Como visitar os pontos de interesse em Moscou de metrô?

Olá, pessoal! Baseado nesse post aqui sobre Paris e este outro sobre Budapeste, vou falar para vocês qual é a melhor estação de metrô para visitar alguns lugares interessantes na capital russa. Também já contei um pouco sobre a história do metrô mais bonito do mundo na minha opinião (link abaixo), e desde já adianto que se locomover neste transporte público em Moscou é muito fácil, prazeroso, e até interessante, já que ele parece uma obra de arte.

Você pode gostar também: Você pode me encontrar dentro do metrô

1.Região da Praça Vermelha

Estação interessante: Teatralnaya (Театральная) – Linha 2 (verde)

O lugar mais icônico de Moscou (e talvez de toda a Rússia) se localiza bem no centro da capital. A partir de lá, a cidade cresceu e se desenvolveu, e por causa disso, muitos lugares importantes da cidade se localizam em seu entorno, como a Catedral de São Basílio, o Kremlin, o GUM, o Teatro Bolshoi e muitas outras coisas.

Uma série de estações de metrô se localizam ao redor da Praça Vermelha, mas na minha opinião, a Teatralnaya é a que se encontra em melhor posição. De lá, é possível explorar essa região e arredores. Mas se você quiser conhecer partes específicas dos arredores, como por exemplo só o Kremlin, existem estações mais específicas.

St Basil’s

2. Kremlin e museu do Exército

Estação interessante: Okhotny Ryad (Охотный Ряд) – Linhas 1 e 2 (vermelha e verde)

A Okhotny Ryad é uma estação que fica bem mais próxima à entrada do Kremlin, e confesso que era a que eu usava mais. A saída do metrô fica bem mais próxima do guichê que vende os ingressos para conhecer o que existe por dentro da muralha vermelha, assim como o museu do Exército, que gostei muito.

Também existe um shopping com esse mesmo nome com ótimas lojas e restaurantes. Os preços não são tão altos como no GUM, e dá para fazer boas compras ali. Outra estação da linha vermelha perto dali é a Biblioteka Imeni Lenina (Библиотека имени Ленина), que pelo nome já dá para perceber quem ela homenageia. Enfim, é também possível descer ali, mas a “pernada” é um pouco maior.

Caminhos do parque de Alexandre, atrás do Kremlin

3. Rua Arbat

Estação interessante: Smolenskaya (Смоленская) – Linha 3 (azul escuro)

A rua Arbat é uma das mais conhecidas de Moscou devido à grande quantidade de lojas, bares e restaurantes. Ela é bem extensa e gostosa de caminhar, e inclusive já fiz um post sobre ela aqui.

Existem duas estações de metrô da mesma linha que são interessantes para se chegar à rua Arbat: a Arbatskaya (Арбатская) e a Smolenskaya, que citei acima. Eu prefiro a Smolenskaya pelo fato de que faz mais sentido chegar por ela. A estação fica bem num dos inícios da rua e se você seguir direto, vai parar adivinha onde? Na praça vermelha, onde todas as ruas convergem em Moscou, haha.

Acho mais confuso chegar pela Arbatskaya, pelo menos eu sempre me confundia! Ela não fica exatamente na rua Arbat nem na Novy Arbat, enquanto você já sai direto na rua de interesse se você escolher chegar na estação Smolenskaya.

Rua Arbat

4. Teatro Bolshoi

Estações interessantes: Lubyanka (Лубянка) – Linhas 1 e 7 (vermelha e roxa) ou Teatralnaya (Театральная) – Linha 2 (verde)

O Teatro Bolshoi fica bem perto de você já sabe onde (Praça Vermelha, óbvio, hehe), mas existem outras opções de chegada além da estação Teatralnaya (que leva esse nome por causa do Teatro Bolshoi).

A estação Lubyanka fica em igual distância da Teatralnaya, e ali também existe a oportunidade de ver o antigo prédio da sede da KGB, a polícia secreta soviética, que também se chama Lubyanka.

Placa indicativa próxima ao Teatro Bolshoi

5. Estádio Luzhniki

Estação interessante: Sportivnaya (Спортивная) – Linha 1 (vermelha)

Quando eu visitei Moscou, meu smartphone era tão ruim que ainda não tinha acesso a mapas. Então quando nosso ônibus nos deixou em frente ao estádio Luzhniki, tivemos que procurar a pé e carregando malas (inclusive uma quebrada) por vários lugares até encontrar uma estação.

Acabamos descendo no Park Kultury, cuja caminhada até lá foi beeeeeem grande, cansativa e desnecessária, já que existe uma estação bem na frente (!!!!!!!) do estádio e não vimos. Fazer o quê, vida que segue.

Lembrando aqui que o estádio Luzhniki será o palco mais importante da copa do mundo do ano que vem! Então não caia no mesmo erro que eu e chegue e saia pela Sportivnaya, hehe.

6. Parque Gorky

Estação interessante: Park Kultury (Парк культуры) – Linha 5 (marrom)

O último ponto de interesse dessa lista é o Parque Gorky, e para chegar lá, recomendo chegar pela estação que utilizei para sair do estádio, ou seja, a Park Kultury. Confesso que a caminhada para chegar no Parque Gorky é meio comprida, mas não existe outra estação tão próxima quanto esta.

Saindo de lá, ainda é necessário atravessar uma ponte que cruza o rio Moscou, o que pode garantir lindas fotos. Para os que preferirem chegar do outro lado, pode descer também na estação Oktyabrskaya (Октябрьская).

 

Enfim, esses foram alguns lugares que selecionei para quem tem interesse em conhecer uma parte de Moscou por metrô. A cidade é muito grande e existem muitas outras estações: algumas linhas nem citei por serem mais residenciais ou não terem muito apelo para o turismo. Mas lembre-se que na dúvida, sempre tenha um mapa em mãos! ;)

 

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7 fotos e 7 histórias

Uma das características mais marcantes do ser humano em tempos mais atuais é a de eternizar momentos através de fotos. A história recente é cheia de vários casos em que fotos retratam sentimentos diversos, especialmente em momentos mais marcantes.

O viajante e o turista comuns também gostam de retratar esses momentos com câmeras. Uma forma de lembrar para sempre (ou pelo menos por um bom tempo) aquele lugar incrível, aquela comida maravilhosa, aquele artista de rua talentoso e também os famosos “aha-moments”, que são aqueles momentos de descoberta instantâneos, que muitas vezes te fazem cair o queixo.

Aqui separei 7 fotos minhas e suas histórias. O post será longo, e terei o maior prazer de escrever, assim como espero que vocês tenham o mesmo sentimento lendo.

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Foto 1: Satisfação na subida
Onde: Bastião dos pescadores, Budapeste, Hungria.
Quando: 14 de abril de 2013.

Aqui no Camilla Pelo Mundo eu destaquei bastante a minha experiência na Hungria, que de fato foi incrível e inesquecível. Porém eu nunca postei essa foto, apesar de ter falado um pouco sobre a história dela nesse post.

Era o meu primeiro dia em Budahome, um domingo ensolarado. Combinei de encontrar com a minha roomate em Margaret Island, onde ela estaria num piquenique com outros intercambistas. Eu teria que ir comprar meu chip de celular e o meu passe de ônibus e não poderia ir com ela, mas eu prometi que eu iria até lá depois.

Essa Margaret Island é aquela ilhazinha ali ao fundo cheia de árvores, no meio do Danúbio. Escrevi sobre ela aqui. Então, depois de caminhar bastante e morrendo de medo de me perder, acabei a encontrando numa rodinha de pessoas, todas rindo e felizes, contando suas histórias de seus países, tirando fotos, e claro, comendo.

Em 30 minutos parecia que eu já os conhecia há vários dias e estávamos em sintonia. Juro que me senti muito bem, e feliz. Até então, com um dia de estadia, a minha viagem para BP tinha valido a pena.

Então alguém, no fim da tarde, sugeriu que fossemos ao Castelo de Buda, já que algumas pessoas ainda não tinham ido até lá. Acabamos pegando o tram até o “sopé” do Castelo e subimos tudo a pé. O meu condicionamento físico era (e é) péssimo, e como eu ainda não estava ainda adaptada com o clima nem nada, aquela subida foi horrível. Aquele castelo tinha que ser bom!

Era domingo e o Castle Hill não estava tão cheio assim. Meio que por causa disso, chegamos e conseguimos conhecer muito dali. Então paramos no Fisherman’s Bastion, que é uma espécie de vista point da cidade, e a minha reação ao olhar tudo aquilo sob o pôr-do-sol foi incrível! Eu jamais havia me emocionado tanto com uma paisagem!

Meses antes eu jamais imaginava que eu poderia estar ali! Depois de sofrer um acidente feio no pé e ter deixado o trabalho para viver essa aventura, subir aquilo tudo e se deparar naquele lugar lindo cheio de gente ao redor, mas no fundo sozinha já foi uma vitória! Queria eu poder compartilhar aquela imagem e a sensação com a minha família, especialmente.

O máximo que eu pude foi tirar uma foto, que ajuda a expressar no mínimo a compreender como foi esse momento. A cara cansada e os óculos parecem ocultar, mas nunca estive tão feliz em ~apenas~ observar paisagens.

 

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Foto 2: Primeira vez.
Onde: Praça Vermelha, Moscou, Rússia
Quando: 7 de janeiro de 2012.

Ah, a minha aventura na Rússia <3. Sempre sonhei em conhecer esse país, mas não sabia como. Felizmente eu conheci o intercâmbio pela AIESEC onde a mãe Rússia é um dos principais suppliers, sempre recebendo gente. Quando fiz intercâmbio pela primeira vez, no fundo sabia que ali que era o lugar, o meu destino!

Pela AIESEC mesmo, acabei conhecendo um menino do escritório de Moscou, que queria dar “match” em outro intercambista (quando eu ainda nem pensava em viajar) e acabei mantendo contato com ele. Assim que decidi o meu destino no interior da Rússia, o contatei pedindo ajuda, já que eu chegaria em Moscou de noite e num feriado. Super solícito, ele disse que ia me buscar no aeroporto e me ajudaria a comprar a passagem de trem para Saratov.

Dito e feito e ele foi me buscar! Uma pessoa incrível e me ajudou em todos os momentos. Correu pra pegar o Aeroexpress comigo, me ajudou a comprar passagens e trocar dinheiro, e ainda me levou no Mc Donald’s pra comer, haha. E ainda por cima, foi o meu guia de turismo na Praça Vermelha.

Então, eu sou do Norte e mesmo tendo viajado para o exterior antes, eu nunca havia visto neve. Nunca! Naquele dia, as temperaturas na capital russa beiravam os 2, 3 graus positivos, mas nada de neve, apesar da umidade. Naquele momento eu percebi uma coisa que já me deixou muito chateada: a minha câmera não tirava fotos boas à noite por causa do frio. Prontamente o meu amigo me ajudou e tirou a câmera dele da mochila e começou a tirar minhas fotos, haha.

Nesse meio tempo, eu acabei vendo um montinho na neve. Me emocionei tanto e perguntei se aquilo era neve mesmo! Ele disse que sim (claro, né), por que havia nevado alguns dias antes e haviam colocado toda a neve da praça naquele cantinho. A caboclinha orgulhosa da Amazônia foi lá e se jogou no monte de neve, toda feliz! Sentei, me deitei, e o meu amigo rindo de mim tirando fotos.

O detalhe é que no fundo da foto, vemos o GUM, que é o shopping mais caro de Moscou e um dos mais requintados do mundo. Os oligarcas bilionários vivem fazendo compras lá. Se algum ricaço ou qualquer outra pessoa achou estranho essa pessoa aqui feliz no monte de neve, tanto faz, tanto fez. O importante foi que eu literalmente “me joguei” nessa aventura.

 

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Foto 3: Vista para a eternidade
Onde: Cemitério, Sotaquirá, Colômbia.
Quando: Algum dia de janeiro de 2003.

Apresento-vos o Vale de Sotaquirá, terra do meu avô. A Colômbia ainda é uma incógnita para muitos brasileiros, e mesmo assim, muitos vão saber um pouquinho mais sobre Bogotá e Cartagena. Essa região é a Andina no departamento de Boyacá e cresci com histórias sobre fazendas, vales lindos, montanhas e tudo mais, tudo vindo das memórias do meu avô.

Não era a minha primeira visita a Sota, mas foi a primeira com uma câmera digital. A qualidade da foto não está boa, por causa da tecnologia da época, mas fiz questão de pegar a câmera emprestada da minha prima para tirar essa foto.

Nesse cemitério estão enterrados o meu bisavô e alguns parentes. Olhando um pouco mais fundo, é possível perceber que esse cemitério fica numa colina, e é preciso uma boa pernada para subir. O choque vem na hora da descida, quando você se depara para o vale e as montanhas no fundo.

Aquela vista foi tão marcante pra mim, que desde então eu penso em como aquelas pessoas que estão enterradas ali são privilegiadas. Literalmente elas estão “descansando em paz”.

Passei 9 anos sem viajar para a Colômbia e quando voltei, não só recriei essa foto, mas também tirei várias outras, e o clima de paz ainda persiste! Sotaquirá é uma cidade bem pequena, na verdade um povoado, que passou muito tempo esquecido no seu clima bucólico. Hoje muitas coisas já chegaram por lá, como internet no meio das fazendas e até um hotel, coisa inexistente em 2003. Mesmo assim, algumas coisas nunca mudam, e o vale continua do mesmo jeito, deixando a vista do cemitério tão bonita quanto foi em épocas passadas. Não me importaria de ser enterrada ali.

 

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Foto 4: Gabi e as pombinhas
Onde: Piazza San Marco, Veneza, Itália.
Quando: 19 de agosto de 2010.

A foto não está muito bem “tirada” (créditos para a excelente fotógrafa, na época), mas marca uma viagem muito especial que eu fiz pra Europa com a minha família. A Bi era pequenininha ainda e ficou empolgada com as pombinhas da Piazza San Marco, que já se acostumaram com os turistas e ficam rodeando a todos.

Ela mal sabia falar e durante a viagem aprendeu a falar “pombinha”. Diferente de outras crianças, ela se empolgou com os passarinhos (mesmo sendo pombas, pq né) e se divertiu correndo atrás delas. Esse dia também tem outra foto marcante dela, “brigando” comigo, com uma carinha brava e um dedinho, meio que se estivesse apontando, mas não vem ao caso agora.

Esse dia também foi marcante pelo fato de Veneza ter se tornado uma surpresa pra mim. Eu não queria ir para lá de jeito nenhum e aquele dia quente aparentemente estaria confirmando minhas expectativas, mas não. Aquele mundaréu de turistas não tinha conseguido esconder a beleza que tinha feito dessa cidade o grande destino que é.

Momentos depois, fomos passear no Grand Canal, e no passeio de gôndolas estava incluso uma apresentação com um cantor e um sanfoneiro. Aquele foi o cartão de visitas: ~você está na Itália~. Lembram do a-ha moment? Esse com certeza foi um.

 

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Foto 5: Observando Monterey
Onde: Monterey, Califórnia, Estados Unidos.
Quando: 3 de maio de 2014.

A Costa da Califórnia é linda demais! Monterey, Carmel by-the-sea e o Big Sur oferecem vistas sensacionais! Após um dia na estrada com lindas vistas, paramos numa cidadezinha chamada Monterey, que ainda conserva muito da história colonial da Califórnia, lembrando que esta cidade foi a primeira capital do estado.

Um dos principais lugares da cidade é a Cannery Row, que é uma rua que preserva muitos aspectos da arquitetura colonial, além de possuir várias lojas e restaurantes bons. Ali também dá pra ver a majestosa vista de Monterey Bay, com direito a uma pequena praia, mirantes e afins. Ninguém estava nadando ou surfando ali, mas tinha muita gente brincando na areia, um fim de tarde qualquer.

Nessa hora, uma banda estava tocando uma espécie de música peruana, bem agradável. Tinha também um ventinho bom, crianças correndo e pessoas tirando fotos. Me apaixonei pela vista e comecei a tirar fotos. Fotos da bandeira da Califórnia, da rua em movimento, das pessoas na praia, e eu encontro essa por acaso.

Fico imaginando o que esse rapaz estaria pensando. Seja o quer que fosse, esse lugar seria o ideal para escapar da vida e pensar um pouco. Pensar é bom. Nos leva a refletir sobre aspectos da vida que estão dando errado, o que podemos fazer para acertar, e também nos ajuda a estabelecer planos e metas.

Se eu estivesse no lugar desse homem, eu sairia satisfeita dali qualquer fosse o meu pensamento. Talvez o Oceano Pacífico pudesse me dar a resposta.

 

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Foto 6: Uma forma de libertação
Onde: Lennon Wall, Praga, República Tcheca.
Quando: 4 de maio de 2013.

Fui pra Praga com a minha roomate e ela queria muito ir ver essa Lennon Wall. Honestamente eu pensava que essa parede era só um muro todo pichado por uns jovens comuns, e não sabia o por quê dela querer visitar esse muro e não gastar nosso tempo vendo outros lugares interessantíssimos de Praga.

Alguns momentos depois a ficha caiu. Outro a-ha moment me deu um insight importante, já que eu me considero tão sabida em história assim. Nos anos 80, essa parede comum começou a ser pintada por pessoas comuns com frases de músicas dos Beatles e citações de John Lennon.

Com o passar dos anos, esses dizeres começaram a “evoluir” para críticas ao regime comunista da Tchecoslováquia. O muro chegou a ser pintado algumas vezes, mas logo depois, novas frases sobre amor e paz já estavam escritas, junto com flores.

Esse muro passou a realizar um ideal muito mais profundo, mas que qualquer pessoa pode associar. A tão “proibida” liberdade de expressão do regime comunista foi desafiada com frases de amor numa parede. Aquelas pessoas que só queriam paz estavam conseguindo meios de se expressar de uma maneira muito simples, mas na época, polêmica: escrevendo.

Não é a toa que muitos jovens tiram fotos na Lennon Wall. Geralmente somos nós os que estão associados à vontade de mudança, e da difusão do amor e da paz no mundo, por mais utópicos que esses sentimentos sejam. E por mais simples que uma atitude como escrever possa parecer simples, esses jovens estavam desafiando algo muito mais complexo. De uma maneira ou outra, eles conseguiram o que queriam.

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Foto 7: Vá até onde der
Onde: Museu Albertina, Viena, Áustria.
Quando: 28 de dezembro de 2012.

Então, eu estou de muletas na foto, e o motivo é simples. Eu sofri um acidente na Alemanha e não gostaria de contar os detalhes aqui, e acabei ficando o resto da viagem de muletas e com o meu pé todo machucado. O mais plausível seria voltar pra casa e deixar essa viagem para lá.

Mas não, eu quis seguir com essa viagem até o fim! Era algo muito planejado e desejado por mim e a minha mãe, e eu ia conseguir andar o máximo que pudesse. Desistir não estava nos planos.

Essa bota rosa era bem fofinha e acabou não prejudicando o meu pé, mas ela não era impermeável, o que me deu muito frio no inverno chuvoso de Viena (como dá para se ver na foto). Acabei pensando: “Esse frio vai servir como uma compressa de gelo nos meus pés”, e fui, com frio e com dor.

Acabei andando o centro de Viena num dia, e fui pra Schönbrunn no outro. Subi desde o palácio até a Gloriette sem reclamar, e chegar ao alto, foi uma vitória por si só. Voltei pra Munique e continuei andando, e assim segui até chegar em casa. E assim ganhei novas histórias para contar, algumas até aqui no site.

Essa foto mostra o quanto eu me “deixei levar”. Estava ali e iria aproveitar de qualquer maneira, entendeu? ;) Absolutamente nada podia me derrubar, e desistir, em qualquer instância, não está nos meus planos.

 

 

Na Rússia eu…

Na Rússia eu…

…fiz um anjo de neve no chão fofinho;

…bebi chá pela primeira vez na minha vida;

…presenciei os primeiros momentos da vida de filhotinhos de cabra;

…vi o céu estrelado mais bonito de toda a minha vida;

Limpando cabrinhas recém-nascidas

Limpando cabrinhas recém-nascidas

…não senti frio mesmo com uma temperatura de -30 graus;

…me acostumei a subir 5 andares de escada só para falar com meus amigos;

…escorreguei no gelo e caí de nuca no chão;

…sempre tinha o meu cabelo volumoso, que nem a crista de um leão;

…pela primeira vez peguei um ônibus lotado;

Middle of nowhere

Middle of nowhere

…passei madrugadas em claro jogando Dota, só para socializar;

…dividi uma cabine de trem com três homens que nunca havia visto;

…atolava o meu pé constantemente andando na neve;

…cozinhei o brigadeiro mais gostoso da minha vida;

…e fiz o pior café que pude imaginar;

Pose na neve!

Pose na neve!

…conheci um senhor no ônibus que lutou na guerra do Afeganistão em 1979;

…me perdi quando parei na estação de ônibus errada;

…percebi que ninguém sabia o que era “Doritos”;

…passei um fim de semana num vilarejo no meio do nada;

…descobri que tudo é muito barato;

Matrioskas

Matrioskas

…cozinhei salsicha no microondas, e até que ficou gostoso;

…fiz uma “rosquinha” com a fumaça do vento frio;

…aprendi a fazer sushi, e o apresentei como uma comida brasileira;

…me acostumei com a quantidade de estátuas do Lênin nas praças das cidades;

Alguns dos meus tickets de ônibus

…patinei no gelo, e foi terrível;

…almoçava McDonald’s quase todo dia, e achava uma delícia;

…assisti um jogo da Champions League no estádio, e pedi pra minha mãe tentar me ver na televisão;

…ganhei uma família russa;

…descobri que a neve tem cheiro;

Euzinha, no primeiro dia na Rússia!

Euzinha, no primeiro dia na Rússia!

…subi no telhado de um prédio;

…comi um sanduíche de 30 centímetros, e não sei como;

…assisti um comício do Partido Comunista, e me senti de volta no tempo;

…saí do metrô e emergi no meio de um protesto contra o governo;

…realizei um grande sonho ao conhecer esse lugar incrível.

 

Esse foi um pequeno texto que escrevi no avião, saindo de Moscou. Acabei o encontrando por acaso numa agenda antiga.

Aquela aguinha russa

Simples assim. Mas a “aguinha” que eu falo não é a água de fato, e sim a tradicionalíssima vodka (para ser vodka mesmo, tem que ser russa!!). Eu fiz essa analogia devido ao significado ao pé da letra da palavra vodka, que realmente significa “aguinha” (voda significa água, e vodka seria um diminutivo da palavra).

Mas enfim, a vodka é uma bebida destilada produzida a partir de água, trigo e centeio com origens no leste europeu, mas altamente considerada na Rússia como bebida nacional. E quando eu falo que a vodka é a bebida nacional russa, eu realmente digo que ela é bem mais do que isso, chegando a ser um dos símbolos nacionais mais conhecidos de lá! Afinal de contas, quando se fala na Rússia, muitos pensam logo em vodka, certo?!

Meus amigos russos gostam de tomar a vodka bem gelada, e tomar sem nenhuma outra bebida misturada. Vodka para eles é simplesmente pura, esqueça o energético e alguns cocktails. No inverno, é muito comum ver gente que além de beber muita vodka, gostam de fumar também. Dizem eles que essa mistura “esquenta” o corpo. Mas fato mesmo é que a vodka pura é consumida em países de clima um pouquinho mais gelado realmente.

A questão é que eu fui pra Rússia e não consegui sequer tomar um shot de vodka. Eu sou fraca para bebidas e não conseguia tomar a vodka simplesmente pura, como eles costumam fazer por lá. Porém, minha consciência está limpa, sabendo que pelo menos eu tentei virar um shot. :)

E ali em cima eu falei que vodka de verdade tem que ser russa! Na verdade, quando você sabe que a bebida foi destilada e engarrafada na Rússia, a certeza é que a bebida é de qualidade!

Sobre preços, obviamente existem bebidas de todos os gostos (isso não posso comentar, infelizmente) e bolsos! Boas vodkas são encontradas em mercadinhos, supermercados e em lojas especializadas em bebidas. Em Moscou, perto do meu hostel na Tsvetsnoy Bulvar existia uma loja muito boa que vendia umas vodkas bem exclusivas. Um amigo comprou várias para levar pra casa, e depois me arrependi de não ter comprado para revender por aqui. :(

E para finalizar, uma curiosidade é que a cerveja na Rússia não é nada gostosa. Eles servem a cerveja a temperatura ambiente, o que deixa o gosto aguado, nada bom.

Mas enfim, se você bebe e quer aproveitar ao máximo da Rússia, ir até o supermercado e comprar algumas vodkas não é uma má ideia.

Airport review: Aeroport Sheremetyevo (SVO)

O aeroporto de Sheremetyevo é um dos três principais de Moscou junto com os aeroportos Domodedovo e Vnukovo, sendo dos três, o mais conhecido. Durante a época soviética até os meados dos anos 2000, o SVO era o aeroporto mais movimentado da Rússia, mas após grandes reformas e adaptações feitas em Domodedovo, a maior parte das operações passou para o aeroporto ao sul de Moscou.

Mesmo assim cheguei e saí de Moscou via Sheremetyevo. Na ida, eu peguei um A321 da Aeroflot que havia partido de Amsterdam no início da tarde, e que chegou na capital russa no início da noite. Um voo tranquilo, sem atrasos, mas com aeromoças bem mal humoradas que quase nem falavam russo.

A volta foi igualmente organizada, mas dessa vez iria num Boeing 737 da Turkish em direção a Istambul. Na época, a Turkish ainda operava em SVO, mas já estava de mudança certa para operar no aeroporto Vnukovo apenas uns dois meses depois.

De qualquer maneira, venho dar dicas sobre o aeroporto de Sheremetyevo! O número de brasileiros que chegam à Rússia é crescente, e eu mesma pretendo voltar logo para lá. :)

Aeroporto Sheremetyevo

Aeroporto Sheremetyevo

Conexão direta com o Brasil? 

Já teve. A Aeroflot teve por um tempo um voo GRU-SVO com escala na Tunísia, mas parou após um tempo. Sempre existem boatos que indicam que alguma companhia voltará a pedir esse trajeto, mas até agora nada é oficial.

Como ir até o centro? 

Sair de Sheremetyevo com direção ao centro de Moscou é super fácil via Aeroexpress, que é uma rede de trens que sai dos três maiores aeroportos de Moscou em direção a três estações de metrô da cidade. No caso do Sheremetyevo, a viagem até o centro dura uns 40 minutos, a uma taxa de 320 rublos (cerca de 30 reais) e tem como destino a estação de metrô Belorussky.

Alimentação: 

o terminal do Aeroexpress (coladinho ao terminal F do Sheremetyevo) é cheio de opções de alimentação, diferentemente do próprio aeroporto em si. A área de embarque do aeroporto ainda estava meio pobre, por estar em reforma. Só havia um restaurante que estava funcionando, e de comida natural ainda.

Wifi: 

O Wifi é grátis e sem limite de tempo em Sheremetyevo! A qualidade é muito boa também, não deixando nada a desejar para qualquer serviço pago!

Tomadas: 

Antes da área de embarque, elas eram poucas e extremamente disputadas! É bom rodar um pouco para achar uma tomada alternativa. Depois de imigração e check in, é mais fácil de achar tomadas livres.

Duty Free: 

O Duty Free do Sheremetyevo é muito bom! Ele é amplo e cheio de artigos a preços justos.

Dormir no aeroporto: 

Como o meu voo saía lá pelas 6 da manhã, eu não teria tempo útil de sair de madrugada para pegar o Aeroexpress e chegar no aeroporto. Preferi ir pra lá de noite e tentar dormir ali mesmo. Existem muitas pessoas que passam pela mesma situação, mas nenhum tipo de cama é disponibilizada. Ali é super tranquilo e com wifi, o tempo passa mais rápido. Acabei nem dormindo, mas estava na companhia de um amigo e acabei conversando pela noite toda.

Check in e imigração: 

Assim que cheguei lá pela meia noite, o check in da Turkish já estava aberto, e não tinha ninguém na fila. Pelo horário que entramos na imigração e raio-x (umas 4 da manhã), haviam poucas pessoas ainda. Os oficiais da imigração foram super cordiais e até deram alguns sorrisos!

E durante o inverno? 

Quando o avião decolou, estava nevando forte. Aparentemente o único “desconforto” foi o fato da decolagem ser adiada por uns 5 minutos devido ao defrost da aeronave. Esse procedimento é normal em temperaturas baixas e quando é o primeiro voo do dia da aeronave.

Falar esses detalhes de Sheremetyevo só me fizeram lembrar dos meus dias na Rússia! Essa nostalgia tocou meu coração! Será que planejo uma nova viagem para a Rússia, hein?!

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A avenida boêmia de Moscou

Moscou é uma cidade cara, cosmopolita, bonita e cheia de coisas pra fazer na noite e em happy hours. Muitos lugares são conhecidos pelos turistas e o principal deles da cidade é a Arbat ulitsa (ulitsa significa rua em russo).

A rua Arbat é uma rua exclusiva para pedestres de cerca de 1km de extensão cheia de barzinhos, restaurantes, lojas de souvenirs, artistas de rua e tudo que incita a vida boêmia. Existem relatos dessa rua desde o século XV, a tornando uma das ruas mais antigas de Moscou.

A avenida é cheia de turistas e alguns moradores buscando opções de entretenimento. Ali perto, quase paralela à ulitsa Arbat, existe também a Novi Arbat, uma avenida cheia de restaurantes e nightclubs caros, onde alguns ricaços passam o tempo.

Arbat ul. em Moscou

Arbat ul. em Moscou

Como chegar até à ulitsa Arbat? Recomendo parar na estação do metrô Smolenskaya (linha azul) e seguir andando direto até a Praça Vermelha. Também é possível chegar lá através da estação de metrô Arbatskaya, mas é necessário atravessar a rua via Arbatskaya ploschadii.

Que tipos de restaurantes existem por lá? A Arbat ul. tem diversas opções de restaurantes. Dentre os fast foods, é possível comer no Mc Donald’s e na Wendy’s (primeira vez que vi uma filial fora dos EUA, particularmente), Dunkin’ Donuts e outros. O Hard Rock Café também tem sua filial em Moscou ali, bem pertinho da estação Smolenskaya. De restaurante russo, recomendo o Mu Mu (My My em russo), que é uma espécie de churrascaria. E por falar em churrascaria, achei uma “Brazilian Steakhouse” por lá!

Souvenirs ali são baratos? A Arbat possui lojas com artigos caros e baratos, e nada que uma simples pesquisa de preços pelas lojas dali não ajudem. Os vendedores dificilmente falam ingles, e pechinchas só são feitas com russo.

Consigo achar artigos antigos? Sim, mas é necessário ter cuidado com isso. A Rússia proíbe que artigos de arte bem antigos saiam do país, então é necessário perguntar do vendedor se o artigo é antigo ou não. Eles já são prevenidos quanto a isso e sempre fazem um bom negócio.

Que tipos de artistas de rua a Arbat ul. possui? Ali existem muitos que vendem suas pinturas a oleo, assim como pessoas que fazem caricaturas, músicos como violinistas, sanfoneiros e muitos violões.

Existem museus na área? Sim, e um dos mais famosos, que é a casa do Alexandr Pushkin, aberta para visitação.

E sobre nightlife? Existem muitos pubs pela região. Muitos são do mesmo estilo: vendendo vodka e cerveja barata. É bom ver qual o tipo de estrutura que agrada mais.

Segurança? Com a presence de turistas, é até “comum” a presença de batedores de carteiras por ali. Moscou é uma cidade relativamente segura, mas nada que bons hábitos de segurança levados daqui do Brasil não ajudem.

Como é difícil dizer adeus!

No post anterior, eu tentei escrever brevemente sobre o meu primeiro dia em Moscou, a minha mala quebrada, o jogo da Champions, e o meu aborrecimento com a Katya.

As primeiras pessoas que me despedi na Rússia, foram as pessoas que ficaram em Saratov, e não foram pra Moscou, como a minha host family, e alguns amigos que fiz, e vi na minha festa de despedida no bar soviético, na principal avenida da cidade.

A segunda despedida aconteceu logo após o jogo da Champions. Me despedi da Katya, do Kolya e da Alina ali no metrô mesmo. A Katya ainda estava super nervosa, com medo de perder o ônibus de volta pra casa, e só deu um tchau rápido, e logo quando o trem chegou, eles foram embora. Mais cedo naquele dia, também nos despedimos da Yasmin, que era aquela brasileira que conhecemos lá em Moscou, já que ela já ia pegar o voo de volta pro Brasil na manhã cedo seguinte.

Naquele momento, ficamos no hostel, eu, o Pedro, o Marcio e o Rhushabh, e a Sasha na casa de um amigo, mas todos os dias nos encontrávamos pela cidade, onde passeávamos, íamos fazer compras, conhecendo museus e outras coisas.

Alguns dias após o jogo, o Márcio partiu pra Praga numa manhã bem cedo. Eu até ia com ele, mas pelo site de passagens não ser muito confiável, a compra da minha passagem foi bloqueada pelo cartão, e fiquei em Moscou mesmo. A partir de então, ficamos nós três, e a Sasha.

No dia seguinte, a Sasha teria que voltar pra Saratov de trem. Como ela estava dormindo na casa de um amigo, nós combinamos de nos encontrar em um determinado ponto, mas chegar até lá foi meio complicado. Eu, o Rhushabh e o Pedro fomos atrás de um restaurante indiano que havíamos encontrado online, mas após rodar a tarde toda em uma parte de Moscou que ninguém conhecia ainda, desistimos de procurar, e encontramos uma Subway, e ficamos por ali mesmo. Já era 18h e ainda não tinha comido nada naquele dia, e juro que comi um sanduíche de 30 centímetros! Até hoje não sei como consegui fazer essa proeza. :)

Essa Subway ficava perto de uma tal estação de metrô, e pedimos pra Sasha ir até lá. Ela chegou, e entregou pra mim e pro Pedro dois presentes muito fofos. Ela nos deu uma caixinha de chocolate com várias barrinhas, e cada uma delas tinha uma letra do alfabeto cirílico, uma palavra que começasse com essa letra, e o desenhinho dela. Era bem didático e meio infantil, mas foi muito fofinho! Fora isso, ela deu uma cartinha que até hoje guardo com carinho. Ali mesmo ela foi embora, e logo senti o peso da despedida. Após a partida daquelas pessoas, eu sentia que deveria ter dado mais atenção pra elas, e agradecer bem mais do que já havia agradecido por tudo a eles.

A partir de então, ficamos só eu, o Pedro e o Rhushabh. Até o fim da minha permanência em Moscou, seríamos só nós três, e confesso que quis aproveitar ao máximo o tempo que tinha com eles. O nosso último dia juntos seria no dia 28 de fevereiro. Acordamos cedo, e fomos dar uma de turistas pela cidade. Ficamos quase todo o tempo juntos, com exceção da visita ao Kremlin, que não pude ir, pois não tinha dinheiro pra comprar o ingresso, que estava muito, muito caro, e ainda estava sem a minha carteirinha de estudante (muito válida!).

Chegou o fim da tarde, e o Rhushabh tinha que ir embora. Ele ainda teria que passar cerca de um mês em Saratov, e lá fomos nós no metrô, indo deixar o nosso amigo ir. Quando ele virou as costas, a partir daquele momento, era só eu e o Pedro. Para comemorar as nossas últimas “horas” como intercambistas, decidimos ir até o Hard Rock Café da ulitsa Arbat, comer um lanche, e conversar, seja sobre a vida, planos, família, amigos, lembranças, e outros. Não sei se o Pedro estava percebendo, mas eu comecei já a sentir o peso da despedida desde a saída da Sasha. Não sei, mas senti que eu poderia ter dado mais um abraço, mais um “obrigada por tudo”.

Lá no Hard Rock, um momento descontraído aconteceu! Sentamos em uma mesa, começamos a conversar, e o Pedro começou a sentir umas goteiras caindo em cima dele, e trocou de lugar na mesa. Sério, menos de um minuto depois disso, um monte de água suja caiu bem na cadeira onde ele estava! Era uma espécie de água com espuma, meio escura que caiu de uma espécie de tampa, que havia bem em cima das nossas cabeças. Agora, já pensou se ele tivesse ali sentado ainda? Fica a dica de ver em todo lugar, o que tem acima das nossas cabeças (risos).

Após comer, voltamos ao nosso hostel, onde tínhamos que passar como uma hora esperando. Passamos mais esse tempo refletindo sobre a vida lá na sala de espera. Quando deu uma hora certa pra ir ao aeroporto, fomos ao guarda volumes do hostel, pegamos as nossas malas e fomos em direção ao aeroporto!

Ali, um dos momentos mais tensos de todo o meu intercâmbio (e creio que do Pedro também) aconteceu. Lá estávamos nós, fim da nossa viagem, com mais compras do que nunca, carregando as nossas malas de volta ao metrô. Em um dia normal (sem malas), o trajeto hostel-metrô era tranquilo. Era como uns 5 minutinhos andando. Cada um de nós estávamos carregando 4 bolsas. Eu estava com a minha mala nova gigante mas com aquelas rodinhas que viram, uma mala de mão (aquela que me ferrou no início da minha viagem), uma bolsa de ombro mesmo, e uma pequena transpassada. Olhando assim, parecia até fácil levar, mas lembre-se que eu sou muito sedentária! Eu até me cansava rápido, mas esse trajeto foi bem mais tranquilo do que da ida a Moscou.

O Pedro, coitado, estava carregando a mala grande dele, uma bolsa de mão que nem a minha, uma mochila, e a minha finada mala quebrada carregando na mão, que estava cheinha de vodka. Ele dava uns dez passos e parava ofegante. Imagina, só a minha mala estaria pesando horrores por causa da vodka. Eu me lembro, em uma certa altura falar algo como “que era a última vez que estávamos nos desafiando naquele frio desgraçado!” Ele estava voltando ao Brasil, e iria despachar tudinho e se livrar do peso, e eu estava indo a Paris, e lá teria uma vida de turista, não de intercambista. Hehe.

Cheguei no metrô, e a senhora que resguardava a entrada olhou pra gente e disse que precisaríamos pagar as nossas passagens, e as das malas. Olha, quando eu fui pra Saratov, e tive que fazer uma baldeação no metrô, só paguei a minha passagem! Mas liguei aquela tecla lá, e não achei problema em pagar uns 2 reais a mais por causa disso.

Chegamos na estação Beloruskaya, e necessitaríamos pegar o Aeroexpress pro aeroporto. Só que o Aeroexpress ficava num prédio fora do metrô. O Pedro disse que ele iria lá fora pra procurar esse prédio, e enquanto isso, eu fiquei ali na estação com as malas. Uns 10 minutos depois, ele voltou, e eu já estava começando a ficar nervosa. Imagina, eu, sozinha, quase meia noite, com 8 malas ao meu redor. Comecei a pensar que as câmeras estavam me monitorando, e alguém poderia estar pensando que eu poderia ter alguma bomba nessas malas. Heheheheh. O mais engraçado, foi que o Pedro voltou, e disse que por pouco ele não entrava, pois a carteira dele havia ficado na mochila, que estava comigo. Sorte a dele que ele havia alguns trocados no casaco.

Então, entramos no trem pro aeroporto, e durante o trajeto, uns 40 minutos, uma playlist bem triste começou a tocar na minha cabeça. Mais algumas palavras trocadas, e chegamos no Sheremetyevo. Olhei para as partidas, e vi que o meu voo pra Istambul já estava com o check in aberto. Imagina o alívio de ter que me livrar das minhas malas logo ali! Foi uma sensação ótima. Nunca mais precisei carregar tanto peso naquela viagem.

Isso era um pouco mais de meia-noite, e o meu voo pra Istambul saía às 6:40 da manhã, e do Pedro, pra Amsterdam, às 6:45, ou seja, teríamos que passar uma bela noite no saguão do aeroporto. Agora, imagina a enrolação. Não tinha nada aberto no aeroporto, com a exceção de um restaurante com nenhuma comida atraente. Todas as lojas do complexo do Aeroexpress estavam fechadas, e foi uma batalha pra encontrar alguma tomada disponível.

Depois que achamos essas tomadas, foi fácil passar a noite, especialmente pelo aeroporto ter wi-fi livre e ilimitado. Liguei o skype com um amigo, e passei umas boas horas lá batendo papo com ele. Me lembro que ele me prometeu me levar para comer uma comida regional assim que eu chegasse, já que ele não estaria em Manaus para me buscar no aeroporto. Mais de um ano se passou, e ainda não fui comer com ele! Estou aguardando convites. :)

Depois que abriu o check-in pra Amsterdam, o Pedro foi lá, despachou as coisas dele, e decidimos logo embarcar. Não pegamos nenhuma fila, e a imigração foi bem tranquila. Eles carimbaram a minha saída na última página do meu passaporte, pegaram a minha folhinha da imigração, que havia preenchido na entrada, e pronto! Teoricamente, estávamos fora da Rússia.

Estava morrendo de fome, e já que não tinha nada pra comer no saguão do Sheremetyevo, eu achei que na área do embarque, teria algo. Realmente, lá havia uma área de free shop grande, com vários chocolates, perfumes, bebidas (claro, é a Rússia!), mas não comprei nada, mesmo achando os preços bons. Por exemplo, o perfume Prada Milano grande estava só 52 euros. Em Paris, eu achei esse perfume só mais que 70 euros. Agora vai comprar um Prada Milano aqui em Manaus pra te ver…

Fora o free shop, só haviam uns dois lanches abertos, mas eles eram estranhos. Acho que um era só de comida saudável, e o outro, de doces. Sinceramente, não gostei da aparência de nada dali, e comprei só uma Coca Cola, e uma espécie de Club Social russo em uma maquininha tipo vending machine.

Isso já era quase 5 da manhã, e meus olhos estavam fechando. O Pedro perguntou se ele poderia pegar as fotos que eu tinha do nosso intercâmbio no computador, e enquanto isso, deitei minha cabeça na mesa e tirei uma soneca. Alguns minutos depois, o Pedro pergunta se não era a hora de nós irmos, pois as companhias aéreas já estavam se organizando. Quando as filas começaram a crescer, nos levantamos, e me despedi dele.

Sabe, foi um aperto no coração muito grande, não só pelo Pedro ter se tornado um grande amigo durante a viagem, mas também por ele ser o último. O último! Quando iria voltar pra Rússia? Quando eu veria novamente algumas daquelas pessoas? Desde a minha host family, os meus estudantes, os professores, o meu amigo que me buscou na chegada, o pessoal da AIESEC e todos os amigos trainees que fiz? Eu senti que havia chegando na reta final, e eu tinha acabado de desapegar da última pessoa.

No meio da fila de embarque, eu não resisti. Eu chorei que nem uma criança! Todos aqueles momentos me vieram à mente, e chorava horrores! Senti uma pena vindo das aeromoças que me viram entrar no avião. Fiquei triste sim, mas engoli o choro quando vi a situação lá fora. Estava nevando forte, e comecei a pensar como o avião subiria naquelas condições. O medo de avião voltou, e por um momento esqueci a saudade e comecei a ficar apreensiva. Não sei se ficava feliz ou não, quando o piloto, com um sotaque turco bem forte, falou, com uma voz de preocupação que o avião estava fazendo o degelo das asas. E se aquele degelo não fosse bem feito? Socorro!

O avião decolou. Minutos depois, acabei relaxando, e voltei a ficar triste. Comecei a assistir um filmezinho, e fiquei esperando a minha chegada a Istambul, mas por algum motivo, todas aquelas imagens não saíam da minha cabeça. Horas depois, peguei a minha conexão a Paris, e fui aproveitar meus dias na França.

Nada melhor que a sensação de estar um passo mais perto de casa, mas saber que lá do outro lado do mundo, existem pessoas que você vai guardar no seu coração pra sempre é quase inacreditável.

Um dia maluquinho em Moscou

Quando você vai fazer intercâmbio, pode contar que o que você vai mais trazer no seu destino são as histórias! Uma das mais engraçadas foi a minha ida de volta até Moscou!

Desde o início do meu intercâmbio, eu já estava sondando os outros trainees a irem viajar comigo depois que saíssemos de Saratov. Um dia, na casa de um brasileiro, estávamos discutindo sobre coisas que haviam em Moscou, e em outras cidades do Leste Europeu. Um dos brasileiros estava com uma camisa do Real Madrid e eu brinquei: quem sabe a gente não consegue assistir a algum jogo do Real por aí?

Esse brasileiro, o Pedro, entrou no site da UEFA, e olha a surpresa: o próximo jogo do Real seria contra o CSKA em Moscou, bem na época que pretendíamos viajar mesmo! Bingo! Vamos assistir então uma partida da Champions, e vamos nos programar pra ir!

Alguns dias depois, durante a festa do ano novo Chinês, que os chineses organizaram, o Pedro falou que tinha descoberto um site que entregava os ingressos da Champions na nossa casa, e logo, uma amiga russa, a Sasha, se intrometeu, e falou: “ah, existe uma excursão que sempre sai de Saratov para assistir aos jogos da Champions aqui na Rússia! Ano passado eu fui em uma, e foi bem legal!”

Logo pedimos pra Sasha conversar com essa pessoa que organizava essa excursão, para colocar os nossos nomes nessa lista. Passaram os dias, e na noite do dia 20 de fevereiro do ano passado, partiríamos a Moscou!

Nós iríamos pra Moscou, mas não voltaríamos a Saratov. Naquele dia, foi o primeiro dia de várias despedidas, onde tive que dar adeus à Tanya, minha host mother, o Sasha, o filho dela, e alguns outros amigos russos que fiz no meu X.

Foi bem chato me despedir deles. Eu realmente queria ter interagido mais com eles, e sinto que eu poderia ter feito muito mais coisas por eles, mas de qualquer maneira, a recepção que eu tive, foi incrível.

Enfim, três ônibus saíram de Saratov, e a Sasha quis sentar bem no final, e imagina, foi horrível pra mexer, e além do mais, passamos a viagem toda sem ventilação. Sorte a minha que eu sentei do lado da janela, onde eu sentia o frio natural vindo do lado de fora. (Risos!)

Foram 14 horas de viagem, e logo quando começamos a ver alguns resquícios de cidade grande, comecei a sentir um alívio, pois estava muito cansada, queria comer algo, e as minhas costas estavam doendo muito. :( Mas aí veio o maior desafio até então, se locomover em Moscou!

O problema foi que nós chegamos, e o ônibus estacionou nas redondezas do estádio, e a Sasha não conhece Moscou. Daí vem o problema: não sabíamos qual a estação de metrô mais próxima! Ela ficou perguntando de pessoas no caminho, informações, e ficamos rodando que nem barata tonta atrás de qualquer estação!

Mas tinha um pequeno agravante em toda essa situação. A minha mala fez o favor de quebrar quando eu estava saindo do meu apartamento em Saratov…

Justamente o meu puxador foi imprensado pela porta do elevador, e no meio da viagem, ela acabou caindo! :( Eu tive que dar um jeito de puxar aquela mala no meio da neve, e como sempre, mais ainda esse dia, fiquei pra trás!

Claro que eu recebi ajuda dos meninos, especialmente do Rhushabh, o indiano. Tadinho dele, ele criou uma engenhoca com um cachecol do CSKA que ele tinha comprado na ida, e foi puxando a minha mala. Mas mesmo assim, a mala estava bem difícil de puxar, então, imagina a cara de felicidade de todo mundo até encontrarmos uma estação de metrô!

Daí veio o segundo problema: nós não sabíamos em qual estação descer! O Pedro havia encontrado um hostel pra gente, mas tinha esquecido de ver a localização dele! A sorte que o nosso amigo indiano high-tech era o único com internet no celular (eu não tinha, pois a Katya achava internet no celular “desnecessária” e se recusava a me ajudar a por! Onde isso existe no meu mundo?!) e viu que ficava perto da Tsvetnoy Bulevar. A sorte que havia uma estação com esse nome (Risos x2). Partiu!

Então, a viagem de metrô foi super tranquila. Não sentimos qualquer dificuldade, e logo nos ambientamos com tudo. Mas aí o terceiro problema apareceu. Chegamos na estação, mas onde ficava esse hostel?!

Segundo a página desse hostel no hostelworld.com, para chegar lá, era meio confuso. Tinha que entrar numa ruelinha, subir uma escada, dobrar depois de um prédio rosa e pronto! Chegaria no hostel!

Essa tal ruelinha fica bem do lado da estação de metrô. Dobramos e seguimos em frente. No fim dela, havia uma escada. Ok. Andando mais pra frente, havia um prédio rosa. Ok. Havia uma abertura ao lado desse prédio rosa, e entramos. Era pro hostel estar lá! Cadê?! Fiquei procurando alguma placa, alguma coisa, e tcharam! Ali estava o hostel! Quase chorei de emoção! Não haveriam mais malas, nem falta de localização que nos impedissem de rodar em Moscou!

Depois de almoçar, ficamos de encontrar a Katya, o Kolya, e a Aline, três amigos, perto da praça vermelha, e iríamos juntos pro estádio. Nesse meio tempo, encontramos a Yasmin, uma outra brasileira do Rio que estava de passagem por Moscou, e estava indo embora hoje à noite. Nem parece, mas é ótimo encontrar brasileiros no exterior, especialmente na Rússia!

A Katya estava super nervosa. Ela tava bem chata nesse dia, na verdade. Segundo ela nós havíamos nos atrasado (eram 17h), e iríamos perder o jogo (!!!!!). Corremos pra pegar o metrô, e encontrar aqueles ônibus da excursão, para pegar os nossos ingressos.

Só que a Katya quis ir correndo ao encontro desses ônibus, literalmente. Eu não conseguia mais andar rápido, o meu coração tava palpitando muito, e logo senti os efeitos do sedentarismo no meu corpo. Ela quase estava me xingando, por não andar rápido! O jogo só começava às 21, eram ainda antes das 18, estávamos ao lado do estádio, e reclamando assim sobre tudo? Naquela hora eu tava feliz, pois era o meu último dia que eu ouviria uma reclamação vinda dela.

Pegamos os ingressos, e fomos pro estádio. A menina tava com tanta pressa, que não me deixou nem comprar água na parte de dentro do estádio (dentro! Já havíamos entrado com os ingressos) pois ela tinha medo que perdêssemos nossos lugares ali. Até parece que ela sabia tudo de futebol europeu. É só assistir a qualquer transmissão de futebol europeu, seja na Inglaterra, ou na Espanha, até na Rússia mesmo, que as pessoas só chegam mesmo nos momentos anteriores à partida. Vale ressaltar que ainda era 19:30 da noite.

Ingresso do jogo

Fiquei morrendo de raiva com essa inflexibilidade dela, e fui sozinha, no meio de um monte de marmanjos, comprar algo pra beber ali. Comprei um refrigerante e voltei. A menina não havia nem se tocado que era muito mais perigoso eu ter descido até lá, sozinha, estrangeira, e pior, com cara e sotaque de espanhola ir comprar algo pra beber do que ela ter simplesmente esperado cinco minutos e “perder o lugar” que sinceramente, ficaria vago sempre.

Não escondi a chateação com ela, mas ao mesmo tempo quis relaxar e aproveitar o momento. Me juntei com os meninos, e fui curtir o jogo!

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Estádio de Lujniki! :)

Então, foi muito bom ouvir a música tema dos jogos da Champions ali, na minha frente, junto às pessoas mexendo aquela bandeira em forma de bola de futebol estrelada no meio do campo! Também foi ótimo ver o Cristiano Ronaldo, o Kaká, o Mourinho pequenininhos, mas bem ali perto de mim! Hehe.

Mas ali aconteceu um fato meio tenso, que marca um pouco o racismo que alguns grupos de pessoas ainda cometem na Rússia. A UEFA é contra o racismo, e sempre prega isso nos estádios, e nesse jogo não foi diferente. Antes do jogo começar, anúncios em russo e em espanhol foram feitos, anunciando que os torcedores respeitassem as diferenças e que a UEFA é contra o racismo. A parte em espanhol, dos visitantes, foi falada antes, e depois em russo. Quando a parte em russo foi falada, um pessoal da nossa excursão, que estava perto de nós, começou a cantar uh uh uh uh uh, meio que imitando macacos. Isso foi ridículo, e outras pessoas perto de nós começaram a vaiar.

Vale lembrar que alguns minutos antes, uma pessoa, provavelmente desse grupinho sem noção, pediu do Kolya que ele saísse de perto deles, pois a presença dos “amigos” dele os estava incomodando. Como não queríamos briga, nos afastamos um pouco, e ficamos tranquilos até o fim do jogo. Para as minhas amigas e eu, não havia muito problema, pois as meninas eram russas, e eu sou branquinha, com aparência europeia (inclusive perdi as contas das vezes que fui confundida com russas!). Mas para os outros intercambistas, era mais evidente essas diferenças físicas entre os russos. O Rhushabh é indiano, e com cara bem indiana; o Pedro, o brasileiro, é negro; e o Márcio, outro brasileiro, tem uma aparência meio árabe.

Mesmo assim, independente das diferenças, quem se mostrou ser “retrógrado e inferior” foi esse grupo. Estávamos ali justamente com o intuito de abrir a sociedade, colocando aspectos culturais internacionais, para a agregação de valores junto a eles. Espero que um dia, eles cresçam e tenham uma consciência mais aberta do mundo que eles vivem.

Enfim, o CR7 marcou pro Real, e o CSKA empatou no final. Foi um empate com gosto de vitória, e isso foi um incrível motivo de orgulho para o torcedor. Essa felicidade se mostrou evidente no caminho pra casa! O metrô ficou lotado de pessoas gritando: “THÊÉSCAÁ, THÊÉSCAÁ” (CSKA em russo, hihi), super orgulhosas e mostrando suas camisas e seus cachecóis do time.

Metrô Sportivnaya lotado com torcedores felizes do CSKA!

Metrô Sportivnaya lotado com torcedores felizes do CSKA!

Pra completar aquele dia, eu tive que me despedir da Katya, da Alina e do Kolya, que estavam voltando para Saratov logo depois do jogo. A Katya com certeza, apesar dos estresses, foi a pessoa que mais me ajudou no meu intercâmbio, e não sei como exprimir minha eterna gratidão por ela. O Kolya e a Alina sempre estiveram presentes, e também aprendi muito com eles. Foi uma despedida sem sal, mas triste na estação de metrô, e marcada por um dia ruim entre nós, mas nada que apague o grande carinho e admiração que tenho por essas pessoas.

Mausoléu de Lênin em Moscou

Dentre muitos lugares a se visitar na Rússia talvez o Mausoléu onde se encontra o corpo de Vladimir Ilych Ulianov, o popular Lênin seja um dos mais icônicos. Ele morreu em 21 de Janeiro de 1924, ou seja, há pouco mais de 88 anos! Desde então o corpo dele é mostrado em exposição em uma pequena construção no coração da Praça Vermelha.

Eu na frente do mausoléu, com os dizeres em cirílico.

Apesar do mausoléu ter sido o primeiro lugar que eu queria ter visitado em Moscou, não tive a oportunidade de ir. Passei apenas sete dias lá, e pelo horário de visitação ser limitado, eu sempre chegava depois da hora prevista. Da próxima vez visitarei com certeza!

O mausoléu fica aberto nas Terças, Quartas, Quintas, Sábados, e Domingos, e somente entre as 10:00 da manhã e 13:00 da tarde. Em feriados o mausoléu não abre. Geralmente eu acordava pelas duas da tarde, o que já era tarde para visitação. :) A entrada é de graça, e o embalsamamento do corpo é feito através de doações. Interessante, pelo menos.

Para os fascinados em História, visitar uma de suas grandes figuras já falecidas em loco pode se tornar uma bela aventura! Bem melhor que visitar um museu de cera, na minha opinião.

Primeiros relatos na Rússia

Comprei minhas passagens! Sairia de casa na quarta de manhã e chegaria no meu destino domingo à noite. Fácil, não?! Sairia de Bogotá, na Colômbia, onde passava férias, às 7 da manhã, em direção ao Panamá. Fiquei das 8 da manhã até as 4:30 da tarde no aeroporto de Tucumen, no Panamá fazendo nada! Foi bem entediante, no mínimo, mas uma preparação do que estava por vir.

Cheguei aqui em Manaus às 20:30 da noite, e passei uma noite em casa, e no dia seguinte, 5 de janeiro, minha agenda estava cheia! Era o meu último dia no Brasil, e tive que fazer as últimas compras, como algumas comidas, produtos de higiene, etc, e terminar de arrumar a minha mala. A noite ia chegando, e o friozinho na barriga aumentava. Me despedi da minha família no aeroporto e fui em direção à minha longa jornada solitária!

O meu voo pra São Paulo saía às 2:30 da manhã, e ele foi quase vazio. Acho que no máximo umas 50 pessoas embarcaram, algo muito difícil, já que, em todas as vezes que fui pra São Paulo, o voo saía sempre lotado. Cheguei cedo em Guarulhos, e o meu próximo voo saía apenas às 21:30 da noite. Testei minha resiliência passando 13 horas no aeroporto!

Mas a minha maior dificuldade nesse tempo foi uma: a minha mala de mão preta! Estava saindo de Manaus, super quente, e estava indo pro oposto, no ápice do inverno. Comprei uma mochila de 80 litros em Bogotá e pretendia levar meu casaco pesado, botas, e roupa térmica ali. Só que cerca de uma hora antes de ir ao aeroporto, vi um rasgo enorme nela, e decidi levar uma outra bolsa, para não correr riscos. Não podia despachar essa bolsa preta, afinal de contas, minha proteção para o frio estava ali. Tive que carregá-la quando eu ia almoçar, ir ao banheiro, e em quase todo lugar que o carrinho de bagagem não passava. No fim do dia, comecei a chutá-la ao invés de carregar, afinal, meus braços já doíam muito. Lição: comprar uma mochila mais resistente da próxima vez.

É meio comum que eu fique doente nas minhas viagens. Chegando em São Paulo, me senti bem enjoada, e o único remédio pra isso que tinha era o Dramin. Só que esse remédio me dá sonolência, e foi uma batalha pra me manter acordada naquele aeroporto. Fiquei com medo de dormir ali e ser furtada, algo assim, mas mesmo assim dormi, e relaxei.

Até que o meu check-in estivesse aberto, passei muito tempo procurando o que fazer. Palavras cruzadas, livros, passear por ali, internet… Até que o check-in abriu, e eu pude entrar! Mas ainda faltava muito tempo para o embarque começar. Nesse meio tempo, fiquei conversando com um grupo de adolescentes que estavam indo estudar inglês em Londres. Eles me perguntaram pra onde eu ia, e quando eu falei que era pra Rússia, eles ficaram boquiabertos, e ficaram super encantados com o voluntariado! Talvez futuros membros da AIESEC, quem sabe?!

Após muitas palavras cruzadas feitas, eu vi o A330 da KLM chegando no gate. A hora estava chegando, finalmente! A fila de embarque começou a se formar, e daí eu falei pra mim mesma: “É agora. A partir de agora é você, e só você! Vamos aproveitar essa experiência o melhor possível!”

Fiquei ao lado de outro menino, da minha idade mais ou menos no avião. Ele estava indo pra Londres, e apesar de estarmos na mesma situação, eu parecia estar mais segura do que ele. As primeiras horas do voo foram bem turbulentas. Logo após o jantar, fui ao banheiro, coloquei minhas roupas térmicas e minha bota, e tomei mais um Dramin para poder dormir. Eu acordei com aquela sensação de que o avião estava caindo. Estávamos sobre a França, fazendo os procedimentos de pouso já. Uma bela noite de sono e uma bela surpresa ao acordar tão perto de Amsterdam.

O pouso foi meio complicado. O aeroporto de Schipol, em Amsterdam estava sofrendo vários atrasos e cancelamentos por causa de fortes ventos. Deu pra sentir o vento fazendo o avião cambalear, mas chegamos! Amsterdam é linda vista do alto! Vários canais e pontes, e já anotei na minha agenda como um futuro destino! :)

Eu estava relativamente na frente do avião, e saí logo. Quando saí, um policial me abordou com um cão farejador, e com uma voz meio desconfiada me perguntou se eu ia ficar em Amsterdam, ou se eu iria para outro lugar. Eu abri um sorriso e disse que estava indo pra Rússia. Então o policial me perguntou, também com um sorriso: “Pra onde, Moscou?!” e eu: “Sim!”, mostrando meu cartão de embarque pra Moscou. Ele ficou super animado, e me deu as instruções de como chegar no gate de embarque do meu voo. Mais um impressionado ao ver uma brasileira pequenina indo a um lugar tão longe!

Saí andando rápido, quase correndo. O voo pra Amsterdam tinha atrasado um pouco, e o de Moscou iria sair em meia hora. Nem deu tempo de comprar aqueles tamancos holandeses, ou pelo menos um souvenir. Quando estava desesperada para encontrar o meu gate, olho pro lado, em uma parede de vidro, e vejo o avião da Aeroflot prostrado, ao meu lado (Sim, eu ia de Aeroflot!). Nessa hora eu me toquei: “Gente, estou indo pra Rússia! Não estou acreditando!” Era melhor acreditar mesmo. Cheguei na fila, e vi vários russos lá, todos bem mais altos que eu, e de cara fechada. Passei pelos scanners e logo embarquei. Fiquei no corredor ao lado de dois russos de aparência mal-humorada, e logo percebi alguns detalhes marcantes ali. Primeiro, o uniforme das aeromoças, que possui o martelo e a foice, símbolos da União Soviética, um resquício da antiga Aeroflot soviética. Depois, o próprio olhar, meio blasé das aeromoças com os passageiros. Quando uma dessas me serviu um jantar, e percebeu que eu era estrangeira, ela meio que fechou a cara, e não me serviu mais nada. Ela também não me deu um papel que eu tinha que entregar na imigração. Quase a minha entrada foi barrada por causa disso.

Enquanto todo esse tempo, surgia uma dúvida marcante: eu iria chegar em Moscou, e o que eu ia fazer? Eu desembarcaria cerca de umas 8 da noite, já noite, e teria que partir pra Saratov logo. Será que eu iria fazer tudo isso sozinha? Enquanto eu estava em Bogotá, comecei a pedir ajuda e dicas tanto de brasileiros que estavam em Moscou, quanto russos também da AIESEC. Eu iria chegar bem no natal ortodoxo deles, e será que alguém iria se dispor a me ajudar? Ainda bem que encontrei essa pessoa. Cerca de um ano antes, comecei a falar com o Vasily, da AIESEC em Moscou. Ele se ofereceu pra me ajudar, e logo após saindo da sala de desembarque, comecei a olhar ao redor pra ver se ele estava ali ou não. Se não, eu iria a um hotel perto, e no dia seguinte, compraria minha passagem de trem. Quando já tinha perdido as esperanças, eu ouço alguém se dirigindo a mim, falando algo como: “Poxa, pensava que eu já tinha te perdido em algum lugar”.

A ajuda dele foi ótima e essencial para o meu sucesso nesse início de aventura. Sou extremamente grata a ele até hoje pela ajuda. Com a passagem comprada, e de quebra, um tour pela Krasnaya Ploschadi (Praça Vermelha) em pleno natal, com papai noel russo inclusive, parti em rumo à Saratov num trem antigo, mas confortável. O resto da história fica em outro post, mas pra finalizar, me lembro de um dos momentos mais tocantes que eu tive em dois meses em terra russa. O trem partindo e o meu amigo ali, me dando tchau. Me senti numa daquelas cenas de filmes de drama, onde as pessoas nunca mais se vêem. Até hoje, ainda não o reencontrei, mas felizmente, temos a internet como ponte disso.