Viajar ao redor da Hungria

A Hungria está localizada bem no coração da Europa Central, e só com um breve conhecimento em geografia já é possível dizer que a localização privilegiada desse pequeno país é um grande atrativo para turistas, especialmente aqueles que viajam de país para país. Por isso, a Hungria ganha vários pontos na lista de viajantes pela Europa.

Só pra ter uma ideia, a Hungria faz fronteira com 7 países: a Áustria, a Eslovênia, a Croácia, a Sérvia, a Romênia, a Ucrânia e a Eslováquia, e a conexão com o resto da Europa fica bem fácil de qualquer maneira.

Mapa da Hungria e países fronteiriços

Mapa da Hungria e países fronteiriços

Primeiro, devemos levar em consideração que a Hungria não tem saída para o mar, o que deixa sua acessibilidade via barcos bem difícil. Uma saída plausível seria a de navegar pelo Danúbio a partir da Romênia, mas a navegação turística é amplamente prejudicada pela Sérvia, que ainda exige visto para muitas nacionalidades (para brasileiros, a necessidade de visto permaneceu até meados de 2013).

Com isso, devemos considerar as saídas por ar (aeroportos) e por terra (ônibus e trem), e de qualquer maneira, Budapeste será o hub principal do país. Quase todas as rotas partindo de cidades do interior passam, ou fazem conexão na capital, mesmo para as cidades maiores como Pécs, Miskolc, Debrecen, Szeged e assim sucessivamente.

Sobre aeroportos: A Hungria possui 9 aeroportos civis, sendo 5 internacionais e 4 domésticos. Porém, apenas o aeroporto de Budapeste de fato recebe uma certa quantidade de passageiros. Os outros aeroportos basicamente só funcionam com poucos voos charters e aviões de pequeno porte, e muitas vezes com frequência irregular pela falta de demanda.

Caso você não vá morar em Budapeste, a solução mais plausível é pegar um voo até a capital húngara, e se deslocar por terra até o destino final, pela abundância de trens e ônibus. Por exemplo, caso você esteja em Londres e precisa ir até Debrecen, existe a possibilidade de pegar um voo pela WizzAir (companhia low cost húngara) e ir direto. Mas aparentemente, outro trecho semelhante não existirá para nenhuma outra cidade húngara.

Para um review completo sobre o aeroporto de Budapeste, clique aqui.

Para procurar passagens aéreas: A companhia aérea húngara mais importante atualmente é a WizzAir, que é uma low cost com até um certo ponto de qualidade, já que a tradicionalíssima Malev faliu recentemente, deixando um vácuo imenso na aviação do país. Fora isso, várias companhias aéreas atuam na Hungria, mas as que atuam em grandes hubs de aviação podem oferecer mais opções e menores preços. Recomendo chegar na Hungria por Frankfurt, Londres, Istambul, Lisboa ou Paris.

Primeiramente, eu faria uma busca de passagens aéreas por qualquer site especializados em buscas gerais. Depois de verificar os preços, compre direto pelo site da companhia aérea com as melhores condições. Passagens compradas em sites de busca geralmente dão problema quando existem coisas como cancelamento de voo, mudança de rota repentinamente, bloqueio feito por cartão de crédito e afins.

Sobre ônibus: Viajar de ônibus pela Hungria ou para o exterior é super fácil e principalmente, barato. No entanto, o país ainda padece de uma infraestrutura adequada para viagens de ônibus, com algumas paradas sendo feitas na rua sem algum tipo de indicação ou afim.

Por exemplo, a estação de Nepliget faz seus trechos internacionais na rua, e não existe nenhum guichê de venda de passagens para quem precisa de apoio com algum problema (tipo quando o meu ônibus pra Viena saiu alguns minutos antes do previsto, e eu estava a 10 metros de chegar nele). Por falar em venda de passagens, algumas companhias de ônibus não vendem passagens online, e somente em agências de turismo especializadas.

Mesmo com os pesares, viajar de ônibus é muito bom! Para destinos envolvendo a Hungria, recomendo a Orange Ways, a Eurolines e a Student Agency Bus (que é uma empresa da República Tcheca).

Sobre trem: As linhas férreas húngaras são bem densas, e é possível viajar pelo país com uma facilidade incrível, em um curto período de tempo. Mesmo assim, muitos trens tem que fazer uma conexão ou escala em Budapeste, o que não é um problema muito grande.

A companhia férrea húngara é a MAV, que oferece trens de todo tipo: dos mais antigos aos mais novos, dependendo do destino (risos). Em geral, as viagens são bem tranquilas, e as estações de Budapeste oferecem uma estrutura razoável para o turista estrangeiro. Digo razoável pelo fato de que elas estão passando por um processo de modernização, e muitas coisas ainda são antigas.

As estações também oferecem uma timetable em papel que você pode levar no bolso. Ela indica os horários de partida, paradas, e possíveis conexões. Além de cidades nos países fronteiriços, por trem é super fácil de chegar em Praga, em Munique, Berlim, Veneza, Cracóvia, Varsóvia e outros lugares.

Empolgou pra viajar? Chegando lá, essas informações se encaixarão com muito mais facilidade. Viajar ao redor da Hungria é uma moleza!

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Algumas dicas para quem vai viajar de trem

O trem é um dos meios de transporte mais utilizados pelos viajantes, seja pelo preço, pela comodidade, pela estrutura, pelo fato de algumas cidades não possuírem aeroporto, e no meu caso, pelas paisagens e aventuras que uma jornada nos trilhos nos leva!

No entanto, é necessário ficar de olho e ter muita atenção! Assim como qualquer pessoa que nunca viajou de avião gostaria de dicas para não se “perder”, o mesmo se aplica para quem ainda vai começar a andar de trem. Afinal de contas, eu aprendo errando e para evitar qualquer situação para outras pessoas, é super prudente postar dicas por aqui, certo? On y va?!

  1. Pesquise os possíveis trechos num site de passagens de trem.
    É essencial planejar qualquer viagem de trem com os olhos colados na tela do computador. Vai que você quer ir viajar pra Praga de manhã, e só tem trem saindo à tarde? Ou que não existem trechos diretos para o seu destino? Até mesmo a cidade nem constar nas linhas de destino e conexões desejadas. No entanto não faço as compras nesse caso pela internet, pelo simples fato de segurança e até certo ponto, praticidade (é necessário retirar as passagens no ticket booth da estação de trem de qualquer maneira).
  2. Compre a passagem com antecedência.
    Seja na internet ou na estação, é interessante comprar a passagem com no máximo um dia antes da viagem. Vai que no dia pretendido da viagem as filas estejam muito longas, o cartão não passa, você acorda tarde, o trânsito (ou o transporte público te prega uma peça, vide metrô 3 de BP) te impeçam de chegar a tempo de inclusive entrar no trem.

    Minha passagem de trem para Saratov. (tudo em cirílico!)

    Minha passagem de trem para Saratov. (tudo em cirílico!)

  3. Além da passagem, compre o seat reservation.
    O Seat Reservation custa uns 2 ou 3 euros, e é só mesmo para garantir seu lugar certo, mediante sua passagem. Para aqueles que não querem gastar seus 2 ou 3 euros só para ter seu lugar “certo”, a passagem em si já garante seu lugar. No entanto, poupa uns 20 minutos de descanso para encontrar um lugar sem nenhuma marcação. Dependendo dos trens, essa marcação nem existe, mas é bom se informar na hora da compra.
  4. Leve um lanche para comer durante a viagem.
    Na Hungria eu sempre parava num restaurante turco e levava um Gyros pra comer no trem. Fora isso, eu sempre andava com refrigerante, biscoitos, pães e tudo. Na minha bela viagem de 18 horas (foi pouco, viu?) num trem na Rússia, eu levei um supermercado quase inteiro! E te digo que valeu a pena.

    Companheiros de cabine!

    Companheiros de cabine!

  5. Night trains são uma boa pedida.
    Especialmente quando você tem algum compromisso pela manhã e não quer perder horas preciosas em algumas cidades. A dormida pode ser um pouco desconfortável mas nada que tire a energia para o dia seguinte. Só de se estar num lugar novo, o fôlego volta!
  6. Tenha as passagens sempre à mão.
    Entre países na Europa, de vez em quando um fiscal entra no trem ao atravessar a fronteira, para carimbar a passagem como uma “entrada”, tipo como num passaporte ao passar pela imigração. Esse carimbo é uma garantia de que a passagem foi de fato comprada, e também fiscalizada. Em trens que circulam somente no mesmo país a fiscalização também ocorre. No entanto, eles costumam dar só uma rubrica.

    Plataforma de trem em Bratislava

    Plataforma de trem em Bratislava

  7. Beba bastante água.
    Pois afinal de contas, essa é uma viagem como qualquer coisa. Saúde em primeiro lugar!
  8. Fique atento às direções.
    Ao comprar uma passagem, é bom saber primeiramente a estação de saída e a de chegada. Após isso, é bom saber para onde você vai, e quais são as direções a serem tomadas. Saber onde descer no metrô/ônibus, onde fica o hostel/hotel, achar alguma casa de câmbio pelo caminho, talvez… Já é bom ter uma noção de todas essas direções antes de partir para já ter um destino certo.

    Danúbio fazendo as honras!

    Danúbio fazendo as honras!

  9. Baixe aplicativos sobre o destino.
    Um aplicativo guia sobre a cidade é bem interessante! Eles tem mapas, direções, pontos turísticos, roteiros a pé e muito mais. Caso você não saiba pra onde ir, pode dar uma olhadinha no seu celular.
  10. Aproveite bastante as paisagens!
    Essa é a melhor dica! Você nunca sabe o que terá no caminho da linha férrea!

    Cidadezinha fofa!

    Cidadezinha fofa!

Norte, sul, leste e oeste

Andar de trem pela Hungria e arredores é fácil e prático, independentemente de barreiras do idioma e de outros fatores. Para tanto, o viajante deve ter perspicácia e ser esperto em qualquer situação.

Existem 4 estações de trem em Budapeste, cada uma representando uma direção: norte, sul, leste e oeste. As duas mais famosas e movimentadas são Keleti (que significa leste) e Nyugati (que significa oeste). A estação Déli (que significa sul) também tem seu movimento, e a estação Kelenfold (que não significa norte, mas se situa ao norte de Buda) eventualmente recebe algum trem advindo de lugares mais distantes.

Começando pela Keleti Pályaudvar (pályaudvar significa estação de trem), que era a mais frequentada por mim. Ela foi inaugurada em 1884 e na época era considerada uma das estações de trem mais modernas da Europa. A fachada é bem bonita e atualmente está em reforma devido às construções da linha 4 do metrô.

Falando em metrô, Keleti pu. tem uma conexão com a linha M2 e terá com a M4 no momento de sua abertura, além de possuir diversas paradas de ônibus, e receber a maior parte dos trens internacionais. Essa grande conexão levou a estabelecer Keleti como conexão direta ao aeroporto Liszt Ferenc (Ferihegy) em um projeto já em estudos.

Lembrando que eu já falei do metrô de Budapeste aqui.

Fachada de Keleti

Outra estação igualmente famosa é a Nyugati Pályaudvar, que foi construída pela Eiffel Company (sim, do mesmo sangue da Tour Eiffel). Ela também recebe muitas conexões internacionais e a estação fica num ponto bem estratégico da cidade numa interseção entre a Grand Boulevard e a Váci Avenue.

Nyugati é bem acessível por metrô (linha M3), tram e ônibus, além de muitos táxis confiáveis sondarem a região. Um dos melhores shoppings de Budapeste, o West End, fica ali pertinho, cheio de lojas muito boas de diversas marcas e preços.

Fachada da Nyugati Palyaudvar

Fachada da Nyugati Palyaudvar

Uma estação também conhecida é Déli Pályaudvar. Ela foi aberta em 1861 servindo de conexão para Rijeka, na Croácia (na época, parte do Império Austro-Húngaro), mas foi seriamente danificada durante a Segunda Guerra Mundial. Sua fachada foi refeita em 1975 e tem uma arquitetura essencialmente comunista. Déli também tem uma conexão com o metrô, sendo uma das paradas finais da linha M2.

A estação menos movimentada e conhecida de Budapeste é Kelenfold Pályaudvar, com serviços principalmente em cidades do interior da Hungria. Ela ainda não possui conexão com o metrô mas será uma das paradas finais da linha M4, prevista para inauguração em 2015.

Em qual estação irei chegar em Budapeste? Isso é bom de se informar no momento que se compra a passagem, seja online ou na estação de procedência. Geralmente eles informam nos tickets como “Budapest – Keleti”, “Budapest – Nyugati”, e assim sucessivamente.

Essas estações tem boa estrutura? Sim, todas contém uma infraestrutura adequada com casas de câmbio, restaurantes (leia-se: lanches), banheiros, informação ao turista e às vezes lembrancinhas e vendedores ambulantes.

Como me locomover por Budapeste após chegar nas estações? Em Keleti, Nyugati e Déli existem conexões com o metrô (como indicado acima), e se pode comprar tickets de 72 horas dentro das estações. As máquinas tem indicações em inglês. O metrô é fácil e simples de se usar e a partir dele se dá pra chegar nos principais lugares de Budapeste. Fora isso, sempre existem táxis do lado de fora das estações.

Como faço pra comprar passagens dentro da estação? Existem dois tipos de bilheterias: a de destinos locais e a de destinos internacionais. É só se dirigir a uma delas (dependendo do destino) e pegar uma ficha. Logo o atendimento será feito e normalmente os atendentes (muitas vezes mal educados) falam inglês. Não é bom esquecer de comprar a reserva do assento também!

Onde se informar dos horários de saída dos trens? Sempre é bom ficar de olho nos painéis eletrônicos e nas suas respectivas plataformas. Também é bom observar qual companhia férrea você comprou a passagem, pois eles verificam sempre os bilhetes no trem.

Bratislava em um dia

Uma grande vantagem de se morar no interior da Europa é a facilidade de locomoção que temos para ir e vir de qualquer país. As redes de trem e ônibus são bem concisas, as estações são fáceis de se localizar, e a infraestrutura nunca se deixa a desejar.

Então, por estar aqui em Budapeste, resolvi tirar proveito da localidade e conhecer tudo que eu puder em apenas 6 semanas! A minha primeira aventura foi pra Bratislava, capital da Eslováquia.

Como eu trabalho durante a semana, eu não posso fazer pinga-pinga entre cidades, muito menos ficar mais que dois dias em um lugar, mas a junção do feriado de Primeiro de Maio e conhecer uma cidadezinha a duas horas de viagem foi bem útil. Logo pensei em Bratislava, uma cidade não tão grande e não tão longe daqui.

Acompanhe também: Castelo de Bratislava e minhas impressões

Comecei a fazer duas coisas, pesquisar sobre o lugar, e sondar os meus amigos pra viajar! Foi bem fácil de convencer meus amigos a viajar, olha que muitos não puderam ir, mas mesmo assim, fechamos um grupo de 12 pessoas super animadas em conhecer tudo que podíamos!

A segunda coisa, a pesquisa sobre Bratislava, foi igualmente fácil, mas meio decepcionante. É facílimo de se encontrar por aí relatos, sejam em português ou em outro idioma sobre pontos bem negativos sobre a cidade. Já tinha ouvido falar que a cidade era pequena, e que um dia era o suficiente, mas ver tantos relatos mostrando apenas o lado negativo da cidade já me deixou meio apreensiva.

Comecei a perguntar de amigos que já tinham ido pra lá. A resposta deles foi quase unânime: “Hum… não há muito o que fazer lá. Não recomendo você passar o dia lá. A cidade é sem graça. O castelo é feio.” Mas mesmo assim, eu ainda não tinha ido pra lá e por que não conhecer? Resolvi partir mesmo assim!

Saí daqui de Ujpalota cedo, umas 8 da manhã, pra dar tempo de chegar na estação de Keleti, comprar as passagens, e entrar no trem tranquilamente. Ao chegar, eu e a Rekha, minha colega de quarto da Austrália já encontramos a Lu, uma chinesa que também iria. Ela indicou o lugar que ela comprou a passagem, e fomos até lá. Em Keleti, existem dois lugares que vendem passagens, uma para destinos na Hungria, e outra, para destinos internacionais. É tudo moderno e arrumadinho lá, e depois de uns 5 minutos já estávamos com as passagens na mão.

Outros que iriam com a gente chegaram bem em cima na hora, uma das pessoas, uma filipina, só conseguiu nos encontrar após alguns minutos com o trem já em movimento. Mesmo com alguns chegando cedo, outros atrasados, todos conseguiram entrar no trem e se encontrar. Os trens internacionais são equipados com primeira e segunda classe. A primeira, além de possuir um maior conforto, também tem auxílio de um vagão-restaurante, mas a segunda classe era bem confortável e moderna. Na segunda classe, haviam cabines com 6 lugares, e como éramos 12 (4 brasileiros, 4 chineses, uma australiana, uma filipina, uma holandesa e uma alemã), ocupamos exatamente duas cabines. Mas de qualquer maneira, o trem é bem moderno e confortável de uma maneira geral.

A viagem entre Budapeste e Bratislava dura duas horas e meia e passa por várias cidades, como Esztergom e Gyor, e é possível apreciar o Danúbio por um bom caminho. Uma coisa me chamou a atenção na paisagem eslovaca, e foi justamente a quantidade de lixo ao longo da linha férrea. Não me causou boa impressão.

Sempre tínhamos dúvidas sobre onde parar. Quando uma cidade maior que as outras começou a despontar, sabíamos que tínhamos que descer ali. A estação de trem era ok no meu ponto de vista. Muita influência daquela arquitetura comunista, tudo muito quadrado, mas a estação era arrumada, e isso que importa. Saindo dali fomos atrás do centro da cidade.

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Bem vindos à Eslováquia!

Chegar ao centro é bem fácil. Saindo da estação, só seguir direto até ver uma passarela. Seguindo pela passarela, é só seguir as placas aonde indicam a direção de “Zentrum”. Após seguir direto, se vê a Casa Branca eslovaca e uns jardins até bonitinhos.

Casa branca eslovaca

Casa branca eslovaca

Depois de tirar algumas fotos ali na frente, partimos direto, até vermos um portal. Antes disso, dobramos numa rua ao lado e fomos almoçar, pois já era 13h. Voltando ao portal, existe uma escritura interessante ali. A imperadora Maria Teresa foi coroada ali perto em 1741, quando Bratislava ainda se chamava Pressburg.

Entrando na Cidade Velha, existe uma quantidade imensa de pubs, restaurantes, lojas de lembrancinhas e alguns pequenos museus. Achei essa região uma gracinha, cheia de vida e turistas. Em cada esquina de cada ruela que deparávamos sempre encontrávamos algo interessante pra se tirar foto, seja uma estátua, um artista de rua, ou alguma coisa inusitada.

Sem perder tempo, decidimos seguir as placas, subir a colina e chegar no castelo de Bratislava. Claro que qualquer cidade com um castelo no topo de uma colina é interessante, então por que não subir até lá?

Eu já sabia que eu era uma pessoa bem sedentária, mas após subir aquela colina, vou procurar me matricular numa academia imediatamente quando voltar ao Brasil! Como sempre, fiquei por último, ofegante e com meu coração disparado, sonhando em virar uma garrafa de água, mas a cada passo que eu dava e olhava a paisagem, sabia que todo esforço era válido! Com certeza a vista dali foi uma das mais bonitas que já apreciei.

Parte da vista de Bratislava

Parte da vista de Bratislava

Após mais um pouquinho de subida, ali estávamos! O tão esperado castelo. E quando digo esperado, é por que realmente esperávamos algo interessante lá. Nada demais. O castelo é branco, várias janelas e nenhum detalhe. Dentro lembrava mais um convento ou uma escola. Ali tem um museu de entrada franca, mas não tivemos tempo de visitar. Mesmo com a decepção do castelo em si, a vista já fazia toda a subida ter valido a pena.

Descemos, e continuamos nosso passeio pela cidade velha. Fomos até o que se chama de “praça principal”, onde existem vários barzinhos, restaurantes e música ao vivo. Os preços ali eram meio salgados, e como estávamos em um grupo de viajantes, preferimos ir ao supermercado, comprar umas besteiras, sentar na praça e rir um pouco. Mesmo estando em grande número, uns mendigos começaram a nos cercar, e fiquei meio apreensiva. Chegou uma hora que resolvi tomar a iniciativa e chamar pra ir andando.

Foi até uma boa escolha. Paramos em algumas feirinhas de artesanato e compramos as últimas lembrancinhas de Bratislava. Todo mundo tinha suas muambas e decidimos ir andando pra casa.

Nesse momento que confirmei o pecado que todos falam sobre lá. Bratislava, por ser tão pertinho de Budapeste, e principalmente de Viena (apenas meia hora de trem), ela acaba virando um “bairro” destas cidades. No fim do dia, a cidade não tava mais tão alegre assim. Deve ser deprimente você morar num lugar assim, de dia uma festa, e de noite um deserto.

Fomos andando e decidimos parar naquele jardim detrás da casa branca. Foi uma meia hora relaxante, em que decidimos gastar os últimos momentos antes de pegar o trem. Saindo dali, paramos em um mercadinho, onde compramos algumas besteiras pra levar pra casa e pra comer no trem. Fiz uma compra considerável, um saco bem cheio, e deu menos de 2 euros. Baratíssimo!

Jardins

Jardins

Após isso, voltamos para a estação onde o nosso trem pra Budapeste partiria. A volta foi de praxe, cansativa, com direito a todo mundo dormindo na volta. Foi um bom dia, e ao contrário de muitos, fiquei com uma boa impressão de Bratislava. Apesar de ser pequena, a cidade é charmosa e organizada, com um centro bem típico da Europa Central. Se volto lá? Provavelmente não, e o motivo principal é: ainda preciso conhecer muitos outros lugares.

Longe de casa, mas no centro do mundo

Continuando com mais detalhes sobre o último post, a chegada na Rússia foi tranquila, mas vale ressaltar alguns detalhes sobre locomoção ali. Fica a dica para outras pessoas que podem passar pela mesma situação que a minha. Eu não ia ficar em Moscou, e sim numa cidade no interior. E teria que arrumar uma maneira de sair do Aeroporto de Sheremetyevo e ir até a estação Paveletskaya, que é tanto estação de metrô quanto de trem.

Para viajantes que vão ao interior, vale uma dica: verifique a estação de trem (que também atuam como metrô) que vai até a sua cidade de destino, e depois verifique qual o aeroporto que tem uma conexão direta ou mais próxima para esta determinada estação.

Foi o meu erro. Antes de explicar o meu raciocínio, todos os três grandes aeroportos de Moscou (Sheremetyevo, Domodedovo e Vnukovo) são ligados por um trem de superfície chamado Aeroexpress a três estações de metrô (Belorusskaya, Paveletskaya e Kievskaya respectivamente). Mais informações desse trem, com horários e preços em http://www.aeroexpress.ru/en/

Eu cheguei no Sheremetyevo e deveria pegar o trem para Saratov na estação Paveletskaya. Nesse caso, tive que partir no Aeroexpress até à sua estação respectiva, a Belorusskaya, e depois fazer uma baldiação no metrô até a Paveletskaya. Minha vida teria sido mais fácil se eu chegasse no aeroporto de Domodedovo, por motivos óbvios de conexão.

No Sheremetyevo, as indicações para chegar ao Aeroexpress são bem claras pelo menos, mas estão escritas em cirílico. Nada melhor que já sair do Brasil com uma noção do alfabeto. O desembarque acontece no andar de baixo, e é preciso pegar um elevador até o andar acima. Lá, existem várias máquinas do Aeroexpress, inclusive em inglês, e o ticket pode ser comprado ali. Com as passagens em mãos, é bom ir partindo logo para o complexo do Aeroexpress, que é bem junto ao aeroporto, só seguir as placas vermelhas. Modéstia a parte, esse complexo tem mais lojas, lanchonetes, e outros estabelecimentos do que o aeroporto em si. Fica a dica pra quem quer pelo menos comer alguma coisa antes de partir.

Eu não tive tempo de passear pelo complexo na chegada. Saí correndo para o trem, que já ia partindo, e demorei pra achar um lugar vago. Lá, pelo menos passavam de vez em quando umas senhoras vendendo água, salgadinhos e afins. Os trens são super modernos, e com opção de classe executiva e econômica. Cerca de meia hora depois, chegamos à estação Belorusskaya, e depois de sair desse complexo do Aeroexpress, que é fora da estação de metrô em si, entramos no metrô.

O meu amigo me levou até a parte superior da estação, onde se vendiam as passagens, e após comprarmos, liguei pra Katya, minha TN Manager (a pessoa que estava cuidando da minha chegada à Saratov). Avisei a hora de chegada, número do vagão e pronto. Era só esperar a partida!

Minha passagem de trem Moscou-Saratov.

Ainda faltavam algumas horas para o trem sair, e o meu amigo me perguntou se eu queria conhecer a Praça Vermelha. Eu, com um sorriso no rosto disse: “claro!” Mas antes de ir até lá, nessa mesma estação, fomos até a seção de guarda volumes para deixar as minhas malas. Esse guarda-volumes ficava num subterrâneo muito escondido. Esse lugar era meio sombrio, caindo aos pedaços, e me senti de volta aos tempos soviéticos ali.

Era 7 de janeiro, sábado à noite, e data do Natal ortodoxo. A Praça Vermelha ainda estava lotada, cerca de umas onze da noite. Achei aquele lugar incrível! Mas logo percebi outro dilema. Levei uma máquina simples, mas de 14 megapixels, e notei que a qualidade das minhas fotos não saía tão bem ao ar livre em climas frios, que nem aquele. Então, o meu amigo tirou da mochila dele uma câmera profissional e começou a tirar fotos! Depois ele me passou por email. Fica outra dica: levar uma câmera semi ou profissional pro próximo inverno.

Depois fomos ao Mc Donald’s da Praça Vermelha (que sempre está lotado), e comi um lanche, afinal, não comia há muito! O gosto do Mc Chicken era igual ao que eu sempre compro aqui no Manauara Shopping, mas fiz questão de tirar uma foto do Mc Donald’s em cirílico! Mal eu pensava que o meu almoço iria se resumir ao Mc Donald’s por quase todos os dias de trabalho em Satatov.

Mc Donald’s, em cirílico!

Cheguei na plataforma do trem, o meu amigo me mostrou o vagão, onde eu podia beber água, onde era o banheiro, e me mostrou onde estavam o meu travesseiro, lençóis, toalhas e etc. Chegou meia noite, e o trem começou a se mover devagar, e o Vasily ficou lá até o trem partir de vez. Mais uma vez, sou extremamente grata pela ajuda! :)

Era noite, e mesmo tendo dormido durante quase todo o percurso, decidi dormir mais ainda. A minha cabine tinha 4 camas, e eu fiquei em uma de baixo, e todas as outras eram ocupadas por homens. O que estava na cama acima da minha saiu logo pela manhã, ficando apenas um senhor ao meu lado, que agia muito naturalmente, até demais ali dentro, e um adolescente, que estava na cama acima dele. Uma coisa que achei demais, era o fato desse adolescente falar muito ao telefone! Onde que no Brasil teria sinal de celular no meio de uma linha férrea?!

Quase no fim das dezoito horas de viagem, os dois começaram a me perguntar em Russo de onde eu era. Eu tentava me comunicar em inglês, também gesticulando, já que o meu russo era o mais básico possível. Quando eu disse que eu era de “Braziliya”, ou seja, Brasil, eles me perguntaram algo que iria ter que responder muitas vezes na Rússia: “O que você veio fazer aqui em Saratov? Aqui não tem nada. O seu país é lindo, e tem verão, e você vem no inverno?” Procurei a palavra “volunteering”, que significa voluntáriado em inglês no meu dicionário inglês-russo, e quando eles viram o significado em russo, eles se olharam, e se impressionaram com isso. Ficamos nesse jogo de comunicação através de gestos e mostrando palavras no dicionário até desembarcar em Saratov.

Saí do trem, procurando a Katya, ou pelo menos como ela era nas fotos, e também outros brasileiros, um que eu já conhecia por estudar comigo, e outro que ainda não conhecia. Logo os reconheci, e entramos no carro, em direção à minha futura casa por dois meses. Estava nevando, e antes que eu pudesse me impressionar com a neve, senti um alívio profundo por finalmente, ter chegado ao meu destino.