O quê que a Hungria tem?

Fazer intercâmbio em uma das cidades mais lindas do mundo de certeza não tem preço. Mas fazer intercâmbio em uma nação cheia de história, tradição, grandes inventores e paisagens já adiciona um tempero a mais, especialmente quando muitos de seus feitos são quase desconhecidos do grande público. Conhecer o nome de pelo menos um inventor dos Estados Unidos, um ponto turístico marcante da França ou tradições da Inglaterra é fácil, e por que não saber um pouco mais do desconhecido?

– Sabe o cubo mágico? Aquele mesmo em que você quebra a cabeça para deixar todos os lados da mesma cor foi invenção de um húngaro chamado Erno Rubik. Esse cubo também é chamado de “cubo de Rubik” em homenagem ao seu criador.

Cubo de Rubik

Cubo de Rubik

– Como já falei no post sobre andar de metrô, o Metrô de Budapeste é o segundo mais antigo do mundo. As construções começaram em 1896 para celebrar os mil anos da nação húngara.

– Existem cerca de 15 milhões de húngaros no mundo… e 10 milhões deles vivem fora da Hungria.

– Várias raças de cachorro bem originais vêm da Hungria. Dentre eles, o Vizsla, o Kuvasz, o Pumi, e o meu favorito, o Puli.

Puli, o cachorrinho que lembra um esfregão

Puli, o cachorrinho que lembra um esfregão

– Até 1873 a cidade de Budapeste em si não existia. Antes, existiam 3 cidades independentes chamadas Buda, Óbuda (que vivia em simbiose com Buda) e Peste. Essa união foi dada após o pacto austríaco-húngaro, que pretendia transformar Budapeste em uma vice-capital do reino.

– Outra invenção húngara bem conhecida são os fósforos como conhecemos hoje.

Maquete do Parlamento Húngaro feita de fósforos

Maquete do Parlamento Húngaro feita de fósforos

– A Hungria, junto com a República Checa, Polônia, Suécia e alguns outros países fazem parte da União Europeia, mas não fazem parte da Zona do Euro. A moeda vigente é o Forint (HUF) e 1000 forints é cerca de R$8,50 e junto com o custo de vida barato, na Hungria é bem possível de comprar camisetinhas de 1200 HUF, ou comer um Gyros grande por 500 HUF.

– A Hungria é um país com grande tradição em esportes, e atualmente eles são bem fortes em natação e em pólo aquático. Eles tiveram grande êxito no futebol na década de 1950, época do legendário jogador Ferenc Puskás, da goleada contra a Inglaterra e da chegada à final da Copa do Mundo de 1954. Na tabela geral de medalhas de todas as olimpíadas que já aconteceram até hoje, a Hungria ocupa o décimo primeiro lugar. Para curiosidade, o Brasil se encontra na trigésima oitava posição, e 373 medalhas atrás.

– A Vitamina C foi descoberta pelo húngaro Albert Szent Gyorgi. Momento de se lembrar da Hungria é quando você estiver gripado.

– Os húngaros em média consomem 16,27 litros de álcool por ano. Isso é mais do que a média russa.

– A maior sinagoga da Europa se encontra em Budapeste, mesmo que a população judia da cidade seja um décimo do total. Isso se deve ao fato de que a maior parte da população judia húngara morreu durante a Segunda Guerra Mundial.

– Geralmente os húngaros escrevem o sobrenome antes do nome. Por exemplo, vejamos algumas estações de metrô de Budapeste nomeadas em homenagem a algumas pessoas famosas do país. Puskás Ferenc (jogador de futebol), Déak Ferenc (jurista e sábio homem húngaro), Blaha Lujza (atriz e cantora do início do século XX), Kossuth Lájos (político).

– Até hoje, 10 húngaros ganharam o prêmio Nobel, sendo 3 em física, 3 em química, 3 em medicina e 1 em economia.

– A bebida mais famosa da Hungria é a Palinka, mas o vinho Tokaj é igualmente famoso. Reza a lenda de que o vinho Tokaj era o vinho favorito do rei francês Louis XIV.

– Assim como a Palinka é a bebida nacional húngara, o Gulyás (Goulash) é a comida nacional e a Páprika (pimenta) é o tempero nacional húngaro. As feiras vendem todo tipo de páprika, desde pozinhos, pastas e souvenirs decorados de pimentinhas.

– A cultura folk tem na Hungria um de seus berços. Tapeçarias folk, roupas folk, bonecas folk e tudo que você imaginar se dá pra comprar em qualquer feirinha na Hungria. Por exemplo, a Pandora, marca de joias, criou um berloque especial folk para homenagear a Hungria. Vocês acertaram se disseram que eu tenho um.

– A Nyugati Pályaudvar, uma das estações de trem de Budapeste foi projetada por Alexandre Eiffel, o mesmo da Tour Eiffel em Paris.

Fachada da Nyugati Palyaudvar

Fachada da Nyugati Palyaudvar

– O idioma húngaro é bem difícil e não tem nada a ver com a maioria dos idiomas. Pesquisadores em linguística associaram o húngaro e o finlandês como “primos”. Pra ter uma noção, são 14 vogais e 25 consoantes.

– A famosa valsa de Strauss “Danúbio Azul” foi idealizada após uma visita a Budapeste, onde o azul do Danúbio encontrava o azul do céu. Pra quem não sabe, a Blue Danube é a tradicional “valsa de 15 anos”.

O Danúbio, ao acender das luzes

O Danúbio, ao acender das luzes

 

– Falando em música, a canção mais depressiva da história, “Gloomy Sunday”, foi primeiramente gravada em húngaro por Pál Kálmar e famosa em inglês após uma versão de Billie Holiday. Ela é conhecida como “a música suicida húngara”. Essa fama veio após diversos relatos de suicídio na Hungria e Estados Unidos após escutá-la.

– A Hungria é um berço natural de águas termais. Como falei no meu último post, os banhos termais são imensamente populares pelo país.

– Além das águas termais, os principais rios da Hungria são o Danúbio (Duna, em húngaro) e o Tisza. O país não tem saída para o mar, mas os húngaros usam o lago Balaton como balneário turístico.

Acho que falei demais, não? Além desses fatos, a Hungria tem muitas mais coisas a serem descobertas! Todos os que foram com certeza a recomendam!

O principal banho termal de Budapeste

Infelizmente só passei 6 semanas nesse meu último intercâmbio. Conheci pessoas de muitos países, visitei lugares lindos e experimentei todo tipo de comida (boa ou ruim). No geral aproveitei a experiência húngara ao máximo, e sem causar polêmica, vivi mais sensações do que na Rússia.

Porém, existem aqueles momentos em que você se pergunta: “Por que eu não fiz isso?” Na volta da Rússia, eu não conseguia acreditar que eu não havia viajado ao redor do Volga. Existem várias cidades lindas ali ao redor, que mesmo no inverno são aqueles lugares que algum dia você tem que ir! Volgogrado, Kazan, Samara, nem mesmo São Petersburgo, já que estive tão pertinho e tive tempo… deixa pra lá. Ainda volto na Rússia.

Na minha segunda experiência tentei compensar mais a falta de viagens na Rússia, e até que conheci muita coisa. Conheci Praga, Bratislava, cidades na própria Hungria e fui a Viena de novo (bota de novo nisso!). Justamente pela falta de tempo, e pelo fato de que eu só poderia viajar aos fins de semana, não pude conhecer alguns lugares como a Croácia, a Polônia e a Transilvânia. Cheguei perto de ir pra esses lugares, mas a logística de trens e ônibus, dinheiro e disponibilidade de tempo me limitou. Sem problemas, existe uma próxima vez.

Em Budapeste conheci vários pontos turísticos, e procurei não deixar passar nenhum em branco!

  • Castelo de Buda: check
  • Praça dos Heróis: check
  • Chain Bridge: check
  • Parlamento Húngaro: check
  • Ópera de Budapeste: check
  • Museu Nacional Húngaro: check
  • Margaret Island: check
  • Fisherman’s Bastion: check
  • Citadella: check
  • Zoológico de Budapeste: check
  • Palácio Vajahunyad: check
  • Casa do Terror: check
  • Parque da Cidade: check
  • Saint Stephen’s Basilica: check
  • Palácio Real: check

Tá que conheci mais coisas além dessas que citei, mas basicamente fui em todas as atrações turísticas que algum guia específico sobre BP mostraria. Só não fui em um. E meio que me martirizo por isso.

Um dos principais marcos da Hungria em geral é a grande influência turca gerada após séculos de ocupação. E com isso, nada mais natural do que “absorver” alguns costumes, certo? Combinando com o fato de Budapeste se encontrar sobre grandes depósitos de águas termais, os banhos públicos se tornaram bem populares, fazendo parte da cultura da cidade até os dias de hoje.

Esses banhos são em ambientes abertos e fechados, e o mais conhecido deles é o Szechenyi Fürdo, retratado em diversos cartões postais. Lá nesse banho, piscinas de água quente e fria ficam lado a lado, atendendo a todos os gostos. Também tem aqueles velhinhos jogando xadrez dentro d’água sem preocupações.

Piscina no Szechenyi Fürdo

Piscina no Szechenyi Fürdo

Resumindo: não fui nos banhos, mas não fui omissa em relação a eles!

Antes de viajar pra lá, eu não fazia ideia de que existiam esses banhos e nem pensei em colocar um biquini na mala. Após saber da existência desses banhos, e como eles eram essenciais para as pessoas que realmente querem conhecer Budapeste, resolvi comprar algo por lá mesmo. Logo na primeira semana comprei um maiô, o menos pior à venda que achei. Realmente compreendi que as Brasileiras são as que entendem de biquini, já que todos à venda eram um mais bizarro que o outro.

Acabei viajando e procurando conhecer vários lugares e acabei marcando de ir nos banhos na penúltima sexta-feira que estaria por lá. Eu iria junto com mais dois amigos brasileiros, a Fernanda e o Diego. Acontece que naquela noite, iria ter uma festa de despedida na minha casa e eu passei a tarde fazendo compras e arrumando o apartamento com a Rekha. Quando eu fui ver a hora, não ia dar tempo de aproveitar os banhos antes das pessoas começarem a chegar na minha casa.

Acabei marcando posteriormente com o Giácomo, um amigo italiano que também queria muito ir. Eu fiquei tão atarefada durante a semana seguinte que combinei com ele na terça de manhã, mas por algum motivo não pudemos ir. Fiz passeios na quarta e quinta, e a sexta, sábado e domingo foram dias que eu estava mais preocupada em fazer a minha mudança da escola e de me despedir dos meus amigos e meio que desencanei de ir para os banhos.

Se eu tivesse me esforçado em termos de organizar meu tempo, talvez eu tivesse ido para lá, mas não foi uma prioridade. Só chegando aqui eu percebi a falta que fez de eu não ter ido para nenhum banho turco/húngaro. Como falei antes, existem outras oportunidades, e eu acredito do fundo do meu coração que eu voltarei em Budapeste em breve.

Quando eu estava na Rússia, planejei uma ida à Praga antes de pegar meu voo de volta em Paris. Acabou que um rolo aconteceu, e me martirizei por não ter ido lá. No ano seguinte conheci a cidade inteira só à pé. Enquanto eu não volto pra Budapeste, me contento com o cartão-postal do Szechenyi Fürdo que comprei na Vacy utca.

Ao redor de Budapeste

A cada dia que se passava, só tinha certeza de que a Europa Central ainda iria me surpreender muito. Cidades com um toque imperial, vilarejinhos pitorescos, comidas gostosas e únicas e toda aquela atmosfera jovem me deixavam cada vez mais impressionada dia após dia.

Nesta viagem aprendi bastante sobre o que se tem de bom pra ver além das capitais. Além de Budapeste, acho que só conhecia uma ou duas cidades na Hungria de nome. Aprendi mais algumas e conheci outras cidades que não estavam nem no plano, assim como o oposto aconteceu. Queria de coração ter conhecido mais lugares, mas apenas fiquei 6 semanas por lá, e só podia viajar nos fins de semana. Outras oportunidades virão. ;)

Uma dessas cidades que eu nem sabia da existência era Szentendre (algo como Santo André traduzido do húngaro). Acho que foi alguém que conheci por lá que a recomendou, ou algo assim. Acabei indo com a companhia de mais dois brasileiros lindos, a Fernanda e o Diego.

Szentendre é uma cidadezinha bem próxima à Budapeste, e assim como Godollo, que já comentei por aqui, faz parte de uma zona metropolitana, e esse fato torna a locomoção até lá mais fácil. Assim como em várias cidades pelo mundo, Budapeste tem trens metropolitanos que vão para algumas cidades.

Era um domingo, e nós três havíamos dormido na casa do Diego. Voltamos tarde da despedida da minha roomate e decidimos ir todos juntos até Szentendre. Após pegarmos o ônibus até Örs Vézer Tére, primeira estação da M2 (linha vermelha), seguimos direto até Batthany Tér, na mesma linha. Lá em Batthany, é só se dirigir para algum dos boxes e compramos as passagens. Foi algo como 700 forints ida e volta.

Logo após esses boxes, se encontram as linhas dos trens metropolitanos, e o visor avisa qual é o trem mais próximo a ir pra Szentendre. Como é a última parada, o visor indica “Szentendre” mesmo. Entramos e esperamos alguns minutos até a chegada da estação final, e logo descemos. Era um pouco depois do almoço e estávamos com fome, e paramos num restaurante chinês e comemos algumas besteirinhas.

É só seguir direto que eventualmente se chega no centro da cidade. E de fato ela é linda! Toda em um estilo medieval, meio pitoresco e muito fofa. Como era domingo, lá haviam vários turistas de várias partes do mundo além de famílias de Budapeste pra passar um tempo livre.

Ruelinha em Szentendre

Ruelinha em Szentendre

A cidadezinha é cheia de ruelas com casinhas coloridas, vasos com plantas e – claro – uma imensidão de lojinhas de souvenirs! A Fernanda ia embora no dia seguinte, e eu iria na segunda feira seguinte, então gastamos os nossos últimos forints de souvenirs, encontrando as melhores pechinchas e levando pra casa.

Canequinhas artesanais

Canequinhas artesanais

Lá tinha vários tipos de artesanato, como canequinhas temáticas, bijuterias, umas porcelanas e vários tipos de Palinka, a bebida nacional húngara. Ali também eram servidos em lojinhas fofas e até mesmo em barraquinhas de rua alguns tipos de salgados, chocolate com marzipan, sanduíches, tortas doces, salsichões, queijos, kurtoscalács e muito mais.

Após comprarmos alguns souvenirs, andamos mais um pouco e decidimos ver a cidade do alto. Szentendre fica na margem esquerda do Danúbio, o que deixava a vista, junto dos telhadinhos alaranjados, incrível! Passamos alguns minutos sentados ali no banco para apreciar a vista – e no meu caso respirar, já que o sedentarismo bateu. Essa vista já valia todo o meu esforço. ;)

Vista de Szentendre

Vista de Szentendre

Existem museus na cidade, mas não fomos em nenhum. Para nós, o museu estava ali, a céu aberto, sem nenhuma intervenção!

Praça Central

Praça Central

Após um sorvete, ficamos um pouquinho na beira de um riacho pra relaxar, conversar, rir, e aproveitar o sol. Algumas crianças estavam brincando de pegar peixinhos e decidimos ir embora – em rumo à Batthany Tér de novo.

Szentendre não é uma cidade com um milhão de atrações turísticas, mas possui o seu charme, e aquele feeling de “eu fui um dos poucos a conhecer isso”. Vale muito a pena passar um dia pra relaxar e aproveitar a vida. É totalmente recomendável para quem passa por Budapeste.

A casa do terror e o passado negro húngaro

Um dos lugares mais interessantes de se visitar em Budapeste é a Casa do Terror, localizada na Avenida Andrassy número 60, pertinho do Oktogon e de alguns dos endereços mais caros da cidade. Lá, uma exibição permanente mostra fotos, objetos, depoimentos em vídeo e muitos outros detalhes sobre o passado fascista e comunista na Hungria.

Fachada da casa do terror

Fachada da casa do terror

Esse museu é bem moderno, com muitos gadgets e tecnologias, além de ter todo aquele clima sombrio que cercava o comunismo. O prédio é quadrado, com um espaço no meio, e varandas bem estreitas. Nesse prédio se localizava tanto o quartel general do governo nazista, e anos depois, do comunista.

A primeira parte da visita se dá no andar mais alto (ala negra), mostrando como a Hungria foi ocupada pelos nazistas, e quais foram os efeitos da Segunda Guerra Mundial nela, com foco na perda de 2/3 do seu território para países vizinhos, e tristes depoimentos de sobreviventes da guerra e do holocausto.

A segunda parte do museu, um andar abaixo (ala vermelha), foca no período comunista da Hungria e a invasão soviética. Modelos muito bem feitos de salas de comando soviéticas, emblemas comunistas, propagandas comunistas, uniformes e afins me fizeram voltar no tempo, justamente pela riqueza de detalhes.

Algumas partes são bem chocantes, especialmente uma sala que meio que recriava uma reunião (ou um jantar), onde uniformes com o símbolo nazista da Hungria (algo como uma cruz) representavam os participantes. Fora isso, músicas macabras ficam tocando ao fundo, e às vezes, algo como discursos enfurecidos, só pra entrar mais no clima.

A última parte da visita se dá nos calabouços do prédio, onde prisioneiros (especialmente contra o comunismo) eram mantidos em condições horríveis. Algumas celas chamaram a atenção, como uma em que só cabia o corpo em pé, e outra onde o teto era mais baixo, impossibilitando do prisioneiro ficar em pé. Fora que todas elas não tinham janelas nem luz, deixando a pessoa em total escuridão. Vale ressaltar que a ÁVH (polícia secreta húngara) fazia falsas acusações e aplicavam diversos tipos de tortura a seus prisioneiros.

Também é possível visitar a cela onde as execuções eram feitas. Essa seção foi bem real, já que antes havíamos escutado a um depoimento de um antigo guarda detalhando como essas execuções aconteciam.

No lado de fora do museu, é possível ver as fotos dos prisioneiros que ali estiveram, assim como na parte interna. Existem seções dedicadas a homenageá-los, com velas, fotos, e nomes, tudo em um design bem moderno.

Deu pra ver que o museu teve um grande investimento em tecnologia, mas em relação a objetos ele ainda tem muito o que melhorar, porém, nada tira a imensa quantidade de informação que é recebida, tanto através dos museu em si, mas também dos vídeos e de alguns panfletos de papel dadas livremente com a explicação de cada seção.

Visitar esse museu me deu vontade de ler todas essas folhas de papel com a história de cada seção, e também de descobrir mais sobre o passado comunista húngaro. Vale a pena descobrir.

Um tal palacete em Godollo

Como qualquer país com um histórico imperial, a Hungria tem lindos palácios que são dignos de visitação. Um deles é o palácio de Godollo, bem pertinho de Budapeste.

Eu acabei descobrindo esse palácio ao acaso, por causa de uma amiga italiana. Um dia estávamos conversando sobre os nossos dias em Budapeste, e ela havia me dito que a chefe do trabalho dela a havia levado para um palácio fora de Budapeste, onde alguns imperadores passavam o tempo por lá. Esse palácio ficava em Godollo, e ela super me recomendou a ida.

Godollo é uma cidade que faz fronteira com a faixa nordeste de Budapeste, onde eu morava. Lá, um comerciante húngaro muito rico havia construído um palácio para a sua família, e com a subida ao trono do imperador Francisco José e da imperatriz Elizabeth (Sisi), ele começou a ceder seu palácio para que a família imperial pudesse passar algumas temporadas – especialmente durante o verão – hospedada ali. Vale ressaltar que a minha casa era mais próxima ao centro de Godollo do que do centro de Budapeste. :)

A Sisi era apaixonada pela Hungria e tomou Godollo como um refúgio de toda a vida caótica que ela levava. O palácio foi adaptado às necessidades da imperatriz, e o palácio logo ficou conhecido como “palácio da Sisi”.

Após pesquisar como fazia pra ir, animei a Rekha e o Diego pra irem comigo. Verificamos como fazia pra chegar até lá, e descobrimos duas maneiras. Uma com o trem metropolitano, e o outro com trem de linha normal. De qualquer maneira, precisaríamos pagar cerca de 700 HUF em qualquer viagem, já que estaríamos fora dos limites de Budapeste. Em lugares dentro de Budapeste através do trem metropolitano, por exemplo, é necessário somente o ticket de transporte que já havíamos comprado.

De trem metropolitano, o trem saía de Örs Vezér tere e parava uns 30 minutos depois em Godollo. De trem regular, o trem saía de Keleti Pályaudvar e demorava uns 5 minutos a mais. Para o Diego, Örs era melhor, e pra nós, Keleti. Como Örs ficava mais contramão pra mim e pra Rekha do que Keleti pro Diego, acabamos indo por Keleti.

Em Keleti, existem duas cabines de tickets. Uma vende tickets internacionais, e uma para lugares dentro da Hungria. Fomos para os tickets locais e compramos as nossas passagens por cerca de 700 HUF mesmo. Compramos um gyros (sdds) que serviria de almoço, e corremos para o trem (desnecessariamente) pois pensávamos que ele já estaria partindo. Só que ele demorou um tempão ainda….

Então, o trem era bem moderno e confortável. Chegamos em Godollo um tempo depois e fomos tentar descobrir onde ficava esse palácio.

Em Godollo, existem várias placas de indicação de onde fica o palácio, e fomos seguindo. Logo avistamos a fachada e fomos entrando. Ele é bem bonito, pintado de rosa claro, e com uma aparência interna meio hispânica. Compramos as nossas entradas e fomos visitar.

Diferente de outros palácios que visitei, como Versailles e Schönbrunn, Godollo não tem aquela imensa quantidade de turistas, tirando foto de qualquer coisa, empatando o caminho, guias fazendo grupinho nem nada. Isso dá a oportunidade de se aproveitar melhor os pequenos detalhes do palácio, como os objetos, quadros, passagens secretas e tudo.

Existem muitos quadros lá dentro, assim como vários objetos curiosos da época imperial. Uma parte que achei bem curiosa foi a última, que mostrava a restauração do palácio, já que ele foi quase todo destruído depois da Segunda Guerra Mundial. O antes e o depois é de se impressionar! Imaginar que muitos daqueles lugares que passamos não eram mais os originais (e perceber que eles haviam economizado em vários detalhes) foi bem triste, mas é bom saber que em algum lugar, as pessoas realmente cuidam do que é pertencente a sua cultura, e que de alguma forma, ela vai sobreviver.

Depois do palácio, compramos sorvete e fomos apreciar o jardim. Existem algumas outras pequenas construções e estátuas no jardim – que é um dos maiores jardins palaciais do mundo – e lá as pessoas costumam ler livros, fazer piquenique, e outras atividades para se relaxar.

Após o jardim, a Rekha foi embora, e eu continuei lá com o Diego. Andamos um pouco pela cidade mas não há mais nada além do palácio. Diferentemente de Szentendre, por exemplo, Godollo não tem muito que se ver. Após uma volta no quarteirão, voltamos à estação de trem para esperar a volta pra Budapeste. Dessa vez, voltamos num trem bem velho e quente, diferente do da ida.

Vale muito a pena visitar o palácio de Godollo! Não é longe de Budapeste, e dá pra se aproveitar muito mais do que Versailles por exemplo (apesar do palácio de Godollo ser bem menor). Por algo como 7 reais de passagem mais as entradas do museu, a visita ao palácio tem um ótimo custo-benefício.

Você viaja pra Budapeste e encontra Roma

A Hungria de hoje tem todos os tipos de influência vindas de outros países da Europa, como os grandes boulevards herdados do Império Austro-Húngaro, os Gyros (sdds) e os banhos vindos da influência dos turcos, durante muito tempo de invasão. O que quase ninguém sabe é que Budapeste tem uma grande influência de Roma.

Acontece que o rio Danúbio (carinhosamente chamado de “Duna” em húngaro) era uma das fronteiras do Império Romano na sua maior dimensão. A província onde parte da atual Hungria se encontrava era chamada de “Pannonia”, e diferentemente como o Aegyptus, a Cappadoccia, a Mauretania e as Germanias, seu nome romano não prevaleceu para a posterioridade. (Aegyptus seria um equivalente ao Egito; Cappadoccia para a Capadócia, região da Turquia; Mauretania era considerada uma região do norte da África, onde ficaria o Marrocos hoje mas que denomina outro país na região do Saara; e as duas Germânias são uma base para a Alemanha de hoje).

Foto do mapa que eu tirei em Budapeste. Máquina simples + pessoa baixinha + altura não são boas combinações.

Foto do mapa que eu tirei em Budapeste. Máquina simples + pessoa baixinha + objeto em altura não são boas combinações.

Toda a região da atual Buda estava sob a jurisdição da Pannonia, e justamente uma capital foi construída no que hoje é conhecida como “Óbuda”, a região mais antiga de Budapeste. Essa capital era como qualquer outra cidade romana, com um mercado, um templo, casas e ruas.

Olha que eu costumo pesquisar bastante sobre os lugares que estou indo visitar, mas só descobri essas ruínas no trem a caminho de Szentendre, com dois amigos. Elas tinham forma de aquífero, e fomos pesquisar a respeito em casa.

Pesquisando um pouco depois, descobrimos que havia um museu dedicado a essas construções, que era chamado de Aquincum (aquífero em latim), e que havia um espaço ainda com muitas ruínas. Era o que tínhamos visto. Decidimos ir lá ver, porque né…?

Eu fui com o Diego, um amigo de Minas até Batthany Tér, na linha vermelha do metrô, onde pegaríamos o trem metropolitano que tem início ali, e a parada final em Szentendre. Como a parada do Aquincum era ainda dentro dos limites de Budapeste, não precisaríamos pagar a passagem, pois tínhamos os passes municipais.

O trem sai como de 8 em 8 minutos, e apesar dele ser antigo, a ida é confortável pois você ainda pode escolher um lugar pra sentar. Esperamos até chegar na parada “Aquincum”, e descemos.

Estávamos indo fim da tarde já, e o museu fechava tipo uns 20 minutos depois de chegarmos. Era ainda um dia de semana, e só tinha ~nós dois~ no parque inteiro. Eu achei super estranha a sensação de estar no meio daquelas ruínas milenares só com o Diego, mas eu liguei aquela tecla famosa e fui conhecer.

Glimpse das ruínas.

Glimpse das ruínas.

Realmente não há muito o que ver ali. Existem algumas ruínas, e indicações sobre que lugares elas eram. Uma ruína era o mercado da cidade, outra era um templo dedicado a uma deusa, e havia inclusive um modelo de como seria uma tradicional casa romana, com modelo de sala, quarto e móveis.

Modelo de uma casa Romana

Modelo de um cômodo Romano.

Também tem uma parte que mostra algumas relíquias achadas nas escavações, como vasos, porcelanas e algumas estátuas. Realmente é de se impressionar que Budapeste foi sim um reduto da cultura romana por anos!

Algumas restaurações em antigos prédios.

Algumas restaurações (e adaptações) em antigos prédios.

Então, pra quem tem alguns dias de sobra, é interessante passar umas duas horas para conhecer o Aquincum. Foi uma programação totalmente diferente de todas que eu já tinha feito em Budapeste, especialmente pelo fator surpresa. Mas depois de já ter conhecido Roma, o Aquincum não me impressionou muito.

Fica uma crítica para o desenvolvimento do turismo em Budapeste: o Aquincum é um lugar de um tremendo potencial, mas ele é basicamente ignorado pelas autoridades e guias de turismo em Budapeste. Se mudasse um pouco a divulgação do local, e se aumentassem relatos de visita, além de instigar outras pessoas a ir, o local pode se tornar um outro marco para a cidade. Tenho certeza de que se certas providências fossem feitas, o Aquincum teria muito mais visitantes do que eu e o meu amigo naquela tarde.

 

 

Primavera em Budapeste

Cheguei em Budapeste! E nossa, que viagem! Já estou acostumada a pegar trechos super longos, com pelo menos mais de 36 horas de voo, e dessa vez peguei só 24 horas voando. Hehe.

Saí de Manaus à tarde, cerca das 15 horas o meu avião decolou e o meu destino final era Fortaleza, com escala em Belém. No total, o voo duraria umas 4 horas e meia, incluindo o tempo da escala, e o voo foi relativamente bom, com exceção de um momento em que o avião literalmente despencou do céu. Todo mundo ficou gritando, e senti que o avião já tava entrando em estol quando tudo se normalizou. A culpa? O avião já estava lento demais devido ao pouso, e tinha uma nuvem pequenininha, mas bem densa no nosso caminho. Bem, após esperar uma meia hora no avião em Belém, decolamos de novo. O trecho pra Fortaleza parecia interminável! Também bastasse, já faziam mais de 4 horas ali dentro do avião e nada.

Quando foi umas 20:30 horário local, cheguei em Fortaleza, peguei meus cartões de embarque, comi uma besteirinha, e fiquei aguardando o embarque internacional abrir. Após passar por todos os raios-x e imigrações possíveis, já estava eu na sala de embarque esperando o meu voo.

O aeroporto de Fortaleza pode ser bem arrumado e bonitinho, especialmente na sala de embarque, mas acabo percebendo nos pequenos detalhes que o brasileiro tem uma cabecinha de jirico na hora de planejar as coisas. A sala de embarque internacional só tem um café, uma lojinha pequena de duty free e só. Só! Nem banheiro tinha ali. Fora isso, as cadeiras são muito desconfortáveis e não permitem que a pessoa descanse direitinho. Ali só me lembrei do aeroporto de Viena, que apesar de parecer pequeno e não muito moderno na área comum, tinha espaços incríveis na sala de embarque. Caso a pessoa precisasse trabalhar no notebook, tinha uma poltrona com uma espécie de mesa e tomada especialmente para isso, além de ter wifi de graça e ilimitado. Super prático. E para aqueles que já estavam muito cansados, também havia uma espécie de cama (!!!) onde se podia deitar. Alô alô arquitetos brasileiros! Olha a copa aí!

Tá, aquela sala de embarque não tinha nada pra fazer, salvo (no meu caso) o wifi. Tá que eu tenho 3G, mas ele não tava muito bom naquele dia. Fuçando as redes, achei um wifi grátis da infraero, onde eu só precisaria colocar alguns dados e pronto. Pra mim deu certo, mas pra uma senhora do meu lado não. Então já que ela não conseguiu, não achei nada eficiente esse sistema. Podiam colocar o wifi aberto sem precisar de nada, que nem em Viena.

Então, o meu voo pra Lisboa saiu com atraso de Fortaleza, mas me impressionei com a rapidez da viagem. Já estava acostumada a viajar por 12 horas, e quando eu vi que o voo seria menos de 7 horas, achei muito bom. O jantar saiu logo e tentei dormir. Quando menos percebi, já estava chegando em Lisboa.

Em geral, o voo da TAP foi bom. A comida estava boa, os comissários eram gentis, e não houve quase nenhuma turbulência no voo. Além, de como já ter dito, foi uma viagem rápida.

Cheguei em Lisboa 11 da manhã aproximadamente. A impressão foi que nos soltaram bem no fim do aeroporto. Tive que andar horrores até ver o sinal da imigração. Imigração e raio-x foram tranquilos. A moça só me perguntou quando eu voltava e no raio-x só me pediram pra tirar o notebook da bolsa.

O aeroporto de Lisboa é bem bonito, e me impressionei. Olha que já estive em vários aeroportos, mas um que nem aquele, com uma área comum grande, espaçosa e clara junto a muitos restaurantes e lojas. Fora isso tive wifi, só 30 minutos, mas tive, mas logo achei meu gate pra Budapeste e esperei.

Esse último trecho atrasou uns 45 minutos, e a viagem não seria curta. Quando começamos a embarcar, já fui ficando nervosa sobre o meu destino aqui. Mas acho que fiquei bem tranquila quando o piloto, após ter falado em português de Portugal, começou a falar que o nosso destino era a cidade mais bonita da Europa, e ainda arriscou um “obrigado” em húngaro. Achei isso de-mais, e os vários velhinhos húngaros que estavam no voo começaram a bater palmas!

Após 3h30 de um voo tranquilo, vi Budapeste do alto! Tava na hora do pôr-do-sol, e a vista estava incrível! Pousamos e após esperar pela minha mala, saí. Não sabia se ia encontrar alguém pra me buscar ou não. Mas olha a felicidade quando eu saí dali e vi o Zsolt, o meu buddy com uma plaquinha com o meu nome acenando e sorrindo pra mim! Yay! Tinha alguém esperando minha chegada! Me senti especial, hehe.

Ele me levou para uma pequena volta de carro ao redor dos embankments do Danúbio e ao redor de alguns castelos. Era o início da noite, e o contraste da cor do rio com as luzes ao redor só deixou tudo mais bonito ainda. Realmente, essa cidade é uma das mais bonitas da Europa mesmo!

Já cheguei, e o meu buddy me levou pra dar uma volta ao redor da cidade. Era início da noite, e tudo estava lindo! Todos os prédios de Budapeste estavam especialmente iluminados, e foi tudo lindo! Logo depois, ele me deixou em casa, e logo me encontrei com a Rekha, uma australiana que está dividindo quarto comigo.

Bem, como já era noite, só deu tempo de abrir a minha mala e dormir. Tá que eu ainda estava sofrendo de jetlag e acordei uma hora depois, mas já fui me adaptando à minha casa nova. O apartamento é anexo à escola que eu trabalho, a Kontyfa, mas é totalmente independente. A estrutura é muito boa também. Sempre temos comida aqui, assim como todos os móveis e utensílios que precisamos pra viver aqui. Já comecei gostando demais. Tomara que essa lua de mel continue assim!