Airport review: Istanbul Atatürk (IST)

Após dois meses na Rússia, estava indo passar alguns dias em Paris, e ao invés de pegar um voo direto, decidi ir até lá via Istambul. Não me arrependo nem um pouco desta escolha, e quatro horas dentro do aeroporto serviriam de convite aberto para uma visita futura à Turquia.

O voo entre Moscou e Istambul foi longo para padrões europeus, 2 horas e 45 minutos, mas sendo início de uma manhã longa de inverno (e com uma madrugada em branco), foi fácil dormir ali. Viajei pela Turkish Airlines, votada a melhor companhia europeia do ano anterior. Gostei do voo. Achei o avião confortável, e fui muito bem atendida pelo pessoal em solo e no avião. O computador de bordo do avião tinha várias opções de filmes e música, e fui até Istambul assistindo “Singing in the Rain”, um dos meus musicais favoritos.

Detalhe em turco.

Mas a surpresa maior ainda estava por vir. Chegando em Istambul, eu tinha uma dúvida. Será que eu podia apenas esperar a conexão no hall do aeroporto, ou se eu tinha que ir para a imigração. Brasileiros não precisam de visto de turismo para a Turquia, o que seria o meu caso. Estava vendo o fluxo inteiro dos passageiros saindo do meu voo indo direto para a imigração, então vi um guichê imenso da Turkish ali. Fui me informar. Muito cordialmente, o atendente disse que eu podia subir a escada rolante à minha esquerda e esperar a minha conexão ali. Foi um alívio!

Essa escada rolante ficava em um corredor bem estreito. Quem tem claustrofobia ia se assustar um pouco ali, mas a sensação de chegar ao fim dela foi incrível! O aeroporto de Atatürk conserva muito da arquitetura turca, e senti sendo emergida pela escada rolante no centro do mundo. Ao meu redor, estavam pessoas de diversas raças e etnias! Eram turcos, árabes, indianos, asiáticos, europeus, africanos, e até um grupo de pessoas de aparência bem latino americana em um só lugar! Cada um com seu estereotipo! Creio que foi uma das poucas vezes que me senti tão bem vinda em um aeroporto.

Um dos meus hobbies é colecionar souvenirs, e logo parti para uma loja de lembrancinhas e quinquilharias! Eu não tinha nenhum dinheiro turco, e só um Visa Travel Money com um pouquinho de dinheiro, um cartão de crédito internacional para emergências, 100 rublos (o que não é muito), e alguns dólares que iria trocar para Euros em Paris. Gastei meus últimos 8 euros no  Travel Money nessa loja, com artigos da Hagia Sofia e da Mesquita Azul. O aeroporto também tem uma praça de alimentação. Não foi a melhor que já estive, muito menos a pior, mas tinha um Burger King e comi algo rápido.

O meu gate de partida demorou a ser definido. Apenas cerca de uma hora e meia antes do voo os painéis informam isso. Então me dirigi ao tal gate, mas depois de algum tempo, comecei a estranhar ali. Não tinha mais ninguém esperando no mesmo lugar, e conferindo o painel novamente, vi que tinha acontecido uma mudança no gate. O problema era que eu já tinha passado por uma série de revistas e raio-x, e não sabia se podia sair do local. Falei com um funcionário, e ele entendeu a minha situação, e não só ele me informou onde seria o gate real, mas também me levou pessoalmente até lá, e ainda me pediu mil desculpas pelo acontecimento. Não tive como agradecer mais. Mais um ponto que os turcos ganham comigo. :)

Daquela vez, era real. O painel do gate dizia que ali mesmo seria o embarque para Paris, e fiquei ali esperando. Ao lado do meu avião, estava um da Saudi Arabian, e quando mal percebo, vejo um grupo de uns 40 ou 50 árabes indo embarcar. Nada demais, mas me impressionei com a vestimenta deles! Mulheres vestidas da cabeça aos pés, e os homens com uma outra roupa típica, e umas sandálias que lembram uma outra japonesa, que possui dois saltos (realmente não sei informar o nome destes). E parecia que a roupa de todos eles era igual. Dentro da minha cabeça eu falava “uau! Incrível!”

Vale ressaltar outra coisa em Istambul. Cheguei de manhã cedo, e estava nevando. Saindo, início da tarde, já havia um sol forte. Vai entender, né?

Logo, embarcamos novamente, e para um voo mais longo, de 3h 40. Voo igualmente confortável, com boa comida e atendimento. Fiquei impressionada com as paisagens vistas do alto. Os Alpes são lindos vistos de cima! Consegui até ver umas cidadezinhas no sopé das montanhas, modéstia a parte. Certa hora, o computador de bordo indicava que estávamos sobrevoando a Suíça, e logo vi uma paisagem que lembrava muito o Lago Genebra. Olhando mais de perto no computador de bordo, vi que realmente estávamos por ali, perto da fronteira da França com a Suíça, e tirei uma foto pra guardar de lembrança. Logo fiquei com vontade de voltar pra linda Genebra!

Vista da Suíça do avião.

Cheguei em Paris, e após esperar um tempo até o câmbio abrir, finalmente pude ir para o hotel! O resto fica em outro post! :)

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Morando em estilo soviético

Desde dentro do trem, em Moscou, eu percebi algo muito pertinente na aparência das cidades. Os prédios residenciais pareciam seguir o mesmo estilo, especialmente aqueles que já aparentavam ter alguns bons anos de existência.

Pesquisando um pouco em livros que possuo sobre o assunto, após o fim da Segunda Guerra Mundial, havia um grande déficit habitacional na União Soviética, e, especialmente após a era Kruschev (aportuguesadamente, ou algo como Rrushchov lido em russo) a construção destes conjuntos habitacionais, os novostroiki (Novas Construções) ganhou força.

Esses prédios tem foma de paralelepípedo, que pode até lembrar os blocos do Plano Piloto em Brasília. Pela aparência externa, nota-se que estas construções não são bem cuidadas, e quando entramos dentro do hall comum, temos certeza de que não há trato algum, e por tempos.

Levei um susto quando entrei num novostroiki pela primeira vez. Tinha saído da estação de trem, e a mãe da minha hostess (a pessoa que ia me abrigar no meu intercâmbio) estava, coincidentemente, fazendo um jantar, e fui direto para a casa dela. Quando abriram a porta, eu vi a situação deplorável em que aquele interior se encontrava. As paredes já estavam no cimento, já que a tinta havia corroído. As escadas estavam deterioradas ou quebradas – e o pior, para uma pessoa sedentária que nem eu, subir cinco andares de escada a pé era o fim! Perdi as contas de quantas vezes cheguei com falta de ar ou com o meu coração palpitando até o apartamento.

Esses prédios não tem uma administração para áreas comuns, muito menos um síndico para cuidar destes assuntos, e os prédios vão ficando sem cuidado, sem ter ninguém para se importar com isso. Cada um, também, cria a porta que quiser, deixando qualquer designer de interiores maluco! :)

O apartamento da mãe da minha hostess, a Tanya, era muito bonitinho e cuidado. Mas duas coisas me chamaram a atenção. Não há distinção entre cozinha e sala, sendo tudo em um cômodo, e lendo isso em outros livros, descobri que era uma maneira do governo soviético projetar apartamentos assim, para que os familiares se conhecessem melhor, não só de uma maneira boa, feliz, mas também deles descobrirem possíveis violações que alguém pudesse estar fazendo contra o governo soviético. Era comum que familiares delatassem outros, maneira de conseguir prestígio naquela época. Outra coisa que me chamou a atenção era o fato de todos os membros da família compartilharem o mesmo banheiro, e em quase todas as casas, ele era separado entre chuveiro com banheira (com máquina de lavar dentro!) e vaso sanitário.

O apartamento da minha hostess era menor, com uma pequena cozinha e com dois pequenos quartos (descobri, depois de muito tempo, que estava dormindo na sala!), mas com uma área comum também mal cuidada (com direito a cebolas jogadas no hall durante todo o tempo que estive lá), mas com uma grande vantagem que só tinha visto ali: um elevador!

Depois de visitar outros amigos, essa questão do hall mal cuidado nem me estranhava mais. Eu tinha amigos que viviam em piores condições que as minhas, e logo me senti bem (e aliviada) por morar em uma casa bem localizada e com uma ótima estrutura. Às vezes me estranho por não estar mais lá!

Primeiros relatos na Rússia

Comprei minhas passagens! Sairia de casa na quarta de manhã e chegaria no meu destino domingo à noite. Fácil, não?! Sairia de Bogotá, na Colômbia, onde passava férias, às 7 da manhã, em direção ao Panamá. Fiquei das 8 da manhã até as 4:30 da tarde no aeroporto de Tucumen, no Panamá fazendo nada! Foi bem entediante, no mínimo, mas uma preparação do que estava por vir.

Cheguei aqui em Manaus às 20:30 da noite, e passei uma noite em casa, e no dia seguinte, 5 de janeiro, minha agenda estava cheia! Era o meu último dia no Brasil, e tive que fazer as últimas compras, como algumas comidas, produtos de higiene, etc, e terminar de arrumar a minha mala. A noite ia chegando, e o friozinho na barriga aumentava. Me despedi da minha família no aeroporto e fui em direção à minha longa jornada solitária!

O meu voo pra São Paulo saía às 2:30 da manhã, e ele foi quase vazio. Acho que no máximo umas 50 pessoas embarcaram, algo muito difícil, já que, em todas as vezes que fui pra São Paulo, o voo saía sempre lotado. Cheguei cedo em Guarulhos, e o meu próximo voo saía apenas às 21:30 da noite. Testei minha resiliência passando 13 horas no aeroporto!

Mas a minha maior dificuldade nesse tempo foi uma: a minha mala de mão preta! Estava saindo de Manaus, super quente, e estava indo pro oposto, no ápice do inverno. Comprei uma mochila de 80 litros em Bogotá e pretendia levar meu casaco pesado, botas, e roupa térmica ali. Só que cerca de uma hora antes de ir ao aeroporto, vi um rasgo enorme nela, e decidi levar uma outra bolsa, para não correr riscos. Não podia despachar essa bolsa preta, afinal de contas, minha proteção para o frio estava ali. Tive que carregá-la quando eu ia almoçar, ir ao banheiro, e em quase todo lugar que o carrinho de bagagem não passava. No fim do dia, comecei a chutá-la ao invés de carregar, afinal, meus braços já doíam muito. Lição: comprar uma mochila mais resistente da próxima vez.

É meio comum que eu fique doente nas minhas viagens. Chegando em São Paulo, me senti bem enjoada, e o único remédio pra isso que tinha era o Dramin. Só que esse remédio me dá sonolência, e foi uma batalha pra me manter acordada naquele aeroporto. Fiquei com medo de dormir ali e ser furtada, algo assim, mas mesmo assim dormi, e relaxei.

Até que o meu check-in estivesse aberto, passei muito tempo procurando o que fazer. Palavras cruzadas, livros, passear por ali, internet… Até que o check-in abriu, e eu pude entrar! Mas ainda faltava muito tempo para o embarque começar. Nesse meio tempo, fiquei conversando com um grupo de adolescentes que estavam indo estudar inglês em Londres. Eles me perguntaram pra onde eu ia, e quando eu falei que era pra Rússia, eles ficaram boquiabertos, e ficaram super encantados com o voluntariado! Talvez futuros membros da AIESEC, quem sabe?!

Após muitas palavras cruzadas feitas, eu vi o A330 da KLM chegando no gate. A hora estava chegando, finalmente! A fila de embarque começou a se formar, e daí eu falei pra mim mesma: “É agora. A partir de agora é você, e só você! Vamos aproveitar essa experiência o melhor possível!”

Fiquei ao lado de outro menino, da minha idade mais ou menos no avião. Ele estava indo pra Londres, e apesar de estarmos na mesma situação, eu parecia estar mais segura do que ele. As primeiras horas do voo foram bem turbulentas. Logo após o jantar, fui ao banheiro, coloquei minhas roupas térmicas e minha bota, e tomei mais um Dramin para poder dormir. Eu acordei com aquela sensação de que o avião estava caindo. Estávamos sobre a França, fazendo os procedimentos de pouso já. Uma bela noite de sono e uma bela surpresa ao acordar tão perto de Amsterdam.

O pouso foi meio complicado. O aeroporto de Schipol, em Amsterdam estava sofrendo vários atrasos e cancelamentos por causa de fortes ventos. Deu pra sentir o vento fazendo o avião cambalear, mas chegamos! Amsterdam é linda vista do alto! Vários canais e pontes, e já anotei na minha agenda como um futuro destino! :)

Eu estava relativamente na frente do avião, e saí logo. Quando saí, um policial me abordou com um cão farejador, e com uma voz meio desconfiada me perguntou se eu ia ficar em Amsterdam, ou se eu iria para outro lugar. Eu abri um sorriso e disse que estava indo pra Rússia. Então o policial me perguntou, também com um sorriso: “Pra onde, Moscou?!” e eu: “Sim!”, mostrando meu cartão de embarque pra Moscou. Ele ficou super animado, e me deu as instruções de como chegar no gate de embarque do meu voo. Mais um impressionado ao ver uma brasileira pequenina indo a um lugar tão longe!

Saí andando rápido, quase correndo. O voo pra Amsterdam tinha atrasado um pouco, e o de Moscou iria sair em meia hora. Nem deu tempo de comprar aqueles tamancos holandeses, ou pelo menos um souvenir. Quando estava desesperada para encontrar o meu gate, olho pro lado, em uma parede de vidro, e vejo o avião da Aeroflot prostrado, ao meu lado (Sim, eu ia de Aeroflot!). Nessa hora eu me toquei: “Gente, estou indo pra Rússia! Não estou acreditando!” Era melhor acreditar mesmo. Cheguei na fila, e vi vários russos lá, todos bem mais altos que eu, e de cara fechada. Passei pelos scanners e logo embarquei. Fiquei no corredor ao lado de dois russos de aparência mal-humorada, e logo percebi alguns detalhes marcantes ali. Primeiro, o uniforme das aeromoças, que possui o martelo e a foice, símbolos da União Soviética, um resquício da antiga Aeroflot soviética. Depois, o próprio olhar, meio blasé das aeromoças com os passageiros. Quando uma dessas me serviu um jantar, e percebeu que eu era estrangeira, ela meio que fechou a cara, e não me serviu mais nada. Ela também não me deu um papel que eu tinha que entregar na imigração. Quase a minha entrada foi barrada por causa disso.

Enquanto todo esse tempo, surgia uma dúvida marcante: eu iria chegar em Moscou, e o que eu ia fazer? Eu desembarcaria cerca de umas 8 da noite, já noite, e teria que partir pra Saratov logo. Será que eu iria fazer tudo isso sozinha? Enquanto eu estava em Bogotá, comecei a pedir ajuda e dicas tanto de brasileiros que estavam em Moscou, quanto russos também da AIESEC. Eu iria chegar bem no natal ortodoxo deles, e será que alguém iria se dispor a me ajudar? Ainda bem que encontrei essa pessoa. Cerca de um ano antes, comecei a falar com o Vasily, da AIESEC em Moscou. Ele se ofereceu pra me ajudar, e logo após saindo da sala de desembarque, comecei a olhar ao redor pra ver se ele estava ali ou não. Se não, eu iria a um hotel perto, e no dia seguinte, compraria minha passagem de trem. Quando já tinha perdido as esperanças, eu ouço alguém se dirigindo a mim, falando algo como: “Poxa, pensava que eu já tinha te perdido em algum lugar”.

A ajuda dele foi ótima e essencial para o meu sucesso nesse início de aventura. Sou extremamente grata a ele até hoje pela ajuda. Com a passagem comprada, e de quebra, um tour pela Krasnaya Ploschadi (Praça Vermelha) em pleno natal, com papai noel russo inclusive, parti em rumo à Saratov num trem antigo, mas confortável. O resto da história fica em outro post, mas pra finalizar, me lembro de um dos momentos mais tocantes que eu tive em dois meses em terra russa. O trem partindo e o meu amigo ali, me dando tchau. Me senti numa daquelas cenas de filmes de drama, onde as pessoas nunca mais se vêem. Até hoje, ainda não o reencontrei, mas felizmente, temos a internet como ponte disso.

Abrindo a janela para o mundo!

Acho que viajar é o principal sonho de consumo da maioria das pessoas. E sou, descaradamente uma delas!

Desde a primeira vez que entrei num avião, em dezembro de 1999, um antigo e confortável Varig, sempre senti aquele friozinho na barriga, não por ter medo de altura, turbulência, ou coisas parecidas. Era a vontade de ir no aeroporto, e passar algumas horas dentro de um avião! Lembrando que naquela época viajar era uma coisa diferente, menos cotidiana que o usual. É fácil de ter amigos e conhecidos que passam o fim de semana em um lugar longe só por estar, como se fosse a coisa mais comum do mundo! Ainda sou daquelas clássicas que conta os dias para entrar no avião, planeja cada passo a ser dado, lugares a visitar e afins.

E diferentemente da maioria das pessoas que conheço, sou fascinada por conhecer lugares distantes, e que são diferentes da minha realidade. Sou do Norte, só tinha visto calor e chuva por boa parte da minha vida, e até agora, a viagem mais fora da minha realidade aconteceu em janeiro de 2012, onde decidi passar dois meses no meio do inverno russo.

Claro, existem muitas histórias pra se contar desta, e outras aventuras. Mas posso dizer que tive um dos principais momentos de reflexão da minha vida ali, no meio do nada, dentro de um trem com destino a Saratov, na região do Volga.

Após dormir por muitas horas no meu vagão compartilhado, resolvi olhar a paisagem do lado de fora. Só tinha neve e mais neve! Árvores mortas cobertas de neve, e grandes espaços vazios com simplesmente nada. A primeira coisa que pensei foi: “nossa, que lindo!”. Fiquei alguns segundos sem pensar nada, e depois refleti algo que me marca até agora. Percebi que só via árvores e neve, e achava lindo! Quando eu ouvia os meus amigos estrangeiros falando que, a região que eu morava era linda e única, eu meio que menosprezava. Nascida e crescida no meio da cultura amazônica, eu achava a floresta ao meu redor banal, simples, e que os animais que nela vivem, comuns. Afinal, cresci, de alguma maneira conectada, acostumada a isso. E quando eu também ouvia que a terra deles era “sem graça”, não podia acreditar! Eu pensava impossível que alguém, na América do Norte ou Europa achasse o lugar que viviam sem graça. Olhando para aquelas árvores mortas, eu entendi o porquê. Ninguém tem a beleza da minha região. Lembrei também de um amigo que uma vez me disse: “Pra quer supervalorizar aquilo que nos é externo? Pegue um barco e passe algumas horas longe da civilização. Temos tanta beleza pra oferecer!” Naquele momento, descobri que moro no paraíso.

A partir de então, viajo por cultura! Prefiro ir passar o dia em museus, do que fazer compras. Uma vez, uma amiga me chamou para ir a Orlando fazer compras no Black Friday. Daí falei que queria me focar em uma viagem desejada para o Oriente Médio ou Índia no ano que vem, e que compras em New York ou Chicago poderiam ser melhores. Ela começou a rir, e me deu uma indireta, me chamando de “estranha” por querer viajar pro Oriente Médio e Índia, e não querer ir até Orlando, cidade que ela já foi umas duas vezes só nesse ano, dizendo que eu ia me arrepender de não ir nos parques da Disney. Bem, gosto é gosto! ;)