidade de Tabatinga. Após o Encontro das Águas, o Solimões passa a ser conhecido como rio Amazonas, e assim fica até a foz no Atlântico.

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Bem, existem alguns passeios em que é possível mergulhar no Encontro das Águas! Nesse não pudemos, por causa do tempo corrido. (O que pra mim está ótimo, risos)

Bem, em seguida passamos na frente da comunidade do Catalão, que tem todas as suas casas flutuantes! Tanto os “flutuantes” como as “palafitas” são tipos de construções bem presentes nas margens dos rios da Amazônia. Os flutuantes são construídos em cima de uma espécie de tonéis que flutuam na Água, assim a estrutura segue a altura dos rios o ano inteiro. Já as palafitas são construídas um pouco mais altas da terra, mas nem sempre elas são seguras, especialmente no caso de uma cheia muito forte que pode ultrapassar a altura do assoalho das casas.

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Flutuantes, atrás da vegetação

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Flutuantes

Palafitas ao longe

Palafitas ao longe

Essas comunidades são muito interessantes e se espalham ao redor dos rios da Amazônia. Seus habitantes geralmente são conhecido como “ribeirinhos” e sobrevivem da própria subsistência.

Enfim, logo após paramos numa pequena casa localizada no flutuante onde a família cria os animais que os turistas tiram foto: geralmente são a preguiça, a cobra e o jacaré. Eu não tive coragem de segurar a cobra e o jacaré, porém matei a curiosidade de saber como é a textura da pele deles!

Sandy e a preguiça

Eu e a preguiça

Para aqueles que acreditam que essa exposição dos animais é crueldade, não se espantem ao saber que essa prática de turistas tirarem foto é bem comum. E sendo daqui e conhecendo a realidade da região, não tem como ver maldade nisso. As famílias cuidam desses animais como se fossem domésticos e recebem comissão das empresas de turismo, o que acaba sendo uma espécie de fonte de renda para as elas.

Enfim, seguimos caminho e chegamos ao flutuante onde almoçaríamos. É bem comum irmos a flutuantes próximos à cidade no fim de semana, porém esse que fomos era mais direcionado ao turismo do que entretenimento, como os mais populares. Nesse flutuante também pudemos ver as Vitórias Régias, provavelmente uma das plantas mais reconhecidas da Amazônia.

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Essas plantas são bem grandes e reza a lenda de que elas aguentam o peso de uma criança pequena. Existem relatos de vitórias-régias encontradas com 2 metros de diâmetro, mas as mais comumente encontradas variam entre 1 e 1,5 metro de diâmetro.

Esse flutuante, assim como vários outros nas proximidades possui uma lojinha com souvenirs indispensáveis para quem vem à Amazônia. Porém acredito que existem locais mais baratos, como na feirinha da Eduardo Ribeiro aos domingos.

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Enfim, após o almoço fomos a um pesque e pague onde podíamos “pescar” o Pirarucu! Esse peixe é enorme, às vezes chegando a 2 metros de comprimento. Eu coloquei pescar entre aspas por que esse peixe não se pesca com vara, e sim com rede, devido ao peso e força do bicho! Mesmo assim, às vezes é necessário ter mais de um homem na água para ajudar com a rede.

Decidimos pagar 10 reais por 3 tentativas. Mesmo sabendo que não ia dar certo, foi ótimo sentir a força desse animal! Ele pega a isca com uma força descomunal, tendo que ter muita força nos braços! Vale lembrar que o pirarucu é ameaçado de extinção, e sua pesca só é permitida em viveiros autorizados. Até para levar a carne do peixe para fora de Manaus, por avião é necessária uma burocracia imensa, precisando apresentar nota fiscal e tudo.

No momento que pega a isca

No momento que pega a isca

Ainda dava para mergulhar ali, mas fiquei receosa por que ao meu ver, aquela área parecia ser ideal para os jacarés. Sou medrosa mesmo e admito, hehe.

Então, de lá partimos para nadar com os botos! A viagem seria longa, aproximadamente uma hora pelo rio Negro. Chegando lá, tomei coragem e fui nadar com os lindos!

Eu já tinha tido essa experiência anteriormente em Novo Airão, porém valeria a pena tentar uma segunda vez. Os botos ali eram de cor cinza, também conhecido como boto tucuxi. Eles são muito dóceis, gostam de brincar e de fazer gracinhas com as pessoas. A textura de sua pele lembra a de borracha, e esses minutos com os botos na água foram cheios de “oooohhs” e “ooownnns”.

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Vale lembrar da “lenda do boto”! Dizia que o boto em noite de lua cheia, se transformava em homem e vagava pelas praias dos rios à procura de mulheres para seduzir. Geralmente elas engravidavam e diziam que a criança era filha do boto. Hoje em dia percebemos que era uma desculpa que as meninas davam para os pais para justificar os filhos que nasciam antes do casamento.

Para finalizar, chegamos na tribo indígena. Existem algumas agências de turismo daqui de Manaus que oferecem uma estadia de fim de semana completo em algumas tribos, porém o nosso caso foi apenas uma visita rápida mesmo. Eles se apresentaram, fizeram umas danças típicas e no final nos chamaram para dançar com eles!

Tivemos tempo de comprar algumas lembrancinhas indígenas. Eu comprei uma flauta, daquelas tipo peruanas, e foi meu único investimento em souvenirs por toda a viagem.

A oca principal

A oca principal

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Amazonas, Brasil!!

Amazonas, Brasil!!

Assim o nosso passeio terminou. O dia foi repleto de paisagens incríveis, sensações inesquecíveis e claro, sentindo o grande prazer de fazer parte disso, de ser amazônida! As minhas amigas de São Paulo que estavam junto comigo procuraram se entregar ao clima e amaram a experiência! Esse tipo de turismo de aventura é essencial para quem quer visitar Manaus, e com certeza é um investimento que vale a pena!

Representando o Brasil no exterior

Quando saímos em intercâmbio, uma das coisas que pensamos em fazer é levar objetos, comidas, roupas, souvenirs, ou qualquer outra coisa que lembre o Brasil no exterior. Essas coisinhas que gostamos de levar servem para vários propósitos: dar de presente para alguma pessoa que fazemos amizade por lá, apresentar algo curioso da região em que vivemos, ou até matar a saudade de alguma comida que não iremos encontrar fora do Brasil.

Hoje vim listar algumas coisinhas interessantes que nós, intercambistas alinhados, podemos levar para o exterior com o intuito de fazer o social, de uma maneira diferente.

1. Bandeira do Brasil
A Bandeira é um objeto clássico de quem quer representar o Brasil no exterior, e também ela é figurinha caprichada em várias fotos nos lugares mais exóticos do mundo. Artigo indispensável na sua mala!

2. Leite condensado
Obviamente usaremos o leite condensado para fazer brigadeiro, doce que absolutamente todos os estrangeiros adoram! Vale lembrar que o leite condensado é vendido em outros países, mas muitas vezes ele possui uma textura bem menos densa.

3. Camisa de futebol
O Futebol é quase como um idioma universal, e dar de presente uma camisa do local onde se joga o melhor futebol do mundo é certamente uma excelente ideia.

4. Chaveiros e/ou ímãs de geladeira
Chaveiros e ímãs de geladeira são uma ótima lembrancinha para dar de presente. São pequenos, muitas vezes baratos, e eles mostram alguma coisa do Brasil.

5. Havaianas
Para nós, as Havaianas são super comuns, mas no exterior elas são bem exóticas e acredite: elas são bem caras!

6. Músicas em geral
Um bom e velho CD com músicas tradicionalmente brasileiras é um bom presente! Lembrando que o nosso repertório nacional é bem eclético e possuímos muitas músicas de qualidade! Fica a dica também que um MP3 no computador é ótimo também.

7. Artesanatos
Aqui na minha região, o presente clássico para dar para os amigos estrangeiros são os artesanatos! Pulseiras, brincos, objetos de decoração e muito mais são lindos e ótimos para carregar!

8. Cachaça
Jovens são jovens em todo o mundo. Leve uma boa cachaça e faça uma bela caipirinha para seus amigos!

9. Cartões postais
Eles são baratos, tradicionais, e representam o Brasil e/ou a região em que vivemos de uma maneira bem clássica: através de uma foto. Cartões postais também são bons por que uma grande quantidade não ocupa muito espaço.

10. Coisas da sua região!
O Brasil é gigante e muitas tradições, comidas, cultura, artesanatos e afins são bem diferentes de uma região para a outra! Que tal viajar já com um excelente conhecimento da sua região? Leve também objetos que expressem isso! Vai lá e aproveita a sua viagem :)

Brasileiros lindos, em Brastislava

Brasileiros lindos, em Brastislava

Brasileiros e algumas sutis peculiaridades

Ouvir alguém conversando em Português não é nada estranho ou diferente em qualquer confim do mundo. A cada dia que passa, mais brasileiros vão para o exterior em busca de férias ou imigração, e cada vez mais, esses brasileiros se tornam embaixadores da nossa cultura e costumes perante outras pessoas.

Mesmo assim, pequenas características pertencentes ao nosso ser e nossos costumes ainda são diferentes e até curiosas para pessoas de outras nacionalidades, especialmente aquelas que não tem muito contato com o exterior e com outros estrangeiros.

Brasileiros lindos, em Brastislava

Brasileiros lindos, em Brastislava

Um dos nossos costumes – e acredito que de muitos outros lugares – é de beber água. Digo SÓ água, sem nenhum tipo de aditivo. Na Rússia, a Tanya, minha host mother, e alguns professores da escola onde eu trabalhava simplesmente não conseguiam entender esse fato!

Como eu viajei no inverno, e o chá é uma das bebidas nacionais da Rússia, simplesmente todos tomavam chá. Só que eu não gosto nem um pouquinho de qualquer tipo de chá, simplesmente é uma bebida que eu não consigo tomar. Na escola, quando me ofereciam chá, eu agradecia e dizia que eu preferia beber água. Tudo bem, mas daí já vinha aquela dúvida: “Água? Só água? Tudo bem.” E logo ofereciam água quente, que iria ser utilizada para o chá. Sem problemas.

Em casa, sempre acontecia essa situação! A Tanya, pra facilitar a nossa vida, comprou um jarrinho de água com uma espécie de filtro onde eu poderia simplesmente encher e colocar na geladeira, e assim eu poderia beber água quando eu quisesse. Na Rússia, diferentemente de outras regiões da Europa, a água da torneira não é potável. Mesmo assim, ela não entendia o fato de eu tomar só água até o fim do meu intercâmbio.

Falando ainda nas minhas casas da Rússia e da Hungria, existe uma separação entre chuveiro e vaso sanitário. Cada um fica em um cômodo diferente, mas tudo bem até aí. Um fato curioso que achei for o fato da máquina de lavar se encontrar no cômodo do chuveiro e de não haver lixinho em qualquer banheiro. Meus amigos europeus acharam “nojento” o fato de no Brasil, se ter um lixinho no banheiro, e especialmente os russos achavam engraçado quando eu contava que existia um cômodo nas nossas casas só para lavagem de roupa (área de serviço).

Alguns hábitos alimentares brasileiros eram também curiosos pra alguns amigos. A minha roomate australiana, a Rekha (que já viveu em vários países na Ásia, então uma pessoa bem internacional), não entendia o fato de tomarmos café durante a manhã, especialmente o café preto. Segundo ela, era uma bebida muito forte para a manhã. E um dia ela ficou impressionada com o fato dos brasileiros tomarem vitaminada de abacate, ou seja, abacate com açúcar, e não com sal. Para ela, só se comia abacate com sal e nada mais! Mas por exemplo, eu, com meu sangue latino também não consigo comer qualquer coisa doce com abacate.

Mas a coisa mais trash que ela achou foi a nossa paixão por coraçãozinho de frango! Mas também… qualquer estrangeiro sem ser acostumado vai achar estranho comer coração de qualquer coisa. Na festa de despedida dela que aconteceu junto com a de outra brasileira, decidimos preparar algumas comidinhas como polenta, bolo com chantilly e doce de leite, e coraçãozinho assado no forno! Eu fiz ela provar um pedacinho e ela odiou, hehe. O mais engraçado era ver a reação dela vendo todos os brasileiros comendo corações como a coisa mais comum do mundo! ;)

E se você é brasileiro, vão sempre te perguntar por nossas características mais comuns! Futebol, música, carnaval e tudo que lembra o Brasil! No meu primeiro dia em Budapeste, conheci um conterrâneo Colombiano que dizia que gostava de Reggaeton, e amava o Funk carioca! Ele ligou todas aquelas músicas bem trash de funk e nós dois começamos a dançar o créu, em pleno Castelo de Buda. YOLO! Se algum brasileiro chegasse, já ia começar a rir da gente por lá, hehe.

Fora essas pequenas historinhas que contei, já fui abordada com curiosidades sobre diversas coisas! Alguns estrangeiros não sabiam o significado de se usar roupas de certas cores no réveillon, ou se impressionavam com o fato da temperatura mais fria em toda a história de Manaus ter sido de ~somente~ 13,5 graus nos anos 70, ou pelo fato de conseguirmos viver todos em um grande país com paisagens e culturas diferentes, sem perder a identidade nacional.

Somos admirados pela nossa alegria, garra, companheirismo e tato com o próximo. Às vezes pensamos que a imagem do Brasil no exterior é negativa em todos os aspectos, mas para aqueles que não vivem de ignorância e de pessoas ignorantes, o Brasil é considerado um país incrível e os brasileiros são felizes e bem invejados! Muitos amigos russos ficavam reclamando que boa parte do ano era tudo muito frio, pessoas e clima, e que nós tínhamos praias, pessoas bonitas e muitos motivos pra sorrir. ;)

E para fechar, ainda na Rússia, estávamos sentados 3 brasileiros, 3 chineses, um indiano e uma russa comendo uma besteira no McDonald’s. Do nada, um dos brasileiros começou a atazanar uma das chinesas (que ele tinha o prazer bom de irritar) falando que na China se comia cachorro, e que eles eram muito sem coração por isso. A chinesa replicou que não, que eles não comiam cachorro, e que era história que inventavam.

O brasileiro começou a implicar com ela falando que os cachorrinhos eram bonitinhos e que os chineses não tinham que comer essas coisas, e por aí foi. Ele importunou tanto a menina que ela confirmou que sim, eles comiam cachorro, eles os criavam pro abate e que era bem gostoso.

Então comecei a falar que estava com saudade de comer churrasquinho de gato no Brasil, e os dois brasileiros começavam a falar que também, só na brincadeira. Essa chinesa nos olhou com uma cara de nojo e ficou meio que “eca, vocês comem gato! Que nojo”. Nós ficamos como “UHUM, comemos sim gato, é o nosso prato favorito”. ;)