O bairro judaico de Praga e suas curiosidades

Um dos lugares mais interessantes e incríveis da capital da República Checa é o Josefov, que é nada mais nada menos o reduto da comunidade judaica em Praga. Localizado aproximadamente entre a praça do relógio astronômico e do pêndulo, o bairro judaico é um dos melhores lugares para conhecer, gastar, e tirar muitas fotos.

Aqui, vou procurar contar um pouquinho de história, curiosidades e alguns pontos de interesse para quem está de passagem por Praga.

História e Curiosidades

Primeiro vai um pouquinho de história (as usual). A região da Boêmia (ou seja, Praga e seus arredores) era uma das poucas regiões da Europa junto com a Polônia, o Império Russo, a Hungria e outras localidades do leste europeu a admitirem a população judia como povo livre. Mesmo assim eles não viviam nas mesmas condições que outros cidadãos, especialmente em Praga.

A população de Praga ficou dividida em basicamente duas regiões distintas. Os mais ricos moravam em Mala Strana e Stare Mesto (onde se encontram as ruelinhas e aquele ar medieval de Praga), enquanto os judeus, mais humildes, moravam em Josefov, em uma espécie de favela, segundo historiadores.

A questão foi que a população judaica foi crescendo tanto que o Josefov começou a não comportar tantas pessoas. Lembrando que Praga tinha uma muralha, o que deixava o Josefov “preso” entre as muralhas de Praga e o rio Vltava.

Lá pelo século  XIX (não sei informar exatamente quando), boa parte do bairro judaico e seus guetos foi demolido para a criação de boulevards ao estilo parisiense. Uma das principais avenidas ali é a av. Parizska (em tcheco, Avenida de Paris), cheia de lojas chiques e caras. Uma parte da população ficou sem casa, e os judeus que enriqueceram com o comércio conseguiram comprar apartamentos fora de Josefov. Porém, os mais humildes continuaram à margem da sociedade.

Cartier na av. Parizská

Cartier na av. Parizská

Top 5 Pontos de interesse do Bairro Judaico de Praga

1. Um dos lugares mais interessantes de se conhecer no bairro judaico é o Cemitério, onde esse problema de superpopulação e pouco espaço é bem evidente. Lembrando que como Praga é uma cidade bem antiga, o nível do solo era uns três metros mais baixo que o atual. Acontece que o cemitério foi ficando tão lotado com o tempo que camadas adicionais de terra foram sendo adicionadas para que mais corpos fossem enterrados com o tempo. Após alguns séculos de existência (mais precisamente entre 1439 até 1787), o nível do solo subiu tanto que hoje ele se encontra acima do nível da rua que passa ao lado. Mesmo com o passar dos anos, o cemitério judaico conseguiu manter sua aparência medieval e ele é bem pitoresco e curioso. Vale a pena a visita.

Cemitério judaico visto da grade

Cemitério judaico visto da grade

2. Ao lado do cemitério, se encontra a Jewish Cerimonial Hall, construída principalmente para abrigar cerimônias mortuárias. Com o passar dos anos, ali se instalou um museu sobre a história judaica. Muitos dos objetos dali curiosamente foram adquiridos durante a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas tiveram um interesse de construir um museu dedicado “à civilização extinta”, ou seja, sobre os judeus. Felizmente as atrocidades pararam, e hoje em dia, o museu celebra a história da população judia.

Cerimonial hall

Cerimonial hall

3. Ali pertinho do cemitério, se encontra a Old New Synagogue, que é a sinagoga mais antiga do mundo em atividade. Não tive a oportunidade de entrar lá, mas pude olhar pela janela (risos). Essa sinagoga é bem bonita e lembra aquele ar medieval da cidade. Esse nome confuso (sinagoga velha-nova) se deve ao fato de que ela quando foi construída lá pelo século XI, não era a única sinagoga da cidade. Por isso, o nome “Nova Sinagoga” foi dado. Com o crescimento da população, outras sinagogas foram sendo construídas, e ela passou também a ser chamada de “Velha”.

Old New Synagogue

Old New Synagogue

4. A sinagoga mais antiga da cidade era chamada de “Velha Sinagoga” e de acordo com registros históricos, ela era bem simples. Com o tempo, ela foi demolida, e em seu lugar, foi construída a Sinagoga Espanhola na segunda metade do século XIX. Ela recebeu esse nome por seus detalhes arquitetônicos, e no momento, ela é a mais importante da cidade.

Sinagoga espanhola

Sinagoga espanhola

5. Na frente da Sinagoga Espanhola, se encontra a estátua de Franz Kafka, o famoso escritor de romances em alemão. Ele nasceu em Praga (na época, parte do Império Austro-Húngaro) e viveu pelas redondezas da Sinagoga Espanhola. O seu local de nascimento está indicado com uma placa e vários guias dão informações sobre ele e sua obra.

Já falei demais por aqui! Mas reafirmo que é muito bom andar pelas ruas do Josefov, e prestar atenção em simples detalhes como fachadas, praças, estátuas e tudo mais. Ali existem muitos restaurantes bons, com direito a um especializado em comida brasileira e uma padaria deliciosa! Super recomendo as lojinhas dali, cheias de lembrancinhas e artesanatos! Quem tem interesse em história, curiosidades, arquitetura e afins, a visita ao Josefov é obrigatória para quem quer passar por Praga!

Walking tours em Praga

Praga é uma cidade absolutamente linda! A cidade velha, o bairro judeu, a ponte Carlos, o Castelo de Praga e muito mais se encontram numa cidade que respira cultura o tempo todo. Uma das maneiras mais recomendáveis pelos concierges dos hotéis e pessoas que trabalham com turismo é participar de um walking tour.

Eu havia chegado sábado às 6:30 da manhã em Praga e fiquei andando o dia todo. Conheci a pé a cidade toda, atravessei a ponte Carlos várias vezes, subi no castelo, comprei várias lembrancinhas mas mesmo assim optei por fazer esse walking tour no dia seguinte.

Os tours são grátis e o ponto de encontro é geralmente às 14:00 na frente do relógio astronômico. Alguns guias carregam umas plaquinhas anunciando os waking tours em inglês ou até em outros idiomas e as pessoas se agrupam ao redor deles. Chegamos e a minha roomate escolheu um guia, e aguardamos a partida.

Geralmente os tours duram umas duas horas, que era o tempo que esse guia havia estipulado. Saímos no total de seis pessoas e ele começou por ali mesmo.

Neste walking tour passamos por:

  • Relógio astronômico;
  • Igreja Týnsky;
  • Old Town;
  • Charles Bridge;
  • Cemitério judeu;
  • Hotel Intercontinental;
  • Sinagogas;
  • Museu de arte de Praga;
  • Torre do pó.

Realmente passamos em vários lugares, e conseguimos muita informação sobre vários lugares. Por exemplo, o Relógio Astronômico está funcionando desde o século XV e é movido a energia solar. Ele consegue identificar o dia do ano e a luz do sol no dia independente da estação.

Outra curiosidade importante foi a questão do cemitério judaico. Já como eles não podiam ser enterrados em nenhum outro lugar da cidade, eles foram subindo camadas e camadas de terra para poder abrigar seus entes queridos. Hoje o cemitério é mais elevado que o nível da rua em uns 5 metros, ainda considerando que a cidade medieval tinha um nível do solo mais baixo.

Praga também foi uma cidade com muralhas por muito tempo. A cidade velha (parte de dentro) abrigava as famílias mais ricas e no lado de fora a população judaica vivia em uma espécie de favela. No século XIX a antiga área judaica foi urbanizada.

Sobre a Ponte Carlos, existem várias estruturas. Uma delas é o do menino Jesus banhado a ouro, que reza a lenda, dá fertilidade às mulheres. Ao lado dele existe uma estátua de um cachorro também banhada a ouro (não se sabe por quem) que já traz má sorte. Geralmente as mulheres passam a mão na cabeça do menino Jesus e após passam a mão na cabeça do cachorro. É como “conseguir” a sorte e depois abrir mão dela.

Eu não saberia dessas nem de outras curiosidades se não fosse o guia do walking tour, mas mesmo assim me arrependo de ter ido.

Enumero vários motivos como que o guia não levou duas horas para todo o tour, e sim um pouco mais de 4 horas. Dessas 4 horas ele comentou muito mais sobre o estilo arquitetônico dos prédios do que sobre história. Todos os prédios que ele apontava eram “art nouveau”, e ele demonstrou sua insatisfação com os prédios comunistas de forma bem severa.

Ele também passava a maior parte do tempo com coisas irrelevantes, como a textura dos prédios, e objetos. Ele também fazia o merchan de várias coisas, como a exposição de um amigo e ele até fez um break num restaurante de uma amiga para que nós o conhecêssemos (um restaurante que mais parecia um restaurante a quilo).

Em geral, não gostei desse guia em particular, e nem tive a chance de escolhê-lo ou de sair de lá pois o walking tour era algo que a minha roomate queria muito fazer. Minha indignação ficou no fato de eu não ter dado gorjeta a ele.

Se eu iria num walking tour lá novamente? Sim! O Walking tour é uma maneira excelente de conhecer Praga aos mínimos detalhes, mas recomendo sempre procurar um guia de uma empresa recomendada pelo hotel/hostel, ser rigorosa quanto ao tempo do tour e por onde passa, qual o tipo de informação que o guia vai passar e até mesmo a quantidade de pessoas com esse guia (sim, a quantidade de pessoas é um indicador bem interessante). No nosso caso terminamos em 4, e víamos outros guias com 20 pessoas ao redor.

Mas nada melhor que tentar descobrir ao máximo por si só! O sábado que eu passei andando me proporcionou as melhores fotos, visões, compras e descoberta de lugares. Praga sozinha já é de encher os olhos!