Morando nos subúrbios de Budapeste

Olá, internet! Hoje eu vim falar de um tema que já havia abordado, mas de uma maneira um pouco diferente. Dessa vez, vou falar como foi a experiência de morar no subúrbio de Budapeste, ao invés de apenas colocar alguns highlights sobre o bairro. Normalmente, os estudantes ficam mais ao centro, ou seja, eu não fiquei num local não muito usual para uma estudante (ou estagiária, ou voluntária, como preferir). Vou explicar tudinho neste post.

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Por que eu fui para Budapeste mesmo? Como que era a logística e acomodação?

Então, quando eu morei em Budapeste eu fiz uma espécie de estágio voluntário numa escola, chamada Kontyfa. Acho que já falei bastante dessa experiência e inclusive fiz um post detalhando como foi o processo aqui.

Esse estágio já ofereceu acomodação, transporte e comida. Na verdade, foi mais acomodação e comida, pois o transporte foi desnecessário. O motivo? Eu morei na escola, num alojamento que ficava juntinho à escola, mas numa área mais reservada. Esse apartamentinho tinha sala, cozinha, banheiro e um quarto, e o dividi com uma outra intercambista da Austrália. Falei no diminutivo, mas acho que esse apartamento era bem amplo!

A alimentação era fornecida pela própria escola, no refeitório deles. Apenas aparecíamos lá e almoçávamos. As senhoras da cantina também nos davam outras coisinhas como pão, manteiga, leite, iogurte, e nos deixavam levar mais comida num tupperware para que pudéssemos comer depois. A princípio, foi difícil me adaptar com a comida que elas faziam, pois os ingredientes são muito diferentes! Por exemplo, elas cozinhavam muito porco, que é algo que raramente como por aqui. Nunca tinha comido sopas doces na minha vida, e o fiz lá. Outras coisas até hoje eu nem faço ideia o que eram, só sei que comia! Outra coisa legal era que nas sextas feiras, o diretor da escola nos dava uma ajuda em dinheiro para que pudéssemos comer nos fins de semana, já que a escola não abria.

A estrutura da escola era muito boa, e eu adorava ver como os funcionários, professores e alunos eram realmente comprometidos com a instituição e a comunidade! Sempre haviam atividades com os alunos. Chegamos a participar do dia da Terra, assistimos o depoimento de uma senhorinha húngara que sobreviveu ao Holocausto, participamos de um churrasco (que não era carne, na verdade uma sopa), e até fomos fazer um piquenique em Margitsziget com os alunos! Fora isso, de vez em quando instalavam touro mecânico, pula pula, fora que haviam atividades no clube de cinema e até ganhávamos coisas de graça lá, como garrafas de água (hidratação sempre) e doces.

 

E sobre a localização, afinal? Era muito contramão morar no subúrbio?

Pois é, esse foi o motivo do post, e só comecei a falar sobre isso agora, haha. Budapeste é dividida numa série de distritos, e a nossa escola se localizava no distrito XV, no bairro de Ujpalota. O distrito XV é bem afastado do centro da cidade, e pra falar a verdade, a nossa quadra era basicamente a fronteira de Budapeste! Ou seja, ali era bem “longe”, mas não era tão ruim.

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Localização do distrito XV em Budapeste. É bem nos limites da cidade.

Não era tão ruim pelo fato de que eu só pegava um ônibus para ir até o centro, e o caminho era uma linha reta (longa linha, porém que continua reta). Por exemplo, um outro amigo brasileiro morava em Csömör, e ele também só pegava um ônibus para ir até a casa dele, mas a diferença era que tinha muitas curvas até chegar em casa, o que dava a impressão que o caminho era bem maior.

A escola era localizada no centro de uma superquadra. Ao redor dela havia uma espécie de parque onde algumas famílias levavam as crianças, cachorros lindos passeavam com seus donos e pessoas aleatórias faziam suas caminhadas ali. O cenário é lindo para as tardes de primavera (época que fui), mas era meio assustador caminhar lá à noite. E às vezes, sozinha.

No outro post falei sobre alguns comércios nos arredores, e era legal ver como que existiam opções ali perto. Muitos desses lugares vendiam produtos com um preço mais em conta, acho que muito pelo fato de que muitas pessoas dali possuíam uma renda menos. Era legal ver que mesmo com muita gente transitando ali perto, a vizinhança era bem tranquila, sem grandes preocupações. Na verdade, a maior parte de Budapeste é calma, e esse bairro às vezes me fazia sentir numa cidade menor.

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Vista da parada de ônibus perto de casa, nos subúrbios de Budapeste.

Gostei de morar no distrito XV?

Só tenho boas memórias de lá! Longe da agitação do centro, tudo foi bem tranquilo, e como também falei acima, o acesso não era difícil, nem na ida, nem na volta. Mas confesso que hoje eu já procuraria viver no centro, perto da maioria das pessoas. Estou até pensando em fazer um post com a continuação desse raciocínio, mas indo pelo caminho oposto: por que viver no centro e não no subúrbio. Mas isso fica pra outro dia.

 

Vida suburbana

Então, eu já contei por aqui uma incrível experiência vivendo em Budapeste, na Hungria. Porém, diferentemente de vários amigos que moravam no centro da ação da capital húngara, eu morava nas margens da cidade, bem no subúrbio.

Quando descobri onde iria trabalhar e morar, já fui logo pesquisando tudo na internet, mas confesso que não achei muita coisa. O bairro de Újpalota tem poucas referências em inglês, e imagina em português! O que consegui encontrar com clareza mesmo foi a localização, quase nos limites da cidade mesmo.

No início, confesso que fiquei meio incomodada, pois aqui em casa eu tenho um carro mas raramente preciso ir para muito longe, por que existe de tudo perto daqui. Ali, eu teria que me deslocar bastante para poder chegar a qualquer lugar, e isso significa andar, se perder, gastar bastante tempo, mas esse é o significado de “se desafiar”, certo?

Com o tempo, passei a me adaptar com os ônibus, as paradas, as lojinhas ao redor, o parque na frente da escola, várias raças de cachorro a correr por ali, os ciganos, os ônibus lotados às 5 da tarde, e tive mais uma comprovação de que eu sou uma pessoa privilegiada, e de que toda e qualquer experiência nova agregaria muito mais ao meu ser, para que no fundo, eu melhore como pessoa e começasse a engajar àqueles que estão ao meu redor.

Sobre ônibus: em Újpalota, eu basicamente pegava dois ônibus, o 173 ou o 173E a partir de Blaha Lujza ou de Keleti. O 173E é mais rápido por possuir menos paradas, e o usava mais por isso. Basicamente, ele vai em linha reta até a parada final.

Sobre acomodação: Esse distrito que eu morava (o XV), foi construído entre os anos 1970 e 1980, como uma forma do então governo comunista húngaro oferecer moradias a pessoas de baixa renda. Daí já pode se imaginar que o estilo arquitetônico dos prédios remonta muito aquele modernismo comunista, como grandes blocos de apartamentos pequenos compilados em superquadras, sempre com árvores, bancos e outras estruturas que deveriam causar a integração entre vizinhos.

Vista da parada de ônibus perto de casa.

Vista da parada de ônibus perto de casa.

E compras: Um dos maiores shoppings da cidade fica ali do lado de onde eu morava, só era preciso atravessar uma avenida. O nome desse shopping é Polus Center e ele até possui umas lojas de porte grande, mas em geral ele é um shopping mediano, sem grandes emoções. Também tinham vários supermercados, como o Tesco e o Spar.

Mas além do Polus Center, perto de casa existiam várias lojas de tudo que é tipo, como padarias, sorveterias, açougues (achei coraçõezinhos de frango lá!), lojas que vendiam todo tipo de comida barata (sdds barras enormes de Milka custando o equivalente a R$0,50), roupas e muito mais.

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É distante mesmo? Bem, eu morava numa superquadra com a escola, prédios em formato de paralelepípedo, um parque com playground, mesas de ping pong e várias coisas mais que ficava ao lado de uma grande avenida, que circunda Budapeste como se fosse um anel. Atravessando essa avenida, se encontrava o Tesco, o Polus Center e o Mc Donald’s, e logo atrás deles se encontra o limite de Budapeste. Ou seja, é bem no final da cidade mesmo.

Outro detalhe curioso é que um dia eu fui até a casa de um amigo que ficava num prédio em uma parte alta e também longe do centro da cidade. Da varanda dele se via vários detalhes lindos da Budapeste imperial, com foco ao Castelo de Buda, ao Danúbio, ao Parlamento e todas aquelas estruturas bonitas “comuns” de quem pensa em Budapeste. Olhando para o outro lado, é super fácil de identificar os enormes paralelepípedos comunistas destoando de todo o resto da cidade. Dali, era bem feio de se observar esse detalhe.

Mas eu acho que se vive muito bem ali. Qualquer lugar bem arborizado, planejado e com várias opções de lazer e compras para a população pode oferecer uma boa qualidade de vida. Para quem tem carro, o acesso a qualquer parte da cidade é mais fácil obviamente, mas em uma cidade em que o sistema de transporte público funcione, independente da qualidade dos ônibus, tudo se torna mais fácil.