Parques da Disney na Flórida ou na Califórnia?

Olá, internet! Muitas pessoas já me perguntaram se haviam muitas diferenças entre os parques da Disney da Califórnia e da Flórida. Nesse post, vou explicar para vocês o que eu achei de cada parque, e quais valem mais a pena visitar.

Contexto

MK, seu lindo!

Vários locais do mundo possuem parques da Disney, como por exemplo Paris, Tóquio, Hong Kong e mais recentemente, Xangai.  Nos Estados Unidos existem dois parques, sendo um em cada costa: um parque se localiza em Anaheim, na Califórnia, e o mais famoso, que fica em Orlando.

O parque de Anaheim é o mais antigo de todos, e ele é conhecido como Disneyland (Disneylândia, aportuguesando). Inaugurado em 1955, ele foi uma aposta de Walt Disney em criar um parque moderno cujas estrelas seriam os personagens que já haviam aparecido nos filmes e curtas do estúdio.

Como todos sabemos, o parque foi um sucesso, o que estimulou Disney a fazer uma aposta muito mais ambiciosa: construir um parque para atender as necessidades da costa leste dos Estados Unidos, visando preencher o mercado consumidor de New York, DC, Boston e outras cidades.

Ele acabou escolhendo a parte central da Flórida como O local a ser construído, já que esta parte não era tão habitada quanto outros lugares da costa leste. Alguns anos se passaram e surgiu o Walt Disney World, como conhecemos hoje.

Características da Califórnia

Como falei antes, a Disneyland fica bem no meio da cidade de Anaheim, na Califórnia. Por causa dessas características, o acesso ao parque é muito mais fácil e rápido. A maioria dos hoteis (o meu, inclusive) oferecem uma espécie de transporte para o parque, que só é necessário o agendamento. Em alguns casos, as pessoas vão até andando, sem necessidade de transporte.

Achei o estacionamento do parque muito pequenininho! Tivemos que dar várias voltas até encontrar uma pessoa que estivesse saindo, daí colocamos o carro nesse lugar.

Outra característica da Disneyland é a localização de Downtown Disney. Ali, o DD é coladinho ao parque, tipo como se fosse uma entrada. Vale a pena dizer que na Califórnia, o Downtown Disney ainda possui esse nome, sendo que na Flórida isso mudou há pouco tempo.

Características da Flórida

Apesar de serem localizados em Orlando, os parques são meio isolados da cidade e de outros estabelecimentos. Isso foi feito de propósito por Walt Disney, pois ele queria dar essa sensação de distância e de espaço. Por causa disso, os parques de Orlando não parecem ser tão compactos quanto os da Califórnia.

Existem quatro parques temáticos na Flórida (fora os aquáticos), e estes são o Magic Kingdom, Animal Kingdom, Disney Hollywood Studios e o Epcot, cada um com seu espaço, seu estacionamento e sua independência. Diferentemente de Anaheim, a estrutura é bem mais espaçosa. O Disney Springs (o antigo Downtown Disney) também é diferente do da Califórnia, pois ao invés de se localizar na entrada do parque, ele fica bem longe deles.

Os hoteis que pertencem à Disney oferecem uma série de serviços de transporte (seja barco, ônibus ou monotrilho), mas outros não possuem essa comodidade. Vale ressaltar também que ter carro É MUITO NECESSÁRIO em Orlando por causa da distância.

Semelhanças entre os dois parques

Ariel

A principal semelhança entre a Disneyland (Califórnia) e o Walt Disney World (Flórida) são as atrações e as estruturas. Obviamente existem algumas coisas que existem na Califórnia, mas não na Flórida, ou vice-versa.

Por exemplo, seções dos parques como a Main Street USA, Tomorrowland, Fantasyland, Frontierland e o Adventureland existem em ambos os parques. Claro que elas não são iguais 100%, mas o clima, estilo e decoração são semelhantes.

Algumas atrações existem em ambos os Magic Kingdoms (MK) como o Piratas do Caribe, a Mansão Mal Assombrada, o Jungle Cruise, a Space Mountain e a Big Thunder, fora muitas outras. No MK da Califórnia, existe o Fantasmic, atração que na Flórida já é apresentada no Hollywood Studios.

Só dei alguns exemplos, pois existem muuitas atrações que fazem parte de ambos os parques, porém em contextos diferentes.

Qual dos dois devo visitar?

Você vai gostar da Disneylândia caso o seu foco de viagem não seja somente nos parques. Se você tiver interesse em conhecer outros lugares pela região que possuam museus e belas paisagens, a Califórnia pode ser seu destino ideal!

Mas caso seu foco seja mais nos parques e em compras, Orlando parece ser a melhor opção! A variedade de shoppings e outlets é bem maior, e os parques, querendo ou não, são mais completos. Mas em compensação, a Flórida não é tão bonita (em termos de paisagens) quanto a Califórnia.

Espero que esse post tenha ajudado. Até logo! :)

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120 anos de Teatro Amazonas

Olá leitores, como estão?! Ando meio ausente nesses últimos dias, mas sempre estou em busca de novas pautas e assuntos para discutir aqui. Acabei percebendo que eu foquei tanto nas minhas experiências de intercâmbio e acabei deixando de falar sobre a minha casa, Manaus, a Paris dos Trópicos!

Tem tantas coisas para falar sobre Manaus que eu poderia deixar um blog exclusivo sobre a terrinha, mas aproveitando a deixa vou falar hoje sobre o nosso símbolo máximo, o lindo Teatro Amazonas!

SPOILER: Esse post será completíssimo e vou abordar sobre história, curiosidades, como é o teatro por dentro, e se a visita guiada vale a pena.

Já visitei o teatro em inúmeras oportunidades, tanto como turista, espectadora e artista. Sim, isso mesmo! Já tive o privilégio de me apresentar no palco do Teatro Amazonas, numa noite que foi simplesmente inesquecível!

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Entenda a história

O Teatro Amazonas é um grande motivo de orgulho para todos aqui, e ele faz parte de um contexto histórico admirável. Sua inauguração ocorreu em 31 de dezembro de 1896, numa época extremamente próspera para a capital do Amazonas.

Entre o final do século XIX o o início do século XX, Manaus enriqueceu rapidamente devido ao ciclo da borracha. Com o início da industrialização e da indústria automotiva no mundo, a demanda por borracha aumentou significativamente. O látex (seiva que dá origem à borracha) extraído da seringueira amazônica era o de melhor qualidade para a vulcanização, o que fez com que os olhos de grandes industriais se voltassem para a Amazônia.

Com isso, proprietários de terras e feitorias que se especializavam na extração do látex, assim como outros intermediadores e comerciantes da área enriqueceram muito rápido (às custas da exploração dos seringueiros). Essa população abastada demandava uma série de serviços, e um dos pedidos foi a construção de um teatro.

Se passaram 15 anos entre a apresentação do projeto e a inauguração do Teatro Amazonas, durante o governo de Eduardo Ribeiro. Vale ressaltar que durante este mandato, vários prédios importantes em Manaus foram construídos sob forte influência europeia, como a Alfândega, o Palácio de Justiça, o Reservatório do Mocó e outros. Essa época é conhecida como “Belle Époque”.

Café dentro do TA

Café dentro do TA

O teatro

O teatro é imensamente luxuoso e cheio de detalhes em várias partes. Começando pela plateia, em forma de ferradura, olhamos para cima. Vemos de cara um lustre maravilhoso que parece ser o centro de um desenho. Se prestarmos atenção direito, notamos que parece que estamos vendo a base da Torre Eiffel. Ao redor dela, representação de 4 artes: Dansa (dança), Música, Tragédia e Ópera.

Lustre + Torre Eiffel + Artes

Lustre + Torre Eiffel + Artes

Em vários cantos do teatro vemos a apresentação do número 1896, o ano da inauguração do local. Atualmente a plateia é composta de uma série de confortáveis cadeiras de veludo, e considerando também frisas e camarotes, o teatro comporta 700 pessoas.

"Anno 1896"

“Anno 1896”

Ao redor da plateia, vemos várias máscaras ornamentadas com nomes de compositores como Verdi, Mozart, Wagner, dentre outros. Em todo lugar que você olha, percebemos muitos tons dourados e vermelhos, deixando o ambiente com uma forte personalidade.

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O palco de madeira é muito próximo ao público, e logo verificamos os dois camarotes ao seu lado. Como na maioria dos teatros do mundo, esses lugares eram os mais disputados pelas pessoas da alta sociedade manauara, pelo fato de que ali, era o melhor lugar para serem vistos. Por contrapartida, esses eram os piores lugares para assistir às apresentações.

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Subindo as escadas, temos acesso ao segundo e ao terceiro piso. Logo percebemos o piso, feito de madeira, contrastando tábuas claras e escuras, para representar a dualidade do Encontro das Águas. No segundo piso se encontra o Salão Nobre do Teatro Amazonas, local onde as pessoas se reuniam nos intervalos e após as apresentações.

Corredores do TA. Dizem que existem fantasmas no local.

Corredores do TA. Dizem que existem fantasmas no local.

O salão nobre é tão decorado quanto a plateia. Dois espelhos, posicionados nas laterais do local dão a impressão de vista infinita. Sempre me encantei com eles desde criança! O teto maravilhosamente pintado com os anjos encanta o lugar. Se você fixa o olhar no anjo principal, a sensação que dá é que ela te segue por onde você vá.

Teto do Salão Nobre

Teto do Salão Nobre

As laterais do salão nobre também possuem pinturas que remetem a temas regionais. Onças, floresta e uma série de outras características da Amazônia são retratadas numa bela e honrosa mistura de clacissismo europeu e realidade amazônica.

Floresta

Floresta

Existe uma varanda anexada ao salão nobre. De lá, temos vista privilegiada do Largo de São Sebastião, da igreja que leva o mesmo nome e outros prédios adjacentes. Antigamente, quando não haviam muitos prédios em Manaus, uma boa parte do Rio Negro era vista dali. Hoje não dá para ver mais nada.

Também são abertos ao público a visita a uma sala dos figurinos, e outra com instrumentos musicais e outros equipamentos utilizados antigamente. Uma escultura de Lego representando o teatro também se encontra no primeiro piso.

Figurinos utilizados no fim do século XIX

Figurinos utilizados no fim do século XIX

Visitas guiadas

Acabei fazendo a visita guiada em inglês, já que era a disponível na hora que cheguei. Como sou daqui, a entrada é franca, mas para demais brasileiros e estrangeiros, o ingresso custa R$20. A visita guiada dura cerca de 40 minutos, mas é possível fazer visitas livres também.

Como sou entusiasta da história do Amazonas e já estudei muitas coisas sobre o teatro, a visita guiada não me trouxe informações novas. Porém para uma pessoa que não conhece muito sobre a história do estado nem do teatro, ouvir a explicação do guia parece ser interessantíssimo.

Três andares

Três andares

Porém senti falta de conteúdo. Uma coisa que adoro fazer é visitar todo tipo de museu e teatro nos lugares que vou, e todos seguem um padrão específico. A impressão que tive foi que nosso guia nos orientou mais para tirar fotos do que para explicar curiosidades e fatos sobre o teatro, que são muitos, em quantidade bem maior do que foi explanado. Espero que isso varie de guia para guia.

Algo que me incomodou (não sei se é a crise que o Estado, mantenedor do Teatro, está passando), foi a falta do ar condicionado. Ele existe sim, mas ele não foi ligado durante a visita. Já estou acostumada com o calor daqui, mas tinha um senhorzinho gringo que estava todo suado, deu pena dele.

A visita guiada vale a pena? Sim, com certeza! O Teatro é a nossa pérola e merece ser visto por todos os que passam por Manaus – a visita é tranquila e não compromete demais passeios.

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Outras apresentações no Teatro Amazonas

Sempre existem várias coisas acontecendo no Teatro Amazonas. Entre abril e maio (a data varia a cada ano), acontece o Festival Amazonas de Ópera, onde todos os dias, diversas apresentações acontecem tanto no TA como em outros lugares na cidade.

Antigamente o festival era maior, mas promete voltar a crescer. Ano passado eu assisti uma ópera durante esse festival chamada “Adriana Lecovreur” e foi excelente! Teatro lotado, atores fantásticos e tudo muito bem organizado.

Palco

Palco

Outras atrações como shows, apresentações de dança e outras manifestações culturais acontecem no Teatro. Normalmente todo domingo tem apresentações, mas é bom consultar a bilheteria do local para mais informações. Acredito que não aconteceu ano passado, mas outros dois festivais também acontecem no Teatro e ao seu redor, que são o Festival de Teatro e o de Cinema. Já fui a ambos e o público amazonense adora!

O Teatro Amazonas é aberto ao público, de segunda a sábado as 9 às 17h. Para mais informações, acesse o site da Secretaria de Cultura do Estado.

Espero que tenham gostado do post! Para tirar qualquer dúvida sobre Manaus, meu email está localizado na aba “contato”. Até mais!

Livraria El Ateneo, outro achado de Buenos Aires

Olá pessoal! Já ouviram falar na livraria El Ateneo? Ela é considerada uma das livrarias mais lindas do mundo, e está localizada bem no coração de Buenos Aires, no bairro da Recoleta. Em 2008 o jornal The Guardian a elegeu como a segunda livraria mais bonita do mundo, só atrás de uma outra loja na Holanda.

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Antes de continuar a falar especificamente do El Ateneo, fica registrado que Buenos Aires é uma cidade cheia de livrarias, reflexo cultural de seu povo altamente interessado em leitura. Para uma fanática por leitura como eu, visitar o El Ateneo foi uma ótima escolha.

Enfim, essa livraria tem um charme diferente por estar localizada num antigo teatro desativado. Por causa disso, o lugar ainda conserva características inerentes de teatros como o palco, camarotes, afrescos pintados no teto, a forma curvada, dentre outros.

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Esse teatro se chamava Grand Splendid, e ele foi construído em 1919 por um empresário de artes e mídias de Buenos Aires. Pintado e decorado por artistas italianos, o Grand Splendid tinha capacidade para mais de 1000 pessoas, e vários artistas se apresentaram lá, incluindo o lendário Carlos Gardel.

Afresco

Afresco

Muito tempo depois, já no ano 2000, a rede de livrarias El Ateneo (uma das maiores da Argentina) arrendou o edifício e converteu a parte do teatro em uma loja – assim nasceu a El Ateneo Grand Splendid como conhecemos hoje em dia.

A livraria é belíssima, e também é super completa! Ali existem alguns andares de livros de diversos tipos e estilos, e se você quiser, dá para ficar algum tempo descobrindo o lugar sem pressa. Vale ressaltar que a grande maioria dos livros são em espanhol, mas é possível encontrar um ou outro em português ou inglês.

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A localização é excelente, bem na Avenida Santa Fe, no bairro da Recoleta. Caso você esteja fazendo uma caminhada pela região, considere seriamente fazer um pit stop lá. No meu caso, comprei os ingressos para visitar o Teatro Colón e acabei indo a pé para o El Ateneo – uns 20 minutos de caminhada na ida e outros 20 na volta.

Dá para ir de metrô também (Linha D – descer na estação Callao), só que tem que andar 3 quadras e meia até chegar no destino.

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Dica: na Av. Santa Fe existe uma série de lojas e restaurantes, e caso esteja pensando em comprar algumas coisas, vale a pena explorar a região a pé. Considere almoçar por perto também.

Então é isso: fica a dica para os bibliófilos em plantão – visitar a livraria El Ateneo Grand Splendid é um ótimo passatempo em Buenos Aires.

Endereço: Av. Santa Fe 1860 – Buenos Aires.

 

Camilla no Caminito

Perdão pelo trocadilho, mas tive que escolher esse título para o post, haha. Vou compartilhar com vocês como foi minha ida ao Caminito, ponto turístico de Buenos Aires, e que levanta polêmicas pela internet.

Galeria

Galeria

A maioria dos blogs e sites que visitei sobre o assunto parece ter uma opinião negativa sobre o Caminito. Muitos falam que o lugar é superestimado, que é inseguro, que é muito artificial e que a pessoa não perde nada se não o visitar.

Pois bem, eu discordo deles em muitas partes. Achei o Caminito muito interessante, e vou explicar tudo sobre aqui em baixo.

Origens

O Caminito fica no bairro de La Boca, que no início do século XX era reduto de imigrantes, em sua maioria italianos. O bairro ficava numa região muito pobre de Buenos Aires, e a conservação das ruas não era das mais adequadas.

A rua que deu origem ao Caminito era originalmente um pequeno canal, que acabou secando. Com isso, o local passou a ser um depósito de lixo da área, mas alguns moradores se incomodavam com o fato.

Em 1950, o pintor Benito Quinquela Martín, morador de La Boca, montou uma iniciativa junto com outros vizinhos para revitalizar o local. Para tanto, uma das iniciativas seria de pintar as casinhas de madeira dali em cores vibrantes.

A rua abandonada passaria a ser uma rua alegre, e até o final da década de 50, ela possuiria museus, artesanatos e muita cultura. Para concluir, o nome “Caminito” veio de um famoso tango dos anos 1920, e consolidou o local como importante centro cultural da cidade.

Mais Cores

Mais Cores

Como chegar ao Caminito? E a inseguridade?

Particularmente cheguei e saí de táxi. Estava hospedada na Recoleta, e mesmo assim o valor do transporte não foi muito alto. Na verdade, andar de táxi em Buenos Aires é bem barato, o que é uma ótima conveniência para quem não quer ir a pé para alguns lugares.

Também não existe metrô próximo ao Caminito, mas é possível andar a pé até lá. Dependendo de onde você esteja, é uma boa pernada para chegar até lá, mas não é muito aconselhável devido à insegurança do bairro.

Falei mais em cima sobre a segurança e venho reforçar que eu achei o Caminito bem seguro, pois é uma rua turística e movimentada, mas o mesmo não se aplica para as demais ruas do bairro de La Boca. Fora dos locais turísticos, o bairro não é aconselhável para que turistas (especialmente ostentando objetos de valor) transitem livremente.

De qualquer maneira, é sempre bom ficar atento aos pickpocketers, mas todo viajante bem prevenido (vide guardar dinheiro em locais seguros, utilizar bolsas que são mais complicadas de abrir, etc) geralmente não sofre com as ações dessas pessoas.

Tango

Tango

Atrações do Caminito

O que mais chama a atenção no Caminito são suas galerias e cores. Cada prédio merece uma foto só dele, e cada cantinho é cheio de arte e vida.

Atente que existem vários restaurantes ali, inclusive com algumas apresentações de tango. Só que o preço não é tão bom, e as apresentações são só pra tira gosto. Eu não pararia para almoçar ali, mas se você se empolgou e quer sentar lá, fica por sua conta. :)

Estátuas nas "janelas"

Estátuas nas “janelas”

Lá existem alguns sósias (tipo do Maradona e do Papa) e dançarinos de tango que cobram para tirar foto. Geralmente eu tento evitar esse tipo de gente, mas quando menos percebi, o dançarino de tango ficou colocando os acessórios na minha mãe para tirar foto com ela.

Acabou que nós duas acabamos tirando foto com o dançarino, e ficamos com 200 pesos a menos. Sim, o preço foi salgadinho e ficamos chateadas na hora, mas depois de ver como ficaram as fotos, eu ADOREI o resultado! Como eu adoro fotografias, esse foi um excelente investimento, então, no regrets. Os likes no Instagram não mentem, hehe.

(Gente, até pensei em postar uma dessas fotos aqui, mas não vou. Não gosto muito de postar fotos minhas aqui – até já fiz alguns uploads, mas são pouquíssimos!)

Mas o que eu mais gostei mesmo foram das galerias e seu interior. Muitas delas também são coloridas e enfeitadas, e ainda vendem artesanatos, artigos de couro, lembrancinhas, e os maravilhosos alfajores e doce de leite.

Flores dentro de uma galeria de artesanatos

Flores dentro de uma galeria de artesanatos

 

Sobre lembrancinhas e souvenirs: dentre todos os lugares (inclusive San Telmo), eu encontrei os melhores preços no Caminito. Compramos uma série de coisas como ímãs de geladeira, descanso para copos, miniaturas, camisetas e pacotões de alfajores e alguns quilos (sim, plural) de doce de leite.

O interessante é que muitas lojas oferecem uma prova do doce de leite e do alfajor que eles vendem, então já é uma gostosa ajuda, haha.

Muitos stands também vendem artigos de couro e pele em geral, como casacos, chapéus e afins. Os preços eram meio salgados numa primeira vista, mas comparando em outros lugares, chegamos a conclusão que o Caminito possui as melhores opções.

Conclusão

Achei o Caminito um lugar bem atrativo e chamativo, e não achei superestimado nem enjoativo. A rua possui somente 150 metros de comprimento, e por ser pequena, o passeio pode ser concluído tranquilamente em uma hora ou duas, de preferência pela manhã.

O passeio pode render fotos lindas, mas lembre-se que você terá que pagar para tirar foto com os sósias. Eu paguei e gostei do resultado, mas provavelmente não tiraria uma segunda vez.

Cores

Cores

A extensão do Caminito me pareceu muito segura, mas cuidado ao andar pelas demais ruas do bairro. Antes de conhecer pessoalmente a atração, eu acreditava que ali era um local muito perigoso, e conversando com locais, eles acreditam que a Calle Florida é muito mais incômoda e perigosa que o Caminito e La Boca, e que os assaltos aconteciam quando turistas ostentam coisas caras em ruas desertas do bairro – cuidado que deve ser estendido para toda a cidade de Buenos Aires, assim como em qualquer cidade grande no mundo. Bem, nesse ponto concordo com eles.

Acompanhe também: Não me encantei pela Calle Florida

Enfim, eu adorei o Caminito! Foi uma atração diferente e gostosa do dia, e recomendo a visita. Mas lembre-se de ter cuidado, mas entenda que o mesmo cuidado que você terá em Buenos Aires é o mesmíssimo que você terá em qualquer outra cidade do mundo que você esteja visitando.

 

 

 

Passagens compradas: Bogotá, meu amor

Olá viajantes, como estão?! É verdade que faz um tempo que não venho por aqui, mas tenho alguns motivos. Dólar alto, fim da faculdade, reforma no apartamento e outras “prioridades” que aparecem no caminho e que obviamente exigem dinheiro. Enfim, viajar não foi um fator principal esse ano, mas claro, quanto mais o tempo passa, mais saudosa eu fico das minhas aventuras por aí.

Enfim, eu tenho um dinheiro guardado e fiquei pensando por um tempo o destino final. Alguma joia, eletrônicos, e qualquer quinquilharia que me desse uma grande vontade de comprar. Pensei (obviamente) em viajar, mas sempre ficava desapontada com valores de hospedagem e outros gastos necessários, como seguro e afins, e aos poucos desistia dos planos mirabolantes de usar sabiamente essa grana.

Sabe aquela linha de raciocínio que diz que tudo que você planeja com antecedência não dá certo e que tudo que vem de inesperado dá mais que certo? Pois bem, hoje estava despretensiosamente no site da TAM, e vi trechos MAO-BOG e BOG-MAO por 12 mil pontos cada!

Para mim, que moro no Norte, sou acostumada com passagens caras indo pra qualquer canto, e recentemente cogitei comprar uma passagem MAO-BSB-MAO por 35 mil pontos, achei essa oportunidade incrível! Logo pedi permissão pra comprar essa passagem pra Colômbia e… pronto!

Mas por quê a Colômbia?!

Primeiro: Minha família é de lá e faz 5 anos que eu não os vejo.

Segundo: Hospedagem grátis, hihihi.

Terceiro: O clima é bem agradável, bem diferente do calor/chuva/fumaça que temos por aqui.

Quarto: A Colômbia possui pontos turísticos diferentes, e que possuem muita história

Quinto: O Peso Colombiano (COP) não se valorizou tanto frente ao real.

Sexto: Saudades enormes da comida de lá! <3 <3 <3

Poderia listar muitos outros motivos, pois a Colômbia é um país de contrastes e de muitas diferenças! Infelizmente o turista médio brasileiro ainda não descobriu os encantos da minha segunda casa, mas é provável que aos poucos a Colômbia se torne um lugar mais atrativo para os brasileiros, e creio que isso acontecerá na mesma medida em que o turismo no local, que aos poucos vai se desenvolvendo, cresça.

Ah, vale ressaltar que a princípio eu iria viajar sozinha, pois não queria depender de nada além do meu próprio dinheiro e de minha vontade. Mas aí eu comprei essa passagem e minha mãe e meus avós já querem ir junto também. Sem querer hoje eu dei um estopim pra uma coisa que todos estávamos esperando… :D :D

Seguem alguns posts sobre a Colômbia, e espero que algum dia vocês conheçam esse lindo país que leva o nome do primeiro europeu (oficialmente) a tocar em solo latinoamericano:

A “chévere” Colômbia

Colômbia: Questions and Answers

Algumas razões para visitar a Colômbia

A batalha do pântano

A feijoada de Boyacá

No topo do mundo

Neste lugar escolhido

Lá do topo da montanha

Vai um tinto aí?

E daqui a dez anos?

Bucolismo colombiano

 

O bairro judaico de Praga e suas curiosidades

Um dos lugares mais interessantes e incríveis da capital da República Checa é o Josefov, que é nada mais nada menos o reduto da comunidade judaica em Praga. Localizado aproximadamente entre a praça do relógio astronômico e do pêndulo, o bairro judaico é um dos melhores lugares para conhecer, gastar, e tirar muitas fotos.

Aqui, vou procurar contar um pouquinho de história, curiosidades e alguns pontos de interesse para quem está de passagem por Praga.

História e Curiosidades

Primeiro vai um pouquinho de história (as usual). A região da Boêmia (ou seja, Praga e seus arredores) era uma das poucas regiões da Europa junto com a Polônia, o Império Russo, a Hungria e outras localidades do leste europeu a admitirem a população judia como povo livre. Mesmo assim eles não viviam nas mesmas condições que outros cidadãos, especialmente em Praga.

A população de Praga ficou dividida em basicamente duas regiões distintas. Os mais ricos moravam em Mala Strana e Stare Mesto (onde se encontram as ruelinhas e aquele ar medieval de Praga), enquanto os judeus, mais humildes, moravam em Josefov, em uma espécie de favela, segundo historiadores.

A questão foi que a população judaica foi crescendo tanto que o Josefov começou a não comportar tantas pessoas. Lembrando que Praga tinha uma muralha, o que deixava o Josefov “preso” entre as muralhas de Praga e o rio Vltava.

Lá pelo século  XIX (não sei informar exatamente quando), boa parte do bairro judaico e seus guetos foi demolido para a criação de boulevards ao estilo parisiense. Uma das principais avenidas ali é a av. Parizska (em tcheco, Avenida de Paris), cheia de lojas chiques e caras. Uma parte da população ficou sem casa, e os judeus que enriqueceram com o comércio conseguiram comprar apartamentos fora de Josefov. Porém, os mais humildes continuaram à margem da sociedade.

Cartier na av. Parizská

Cartier na av. Parizská

Top 5 Pontos de interesse do Bairro Judaico de Praga

1. Um dos lugares mais interessantes de se conhecer no bairro judaico é o Cemitério, onde esse problema de superpopulação e pouco espaço é bem evidente. Lembrando que como Praga é uma cidade bem antiga, o nível do solo era uns três metros mais baixo que o atual. Acontece que o cemitério foi ficando tão lotado com o tempo que camadas adicionais de terra foram sendo adicionadas para que mais corpos fossem enterrados com o tempo. Após alguns séculos de existência (mais precisamente entre 1439 até 1787), o nível do solo subiu tanto que hoje ele se encontra acima do nível da rua que passa ao lado. Mesmo com o passar dos anos, o cemitério judaico conseguiu manter sua aparência medieval e ele é bem pitoresco e curioso. Vale a pena a visita.

Cemitério judaico visto da grade

Cemitério judaico visto da grade

2. Ao lado do cemitério, se encontra a Jewish Cerimonial Hall, construída principalmente para abrigar cerimônias mortuárias. Com o passar dos anos, ali se instalou um museu sobre a história judaica. Muitos dos objetos dali curiosamente foram adquiridos durante a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas tiveram um interesse de construir um museu dedicado “à civilização extinta”, ou seja, sobre os judeus. Felizmente as atrocidades pararam, e hoje em dia, o museu celebra a história da população judia.

Cerimonial hall

Cerimonial hall

3. Ali pertinho do cemitério, se encontra a Old New Synagogue, que é a sinagoga mais antiga do mundo em atividade. Não tive a oportunidade de entrar lá, mas pude olhar pela janela (risos). Essa sinagoga é bem bonita e lembra aquele ar medieval da cidade. Esse nome confuso (sinagoga velha-nova) se deve ao fato de que ela quando foi construída lá pelo século XI, não era a única sinagoga da cidade. Por isso, o nome “Nova Sinagoga” foi dado. Com o crescimento da população, outras sinagogas foram sendo construídas, e ela passou também a ser chamada de “Velha”.

Old New Synagogue

Old New Synagogue

4. A sinagoga mais antiga da cidade era chamada de “Velha Sinagoga” e de acordo com registros históricos, ela era bem simples. Com o tempo, ela foi demolida, e em seu lugar, foi construída a Sinagoga Espanhola na segunda metade do século XIX. Ela recebeu esse nome por seus detalhes arquitetônicos, e no momento, ela é a mais importante da cidade.

Sinagoga espanhola

Sinagoga espanhola

5. Na frente da Sinagoga Espanhola, se encontra a estátua de Franz Kafka, o famoso escritor de romances em alemão. Ele nasceu em Praga (na época, parte do Império Austro-Húngaro) e viveu pelas redondezas da Sinagoga Espanhola. O seu local de nascimento está indicado com uma placa e vários guias dão informações sobre ele e sua obra.

Já falei demais por aqui! Mas reafirmo que é muito bom andar pelas ruas do Josefov, e prestar atenção em simples detalhes como fachadas, praças, estátuas e tudo mais. Ali existem muitos restaurantes bons, com direito a um especializado em comida brasileira e uma padaria deliciosa! Super recomendo as lojinhas dali, cheias de lembrancinhas e artesanatos! Quem tem interesse em história, curiosidades, arquitetura e afins, a visita ao Josefov é obrigatória para quem quer passar por Praga!

Nossa Senhora de Paris

A Catedral de Notre Dame em Paris é um daqueles marcos que logo pensamos quando nos falam da cidade luz, e também um dos primeiros que queremos conhecer assim que chegamos por lá.

Fachada de Notre Dame

Fachada de Notre Dame

A construção do que viria ser uma das igrejas mais bonitas do mundo começou ainda no século XII, mas se estendeu até o primeiro quarto dos anos 1300, passando pela mão de vários arquitetos com estilos diferentes e reis que queriam pomposidade, acima de tudo.

Desde então, a Catedral se tornou foco de muitas pessoas, incluindo a depredação por huguenotes que consideravam diversos artigos ali dentro idolatrias, e uma espécie de refúgio para o Culto da Razão durante a revolução francesa. Ali também ocorreu o famoso fato da coroação de Napoleão, que eu já esmiucei nos mínimos detalhes aqui.

O que é famoso em Notre Dame? Com certeza os famosos vitrais e o enorme órgão que se encontra dentro da Catedral. Esses lindos vitrais já foram danificados, quebrados e perdidos várias vezes, seja por revolucionários, seja por guerras. Mesmo assim, quase todos ainda são originais.

Quais são os detalhes da fachada da Catedral?A fachada da frente é cheia de detalhes, e já podemos perceber 3 grandes portais, e cada um com o seu significado:

  • Portal do julgamento: É o central e o mais novo do complexo. Ela tem uma cena que representa o juízo final, com pessoas de vários estereótipos, e com Cristo como juiz. Também tem uma representação do inferno, com uma estátua de um demônio esmagando os condenados.
  • Portal da virgem: Ele é o mais antigo e é dedicado à Virgem Maria. Existe uma representação dos reis e profetas de Israel em volta da Arca da Aliança. Uma das estátuas mais conhecidas é a de Saint Denis decapitado (e segurando a cabeça) cercado por dois anjos.
  • Portal de Santa Ana: Ela é dedicada à Santa Ana, mãe da Virgem Maria. Ela é representada como uma rainha cercada de súditos, e segurando Cristo no colo. Esse portal foi seriamente danificado há anos atrás.

Precisa pagar para visitar? A entrada é franca dentro da Catedral, e não há limite de tempo para visitas. Se pede apenas o respeito e fotos com flash são proibidas.

Na ponte pedestre

Na ponte pedestre

Qual o tempo estimado para visita? No máximo duas horas para conhecer tudo.

Quais outros pontos interessantes por ali? O Hôtel de Ville (prefeitura) fica ali pertinho, e vale a pena a visita, nem que seja pra tirar foto. Do outro lado, atravessando a Pont au Double, que é somente pedestre, dá para se chegar rapidamente ao Quartier Latin, à Sorbonne e aos Jardins et palais du Luxemburg. Não se esqueça também de tirar foto no marco zero de Paris! Reza a lenda de quem pisa lá sempre volta à cidade.

Como chegar? Recomendo parar na estação do metrô Cité (linha 4, a roxa) e andar um pouco pela Île de la Cité.

O azul do Danúbio

Ah, o Danúbio! Esse rio majestoso coroa a Europa Central com sua beleza e dá um toque especial para as diversas cidades no seu caminho. Ele possui mais ou menos 2800 km de extensão e corta 10 países na Europa: começando na pitoresca Floresta Negra na Alemanha, ainda passa pela Áustria, Eslováquia, Hungria, Croácia, Sérvia, Ucrânia, Bulgária, Moldávia e deságua na Romênia para o Mar Negro.

Desses 10 países, ele passa pelas capitais de 4 deles: Viena (Áustria), Bratislava (Eslováquia), Budapeste (Hungria) e Belgrado (Sérvia), e posso dizer que em 3 dessas cidades que já passei (todas menos Belgrado), o Danúbio é a cereja do bolo para a beleza dessas cidades!

Vista do Danúbio em Bratislava

Vista do Danúbio em Bratislava

O rio Danúbio também é uma rota comercial muito importante, servindo de integração entre esses 10 países através de transporte de passageiros, navios com carga e no escoamento da produção para o comércio internacional através do Mar Negro (existe uma conexão do Mar Negro com o Mediterrâneo através do Estreito de Bósforo, em Istambul).

Quando se fala no Danúbio, logo pensamos no Danúbio Azul. Como contei aqui no post sobre as curiosidades da Hungria, essa valsa foi escrita logo após uma viagem pelo Danúbio feita por Strauss na altura de Budapeste, onde afirmou que “o azul do Danúbio se encontrava com o azul do céu”.

Mas o Danúbio não é todo tempo azul. Durante o inverno, devido à neve, chuvas e outras tormentas no rio, a cor chega a ficar barrenta, mas nada que tira a sua beleza! Nesse momento me lembrei das aulas de Geografia do terceiro ano que apresentava as três colorações dos rios da Amazônia: águas escuras, águas barrentas e águas verdes, risos.

Vista do Danúbio da orla do meu hotel em Viena

Vista do Danúbio da orla do meu hotel em Viena

Quando eu estava em Budapeste, uma das coisas que mais me dava prazer em fazer era ficar sentada ali na margem do Danúbio, seja próximo ao Parlamento, seja em Margitsziget. Combinando o “Duna” com o famoso céu azul e a alegria das pessoas dava uma sensação incrível de tranquilidade.

Em Viena, tive uma vista em tanto! Acabei ficando no Hilton Vienna Danube, que é o único hotel em Viena que fica às margens do “Donau”. Meu quarto era logo no primeiro andar e eu tinha uma vista excelente. Parecia que o rio entraria no meu quarto a qualquer momento. Falando um pouquinho mais do hotel, eu o achei excelente! Atendimento muito bom, quartos amplos e bons serviços de bar e restaurante.

Por falar em enchentes, esse ano Budapeste sofreu a maior cheia da história! Foi de se inundar as margens até chegar basicamente aos pés do Parlamento Húngaro! Foi muito curioso ver toda essa repercussão lá, já que essa cheia aconteceu logo após a minha chegada no Brasil, mas convenhamos, eu sou do Norte e essa cheia não foi nada comparada à do ano passado por aqui. ;)

O Danúbio, ao acender das luzes

O Danúbio, ao acender das luzes em Budapeste

Existem vários tipos de cruzeiros que partem de uma cidade a outra pelo Danúbio. O google mostra muitas empresas que fazem esse tipo de percurso, mas particularmente não conheço nenhuma para indicar. Mas quem tem tempo, procura uma viagem calma e quem está disposto a apreciar a vista, viagens em barcos de Budapeste a Bratislava e até Viena se possível (ou vice-versa) são bem recomendáveis. Para Belgrado o serviço deve ser reduzido, pois a Sérvia ainda exige visto de muitas nacionalidades (incluindo brasileiros).

Do ponto de vista de qualquer capital, ou das grandes cidades cortadas pelo Danúbio, posso dizer que o rio dá uma outra cara, como uma rejuvenescida. Certamente a vista do Duna, Donau, Dunaj, Dunav ou qualquer outra maneira de se dizer “Danúbio” nos países que o cortam, ajudam a incrementar a vista, e embelezar a memória.

Você pode me encontrar dentro do metrô

Andar de metrô é muito bom! Não só pela rapidez do sistema mas também pela praticidade. Já tive a oportunidade de andar de metrô em vários países, o que me deu uma visão e compreensão maior dos sistemas de transporte público destes lugares em geral.

Por ter passado mais tempo na Rússia e na Hungria, consequentemente passei bastante tempo indo pra lá e pra cá nos metrôs de Moscou e Budapeste. É sobre eles que vou falar hoje.

Eu fui antes pra Rússia, e nos meus primeiros posts falei como foi a experiência de chegar em Moscou e sentir aquele ambiente novo.

Primeiro que os três aeroportos de Moscou são conectados com o centro da cidade através do Aeroexpress, que pára nas estações Kievskaya, Beloruskaya e Paveletskaya, cada uma com baldiações e infraestrutura adequada. E Moscou tem a obrigação de ter essa infraestrutura devido à sua enorme população, de quase 12 milhões de habitantes. Os governantes soviéticos tinham conhecimento disso e foram ao trabalho.

Em 1923, logo após o fim da guerra civil e da formação da União Soviética, o conselho para a formação do metrô já estava pronto. Os soviéticos contrataram engenheiros ingleses, com know-how avançado devido ao metrô de Londres, que havia sido o primeiro do mundo. As obras começaram, e as primeiras 13 estações foram abertas em 1935. Em 1933, antes mesmo do metrô ser inaugurado, os primeiros engenheiros ingleses foram deportados segundo acusações de espionagem, devido ao amplo conhecimento que eles adquiriram do solo de Moscou.

A partir de então houve a abertura de diversas linhas e estações em Moscou. Vale ressaltar que a construção do metrô é encarada como assunto vital para a Rússia, devido à integração do transporte urbano – que ainda era precário em Moscou nos anos 1930 –  e pela difusão da propaganda soviética através de belas estações, decoradas com ouro, lustres magníficos, mármore e estátuas.

De fato a propaganda soviética através do metrô foi bem sucedida, já que a intenção era causar o deslumbre na população. O povo deveria se esforçar bastante em seus atos para que eles pudessem ser bem recebidos com uma linda infraestrutura.

Metrô de Moscou: divino!

Metrô de Moscou: divino!

O metrô acabou servindo de bunker durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente pela sua profundidade – e as obras de novas estações não pararam. Reza a lenda que existiam abrigos especiais em certas estações, que seriam ligados diretamente ao Kremlin e à sede da KGB. Ah, durante a Guerra Fria todas as estações em construção tinham que ser construídas com uma engenharia anti-nuclear.

De fato, o metrô de Moscou é muito bonito e sempre figura nas listas de melhores metrôs do mundo. Ele recebe 8 milhões de pessoas por dia, e até hoje já transportou mais de 2 bilhões de pessoas! Quando eu fui, em 2012, a passagem custava 28 rublos. Hoje já custa 30, e se utiliza um cartão de plástico com uma leitura especial, pioneira desse tipo de tecnologia no mundo.

Apesar da variedade de estações, é super fácil se locomover pelo metrô de Moscou. Quando eu estava lá, só andei nele. Em Budapeste, a realidade é totalmente diferente de Moscou. Primeiro pelo tamanho da população. Em Budapeste a população está chegando aos 2 milhões e ao contrário das 12 linhas que Moscou tem, Budapeste tem apenas 3, e uma que em processo de planejamento e construção já leva 42 anos, a “famosa” linha M4. Diz que ela fica pronta ano que vem.

Mas se engana quem acha que o metrô de Budapeste não é importante! Na verdade, em um contexto mundial, o metrô de Budapeste é sempre referência. Antes citei que o metrô de Londres é o mais antigo do mundo, e Budapeste, adivinha só, é o segundo mais antigo do mundo!

As construções começaram em 1894 e terminaram em 1896, já que o imperador Francisco José tinha planos de melhorar o transporte urbano na Avenida Andrassy (a mais fina e cara de Budapeste) sem “poluir” a paisagem com bondes e ônibus. Em Moscou, o metrô foi construído através de túneis abaixo do solo – o que deixa as estações mais profundas. Já em Budapeste, eles cavaram o espaço, e após pronto, simplesmente cobriram com terra.

Isso era algo que me intrigava toda vez que eu andava pela M1 – que está em uso desde a inauguração, em 1896. Era só descer uns 10 degraus abaixo da calçada e pronto, ali já passava o trem.

Mesmo com mais de 100 anos depois da inauguração, a M1 (linha amarela) ainda preserva traços arquitetônicos originais, incluindo a extensão e largura dos trens, azulejos, e até algumas fotos mais antigas. Fora que o trem toca uma musiquinha retrô toda vez antes de parar nas estações.

Metrô 1 em Budapeste. Pequeno, charmoso e conservando detalhes antigos.

Metrô 1 em Budapeste. Pequeno, charmoso e conservando detalhes antigos.

Apesar de Budapeste não ter muitas linhas de metrô, o sistema de transporte público é bem integrado com muitas rotas de ônibus, trams, trolleybuses e até trens metropolitanos. Dá pra comprar um ticket que vale em todos os transportes. Eu acabei gastando 17500 forints (170 reais) por 6 semanas de uso. Era só apresentar para o fiscal e pronto.

Mesmo assim, eu torço para que essa linha M4 termine logo. A última parada dela será em Bosnyák Ter, que é a 2 paradas de ônibus da minha casa na Hungria. Quando eu quiser visitar a escola, já quero ir de M4 (parte)!

Falando em acesso à Budapeste, não existe nenhuma linha que vá até ao aeroporto, nem um trem que vá do metrô até lá, como em Moscou. Existe uma linha de ônibus, a 990, que faz o trajeto Aeroporto Ferihegy – Köbanya Kispest, que é a última estação do M3, a linha azul.

Falando em linha azul, ela ainda tem trens soviéticos nela (alguns com dizeres russos para “feito em 1978”, “feito em 1980” e assim vai).

Das linhas de metrô de Budapeste, a minha favorita (e a de todo mundo) é a M2 (vermelha). O meu ônibus ia direto pra Keleti e pra Blaha Lujza (estações da M2) e me acostumei a andar até lá sempre. Ela é a mais limpa e moderna de todas, com uma boa infraestrutura, propagandas de tudo que é tipo, e também, é mais rápida. A linha M1 (amarela) como disse, é bem antiga e pequena. Dá pra sentir uma volta no tempo ali. A linha azul (M3) é de longe a pior de todas. Ela é suja, mal cuidada, tem cheiro de mofo (sério), trens (soviéticos) caindo aos pedaços, e muito lenta. Já fiquei esperando trem lá por 10 minutos, o que é muito para o metrô, e uma dessas vezes, acabei perdendo o ônibus da minha viagem pra Viena. Tive que gastar mais 25 euros pra ir de trem duas horas depois.

E só pra concluir, existe uma diferença enorme entre os mapas dos metrôs de Moscou e Budapeste. Vários fatores, como políticos, financeiros e até ambientais (no caso de Budapeste) levaram a essa disparidade. Lembrando que o porte das cidades é diferente, mas um sistema não perde para o outro.

O "complexo" sistema de metrô de Moscou

O “complexo” sistema de metrô de Moscou

Metrô de Budapeste, já incluindo a linha M4 e a futura linha M5, sem previsão de início das obras.

Metrô de Budapeste, já incluindo a linha M4 e a futura linha M5, sem previsão de início das obras.

Ambos servem muito bem a população, além de serem referência em muitos aspectos. Eles me trouxeram boas lembranças (com exceção da M3 de Budapeste, hehehe), além de serem super fáceis de ajudar qualquer turista menos acostumado.

 

 

Vendo a história se materializar na minha frente

A primeira vez que viajei para a Europa foi no verão de 2010. A animação era imensa, e meus olhos e ouvidos estavam sempre atentos ao que a guia iria dizer. Acabamos contratando um desses roteiros em uma agência de turismo, onde fizemos um tour de ônibus e guia por alguns países.

Saiu tudo muito bem, e tivemos uma experiência incrível. Muita gente critica essa forma de viagem, mas não gostaria de dissertar sobre isso agora. E sim, queria contar uma experiência com uma guia incrível que fez um dos momentos mais marcantes da história tornar forma na minha frente.

Era o nosso princípio de tour. Tínhamos chegado em Paris, fomos a Versailles no dia seguinte, e no terceiro dia, o roteiro era Quartier Latin – Notre Dame – Passeio pelo Sena – Louvre. O passeio pelo Quartier Latin foi incrível, não só pelo local em si, mas também pelos comentários da guia. Um certo momento, ela parou num prédio, e falou que no último andar, em uma tal janela, um jovem soldado chamado Napoleão Bonaparte vivia, e que sempre cortejava a Josephine quando ela passava pela rua.

Primeiro choque de realidade da Europa: perceber que pessoas muito importantes da história passaram por aqueles mesmos lugares que você estava passando no momento.

Andamos por todo o bairro (Quartier Latin significa “Bairro Latino”), e acabamos chegando em Notre Dame. Lá, ela comentou alguns fatos curiosos, dentre os quais, dois me chamaram a atenção.

O primeiro foi durante a Segunda Guerra Mundial, onde o Hitler, após a ocupação da França, mandou colocar bombas em TODOS os pontos turísticos da cidade, como a própria Notre Dame, a Torre Eiffel, o Louvre, o Arco do Triunfo, a catedral de Montmartre, dentre outros. Pra quê isso?

Ele temia o pior, mesmo no auge da ocupação alemã da Europa. Caso por algum motivo o Reich entrasse em colapso, ou algum fato extraordinário como a própria morte do ditador acontecesse repentinamente, a ordem era de ativar todas as bombas, e Paris seria completamente destruída. Um gosto de vingança, não?

Mas enfim, quando os soviéticos já estavam se aproximando de Berlim, e o suicídio de Hitler era iminente, o general alemão que estava no comando de Paris recebeu o sinal verde para a explosão dos monumentos, mas ele não o fez. Ele havia se apaixonado por Paris e não teve coragem de causar mal algum à cidade. Na verdade, uma das bombas explodiu, eu confesso que não me lembro em qual monumento, mas foi uma maneira de “despistar” o comando do Reich. Deu certo, e nada mais foi destruído.

Falando em Segunda guerra, os lindos vitrais de Notre Dame foram todos levados para um castelo na Suíça. Eles ficaram escondidos até 1945 com o fim da guerra. 97% de todos os vitrais foram recuperados.

O segundo fato foi sendo contado dentro da própria Catedral, mas não falando do Hitler, mas sim, do Napoleão – novamente.

O Napoleão era super egocêntrico, e quando ele tomou o poder da França, ele queria ser coroado imperador.

Então, ele queria ser recebido como O homem que mudaria a história da França. Tradicionalmente, os reis da França eram coroados na Catedral de Reims, mas Napoleão não queria ser coroado igual a um rei. Ele queria ser coroado em Notre Dame, a catedral mais importante do país, demonstrando também que ele queria sempre estar perto do comando central na capital.

Além do mais, ele não queria que nenhum padre, ou bispo o coroasse, como era tradição com os reis. Ele queria ninguém menos que o Papa.

O Papa vigente na época era Pio VII, que recebeu o convite para a coroação no dia 2 de Dezembro de 1804. O Papa relutou a princípio, mas naquele momento, a Europa estava curvada a Napoleão, e ele não teve escolha, mediante a um ataque que poderia desmoralizar todo o poder da igreja. Ele teria que ir.

Acontece que o inverno dos anos 1804/1805 foi um dos mais rigorosos em séculos, e existe um longo caminho entre Roma e Paris (além de uma cordilheira). O Papa passou um mês viajando, enfrentou temperaturas baixíssimas, cruzou os A;pes, e chegou esgotado a Paris.

Poucos dias antes da cerimônia, Napoleão certificou-se de que a missa da sua coroação fosse única, e a mais marcante da história. Uma missa de coroação naquela época durava cerca de 2 horas. Napoleão queria que a dele durasse 5 horas.

O Papa nem sabia mais o que fazer para aumentar o tempo da cerimônia, mas conseguiu fazer uma grande missa mesmo assim. No dia da grande festa, após algumas horas de missa, chegava o momento: Napoleão seria coroado.

Só que não. No momento final, prestes a receber na cabeça a coroa do Papa, ele se levantou, tomou a coroa das mãos de Pio VII, e se auto-coroou. Por que isso?

Napoleão achou que se o Papa o coroasse, ele daria a impressão de que o Papa era mais importante que ele. Para ele, nenhuma pessoa no mundo era superior a Napoleão Bonaparte

O Papa havia viajado durante um mês no inverno, e Napoleão entrou para a história por ter colocado a coroa em sua própria cabeça.

Eu já achei essa história que a guia me contou simplesmente incrível, e a riqueza de detalhes que ela deu, foi sensacional! Mas algo completaria o meu dia logo depois.

Após passear pelo Sena, almoçamos e fomos ao Louvre. Lá está o quadro de Jacques-Louis David, chamado simplesmente de “A coroação de Napoleão”. Esse quadro mostra a coroação da Imperatriz Josefina – por Napoleão – e um Papa cabisbaixo atrás dele. Foi o meu aha-moment da minha viagem toda! Eu consegui visualizar toda a situação, estando no lugar onde tudo aconteceu, e visualizando através de uma pintura linda como tudo pode ter acontecido.

Quadro da coroação da Josephine

Quadro da coroação da Josephine

A partir daquele momento, eu quis saber ainda mais de todo e qualquer detalhe de todo lugar que eu passava! Já era fascinada por história antes, e a partir daquela viagem só quis saber mais e mais.