A basílica e a mão incorruptível

Na maior parte das cidades da Europa, as igrejas e catedrais são pontos turísticos notáveis, cuja história muitas vezes se mistura com a do local em questão.  Em Budapeste, isso não é diferente. Uma das principais atrações turísticas da cidade é a Basílica de Santo Estevão, tema do post de hoje.

Basílica de Santo Estêvão

Basílica de Santo Estêvão

O que é?

Seu nome em húngaro é Szent István-bazilika, e esta é uma basílica católica romana localizada no centro de Budapeste. Ela é a principal igreja do país e o prédio mais alto da capital da Hungria, dividindo o posto com o Parlamento Húngaro.

Em frente à Basílica

Em frente à Basílica

O local é considerado um ponto de referência para a fé católica no país, e seu prédio faz jus a toda a atenção recebida. A basílica ainda possui uma pequena coleção de joias e artigos, inclusive uma suposta parte do corpo do Santo Estêvão.

Esta basílica foi construída em homenagem à Santo Estêvão (István, em húngaro), primeiro rei da Hungria e fundador do país.

Quem foi Santo Estêvão?

Como disse um pouco acima, Szent István foi o primeiro rei da Hungria, e por causa disso, é também considerado o fundador da nação húngara. Não se sabe ao certo o ano de seu nascimento, mas estima-se que ele viveu entre os anos de 975 a 1038.

Sua canonização aconteceu poucos anos depois, em 1083, pelo Papa Gregório VII. Desde então, a figura de Santo Estêvão é associada com o orgulho e poder húngaro, caminhos traçados igualmente por seus objetos.

Um dos símbolos húngaros mais conhecidos é a coroa utilizada por Santo Estêvão, com a cruz torta. Essa coroa é retratada em diversos monumentos por todo o país, inclusive estando presente no brasão oficial (coat of arms) da Hungria.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/34/Coat_of_arms_of_Hungary.svg/2000px-Coat_of_arms_of_Hungary.svg.png

Uma réplica da coroa se encontra na Basílica, onde ficam alguns tesouros. Porém a original se encontra no Parlamento húngaro, inclusive à vista de visitantes que fazem o tour dentro do local.

Santa coroa húngara (câmera meh e sem flash dá nisso, né?)

Santa coroa húngara
(câmera meh e sem flash dá nisso, né?)

Dentro da Basílica

A visita dentro da basílica é gratuita, e seu interior é muito bonito. Eu diria que a Basílica de Santo Estêvão de Budapeste é muito mais bonita que a sua catedral de mesmo nome de Viena. Os tamanhos nem se comparam, muito menos os adornos do local!

P.S.1: Não pode tirar fotos com flash no interior da Basílica.
P.S.2: Minha câmera não era tão boa na época, muitas fotos saíram tremidas.

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A mão incorruptível

Santo Estêvão possui uma imagem considerada ilibada, e para a posteridade, sua figura é lembrada como se fosse incorruptível. Para tanto, sua mão foi mumificada e conservada, estando às vistas do público que visita a Basílica. Provavelmente a mão é o ponto alto do passeio, e não deixe de vê-la!

 

Urna onde se localiza a mão

Urna onde se localiza a mão

História da mão

História da mão

Como chegar até lá?

A Basílica se localiza bem no coração de Budapeste e existem várias maneiras de chegar até lá. A estação de metrô mais próxima é a Déak Ferenc Ter, a principal da cidade, e que é interseção para as linhas M1, M2 e M3 (amarelo, vermelho e verde). Também dá para chegar de tram, em estação com o mesmo nome.

Praça em frente

Praça em frente

Quanto é o tempo de visita?

Eu diria que entre 1h e 1h30 é o suficiente para fazer uma boa visita na Basílica e nos seus tesouros. Por estar numa localização central, dá para emendar a visita na Basílica com outros passeios, como o Parlamento Húngaro e diria que até a Ópera de Budapeste.

Essa é uma região na cidade muito gostosa de caminhar, cheia de prédios antigos, avenidas largas, lojas e restaurantes. Com a abundância de transportes públicos, não é difícil nem o acesso, nem a oportunidade de visitar outras coisas depois.

O principal banho termal de Budapeste

Infelizmente só passei 6 semanas nesse meu último intercâmbio. Conheci pessoas de muitos países, visitei lugares lindos e experimentei todo tipo de comida (boa ou ruim). No geral aproveitei a experiência húngara ao máximo, e sem causar polêmica, vivi mais sensações do que na Rússia.

Porém, existem aqueles momentos em que você se pergunta: “Por que eu não fiz isso?” Na volta da Rússia, eu não conseguia acreditar que eu não havia viajado ao redor do Volga. Existem várias cidades lindas ali ao redor, que mesmo no inverno são aqueles lugares que algum dia você tem que ir! Volgogrado, Kazan, Samara, nem mesmo São Petersburgo, já que estive tão pertinho e tive tempo… deixa pra lá. Ainda volto na Rússia.

Na minha segunda experiência tentei compensar mais a falta de viagens na Rússia, e até que conheci muita coisa. Conheci Praga, Bratislava, cidades na própria Hungria e fui a Viena de novo (bota de novo nisso!). Justamente pela falta de tempo, e pelo fato de que eu só poderia viajar aos fins de semana, não pude conhecer alguns lugares como a Croácia, a Polônia e a Transilvânia. Cheguei perto de ir pra esses lugares, mas a logística de trens e ônibus, dinheiro e disponibilidade de tempo me limitou. Sem problemas, existe uma próxima vez.

Em Budapeste conheci vários pontos turísticos, e procurei não deixar passar nenhum em branco!

  • Castelo de Buda: check
  • Praça dos Heróis: check
  • Chain Bridge: check
  • Parlamento Húngaro: check
  • Ópera de Budapeste: check
  • Museu Nacional Húngaro: check
  • Margaret Island: check
  • Fisherman’s Bastion: check
  • Citadella: check
  • Zoológico de Budapeste: check
  • Palácio Vajahunyad: check
  • Casa do Terror: check
  • Parque da Cidade: check
  • Saint Stephen’s Basilica: check
  • Palácio Real: check

Tá que conheci mais coisas além dessas que citei, mas basicamente fui em todas as atrações turísticas que algum guia específico sobre BP mostraria. Só não fui em um. E meio que me martirizo por isso.

Um dos principais marcos da Hungria em geral é a grande influência turca gerada após séculos de ocupação. E com isso, nada mais natural do que “absorver” alguns costumes, certo? Combinando com o fato de Budapeste se encontrar sobre grandes depósitos de águas termais, os banhos públicos se tornaram bem populares, fazendo parte da cultura da cidade até os dias de hoje.

Esses banhos são em ambientes abertos e fechados, e o mais conhecido deles é o Szechenyi Fürdo, retratado em diversos cartões postais. Lá nesse banho, piscinas de água quente e fria ficam lado a lado, atendendo a todos os gostos. Também tem aqueles velhinhos jogando xadrez dentro d’água sem preocupações.

Piscina no Szechenyi Fürdo

Piscina no Szechenyi Fürdo

Resumindo: não fui nos banhos, mas não fui omissa em relação a eles!

Antes de viajar pra lá, eu não fazia ideia de que existiam esses banhos e nem pensei em colocar um biquini na mala. Após saber da existência desses banhos, e como eles eram essenciais para as pessoas que realmente querem conhecer Budapeste, resolvi comprar algo por lá mesmo. Logo na primeira semana comprei um maiô, o menos pior à venda que achei. Realmente compreendi que as Brasileiras são as que entendem de biquini, já que todos à venda eram um mais bizarro que o outro.

Acabei viajando e procurando conhecer vários lugares e acabei marcando de ir nos banhos na penúltima sexta-feira que estaria por lá. Eu iria junto com mais dois amigos brasileiros, a Fernanda e o Diego. Acontece que naquela noite, iria ter uma festa de despedida na minha casa e eu passei a tarde fazendo compras e arrumando o apartamento com a Rekha. Quando eu fui ver a hora, não ia dar tempo de aproveitar os banhos antes das pessoas começarem a chegar na minha casa.

Acabei marcando posteriormente com o Giácomo, um amigo italiano que também queria muito ir. Eu fiquei tão atarefada durante a semana seguinte que combinei com ele na terça de manhã, mas por algum motivo não pudemos ir. Fiz passeios na quarta e quinta, e a sexta, sábado e domingo foram dias que eu estava mais preocupada em fazer a minha mudança da escola e de me despedir dos meus amigos e meio que desencanei de ir para os banhos.

Se eu tivesse me esforçado em termos de organizar meu tempo, talvez eu tivesse ido para lá, mas não foi uma prioridade. Só chegando aqui eu percebi a falta que fez de eu não ter ido para nenhum banho turco/húngaro. Como falei antes, existem outras oportunidades, e eu acredito do fundo do meu coração que eu voltarei em Budapeste em breve.

Quando eu estava na Rússia, planejei uma ida à Praga antes de pegar meu voo de volta em Paris. Acabou que um rolo aconteceu, e me martirizei por não ter ido lá. No ano seguinte conheci a cidade inteira só à pé. Enquanto eu não volto pra Budapeste, me contento com o cartão-postal do Szechenyi Fürdo que comprei na Vacy utca.