“Escadaria para o paraíso”

Nós temos dias e dias. Em alguns deles, a nossa inspiração está canalizada para algumas coisas, e sinto que hoje é um dia que preciso colocar meu coração pra fora, tentando expressar um pouco mais de emoção. Nesses dias eu gosto de relembrar algumas coisas, especialmente o que já me fez refletir. Por isso, vou compartilhar um pequeno momento que me fez pensar muito, já que estou tão emotiva assim.

Ainda agora escutei Stairway to Heaven, e por mais que essa música seja daquelas que me faz “viajar” nas emoções e tal, me fez lembrar de um outro dia de reflexão que eu tive. Diferentemente de agora, que estou deitada de qualquer jeito em cima da minha cama, eu estava num lugar muito especial, em Praga. Pode parecer um white people problem, mas não é, sério, haha.

Enfim, vou contar como foi esse dia. Eu e minha flatmate decidimos passar um final de semana em Praga, já que era tão pertinho! É muito legal saber que muitas cidades legais estão ao seu alcance, então decidimos meter a cara e ir!

Chegamos cedinho em Praga, fizemos algumas coisas e tal… e queríamos ir visitar também o Castelo de Praga, localizado pertinho de Malá Strana. O nosso hostel era em Mála Strana mesmo, então nada era muito longe dali.

A questão é que o Castelo de Praga fica bem no alto de uma montanha, e tem uma pernadinha até o topo! Hoje em dia, acho que subiria mais tranquila, mas naquela época… medo.

Antes de falar mais assim, queria dizer que eu acho que não tive muita noção mesmo. Primeiramente: eu viajei com uma mochila, e só. Mas o problema não é a quantidade de coisas que cabem numa mochila, e sim, somente a presença dela! Não me toquei de que poderia ter levado uma pequena bolsinha só para usar na rua como a minha flatmate fez. Andar pra cima e pra baixo com a mochila foi horrível, e a dica que levo pra sempre é: passeie pelas cidades com uma bolsa mais prática.

Então eu e minha flatmate fomos caminhar por Mála Strana numa tarde de sábado e foi muito bom! Conhecemos boa parte dali, e em determinada hora decidimos começar a subida até o castelo. Até dava pra subir usando o transporte público, mas decidimos ir a pé, por uma escadaria gigantesca que te leva até o topo da montanha. E eu com a mochila.

A mochila ajudou, mas eu era muito sedentária também, além de estar acima do peso. Acho que paramos no meio do caminho algumas vezes (tadinha da minha flatmate, eu deveria estar atrapalhando muito o passeio dela), já que eu não aguentava subir tanta escada! Minhas costas doíam muito, meus joelhos nem se fala. Meu pé ainda estava se recuperando do acidente, e cada passo doía muito!

Mas tinha uma recompensa: a vista. A cada parada naquela escadaria, a vista de Praga era tão linda que me deixava mais calma – e estimulada pra continuar subindo. Afinal de contas, eu já estava ficando cada vez mais próxima do fim, e não fazia sentido descer. E também a vista ficava tão bonita… aos poucos o nível de gratidão ia crescendo.

Chegamos! Eu procurei ainda agora o número de degraus, e achei o número de 208. Não sei vocês, mas eu acho que esse é um número significativo!

Tudo doía muito (só pra reforçar), e estava muito, mas muito cansada. Estava sem energias para desbravar o local, tanto é que minha flatmate perguntou se eu queria ir conhecer um jardim lá, e disse que não, que a esperaria ali.

Ela caminhou, e fiquei sentada num batente por ali, que tinha uma vista incrível! A perdi de vista e nem sei pra onde ela foi, só sei que fiquei sentada ali observando a vista e o movimento.

Eu acho que ela deve ter passado pelo menos uma hora passeando… e eu fiquei pensando. Nunca refleti tanto na minha vida! Pensei na minha vida, nos meus sonhos, em coisas que aconteceram no passado, em pessoas que passaram pelo meu caminho, pensei em muita, muita coisa.

Refleti sobre a vida, sobre meu propósito, sobre minha existência. Chorei muito. Lembrei de alguns sustos que já tinha passado. Lembrei do acidente que tinha quase destruído meu pé. Me perguntei o que estava fazendo ali. Que decisões eu poderia ter tomado, e como elas afetariam o meu destino, e consequentemente a minha ida até ali.

Também observei as pessoas. Como elas eram felizes! Como elas aparentavam estar felizes. Eram famílias, casais. Senti que não estava dividindo esse momento com ninguém que eu amava. Toda aquela viagem era só… eu! Conheci pessoas maravilhosas no caminho, e que pretendo levar para minha vida inteira, mas os outros que sempre estão comigo nos bons e maus momentos não estavam. Percebi que estava sozinha. Não importava quantas pessoas estavam ao meu redor, me senti mais só que nunca. Mesmo se a minha flatmate chegasse naquele momento, eu iria me sentir só. Nós criamos um elo maravilhoso, mas seria só por aquelas semanas. Provavelmente nunca mais nos veremos de novo, e isso é verdade. Moramos em lados opostos do mundo, e será muito difícil conseguirmos nos ver pessoalmente.

Pensei tudo isso olhando para uma cidade linda, com uma vista linda. Eu via as pessoas subindo e descendo aquela escadaria. Eu via cabecinhas se movendo na Charles Bridge. Eu procurava identificar os edifícios de Praga. Notei que o prédio Ginger e Fred se destacava no meio de um mar de edifícios.

Minha cabeça explodiu. Teve um momento que não me lembro que estava pensando em algo. Acho que estava só existindo.

Normalmente eu uso essa expressão quando estou mal, doente, sei lá. Mas eu provavelmente estava com um sorriso no rosto, tentando escutar o barulho das pessoas ao meu redor e sentindo o vento. Ver como a cor do céu mudava, conforme o tempo passava.

Senti muita gratidão. Muitas pessoas não chegam a ter um décimo de oportunidades que eu tenho. Como eu poderia retribuir isso?

Pensei muitas coisas por que meu corpo doía muito. Parte pelo sedentarismo, parte pela mochila, e parte pelo pé acidentado. Mas eu tive um dos momentos mais significativos da minha vida ali. Observando o nada e o tudo ao mesmo tempo. E eu estava ao lado da escadaria. Escadaria para o paraíso. Stairway to heaven.

Se eu pudesse, eu comprava a escadaria pro paraíso. Ou pelo menos uma passagem pra Praga. Ou pra Budapeste. Ou pro Peru, que é o lugar que mais sonho conhecer. Será que todo brilho vira ouro?

O que fazer em Malá Strana?

Olá a todos! Semana passada eu fiz um post sobre a Cidade Velha de Praga, a Staré Město, e para continuar a falar sobre a capital da República Tcheca, vou falar hoje sobre o que eu vi e o que é bom fazer em Malá Strana.

Essa região é conhecida como a Cidade Baixa, e ela fica do outro lado da Cidade Velha, bem no sopé do Castelo de Praga. Ela é bem diferente de Staré Město mas possui um lindo charme!

Acompanhe também: Staré Město, a cidade velha de Praga

Praça

Praça

Onde se localiza e quais são suas características gerais?

Como adiantei no texto anterior, Malá Strana se localiza na margem esquerda do rio Vltava, lembrando que a cidade de Praga é cortada por esse rio em duas grandes zonas, leste e oeste. Enquanto a Cidade Velha, a Cidade Nova e o bairro judaico de Josefov se localizam na margem direita do rio, a Cidade Baixa e o Castelo de Praga se localizam no lado oposto.

Acompanhe também: O bairro judaico de Praga e suas curiosidades

A Cidade Baixa possui características muito distintas, comparadas a outras zonas da cidade. Essa região é cheia de jardins, canais e palacetes de estilo barroco, onde vivia a antiga nobreza tcheca.

Suas ruelas tradicionais de paralelepípedos merecem ser exploradas a pé, cada uma com pubs, restaurantes, artistas de rua e muita, mas muita arte! Ali é um ótimo lugar para se hospedar também, inclusive o hostel que escolhi se localiza nesta região.

Tenho uma coisa para confessar também. Gostei mais das fotos que tirei da Cidade Velha! :/

Acredito que um dia inteiro de caminhada é o suficiente para conhecer toda Malá Strana: existem muitos lugares a se explorar, como esses que vou listar aqui agora.

I have this thing with streets

I have this thing with streets

Algumas atrações de Malá Strana

A Lennon Wall é provavelmente uma das atrações mais simbólicas de toda a cidade de Praga. Em meados dos anos 1980, este ordinário muro começou a ser preenchido com letras de músicas dos Beatles, citações do John Lennon e outras mensagens de paz.

Aos poucos, esse muro virou símbolo da resistência do povo tcheco contra a opressão do regime comunista imposto pela antiga Tchecoslováquia. Curiosamente, a maneira mais simbólica e desafiadora que jovens simples como eu e você fizeram para peitar o comunismo foi… escrevendo! Os comunistas até pintaram o muro de branco algumas vezes, mas as mensagens (felizmente) teimavam a voltar!

Hoje em dia, esse muro recebe muitos visitantes, e alguns ainda fazem suas contribuições para o muro.

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A Igreja de São Nicolau fica numa pracinha bem no coração de Malá Strana. Essa igreja é linda (se não a mais linda da cidade) e possui um estilo barroco inconfundível. Ela é aberta ao público, mas não pode tirar foto com flash do lado de dentro.

A pracinha que fica em frente à igreja é super movimentada também. Como ela está localizada num local estratégico de Malá Strana, existem muitas lojinhas e restaurantes ao redor. Não gosto de falar que um prédio é fotogênico, mas este é o caso da igreja com a pracinha, haha.

Curiosidade interessante sobre a igreja: sua construção demorou 100 anos do início ao fim!

Street view

Street view

Entrada da Igreja

Entrada da Igreja

Honestamente não sei como ali se chama, mas existe uma “pequena ponte dos cadeados” em Praga, que atravessa um pequeno canal adjacente ao rio Vltava.

Como já virou moda em alguns lugares do mundo, os cadeados que representam um casal cada ganhou seu espaço cativo na capital tcheca. Mais amor, por favor! <3

Ah, parece que dá para andar de barquinho nesse canal. Se você tiver tempo e dinheiro, acho que é uma atração que vale a pena!

O canal

O canal

No post sobre a Cidade Velha, falei um pouco sobre a Charles Bridge (Ponte Carlos), e vale a pena citar aqui de novo, já que essa ponte liga Staré Město justamente à Malá Strana. Esta ponte Carlos (Charles Bridge) é juntamente com o relógio astronômico, o principal símbolo de Praga. Essa ponte pedestre e medieval foi construída por Carlos, o rei tcheco mais conhecido, em meados do século XVI.

Originalmente a ponte que vemos hoje foi construída em substituição a outra que foi destruída por uma enchente. Também contei a história dela em outro post, onde tentei contar resumidamente tudo que envolve este belíssimo lugar!

Acompanhe também: A conexão de Praga

Vista da pontinha da Charles Bridge

Vista da pontinha da Charles Bridge

Eu poderia falar nesse post sobre o Castelo de Praga, mas teoricamente ele fica numa região de Praga separada só para ele, a Hradčany. Mas fica a dica que Malá Strana fica logo abaixo do castelo, no sopé do morro onde se localiza a melhor vista da cidade.

Mas como já dá para imaginar, essa região mais próxima ao castelo tem muitas ladeiras! Andar ali cansa bastante, mas existem uma série de lojas, patisseries, pubs e outros bem tipicamente tchecos. Encontrei ali os melhores preços para lembrancinhas.

Não parece, mas é uma ladeira íngreme

Não parece, mas é uma ladeira íngreme

Eu também posso destacar alguns outros lugares que são bem avaliados na internet em Malá Strana como a Torre Petrín, o Museu Franz Kafka e o Palácio Liechtenstein. Infelizmente tempo foi um problema e não consegui visitar nesse fim de semana off. Mas já está anotado na wishlist!