7 fotos e 7 histórias

Uma das características mais marcantes do ser humano em tempos mais atuais é a de eternizar momentos através de fotos. A história recente é cheia de vários casos em que fotos retratam sentimentos diversos, especialmente em momentos mais marcantes.

O viajante e o turista comuns também gostam de retratar esses momentos com câmeras. Uma forma de lembrar para sempre (ou pelo menos por um bom tempo) aquele lugar incrível, aquela comida maravilhosa, aquele artista de rua talentoso e também os famosos “aha-moments”, que são aqueles momentos de descoberta instantâneos, que muitas vezes te fazem cair o queixo.

Aqui separei 7 fotos minhas e suas histórias. O post será longo, e terei o maior prazer de escrever, assim como espero que vocês tenham o mesmo sentimento lendo.

P1010516

Foto 1: Satisfação na subida
Onde: Bastião dos pescadores, Budapeste, Hungria.
Quando: 14 de abril de 2013.

Aqui no Camilla Pelo Mundo eu destaquei bastante a minha experiência na Hungria, que de fato foi incrível e inesquecível. Porém eu nunca postei essa foto, apesar de ter falado um pouco sobre a história dela nesse post.

Era o meu primeiro dia em Budahome, um domingo ensolarado. Combinei de encontrar com a minha roomate em Margaret Island, onde ela estaria num piquenique com outros intercambistas. Eu teria que ir comprar meu chip de celular e o meu passe de ônibus e não poderia ir com ela, mas eu prometi que eu iria até lá depois.

Essa Margaret Island é aquela ilhazinha ali ao fundo cheia de árvores, no meio do Danúbio. Escrevi sobre ela aqui. Então, depois de caminhar bastante e morrendo de medo de me perder, acabei a encontrando numa rodinha de pessoas, todas rindo e felizes, contando suas histórias de seus países, tirando fotos, e claro, comendo.

Em 30 minutos parecia que eu já os conhecia há vários dias e estávamos em sintonia. Juro que me senti muito bem, e feliz. Até então, com um dia de estadia, a minha viagem para BP tinha valido a pena.

Então alguém, no fim da tarde, sugeriu que fossemos ao Castelo de Buda, já que algumas pessoas ainda não tinham ido até lá. Acabamos pegando o tram até o “sopé” do Castelo e subimos tudo a pé. O meu condicionamento físico era (e é) péssimo, e como eu ainda não estava ainda adaptada com o clima nem nada, aquela subida foi horrível. Aquele castelo tinha que ser bom!

Era domingo e o Castle Hill não estava tão cheio assim. Meio que por causa disso, chegamos e conseguimos conhecer muito dali. Então paramos no Fisherman’s Bastion, que é uma espécie de vista point da cidade, e a minha reação ao olhar tudo aquilo sob o pôr-do-sol foi incrível! Eu jamais havia me emocionado tanto com uma paisagem!

Meses antes eu jamais imaginava que eu poderia estar ali! Depois de sofrer um acidente feio no pé e ter deixado o trabalho para viver essa aventura, subir aquilo tudo e se deparar naquele lugar lindo cheio de gente ao redor, mas no fundo sozinha já foi uma vitória! Queria eu poder compartilhar aquela imagem e a sensação com a minha família, especialmente.

O máximo que eu pude foi tirar uma foto, que ajuda a expressar no mínimo a compreender como foi esse momento. A cara cansada e os óculos parecem ocultar, mas nunca estive tão feliz em ~apenas~ observar paisagens.

 

DSC_0004

Foto 2: Primeira vez.
Onde: Praça Vermelha, Moscou, Rússia
Quando: 7 de janeiro de 2012.

Ah, a minha aventura na Rússia <3. Sempre sonhei em conhecer esse país, mas não sabia como. Felizmente eu conheci o intercâmbio pela AIESEC onde a mãe Rússia é um dos principais suppliers, sempre recebendo gente. Quando fiz intercâmbio pela primeira vez, no fundo sabia que ali que era o lugar, o meu destino!

Pela AIESEC mesmo, acabei conhecendo um menino do escritório de Moscou, que queria dar “match” em outro intercambista (quando eu ainda nem pensava em viajar) e acabei mantendo contato com ele. Assim que decidi o meu destino no interior da Rússia, o contatei pedindo ajuda, já que eu chegaria em Moscou de noite e num feriado. Super solícito, ele disse que ia me buscar no aeroporto e me ajudaria a comprar a passagem de trem para Saratov.

Dito e feito e ele foi me buscar! Uma pessoa incrível e me ajudou em todos os momentos. Correu pra pegar o Aeroexpress comigo, me ajudou a comprar passagens e trocar dinheiro, e ainda me levou no Mc Donald’s pra comer, haha. E ainda por cima, foi o meu guia de turismo na Praça Vermelha.

Então, eu sou do Norte e mesmo tendo viajado para o exterior antes, eu nunca havia visto neve. Nunca! Naquele dia, as temperaturas na capital russa beiravam os 2, 3 graus positivos, mas nada de neve, apesar da umidade. Naquele momento eu percebi uma coisa que já me deixou muito chateada: a minha câmera não tirava fotos boas à noite por causa do frio. Prontamente o meu amigo me ajudou e tirou a câmera dele da mochila e começou a tirar minhas fotos, haha.

Nesse meio tempo, eu acabei vendo um montinho na neve. Me emocionei tanto e perguntei se aquilo era neve mesmo! Ele disse que sim (claro, né), por que havia nevado alguns dias antes e haviam colocado toda a neve da praça naquele cantinho. A caboclinha orgulhosa da Amazônia foi lá e se jogou no monte de neve, toda feliz! Sentei, me deitei, e o meu amigo rindo de mim tirando fotos.

O detalhe é que no fundo da foto, vemos o GUM, que é o shopping mais caro de Moscou e um dos mais requintados do mundo. Os oligarcas bilionários vivem fazendo compras lá. Se algum ricaço ou qualquer outra pessoa achou estranho essa pessoa aqui feliz no monte de neve, tanto faz, tanto fez. O importante foi que eu literalmente “me joguei” nessa aventura.

 

GetAttachmentCAHT198J

Foto 3: Vista para a eternidade
Onde: Cemitério, Sotaquirá, Colômbia.
Quando: Algum dia de janeiro de 2003.

Apresento-vos o Vale de Sotaquirá, terra do meu avô. A Colômbia ainda é uma incógnita para muitos brasileiros, e mesmo assim, muitos vão saber um pouquinho mais sobre Bogotá e Cartagena. Essa região é a Andina no departamento de Boyacá e cresci com histórias sobre fazendas, vales lindos, montanhas e tudo mais, tudo vindo das memórias do meu avô.

Não era a minha primeira visita a Sota, mas foi a primeira com uma câmera digital. A qualidade da foto não está boa, por causa da tecnologia da época, mas fiz questão de pegar a câmera emprestada da minha prima para tirar essa foto.

Nesse cemitério estão enterrados o meu bisavô e alguns parentes. Olhando um pouco mais fundo, é possível perceber que esse cemitério fica numa colina, e é preciso uma boa pernada para subir. O choque vem na hora da descida, quando você se depara para o vale e as montanhas no fundo.

Aquela vista foi tão marcante pra mim, que desde então eu penso em como aquelas pessoas que estão enterradas ali são privilegiadas. Literalmente elas estão “descansando em paz”.

Passei 9 anos sem viajar para a Colômbia e quando voltei, não só recriei essa foto, mas também tirei várias outras, e o clima de paz ainda persiste! Sotaquirá é uma cidade bem pequena, na verdade um povoado, que passou muito tempo esquecido no seu clima bucólico. Hoje muitas coisas já chegaram por lá, como internet no meio das fazendas e até um hotel, coisa inexistente em 2003. Mesmo assim, algumas coisas nunca mudam, e o vale continua do mesmo jeito, deixando a vista do cemitério tão bonita quanto foi em épocas passadas. Não me importaria de ser enterrada ali.

 

P1020789

Foto 4: Gabi e as pombinhas
Onde: Piazza San Marco, Veneza, Itália.
Quando: 19 de agosto de 2010.

A foto não está muito bem “tirada” (créditos para a excelente fotógrafa, na época), mas marca uma viagem muito especial que eu fiz pra Europa com a minha família. A Bi era pequenininha ainda e ficou empolgada com as pombinhas da Piazza San Marco, que já se acostumaram com os turistas e ficam rodeando a todos.

Ela mal sabia falar e durante a viagem aprendeu a falar “pombinha”. Diferente de outras crianças, ela se empolgou com os passarinhos (mesmo sendo pombas, pq né) e se divertiu correndo atrás delas. Esse dia também tem outra foto marcante dela, “brigando” comigo, com uma carinha brava e um dedinho, meio que se estivesse apontando, mas não vem ao caso agora.

Esse dia também foi marcante pelo fato de Veneza ter se tornado uma surpresa pra mim. Eu não queria ir para lá de jeito nenhum e aquele dia quente aparentemente estaria confirmando minhas expectativas, mas não. Aquele mundaréu de turistas não tinha conseguido esconder a beleza que tinha feito dessa cidade o grande destino que é.

Momentos depois, fomos passear no Grand Canal, e no passeio de gôndolas estava incluso uma apresentação com um cantor e um sanfoneiro. Aquele foi o cartão de visitas: ~você está na Itália~. Lembram do a-ha moment? Esse com certeza foi um.

 

DSCF2148

Foto 5: Observando Monterey
Onde: Monterey, Califórnia, Estados Unidos.
Quando: 3 de maio de 2014.

A Costa da Califórnia é linda demais! Monterey, Carmel by-the-sea e o Big Sur oferecem vistas sensacionais! Após um dia na estrada com lindas vistas, paramos numa cidadezinha chamada Monterey, que ainda conserva muito da história colonial da Califórnia, lembrando que esta cidade foi a primeira capital do estado.

Um dos principais lugares da cidade é a Cannery Row, que é uma rua que preserva muitos aspectos da arquitetura colonial, além de possuir várias lojas e restaurantes bons. Ali também dá pra ver a majestosa vista de Monterey Bay, com direito a uma pequena praia, mirantes e afins. Ninguém estava nadando ou surfando ali, mas tinha muita gente brincando na areia, um fim de tarde qualquer.

Nessa hora, uma banda estava tocando uma espécie de música peruana, bem agradável. Tinha também um ventinho bom, crianças correndo e pessoas tirando fotos. Me apaixonei pela vista e comecei a tirar fotos. Fotos da bandeira da Califórnia, da rua em movimento, das pessoas na praia, e eu encontro essa por acaso.

Fico imaginando o que esse rapaz estaria pensando. Seja o quer que fosse, esse lugar seria o ideal para escapar da vida e pensar um pouco. Pensar é bom. Nos leva a refletir sobre aspectos da vida que estão dando errado, o que podemos fazer para acertar, e também nos ajuda a estabelecer planos e metas.

Se eu estivesse no lugar desse homem, eu sairia satisfeita dali qualquer fosse o meu pensamento. Talvez o Oceano Pacífico pudesse me dar a resposta.

 

P1020026

Foto 6: Uma forma de libertação
Onde: Lennon Wall, Praga, República Tcheca.
Quando: 4 de maio de 2013.

Fui pra Praga com a minha roomate e ela queria muito ir ver essa Lennon Wall. Honestamente eu pensava que essa parede era só um muro todo pichado por uns jovens comuns, e não sabia o por quê dela querer visitar esse muro e não gastar nosso tempo vendo outros lugares interessantíssimos de Praga.

Alguns momentos depois a ficha caiu. Outro a-ha moment me deu um insight importante, já que eu me considero tão sabida em história assim. Nos anos 80, essa parede comum começou a ser pintada por pessoas comuns com frases de músicas dos Beatles e citações de John Lennon.

Com o passar dos anos, esses dizeres começaram a “evoluir” para críticas ao regime comunista da Tchecoslováquia. O muro chegou a ser pintado algumas vezes, mas logo depois, novas frases sobre amor e paz já estavam escritas, junto com flores.

Esse muro passou a realizar um ideal muito mais profundo, mas que qualquer pessoa pode associar. A tão “proibida” liberdade de expressão do regime comunista foi desafiada com frases de amor numa parede. Aquelas pessoas que só queriam paz estavam conseguindo meios de se expressar de uma maneira muito simples, mas na época, polêmica: escrevendo.

Não é a toa que muitos jovens tiram fotos na Lennon Wall. Geralmente somos nós os que estão associados à vontade de mudança, e da difusão do amor e da paz no mundo, por mais utópicos que esses sentimentos sejam. E por mais simples que uma atitude como escrever possa parecer simples, esses jovens estavam desafiando algo muito mais complexo. De uma maneira ou outra, eles conseguiram o que queriam.

20121228_125457

Foto 7: Vá até onde der
Onde: Museu Albertina, Viena, Áustria.
Quando: 28 de dezembro de 2012.

Então, eu estou de muletas na foto, e o motivo é simples. Eu sofri um acidente na Alemanha e não gostaria de contar os detalhes aqui, e acabei ficando o resto da viagem de muletas e com o meu pé todo machucado. O mais plausível seria voltar pra casa e deixar essa viagem para lá.

Mas não, eu quis seguir com essa viagem até o fim! Era algo muito planejado e desejado por mim e a minha mãe, e eu ia conseguir andar o máximo que pudesse. Desistir não estava nos planos.

Essa bota rosa era bem fofinha e acabou não prejudicando o meu pé, mas ela não era impermeável, o que me deu muito frio no inverno chuvoso de Viena (como dá para se ver na foto). Acabei pensando: “Esse frio vai servir como uma compressa de gelo nos meus pés”, e fui, com frio e com dor.

Acabei andando o centro de Viena num dia, e fui pra Schönbrunn no outro. Subi desde o palácio até a Gloriette sem reclamar, e chegar ao alto, foi uma vitória por si só. Voltei pra Munique e continuei andando, e assim segui até chegar em casa. E assim ganhei novas histórias para contar, algumas até aqui no site.

Essa foto mostra o quanto eu me “deixei levar”. Estava ali e iria aproveitar de qualquer maneira, entendeu? ;) Absolutamente nada podia me derrubar, e desistir, em qualquer instância, não está nos meus planos.

 

 

Pedaços do mundo

Cada povo possui suas próprias características e cultura, e uma das formas onde percebemos essas peculiaridades é através da culinária local. Afinal de contas, viajar por si só já é uma oportunidade de conhecer coisas novas – e a comida é um desses meios! :)

E falando em culinária local, não é preciso gastar uma fortuna em restaurantes para conhecer o que o povo daquela cidade gosta de comer. Às vezes encontramos pérolas em barraquinhas bem simples, ou em fast foods especializados da região. Mas enfim, seguem algumas dicas para aproveitar todo e qualquer tipo de comida!

Pesquise sobre a culinária local, assim você já vai se ambientando com as possíveis comidas que você vai encontrar durante a sua viagem.

Caso exista algum tipo de restrição alimentar, considere bastante o que você vai comer. Mas se essa restrição for irrelevante (especialmente quando tratamos de saúde), abra sua mente para novas possibilidades.

Barraquinhas na rua com várias pessoas é um bom sinal! Se jogue nela!

Mas se você tiver oportunidade, saia para comer num bom restaurante pelo menos uma vez. Garanto que a experiência será inesquecível.

Deixe as calorias para lá, afinal de contas, se você é um daqueles viajantes “level hard”, as andanças pelas cidades vão te ajudar a manter o peso :)

Não deixe a higiene te levar. Às vezes nos preocupamos demais com a qualidade da comida e deixamos de aproveitar coisas. Já percebeu que o Fish and Chips é dado numa folha de jornal?

Mas se a situação for muito tensa, e as condições sanitárias serem extremamente precárias, a saúde vem em primeiro lugar, obviamente.

Se a cidade possui um grande mercado, essa é uma visita que vale a pena.

Procure saber de questões culturais antes de viajar para algum país. Afinal de contas, o choque cultural também existe na mesa.

E é claro que eu pessoalmente tenho as minhas preferências na “cozinha do mundo”! Vou fugir um pouco dos estereótipos como Paella, Sushi, Pizza, Tacos e afins, e vou apresentar 5 coisas que eu adoro, mas acho difícil, ou até mesmo impossível de se encontrar para vender aqui no Brasil.

– Kürstoscalács (Hungria): Ele é um pãozinho caramelizado ao fogo que tem forma de cano, e pode receber uma espécie de “cobertura” de coco, canela, baunilha e outros sabores.

Comi esse Kürstocalács inteiro em uma tarde.

Comi esse Kürstocalács inteiro em uma tarde.

– Blinis (Rússia): Blinis não são panquecas nem crepes! Eles em geral são mais finos e são feitos com uma massa mais leve. Eles sempre são comidos com geleias que são típicas das regiões onde eles são feitos.

Mesa com blinis e biscoitos russos.

Mesa com blinis e biscoitos russos.

– Bratwürst (Alemanha): Esse é o famoso “pão com salsichão” alemão. Não importa se eu cozinho aqui no Brasil, o gosto nunca será o mesmo da Alemanha.

Nhami!

Nhami!

– Cordeiro (Colômbia): A carne de carneiro é diferente da de cordeiro, e é bem difícil de achá-la assada na brasa aqui pelo Brasil. Mesmo assim, o ar na Colômbia é diferente… o gosto sai diferente também!

Nhami!

Nhac!

– Pirulin (Venezuela): Eu classificaria o Pirulin como algum tipo de droga viciante. Ele é simplesmente a coisa mais DELICIOSA do mundo! Você come um e não consegue mais parar! Infelizmente ele só é vendido na Venezuela e faz 7 anos que eu não vou pra lá. :( Para aqueles que (infelizmente) não o conhecem, o Pirulin é um daqueles canudinhos crocantes que colocamos no sorvete recheado com Nutella. Saudades e amor eternos! :’)

Hoje só restou a lata, que guarda algumas pulseiras.

Hoje só restou a lata, que guarda algumas pulseiras.

 

Neste lugar escolhido…

“…Segundo o cronista Fray Pedro de Aguado como o mais corroborado e esclarecido, que formava uma residência temporária do Zipa fez Don Gonzalo Ximenes de Quesada em 6 de agosto de 1538, a primeira fundação da cidade de Santafe de Bogotá, ato que ratifico solenemente em 27 de abril de 1539, no que hoje se encontra a Praça de Bolívar”.

Essa declaração se encontra em uma pequena casa em Bogotá que é considerada a construção mais antiga da cidade. E esta casinha se encontra no antigo e lindo bairro da Candelaria, no centro de Bogotá.

A Candelaria é de fato o bairro mais antigo de Bogotá. Ela possui casinhas de influência hispânica, pintadas de cores vibrantes e sempre mantendo suas características barrocas originais (foco para os telhadinhos alaranjados!). Essas lindas casinhas ficam em ruas estreitas, com ladrilhos no chão, e todas conseguem manter o ar puramente colombiano.

Ruela na Candelaria

Ruela na Candelaria

Um outro detalhe bem interessante é que cada rua da Candelaria possui um nome sugestivo, seja por alguém que morou por lá, seja pela atividade de alguma loja que existia ali, pela característica de alguma casa… nada muito formal! :)

Rua do Fantasma

Rua do Fantasma

Uma outra curiosidade interessante sobre o lugar é que até os anos 1970, não havia uma real diferença entre a Candelaria e o centro de Bogotá, e quando essa distinção finalmente foi feita, muita coisa se transformou por ali. A Candelaria finalmente retinha uma personalidade própria, retomando o posto de patrimônio histórico, e com isso, os hotéis, restaurantes e outras atrações turísticas foram ficando mais organizadas, aos poucos se desvencilhando dos momentos conturbados da Colômbia dos anos 80.

Um ponto alto dali é a presença da Praça Bolívar (oficialmente, o marco inicial de Bogotá), em homenagem ao libertador da Gran Colombia. Essa praça é muito bonita e cercada de monumentos históricos.

Praça Bolívar

Praça Bolívar

Como todo bairro antigo (especialmente na América Latina), existem muitas igrejas por ali, de todos os tamanhos e estilos. Além disso, a Candelaria é bem servida com ótimos museus (foco para o Museu do Ouro!).

Arquitetura colonial

Arquitetura colonial

Ali tem vários turistas, entusiastas da arte e curiosos sobre história! No dia em que fomos lá, uma grande rede de TV da Colômbia estava gravando um documentário sobre o bairro com um ator famoso de lá (esqueci o nome dele!). Uma mega produção! Para conferir, é só viajar para a Colômbia! ;)

 

Monserrate: Bogotá vista de cima

Hoje vim falar de um lugar que sempre sonhei em conhecer mas demorei bastante a visitar, que é a catedral de Monserrate, em Bogotá. Sabe quando as coisas chegam na hora certa? Talvez se tivesse ido pra lá antes, quando eu era pequena e não guardasse detalhes de muitos lugares provavelmente não escreveria esse post.

Mas enfim, no início do ano passado meus primos todos nos acompanharam para subir até Monserrate. Para quem não sabe, Bogotá é uma cidade que nasceu no coração dos Andes, e mesmo já estando no topo de uma montanha, ainda existem mais montanhas ao redor. Em uma dessas montanhas, construíram a catedral de Monserrate, com direito a uma vista incrível da cidade!

Fomos com os meus primos lá e nos dirigimos até a bilheteria, onde compraríamos os tickets para o funicular. A fila estava grande, mas corria rápido. Sempre fica a dica de comprar dois tickets, um para a ida e outro para a volta, caso pensas ir de funicular até lá.

Existe outra maneira de ir subindo, grátis. Essa maneira é em uma gigantesca e tradicional escada! Eu não subo ali de escada de jeito nenhum, sedentarismo bate! ;) Mas quem tem pique e quer uma experiência única, não deixe de subir!

Os funiculares são quase sempre lotados, e a viagem leva uns 5 minutos. Chegando lá em cima, já é possível de se fazer tudo! Eu recomendo:

  • Visitar a catedral: quando entramos, já estava no final da missa do meio-dia. Além de ter assistido a cerimônia, andar pela parte de trás da igreja é super válido. Lá é muito bonito, e os colombianos sentem muito orgulho dessa catedral no topo de tudo.

    Monserrate!

    Monserrate!

  • Visitar a feirinha: Existe uma feirinha ali ao lado com produtos super exóticos! Muitos artesanatos da região, blusas sobre a Colômbia, comidas e bebidas típicas, chá de coca (sério!!!!) e todo tipo de souvenir.
  • Comer uma “picada”: Nessa feirinha também existem umas barraquinhas especializadas na picada, que é o churrasco colombiano. Batatas criollas, chorizo, milho, carne de cordeiro e outras iguarias feitas na brasa! Muito bom!

    Nhami!

    Nhami!

  • E claro, apreciar a paisagem e tirar muitas fotos! A vista dali é sensacional! Parece que estamos olhando a qualquer cidade da janela de um avião decolando/pousando!
    E essa vista?!

    E essa vista?!

     

 

Ir para Monserrate é incrível! Esse dia, de certeza foi um dos melhores que já passei em terras colombianas.

Vai um tinto aí?

Nas aulas de História do Brasil aprendemos que o café foi a base da economia brasileira até o crack de 1929, e que nosso café era conhecido mundialmente pelo seu sabor único e exótico. Na verdade, lendo um pouco mais sobre o assunto, recebi uma informação de que o café brasileiro abriu as portas para o consumo mundial lá pelo século XIX.

Realmente nosso café é muito gostoso e o Brasil é líder na produção mundial, mas eu como boa latina quando penso em café, penso na Colômbia! Essa associação vem do ótimo papel que a marca Juan Valdez e sua mulinha fizeram para à associação do café com o colombiano comum.

Primeiramente o café foi cultivado por missionários espanhóis na região andina da Colômbia, e por volta do século XIX a produção cresceu ao mesmo tempo que a população ia aos poucos colonizando a região. Lá pelos anos 60, a modernização das fazendas levou a um aumento da produção, que aliadas à constantes pesquisas de desenvolvimento e inovação junto à promoção do seu produto fazem com que o café da Colômbia seja vanguarda mundial no assunto.

Falando em vanguarda, quando eu vou pra lá meus primos fazem o famoso “tinto” (que é café escuro) o tempo todo. E o tinto é tão delicioso que o gosto do café fica sutil, sem ser sem gosto. Simplesmente no ponto!

Lá eles fazem o tinto primeiramente esquentando a água num pequeno bule, depois simplesmente adicionavam um tipo de pó de café e pronto. A diferença dele pro nosso café brasileiro é que o tinto é mais suave e mais ralo. Como citei antes, simplesmente certinho!

Se eu quisesse colocar açúcar, creme, leite ou qualquer outra coisa no café, eu estava livre, mas só daquele jeito, o tinto clássico, já é bom. O engraçado foi que eu tentei fazer o mesmo processo que aprendi na Colômbia no meu intercâmbio lá na Rússia com um café brasileiro e não deu certo! (Leia-se: ficou horrível, risos).

O café na Colômbia é uma bebida de confraternização, de amizade, de informalidade. Por lá, talvez a bebida mais semelhante nesses tipos de confraternizações seja o aguardente, mas nada que tire a majestade do café.

Existem também tours especializados conhecidos como “rota do café” que englobam os departamentos de Risaralda, Quindío e Caldas, onde o povo já é acostumado com vários turistas do mundo todo interessados em conhecer a produção cafeeira da região. Por lá também existem hotéis fazenda muito chiques!

Esqueça o aguardente e beba logo café! Tenho certeza que o café colombiano não é igual a nenhum outro!

Colômbia! Por que não?!

Quando as pessoas escolhem a América do Sul como destino de viagem, muitos pensam na Argentina, Chile, ou até mesmo passear por Machu Picchu. Poucos pensam na Colômbia como uma primeira opção.

A Colômbia é um país de contrastes. Existem cidades cosmopolitas, belas praias, regiões campesinas, e até um pouco de floresta amazônica. Grandes festivais, shows e muitos artesanatos  fazem da Colômbia o destino perfeito para quem procura um lugar diferente para passar as férias, mas não muito longe do Brasil.

A verdade é que existem poucos voos diretos saindo para a Colômbia. A Avianca opera duas rotas para Bogotá, uma saindo de São Paulo, e outra do Rio de Janeiro. A TACA/LACSA oferece uma rota via Brasília. Até pouco tempo, a TAM também oferecia um voo direto para Bogotá, mas com a fusão com a LAN e a formação da LATAM, o voo foi extinto, e os voos para a Colômbia saem apenas via Santiago. Outra boa opção é viajar pela Copa, com conexão no Panamá, trecho que fiz recentemente. Existem voos diretos para o Panamá em Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

Bogotá é uma cidade linda, cosmopolita e grande, com pouco mais de 7 milhões de habitantes e a 2600 metros acima do nível do mar. Algumas pessoas sentem dificuldades na respiração, e é comum que pessoas que não estão acostumadas a altitude sofrerem de pequenos sintomas como sangramento nasal ou até tonturas.

Reprodução: Wikipédia

Aqui vão os 5 principais lugares para se conhecer em Bogotá, na minha opinião:

1. Monserrate

A igreja de Nossa Senhora de Monserrate se encontra no topo de uma das montanhas ao redor de Bogotá. Vista incrível da cidade! Existe também uma feirinha que vende vários artigos do artesanato colombiano. Vale a pena também assistir uma missa, aos mais religiosos. Depois postarei relatos da minha visita a Monserrate.

2. Museu do Ouro

Larga variedade de artefatos de ouro produzidos por povos pré-colombianos. Chama muita atenção dos estrangeiros, especialmente àqueles mais interessados em história.

3. Praça de Bolívar

É a principal praça de Bogotá. Ao redor, encontram-se alguns dos prédios mais importantes da Colômbia representando os três poderes, como o Capitólio e o Palácio Nacional.

4. Museu Botero

Quem gosta de arte vai se encantar por esse lugar! Fernando Botero doou seu acervo pessoal para esse museu, além de obras suas, o museu possui de outros artistas importantes para a história da arte como Picasso, Monet, Miró, Dali, dentre outros.

5. La Candelaria

A Candelária, ou La Candelaria, é o bairro mais antigo de Bogotá, que ainda conserva arquitetura colonial, e ruas super estreitas. Definitivamente uma volta ao tempo!

Placa que indica a primeira construção no assentamento de Santa Fé de Bogotá em 1538.

Vale também conhecer nos arredores de Bogotá:

1. Usaquén

2. Salto del Tequendama

3. Catedral de Sal de Zipaquirá

4. Palacio de Nariño

5. Casa de la Moneda

6. Guadalupe

Aproveite sua visita a Bogotá! Em breve, mais relatos de terras bogotanas!