Pedaços do mundo

Cada povo possui suas próprias características e cultura, e uma das formas onde percebemos essas peculiaridades é através da culinária local. Afinal de contas, viajar por si só já é uma oportunidade de conhecer coisas novas – e a comida é um desses meios! :)

E falando em culinária local, não é preciso gastar uma fortuna em restaurantes para conhecer o que o povo daquela cidade gosta de comer. Às vezes encontramos pérolas em barraquinhas bem simples, ou em fast foods especializados da região. Mas enfim, seguem algumas dicas para aproveitar todo e qualquer tipo de comida!

Pesquise sobre a culinária local, assim você já vai se ambientando com as possíveis comidas que você vai encontrar durante a sua viagem.

Caso exista algum tipo de restrição alimentar, considere bastante o que você vai comer. Mas se essa restrição for irrelevante (especialmente quando tratamos de saúde), abra sua mente para novas possibilidades.

Barraquinhas na rua com várias pessoas é um bom sinal! Se jogue nela!

Mas se você tiver oportunidade, saia para comer num bom restaurante pelo menos uma vez. Garanto que a experiência será inesquecível.

Deixe as calorias para lá, afinal de contas, se você é um daqueles viajantes “level hard”, as andanças pelas cidades vão te ajudar a manter o peso :)

Não deixe a higiene te levar. Às vezes nos preocupamos demais com a qualidade da comida e deixamos de aproveitar coisas. Já percebeu que o Fish and Chips é dado numa folha de jornal?

Mas se a situação for muito tensa, e as condições sanitárias serem extremamente precárias, a saúde vem em primeiro lugar, obviamente.

Se a cidade possui um grande mercado, essa é uma visita que vale a pena.

Procure saber de questões culturais antes de viajar para algum país. Afinal de contas, o choque cultural também existe na mesa.

E é claro que eu pessoalmente tenho as minhas preferências na “cozinha do mundo”! Vou fugir um pouco dos estereótipos como Paella, Sushi, Pizza, Tacos e afins, e vou apresentar 5 coisas que eu adoro, mas acho difícil, ou até mesmo impossível de se encontrar para vender aqui no Brasil.

– Kürstoscalács (Hungria): Ele é um pãozinho caramelizado ao fogo que tem forma de cano, e pode receber uma espécie de “cobertura” de coco, canela, baunilha e outros sabores.

Comi esse Kürstocalács inteiro em uma tarde.

Comi esse Kürstocalács inteiro em uma tarde.

– Blinis (Rússia): Blinis não são panquecas nem crepes! Eles em geral são mais finos e são feitos com uma massa mais leve. Eles sempre são comidos com geleias que são típicas das regiões onde eles são feitos.

Mesa com blinis e biscoitos russos.

Mesa com blinis e biscoitos russos.

– Bratwürst (Alemanha): Esse é o famoso “pão com salsichão” alemão. Não importa se eu cozinho aqui no Brasil, o gosto nunca será o mesmo da Alemanha.

Nhami!

Nhami!

– Cordeiro (Colômbia): A carne de carneiro é diferente da de cordeiro, e é bem difícil de achá-la assada na brasa aqui pelo Brasil. Mesmo assim, o ar na Colômbia é diferente… o gosto sai diferente também!

Nhami!

Nhac!

– Pirulin (Venezuela): Eu classificaria o Pirulin como algum tipo de droga viciante. Ele é simplesmente a coisa mais DELICIOSA do mundo! Você come um e não consegue mais parar! Infelizmente ele só é vendido na Venezuela e faz 7 anos que eu não vou pra lá. :( Para aqueles que (infelizmente) não o conhecem, o Pirulin é um daqueles canudinhos crocantes que colocamos no sorvete recheado com Nutella. Saudades e amor eternos! :’)

Hoje só restou a lata, que guarda algumas pulseiras.

Hoje só restou a lata, que guarda algumas pulseiras.

 

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A “feijoada” de Boyacá

Meu avô é colombiano e ele vem de uma região não tão conhecida assim pelo público brasileiro, que é o departamento de Boyacá. Cresci ouvindo histórias dele sobre as montanhas, a cidadezinha onde ele nasceu, as fazendas e os animais dele e sempre fiquei com uma imagem bem bucólica na cabeça sobre Boyacá.

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Chegando lá pela primeira vez em 2000, fomos até Sotaquirá, o pueblo onde ele nasceu, e iríamos almoçar Índios. Sim. Índios!!! Agora explica para uma criança que não iríamos comer os índios (indígenas), mas sim um prato chamado Índios (sem canibalismo, pfvr).

Não comi aquilo ali de jeito nenhum da primeira vez. A aparência não me era boa a princípio e aquele nome me fazia pensar que aquela carne do prato era de uma pessoa (mesmo não sendo, obviamente).

Alguns anos atrás (2012), voltamos à Colômbia e como sempre pegamos a estrada e fomos até Boyacá. Dessa vez eu decidi que eu iria sim comer os famosos Índios! Não teria escolha mesmo…

Na casa de uma prima foi um enorme banquete com muita música e animação! Ela providenciou todos os ingredientes, os cozinheiros, chamou alguns músicos que cantavam música boyacense e ela chamou toda a nossa família que ainda morava na região.

Chegou a hora e todos fomos servidos com Índios. O prato estava bem cheio, mas não tão assustador quanto da primeira vez. Antes eu me lembrava de uma sopa com um pedaço de carne no meio, mas eu cheguei a conclusão de que eu “pensei que tinha visto isso”. Os Índios são um prato cheio de vários ingredientes.

Comida sotaquireña: Índios

Comida sotaquireña: Índios

Ele tem essa carne de boi e porco meio que assada na brasa, uma couve especial encontrada só em Sotaquirá preenchida com uma espécie de massa, milho, batatas, e uns feijões grandes. Não sou muito fã de carne assada, mas até que consegui comer um pouco. A couve com a massa é bem gostosa, e me impressionei com o tamanho dos feijões!

Tinha muita comida ali e não consegui comer tudo. Fora isso o prato é pesado, e você acaba sentindo isso durante o resto do dia. O que achei da comida? Gostei! E comeria de novo uma segunda vez.

Para completar o post, o meu avô me contou a história do surgimento do “Índios”, e como esse prato ficou famoso (pelo menos no interior de Boyacá). Ele fala que quando os nossos antepassados que eram colonizadores vindos da Espanha, chegaram à Colômbia, eles se instalaram na região montanhosa de Boyacá. Porém lá viviam uma tribo indígena que resistiu bravamente à ocupação de suas terras.

Ele também colocou no meio a história do Sotaire, que era um líder indígena que lutou contra os espanhois para impedir a colonização da região. Porém ele foi preso, e reza a lenda de que numa eventual fuga, ele se refugiou numa montanha bem alta dali, mas acabou se jogando lá de cima para não ser capturado novamente.

Com o líder indígena morto, os outros índios acabaram virando empregados dos espanhois, sendo como domésticos, cavaleiros, agricultores e afins. Fiz a analogia da feijoada no título, pelo fato de que os “Índios” foram criados com a sobra de comida que esses empregados tinham. A couve é única na Colômbia, a carne é assada na brasa, de maneira bem rústica e assim sucessivamente.

Só que assim como a feijoada, os Índios se tornaram bem populares entre os espanhois, e este passou a ser um prato bem apreciado por todos os habitantes da região. Então, o prato foi batizado de “Índios” para homenagear seus criadores! Vale também lembrar que a cidadezinha que o meu avô nasceu, Sotaquirá, recebeu este nome em homenagem ao índio Sotaire.

Conversar com o avô dá nessas histórias, certo? Além do mais, vale compartilhar esse prato diverso e bem delicioso da região mais charmosa da Colômbia.

Comidas russas: Pelmeni

No Brasil, apesar de adorar passar horas cozinhando, sou adepta voraz da comida congelada, e não posso deixar de comprar nhoque, ravioli, fettucini e cappelletti! Na verdade, eu como cappeletti pelo menos uma vez por semana!

Quando eu fui para o intercâmbio, já estava convencida de que eu teria que comer comidas diferentes, e não deixei de pesquisar sobre a culinária russa! Algumas comidas pareciam ser muito estranhas, o que não me deixava nada feliz. Mal eu pensava que a minha hostess iria me servir pelmeni, o “cappelletti russo”. Quando eu falei pra ela sobre a similaridade das massas ela me falou que o pelmeni era comida 100% russa, não tendo nada parecido em algum lugar! (aham)

Pelmenis

Mas o Pelmeni é bem gostoso! E feito com ingredientes não tão comuns em um cappelletti puramente italiano. Por exemplo, o meu sabor favorito era de cogumelo, mas não era difícil de se encontrar sabores tradicionais, como carne ou frango, ou até sabores “exóticos” como cereja.

Diferente da sopa de cappelletti, a sopa de pelmeni era bem gostosa! Até sinto muita falta do meu “host grandfather” oferecendo essa sopinha. Ele colocava algumas ervas e temperos especiais, que deixavam o sabor maravilhoso!

Fica a dica de prato! :)

Colômbia! Por que não?!

Quando as pessoas escolhem a América do Sul como destino de viagem, muitos pensam na Argentina, Chile, ou até mesmo passear por Machu Picchu. Poucos pensam na Colômbia como uma primeira opção.

A Colômbia é um país de contrastes. Existem cidades cosmopolitas, belas praias, regiões campesinas, e até um pouco de floresta amazônica. Grandes festivais, shows e muitos artesanatos  fazem da Colômbia o destino perfeito para quem procura um lugar diferente para passar as férias, mas não muito longe do Brasil.

A verdade é que existem poucos voos diretos saindo para a Colômbia. A Avianca opera duas rotas para Bogotá, uma saindo de São Paulo, e outra do Rio de Janeiro. A TACA/LACSA oferece uma rota via Brasília. Até pouco tempo, a TAM também oferecia um voo direto para Bogotá, mas com a fusão com a LAN e a formação da LATAM, o voo foi extinto, e os voos para a Colômbia saem apenas via Santiago. Outra boa opção é viajar pela Copa, com conexão no Panamá, trecho que fiz recentemente. Existem voos diretos para o Panamá em Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

Bogotá é uma cidade linda, cosmopolita e grande, com pouco mais de 7 milhões de habitantes e a 2600 metros acima do nível do mar. Algumas pessoas sentem dificuldades na respiração, e é comum que pessoas que não estão acostumadas a altitude sofrerem de pequenos sintomas como sangramento nasal ou até tonturas.

Reprodução: Wikipédia

Aqui vão os 5 principais lugares para se conhecer em Bogotá, na minha opinião:

1. Monserrate

A igreja de Nossa Senhora de Monserrate se encontra no topo de uma das montanhas ao redor de Bogotá. Vista incrível da cidade! Existe também uma feirinha que vende vários artigos do artesanato colombiano. Vale a pena também assistir uma missa, aos mais religiosos. Depois postarei relatos da minha visita a Monserrate.

2. Museu do Ouro

Larga variedade de artefatos de ouro produzidos por povos pré-colombianos. Chama muita atenção dos estrangeiros, especialmente àqueles mais interessados em história.

3. Praça de Bolívar

É a principal praça de Bogotá. Ao redor, encontram-se alguns dos prédios mais importantes da Colômbia representando os três poderes, como o Capitólio e o Palácio Nacional.

4. Museu Botero

Quem gosta de arte vai se encantar por esse lugar! Fernando Botero doou seu acervo pessoal para esse museu, além de obras suas, o museu possui de outros artistas importantes para a história da arte como Picasso, Monet, Miró, Dali, dentre outros.

5. La Candelaria

A Candelária, ou La Candelaria, é o bairro mais antigo de Bogotá, que ainda conserva arquitetura colonial, e ruas super estreitas. Definitivamente uma volta ao tempo!

Placa que indica a primeira construção no assentamento de Santa Fé de Bogotá em 1538.

Vale também conhecer nos arredores de Bogotá:

1. Usaquén

2. Salto del Tequendama

3. Catedral de Sal de Zipaquirá

4. Palacio de Nariño

5. Casa de la Moneda

6. Guadalupe

Aproveite sua visita a Bogotá! Em breve, mais relatos de terras bogotanas!