Por fim, a Citadella

A Citadella é provavelmente o lugar onde dá para se ver a maior parte de Budapeste. Particularmente acho que a vista mais bonita da cidade fica no Bastião dos Pescadores, mas a Citadella é igualmente impressionante e é ponto indispensável para conhecer em Budapeste.

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Budapeste vista da Citadella

Tanto o Bastião dos Pescadores quanto a Citadella possuem significados especiais para mim, e são símbolos dessa epopeia húngara que vivi. O Bastião foi um dos lugares que conheci no meu primeiro dia em Budapeste; já a Citadella foi o último lugar que conheci na capital húngara.

Logo nos primeiros posts do blog, escrevi um relato curto sobre esse dia. Aquele dia foi tão fantástico e maravilhoso que eu não queria que terminasse nunca! Só ficam as boas memórias e o agradecimento.

Acompanhe também: O dia em que o tempo parou

Origens

A Citadella é uma antiga fortificação húngara localizada no topo da colina Gellért (Gellért Hill) construída em 1848, no ápice da revolução húngara.O nome Citadella já dá a entender que o local tem características de uma fortaleza.

Ela fica no lado de Buda (Buda é montanhosa, enquanto Peste é uma planície), e o fato dela estar no topo de um morro, indica que sua localização foi completamente estratégica em termos militares durante as revoltas contra os Habsburgos e a ocupação soviética.

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Em memória de todos aqueles que sacrificaram suas vidas pela liberdade e independência da Hungria

O que fazer na Citadella?

Hoje em dia o local não tem mais a maioria das características militares que outrora possuiu. Algumas muralhas foram derrubadas, mas a maior parte da estrutura original permanece.

Um mirante foi construído na ponta da Citadella, e é possível passar bastante tempo só admirando o Danúbio, a cidade e tentando descobrir suas ruas principais. Próximo ao mirante também se encontra a Estátua da Liberdade: construída para homenagear os húngaros mortos durante os períodos de opressão.

Na Citadella também se encontra o museu do Exército: uma série de bunkers decorados de uma maneira que te fazem voltar no tempo, durante a época das guerras.

Além do mirante e do museu, ainda é possível explorar a colina Gellért a pé, já que existem uma série de trilhas que a rodeiam do sopé até o topo. Mas obviamente, é necessário disposição, já que ali é uma subida.

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Despedida de Budapeste

Como citei no início do texto, esse foi o último lugar que conheci em Budapeste. Era um sábado e o meu voo para o Brasil seria na segunda de manhã. Naquele dia, o Zsolt me ligou e perguntou se eu queria dar uma volta com ele em algum lugar, mas não podia demorar já que ele possuía um compromisso à tarde.

Nessa altura eu já havia entregado as chaves do meu apartamento e estava hospedada num hotel mais ao centro da cidade. Depois de um certo horário, o Zsolt apareceu e perguntou se eu já havia conhecido a Citadella. Eu disse que não e ele me levou lá.

Nós conversamos muito durante o trajeto, e até hoje agradeço pela pessoa incrível e super prestativa que o Zsolt acabou se tornando durante toda essa viagem. Caminhamos pela maior parte do trajeto, tiramos muitas fotos e voltamos pro hotel.

Eu estava tão pra baixo naquele dia, já que a melancolia estava batendo: a maioria dos meus amigos próximos já havia ido embora. Na noite anterior tinha acontecido minha festa de despedida, com muitos rostos novos que iriam continuar a experiência que iniciei. Na sexta à noite me despedi da maioria deles, já que eu não os veria mais.

Receber a ligação do Zsolt me alegrou muito! Foi ótimo conhecer um lugar novo, e ainda em ótima companhia. Ainda nos veríamos, já que ele insistiu em me levar pro aeroporto na segunda feira.

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Mirante

Vale a pena conhecer a Citadella?

Então, voltando ao intuito mais informativo do post, acho que vale a pena conhecer a Citadella quando já se conheceu a maior parte das atrações de Budapeste. Como a Citadella fica bem longe do centro, ir até lá exige um pouco de tempo livre, pois acredito que a intenção da maioria das pessoas que visitam lá não é de chegar, bater umas fotos e ir embora: conhecer o bunker, comer em algum restaurante típico e andar pelas trilhas pode ser uma opção interessante para quem tem tempo e disposição.

A distância também foi um dos motivos pelo qual eu levei tanto tempo para conhecer o local! O único transporte público que chega até lá é ônibus, e como não conhecia Buda tão bem, sempre deixava para depois. Tive sorte pois o Zsolt me levou de carro até lá!

Mas enfim, o local é lindo, mas eu passaria a visita caso não tivesse muito tempo livre.

 

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Visitas guiadas no Teatro Solís

O Teatro Solís é um dos principais pontos de interesse de Montevidéu, e não tem como não notar sua forte presença no centro da capital uruguaia. Como sou apaixonada por teatros e qualquer construção que envolva arte e cultura, a visita ali é indispensável.

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Fachada

O que é?

O Teatro Solís é a mais famosa casa de espetáculos de Montevidéu. Suas origens remontam a meados do século XIX, quando arquitetos na cidade começaram a esboçar um projeto que criaria um teatro com condições de tornar a capital do Uruguai num importante centro da ópera.

Sua abertura oficial neste exato lugar ocorreu no ano de 1856, e o teatro permaneceu aberto até 1998, quando se iniciou uma grande renovação. Em 2004, o teatro foi reaberto ao público, onde permanece aberto à visitações e a espetáculos desde então.

Acompanhe também: Minha opinião sobre o Bus Turístico de Montevidéu

Onde fica e como visitar?

O Teatro Solís se localiza bem perto da Plaza Independencia, próximo à Cidade Velha, no cruzamento entre as avenidas Buenos Aires e Bartolomé Mitre. É totalmente possível de encaixar a visita guiada no dia que der para fazer os passeios no centro de Montevidéu.

Dependendo do dia da semana, os horários de visitação podem variar. O site do teatro apresenta todos os horários disponíveis para a visita guiada, e o tour em português custa só $60, bem baratinho!

O dia que conheci o Teatro Solís foi uma terça feira, e só tinha um horário de visitação disponível (16h). Mesmo assim, não precisa ter pressa em comprar os ingressos, já que a bilheteria só abre 30 minutos antes das visitas.

Acompanhe também: Almoçando no Mercado del Puerto

Como é a visita e o que vemos?

Como eu falei um pouco acima, a visita guiada pode ser feita em português, e o nosso guia foi um uruguaio que falava um bom português, ainda com sotaque, mas sem problemas para compreender os fatos.

Ele contou a história do Teatro, fundação, origem dos materiais, estilo de arquitetura, curiosidades, origem do nome Solís, por que aquelas coisas funcionavam daquele determinado jeito, e por aí vai.

O grupo devia ter pelo menos uns 20 brasileiros (eu acredito que tinha mais gente no tour em português do que o de espanhol!), mas não foi difícil de acompanhar ou de escutar o guia.

A visita guiada começa no lado de fora, passa por uma espécie de hall onde as pessoas costumavam fazer o social antes das apresentações e termina no camarote, onde podemos tirar fotos e apreciar a beleza do local.

Durante esse tempo, o guia fica contando fatos interessantes sobre o teatro, construção e outros afins.

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Vale a pena visitar?

Então, eu acho que vale a pena visitar o Teatro Solís sim. O ingresso tem valor barato, é próximo ao centro histórico de Montevidéu e da Plaza Independencia, e querendo ou não, o Teatro Solís é um dos símbolos uruguaios mais importantes.

A visita não é longa: leva aproximadamente 45 minutos do início ao fim. Dessa maneira, uma visita ali não compromete outras coisas para fazer durante o dia.

Apesar de não ser tão vibrante em cores e ouro quanto o Teatro Colón ou a Ópera de Viena (duas das casas de espetáculo mais conhecidas do mundo), o Teatro Solís tem seu charme, fazendo com que ali seja um local agradabilíssimo.

 

7 fotos e 7 histórias

Uma das características mais marcantes do ser humano em tempos mais atuais é a de eternizar momentos através de fotos. A história recente é cheia de vários casos em que fotos retratam sentimentos diversos, especialmente em momentos mais marcantes.

O viajante e o turista comuns também gostam de retratar esses momentos com câmeras. Uma forma de lembrar para sempre (ou pelo menos por um bom tempo) aquele lugar incrível, aquela comida maravilhosa, aquele artista de rua talentoso e também os famosos “aha-moments”, que são aqueles momentos de descoberta instantâneos, que muitas vezes te fazem cair o queixo.

Aqui separei 7 fotos minhas e suas histórias. O post será longo, e terei o maior prazer de escrever, assim como espero que vocês tenham o mesmo sentimento lendo.

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Foto 1: Satisfação na subida
Onde: Bastião dos pescadores, Budapeste, Hungria.
Quando: 14 de abril de 2013.

Aqui no Camilla Pelo Mundo eu destaquei bastante a minha experiência na Hungria, que de fato foi incrível e inesquecível. Porém eu nunca postei essa foto, apesar de ter falado um pouco sobre a história dela nesse post.

Era o meu primeiro dia em Budahome, um domingo ensolarado. Combinei de encontrar com a minha roomate em Margaret Island, onde ela estaria num piquenique com outros intercambistas. Eu teria que ir comprar meu chip de celular e o meu passe de ônibus e não poderia ir com ela, mas eu prometi que eu iria até lá depois.

Essa Margaret Island é aquela ilhazinha ali ao fundo cheia de árvores, no meio do Danúbio. Escrevi sobre ela aqui. Então, depois de caminhar bastante e morrendo de medo de me perder, acabei a encontrando numa rodinha de pessoas, todas rindo e felizes, contando suas histórias de seus países, tirando fotos, e claro, comendo.

Em 30 minutos parecia que eu já os conhecia há vários dias e estávamos em sintonia. Juro que me senti muito bem, e feliz. Até então, com um dia de estadia, a minha viagem para BP tinha valido a pena.

Então alguém, no fim da tarde, sugeriu que fossemos ao Castelo de Buda, já que algumas pessoas ainda não tinham ido até lá. Acabamos pegando o tram até o “sopé” do Castelo e subimos tudo a pé. O meu condicionamento físico era (e é) péssimo, e como eu ainda não estava ainda adaptada com o clima nem nada, aquela subida foi horrível. Aquele castelo tinha que ser bom!

Era domingo e o Castle Hill não estava tão cheio assim. Meio que por causa disso, chegamos e conseguimos conhecer muito dali. Então paramos no Fisherman’s Bastion, que é uma espécie de vista point da cidade, e a minha reação ao olhar tudo aquilo sob o pôr-do-sol foi incrível! Eu jamais havia me emocionado tanto com uma paisagem!

Meses antes eu jamais imaginava que eu poderia estar ali! Depois de sofrer um acidente feio no pé e ter deixado o trabalho para viver essa aventura, subir aquilo tudo e se deparar naquele lugar lindo cheio de gente ao redor, mas no fundo sozinha já foi uma vitória! Queria eu poder compartilhar aquela imagem e a sensação com a minha família, especialmente.

O máximo que eu pude foi tirar uma foto, que ajuda a expressar no mínimo a compreender como foi esse momento. A cara cansada e os óculos parecem ocultar, mas nunca estive tão feliz em ~apenas~ observar paisagens.

 

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Foto 2: Primeira vez.
Onde: Praça Vermelha, Moscou, Rússia
Quando: 7 de janeiro de 2012.

Ah, a minha aventura na Rússia <3. Sempre sonhei em conhecer esse país, mas não sabia como. Felizmente eu conheci o intercâmbio pela AIESEC onde a mãe Rússia é um dos principais suppliers, sempre recebendo gente. Quando fiz intercâmbio pela primeira vez, no fundo sabia que ali que era o lugar, o meu destino!

Pela AIESEC mesmo, acabei conhecendo um menino do escritório de Moscou, que queria dar “match” em outro intercambista (quando eu ainda nem pensava em viajar) e acabei mantendo contato com ele. Assim que decidi o meu destino no interior da Rússia, o contatei pedindo ajuda, já que eu chegaria em Moscou de noite e num feriado. Super solícito, ele disse que ia me buscar no aeroporto e me ajudaria a comprar a passagem de trem para Saratov.

Dito e feito e ele foi me buscar! Uma pessoa incrível e me ajudou em todos os momentos. Correu pra pegar o Aeroexpress comigo, me ajudou a comprar passagens e trocar dinheiro, e ainda me levou no Mc Donald’s pra comer, haha. E ainda por cima, foi o meu guia de turismo na Praça Vermelha.

Então, eu sou do Norte e mesmo tendo viajado para o exterior antes, eu nunca havia visto neve. Nunca! Naquele dia, as temperaturas na capital russa beiravam os 2, 3 graus positivos, mas nada de neve, apesar da umidade. Naquele momento eu percebi uma coisa que já me deixou muito chateada: a minha câmera não tirava fotos boas à noite por causa do frio. Prontamente o meu amigo me ajudou e tirou a câmera dele da mochila e começou a tirar minhas fotos, haha.

Nesse meio tempo, eu acabei vendo um montinho na neve. Me emocionei tanto e perguntei se aquilo era neve mesmo! Ele disse que sim (claro, né), por que havia nevado alguns dias antes e haviam colocado toda a neve da praça naquele cantinho. A caboclinha orgulhosa da Amazônia foi lá e se jogou no monte de neve, toda feliz! Sentei, me deitei, e o meu amigo rindo de mim tirando fotos.

O detalhe é que no fundo da foto, vemos o GUM, que é o shopping mais caro de Moscou e um dos mais requintados do mundo. Os oligarcas bilionários vivem fazendo compras lá. Se algum ricaço ou qualquer outra pessoa achou estranho essa pessoa aqui feliz no monte de neve, tanto faz, tanto fez. O importante foi que eu literalmente “me joguei” nessa aventura.

 

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Foto 3: Vista para a eternidade
Onde: Cemitério, Sotaquirá, Colômbia.
Quando: Algum dia de janeiro de 2003.

Apresento-vos o Vale de Sotaquirá, terra do meu avô. A Colômbia ainda é uma incógnita para muitos brasileiros, e mesmo assim, muitos vão saber um pouquinho mais sobre Bogotá e Cartagena. Essa região é a Andina no departamento de Boyacá e cresci com histórias sobre fazendas, vales lindos, montanhas e tudo mais, tudo vindo das memórias do meu avô.

Não era a minha primeira visita a Sota, mas foi a primeira com uma câmera digital. A qualidade da foto não está boa, por causa da tecnologia da época, mas fiz questão de pegar a câmera emprestada da minha prima para tirar essa foto.

Nesse cemitério estão enterrados o meu bisavô e alguns parentes. Olhando um pouco mais fundo, é possível perceber que esse cemitério fica numa colina, e é preciso uma boa pernada para subir. O choque vem na hora da descida, quando você se depara para o vale e as montanhas no fundo.

Aquela vista foi tão marcante pra mim, que desde então eu penso em como aquelas pessoas que estão enterradas ali são privilegiadas. Literalmente elas estão “descansando em paz”.

Passei 9 anos sem viajar para a Colômbia e quando voltei, não só recriei essa foto, mas também tirei várias outras, e o clima de paz ainda persiste! Sotaquirá é uma cidade bem pequena, na verdade um povoado, que passou muito tempo esquecido no seu clima bucólico. Hoje muitas coisas já chegaram por lá, como internet no meio das fazendas e até um hotel, coisa inexistente em 2003. Mesmo assim, algumas coisas nunca mudam, e o vale continua do mesmo jeito, deixando a vista do cemitério tão bonita quanto foi em épocas passadas. Não me importaria de ser enterrada ali.

 

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Foto 4: Gabi e as pombinhas
Onde: Piazza San Marco, Veneza, Itália.
Quando: 19 de agosto de 2010.

A foto não está muito bem “tirada” (créditos para a excelente fotógrafa, na época), mas marca uma viagem muito especial que eu fiz pra Europa com a minha família. A Bi era pequenininha ainda e ficou empolgada com as pombinhas da Piazza San Marco, que já se acostumaram com os turistas e ficam rodeando a todos.

Ela mal sabia falar e durante a viagem aprendeu a falar “pombinha”. Diferente de outras crianças, ela se empolgou com os passarinhos (mesmo sendo pombas, pq né) e se divertiu correndo atrás delas. Esse dia também tem outra foto marcante dela, “brigando” comigo, com uma carinha brava e um dedinho, meio que se estivesse apontando, mas não vem ao caso agora.

Esse dia também foi marcante pelo fato de Veneza ter se tornado uma surpresa pra mim. Eu não queria ir para lá de jeito nenhum e aquele dia quente aparentemente estaria confirmando minhas expectativas, mas não. Aquele mundaréu de turistas não tinha conseguido esconder a beleza que tinha feito dessa cidade o grande destino que é.

Momentos depois, fomos passear no Grand Canal, e no passeio de gôndolas estava incluso uma apresentação com um cantor e um sanfoneiro. Aquele foi o cartão de visitas: ~você está na Itália~. Lembram do a-ha moment? Esse com certeza foi um.

 

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Foto 5: Observando Monterey
Onde: Monterey, Califórnia, Estados Unidos.
Quando: 3 de maio de 2014.

A Costa da Califórnia é linda demais! Monterey, Carmel by-the-sea e o Big Sur oferecem vistas sensacionais! Após um dia na estrada com lindas vistas, paramos numa cidadezinha chamada Monterey, que ainda conserva muito da história colonial da Califórnia, lembrando que esta cidade foi a primeira capital do estado.

Um dos principais lugares da cidade é a Cannery Row, que é uma rua que preserva muitos aspectos da arquitetura colonial, além de possuir várias lojas e restaurantes bons. Ali também dá pra ver a majestosa vista de Monterey Bay, com direito a uma pequena praia, mirantes e afins. Ninguém estava nadando ou surfando ali, mas tinha muita gente brincando na areia, um fim de tarde qualquer.

Nessa hora, uma banda estava tocando uma espécie de música peruana, bem agradável. Tinha também um ventinho bom, crianças correndo e pessoas tirando fotos. Me apaixonei pela vista e comecei a tirar fotos. Fotos da bandeira da Califórnia, da rua em movimento, das pessoas na praia, e eu encontro essa por acaso.

Fico imaginando o que esse rapaz estaria pensando. Seja o quer que fosse, esse lugar seria o ideal para escapar da vida e pensar um pouco. Pensar é bom. Nos leva a refletir sobre aspectos da vida que estão dando errado, o que podemos fazer para acertar, e também nos ajuda a estabelecer planos e metas.

Se eu estivesse no lugar desse homem, eu sairia satisfeita dali qualquer fosse o meu pensamento. Talvez o Oceano Pacífico pudesse me dar a resposta.

 

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Foto 6: Uma forma de libertação
Onde: Lennon Wall, Praga, República Tcheca.
Quando: 4 de maio de 2013.

Fui pra Praga com a minha roomate e ela queria muito ir ver essa Lennon Wall. Honestamente eu pensava que essa parede era só um muro todo pichado por uns jovens comuns, e não sabia o por quê dela querer visitar esse muro e não gastar nosso tempo vendo outros lugares interessantíssimos de Praga.

Alguns momentos depois a ficha caiu. Outro a-ha moment me deu um insight importante, já que eu me considero tão sabida em história assim. Nos anos 80, essa parede comum começou a ser pintada por pessoas comuns com frases de músicas dos Beatles e citações de John Lennon.

Com o passar dos anos, esses dizeres começaram a “evoluir” para críticas ao regime comunista da Tchecoslováquia. O muro chegou a ser pintado algumas vezes, mas logo depois, novas frases sobre amor e paz já estavam escritas, junto com flores.

Esse muro passou a realizar um ideal muito mais profundo, mas que qualquer pessoa pode associar. A tão “proibida” liberdade de expressão do regime comunista foi desafiada com frases de amor numa parede. Aquelas pessoas que só queriam paz estavam conseguindo meios de se expressar de uma maneira muito simples, mas na época, polêmica: escrevendo.

Não é a toa que muitos jovens tiram fotos na Lennon Wall. Geralmente somos nós os que estão associados à vontade de mudança, e da difusão do amor e da paz no mundo, por mais utópicos que esses sentimentos sejam. E por mais simples que uma atitude como escrever possa parecer simples, esses jovens estavam desafiando algo muito mais complexo. De uma maneira ou outra, eles conseguiram o que queriam.

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Foto 7: Vá até onde der
Onde: Museu Albertina, Viena, Áustria.
Quando: 28 de dezembro de 2012.

Então, eu estou de muletas na foto, e o motivo é simples. Eu sofri um acidente na Alemanha e não gostaria de contar os detalhes aqui, e acabei ficando o resto da viagem de muletas e com o meu pé todo machucado. O mais plausível seria voltar pra casa e deixar essa viagem para lá.

Mas não, eu quis seguir com essa viagem até o fim! Era algo muito planejado e desejado por mim e a minha mãe, e eu ia conseguir andar o máximo que pudesse. Desistir não estava nos planos.

Essa bota rosa era bem fofinha e acabou não prejudicando o meu pé, mas ela não era impermeável, o que me deu muito frio no inverno chuvoso de Viena (como dá para se ver na foto). Acabei pensando: “Esse frio vai servir como uma compressa de gelo nos meus pés”, e fui, com frio e com dor.

Acabei andando o centro de Viena num dia, e fui pra Schönbrunn no outro. Subi desde o palácio até a Gloriette sem reclamar, e chegar ao alto, foi uma vitória por si só. Voltei pra Munique e continuei andando, e assim segui até chegar em casa. E assim ganhei novas histórias para contar, algumas até aqui no site.

Essa foto mostra o quanto eu me “deixei levar”. Estava ali e iria aproveitar de qualquer maneira, entendeu? ;) Absolutamente nada podia me derrubar, e desistir, em qualquer instância, não está nos meus planos.

 

 

Algumas dicas para quem vai viajar de trem

O trem é um dos meios de transporte mais utilizados pelos viajantes, seja pelo preço, pela comodidade, pela estrutura, pelo fato de algumas cidades não possuírem aeroporto, e no meu caso, pelas paisagens e aventuras que uma jornada nos trilhos nos leva!

No entanto, é necessário ficar de olho e ter muita atenção! Assim como qualquer pessoa que nunca viajou de avião gostaria de dicas para não se “perder”, o mesmo se aplica para quem ainda vai começar a andar de trem. Afinal de contas, eu aprendo errando e para evitar qualquer situação para outras pessoas, é super prudente postar dicas por aqui, certo? On y va?!

  1. Pesquise os possíveis trechos num site de passagens de trem.
    É essencial planejar qualquer viagem de trem com os olhos colados na tela do computador. Vai que você quer ir viajar pra Praga de manhã, e só tem trem saindo à tarde? Ou que não existem trechos diretos para o seu destino? Até mesmo a cidade nem constar nas linhas de destino e conexões desejadas. No entanto não faço as compras nesse caso pela internet, pelo simples fato de segurança e até certo ponto, praticidade (é necessário retirar as passagens no ticket booth da estação de trem de qualquer maneira).
  2. Compre a passagem com antecedência.
    Seja na internet ou na estação, é interessante comprar a passagem com no máximo um dia antes da viagem. Vai que no dia pretendido da viagem as filas estejam muito longas, o cartão não passa, você acorda tarde, o trânsito (ou o transporte público te prega uma peça, vide metrô 3 de BP) te impeçam de chegar a tempo de inclusive entrar no trem.

    Minha passagem de trem para Saratov. (tudo em cirílico!)

    Minha passagem de trem para Saratov. (tudo em cirílico!)

  3. Além da passagem, compre o seat reservation.
    O Seat Reservation custa uns 2 ou 3 euros, e é só mesmo para garantir seu lugar certo, mediante sua passagem. Para aqueles que não querem gastar seus 2 ou 3 euros só para ter seu lugar “certo”, a passagem em si já garante seu lugar. No entanto, poupa uns 20 minutos de descanso para encontrar um lugar sem nenhuma marcação. Dependendo dos trens, essa marcação nem existe, mas é bom se informar na hora da compra.
  4. Leve um lanche para comer durante a viagem.
    Na Hungria eu sempre parava num restaurante turco e levava um Gyros pra comer no trem. Fora isso, eu sempre andava com refrigerante, biscoitos, pães e tudo. Na minha bela viagem de 18 horas (foi pouco, viu?) num trem na Rússia, eu levei um supermercado quase inteiro! E te digo que valeu a pena.

    Companheiros de cabine!

    Companheiros de cabine!

  5. Night trains são uma boa pedida.
    Especialmente quando você tem algum compromisso pela manhã e não quer perder horas preciosas em algumas cidades. A dormida pode ser um pouco desconfortável mas nada que tire a energia para o dia seguinte. Só de se estar num lugar novo, o fôlego volta!
  6. Tenha as passagens sempre à mão.
    Entre países na Europa, de vez em quando um fiscal entra no trem ao atravessar a fronteira, para carimbar a passagem como uma “entrada”, tipo como num passaporte ao passar pela imigração. Esse carimbo é uma garantia de que a passagem foi de fato comprada, e também fiscalizada. Em trens que circulam somente no mesmo país a fiscalização também ocorre. No entanto, eles costumam dar só uma rubrica.

    Plataforma de trem em Bratislava

    Plataforma de trem em Bratislava

  7. Beba bastante água.
    Pois afinal de contas, essa é uma viagem como qualquer coisa. Saúde em primeiro lugar!
  8. Fique atento às direções.
    Ao comprar uma passagem, é bom saber primeiramente a estação de saída e a de chegada. Após isso, é bom saber para onde você vai, e quais são as direções a serem tomadas. Saber onde descer no metrô/ônibus, onde fica o hostel/hotel, achar alguma casa de câmbio pelo caminho, talvez… Já é bom ter uma noção de todas essas direções antes de partir para já ter um destino certo.

    Danúbio fazendo as honras!

    Danúbio fazendo as honras!

  9. Baixe aplicativos sobre o destino.
    Um aplicativo guia sobre a cidade é bem interessante! Eles tem mapas, direções, pontos turísticos, roteiros a pé e muito mais. Caso você não saiba pra onde ir, pode dar uma olhadinha no seu celular.
  10. Aproveite bastante as paisagens!
    Essa é a melhor dica! Você nunca sabe o que terá no caminho da linha férrea!

    Cidadezinha fofa!

    Cidadezinha fofa!

Passagens compradas: Califórnia, Nevada e Flórida

Então, já estou aqui contando os dias para que abril (e férias da faculdade, plmdds) chegue logo! Próximo ao fim de abril estarei indo aos Estados Unidos pela segunda vez, e posso dizer que ao chegar nesse roteiro foi um tanto complicado.

Tive a oportunidade de ir mais vezes aos Estados Unidos, mas em todas as outras vezes preferi ir pra Europa (risos) e prometi à minha família que da próxima vez eu iria pra lá sem falta. Dito e feito. Saiu uma promoção pela TAM e compramos o trecho MAO-MIA-MAO por pouco mais de R$1000. Achei bom, mas nunca me perdoarei por não ter comprado nada naquela linda promo da American Airlines: ida e volta pra Miami só por R$ 370.

Mas enfim, o motivo dessa nova viagem seria um congresso em Chicago que o marido da minha tia iria. De lá, iríamos para outros lugares. De certeza iríamos também pra Orlando no final (eu preciso ver a Parade do Magic Kingdom!!) e daí veio aquela lâmpada na minha cabeça: por que não conhecer alguma cidade no Canadá? Chicago é ali do lado, então juntaríamos o útil ao agradável, e após, voltaríamos para a Flórida.

Só que o problema do agradável é o visto. Me empolguei, comprei guia, pesquisei tudo sobre o visto canadense, vi tudo que se tinha pra fazer em Toronto (a cidade escolhida), planejei um dia em Niagara Falls, mas no fim chegamos a uma conclusão de que não valia a pena pelo visto no momento. Em uma próxima oportunidade, planejamos conhecer mais cidades no Canadá.

Mas se não pudéssemos ir pra Toronto nem pra nenhum lugar no Canadá por causa do visto (preguiça burocracia), pra onde iríamos? New York e Miami estavam fora de cogitação, e escolhemos Washington como o lugar pra ir. Mas depois de pesquisar sobre a cidade, não deixamos Washington como o destino entre Chicago e Orlando, e sim entre Miami e Chicago. Ou seja, para nós estava tudo bem se passássemos só um dia em meio em DC.

Começamos a procurar por esse destino que substituiria Toronto e um dia sugeri Cancun e todo mundo gostou (sim, sou louca pra conhecer o México!). Pesquisamos também muito! Vimos hotéis, qual a melhor região pra ficar, programação para crianças, qualidade das praias, quais as vantagens e desvantagens de all inclusive e bem mais.

Só que um dia, a minha mãe e tia começaram a reclamar que não queriam ir pro México (as duas já moraram na Cidade do México e elas não tem essa mesma curiosidade sobre o país que eu tenho, por já terem vivido lá) e nem ir pra praia. Também começaram a reclamar dos preços de Cancun e sugeriram New York. Dei meu alto lá e se fosse por causa de preços de hoteis, Manhattan estava fora de cogitação.

Daí teve o UFC 168 e começaram a sugerir Las Vegas, e poderíamos até assistir alguma luta num sábado qualquer. Só que precisaríamos meio que “cruzar” o país, e ainda ter que voltar pra Flórida depois. Então chegamos a uma conclusão: Chicago (MEU AMOR), que até então era a cidade mais certa no roteiro, deveria sair.

O congresso que serviu de desculpa para aquela viagem já tinha miado, e como quem não quer nada, bateu um glimpse de Califórnia e decidimos então fazer o trecho San Francisco – Los Angeles – Las Vegas de carro, com algumas paradas no caminho, e depois partir de LAS até MCO, e então pegar a estrada de volta a Miami. Até então, San Diego entrava na lista, mas já ficaria muito corrido e a tiramos do planejamento.

Um dia depois, estávamos comprando as passagens e todos ficam felizes com o escolhido! Tinha o parque para as crianças, San Francisco pra minha mãe, Las Vegas para a minha tia e o marido dela, e uma viagem de carro pela Highway 1 com lindas paisagens pra mim.

Foco para as passagens! O trecho MIA-SFO dura mais de 6 horas, sendo que MAO-MIA dura apenas 5. Detalhe que atravessaremos alguns fusos horários nesse trajeto. A volta com LAS-MCO é um pouco mais curta, de apenas 4 horas será feita de madrugada, ou seja, não perderemos o dia com a viagem, mas também não teremos muitas horas de sono. Vida de viajante é assim mesmo!

Ufa! Em Maio, assim que voltar, farei meio que um balanço total da viagem com todas as dicas dessa viagem de carro e dos parques. Já querendo que tudo chegue logo, e que eu possa tirar muitas fotos e comprar muitas besteiras na Disney, por que não?

Adeus ano velho!

Chegamos em dezembro e 2013 está (finalmente) chegando ao fim. Já vemos decoração natalina em todos os lugares, o ar começa a ficar mais leve, e estamos com a agenda cheia de celebrações e confraternizações.

Como tradição, muitos planejam diversas atividades para o fim do ano, e viajar pode estar dentro nos planos de muitos. Para isso, vim hoje dar algumas dicas de como melhor se aproveitar a virada do ano em um lugar novo!

Época de natal em Milão

Época de natal em Milão

Reservar tudo com antecedência pode ajudar ao economizar dinheiro. As passagens de fim de ano geralmente são bem mais caras ao serem compradas agora por novembro e dezembro, pelo simples motivo da oferta e da procura. Caso já exista um plano de viajar no fim do ano, fique sempre de olho nas promoções, mesmo que elas ocorram em julho, agosto, ou até antes.

Além das passagens, pesquisar bem os hotéis é sempre essencial. Saber logo qual é o melhor lugar pra ficar, considerando o orçamento, expectativas pessoais e um pequeno planejamento de o que fazer durante a viagem e também durante a passagem do ano pode deixar pequenos detalhes, como o acesso, mais tranquilos.

Escolha bem a cidade onde você irá passar a virada do ano, lembrando que o transporte público pode parar depois de uma certa hora no dia 31 de dezembro (e nem chega a funcionar em alguns dias dependendo da cidade) e é sempre bom saber como voltar pro hotel depois da festa.

O Natal é bem mais popular que a virada do ano em certos países. Por isso, nem todos os lugares terão uma festa organizada na hora da virada, mas sempre terão pessoas reunidas em um lugar importante dispostas a festejar, soltar fogos de artifício, tomar uns drinks… diversão não falta!

Falando em natal, fique atento nos christmas markets, especialmente em países da Europa. Esses mercadinhos são muito fofos e vendem de tudo: desde artesanatos até comidas típicas.

Verifique se o hotel/resort que você estárá fará uma festa particular, que geralmente são bem luxuosas, e dependendo da cidade, podem valer bem mais a pena do que ficar no frio, ou em um lugar perigoso.

Saber e praticar os costumes do país é bom! Virou o ano na Colômbia e logo me deram um prato com 12 uvas. Eu teria que comer as 12 uvas e fazer um pedido para cada uva, equivalente a cada mês do ano. Se adaptar também é bom. :)

De olho na temperatura do destino, afinal de contas ninguém quer passar calor ou frio com as roupas erradas, certo? Também arrumar as malas antes é obrigatório pra qualquer viagem que se faça, assim como levar toda a documentação necessária e reservas na mão.

Afinal de contas, todos queremos “lavar a alma” na virada do ano, certo? Que tal fazendo tudo certinho desde o início?

 

 

Morando em estilo soviético

Desde dentro do trem, em Moscou, eu percebi algo muito pertinente na aparência das cidades. Os prédios residenciais pareciam seguir o mesmo estilo, especialmente aqueles que já aparentavam ter alguns bons anos de existência.

Pesquisando um pouco em livros que possuo sobre o assunto, após o fim da Segunda Guerra Mundial, havia um grande déficit habitacional na União Soviética, e, especialmente após a era Kruschev (aportuguesadamente, ou algo como Rrushchov lido em russo) a construção destes conjuntos habitacionais, os novostroiki (Novas Construções) ganhou força.

Esses prédios tem foma de paralelepípedo, que pode até lembrar os blocos do Plano Piloto em Brasília. Pela aparência externa, nota-se que estas construções não são bem cuidadas, e quando entramos dentro do hall comum, temos certeza de que não há trato algum, e por tempos.

Levei um susto quando entrei num novostroiki pela primeira vez. Tinha saído da estação de trem, e a mãe da minha hostess (a pessoa que ia me abrigar no meu intercâmbio) estava, coincidentemente, fazendo um jantar, e fui direto para a casa dela. Quando abriram a porta, eu vi a situação deplorável em que aquele interior se encontrava. As paredes já estavam no cimento, já que a tinta havia corroído. As escadas estavam deterioradas ou quebradas – e o pior, para uma pessoa sedentária que nem eu, subir cinco andares de escada a pé era o fim! Perdi as contas de quantas vezes cheguei com falta de ar ou com o meu coração palpitando até o apartamento.

Esses prédios não tem uma administração para áreas comuns, muito menos um síndico para cuidar destes assuntos, e os prédios vão ficando sem cuidado, sem ter ninguém para se importar com isso. Cada um, também, cria a porta que quiser, deixando qualquer designer de interiores maluco! :)

O apartamento da mãe da minha hostess, a Tanya, era muito bonitinho e cuidado. Mas duas coisas me chamaram a atenção. Não há distinção entre cozinha e sala, sendo tudo em um cômodo, e lendo isso em outros livros, descobri que era uma maneira do governo soviético projetar apartamentos assim, para que os familiares se conhecessem melhor, não só de uma maneira boa, feliz, mas também deles descobrirem possíveis violações que alguém pudesse estar fazendo contra o governo soviético. Era comum que familiares delatassem outros, maneira de conseguir prestígio naquela época. Outra coisa que me chamou a atenção era o fato de todos os membros da família compartilharem o mesmo banheiro, e em quase todas as casas, ele era separado entre chuveiro com banheira (com máquina de lavar dentro!) e vaso sanitário.

O apartamento da minha hostess era menor, com uma pequena cozinha e com dois pequenos quartos (descobri, depois de muito tempo, que estava dormindo na sala!), mas com uma área comum também mal cuidada (com direito a cebolas jogadas no hall durante todo o tempo que estive lá), mas com uma grande vantagem que só tinha visto ali: um elevador!

Depois de visitar outros amigos, essa questão do hall mal cuidado nem me estranhava mais. Eu tinha amigos que viviam em piores condições que as minhas, e logo me senti bem (e aliviada) por morar em uma casa bem localizada e com uma ótima estrutura. Às vezes me estranho por não estar mais lá!

Primeiros relatos na Rússia

Comprei minhas passagens! Sairia de casa na quarta de manhã e chegaria no meu destino domingo à noite. Fácil, não?! Sairia de Bogotá, na Colômbia, onde passava férias, às 7 da manhã, em direção ao Panamá. Fiquei das 8 da manhã até as 4:30 da tarde no aeroporto de Tucumen, no Panamá fazendo nada! Foi bem entediante, no mínimo, mas uma preparação do que estava por vir.

Cheguei aqui em Manaus às 20:30 da noite, e passei uma noite em casa, e no dia seguinte, 5 de janeiro, minha agenda estava cheia! Era o meu último dia no Brasil, e tive que fazer as últimas compras, como algumas comidas, produtos de higiene, etc, e terminar de arrumar a minha mala. A noite ia chegando, e o friozinho na barriga aumentava. Me despedi da minha família no aeroporto e fui em direção à minha longa jornada solitária!

O meu voo pra São Paulo saía às 2:30 da manhã, e ele foi quase vazio. Acho que no máximo umas 50 pessoas embarcaram, algo muito difícil, já que, em todas as vezes que fui pra São Paulo, o voo saía sempre lotado. Cheguei cedo em Guarulhos, e o meu próximo voo saía apenas às 21:30 da noite. Testei minha resiliência passando 13 horas no aeroporto!

Mas a minha maior dificuldade nesse tempo foi uma: a minha mala de mão preta! Estava saindo de Manaus, super quente, e estava indo pro oposto, no ápice do inverno. Comprei uma mochila de 80 litros em Bogotá e pretendia levar meu casaco pesado, botas, e roupa térmica ali. Só que cerca de uma hora antes de ir ao aeroporto, vi um rasgo enorme nela, e decidi levar uma outra bolsa, para não correr riscos. Não podia despachar essa bolsa preta, afinal de contas, minha proteção para o frio estava ali. Tive que carregá-la quando eu ia almoçar, ir ao banheiro, e em quase todo lugar que o carrinho de bagagem não passava. No fim do dia, comecei a chutá-la ao invés de carregar, afinal, meus braços já doíam muito. Lição: comprar uma mochila mais resistente da próxima vez.

É meio comum que eu fique doente nas minhas viagens. Chegando em São Paulo, me senti bem enjoada, e o único remédio pra isso que tinha era o Dramin. Só que esse remédio me dá sonolência, e foi uma batalha pra me manter acordada naquele aeroporto. Fiquei com medo de dormir ali e ser furtada, algo assim, mas mesmo assim dormi, e relaxei.

Até que o meu check-in estivesse aberto, passei muito tempo procurando o que fazer. Palavras cruzadas, livros, passear por ali, internet… Até que o check-in abriu, e eu pude entrar! Mas ainda faltava muito tempo para o embarque começar. Nesse meio tempo, fiquei conversando com um grupo de adolescentes que estavam indo estudar inglês em Londres. Eles me perguntaram pra onde eu ia, e quando eu falei que era pra Rússia, eles ficaram boquiabertos, e ficaram super encantados com o voluntariado! Talvez futuros membros da AIESEC, quem sabe?!

Após muitas palavras cruzadas feitas, eu vi o A330 da KLM chegando no gate. A hora estava chegando, finalmente! A fila de embarque começou a se formar, e daí eu falei pra mim mesma: “É agora. A partir de agora é você, e só você! Vamos aproveitar essa experiência o melhor possível!”

Fiquei ao lado de outro menino, da minha idade mais ou menos no avião. Ele estava indo pra Londres, e apesar de estarmos na mesma situação, eu parecia estar mais segura do que ele. As primeiras horas do voo foram bem turbulentas. Logo após o jantar, fui ao banheiro, coloquei minhas roupas térmicas e minha bota, e tomei mais um Dramin para poder dormir. Eu acordei com aquela sensação de que o avião estava caindo. Estávamos sobre a França, fazendo os procedimentos de pouso já. Uma bela noite de sono e uma bela surpresa ao acordar tão perto de Amsterdam.

O pouso foi meio complicado. O aeroporto de Schipol, em Amsterdam estava sofrendo vários atrasos e cancelamentos por causa de fortes ventos. Deu pra sentir o vento fazendo o avião cambalear, mas chegamos! Amsterdam é linda vista do alto! Vários canais e pontes, e já anotei na minha agenda como um futuro destino! :)

Eu estava relativamente na frente do avião, e saí logo. Quando saí, um policial me abordou com um cão farejador, e com uma voz meio desconfiada me perguntou se eu ia ficar em Amsterdam, ou se eu iria para outro lugar. Eu abri um sorriso e disse que estava indo pra Rússia. Então o policial me perguntou, também com um sorriso: “Pra onde, Moscou?!” e eu: “Sim!”, mostrando meu cartão de embarque pra Moscou. Ele ficou super animado, e me deu as instruções de como chegar no gate de embarque do meu voo. Mais um impressionado ao ver uma brasileira pequenina indo a um lugar tão longe!

Saí andando rápido, quase correndo. O voo pra Amsterdam tinha atrasado um pouco, e o de Moscou iria sair em meia hora. Nem deu tempo de comprar aqueles tamancos holandeses, ou pelo menos um souvenir. Quando estava desesperada para encontrar o meu gate, olho pro lado, em uma parede de vidro, e vejo o avião da Aeroflot prostrado, ao meu lado (Sim, eu ia de Aeroflot!). Nessa hora eu me toquei: “Gente, estou indo pra Rússia! Não estou acreditando!” Era melhor acreditar mesmo. Cheguei na fila, e vi vários russos lá, todos bem mais altos que eu, e de cara fechada. Passei pelos scanners e logo embarquei. Fiquei no corredor ao lado de dois russos de aparência mal-humorada, e logo percebi alguns detalhes marcantes ali. Primeiro, o uniforme das aeromoças, que possui o martelo e a foice, símbolos da União Soviética, um resquício da antiga Aeroflot soviética. Depois, o próprio olhar, meio blasé das aeromoças com os passageiros. Quando uma dessas me serviu um jantar, e percebeu que eu era estrangeira, ela meio que fechou a cara, e não me serviu mais nada. Ela também não me deu um papel que eu tinha que entregar na imigração. Quase a minha entrada foi barrada por causa disso.

Enquanto todo esse tempo, surgia uma dúvida marcante: eu iria chegar em Moscou, e o que eu ia fazer? Eu desembarcaria cerca de umas 8 da noite, já noite, e teria que partir pra Saratov logo. Será que eu iria fazer tudo isso sozinha? Enquanto eu estava em Bogotá, comecei a pedir ajuda e dicas tanto de brasileiros que estavam em Moscou, quanto russos também da AIESEC. Eu iria chegar bem no natal ortodoxo deles, e será que alguém iria se dispor a me ajudar? Ainda bem que encontrei essa pessoa. Cerca de um ano antes, comecei a falar com o Vasily, da AIESEC em Moscou. Ele se ofereceu pra me ajudar, e logo após saindo da sala de desembarque, comecei a olhar ao redor pra ver se ele estava ali ou não. Se não, eu iria a um hotel perto, e no dia seguinte, compraria minha passagem de trem. Quando já tinha perdido as esperanças, eu ouço alguém se dirigindo a mim, falando algo como: “Poxa, pensava que eu já tinha te perdido em algum lugar”.

A ajuda dele foi ótima e essencial para o meu sucesso nesse início de aventura. Sou extremamente grata a ele até hoje pela ajuda. Com a passagem comprada, e de quebra, um tour pela Krasnaya Ploschadi (Praça Vermelha) em pleno natal, com papai noel russo inclusive, parti em rumo à Saratov num trem antigo, mas confortável. O resto da história fica em outro post, mas pra finalizar, me lembro de um dos momentos mais tocantes que eu tive em dois meses em terra russa. O trem partindo e o meu amigo ali, me dando tchau. Me senti numa daquelas cenas de filmes de drama, onde as pessoas nunca mais se vêem. Até hoje, ainda não o reencontrei, mas felizmente, temos a internet como ponte disso.

Abrindo a janela para o mundo!

Acho que viajar é o principal sonho de consumo da maioria das pessoas. E sou, descaradamente uma delas!

Desde a primeira vez que entrei num avião, em dezembro de 1999, um antigo e confortável Varig, sempre senti aquele friozinho na barriga, não por ter medo de altura, turbulência, ou coisas parecidas. Era a vontade de ir no aeroporto, e passar algumas horas dentro de um avião! Lembrando que naquela época viajar era uma coisa diferente, menos cotidiana que o usual. É fácil de ter amigos e conhecidos que passam o fim de semana em um lugar longe só por estar, como se fosse a coisa mais comum do mundo! Ainda sou daquelas clássicas que conta os dias para entrar no avião, planeja cada passo a ser dado, lugares a visitar e afins.

E diferentemente da maioria das pessoas que conheço, sou fascinada por conhecer lugares distantes, e que são diferentes da minha realidade. Sou do Norte, só tinha visto calor e chuva por boa parte da minha vida, e até agora, a viagem mais fora da minha realidade aconteceu em janeiro de 2012, onde decidi passar dois meses no meio do inverno russo.

Claro, existem muitas histórias pra se contar desta, e outras aventuras. Mas posso dizer que tive um dos principais momentos de reflexão da minha vida ali, no meio do nada, dentro de um trem com destino a Saratov, na região do Volga.

Após dormir por muitas horas no meu vagão compartilhado, resolvi olhar a paisagem do lado de fora. Só tinha neve e mais neve! Árvores mortas cobertas de neve, e grandes espaços vazios com simplesmente nada. A primeira coisa que pensei foi: “nossa, que lindo!”. Fiquei alguns segundos sem pensar nada, e depois refleti algo que me marca até agora. Percebi que só via árvores e neve, e achava lindo! Quando eu ouvia os meus amigos estrangeiros falando que, a região que eu morava era linda e única, eu meio que menosprezava. Nascida e crescida no meio da cultura amazônica, eu achava a floresta ao meu redor banal, simples, e que os animais que nela vivem, comuns. Afinal, cresci, de alguma maneira conectada, acostumada a isso. E quando eu também ouvia que a terra deles era “sem graça”, não podia acreditar! Eu pensava impossível que alguém, na América do Norte ou Europa achasse o lugar que viviam sem graça. Olhando para aquelas árvores mortas, eu entendi o porquê. Ninguém tem a beleza da minha região. Lembrei também de um amigo que uma vez me disse: “Pra quer supervalorizar aquilo que nos é externo? Pegue um barco e passe algumas horas longe da civilização. Temos tanta beleza pra oferecer!” Naquele momento, descobri que moro no paraíso.

A partir de então, viajo por cultura! Prefiro ir passar o dia em museus, do que fazer compras. Uma vez, uma amiga me chamou para ir a Orlando fazer compras no Black Friday. Daí falei que queria me focar em uma viagem desejada para o Oriente Médio ou Índia no ano que vem, e que compras em New York ou Chicago poderiam ser melhores. Ela começou a rir, e me deu uma indireta, me chamando de “estranha” por querer viajar pro Oriente Médio e Índia, e não querer ir até Orlando, cidade que ela já foi umas duas vezes só nesse ano, dizendo que eu ia me arrepender de não ir nos parques da Disney. Bem, gosto é gosto! ;)