Moscou e segurança

Olá, internet! :)

Já que me desafiei a escrever um post por dia sobre a Rússia nesta semana, vou falar sobre outro assunto importante que de vez em quando trazem à mesa: segurança. Tem vezes que algumas pessoas questionam se a Rússia é realmente segura, ou se existe algum tipo de risco para visitantes estrangeiros.

Infelizmente eu não posso falar um contexto geral sobre TODO o país, então vou me focar mais em Moscou, que é onde boa parte dos turistas ficam, como agora nessa época de copa.

Moscou, nas minhas impressões, me pareceu uma cidade muito segura. A princípio ela pode parecer intimidadora e fechada, mas o importante é que as pessoas sentem uma grande sensação de segurança, em boa parte da cidade.

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Placa indicativa próxima ao Teatro Bolshoi

É comum ver dois tipos de policiais rondando as ruas: uns mais bonitos e longilíneos, com coats arrumados exibindo seus brasões, e outros maiores e bem fortões que utilizam uma roupa com uma estampa camuflada amarela. Os primeiros são aqueles que ficam fazendo uma guarda mais tranquila, e os segundos são ativados em situações que precisam um maior tipo de atenção, como eventos com muita gente. Eu não sei qual a diferença corporativa entre esses dois tipos de policiais (nem sei se eles são chamados exatamente assim, também), mas o importante é que você vê muitos deles nas ruas.

O povo russo em geral é bem tranquilo, e não sei se algum tipo ou característica da sociedade ajuda a inibir alguns tipos de violência. Mesmo em espaços com muita gente (como o metrô), você fica tranquilo com as pessoas ao seu redor.

Mas é claro que existem exceções. Uma vez ou outra alguém publica que foi vítima de um batedor de carteira, ou que sofreram algum golpe na rua. Um dos mais conhecidos é o tal do golpe do maço de dinheiro: uma pessoa te aborda perguntando se uma certa quantidade de dinheiro no chão é sua; daí você abre sua carteira (ou o lugar onde você guarda sua plata) pra ver se você acabou deixando algo cair, e é nesse momento que os comparsas dessa pessoa saem de algum lugar pra te assaltar.

Já aconteceram ataques terroristas recentes também. Antes da minha ida à Rússia, uma bomba explodiu no aeroporto de Domodedovo, e em outra ocasião, duas mulheres-bomba ativaram seus explosivos no metrô. Algum tempo depois, aconteceu uma situação lamentável em Volgogrado (pertinho de onde morei), e até escrevi brevemente sobre isso.

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Essas situações podem assustar, mas elas são raras. Muitas são ligadas a questões políticas, e quando a crise na Chechênia estava no seu auge, o nível de tensão era bem grande. Hoje essa questão parece estar mais tranquila comparada ao que já foi, mas honestamente, não sei muito bem opinar profundamente sobre esse assunto pois nunca mais li nem estudei sobre certos assuntos geopolíticos. :(

Mas enfim, mesmo sendo brasileira e latina, achei Moscou e a região do Volga bem seguras. Aqui no Brasil eu vivo paranoica com a questão da segurança, então não sei se meio que por isso eu já acho muitos lugares bem mais seguros. Aqui tenho medo de caminhar na rua mesmo que certa coisa fique perto da minha casa, pois na minha cabeça tenho a certeza de que serei assaltada ou pior. Às vezes eu evito sair para determinados lugares por que eu não gosto do estacionamento, seja ele ruim ou inexistente. Não gosto nem de andar sozinha na minha universidade à noite! Enfim, prefiro pecar pelo excesso. Pelo menos em Moscou eu andava sozinha em vários lugares, e mesmo sendo estrangeira nunca temi.

Russos são amigáveis sim!

Olá, internet! O tempo passa voando e falta muito pouco pra começar a copa da Rússia! Me lembro direitinho do dia que foi anunciado que este país iria sediar esse evento tão importante para nós brasileiros: eu estava conversando no skype com um amigo que morava em Moscou e trocamos algumas ideias sobre o assunto.

O que ele falou pra mim não é exatamente o tema deste post, mas vim falar sobre outra coisa aqui. Brasil e Rússia são dois países com muitas diferenças: distância geográfica enorme, origem cultural diferente, outro alfabeto, climas variados, e por aí vai.

Então, vou fazer alguns posts onde vou dar um ponto de vista como brasileira que viveu em terras russas pra tentar “desmistificar” algumas impressões que algumas pessoas podem ter dos nossos amigos russos. Hoje especificamente, vou falar sobre uma coisa que sempre me questionaram: as pessoas na Rússia são frias quanto parecem?

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Arbat ul. em Moscou

Talvez um dos maiores mitos sobre a Rússia seria a tal “frieza” das pessoas. Se você dá bom dia para qualquer pessoa que cruza seu caminho aqui no Brasil, saiba que as coisas não são tão assim na mãe Rússia. Na verdade, elas podem até parecer assim num certo momento pois muitos acreditam que não é necessário sorrir ou cumprimentar pessoas alheias na rua.

Mas isso é mais uma maneira de defesa que frieza. Como a sociedade viveu enclausurada por muito tempo, as pessoas preferem guardar pra si alguns tipos de comentários, inclusive um bom dia. Antigamente qualquer pessoa podia ser um dedo duro, e o menor dos comentários poderia te colocar em maus lençóis.

Mas obviamente se você já tem algum contato com alguma pessoa, a situação muda. Caso você vá comprar algo no mesmo mercadinho todo dia, se você vai pegar um ônibus com o mesmo cobrador, ou até se você vai com frequência comer em certo lugar, as pessoas já te reconhecem, e podem até se abrir mais.

E quando eles se abrem, você sente um carinho muito especial, principalmente das pessoas mais velhas! Eles são muito amáveis e sempre muito respeitosos (pelo menos os que eu tive contato).

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St Basil’s

Uma vez um senhorzinho puxou assunto comigo e com um amigo no ônibus e ele começou a contar da vida dele. Pelo pouco de russo que compreendemos, esse senhorzinho fez parte do Exército Vermelho e ele lutou no Afeganistão nos anos 80 (ele mostrou uma carteirinha antiga do exército com a foto dele jovem e tudo). Ele até tentou nos ensinar umas palavras em polonês no caminho, haha. Tínhamos nos visto alguma vez na vida? Nunca!

Uma senhorinha que trabalhava na escola que eu iria estagiar (algo como recepcionista, inspetora) foi uma fofa na primeira vez que nos vimos! Ela me abraçou, me deu boas vindas, e que ela estava muito feliz com a minha presença ali! Eu acabei trabalhando em outra escola, mas também com funcionários e estudantes muito acolhedores comigo e com os outros estrangeiros.

Solidariedade também é forte! Uma vez eu perdi minha luva dentro do ônibus, e todos que estavam lá se mobilizaram, me ajudaram e acabaram encontrando a luva debaixo de uma cadeira. Como ela foi parar lá, não sei! (A luva era cara, por isso me desesperei logo, haha)

Não canso de dizer que fui muito feliz no período que passei na Rússia, e sou grata por todas as experiências que vivi lá. Parte disso foi por causa do carinho recebido pelas pessoas que me acompanharam. Nessa semana ainda, escreverei mais pontos que acho que devemos saber sobre os russos!

 

10 mitos que caíram por terra após viagens

~spoiler de post polêmico, haha~

Sabe fofoca, confusão e boato? Pois é, tem muito “disse me disse” na internet e até no boca a boca que aos poucos se tornam pequenas verdades, e conhecimento comum do público. Porém quando você conhece a realidade de alguns lugares, essas “verdades” deixam de ser verdade, e você começa a ver as coisas de forma muito diferente. Mas o pior de tudo é que tem gente que ainda quer desafiar o que não viu contra alguém que já vivenciou.

1. “Franceses não gostam de turistas que falam inglês”.

Acho que esse é um dos mitos mais famosos, e pela minha parte, todas as vezes que fui à França, fui muito bem tratada! Seja falando inglês ou francês, especialmente em Paris os funcionários de lugares que trabalham com público são muito bem orientados a tratar bem o público, devido ao fato de que Paris tem grande parte de sua economia movida por causa do turismo.
O que aconteceu comigo devido ao francês em si, foi o fator surpresa. Das primeiras vezes que fui à França, só me comunicava em inglês devido ao fato de que eu ainda não falava francês. Depois de algum tempo, passei a treinar o idioma em viagens para lá. O que eu percebi depois disso é que muita gente ficava surpresa com o fato de uma turista começar a falar francês por livre e espontânea vontade (e depois que eu dizia que eu sou do Brasil, parece que a surpresa aumentava). Isso de fato, deixava as pessoas mais felizes e satisfeitas, mas não quer dizer que eles tratam mal quem fala inglês.

Menu francês/inglês

Menu francês/inglês

2. “Os russos ainda vivem numa espécie de comunismo moderno”.

Uma coisa que gosto de fazer é ler comentários de posts e notícias. Às vezes, o que o leitor escreve pode até ser mais interessante que o conteúdo da matéria. E me impressiono quando leio comentários nas seções de Política Internacional sobre a Rússia dizendo que lá o Putin aplica o comunismo no país, que as pessoas são miseráveis, que ainda dependem do governo para conseguir suprimentos, blá blá blá…
Primeiro, estamos em 2015 e não em 1985. Segundo, o país, nem sua economia não tem um pingo de comunismo nas veias hoje em dia (fora os antigos saudosos da URSS que lembram o ex-gigante em quase tudo). Terceiro, o país é tão ou mais cosmopolita que o Brasil ou qualquer outra nação de porte semelhante. Bem, estou estudando algumas coisas sobre o país e sua política externa por causa da minha monografia e dá vontade de rir quando leio alguns comentários deste porte.

Uma loja da LV no shopping mais caro do mundo. "Malditos comunistas!".

Uma loja da LV no shopping mais caro do mundo. “Malditos comunistas!”

3. “A Colômbia é um país perigoso por causa do tráfico”.

Infelizmente os fins dos anos 1980 e meados dos anos 1990 foram turbulentos para a Colômbia. O país de fato fez um grande esforço contra a guerra ao tráfico, mas raramente isso influenciava no cotidiano da população em geral. Algumas situações até chegaram a acontecer como atentados, mas isso ficou no passado.
Hoje em dia, a Colômbia é um dos países mais promissores da América Latina, e inclusive “escapando” dos picos da crise que ainda está abalando a economia mundial. Porém a fama de lugar inseguro continuou, e até os dias de hoje muita gente teme a Colômbia por causa da violência derivada do tráfico de drogas.

Essa vista...

Essa vista…

4. “As cidades dos países da cortina de ferro são quadradas”.

Em pleno 2015 eu ainda ouço pessoas falando sobre “cortina de ferro”, que hoje é um termo muito pejorativo. Tá né, mas muitas delas não sabem 1% da beleza e cultura destes países, e os ficam julgando com base em termos históricos ultrapassados e inadequados.
Acontece que parte de algumas cidades tiveram um boom populacional onde alguns bairros tiveram que ser construídos nos anos 1970 e 1980, em plenos dias comunistas.
Essas construções feitas são chamadas de “novostroikis”, e elas são de fato, quadradonas. Mas elas dificilmente são vistas por um turista comum que só conhece os principais lugares das cidades, já que essas construções se encontram nos subúrbios das cidades.
Ah, e essas construções lembram muito as Superquadras de Brasília! Todas elas com um espaço no centro com área verde, bancos, playgrounds e afins.

Vista da parada de ônibus perto de casa, nos subúrbios de Budapeste.

Vista da parada de ônibus perto de casa, nos subúrbios de Budapeste.

5. “Miami é um paraíso de compras.”

Na minha opinião, existem lugares bem melhores que Miami para fazer compras. Nos EUA, os preços se equiparam bastante em basicamente todos os lugares, mas não consigo ter o fascínio que o brasileiro tem por Miami. Honestamente não gosto da cidade, não consigo encontrar muito o que fazer, e ainda acho as praias feias. Honestamente, eu acho Fort Lauderdale bem mais interessante que a própria Miami Beach por exemplo.
Mas assim, nós costumamos nos impressionar com os produtos que são vendidos em Miami por duas coisas: variedade de marcas e câmbio. De fato, uma Louis Vuitton sai muito mais barata em Miami do que em São Paulo, mas isso por causa da nossa carga tributária. Mas não vejo muito interesse em viajar exclusivamente para lá com o intuito de fazer compras. Honestamente eu sou mais o Panamá para esse propósito, por exemplo.

@Miami Beach

@Miami Beach

6. “Brasileiros tem fama ruim no exterior.”

Este é um mito bem comum no que tange viagens e brasileiros. Não sei se isso é um sintoma de “síndrome do vira-lata”, mas sempre ouvi muitos amigos brasileiros falando mal de atitudes de conterrâneos por aí. Confesso que até eu tive esse certo conceito durante um tempo, mas acabei percebendo que nós fazemos coisas… normais!
Não é errado tirar fotos de qualquer coisa diferente que vemos no caminho, de comprar um milhão de coisas no shopping (se temos dinheiro pra isso, por que não!?), de tentar se comunicar de qualquer maneira diferente quando não sabemos o idioma, quando nunca abastecemos o carro por si só e pagamos mico, quando nos perdemos em algum canto… Isso acontece, é normal!
O que não dá, é ser mal educado por aí! E confesso que nunca vi brasileiros fazendo coisas que certamente são falta de educação. Mas sobre isso eu coloco uma nacionalidade que é bem bruta e são mal educados (e às vezes porcos) por aí, que são os indianos. Pelo o que eu já vi, não posso defendê-los.
Ah, e sobre a fama em si, os brasileiros são muito bem vistos no exterior sim! Especialmente no poder aquisitivo (sim, mesmo com essa nossa crise por aqui).

Guaraná Antarctica vendido na Europa

Guaraná Antarctica vendido na Europa

7. “Com 20 euros você faz um rancho de mês na Europa.”

Uma amiga me disse isso semana passada, falando de uma outra pessoa que ela conhecia. Em certos supermercados, é possível de comprar certas coisas com 20 euros, mas não um rancho inteiro. Numa compra num supermercado normal, com 20 euros, eu compraria alguns biscoitos, pães, algumas bebidas, chocolates, snacks e alguns condimentos utilizados para cozinhar. Porém comprar comida para uma pessoa comer um mês inteiro por apenas 20 euros é balela, e das boas.
Primeiro que as carnes em geral tem um preço alto na Europa, com exceção da carne de porco. Segundo que alguns produtos como frutas e verduras podem variar muito seu preço especialmente durante as épocas mais frias. Outra, as contas de supermercado que eu fazia sempre davam acima de 20 euros, também sabendo que nunca me privei de nada, mas ao mesmo tempo, sem ostentar muito.

1 espetinho de morango com chocolate = 95 coroas (ou 11,30 BRL ou 3,50 EUR).

1 espetinho de morango com chocolate = 95 coroas (ou 11,30 BRL ou 3,50 EUR).

8. “Estrangeiros só conhecem o Brasil por causa do futebol.”

Nesse caso não é o “não só”, e sim o “mas também”. A verdade é que o futebol é um dos temas mais lembrados por estrangeiros quando falam do Brasil. Mas isso não quer dizer que os estrangeiros saibam ~só~ sobre futebol no Brasil. Mesmo quando citam futebol, eles lembram de jogadores que fizeram sucesso há um certo tempo, como o Ronaldo, o Kaká e até o Roberto Carlos.
Para complementar, muitos estrangeiros conhecem o carnaval (pq né?), novelas, modelos famosas, havaianas, música (sendo muitas vezes algum hit “do momento”, como o Michel Teló quando eu estava na Rússia), artistas em geral (não só artistas da Globo, mas pintores, escritores e indivíduos mais eruditos), e também figuras históricas. :)

Apresentação da Rússia para os brasileiros!

Apresentação da Rússia para os brasileiros!

9. “Os países do leste europeu são atrasados.”

Não é por que os países do Leste Europeu saíram de uma economia planificada para uma de mercado há somente 25 anos que eles possam se diminuir à vários países com esta economia corrente há mais tempo. Honestamente, muitos países dali tem uma infraestrutura bem melhor que a do próprio Brasil, o “país do futuro”.

Mapa dos transportes urbanos de Praga

Mapa dos transportes urbanos de Praga

10. “Nova York é uma das cidades mais organizadas do mundo.”

Eu já fiz um post aqui listando alguns motivos para não visitar NY. E infelizmente eu continuo achando isso, mesmo tendo adorado alguns setores da cidade, especialmente o que ronda o Central Park. Tirando ali, o resto da cidade é uma muvuca, inclusive em algumas áreas bem turísticas, como a Times Square, a Broadway e a Fifth Avenue.
Quantidades enormes de lixo nas ruas, trânsito caótico, pessoas que não param de surgir de qualquer canto… esperava muito mais dali.

Times Square

Times Square