Por dentro do Teatro Colón

Um dos principais passeios para quem vai a Buenos Aires é a visita guiada ao Teatro Colón. Este local é um dos ícones da cidade: sua localização central, importância histórica e cultural, e a combinação da arquitetura com opulência só confirmam que a visita ao teatro é imprescindível e marcante. Certamente um must go!

Tapete Vermelho

Tapete Vermelho

Antes de continuar, quero deixar claro um detalhe! A Argentina está sofrendo com uma grande inflação nos últimos tempos, então o preço de tudo subiu! Quando visitei o Teatro Colón (setembro de 2016), o ingresso custava 250 pesos. Por enquanto o preço continua o mesmo, só que não se assuste ao chegar lá e ver um valor maior ainda, numa data futura.

Para começar, este teatro demorou quase 20 anos para ser construído (1889-1908), em substituição a outro Teatro Colón bem menor, e que se localizava em outro lugar. Com a inauguração do prédio novo muitas companhias passaram a se apresentar lá, fazendo com que aos poucos o teatro se consolidasse como principal complexo artístico da cidade de Buenos Aires.

Figurinos de apresentações anteriores

Figurinos de apresentações anteriores

Figurinos de apresentações anteriores

Figurinos de apresentações anteriores

Em 2014, o National Geographic listou as 10 principais Opera Houses no mundo inteiro. De acordo com a lista, o Teatro Colón ocupa a terceira posição, e alguns dos requisitos para tanto foram a incorporação de diversos estilos arquitetônicos, a quantidade de artistas renomados que já se apresentaram ali, e a presença de um próprio departamento cênico em suas dependências.

Por motivos de curiosidade, as outras 9 Opera Houses da lista são o Teatro alla Scala em Milão, Teatro di San Carlo em Nápoles, a Royal Opera House em Londres, o Teatro Bolshoi em Moscou, a Opera House de Sydney, a Ópera de Paris, a Ópera Royal do palácio de Versailles, a Staatsoper de Viena e o Lincoln Center em New York.

Voltando a falar do Teatro Colón, a minha visita guiada foi toda em espanhol, mas foi muito tranquilo de entender e de acompanhar a guia. O Teatro é rico em detalhes e não dá para ficar nenhum momento sem prestar atenção em alguma coisa.

Atenção para o vitral

Atenção para o vitral

Os detalhes de ouro e os vitrais do teatro são belíssimos, não dá para parar de reparar.

Artigo de decoração

Artigo de decoração

Palco

Palco

O salão do teatro é gigantesco. Muitos dizem que a acústica do local é perfeita, e de fato, não podemos falar muito alto, senão era capaz de todos ali dentro nos escutarem.

Interior do teatro

Interior do teatro

Uma coisa que achei curiosa (e bem cruel) era o local que era destinado às viúvas. Elas não poderiam aparecer em público desacompanhadas, mas o direito delas visitarem o teatro era mantido. Isso era possível pois reservaram uns locais escondidos com grades onde elas ficariam ocultas, mas também não poderiam acompanhar as óperas direito.

Peça feita em um só bloco de mármore. Detalhes em relevo perfeitos.

Peça feita em um só bloco de mármore. Detalhes em relevo perfeitos.

Antigamente, os melhores lugares do teatro.

Antigamente, os melhores lugares do teatro.

O lustre também é magnífico! Sou fã dessas estruturas, e assim como em muitos teatros, existe uma sistemática que faz com que um cabo de aço leve o lustre até o chão com o objetivo de limpá-lo e de fazer sua manutenção devida.

Teto e lustre

Teto e lustre

Mais uma vez, visita recomendadíssima!
Valor: 250 pesos argentinos (valores do fim de 2016)
Horário: das 9h às 17h, com saídas a cada 15 minutos. (Sujeito à disponibilidade)
Localização: Tucumán 1171 (Estações de metrô: Tribunales ou 9 de Julio)

Roteiro da minha primeira viagem à Europa – Parte 2

Chegamos à segunda parte do roteiro da minha primeira viagem à Europa! A primeira parte se encontra aqui, onde contei de maneira reduzida como foram os dias em Paris, Versailles, Luxemburgo, e nas pequenas cidades alemãs de Cochem, Bacharach e Rüdesheim am Rhein.

Lembrando mais uma vez que essa é uma sugestão de roteiro para a Europa: como contratamos uma agência de turismo, todo o transporte e passeios eram por conta da empresa. Mas obviamente, é possível de recriar este trajeto por conta própria.

Acompanhe também:
Roteiro da minha primeira viagem à Europa – Parte 1
Roteiro da minha primeira viagem à Europa – Parte 3

Dia 6: Rothenburg ob der Tauber e Munique

Frankfurt - Rothenburg ob der Tauber - Munique

Frankfurt – Rothenburg ob der Tauber – Munique (Google Maps)

Como disse no post anterior, chegamos em Frankfurt no fim da tarde e quase não conhecemos nada da cidade. Esse é um dos pontos negativos em fazer excursões desse tipo, já que todo o tempo é cronometrado e vital para o andamento do que já estava previamente agendado. Pelo menos consegui ter uma visão dos arranha-céus e de toda a opulência contemporânea da cidade. Fomos ao nosso hotel e prontamente nos preparamos para o próximo dia.

Saímos bem cedo de Frankfurt, com Munique como destino final do dia. Antes, iríamos passar por uma linda cidade bávara chamada Rothenburg ob der Tauber, que acabou virando minha favorita na região.

Esta cidadezinha tem uma parte antiga e uma nova, que continua se expandindo. A parte antiga (que é o ponto de interesse geral) é super pitoresca: rodeada por uma muralha medieval e possui lindas casas germânicas de encaixe. Muitas dessas casas hoje tem propósito comercial, com destaque para as lojas de brinquedos e ursinhos de pelúcia, e as de decoração natalina.

Na primeira janela do primeiro andar, um ursinho de pelúcia "brincava" de soltar bolhas - e com música!

Na primeira janela do primeiro andar, um ursinho de pelúcia “brincava” de soltar bolhas – e com música!

Confesso que senti algo familiar naquela cidade, como se já a conhecesse antes, mas nunca havia ouvido falar nela! Algum tempo depois descobri que Rothenburg ob der Tauber foi a inspiração que Walt Disney teve para desenvolver a cidadezinha onde o Pinóquio morava. Ela tinha aparência germânica super medieval e pitoresca, lembram?

Também tivemos tempo de subir até a muralha: escadas de madeira bem antigas nos ajudam a subir nos lugares onde os guardas antigamente guardavam o entorno da cidade.

"Janela" da muralha

“Janela” da muralha

Aquele foi um domingo maravilhoso, e apesar de chuvoso não tirou meu encantamento com “a cidade mais linda do mundo”, que é como me refiro a ela. Mas o show deveria continuar, e nós partimos em direção a Munique.

Algum tempo depois, chegamos à capital bávara, e teríamos algo como duas horas livres. O ponto de encontro era na frente do Teatro Nacional Bávaro e fomos explorar os arredores. Primeiramente caminhamos pela Maximilianstrasse, que é a rua de compras caras da cidade. Só caminhamos mesmo, pois como citei acima, era domingo e as lojas estavam fechadas.

Depois fomos caminhando em direção ao coração da cidade: a aparência medieval e pitoresca numa das maiores cidades da Europa nos cativou muito! Tudo bem germânico, bem clássico…

E assim, caminhando, que descobrimos o Rathaus! E tivemos sorte, pois chegamos na hora certa. No mundo germânico o Rathaus é um prédio governamental, que cuida da administração da cidade. Assim como Munique possui a sua Rathaus, Viena também possui uma, Hamburgo também, e o mesmo vale para a maioria das cidades germânicas.

Rathaus München

Rathaus München

Enfim, o Rathaus de Munique possui uma pequena “apresentação”, que é, digamos, um cuco aperfeiçoado. Em determinadas horas do dia, bonequinhos dançam com musiquinhas, fazendo uma fofa apresentação de uns 5 minutos. Muitas pessoas assistem a essas apresentações, fazendo desta uma boa atração.

Tínhamos já pouco tempo e só deu pra conhecer o Hofgarten, já próximo ao ponto de encontro. Já era hora de nos preparar para a viagem do dia seguinte.

Dia 7: Salzburgo, Sankt Wolfgang, Lago Traunsee e Viena

Munique - Salzburgo - Sankt Wolfgang - Lago Traunsee - Viena

Munique – Salzburgo – Sankt Wolfgang – Lago Traunsee – Viena (Google Maps)

Saímos muito cedo de Munique, com tudo escuro ainda. Estava chovendo e fazia frio, mas mesmo assim conseguimos aproveitar a nossa manhã na linda cidade austríaca de Salzburgo, a capital da música.

Salzburgo é a cidade natal de Mozart: a casa onde ele nasceu e morou por boa parte de sua vida está aberta para visitações. Muita coisa em Salzburgo gira em torno de sua figura e da música, encontrando várias referências no comércio e sociedade locais.

Casa do Mozart

Casa do Mozart

Caminhamos por quase todo o centro da cidade, e ao chegar na praça principal decidimos aproveitar e fazer um passeio de charrete (somos desses!). Acredito que o passeio dura uns 30 minutos, e foi muito agradável – e divertido.

Caminhamos muito pelo centro da cidade, o que quase nos acometeu de perdermos o horário. Literalmente saímos correndo até o ponto de encontro que era bem longe: o ônibus já estava ligado e fomos os últimos a chegar. Nunca mais chegamos tão “apertados” assim.

Depois de Salzburgo, fizemos uma curta parada em Sankt Wolfgang, tempo apenas de tirar fotos e comprar algo rápido. A cidade é o principal ponto de peregrinação católica do país, como se fosse o equivalente à Fátima, só que na Áustria. Para variar, outra cidade linda!

Paisagem de Sankt Wolfgang

Paisagem de Sankt Wolfgang

Seguimos nosso caminho, e o passeio seguinte seria de barco, pelo lago Traunsee. Paramos na cidade de Ebensee, onde embarcamos num barco restaurante para uma gostosa viagem de cerca de uma hora por esse lago, cujas margens possuem lindas casinhas pitorescas.

Terminado o passeio de barco, seguimos nosso caminho até Viena, o destino final do dia. Nesse momento não havia nada planejado, apenas chegar no hotel e dormir. Ainda deu para conhecer um pouco da vizinhança ao redor, mas a cada dia, chegávamos mais cansados nos hoteis.

Dia 8 – Viena

Viena (Google Maps)

Viena (Google Maps)

Esse dia seria exclusivo para a capital austríaca! Desde Paris que não ficávamos na mesma cidade por um dia completo, então deu pra conhecer muita coisa sobre Viena, que se mostrou uma cidade incrível.

Primeiramente, fizemos um tour de ônibus, semelhante ao que fizemos em Paris. Conhecemos os principais pontos da cidade de uma maneira geral, com a ajuda de um guia que falava pontos interessantes sobre. Conhecemos desde o centro histórico de Viena até a sede das Nações Unidas na cidade.

Durante esse tour de ônibus faríamos duas paradas nos dois palácios da cidade: Belvedere e Schönbrunn. Os dois palácios são lindíssimos, e os conhecemos rapidamente pelo lado de fora. Numa viagem futura conheceria Schönbrunn e Belvedere por dentro, mas para variar, não teríamos tempo suficiente para explorá-los naquele dia.

Gloriette, em Schonbrunn

Gloriette, em Schonbrunn

No início da tarde, a excursão nos deixaria no centro de Viena, próximo ao museu Albertina. De lá, iríamos voltar para o hotel por conta própria. Por não termos restrições de horário, fizemos tudo de maneira calma e tranquila. Almoçamos ali perto, compramos nossas lembranças, e decidimos visitar o Hofburg e seus arredores.

O Hofburg é o palácio que era o lar da família imperial austríaca durante o inverno (Schönbrunn era a residência durante o verão), assim como a sede do governo imperial. Hoje em dia, abriga uma série de complexos e museus que são abertos ao público.

Alguns ouros da família imperial austríaca

Alguns ouros da família imperial austríaca

Ali, decidimos visitar o Museu Sisi e os Kaiserappartments, que oferecem uma visão de como viviam a família imperial austríaca (seus aposentos, utensílios, obras de arte, etc). Para completar a visita, o Museu Sisi faz uma homenagem à última imperatriz da Áustria, que morreu assassinada por um terrorista.

Ainda passeamos pelo centro de Viena, e voltamos para o hotel usando um tram. Foi meio complicado de chegar, mas conseguimos afinal! :)

Dia 9 – Maribor, Ljubliana e Veneza

Viena - Maribor - Ljubljana - Mestre/Veneza (Google Maps)

Viena – Maribor – Ljubljana – Mestre/Veneza (Google Maps)

Saindo de Viena, nosso destino final era a linda Veneza, local de sonho! Para tanto, precisaríamos atravessar a Eslovênia, país europeu que fez parte da antiga Iugoslávia até 1991. Era a minha primeira vez num país que se localizava atrás da cortina de ferro, então fiquei curiosa para saber o que eu veria.

Na verdade, escrevi sobre esse dia na Eslovênia com mais detalhes aqui. Nossa primeira parada foi na cidade de Maribor, a segunda maior do país, mas não a conhecemos tanto. Motivo? Entramos numa loja e fizemos várias comprinhas, hehe.

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Ljubljana

Depois de uma manhã de compras (e alguns produtos que ganhamos de cortesia), seguimos até Ljubljana. Confesso que não lembro de muita coisa do caminho pelo fato de que estava mal do estômago e dormi. Mesmo quando chegamos, não queria ir conhecer a cidade. Por mim, eu ficaria no ônibus dormindo, pois estava me sentindo muito enjoada para fazer qualquer passeio.

Não tive escolha e tive que descer, o que foi ótimo! Algumas horas depois, já estava bem melhor e amei o que vi! Ljubljana é uma cidade linda, agradável e muito organizada! Tinha uma impressão (muito) errada sobre a aparência de ex-repúblicas influenciadas pela URSS, e achei a capital da Eslovênia tão bonita quanto outras cidades que visitamos nesta viagem.

Também fizemos comprinhas lá! Achamos os preços da Eslovênia muito competitivos, e amamos o que vimos!

Ljubljana

Ljubljana

Enfim, voltamos pro ônibus e continuamos nosso caminho até Veneza. Ao redor da estrada, lindos campos de girassol e o mar Adriático refletindo o pôr-do-sol. Lindo lugar, e continuaríamos nossa aventura no dia seguinte, desta vez na Itália.

O resto da história continua na parte 3. :)

Museu da Casa Rosada, em Buenos Aires

Anteriormente conhecido como Museo del Bicentenario, este museu foi construído em 2011 durante o governo da então presidente Cristina Kirchner, e este local foca em apresentar o passo a passo da construção da nação argentina desde seu início através de objetos, vídeos e outros artefatos (por isso o nome Bicentenario, pois o país completara 200 anos de existência em 2011). Com o novo governo Macri, o nome foi trocado e passou a se chamar Museu da Casa Rosada, como forma de desvincular a imagem do governo anterior, mas a essência é a mesmíssima.

Bandeira da Argentina, localizada na Plaza de Mayo (em frente à Casa Rosada)

Bandeira da Argentina, localizada na Plaza de Mayo (em frente à Casa Rosada)

Antes de continuar a comentar, eu fiquei muito chateada, pois eu não visitei a Casa Rosada, e em breve vou fazer um post sobre isso.

Enfim, não visitamos o prédio da sede do governo argentino, porém tiramos fotos do exterior, que foi o que deu (que triste) e continuamos o planejado do dia visitando o Museu Casa Rosada (o tema do post, mesmo). Ele se localiza nos fundos da Casa Rosada, na av. Hipolito Yrigoyen: a entrada é uma estrutura de vidro.

A visita começa numa sala que possui um vídeo explicativo e alguns objetos e imagens sobre o local onde o museu se encontra: as ruínas da antiga aduana Taylor. Segundo o que foi explicado, a Casa Rosada foi construída às margens do Rio da Prata e as galerias da aduana ficavam obviamente debaixo d’água. Ou seja, todo o espaço daquele museu originalmente era todo afogado, e se você olhar no mapa, as margens do Rio da Prata se encontram muito mais longe que seu curso original – depois do novo bairro de Puerto Madero.

Dentro do Museu Casa Rosada

Dentro do Museu Casa Rosada

A visita continua com uma espécie de linha do tempo: desde a Revolução de 1810 até os dias de hoje. Cada “era”, digamos assim, é dividida entre os arcos das galerias, com cada espaço representando sua época devida, através de um rico acervo composto de objetos importantes, quadros, documentos, fotos e vídeos explicativos que ajudam a entender o contexto da história argentina para leigos.

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Essa linha do tempo que citei acima é dividida em 14 partes que são denominadas em:
– De la Revolución;
– La anarquía. Rosas, el restaurador de las leyes. Unitarios y Federales;
– Organización del Estado Nacional;
– Gran inmigración y el orden conservador;
– Del sufragio popular, el Radicalismo y las luchas sociales;
– De la década Infame al ascenso de Perón;
– El Peronismo;
– La Libertadora: La proscripción de las mayorías;
– La resistencia Peronista. Organizaciones políticas y sociales;
– La dictadura militar: El Proceso;
– La recuperación democrática y sus límites;
– El Neoliberalismo;
– La recuperación política, económica y social. El Bicentenario.

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Uma coisa que me chamou a atenção foram os vídeos. Eles me fizeram compreender de uma maneira simples, como que a história da Argentina se desenvolveu. Também adoro ficar admirando objetos antigos, o que enriquece muito este museu.

Para concluir, existe uma exposição permanente no local. A obra “Ejercicio Plástico” do artista mexicano David Siqueiros está conservada no local e uma guia fica explicando o contexto da obra, datada dos anos 1930. O que é mais interessante sobre essa obra é que ela é um sótão, literalmente.

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Este artista, o Siqueiros, pintou essa obra no sótão de uma casa em Buenos Aires, e o processo de recuperação (iniciado em 1990) exigiu que todo o cômodo fosse retirado, num processo pioneiro no mundo. Achei a obra meio obscura, até angustiante, mas é admirável e cheias de nuances para observar.

Estilo de "Ejercicio Plástico"

Estilo de “Ejercicio Plástico”

O Museu Casa Rosada (ou Bicentenario, para àqueles que ainda não se adaptaram à nova nomenclatura) é bem tranquilo e interessante. Ele não consome muito tempo de visita e se encaixa em diversas programações, por estar tão próximo de outras coisas que merecem visita em Buenos Aires. Vale muito a pena conhecer.

Nossa Senhora de Paris

A Catedral de Notre Dame em Paris é um daqueles marcos que logo pensamos quando nos falam da cidade luz, e também um dos primeiros que queremos conhecer assim que chegamos por lá.

Fachada de Notre Dame

Fachada de Notre Dame

A construção do que viria ser uma das igrejas mais bonitas do mundo começou ainda no século XII, mas se estendeu até o primeiro quarto dos anos 1300, passando pela mão de vários arquitetos com estilos diferentes e reis que queriam pomposidade, acima de tudo.

Desde então, a Catedral se tornou foco de muitas pessoas, incluindo a depredação por huguenotes que consideravam diversos artigos ali dentro idolatrias, e uma espécie de refúgio para o Culto da Razão durante a revolução francesa. Ali também ocorreu o famoso fato da coroação de Napoleão, que eu já esmiucei nos mínimos detalhes aqui.

O que é famoso em Notre Dame? Com certeza os famosos vitrais e o enorme órgão que se encontra dentro da Catedral. Esses lindos vitrais já foram danificados, quebrados e perdidos várias vezes, seja por revolucionários, seja por guerras. Mesmo assim, quase todos ainda são originais.

Quais são os detalhes da fachada da Catedral?A fachada da frente é cheia de detalhes, e já podemos perceber 3 grandes portais, e cada um com o seu significado:

  • Portal do julgamento: É o central e o mais novo do complexo. Ela tem uma cena que representa o juízo final, com pessoas de vários estereótipos, e com Cristo como juiz. Também tem uma representação do inferno, com uma estátua de um demônio esmagando os condenados.
  • Portal da virgem: Ele é o mais antigo e é dedicado à Virgem Maria. Existe uma representação dos reis e profetas de Israel em volta da Arca da Aliança. Uma das estátuas mais conhecidas é a de Saint Denis decapitado (e segurando a cabeça) cercado por dois anjos.
  • Portal de Santa Ana: Ela é dedicada à Santa Ana, mãe da Virgem Maria. Ela é representada como uma rainha cercada de súditos, e segurando Cristo no colo. Esse portal foi seriamente danificado há anos atrás.

Precisa pagar para visitar? A entrada é franca dentro da Catedral, e não há limite de tempo para visitas. Se pede apenas o respeito e fotos com flash são proibidas.

Na ponte pedestre

Na ponte pedestre

Qual o tempo estimado para visita? No máximo duas horas para conhecer tudo.

Quais outros pontos interessantes por ali? O Hôtel de Ville (prefeitura) fica ali pertinho, e vale a pena a visita, nem que seja pra tirar foto. Do outro lado, atravessando a Pont au Double, que é somente pedestre, dá para se chegar rapidamente ao Quartier Latin, à Sorbonne e aos Jardins et palais du Luxemburg. Não se esqueça também de tirar foto no marco zero de Paris! Reza a lenda de quem pisa lá sempre volta à cidade.

Como chegar? Recomendo parar na estação do metrô Cité (linha 4, a roxa) e andar um pouco pela Île de la Cité.

Norte, sul, leste e oeste

Andar de trem pela Hungria e arredores é fácil e prático, independentemente de barreiras do idioma e de outros fatores. Para tanto, o viajante deve ter perspicácia e ser esperto em qualquer situação.

Existem 4 estações de trem em Budapeste, cada uma representando uma direção: norte, sul, leste e oeste. As duas mais famosas e movimentadas são Keleti (que significa leste) e Nyugati (que significa oeste). A estação Déli (que significa sul) também tem seu movimento, e a estação Kelenfold (que não significa norte, mas se situa ao norte de Buda) eventualmente recebe algum trem advindo de lugares mais distantes.

Começando pela Keleti Pályaudvar (pályaudvar significa estação de trem), que era a mais frequentada por mim. Ela foi inaugurada em 1884 e na época era considerada uma das estações de trem mais modernas da Europa. A fachada é bem bonita e atualmente está em reforma devido às construções da linha 4 do metrô.

Falando em metrô, Keleti pu. tem uma conexão com a linha M2 e terá com a M4 no momento de sua abertura, além de possuir diversas paradas de ônibus, e receber a maior parte dos trens internacionais. Essa grande conexão levou a estabelecer Keleti como conexão direta ao aeroporto Liszt Ferenc (Ferihegy) em um projeto já em estudos.

Lembrando que eu já falei do metrô de Budapeste aqui.

Fachada de Keleti

Outra estação igualmente famosa é a Nyugati Pályaudvar, que foi construída pela Eiffel Company (sim, do mesmo sangue da Tour Eiffel). Ela também recebe muitas conexões internacionais e a estação fica num ponto bem estratégico da cidade numa interseção entre a Grand Boulevard e a Váci Avenue.

Nyugati é bem acessível por metrô (linha M3), tram e ônibus, além de muitos táxis confiáveis sondarem a região. Um dos melhores shoppings de Budapeste, o West End, fica ali pertinho, cheio de lojas muito boas de diversas marcas e preços.

Fachada da Nyugati Palyaudvar

Fachada da Nyugati Palyaudvar

Uma estação também conhecida é Déli Pályaudvar. Ela foi aberta em 1861 servindo de conexão para Rijeka, na Croácia (na época, parte do Império Austro-Húngaro), mas foi seriamente danificada durante a Segunda Guerra Mundial. Sua fachada foi refeita em 1975 e tem uma arquitetura essencialmente comunista. Déli também tem uma conexão com o metrô, sendo uma das paradas finais da linha M2.

A estação menos movimentada e conhecida de Budapeste é Kelenfold Pályaudvar, com serviços principalmente em cidades do interior da Hungria. Ela ainda não possui conexão com o metrô mas será uma das paradas finais da linha M4, prevista para inauguração em 2015.

Em qual estação irei chegar em Budapeste? Isso é bom de se informar no momento que se compra a passagem, seja online ou na estação de procedência. Geralmente eles informam nos tickets como “Budapest – Keleti”, “Budapest – Nyugati”, e assim sucessivamente.

Essas estações tem boa estrutura? Sim, todas contém uma infraestrutura adequada com casas de câmbio, restaurantes (leia-se: lanches), banheiros, informação ao turista e às vezes lembrancinhas e vendedores ambulantes.

Como me locomover por Budapeste após chegar nas estações? Em Keleti, Nyugati e Déli existem conexões com o metrô (como indicado acima), e se pode comprar tickets de 72 horas dentro das estações. As máquinas tem indicações em inglês. O metrô é fácil e simples de se usar e a partir dele se dá pra chegar nos principais lugares de Budapeste. Fora isso, sempre existem táxis do lado de fora das estações.

Como faço pra comprar passagens dentro da estação? Existem dois tipos de bilheterias: a de destinos locais e a de destinos internacionais. É só se dirigir a uma delas (dependendo do destino) e pegar uma ficha. Logo o atendimento será feito e normalmente os atendentes (muitas vezes mal educados) falam inglês. Não é bom esquecer de comprar a reserva do assento também!

Onde se informar dos horários de saída dos trens? Sempre é bom ficar de olho nos painéis eletrônicos e nas suas respectivas plataformas. Também é bom observar qual companhia férrea você comprou a passagem, pois eles verificam sempre os bilhetes no trem.

Sisi, a imperatriz da Áustria

Pensa numa pessoa popular na Áustria, Hungria, e no mundo, por que não? Todos sabem a história dela de cor, mulheres acham ela linda e de certeza muitas a invejaram pelo estilo de vida e privilégios que ela recebeu. Estou falando da Imperatriz Elisabeth da Áustria, ou simplesmente Sissi, considerada um mito até os dias de hoje.

Vou contar a história dela. A princesa Elisabeth von Wittelsbach nasceu em uma das mais famosas cortes da Europa e passou sua infância na linda Baviera. Aos 15 anos, ela foi acompanhar sua mãe e irmã para um encontro com o imperador austríaco Francisco José I. Até então, a irmã estava prometida ao jovem monarca, mas ele se apaixonou por Elisabeth ao invés da sua prometida, que estava de luto e estava vestindo preto.

Retrato de Sisi em 1861

Retrato de Sisi em 1861

Os dois se casaram e aparentemente começaram a viver uma vida de conto de fadas. Os dois tiveram quatro filhos e Sissi se tornou um mito da beleza. Os filmes feitos sobre ela mostravam uma princesa alegre e que aproveitava a vida, mas relatos de hoje em dia mostram justamente o contrário.

A imperatriz estava tendo uma vida infeliz na corte e além do mais, era mal vista por todos devido à preferência pela Hungria sobre a Áustria. Ela também não tinha um bom relacionamento com a sogra, que escolheu o nome da primeira filha de Sissi sem consentimento, e a impediu de participar da educação dela. Em uma viagem para Budapeste, as duas filhas que tinha até então ficaram doentes com diarreia, e a mais velha morreu com apenas dois anos.

A jovem Sissi é uma das pessoas que possui um dos mais antigos registros de anorexia do mundo. A cintura dela era muito fina, de aproximadamente a largura de um pescoço comum e pesava cerca de 50 kg em mais de 1,70 de altura. O IMC dela seria considerado de risco nos dias de hoje.

Após a morte de Sophia, sua filha mais velha, Sissi se recusou a comer por vários dias (hábito que cultivaria ao passar por momentos difíceis) e criou alguns hábitos alimentares no mínimo peculiares. Ela não comia nenhum tipo de alimento sólido, e possuía espremedores especiais para toda a sua comida. Reza a lenda de que Sissi pedia pra espremer um bife cru para que ela pudesse tomar o caldo que saísse dele.

Ela também era bem vaidosa. Ela tinha um cabelo bem comprido, chegando até na altura dos joelhos, que costumava decorar com flores de ouro branco cravejado com diamantes. A escovação diária do cabelo levava horas! Fora isso, ela se pesava três vezes ao dia. Outra coisa interessante foi que ela proibiu pinturas e fotografias oficiais dela aos 30 anos, para criar uma imagem de beleza jovem eterna cultivada até hoje.

Sissi também viajou bastante. Ela passou anos viajando pela Europa, e além pela paixão pela Hungria, passou um bom tempo em Corfu, na Grécia, onde também se apaixonou.

A paixão pela Hungria era evidente. Sissi era uma presença constante na ópera de Budapeste e passava grande parte do seu tempo no palacete de Godollo, que já escrevi sobre aqui. Ela também criou laços políticos especiais com Gyula Andrássy, que acabou virando primeiro ministro da Hungria após o pacto que criaria a Áustria-Hungria. Ela serviria como ponte política entre ele e o imperador.

A saúde e vida pessoal da imperatriz começaram a desandar, e ela viajou e passou uma temporada na Ilha da Madeira para se recuperar de uma tuberculose. Após voltar à Áustria-Hungria, e ao casamento com o imperador, ela decidiu ter mais um filho, e ele ficaria sob os cuidados dela. A sogra Sophie morreu e o controle da vida dos filhos novamente seria de Sisi.

Os anos passaram e a tragédia abalou a família imperial de novo. O filho mais velho, Rudolf, que herdaria o trono, acabou se suicidando com a sua amante. Um ano depois, seu grande amigo Gyula Andrássy também morreu e após isso, ela se tornou extremamente depressiva, reclusa e só passou a usar preto. Suas incríveis viagens passaram a ser uma válvula de escape para a imperatriz.

Elisabeth recusava a presença de seguranças, e em 1898 um fanático italiano a assassinou em Genebra. Ele estava desesperado por atenção e procurou matar a primeira pessoa famosa pela frente. Ao descobrir que a Imperatriz da Áustria estava na cidade, ele a atacou com uma espécie de estilete e fugiu. Sisi estava fazendo compras com uma amiga e não havia percebido que estava ferida. Elas iriam até um encontro em um barco no Lago Genebra, onde começou a passar mal.

Isso se deu pelo fato de que os espartilhos de Sisi eram tão apertados que o ferimento no coração quase não sangrou. Ela morreria no dia seguinte.

O Imperador Francisco José ficou extremamente triste com a morte de Elisabeth e passou os anos seguintes tentando se aproximar do novo herdeiro do trono Austro-Húngaro, o seu sobrinho Francisco Ferdinando. Ele morreria em um atentado em Sarajevo a 1914, que acabou sendo um estopim para a Primeira Guerra Mundial. Em cartas para sua filha Gisela, ele admitiu que a morte de Ferdinando era um alívio para uma grande preocupação. O imperador morreria em 1916.

Essa história digna de romances de Hollywood é cativante para os austríacos e também para os húngaros. Para eles, Sissi é sua eterna imperatriz e sua figura é estampada em todos os cantos de Viena.

Chocolates, cartões postais, bolsas, canetas, cosméticos, livros e todo qualquer tipo de souvenir de Sissi são encontrados com facilidade em Viena e em Budapeste. Eu mesma comprei um kit de banho da Sissi numa caixinha em forma de coração (risos). Vários DVDs com a sua biografia e seus filmes estrelados por Romy Schneider dos anos 1950 também estão à venda.

Dois dos museus dedicados à Sissi se encontram no seu palácio de verão de Godollo, e um, mais conhecido e completo em Viena, no complexo Hofburg. O ticket do museu Sisi também dá direito à coleção de prataria dos Habsburgo e dos Kaiserappartments.

O museu Sisi é lindo e mostra com detalhes toda essa história que contei da Imperatriz. Ele fica aberto das 9 às 17:30 normalmente e contém audioguias que contam a história dos lugares pedaço por pedaço. Esse museu também possui objetos como diários, roupas, joias, sapatos, e a roupa que ela usava quando foi assassinada, junto de laudo médico e afins.

Fora isso, o museu é bem equipado com tecnologia e tem iluminação interessante. A entrada é um pouco mais de 10 euros e de certeza é uma visita obrigatória em Viena. Fora isso, não dá pra sair nem de Viena ou Budapeste sem algum souvenir da Sissi!

Você viaja pra Budapeste e encontra Roma

A Hungria de hoje tem todos os tipos de influência vindas de outros países da Europa, como os grandes boulevards herdados do Império Austro-Húngaro, os Gyros (sdds) e os banhos vindos da influência dos turcos, durante muito tempo de invasão. O que quase ninguém sabe é que Budapeste tem uma grande influência de Roma.

Acontece que o rio Danúbio (carinhosamente chamado de “Duna” em húngaro) era uma das fronteiras do Império Romano na sua maior dimensão. A província onde parte da atual Hungria se encontrava era chamada de “Pannonia”, e diferentemente como o Aegyptus, a Cappadoccia, a Mauretania e as Germanias, seu nome romano não prevaleceu para a posterioridade. (Aegyptus seria um equivalente ao Egito; Cappadoccia para a Capadócia, região da Turquia; Mauretania era considerada uma região do norte da África, onde ficaria o Marrocos hoje mas que denomina outro país na região do Saara; e as duas Germânias são uma base para a Alemanha de hoje).

Foto do mapa que eu tirei em Budapeste. Máquina simples + pessoa baixinha + altura não são boas combinações.

Foto do mapa que eu tirei em Budapeste. Máquina simples + pessoa baixinha + objeto em altura não são boas combinações.

Toda a região da atual Buda estava sob a jurisdição da Pannonia, e justamente uma capital foi construída no que hoje é conhecida como “Óbuda”, a região mais antiga de Budapeste. Essa capital era como qualquer outra cidade romana, com um mercado, um templo, casas e ruas.

Olha que eu costumo pesquisar bastante sobre os lugares que estou indo visitar, mas só descobri essas ruínas no trem a caminho de Szentendre, com dois amigos. Elas tinham forma de aquífero, e fomos pesquisar a respeito em casa.

Pesquisando um pouco depois, descobrimos que havia um museu dedicado a essas construções, que era chamado de Aquincum (aquífero em latim), e que havia um espaço ainda com muitas ruínas. Era o que tínhamos visto. Decidimos ir lá ver, porque né…?

Eu fui com o Diego, um amigo de Minas até Batthany Tér, na linha vermelha do metrô, onde pegaríamos o trem metropolitano que tem início ali, e a parada final em Szentendre. Como a parada do Aquincum era ainda dentro dos limites de Budapeste, não precisaríamos pagar a passagem, pois tínhamos os passes municipais.

O trem sai como de 8 em 8 minutos, e apesar dele ser antigo, a ida é confortável pois você ainda pode escolher um lugar pra sentar. Esperamos até chegar na parada “Aquincum”, e descemos.

Estávamos indo fim da tarde já, e o museu fechava tipo uns 20 minutos depois de chegarmos. Era ainda um dia de semana, e só tinha ~nós dois~ no parque inteiro. Eu achei super estranha a sensação de estar no meio daquelas ruínas milenares só com o Diego, mas eu liguei aquela tecla famosa e fui conhecer.

Glimpse das ruínas.

Glimpse das ruínas.

Realmente não há muito o que ver ali. Existem algumas ruínas, e indicações sobre que lugares elas eram. Uma ruína era o mercado da cidade, outra era um templo dedicado a uma deusa, e havia inclusive um modelo de como seria uma tradicional casa romana, com modelo de sala, quarto e móveis.

Modelo de uma casa Romana

Modelo de um cômodo Romano.

Também tem uma parte que mostra algumas relíquias achadas nas escavações, como vasos, porcelanas e algumas estátuas. Realmente é de se impressionar que Budapeste foi sim um reduto da cultura romana por anos!

Algumas restaurações em antigos prédios.

Algumas restaurações (e adaptações) em antigos prédios.

Então, pra quem tem alguns dias de sobra, é interessante passar umas duas horas para conhecer o Aquincum. Foi uma programação totalmente diferente de todas que eu já tinha feito em Budapeste, especialmente pelo fator surpresa. Mas depois de já ter conhecido Roma, o Aquincum não me impressionou muito.

Fica uma crítica para o desenvolvimento do turismo em Budapeste: o Aquincum é um lugar de um tremendo potencial, mas ele é basicamente ignorado pelas autoridades e guias de turismo em Budapeste. Se mudasse um pouco a divulgação do local, e se aumentassem relatos de visita, além de instigar outras pessoas a ir, o local pode se tornar um outro marco para a cidade. Tenho certeza de que se certas providências fossem feitas, o Aquincum teria muito mais visitantes do que eu e o meu amigo naquela tarde.