Algumas comidinhas russas

Olá, internet! Hoje eu vim falar sobre um tópico importantíssimo e indispensável, especialmente para uma pessoa como eu. Me desafiei a postar um texto por dia sobre a Rússia durante essa semana (copa is coming), então quero tocar num assunto delicado chamado… comida!

Eu amo/sou comida, e um dos meus hobbies favoritos ao visitar lugares novos é justamente os pratos típicos dos lugares que eu vou. Na Rossiya não foi diferente e procurei provar de tudo um pouco, mas é complicado.

É complicado pois ao mesmo tempo em que somos bombardeados por sabores incríveis, as pessoas que eram próximas a mim quase não comiam comidas típicas. Cansei de comer sushi, lasanha, e outras comidas que são bem cosmopolitas. Isso foi ruim? Acho que nem tanto.

Dentre os pratos típicos que provei, foco especial para o pelmeni, que eu já escrevi sobre aqui. O Pelmeni é uma espécie de massa recheada com alguns tipos de carne, especialmente porco, mas já vi de outros sabores, como de cereja (ISSO MESMO). Ele se assemelha muito a um capeletti, mas o que diferenciava de alguma outra massa era de vez em quando ele era servido como uma sopa! Era bem gostoso, e foi de longe o prato típico que mais comi.

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Pelmeni de cereja. Não era bom. Sério.

Os blinis também são um prato típico bem conhecido, e inclusive já o vi muitas vezes aqui no Brasil. Eles são panquecas, mas feitas de um modo diferente, e elas ficam mais grossas. Mesmo com a espessura, a massa não é pesada, e eu comia vários bem rápido, haha. Você pode comer os blinis com uma diversidade de recheios, mas eu costumava comer junto com geleias.

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Blinis (eles são mais grossos do que parecem)

O borsht é provavelmente uma das comidas russas mais comentadas, e é simplesmente… uma sopa! Normalmente ela é de betteraba e tem uma cor meio rosada, mas já vi meus amigos chamando sopas de outros sabores de borsht também. Normalmente o borsht é meio cremoso e é acompanhado de sour cream. (Não tirei foto de nenhum borsht, aaaa)

Existem muitas outras comidinhas típicas da Rússia, e também posso destacar algumas mais, como o strogonoff (esse nome já diz que a origem é russa), o caviar (é interessante provar pelo menos uma vez), e tem um suco de frutas silvestres que só tomei lá e que infelizmente não descobri o nome (aaaaaaaa – era muito bom)

Mas claro que os russos não comem só comida russa, assim como os brasileiros não comem só feijoada. Como disse lá no início do texto, eu via tantos restaurantes de comida japonesa que de vez em quando eu me perguntava onde eu estava! As cidades são cheias de pizzarias e outras comidas italianas, assim como carne! Já como eu era uma espécie de estagiária, não podia ir sempre em restaurantes caros, né? De vez em sempre eu ia em diferentes fast foods, e confesso que não me decepcionava.

Mesmo em cidades pequenas (a que eu morei tinha mais ou menos 800 000 habitantes), a abundância de restaurantes e lanches era imensa. Era difícil comer nos mesmos lugares, haha.

From Manaus with love

Olá! Pra quem não me conhece, eu sou a Camilla, tenho 24 anos, estou me formando em Ciências Econômicas e sou uma pessoa apaixonada por cultura em geral. “Cultura” é um termo muito abrangente que inclui uma diversidade de coisas, seja fotografia, literatura, gastronomia, e no meu caso também, aprender um pouquinho mais de nuances que representam diversos lugares do mundo.

Este é um relato pessoal de uma pessoa do Norte do Brasil que sente muito orgulho de ser manauara! Segue a leitura.

Pra começar, eu criei uma paixão pela geografia desde pequenininha. Quando eu tinha uns 5 ou 6 anos, acabei descobrindo um pequeno e antigo atlas na minha casa e me fascinei com a cartografia. Linhas que desenhavam fronteiras, pontinhos que indicavam a localização das cidades, e eu andava grudada com esse atlas pra cima e pra baixo.

Logo eu comecei a aprender algumas coisas. Aos poucos eu já havia decorado todos os países e suas capitais, a copa de 1998 me ajudou a conhecer as primeiras bandeiras, e com o passar dos anos fui nutrindo a minha curiosidade e conhecimento sobre o assunto.

Mas enfim, o que me fascinava na geografia era a diferença. Tantos lugares na Terra diferentes entre si! Montanhas, neve, praias, desertos e todo tipo de diversidade que eu via em fotos e vídeos que acabavam enchendo os meus olhos. Aos poucos eu comecei a abrir os olhos para as belezas do mundo e não prestando tanta atenção na minha região.

O tempo passou e eu comecei a olhar tudo que remetia à Amazônia como… trivial. “Só floresta… legal… mas nada demais”, eu pensava. Durante a minha adolescência às vezes eu ficava intrigada em saber que ainda existiam áreas verdes em Manaus, e na minha cabeça, essas áreas seriam muito melhor aproveitadas caso alguém construísse algo no lugar.

Por exemplo, antes eu morava numa casa que tinha um terreno baldio ao lado. “Baldio” por que não tinha nada construído – somente existiam lindas e grandes árvores que juntas pareciam formar uma caverna, e a minha maior vontade era entrar e brincar naquela caverna. Mesmo achando a área bonita, eu pensava que uma casa, como as outras da vizinhança, ficaria bem melhor naquele terreno gigante, e algo que me assustou muito há vários anos foi ter visto um ladrão que havia assaltado a casa de trás, ter pulado o muro e fugido através desse terreno. Quem sabe algum outro ladrão não se escondia ali? (Na época, eu achava que era alguém que tinha fugido de casa, mal sabia a inocente).

Mas enfim, eu passei no vestibular e comecei a frequentar a UFAM, faculdade que fica “no meio do mato”. Todo dia passando por aquela estrada que dá acesso à universidade e achando tudo tão comum… tão verde… tantas árvores… Óbvio que eu ficava muito intrigada ao saber que a minha universidade ficava no meio de uma área verde. Qual outra universidade também tem essa característica? :)

E então eu resolvi ter uma experiência diferente. Eu, aos 19 anos estava sentindo que estava muito na minha zona de conforto. Nunca tinha passado por desafios, nunca sofri longe da minha família, sempre tive tudo que quis na hora que eu queria… típico de uma pessoa mimada. E decidi mudar de vida! Mas para isso eu precisava de um choque de realidade e fui morar por dois meses na Rússia.

Sabe o atlas que me acompanhava quando eu era pequena? Ele era tão antigo que ainda mostrava o mapa da União Soviética. Eu ficava fascinada com o tamanho (sim) daquele país, e vendo que existiam outros países menores que compunham sua integridade territorial. Eu realizei um sonho chegando em Moscou, e naquele mesmo dia fui na Praça Vermelha, lugar onde tantos fatos decisivos para a história da humanidade aconteceram.

Logo depois, à meia noite, peguei um trem em direção ao interior, onde eu iria morar. Eu estava amando a sensação de liberdade e independência, e ao mesmo tempo dando o primeiro passo para mudar de vida.

Daí eu tive o wow moment mais incrível da minha vida! Eu saí da cabine do trem e fiquei no corredor, observando o movimento. Eu havia ido no inverno e ao redor da linha férrea uma série de árvores mortas estavam compondo o ambiente. E só.

Eu olhei para aquele clima cinza, a neve deixando os galhos das árvores com uma aparência tenebrosa, e nenhum sinal de vida ali… eu comecei a chorar! Nesse momento eu percebi que eu nasci e cresci na região mais linda do planeta e foi preciso ir pro outro lado do mundo para notar isso! Eu me senti a pessoa mais estúpida. Como eu nunca tinha parado para observar a beleza e singularidade da Amazônia?

Aos poucos isso foi se desenrolando. Quando as pessoas na Rússia me perguntavam de onde eu era, ninguém acreditava! Para os estrangeiros, e especialmente aquelas pessoas do interior russo que não tem planos de sair da cidade e descobrir algo diferente, ver uma pessoa de Manaus ali era quase como se ver um extraterrestre.

Dois meses se passaram e quando retornei ao Brasil, eu comecei a reparar pequenas coisas na nossa cidade e no nosso jeito de ser que nos tornavam diferentes de outros brasileiros.

Primeiramente tenho que falar da nossa culinária (ai, como eu adoro comida! haha). Temperos únicos (tucupi <3), frutas nativas daqui, a nossa grande variedades peixes, x-caboquinho (sim, sou louca de x-caboquinho, e com banana ainda, haha).

Também não escondo de ninguém que eu amo história! E acho uma pena que a história da Amazônia não seja tão difundida a nível nacional. Desde as expedições de Orellana, Pinzón e Vespúcio, a economia das drogas do sertão, toda a história envolvendo a província do Maranhão e Grão-Pará, e claro, o ciclo da borracha e a importância que o pólo industrial possui a nível nacional.

Poucas pessoas sabem que Manaus foi uma das primeiras cidades a receber energia elétrica no Brasil (segundo relatos, somente atrás do Rio de Janeiro). Ainda mais, registros históricos indicam que as mulheres mandavam lavar a roupa em Paris por acharem que as águas escuras do Rio Negro pudessem manchar suas roupas.

Eu também rotineiramente pela internet acabo achando coisas interessantes. Não sei se o fator ~Copa do Mundo~ ajudou, mas em algumas listas da gringa, Manaus aparece como uma das cidades mais reconhecidas pelos estrangeiros (top 3!). Leia-se: ao pensar em cidades no Brasil, geralmente se pensam em São Paulo e Rio de Janeiro, e em seguida Manaus! :)

E o que mais faz esses estrangeiros e pessoas daqui do Brasil mesmo a reconhecer a nossa cidade? Clima quente (ultimamente bem quente), comida gostosa, pessoas convidativas, monumentos históricos, conforto e modernidade e obviamente o fato de nós estarmos cercados pela floresta icônica que faz a nossa região ser a mais bonita do planeta!! (Desculpa a modéstia, mas é verdade :))

Falando na Amazônia, uma vez há muitos anos estava chegando em Manaus com um jovem japonês do meu lado. Ele não falou uma palavra, mas estava lendo um livro bem antigo, daqueles que você lê na vertical, e não na horizontal. No approach já, quase aterrisando em Manaus, eu olho pro lado e vejo a cara de espanto+fascinação que esse rapaz fez. Era tanta floresta que acho que nem ele acreditaria ver do alto.

Na verdade, é bem legal ver o pouso nos aviões chegando aqui em Manaus. Se você sentar do lado direito, provavelmente você terá uma linda visão do Rio Negro, um pedaço de floresta, a cidade, e agora a vista da Ponte Rio Negro. Fica a dica!

Apesar das nuances de metrópole, é comum de ver lindos pássaros voando durante o dia por aqui. Na minha faculdade eu já vi algumas preguiças. Na verdade, eu já vi preguiças em várias partes da cidade, haha. Quando eu estava na Hungria, saiu uma notícia de que um jacaré tinha sido visto nas proximidades da praia da Ponta Negra num lindo domingo de sol (risos).

Aqui no meu condomínio existem muitas árvores frutíferas. Tanto coisas mais regionais como abiu e pitomba como também outras espécies como manga, acerola, jambo e azeitona! Mesmo assim ainda é comum de ver áreas verdes por aqui na cidade (e eu pensando há alguns anos atrás que essas áreas poderiam dar lugar a altos e pomposos prédios…).

Mas claro, a minha cidade é linda mas possui sérios problemas. O sistema de transporte público deixa muito a desejar, trânsito caótico (distrito, 17h mandou um beijo), a violência infelizmente está numa crescente, e também vejo as coisas aqui muito caras.

Mesmo assim eu sinto o maior orgulho de ter nascido e crescido aqui! O amadurecimento chegou a mim com muita reflexão, e quando percebi a singularidade de Manaus, me senti uma pessoa extremamente privilegiada de conhecer essa região e posso chegar batendo no peito dizendo: “Eu sou daqui!”.

Pra terminar, eu queria dizer que não é toda cidade do Brasil que você pode viajar para o Caribe de estrada. Também é possível de tomar banho de cachoeira a uma hora de carro. Dar comida para os botos no meio do rio, talvez? Ver o encontro das águas lá de longe? Passar um fim de semana numa tribo indígena? Tá que essas últimas aventuras que citei não são exatamente em Manaus city, porém são algumas atrações que ajudam a fazer da minha cidade um destino turístico único para quem busca algo diferente.

Eu sou daqui e sinto o maior orgulho disso! Vem forte que eu sou do Norte! ;)

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A “feijoada” de Boyacá

Meu avô é colombiano e ele vem de uma região não tão conhecida assim pelo público brasileiro, que é o departamento de Boyacá. Cresci ouvindo histórias dele sobre as montanhas, a cidadezinha onde ele nasceu, as fazendas e os animais dele e sempre fiquei com uma imagem bem bucólica na cabeça sobre Boyacá.

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Chegando lá pela primeira vez em 2000, fomos até Sotaquirá, o pueblo onde ele nasceu, e iríamos almoçar Índios. Sim. Índios!!! Agora explica para uma criança que não iríamos comer os índios (indígenas), mas sim um prato chamado Índios (sem canibalismo, pfvr).

Não comi aquilo ali de jeito nenhum da primeira vez. A aparência não me era boa a princípio e aquele nome me fazia pensar que aquela carne do prato era de uma pessoa (mesmo não sendo, obviamente).

Alguns anos atrás (2012), voltamos à Colômbia e como sempre pegamos a estrada e fomos até Boyacá. Dessa vez eu decidi que eu iria sim comer os famosos Índios! Não teria escolha mesmo…

Na casa de uma prima foi um enorme banquete com muita música e animação! Ela providenciou todos os ingredientes, os cozinheiros, chamou alguns músicos que cantavam música boyacense e ela chamou toda a nossa família que ainda morava na região.

Chegou a hora e todos fomos servidos com Índios. O prato estava bem cheio, mas não tão assustador quanto da primeira vez. Antes eu me lembrava de uma sopa com um pedaço de carne no meio, mas eu cheguei a conclusão de que eu “pensei que tinha visto isso”. Os Índios são um prato cheio de vários ingredientes.

Comida sotaquireña: Índios

Comida sotaquireña: Índios

Ele tem essa carne de boi e porco meio que assada na brasa, uma couve especial encontrada só em Sotaquirá preenchida com uma espécie de massa, milho, batatas, e uns feijões grandes. Não sou muito fã de carne assada, mas até que consegui comer um pouco. A couve com a massa é bem gostosa, e me impressionei com o tamanho dos feijões!

Tinha muita comida ali e não consegui comer tudo. Fora isso o prato é pesado, e você acaba sentindo isso durante o resto do dia. O que achei da comida? Gostei! E comeria de novo uma segunda vez.

Para completar o post, o meu avô me contou a história do surgimento do “Índios”, e como esse prato ficou famoso (pelo menos no interior de Boyacá). Ele fala que quando os nossos antepassados que eram colonizadores vindos da Espanha, chegaram à Colômbia, eles se instalaram na região montanhosa de Boyacá. Porém lá viviam uma tribo indígena que resistiu bravamente à ocupação de suas terras.

Ele também colocou no meio a história do Sotaire, que era um líder indígena que lutou contra os espanhois para impedir a colonização da região. Porém ele foi preso, e reza a lenda de que numa eventual fuga, ele se refugiou numa montanha bem alta dali, mas acabou se jogando lá de cima para não ser capturado novamente.

Com o líder indígena morto, os outros índios acabaram virando empregados dos espanhois, sendo como domésticos, cavaleiros, agricultores e afins. Fiz a analogia da feijoada no título, pelo fato de que os “Índios” foram criados com a sobra de comida que esses empregados tinham. A couve é única na Colômbia, a carne é assada na brasa, de maneira bem rústica e assim sucessivamente.

Só que assim como a feijoada, os Índios se tornaram bem populares entre os espanhois, e este passou a ser um prato bem apreciado por todos os habitantes da região. Então, o prato foi batizado de “Índios” para homenagear seus criadores! Vale também lembrar que a cidadezinha que o meu avô nasceu, Sotaquirá, recebeu este nome em homenagem ao índio Sotaire.

Conversar com o avô dá nessas histórias, certo? Além do mais, vale compartilhar esse prato diverso e bem delicioso da região mais charmosa da Colômbia.