O que eu aprendi não visitando a Casa Rosada

Olá, internet! Já escrevi alguns posts sobre a minha experiência visitando Buenos Aires: cidade linda e muito charmosa, e que também é fácil de chegar para quem está no Brasil! Aos poucos, estou tentando escrever sobre pontos interessantes que visitei e que acho que uma visita possa valer a pena (ou não, né). Hoje eu queria falar sobre a Casa Rosada, mas acho que sobre um ponto de vista que eu nunca fiz (na verdade, com exceção sobre os banhos termais de Budapeste).

Você pode gostar também: O principal banho termal de Budapeste

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Dentro do Museu Casa Rosada (que é um museu aberto ao público atrás da própria Casa Rosada)

O que é a Casa Rosada?

É a sede da presidência Argentina, e ela se localiza na capital, Buenos Aires, bem em frente à Plaza de Mayo, que é outro local icônico para conhecer. Ali é onde o presidente trabalha, e a edificação em si é bem bonita.

Felizmente, ela é aberta ao público, e relatos dizem que a visita é bem interessante.

Pois é…

Acontece que a Casa Rosada era um dos meus pontos de interesse em Buenos Aires. Queria conhecer, marquei a localização no mapa e busquei a melhor maneira de chegar até lá. Era um domingo, e iria aproveitar a deixa para ir andando até San Telmo, ali pertinho.

Mas essa viagem foi diferente. Chegaríamos por Montevidéu, passaríamos algumas horas em Colonia, e o resto das nossas férias seriam em Buenos Aires. Um pouco antes da nossa ida, uma prima nossa nos deu várias dicas sobre a viagem, e nos recomendou uma empresa que montou um roteiro para ela. Era só elogios.

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Pensamos assim: fiquei de planejar a primeira parte da viagem, que englobava Montevidéu e Colonia. Como já teríamos o roteiro de Buenos Aires, nem me preocupei com nada, pois deixei a cargo dos profissionais. Isso quer dizer: zero pesquisas no google sobre Buenos Aires e o que visitar.

Como previsto, a primeira parte da viagem foi maravilhosa! Deu tudo certo, e tudo que planejei correu bem. Já a segunda não deu certo parte por culpa minha, e parte por causa desse roteiro.

A minha culpa ficou centralizada com a questão do dinheiro. Montevidéu foi tão bem planejada que até o dinheiro foi bem contadinho: o suficiente para fazer tudo que pretendíamos sem passar nenhum tipo de aperto. Já Buenos Aires é uma cidade bem mais cara que pensávamos, e conforme os dias foram passando, percebemos que a conta não iria fechar! Nem almoçamos no último dia pelo fato de que o único dinheiro que nós tínhamos era pro táxi para chegar ao aeroporto. Te juro que em toda minha vida de viajante eu nunca passei por tanto sufoco financeiro assim.

Por causa dos momentos de austeridade, não fomos ver o tango! “Como você pode ir em Buenos Aires e não assistir ao tango”, você pode perguntar. Pois é, fiquei chateada também. Essa empresa ofereceu passeios para ver o Tango, para ir até o rio Tigre e outras coisas, só que não tinha dinheiro! Por isso, parte da culpa foi minha também, ao não aproveitar os passeios que eles ofereciam.

Mas o resto que envolvia questão de roteiro teve dois furos que considero amadores. Nós até chegamos a perguntar se havia a possibilidade de recebermos o roteiro antes, só por curiosidade, mas a pessoa responsável disse que não. Até entendemos, pois qualquer outra pessoa pegaria o roteiro, sumiria e não daria mais satisfações, nem pagaria o que era devido. Por causa disso, só recebemos todo o roteiro no dia que chegamos.

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Mais Cores

Então, logo nesse domingo, estava prevista uma visita à Casa Rosada, e fomos lá. A menina da agência disse que o passeio era maravilhoso e que nos encantaríamos com tudo. Até iríamos, se não fosse o fato de que é necessário um agendamento prévio da visita por email, e que as vagas são limitadas por dia (e olha que a visitação não é aberta todos os dias da semana). Ou seja, a visita à Casa Rosada de fato estava acontecendo no domingo, mas não pudemos entrar pelo fato de que não reservamos a visita por email. Foi bem frustrante ver várias pessoas entrando lá, e nós ficando de fora.

O outro furo que preciso falar foi o Malba. Muitas pessoas não gostam de visitar museus, mas eu adoro! A sigla Malba significa Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, e dentre tantas obras expostas ali, uma das mais famosas é o Abaporu. Sempre sonhei em ver esse quadro tão icônico para a arte brasileira, e ele estava ali pertinho de mim. Acontece que neste roteiro, a visita para o Malba (e para o bairro de Palermo, em geral), estava prevista para a terça-feira, e adivinha o quê? O Malba abre todos os dias da semana, exceto às terças feiras!! 

Finalizando o desabafo

Qualquer empresa que trabalha com turismo de determinado local tem que ter uma expertise muito boa em proporcionar o melhor para seu cliente, então espera-se no mínimo que quem trabalhe com turismo em geral, saiba como funcionam alguns pontos de interesse importantes da sua cidade que muito, mas muito provavelmente seus clientes terão intenção de conhecer!

Então eu acho que essa situação da Casa Rosada e do Malba foi muita ingenuidade, pois quem faz seu trabalho com o conhecimento adequado já indicaria essas duas informações: dia de funcionamento de certo local, e que para visitar outro, é necessário um atendimento por email.

A minha parcela de culpa e o que eu aprendi

E sim, não nego que tive uma parcela de culpa muito grande por não ter pesquisado! Eu sempre faço isso com qualquer outra viagem, e por confiar tanto no relato da minha prima, e ao mesmo tempo por querer ficar mais “de boas” sem ter que me preocupar em planejar uma viagem, deixando nas mãos de pessoas que eu achava que teriam o mínimo de conhecimento adequado para o turismo.

Eu deveria ter pesquisado sobre a empresa, e obviamente sobre os lugares que eu queria conhecer (e isso inclui dias e horários de funcionamento, como funcionam os ingressos, quanto custa, e afins).

Então a lição que fica para sempre, e que eu vou falar isso para qualquer pessoa que me perguntar é: pesquise! Não confie 100% em outras pessoas enquanto você está fora da sua zona de conforto. Tenho certeza que eu, e outras pessoas que fazem tantos posts em seus blogs tem toda a boa vontade do mundo de ajudar, seja recomendando um local que você nem imaginava, ou dando dicas para melhorar a experiência em outros.

Post foi bem de desabafo hoje, mas eu sinto que precisava disso. É isto, e obrigada se você leu até aqui. :)

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120 anos de Teatro Amazonas

Olá leitores, como estão?! Ando meio ausente nesses últimos dias, mas sempre estou em busca de novas pautas e assuntos para discutir aqui. Acabei percebendo que eu foquei tanto nas minhas experiências de intercâmbio e acabei deixando de falar sobre a minha casa, Manaus, a Paris dos Trópicos!

Tem tantas coisas para falar sobre Manaus que eu poderia deixar um blog exclusivo sobre a terrinha, mas aproveitando a deixa vou falar hoje sobre o nosso símbolo máximo, o lindo Teatro Amazonas!

SPOILER: Esse post será completíssimo e vou abordar sobre história, curiosidades, como é o teatro por dentro, e se a visita guiada vale a pena.

Já visitei o teatro em inúmeras oportunidades, tanto como turista, espectadora e artista. Sim, isso mesmo! Já tive o privilégio de me apresentar no palco do Teatro Amazonas, numa noite que foi simplesmente inesquecível!

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Entenda a história

O Teatro Amazonas é um grande motivo de orgulho para todos aqui, e ele faz parte de um contexto histórico admirável. Sua inauguração ocorreu em 31 de dezembro de 1896, numa época extremamente próspera para a capital do Amazonas.

Entre o final do século XIX o o início do século XX, Manaus enriqueceu rapidamente devido ao ciclo da borracha. Com o início da industrialização e da indústria automotiva no mundo, a demanda por borracha aumentou significativamente. O látex (seiva que dá origem à borracha) extraído da seringueira amazônica era o de melhor qualidade para a vulcanização, o que fez com que os olhos de grandes industriais se voltassem para a Amazônia.

Com isso, proprietários de terras e feitorias que se especializavam na extração do látex, assim como outros intermediadores e comerciantes da área enriqueceram muito rápido (às custas da exploração dos seringueiros). Essa população abastada demandava uma série de serviços, e um dos pedidos foi a construção de um teatro.

Se passaram 15 anos entre a apresentação do projeto e a inauguração do Teatro Amazonas, durante o governo de Eduardo Ribeiro. Vale ressaltar que durante este mandato, vários prédios importantes em Manaus foram construídos sob forte influência europeia, como a Alfândega, o Palácio de Justiça, o Reservatório do Mocó e outros. Essa época é conhecida como “Belle Époque”.

Café dentro do TA

Café dentro do TA

O teatro

O teatro é imensamente luxuoso e cheio de detalhes em várias partes. Começando pela plateia, em forma de ferradura, olhamos para cima. Vemos de cara um lustre maravilhoso que parece ser o centro de um desenho. Se prestarmos atenção direito, notamos que parece que estamos vendo a base da Torre Eiffel. Ao redor dela, representação de 4 artes: Dansa (dança), Música, Tragédia e Ópera.

Lustre + Torre Eiffel + Artes

Lustre + Torre Eiffel + Artes

Em vários cantos do teatro vemos a apresentação do número 1896, o ano da inauguração do local. Atualmente a plateia é composta de uma série de confortáveis cadeiras de veludo, e considerando também frisas e camarotes, o teatro comporta 700 pessoas.

"Anno 1896"

“Anno 1896”

Ao redor da plateia, vemos várias máscaras ornamentadas com nomes de compositores como Verdi, Mozart, Wagner, dentre outros. Em todo lugar que você olha, percebemos muitos tons dourados e vermelhos, deixando o ambiente com uma forte personalidade.

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O palco de madeira é muito próximo ao público, e logo verificamos os dois camarotes ao seu lado. Como na maioria dos teatros do mundo, esses lugares eram os mais disputados pelas pessoas da alta sociedade manauara, pelo fato de que ali, era o melhor lugar para serem vistos. Por contrapartida, esses eram os piores lugares para assistir às apresentações.

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Subindo as escadas, temos acesso ao segundo e ao terceiro piso. Logo percebemos o piso, feito de madeira, contrastando tábuas claras e escuras, para representar a dualidade do Encontro das Águas. No segundo piso se encontra o Salão Nobre do Teatro Amazonas, local onde as pessoas se reuniam nos intervalos e após as apresentações.

Corredores do TA. Dizem que existem fantasmas no local.

Corredores do TA. Dizem que existem fantasmas no local.

O salão nobre é tão decorado quanto a plateia. Dois espelhos, posicionados nas laterais do local dão a impressão de vista infinita. Sempre me encantei com eles desde criança! O teto maravilhosamente pintado com os anjos encanta o lugar. Se você fixa o olhar no anjo principal, a sensação que dá é que ela te segue por onde você vá.

Teto do Salão Nobre

Teto do Salão Nobre

As laterais do salão nobre também possuem pinturas que remetem a temas regionais. Onças, floresta e uma série de outras características da Amazônia são retratadas numa bela e honrosa mistura de clacissismo europeu e realidade amazônica.

Floresta

Floresta

Existe uma varanda anexada ao salão nobre. De lá, temos vista privilegiada do Largo de São Sebastião, da igreja que leva o mesmo nome e outros prédios adjacentes. Antigamente, quando não haviam muitos prédios em Manaus, uma boa parte do Rio Negro era vista dali. Hoje não dá para ver mais nada.

Também são abertos ao público a visita a uma sala dos figurinos, e outra com instrumentos musicais e outros equipamentos utilizados antigamente. Uma escultura de Lego representando o teatro também se encontra no primeiro piso.

Figurinos utilizados no fim do século XIX

Figurinos utilizados no fim do século XIX

Visitas guiadas

Acabei fazendo a visita guiada em inglês, já que era a disponível na hora que cheguei. Como sou daqui, a entrada é franca, mas para demais brasileiros e estrangeiros, o ingresso custa R$20. A visita guiada dura cerca de 40 minutos, mas é possível fazer visitas livres também.

Como sou entusiasta da história do Amazonas e já estudei muitas coisas sobre o teatro, a visita guiada não me trouxe informações novas. Porém para uma pessoa que não conhece muito sobre a história do estado nem do teatro, ouvir a explicação do guia parece ser interessantíssimo.

Três andares

Três andares

Porém senti falta de conteúdo. Uma coisa que adoro fazer é visitar todo tipo de museu e teatro nos lugares que vou, e todos seguem um padrão específico. A impressão que tive foi que nosso guia nos orientou mais para tirar fotos do que para explicar curiosidades e fatos sobre o teatro, que são muitos, em quantidade bem maior do que foi explanado. Espero que isso varie de guia para guia.

Algo que me incomodou (não sei se é a crise que o Estado, mantenedor do Teatro, está passando), foi a falta do ar condicionado. Ele existe sim, mas ele não foi ligado durante a visita. Já estou acostumada com o calor daqui, mas tinha um senhorzinho gringo que estava todo suado, deu pena dele.

A visita guiada vale a pena? Sim, com certeza! O Teatro é a nossa pérola e merece ser visto por todos os que passam por Manaus – a visita é tranquila e não compromete demais passeios.

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Outras apresentações no Teatro Amazonas

Sempre existem várias coisas acontecendo no Teatro Amazonas. Entre abril e maio (a data varia a cada ano), acontece o Festival Amazonas de Ópera, onde todos os dias, diversas apresentações acontecem tanto no TA como em outros lugares na cidade.

Antigamente o festival era maior, mas promete voltar a crescer. Ano passado eu assisti uma ópera durante esse festival chamada “Adriana Lecovreur” e foi excelente! Teatro lotado, atores fantásticos e tudo muito bem organizado.

Palco

Palco

Outras atrações como shows, apresentações de dança e outras manifestações culturais acontecem no Teatro. Normalmente todo domingo tem apresentações, mas é bom consultar a bilheteria do local para mais informações. Acredito que não aconteceu ano passado, mas outros dois festivais também acontecem no Teatro e ao seu redor, que são o Festival de Teatro e o de Cinema. Já fui a ambos e o público amazonense adora!

O Teatro Amazonas é aberto ao público, de segunda a sábado as 9 às 17h. Para mais informações, acesse o site da Secretaria de Cultura do Estado.

Espero que tenham gostado do post! Para tirar qualquer dúvida sobre Manaus, meu email está localizado na aba “contato”. Até mais!

Visitando o Museu Sisi e os Kaiserappartements

Olá pessoal! Há algum tempo atrás fiz um post sobre lugares interessantes para se visitar no centro de Viena. Essa cidade é maravilhosa, cheia de arte, cultura, música e história, e grande parte das principais coisas da capital austríaca tem um dedo de influência da família Habsburgo.

Acompanhe também: No coração de Viena

Os Habsburgos foram uma linhagem imperial que dominou a Áustria até pouco depois da Primeira Guerra Mundial. Essa família era uma das mais importantes da Europa, assim como eram também muito tradicionalistas. Eles buscavam exprimir toda sua influência política e financeira através de construções, decorações e também em convenções sociais.

Um dos símbolos mais importantes de toda essa influência está presente no palácio Hofburg, localizado bem no centro de Viena. Ali, existe um museu que mostra um pouco como era a realidade da família imperial austríaca, assim como uma dedicatória à imperatriz Sisi, esposa do último imperador da Áustria, o Sisi Museum e os Kaiserappartements.

O museu começa com uma mostra de como os nobres austríacos viviam antigamente, através da prataria que pertencia à família imperial. Ali, o museu expõe alguns dos seus utensílios diários utilizados pelos nobres como pratos, talheres, e uma série de outros arranjos. Todos decorados e ornamentados com ouro, pinturas que remontavam à família imperial austríaca e claro, muito luxo.

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Depois, somos direcionados à entrada do Sisi Museum, museu que é uma espécie de tributo à Sisi, a última imperatriz austríaca, eternizada em filmes, livros, e claro, uma série de pôsteres e cartões postais pela capital da Áustria. Lá, se encontram uma série de coisas sobre a Sisi, como roupas, cartas, diários, réplicas de joias e etc.

(Spoiler: não pode tirar fotos dentro do museu. Para tanto, as fotos deste post são do site oficial do Hofburg)

Acompanhe também: Sisi, a imperatriz da Áustria

Nesse post acima, contei um breve resumo da vida da Sisi, desde sua infância como princesa na Baviera até a seu assassinato em Genebra por um terrorista italiano. Apesar de sua história ser digna de um conto de fadas, historiadores e outros estudiosos hoje em dia afirmam que a pobre Sisi passou sua vida inteira sofrendo de uma série de problemas como a anorexia, doenças respiratórias e a depressão.

O Sisi museum apresenta algumas coisas que ajudam a retratar esse quadro. Uma das partes mais impressionantes do museu apresenta um manequim com as medidas reais da Sisi, e é impressionante como ela era alta e extremamente magra! A cintura dela era tão fina que algumas pessoas inclusive conseguem fechar a mão ao redor desta!

Um aspecto que também chama a atenção é o cabelo, gigantesco, que ia até a altura dos joelhos. Normalmente ele era adornado com cristais Svarowski, e arrumá-lo levava algumas horas por dia.

The Sisi Myth - click to enlarge image (opens in a lightbox)
(Créditos da imagem: Hofburg)

Room "The assassination" - click to enlarge image (opens in a lightbox)
(Créditos da imagem: Hofburg)

Room "Death" - click to enlarge image (opens in a lightbox)
(Créditos da imagem: Hofburg)

Para concluir a visita, passamos pelos Kaiserappartements, que são cômodos decorados da mesma maneira que costumavam ser há mais de 100 anos, quando a família imperial austríaca morava ali. Para variar, o local era muito luxuoso.

Waiting Room - click to enlarge image (opens in a lightbox)
(Créditos da imagem: Hofburg)

Bedroom of Emperor Franz Joseph - click to enlarge image (opens in a lightbox)
(Créditos da imagem: Hofburg)

Dressing and exercise room of Empress Elisabeth Elisabeth - click to enlarge image (opens in a lightbox)
(Créditos da imagem: Hofburg)

O museu funciona das 9:00 às 17:30 entre setembro e junho, e das 9:00 às 18:00 em julho e agosto. O preço do ingresso varia: com audioguia (€ 12,90) e no tour guiado (€ 15,90).

 

 

Por dentro do Teatro Colón

Um dos principais passeios para quem vai a Buenos Aires é a visita guiada ao Teatro Colón. Este local é um dos ícones da cidade: sua localização central, importância histórica e cultural, e a combinação da arquitetura com opulência só confirmam que a visita ao teatro é imprescindível e marcante. Certamente um must go!

Tapete Vermelho

Tapete Vermelho

Antes de continuar, quero deixar claro um detalhe! A Argentina está sofrendo com uma grande inflação nos últimos tempos, então o preço de tudo subiu! Quando visitei o Teatro Colón (setembro de 2016), o ingresso custava 250 pesos. Por enquanto o preço continua o mesmo, só que não se assuste ao chegar lá e ver um valor maior ainda, numa data futura.

Para começar, este teatro demorou quase 20 anos para ser construído (1889-1908), em substituição a outro Teatro Colón bem menor, e que se localizava em outro lugar. Com a inauguração do prédio novo muitas companhias passaram a se apresentar lá, fazendo com que aos poucos o teatro se consolidasse como principal complexo artístico da cidade de Buenos Aires.

Figurinos de apresentações anteriores

Figurinos de apresentações anteriores

Figurinos de apresentações anteriores

Figurinos de apresentações anteriores

Em 2014, o National Geographic listou as 10 principais Opera Houses no mundo inteiro. De acordo com a lista, o Teatro Colón ocupa a terceira posição, e alguns dos requisitos para tanto foram a incorporação de diversos estilos arquitetônicos, a quantidade de artistas renomados que já se apresentaram ali, e a presença de um próprio departamento cênico em suas dependências.

Por motivos de curiosidade, as outras 9 Opera Houses da lista são o Teatro alla Scala em Milão, Teatro di San Carlo em Nápoles, a Royal Opera House em Londres, o Teatro Bolshoi em Moscou, a Opera House de Sydney, a Ópera de Paris, a Ópera Royal do palácio de Versailles, a Staatsoper de Viena e o Lincoln Center em New York.

Voltando a falar do Teatro Colón, a minha visita guiada foi toda em espanhol, mas foi muito tranquilo de entender e de acompanhar a guia. O Teatro é rico em detalhes e não dá para ficar nenhum momento sem prestar atenção em alguma coisa.

Atenção para o vitral

Atenção para o vitral

Os detalhes de ouro e os vitrais do teatro são belíssimos, não dá para parar de reparar.

Artigo de decoração

Artigo de decoração

Palco

Palco

O salão do teatro é gigantesco. Muitos dizem que a acústica do local é perfeita, e de fato, não podemos falar muito alto, senão era capaz de todos ali dentro nos escutarem.

Interior do teatro

Interior do teatro

Uma coisa que achei curiosa (e bem cruel) era o local que era destinado às viúvas. Elas não poderiam aparecer em público desacompanhadas, mas o direito delas visitarem o teatro era mantido. Isso era possível pois reservaram uns locais escondidos com grades onde elas ficariam ocultas, mas também não poderiam acompanhar as óperas direito.

Peça feita em um só bloco de mármore. Detalhes em relevo perfeitos.

Peça feita em um só bloco de mármore. Detalhes em relevo perfeitos.

Antigamente, os melhores lugares do teatro.

Antigamente, os melhores lugares do teatro.

O lustre também é magnífico! Sou fã dessas estruturas, e assim como em muitos teatros, existe uma sistemática que faz com que um cabo de aço leve o lustre até o chão com o objetivo de limpá-lo e de fazer sua manutenção devida.

Teto e lustre

Teto e lustre

Mais uma vez, visita recomendadíssima!
Valor: 250 pesos argentinos (valores do fim de 2016)
Horário: das 9h às 17h, com saídas a cada 15 minutos. (Sujeito à disponibilidade)
Localização: Tucumán 1171 (Estações de metrô: Tribunales ou 9 de Julio)

Milagre dos Andes: história e museu

Quando eu estava planejando o meu roteiro do dia seguinte em Montevidéu, eu tive uma bela surpresa ao acessar o Trip Advisor (que btw, é uma ótima ferramenta para descobrir pontos de interesse no lugar que você vai viajar). Não conhecia, mas ali acabei descobrindo o Museu Andes 1972, que acabou sendo a melhor descoberta na capital do Uruguai.

Mas o que esse museu tem de tão especial que chamou minha atenção imediatamente?

Então, já comentei em alguns posts por aqui que eu gosto muito de aviação! Gosto de saber sobre modelos, evolução, características e também sobre a história (e isso inclui acidentes aéreos também). Houve um acidente em particular que foi amplamente divulgado na época do seu acontecimento, como também posteriormente, através de livros, documentários e até um filme, e é justamente sobre o voo 571 e seus desdobramentos que o museu é centrado.

Vou contar a história por trás do acidente, e logo depois, comentários sobre o museu. :)

A história do acidente

No dia 12 de outubro de 1972, 45 pessoas saíram de Montevidéu com destino a Santiago, no Chile. Os passageiros, em sua maioria, eram jogadores de rúgbi e membros da comissão técnica da equipe do Old Christians, que iriam participar de um amistoso no Chile. Além dos jogadores e da tripulação de 5 pessoas, alguns assentos restantes foram cedidos a parentes dos jogadores, que os acompanhariam na viagem.

O modelo do avião era um Fairchild FH-227, que pertencia à Força Aérea Uruguaia e foi fretado especialmente para essa ocasião. Na época, os passageiros decidiram fretar esse avião por motivos de economia, já que custava menos do que comprar as passagens, e ao mesmo tempo traria comodidade de datas e trajeto para os jogadores.

Neste dia o clima sobre os Andes estava ruim, e por motivos de segurança, o avião teve que pousar em Mendoza, cidade argentina ao sopé dos Andes. Na época, as restrições de visto eram mais rígidas que hoje, e os passageiros e tripulação só poderiam ficar em solo argentino por 24 horas. No dia seguinte, o clima não havia melhorado o suficiente, mas eles deveriam partir mesmo assim.

Se você olhar Mendoza e Santiago no mapa, dá pra ver que as duas cidades são bem próximas e atualmente existem voos diretos entre as duas cidades com duração de apenas uma hora, então esse trecho deveria ser mais tranquilo, correto?

Por causa do clima desfavorável, os pilotos acharam melhor não seguir em linha reta entre as duas cidades, e preferiram atravessar os Andes numa parte mais baixa da cordilheira chamada de Paso del Planchón. Para tanto, eles teriam que fazer uma espécie de movimento em “U”: Decolar de Mendoza e seguir ao sul até a cidade de Malargüe (Argentina), seguir a oeste pelo Paso del Planchón até alcançar Curicó (Chile), que já estava localizada na planície chilena, e então voltar ao norte até chegar em Santiago.

Mapa elaborado por mim, pra tentar ilustrar o que deveria ter acontecido X o que aconteceu

Mapa elaborado por mim, para tentar ilustrar o que deveria ter acontecido X o que aconteceu.

Por causa do plano de voo, os pilotos decidiram voar um pouco mais baixo que o planejado. Ao entrar pelo Paso del Planchón, os pilotos cometeram um grave erro e acreditavam que já haviam passado de Curicó, então seguiram o caminho a norte. Só que pelo fato do clima estar ruim,  a localização a olho nu era impossível, o que os impediu de observar que eles não haviam passado Curicó, e sim que ainda estavam sobrevoando os Andes.

Como planejado o avião iniciou a descida, e ao mesmo tempo que descia, as turbulências ficavam cada vez mais fortes (lembrando que o fato de sobrevoar cordilheiras aumentam as chances de acontecer as turbulências, devido à instabilidade que os ventos que batem nas montanhas trazem). Chegou um momento que o avião saiu da nuvem, o que ofereceu uma vista assustadora: a aeronave numa altitude perigosíssima, muito próxima às montanhas.

Logo depois o inevitável acontece e o avião bate na montanha. As asas são arrancadas e o corpo da aeronave deslizou pela neve de uma montanha até parar completamente. Por pouco o avião não se desintegrou.

Das 45 pessoas a bordo, 13 morreram no impacto ou nos primeiros dias após o acidente. O piloto foi encontrado muito ferido, porém preso às ferragens, e suas últimas palavras foram: “Nós passamos Curicó”.

Maquete do avião que se acidentou

Maquete do avião que se acidentou

O terreno era extremamente inóspito e isolado! Grande altitude e temperaturas baixíssimas (algumas pessoas estimam que por vezes, a temperatura chegava aos -40 graus) deixavam impossível a presença de vida ali. As notícias que chegavam também não eram das melhores. Uma busca pelo avião e possíveis sobreviventes foram iniciadas, e alguns dias depois um helicóptero chegou a sobrevoar a região, mas não conseguiram localizar os destroços devido à cor branca da fuselagem, que se misturava com a neve. Alguns dias depois, os sobreviventes ouviram pelo rádio do avião que as buscas tinham sido canceladas, e o resgate dos corpos iria acontecer em fevereiro, que seria quando a neve começaria a derreter. Como citei anteriormente, o acidente aconteceu em outubro.

Eles se consideravam virtualmente mortos, e os sobreviventes foram sofrendo com terríveis baixas com o passar dos dias. O primeiro grande dilema a ser resolvido – e também o fato que tornou esse acidente muito lembrado – foi como eles iriam conseguir comida. Água não era problema, pois os sobreviventes inventaram uma engenhoca que conseguia derreter neve através da luz solar, mas os suprimentos de comida eram extremamente baixos. Só foram encontrados alguns chocolates e coisas do gênero, até que de maneira quase unânime, após vários dias dividindo o escasso alimento, se apelou à antropofagia para poderem sobreviver.

Algumas pessoas ali possuíam câmeras. O pensamento era que eles iriam tirar fotos de todos juntos na fuselagem, assim, quem encontrasse os corpos e os destroços num futuro próximo ou distante, iriam saber que eles de fato sobreviveram, e que estariam se segurando a qualquer força para se manterem vivos. Uma dessas fotos me choca até hoje: algumas pessoas ao lado de uma carcaça humana. Só restava a costela e vértebras dessa pessoa.

Uma outra tragédia aconteceu no dia 29 de outubro. Uma avalanche soterrou a fuselagem durante à noite, e acabou matando quem estava dormindo no seu interior. Nesse dia, mais oito pessoas faleceram, incluindo a última mulher sobrevivente do primeiro impacto.

Explicação

Explicação

No total, 29 pessoas morreram até o dia do resgate. Enquanto isso, os sobreviventes faziam de tudo para se manterem vivos, e acabaram fazendo improvisações que foram extremamente úteis. Um pouco mais acima citei a máquina que “fazia” água, feita com pedaços de fuselagem. Outras coisas que chamaram a atenção foram as roupas e sacos de dormir feitos com o tecido das poltronas e os óculos de sol improvisados, já que a imensidão branca no horizonte prejudicava os olhos sem proteção.

Os dias e meses se passavam, até que se tomou alguma atitude concreta. Já não haviam muitos corpos à disposição, e combinados ao clima que havia melhorado um pouco, dois sobreviventes decidiram sair caminhando em busca de ajuda, em 12 de dezembro.

Alguns dias depois, finalmente acontece a redenção! Os dois sobreviventes haviam chegado ao sopé da montanha, onde tinham visto a primeira vegetação e água corrente em meses! Eles então avistaram a primeira pessoa desconhecida desde o acidente, que era um senhor montado a cavalo do outro lado de um pequeno rio. Eles não conseguiram se comunicar por causa do barulho das águas, mas então o senhor sabiamente amarrou numa pedra um pedaço de papel e uma caneta, onde foi anotado o seguinte recado:

“Venho de um avião que caiu nas montanhas. Sou uruguaio. Estamos caminhando há dez dias. Tenho um amigo ferido acima. No avião restam 14 pessoas feridas. Temos que sair rápido daqui e não sabemos como. Não temos comida. Estamos doentes. Quando vão nos buscar lá? Por favor, não podemos nem caminhar. Onde estamos?”

O senhor no cavalo ao ler a mensagem enviou um pedaço de pão com queijo ao sobrevivente, e foi buscar ajuda no posto policial mais próximo. Após 72 dias de espera a ajuda chegou, e em 23 de dezembro, todos os 16 sobreviventes foram resgatados, sendo um incrível presente de natal.

Mais dados

Mais dados

O museu Andes 1972

Antes de começar eu queria dizer que eu fiz vários snaps da minha visita ao museu porém VÁRIOS SNAPS sumiram da minha galeria, pensei que tinha salvado várias imagens, mas acho que não foi o caso. :(

O Museu Andes 1972 é localizado na rua Rincón, próximo à Plaza Constituición, bem no coração da Ciudad Vieja, ponto turístico indispensável para quem visita Montevidéu. O ingresso custa 200 pesos por pessoa, e você pode ficar lá o tempo que quiser.

O museu oferece um vídeo síntese de 15 minutos contando um resumo do que aconteceu: do acidente até o resgate, contendo depoimentos dos sobreviventes e imagens da época. É interessante assistir este vídeo antes de visitar o resto do museu.

Então, o museu foca na vida, e não no sensacionalismo que pode trazer o fato dos sobreviventes terem comido carne humana para terem sobrevivido todos esses dias, o que para mim é um fato muito positivo.

O museu apresenta tabelas explicativas sobre:
– Mapas: De onde saíram, para onde estavam indo, onde bateram, por onde o avião deveria ter seguido, etc.
– Vítimas e sobreviventes: quem eram, fatos importantes, quem faleceu no impacto, quem faleceu na avalanche, quem foi buscar ajuda, quem foi resgatado com vida, etc.
– Calendário e datas significativas: timeline do que aconteceu em determinado dia, incluindo uma comparação com o que aconteceu de notícia no mundo.
– Jornais: manchetes da época sobre o assunto (tanto do desaparecimento quanto do resgate).
– A aeronave: qual o modelo, fatos, etc.
– A região: fotos da época, assim como fotos de hoje em dia.

E também o que chama muito a atenção são os objetos! Muitos destroços do avião estão ali, como o estabilizador vertical e outras partes das asas, trem de pouso e mais. As câmeras onde os momentos vividos nos 72 dias perdidos estão lá, assim como todas as invenções e improvisos feitos pelos sobreviventes com os destroços e outras partes úteis do avião.

Concluindo, eu saí daquele museu me sentindo extremamente grata por estar ali. Viva. Às vezes não sentimos gratidão nas pequenas coisas que a vida nos oferece e saber que podemos ser felizes com tão pouco de fato lava a alma. Essas pessoas, em sua maioria jovens fortes e saudáveis no auge de seus 19 ou 20 anos que tiveram que passar por uma provação inimaginável seguem sendo exemplo de superação e também de inspiração para qualquer pessoa que já pensa em desistir na primeira dificuldade pelo caminho.

Essa é uma visita que recomendo a todos em Montevidéu.

Em volta da Praça Vermelha

Olá viajantes, como estão? Eu vou muito bem, especialmente pelo fato de que hoje é um dia especialíssimo para mim, pois há exatamente quatro anos eu comecei a minha jornada de cinco dias que me levaria até a mãe Rússia.

Nem parece que esse tempo todo se passou, e para comemorar esse fato, hoje tem post sobre a maior capital do continente europeu, com foco especial na região da cidade onde tudo começou: a Praça Vermelha.

Como assim, Sand? A região ao redor da Praça Vermelha (mais notadamente o Kremlin) é tipo o marco zero de Moscou. Ao analisar o mapa da cidade, é importante notar que a cidade é como um círculo, com as partes mais externas sendo compostas pela periferia e construções mais recentes, e o interior obviamente mais antigo. O centro desse círculo é justamente a Praça Vermelha, coração das atrações turísticas da cidade, assim como o principal centro político e econômico do país.

Moscou vista de cima, de acordo com o Google Earth

Moscou vista de cima, de acordo com o Google Earth

Então, pela região da Praça Vermelha ser culturalmente viva em Moscou, segue uma lista com o que fazer de melhor ali e em suas imediações:

1. Kremlin

O Kremlin em Moscou é um complexo fortificado que possui uma série de construções medievais, incluindo muitas igrejas ortodoxas. Historiadores russos usualmente se referem aos Kremlins como os primeiros assentamentos humanos fortificados em certas regiões, que no futuro dariam origem a grandes cidades. Um outro exemplo de cidade russa que nasceu a partir de um Kremlin é Nizhny Novgorod, que ainda preserva suas fortificações como Moscou.

 

Normalmente o Kremlin é associado com o poder político na Rússia. Isso se dá pelo fato de que o palácio presidencial e a residência oficial do presidente russo se encontram dentro das paredes vermelhas do Kremlin.

É possível de visitar o complexo, já que existem partes abertas para turistas. Quando eu fui, não era permitido tirar fotos no local e o ingresso custava 500 rublos.

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Catedral de São Basílio e o Relógio do Kremlin, com um pedacinho do palácio presidencial

2. Gum

O Gum é considerado um dos shopping centers mais sofisticados do mundo (se não o mais sofisticado de todos!), e se encontra bem na frente da Praça Vermelha. Todas as lojas do shopping – sem exceção – são de grifes, e algumas são mais acessíveis (como a Zara) e outras mais exclusivas (como a Louis Vuitton).

Em tempos soviéticos, o Gum também era uma espécie de centro comercial, porém mais focado na distribuição de produtos para a população. Mesmo com um cunho socialista, ainda não eram todas as pessoas que podiam “fazer compras ali”.

Gum iluminado

Gum iluminado

3. Tumba do Lênin

Eu já escrevi sobre o Mausoléu do Lênin e dei algumas informações sobre aqui. Vale ressaltar que independente da posição ideológica, é super interessante ver o corpo embalsamado de uma figura histórica há mais de 90 anos ali – na sua frente.

Eu ainda tenho essa curiosidade, pois apesar de ter passado 7 dias inteiros em Moscou, não consegui visitar o Mausoléu. O motivo é simples: ele fecha cedo e eu acordava sempre muito tarde. *risos*

Mausoléu do Lênin (e tentando fazer pose de turista)

Mausoléu do Lênin (e tentando fazer pose de turista)

4. Catedral de São Basílio

A Catedral de São Basílio é geralmente a imagem que o mundo tem de Moscou. Com suas torres e abóbadas coloridas, a Catedral é normalmente confundida com o Kremlin, e não dá pra negar que geralmente ela é a primeira estrutura a ser notada assim que a pessoa entra na Praça Vermelha.

O preço do ingresso é acessível e dá direito a visitar todo o interior de madeira da catedral. O valor é de 250 rublos.

St Basil's

St Basil’s

5. Museu do Exército

Esse foi um lugar bem interessante de se visitar. Em um dos cantinhos do Kremlin se encontra a entrada para o Armoury Chamber, local de exposição permanente de artigos de guerra e objetos pessoais dos antigos czares.

Ali não é permitida a entrada com eletrônicos, e consequentemente, não pode tirar fotos. Todos os visitantes recebem um audioguia explicativo, o que deixa o passeio bem interessante.

Pra quem gosta de apreciar coisas antigas, essa exposição vale muito a pena. O preço do ingresso é bem salgado também – 700 rublos a entrada.

6. Rua Arbat

Também já escrevi sobre a rua Arbat aqui. Ela não é exatamente ~na~ Praça Vermelha, mas um dos meus passeios favoritos em Moscou era andar pela rua inteira e seguir direto até à praça.

O local é super boêmio: possui vários artistas de rua, bares, lojas de artesanato locais e muitas outras coisas tradicionais. Vale a pena comprar algumas coisas de souvenirs, como matrioshkas, pelo preço ser bem mais em conta do que em outras feirinhas locais.

Rua Arbat

Rua Arbat

7. Teatro Bolshoi

O Teatro Bolshoi também não é exatamente na Praça Vermelha, mas só fica a alguns metros dela. Para assistir a alguma apresentação, é recomendável fazer reservas com algum tempo de antecedência. Eu não consegui assistir a nenhuma apresentação por causa disso, então já tenho mais outra desculpa para voltar para Moscou *mais risos*

O Teatro também é aberto para visitações, mas só é preciso ter cuidado para visitá-lo em horários que não tenham apresentações acontecendo.

8. Parque Alexandrovsky

Esse parque fica ao lado da Praça Vermelha. Não é tão grande e conhecido como o Parque Gorky, mas é um belo lugar para relaxar após um dia rondando pelos museus da região. Existe um shopping na frente do parque, que é o Okhotny Ryad, que possui alguns restaurantes e várias lojas, com preços mais acessíveis que o Gum.

Ali possuem algumas estátuas que remetem à época comunista, assim como a chama eterna e o túmulo do soldado desconhecido.

Caminhos do parque

Caminhos do parque

9. Museu Histórico do Estado

Esse museu fica bem ao lado de duas entradas da Praça Vermelha, e o prédio é um dos mais imponentes do local. Grande construção medieval e vermelha, o Museu histórico do Estado conta a história da Rússia, desde assentamentos antigos até os dias de hoje.

Museu, no fundo

Museu, no fundo

10. Catedral de Kazan

Bem no cantinho da Praça Vermelha próximo ao Gum, fica uma pequena, mas charmosa igrejinha ortodoxa, chamada de Catedral de Kazan. Como muitas coisas na Rússia (e na Europa em geral), essa igreja não é original, e sim restaurada.

Ela foi destruída pelo regime comunista, e reconstruída entre 1990 e 1993, após a queda do regime soviético. Na época da demolição, Stálin havia ordenado a demolição de algumas igrejas da região.

La Nouba, a experiência

Dessa última visita a Orlando, eu realizei uma vontade antiga, que era assistir a apresentação do La Nouba, atração permanente do Cirque du Soleil localizada em Downtown Disney. Fica a dica de que Orlando é uma cidade preparada para entretenimento, e não tem como não considerar uma ida ao Cirque du Soleil ali!

1. Fatos sobre a apresentação

Essa é uma apresentação que tem como tema o encontro do mundo real com o imaginário relacionando sonhos e pesadelos (bem clássico do Cirque du Soleil, não?). Como já podemos esperar, a produção é muito bem feita, a maquiagem e figurino dos artistas é impecável, e tudo combina, desde a sonoplastia, iluminação, coordenação de movimentos, e etc.

Como disse antes, essa é uma apresentação permanente, que acontece numa tenda branca localizada no West Side. Ela acontece desde os meados dos anos 1990 e a infraestrutura é muito melhor do que as atrações “itinerantes”, como as que acontecem aqui no Brasil. Por exemplo, o palco já é preparado especialmente para as nuances do show. Chão abrindo no meio, prédios subindo do nada e assim vai.

Desta vez, preferi ficar na categoria 1, que é a “terceira melhor” de se ficar. A mais cara é o Golden Circle, que oferece a melhor visão do palco (custa USD 139 + taxas). Vale ressaltar que o Golden Circle fica no meio do anfiteatro, e não é necessário ficar na frente para ter uma boa visão do palco.

A segunda mais cara é a Front and Center (custa USD 124 + taxas), mas honestamente fiquei feliz de ter escolhido a categoria 1 (custa USD 99 + taxas), pois basicamente tive a mesma visão de quem estava no Front and Center.

2. Sobre a compra

Só é possível de comprar os ingressos pelo site do Cirque du Soleil, na seção oficial do La Nouba. (https://www.cirquedusoleil.com/en/shows/lanouba/tickets/florida.aspx) O site é bem claro e conciso, e é super fácil de fazer a compra, além de tirar algumas dúvidas como preços, mapa do palco, e outras coisas.

Para comprar os ingressos, é só seguir os passos:
– Na aba “Tickets”, escolha “Regular Tickets – see tickets”.

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– Você é redirecionado para uma página onde você deve escolher o dia e a hora da apresentação.

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– Escolha a categoria escolhida do seu ingresso.
– Com isso, escolha a quantidade de ingressos (baseada na idade dos espectadores).

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– Escolha seu lugar (na verdade eles te redirecionam um lugar e o seguram por 10 minutos). Eles também vão mostrar a possibilidade de um upgrade caso você tenha dúvidas.

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– Depois, é só preencher os dados do seu cartão de crédito e pronto. Compra efetuada. :)

Se possível, selecione a opção de imprimir os tickets em casa. É mais fácil e cômodo.

Vale lembrar algumas coisas:
– As apresentações acontecem de terça à sábado.
– Existem dois horários disponíveis: 18h e 21h.
– Crianças menores de 3 anos não podem entrar.
– Não é permitido tirar fotos e filmar.

3. O que eu achei da apresentação

Eu já assisti a outra apresentação do Cirque du Soleil: o “O”. E é impossível não comparar as duas! Apesar das muitas diferenças, você acaba comparando as apresentações e eu digo que eu achei o O muito melhor produzido que o La Nouba.

Na verdade eu acabei me decepcionando com o La Nouba por dois aspectos: a infraestrutura (que sim, a elogiei acima) e a falta de “Wow moments”.

Apesar da infraestrutura ser a adequada para a apresentação, eu a achei antiga e apertadinha. Ah, e sobre os wow moments, eu achei que a apresentação das chinesinhas foi muito boa, porém nenhuma outra apresentação se equiparou a ela, não mantendo uma uniformidade. Mas como eu disse em outro post, gosto é gosto e varia muito. :)

Mas enfim, se vale a pena assistir o La Nouba? Sim, claro! A apresentação é linda, mas continuo achando que são necessários mais wow moments. Mas é muito legal ver a dedicação e a emoção dos artistas. Tudo é muito real e intenso para quem assiste. Uma pena que 1h30 passam rápido.

Para matar um pouco a curiosidade, segue o trailer do espetáculo!

Veja também: Minha experiência com o Cirque du Soleil

Visita em Alcatraz

Um dos lugares mais icônicos dos Estados Unidos é a prisão de Alcatraz, localizada na baía de São Francisco, na Califórnia. O lugar atrai milhares de turistas de todo o mundo, e oferece uma grande oportunidade de saber mais da história dos Estados Unidos, vista por um ângulo diferente. Vou contar um pouco como foi a minha experiência na ilha, assim como algumas dicas de quem pretende visitá-la. :)

Vista de Alcatraz do ferryboat

Vista de Alcatraz do ferryboat

Decidimos visitar Alcatraz logo no nosso primeiro dia “de facto” em San Francisco. Tínhamos alugado um carro, para termos um pouco mais de conforto por causa das crianças e estacionamos num edifício garagem ali perto do Pier 39. Lembrando que estacionamentos em San Fran geralmente são meio salgados e escassos.

Placa de entrada

Placa de entrada

Do estacionamento fomos andando até o Pier 33, onde se vende os ingressos para a excursão na ilha. Eles podem ser comprados online ou lá mesmo, e acabamos escolhendo a segunda opção. Acabei lendo em alguns sites que é melhor comprar com antecedência, devido à alta demanda e pelo fato destes se esgotarem rápido. Compramos o nosso ingresso no mesmo dia, sem filas, com o embarque marcado para 30 minutos depois. Nada mal.

Por apenas USD 30 por pessoa você tem o translado, o audioguia e pode ficar por tempo indeterminado na ilha (claro, até a hora do último ferry diurno sair de lá).

Algum tempo depois, entramos na fila para embarcar. Tiramos uma foto, que depois compraríamos por 25 USD para manter de lembrança. Eu gostei da foto e quis mesmo comprar. :P

Foto de lembrancinha da visita <3

Foto de lembrancinha da visita <3

Como estávamos com o carrinho para os meus priminhos, acabamos ficando na parte de baixo do ferry, mas sem arrependimentos. O trajeto do continente até a “The Rock” leva uns 15 minutos, e sempre com belas vistas pelo caminho. Apesar da aura sombria envolvendo a prisão é notável se destacar que aquele local é privilegiado com toda a visão bonita de San Francisco, da Golden Gate, da Baía e tudo mais. Vale adicionar a presença das gaivotas, o que dão mais um tempero a esse lugar.

Vista da Baía

Vista da Baía

Chegando lá, é possível andar por algumas trilhas que levam a lugares interessantes: a Water Tower, a Power House, a Morgue, a Lighthouse, o Officers’ Club e quando eu fui, tinha uma espécie de apresentação de um documentário, e algumas fotos e objetos do lugar na sua “época áurea”. Fica a dica também que a ilha é cheia de altos e baixos, e se prepare para andar! Mas o ponto mais visado pelos turistas é a Cellhouse, que é onde se encontram as celas e onde se passaram todas aquelas histórias famosas. Chegando lá é possível pegar audioguias grátis em português, que contam detalhes interessantes da história da prisão.

The water tower

The water tower

Você caminha naqueles corredores, olhando para as celas, ouvindo os relatos dos audioguias e logo você consegue imaginar como aqueles detentos viviam. Em alguns momentos chega a ser até angustiante saber dos detalhes das rebeliões, mortes e fugas (apenas 3 presos conseguiram fugir de lá!). É possível também de entrar em algumas celas e tirar fotos, e também verificar as condições precárias nas quais esses criminosos viviam.

Cara de chateada na cela de Alcatraz

Cara de chateada na cela de Alcatraz

Algumas das celas, inclusive são “mobiliadas”, tentando retomar o dia-a-dia dos prisioneiros e como eles viviam. O clima é meio tenso e dá pra sentir aquele clima pesado no ar, mas sem mais coisas.

Eu também comprei um guia com algumas histórias e mapas por USD1, super tranquilo. É bom lembrar que não se vende comida na ilha, ou seja, vá bem alimentado para lá.

Contando a história da "Batalha de Alcatraz"

Contando a história da “Batalha de Alcatraz”

Para pegar o ferry de volta, existe uma timetable com os horários disponíveis de embarque. Apenas uma empresa faz os trajetos de ida e volta, de forma bem tranquila e organizada.

Como disse, fomos de dia, mas para quem quer conhecer um pouco mais aprofundadamente a história de Alcatraz, existe um night tour com um guia especial, e vagas limitadas. Queria muito ir nesse, mas a minha tia ficou com medo, rs.

Corredores

Corredores

Fomos em Abril e o clima estava ótimo e como disse, sem uma fila enorme, mas tinha bastante gente lá. E vale dizer que o dinheiro gasto com os ingressos foi um excelente investimento. Belas vistas, aula de história e cultura, e também, histórias para contar.

 

 

Sisi, a imperatriz da Áustria

Pensa numa pessoa popular na Áustria, Hungria, e no mundo, por que não? Todos sabem a história dela de cor, mulheres acham ela linda e de certeza muitas a invejaram pelo estilo de vida e privilégios que ela recebeu. Estou falando da Imperatriz Elisabeth da Áustria, ou simplesmente Sissi, considerada um mito até os dias de hoje.

Vou contar a história dela. A princesa Elisabeth von Wittelsbach nasceu em uma das mais famosas cortes da Europa e passou sua infância na linda Baviera. Aos 15 anos, ela foi acompanhar sua mãe e irmã para um encontro com o imperador austríaco Francisco José I. Até então, a irmã estava prometida ao jovem monarca, mas ele se apaixonou por Elisabeth ao invés da sua prometida, que estava de luto e estava vestindo preto.

Retrato de Sisi em 1861

Retrato de Sisi em 1861

Os dois se casaram e aparentemente começaram a viver uma vida de conto de fadas. Os dois tiveram quatro filhos e Sissi se tornou um mito da beleza. Os filmes feitos sobre ela mostravam uma princesa alegre e que aproveitava a vida, mas relatos de hoje em dia mostram justamente o contrário.

A imperatriz estava tendo uma vida infeliz na corte e além do mais, era mal vista por todos devido à preferência pela Hungria sobre a Áustria. Ela também não tinha um bom relacionamento com a sogra, que escolheu o nome da primeira filha de Sissi sem consentimento, e a impediu de participar da educação dela. Em uma viagem para Budapeste, as duas filhas que tinha até então ficaram doentes com diarreia, e a mais velha morreu com apenas dois anos.

A jovem Sissi é uma das pessoas que possui um dos mais antigos registros de anorexia do mundo. A cintura dela era muito fina, de aproximadamente a largura de um pescoço comum e pesava cerca de 50 kg em mais de 1,70 de altura. O IMC dela seria considerado de risco nos dias de hoje.

Após a morte de Sophia, sua filha mais velha, Sissi se recusou a comer por vários dias (hábito que cultivaria ao passar por momentos difíceis) e criou alguns hábitos alimentares no mínimo peculiares. Ela não comia nenhum tipo de alimento sólido, e possuía espremedores especiais para toda a sua comida. Reza a lenda de que Sissi pedia pra espremer um bife cru para que ela pudesse tomar o caldo que saísse dele.

Ela também era bem vaidosa. Ela tinha um cabelo bem comprido, chegando até na altura dos joelhos, que costumava decorar com flores de ouro branco cravejado com diamantes. A escovação diária do cabelo levava horas! Fora isso, ela se pesava três vezes ao dia. Outra coisa interessante foi que ela proibiu pinturas e fotografias oficiais dela aos 30 anos, para criar uma imagem de beleza jovem eterna cultivada até hoje.

Sissi também viajou bastante. Ela passou anos viajando pela Europa, e além pela paixão pela Hungria, passou um bom tempo em Corfu, na Grécia, onde também se apaixonou.

A paixão pela Hungria era evidente. Sissi era uma presença constante na ópera de Budapeste e passava grande parte do seu tempo no palacete de Godollo, que já escrevi sobre aqui. Ela também criou laços políticos especiais com Gyula Andrássy, que acabou virando primeiro ministro da Hungria após o pacto que criaria a Áustria-Hungria. Ela serviria como ponte política entre ele e o imperador.

A saúde e vida pessoal da imperatriz começaram a desandar, e ela viajou e passou uma temporada na Ilha da Madeira para se recuperar de uma tuberculose. Após voltar à Áustria-Hungria, e ao casamento com o imperador, ela decidiu ter mais um filho, e ele ficaria sob os cuidados dela. A sogra Sophie morreu e o controle da vida dos filhos novamente seria de Sisi.

Os anos passaram e a tragédia abalou a família imperial de novo. O filho mais velho, Rudolf, que herdaria o trono, acabou se suicidando com a sua amante. Um ano depois, seu grande amigo Gyula Andrássy também morreu e após isso, ela se tornou extremamente depressiva, reclusa e só passou a usar preto. Suas incríveis viagens passaram a ser uma válvula de escape para a imperatriz.

Elisabeth recusava a presença de seguranças, e em 1898 um fanático italiano a assassinou em Genebra. Ele estava desesperado por atenção e procurou matar a primeira pessoa famosa pela frente. Ao descobrir que a Imperatriz da Áustria estava na cidade, ele a atacou com uma espécie de estilete e fugiu. Sisi estava fazendo compras com uma amiga e não havia percebido que estava ferida. Elas iriam até um encontro em um barco no Lago Genebra, onde começou a passar mal.

Isso se deu pelo fato de que os espartilhos de Sisi eram tão apertados que o ferimento no coração quase não sangrou. Ela morreria no dia seguinte.

O Imperador Francisco José ficou extremamente triste com a morte de Elisabeth e passou os anos seguintes tentando se aproximar do novo herdeiro do trono Austro-Húngaro, o seu sobrinho Francisco Ferdinando. Ele morreria em um atentado em Sarajevo a 1914, que acabou sendo um estopim para a Primeira Guerra Mundial. Em cartas para sua filha Gisela, ele admitiu que a morte de Ferdinando era um alívio para uma grande preocupação. O imperador morreria em 1916.

Essa história digna de romances de Hollywood é cativante para os austríacos e também para os húngaros. Para eles, Sissi é sua eterna imperatriz e sua figura é estampada em todos os cantos de Viena.

Chocolates, cartões postais, bolsas, canetas, cosméticos, livros e todo qualquer tipo de souvenir de Sissi são encontrados com facilidade em Viena e em Budapeste. Eu mesma comprei um kit de banho da Sissi numa caixinha em forma de coração (risos). Vários DVDs com a sua biografia e seus filmes estrelados por Romy Schneider dos anos 1950 também estão à venda.

Dois dos museus dedicados à Sissi se encontram no seu palácio de verão de Godollo, e um, mais conhecido e completo em Viena, no complexo Hofburg. O ticket do museu Sisi também dá direito à coleção de prataria dos Habsburgo e dos Kaiserappartments.

O museu Sisi é lindo e mostra com detalhes toda essa história que contei da Imperatriz. Ele fica aberto das 9 às 17:30 normalmente e contém audioguias que contam a história dos lugares pedaço por pedaço. Esse museu também possui objetos como diários, roupas, joias, sapatos, e a roupa que ela usava quando foi assassinada, junto de laudo médico e afins.

Fora isso, o museu é bem equipado com tecnologia e tem iluminação interessante. A entrada é um pouco mais de 10 euros e de certeza é uma visita obrigatória em Viena. Fora isso, não dá pra sair nem de Viena ou Budapeste sem algum souvenir da Sissi!

Um dia maluquinho em Moscou

Quando você vai fazer intercâmbio, pode contar que o que você vai mais trazer no seu destino são as histórias! Uma das mais engraçadas foi a minha ida de volta até Moscou!

Desde o início do meu intercâmbio, eu já estava sondando os outros trainees a irem viajar comigo depois que saíssemos de Saratov. Um dia, na casa de um brasileiro, estávamos discutindo sobre coisas que haviam em Moscou, e em outras cidades do Leste Europeu. Um dos brasileiros estava com uma camisa do Real Madrid e eu brinquei: quem sabe a gente não consegue assistir a algum jogo do Real por aí?

Esse brasileiro, o Pedro, entrou no site da UEFA, e olha a surpresa: o próximo jogo do Real seria contra o CSKA em Moscou, bem na época que pretendíamos viajar mesmo! Bingo! Vamos assistir então uma partida da Champions, e vamos nos programar pra ir!

Alguns dias depois, durante a festa do ano novo Chinês, que os chineses organizaram, o Pedro falou que tinha descoberto um site que entregava os ingressos da Champions na nossa casa, e logo, uma amiga russa, a Sasha, se intrometeu, e falou: “ah, existe uma excursão que sempre sai de Saratov para assistir aos jogos da Champions aqui na Rússia! Ano passado eu fui em uma, e foi bem legal!”

Logo pedimos pra Sasha conversar com essa pessoa que organizava essa excursão, para colocar os nossos nomes nessa lista. Passaram os dias, e na noite do dia 20 de fevereiro do ano passado, partiríamos a Moscou!

Nós iríamos pra Moscou, mas não voltaríamos a Saratov. Naquele dia, foi o primeiro dia de várias despedidas, onde tive que dar adeus à Tanya, minha host mother, o Sasha, o filho dela, e alguns outros amigos russos que fiz no meu X.

Foi bem chato me despedir deles. Eu realmente queria ter interagido mais com eles, e sinto que eu poderia ter feito muito mais coisas por eles, mas de qualquer maneira, a recepção que eu tive, foi incrível.

Enfim, três ônibus saíram de Saratov, e a Sasha quis sentar bem no final, e imagina, foi horrível pra mexer, e além do mais, passamos a viagem toda sem ventilação. Sorte a minha que eu sentei do lado da janela, onde eu sentia o frio natural vindo do lado de fora. (Risos!)

Foram 14 horas de viagem, e logo quando começamos a ver alguns resquícios de cidade grande, comecei a sentir um alívio, pois estava muito cansada, queria comer algo, e as minhas costas estavam doendo muito. :( Mas aí veio o maior desafio até então, se locomover em Moscou!

O problema foi que nós chegamos, e o ônibus estacionou nas redondezas do estádio, e a Sasha não conhece Moscou. Daí vem o problema: não sabíamos qual a estação de metrô mais próxima! Ela ficou perguntando de pessoas no caminho, informações, e ficamos rodando que nem barata tonta atrás de qualquer estação!

Mas tinha um pequeno agravante em toda essa situação. A minha mala fez o favor de quebrar quando eu estava saindo do meu apartamento em Saratov…

Justamente o meu puxador foi imprensado pela porta do elevador, e no meio da viagem, ela acabou caindo! :( Eu tive que dar um jeito de puxar aquela mala no meio da neve, e como sempre, mais ainda esse dia, fiquei pra trás!

Claro que eu recebi ajuda dos meninos, especialmente do Rhushabh, o indiano. Tadinho dele, ele criou uma engenhoca com um cachecol do CSKA que ele tinha comprado na ida, e foi puxando a minha mala. Mas mesmo assim, a mala estava bem difícil de puxar, então, imagina a cara de felicidade de todo mundo até encontrarmos uma estação de metrô!

Daí veio o segundo problema: nós não sabíamos em qual estação descer! O Pedro havia encontrado um hostel pra gente, mas tinha esquecido de ver a localização dele! A sorte que o nosso amigo indiano high-tech era o único com internet no celular (eu não tinha, pois a Katya achava internet no celular “desnecessária” e se recusava a me ajudar a por! Onde isso existe no meu mundo?!) e viu que ficava perto da Tsvetnoy Bulevar. A sorte que havia uma estação com esse nome (Risos x2). Partiu!

Então, a viagem de metrô foi super tranquila. Não sentimos qualquer dificuldade, e logo nos ambientamos com tudo. Mas aí o terceiro problema apareceu. Chegamos na estação, mas onde ficava esse hostel?!

Segundo a página desse hostel no hostelworld.com, para chegar lá, era meio confuso. Tinha que entrar numa ruelinha, subir uma escada, dobrar depois de um prédio rosa e pronto! Chegaria no hostel!

Essa tal ruelinha fica bem do lado da estação de metrô. Dobramos e seguimos em frente. No fim dela, havia uma escada. Ok. Andando mais pra frente, havia um prédio rosa. Ok. Havia uma abertura ao lado desse prédio rosa, e entramos. Era pro hostel estar lá! Cadê?! Fiquei procurando alguma placa, alguma coisa, e tcharam! Ali estava o hostel! Quase chorei de emoção! Não haveriam mais malas, nem falta de localização que nos impedissem de rodar em Moscou!

Depois de almoçar, ficamos de encontrar a Katya, o Kolya, e a Aline, três amigos, perto da praça vermelha, e iríamos juntos pro estádio. Nesse meio tempo, encontramos a Yasmin, uma outra brasileira do Rio que estava de passagem por Moscou, e estava indo embora hoje à noite. Nem parece, mas é ótimo encontrar brasileiros no exterior, especialmente na Rússia!

A Katya estava super nervosa. Ela tava bem chata nesse dia, na verdade. Segundo ela nós havíamos nos atrasado (eram 17h), e iríamos perder o jogo (!!!!!). Corremos pra pegar o metrô, e encontrar aqueles ônibus da excursão, para pegar os nossos ingressos.

Só que a Katya quis ir correndo ao encontro desses ônibus, literalmente. Eu não conseguia mais andar rápido, o meu coração tava palpitando muito, e logo senti os efeitos do sedentarismo no meu corpo. Ela quase estava me xingando, por não andar rápido! O jogo só começava às 21, eram ainda antes das 18, estávamos ao lado do estádio, e reclamando assim sobre tudo? Naquela hora eu tava feliz, pois era o meu último dia que eu ouviria uma reclamação vinda dela.

Pegamos os ingressos, e fomos pro estádio. A menina tava com tanta pressa, que não me deixou nem comprar água na parte de dentro do estádio (dentro! Já havíamos entrado com os ingressos) pois ela tinha medo que perdêssemos nossos lugares ali. Até parece que ela sabia tudo de futebol europeu. É só assistir a qualquer transmissão de futebol europeu, seja na Inglaterra, ou na Espanha, até na Rússia mesmo, que as pessoas só chegam mesmo nos momentos anteriores à partida. Vale ressaltar que ainda era 19:30 da noite.

Ingresso do jogo

Fiquei morrendo de raiva com essa inflexibilidade dela, e fui sozinha, no meio de um monte de marmanjos, comprar algo pra beber ali. Comprei um refrigerante e voltei. A menina não havia nem se tocado que era muito mais perigoso eu ter descido até lá, sozinha, estrangeira, e pior, com cara e sotaque de espanhola ir comprar algo pra beber do que ela ter simplesmente esperado cinco minutos e “perder o lugar” que sinceramente, ficaria vago sempre.

Não escondi a chateação com ela, mas ao mesmo tempo quis relaxar e aproveitar o momento. Me juntei com os meninos, e fui curtir o jogo!

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Estádio de Lujniki! :)

Então, foi muito bom ouvir a música tema dos jogos da Champions ali, na minha frente, junto às pessoas mexendo aquela bandeira em forma de bola de futebol estrelada no meio do campo! Também foi ótimo ver o Cristiano Ronaldo, o Kaká, o Mourinho pequenininhos, mas bem ali perto de mim! Hehe.

Mas ali aconteceu um fato meio tenso, que marca um pouco o racismo que alguns grupos de pessoas ainda cometem na Rússia. A UEFA é contra o racismo, e sempre prega isso nos estádios, e nesse jogo não foi diferente. Antes do jogo começar, anúncios em russo e em espanhol foram feitos, anunciando que os torcedores respeitassem as diferenças e que a UEFA é contra o racismo. A parte em espanhol, dos visitantes, foi falada antes, e depois em russo. Quando a parte em russo foi falada, um pessoal da nossa excursão, que estava perto de nós, começou a cantar uh uh uh uh uh, meio que imitando macacos. Isso foi ridículo, e outras pessoas perto de nós começaram a vaiar.

Vale lembrar que alguns minutos antes, uma pessoa, provavelmente desse grupinho sem noção, pediu do Kolya que ele saísse de perto deles, pois a presença dos “amigos” dele os estava incomodando. Como não queríamos briga, nos afastamos um pouco, e ficamos tranquilos até o fim do jogo. Para as minhas amigas e eu, não havia muito problema, pois as meninas eram russas, e eu sou branquinha, com aparência europeia (inclusive perdi as contas das vezes que fui confundida com russas!). Mas para os outros intercambistas, era mais evidente essas diferenças físicas entre os russos. O Rhushabh é indiano, e com cara bem indiana; o Pedro, o brasileiro, é negro; e o Márcio, outro brasileiro, tem uma aparência meio árabe.

Mesmo assim, independente das diferenças, quem se mostrou ser “retrógrado e inferior” foi esse grupo. Estávamos ali justamente com o intuito de abrir a sociedade, colocando aspectos culturais internacionais, para a agregação de valores junto a eles. Espero que um dia, eles cresçam e tenham uma consciência mais aberta do mundo que eles vivem.

Enfim, o CR7 marcou pro Real, e o CSKA empatou no final. Foi um empate com gosto de vitória, e isso foi um incrível motivo de orgulho para o torcedor. Essa felicidade se mostrou evidente no caminho pra casa! O metrô ficou lotado de pessoas gritando: “THÊÉSCAÁ, THÊÉSCAÁ” (CSKA em russo, hihi), super orgulhosas e mostrando suas camisas e seus cachecóis do time.

Metrô Sportivnaya lotado com torcedores felizes do CSKA!

Metrô Sportivnaya lotado com torcedores felizes do CSKA!

Pra completar aquele dia, eu tive que me despedir da Katya, da Alina e do Kolya, que estavam voltando para Saratov logo depois do jogo. A Katya com certeza, apesar dos estresses, foi a pessoa que mais me ajudou no meu intercâmbio, e não sei como exprimir minha eterna gratidão por ela. O Kolya e a Alina sempre estiveram presentes, e também aprendi muito com eles. Foi uma despedida sem sal, mas triste na estação de metrô, e marcada por um dia ruim entre nós, mas nada que apague o grande carinho e admiração que tenho por essas pessoas.