Por fim, a Citadella

A Citadella é provavelmente o lugar onde dá para se ver a maior parte de Budapeste. Particularmente acho que a vista mais bonita da cidade fica no Bastião dos Pescadores, mas a Citadella é igualmente impressionante e é ponto indispensável para conhecer em Budapeste.

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Budapeste vista da Citadella

Tanto o Bastião dos Pescadores quanto a Citadella possuem significados especiais para mim, e são símbolos dessa epopeia húngara que vivi. O Bastião foi um dos lugares que conheci no meu primeiro dia em Budapeste; já a Citadella foi o último lugar que conheci na capital húngara.

Logo nos primeiros posts do blog, escrevi um relato curto sobre esse dia. Aquele dia foi tão fantástico e maravilhoso que eu não queria que terminasse nunca! Só ficam as boas memórias e o agradecimento.

Acompanhe também: O dia em que o tempo parou

Origens

A Citadella é uma antiga fortificação húngara localizada no topo da colina Gellért (Gellért Hill) construída em 1848, no ápice da revolução húngara.O nome Citadella já dá a entender que o local tem características de uma fortaleza.

Ela fica no lado de Buda (Buda é montanhosa, enquanto Peste é uma planície), e o fato dela estar no topo de um morro, indica que sua localização foi completamente estratégica em termos militares durante as revoltas contra os Habsburgos e a ocupação soviética.

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Em memória de todos aqueles que sacrificaram suas vidas pela liberdade e independência da Hungria

O que fazer na Citadella?

Hoje em dia o local não tem mais a maioria das características militares que outrora possuiu. Algumas muralhas foram derrubadas, mas a maior parte da estrutura original permanece.

Um mirante foi construído na ponta da Citadella, e é possível passar bastante tempo só admirando o Danúbio, a cidade e tentando descobrir suas ruas principais. Próximo ao mirante também se encontra a Estátua da Liberdade: construída para homenagear os húngaros mortos durante os períodos de opressão.

Na Citadella também se encontra o museu do Exército: uma série de bunkers decorados de uma maneira que te fazem voltar no tempo, durante a época das guerras.

Além do mirante e do museu, ainda é possível explorar a colina Gellért a pé, já que existem uma série de trilhas que a rodeiam do sopé até o topo. Mas obviamente, é necessário disposição, já que ali é uma subida.

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Despedida de Budapeste

Como citei no início do texto, esse foi o último lugar que conheci em Budapeste. Era um sábado e o meu voo para o Brasil seria na segunda de manhã. Naquele dia, o Zsolt me ligou e perguntou se eu queria dar uma volta com ele em algum lugar, mas não podia demorar já que ele possuía um compromisso à tarde.

Nessa altura eu já havia entregado as chaves do meu apartamento e estava hospedada num hotel mais ao centro da cidade. Depois de um certo horário, o Zsolt apareceu e perguntou se eu já havia conhecido a Citadella. Eu disse que não e ele me levou lá.

Nós conversamos muito durante o trajeto, e até hoje agradeço pela pessoa incrível e super prestativa que o Zsolt acabou se tornando durante toda essa viagem. Caminhamos pela maior parte do trajeto, tiramos muitas fotos e voltamos pro hotel.

Eu estava tão pra baixo naquele dia, já que a melancolia estava batendo: a maioria dos meus amigos próximos já havia ido embora. Na noite anterior tinha acontecido minha festa de despedida, com muitos rostos novos que iriam continuar a experiência que iniciei. Na sexta à noite me despedi da maioria deles, já que eu não os veria mais.

Receber a ligação do Zsolt me alegrou muito! Foi ótimo conhecer um lugar novo, e ainda em ótima companhia. Ainda nos veríamos, já que ele insistiu em me levar pro aeroporto na segunda feira.

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Mirante

Vale a pena conhecer a Citadella?

Então, voltando ao intuito mais informativo do post, acho que vale a pena conhecer a Citadella quando já se conheceu a maior parte das atrações de Budapeste. Como a Citadella fica bem longe do centro, ir até lá exige um pouco de tempo livre, pois acredito que a intenção da maioria das pessoas que visitam lá não é de chegar, bater umas fotos e ir embora: conhecer o bunker, comer em algum restaurante típico e andar pelas trilhas pode ser uma opção interessante para quem tem tempo e disposição.

A distância também foi um dos motivos pelo qual eu levei tanto tempo para conhecer o local! O único transporte público que chega até lá é ônibus, e como não conhecia Buda tão bem, sempre deixava para depois. Tive sorte pois o Zsolt me levou de carro até lá!

Mas enfim, o local é lindo, mas eu passaria a visita caso não tivesse muito tempo livre.

 

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Vida na Irlanda: Phoenix Park em Dublin

Escrito por Larissa Pinheiro

Olá, gente! É preciso dizer antes de mais nada que é um prazer iniciar essa coluna aqui no blog da minha amiga Camilla Sandoval. Muito obrigada por me ceder esse espaço. Vamos às introduções: meu nome é Larissa, tenho 25 anos e atualmente moro na Irlanda, numa pequena cidade chamada Strokestown localizada no condado de Roscommon. Sou natural da cidade de Manaus no Estado do Amazonas, onde morei maior parte da minha vida. E pra falar de Irlanda não tem maneira melhor de começar essa categoria falando sobre um dos meus lugares favoritos daqui que é o Phoenix Park.

O Phoenix Park é considerado o maior parque da Europa. Ele possui 700 hectares (7 milhões de metros quadrados). Se você achava que o Central Park em Nova Iorque era grande, o Phoenix Park é muito maior!

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Um pouco sobre

O Parque foi inaugurado no ano de 1662 pelo mais ilustre vice rei da Irlanda, James Butler, duque de Ormond, em nome do rei Charles II. Sua área já foi muito maior no passado, hoje em dia ele se estende até quase Kilmainham, lado sul do Rio Liffey.

Natureza

Muita gente conhece o lugar pelos cervos (veados) que lá habitam. Sim, existem muitos morando lá e muitas pessoas vão para conhecê-los, alimentá-los (eles amam cenouras, vá preparado!) e, claro, tirar muitas selfies com os amiguinhos. O parque possui uma natureza incrível e 30% de sua área é coberta por árvores.

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Atrações

Afinal, o que tem pra fazer no tal Phoenix Park? Vamos lá a lista de lugares para conhecer dentro do parque.

  • Dublin Zoo
  • Pope’s cross
  • A casa do Presidente da Irlanda
  • Wellington Monument (maior obelisco da Europa)
  • Magazine Fort
  • People’s garden
  • Farmleigh
  • Ashtown Castle

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Como chegar?

O parque fica localizado em Dublin 8 próximo a estação de trem e LUAS (metrô de superfície da cidade) Heuston. Meu conselho, caso você queira aproveitar bem sua ida ao parque e conhecer todas ou a maioria das atrações, poupe suas perninhas e pegue o ônibus (25, 26, 37, 38, 39, 70 ou 46A) ou se preferir pegue o LUAS linha vermelha até a estação Heuston.

Vale muito a pena uma tarde no Phoenix Park em qualquer época do ano. Mas o verão, em especial, é ideal! Mesmo que você não veja todas as atrações é bom ir lá pra relaxar, tomar um sol, encontrar os amigos, ler um livro ou, caso você tenha bicicleta a sua ida ao parque se  torna muito mais interessante, lá tem uma ciclovia bem grande por todo o parque.

Obelisco

Obelisco

Bom, esse foi o meu texto falando sobre o Phoenix Park e também o meu convite para todo mundo que deseja vir à Irlanda e explorar esse lindo país. Eu posso escrever mais sobre a minha querida ilha esmeralda. É só pedir que eu volto.

Para mais informações sobre o parque, acesse o site oficial do Phoenix Park!

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Cidadão Global: vale a pena? Minha experiência

O Cidadão Global é um programa de intercâmbio muito interessante promovido pela AIESEC, organização pela qual trabalhei por cerca de três anos e que hoje represento sendo alumnus. Ou seja, após ter trabalhado e contribuído com o crescimento do escritório, hoje observo e acompanho a organização de longe. Mas hoje eu não vim falar sobre a minha experiência como membro da organização, e sim a minha experiência como EP (exchange participant – participante de intercâmbios).

Para começar, a verdade foi que eu sempre quis fazer intercâmbio, mas eu pretendia viajar lá pelo final da minha faculdade em algo relacionado ao aprendizado de idiomas, passar um semestre do meu curso fora, ou até mesmo o mestrado. Até hoje essas vontades continuam de pé, e acredito sim que eu ainda vou obter mais experiências internacionais.

Apaixonada por essa vista! (Parlamento ao fundo)

Apaixonada por essa vista! (Parlamento ao fundo)

Em 2010 eu conheci a organização, comecei a trabalhar como voluntária e aos poucos tive a vontade de participar dos programas que a AIESEC oferece para viajar: hoje são dois programas, chamados de Talentos Globais e Cidadão Global.

O primeiro consiste em realizar um estágio no exterior, trabalhando em alguma empresa com algum tema relacionado à sua área de estudo: comércio exterior, engenharia, jornalismo, captação de recursos, educação de idiomas e assim sucessivamente. Esse programa oferece uma bolsa que ajuda na manutenção do intercambista pelo período em que ele(a) fica trabalhando no exterior, que pode durar de 6 semanas a 18 meses.

Eu ainda não participei do Talentos Globais, e pretendo fazê-lo após o meu mestrado. Porém esse post se trata de duas experiências maravilhosas pelo programa Cidadão Global! Nas duas vezes eu fui para o Leste Europeu e arrumei minhas malas para a Rússia e para a Hungria.

O Cidadão Global é um programa voluntário e de curta duração – 6 semanas até 3 meses. Geralmente os países que oferecem vagas se encontram na América Latina, Leste Europeu, África e Ásia, e em geral o foco do programa consiste em desenvolver projetos em educação, meio ambiente, direitos humanos, saúde e muito mais.

Arbat ul. em Moscou

Arbat ul. em Moscou

Bem, o post será longo, então vamos lá!

Então, o meu primeiro X foi pra Rússia! Sempre sonhei em conhecer esse país e sabia que eu iria amar minha experiência de qualquer maneira.

Mas por que a Rússia?
Eu queria conhecer uma realidade diferente da minha. Queria pegar um inverno rigoroso, idioma complicado, comida exótica, conhecer uma cidade menor, ou seja, fugir da minha linda zona de conforto aqui em casa. Acabei parando em Saratov, uma cidade de 800 000 habitantes na região centro-sul da Rússia. O meu projeto no Cidadão Global era o BRIC, e como o nome já diz, ele foca em estudantes desses países.

O meu projeto consistia em apresentar dados da economia e cultura dos países do BRIC para estudantes de ensino médio e universidades, e comigo foram mais dois brasileiros, três chineses e um indiano. Acabou que só o indiano trabalhou na SSTU (a universidade participante do projeto), já que todos fomos embora antes dele. Mas basicamente eu atuei só na Escola 45 de Saratov.

Para falar um pouco mais da Escola 45, eles tem uma tradição muito grande em esportes, ostentando muitos troféus em várias modalidades. Ao lado da escola existe um estádio de um dos principais times da cidade, e lá haviam turmas exclusivas de atletas, já que eles viajavam muito para competir e necessitavam de uma metodologia especial.

Escola 45 em Saratov

Escola 45 em Saratov

Fui extremamente bem recebida na escola! Os professores, alunos, a diretora e demais funcionários foram sempre muito gentis e atenciosos, e sempre muito curiosos em saber mais do Brasil. Fiz apresentações sobre história, comidas, cinema, novelas (btw, eles adoram “O Clone” por lá!), tradições, curiosidades e claro, a economia do país. Também falei bastante da minha região linda – a Amazônia – que é extremamente exótica para eles.

Escola 45 <3

Escola 45 <3

Esse período que eu trabalhei lá na escola foi relativamente bem organizado. Lidei com várias turmas e professores e senti um carinho imenso deles. Até tivemos uma festa de despedida onde ~toda~ a escola participou, com direito a apresentações de dança, música, e também apresentações sobre a Rússia, Saratov e muito mais, todas feitas pelos alunos. Foi uma maneira de agradecer pelo trabalho que nós fizemos.

Parte da escola na nossa despedida

Parte da escola na nossa despedida

Sabe, foi muito gratificante estar ali. Muitos dos alunos (e das pessoas de Saratov) não pretendiam fazer faculdade, se especializar para ter um emprego legal, nem conhecer o mundo nem nada. Algumas pessoas chegavam comigo me agradecendo pelo fato de que eu saí da minha casa – bem longe dali – para viajar pro meio do inverno para apresentar pra eles uma nova perspectiva de vida e que existem muitas possibilidades para serem exploradas.

Infelizmente o meu projeto não durou o tempo planejado. O meu CL acabou tendo um problema de know how, e só duas pessoas (a VP ICX e o LCP) estavam dando vazão ao projeto. A Katya, a VP ICX da época era a minha host e tive uma certa flexibilidade de falar com ela e de cobrar algumas coisas, mas a princípio o projeto quase não saiu do papel. Foi uma pena, mas não por falta de vontade, e sim por que eles sozinhos não estavam conseguindo dar conta de tudo.

Moscou, na semana final

Moscou, na semana final

Bem, de qualquer maneira, nenhum intercâmbio é perfeito, e devemos aprender a contornar problemas quando existirem, para o nosso próprio crescimento. Mesmo com essas dores de cabeça do projeto, tenho certeza que eu fiz a escolha certa e recomendo o intercâmbio pela AIESEC para a Rússia! Sou apaixonada pelo país e extremamente grata por tudo que eu aprendi nessa jornada. Mas é preciso saber que é necessário ter resiliência e poder de superação, não só para uma viagem para a Rússia, mas sim para qualquer lugar.

Alguns posts relacionados ao intercâmbio na Rússia:
Seja a mudança!
FAQ da Rússia
Tô indo pra Rússia. E agora?
O que eu vi do racismo
Me conte mais da mãe Rússia
Saratov, a capital do Volga
Vivendo em um vilarejo soviético
Como é difícil dizer adeus
Longe de casa, mas no centro do mundo

Mas mesmo assim eu senti que a minha experiência não foi 100% completa. Devido a esse problema de organização, eu senti que eu poderia ter feito muito mais e um belo dia eu decidi que eu faria outro intercâmbio pela AIESEC! Dessa vez eu fui mais “atenta”, buscando saber mais da reputação do escritório, depoimentos de outras pessoas que viajaram para esse lugar, acessibilidade e afins.

Da segunda vez, não foi a minha intenção ir para um lugar em que eu me desafiasse tanto, e a minha intenção era justamente combinar o lazer com o trabalho. Depois de muita busca e muita pesquisa eu acabei dando match com a AIESEC Budapest University (ou LC Corvinus, ou @BCE). A cidade é espetacular, recebe muitos intercambistas (não só da AIESEC mas também de programas de intercâmbio de universidades), e até tinha uma boa reputação entre os EPs.

Amigos de intercâmbio <3

Amigos de intercâmbio <3

O meu EP manager havia viajado por esse mesmo CL como uns 3 meses antes da minha viagem e eu pedi muito dele que me contasse tudo sobre os intercambistas, a escola em que eu trabalharia, a organização do CL, detalhes da cidade e tudo. Ele só me falou coisas boas de lá e me adiantou que eu iria adorar a escola em que eu trabalharia.

Praça dos heróis em Budapeste (e o meu amigo fazendo gracinha ali atrás)

Praça dos heróis em Budapeste (e o meu amigo fazendo gracinha ali atrás)

 

Já viajei animada e tudo que ele me confirmou se realizou. A escola em que eu trabalhei, a Kontyfa, organizou um projeto excelente (no caso o Magellan) e senti também muito apoio dos professores, do diretor e dos estudantes, assim como na Rússia. Acabei morando num apartamento anexo à escola, e sempre estava por lá. Os estudantes inclusive saíam com a gente e tudo.

Falando mais do projeto, o Magellan foi bem parecido com o BRIC: apresentações sobre os nossos países. Comigo trabalhou a Rekha, da Austrália e ficamos muito próximas! Só lembro dela me chamando para tirar um selfie, antes da expressão ser conhecida no Brasil, haha. Antes de nós, outras duas duplas de meninas haviam trabalhado lá na Kontyfa, sendo três meninas brasileiras. Mas a minha presença foi “diferente” por que as outras meninas eram de São Paulo, e eu do Norte. Ou seja, estava apresentando uma perspectiva totalmente diferente, e dessa vez apresentando a região mais linda do planeta!

Escola Kontyfa <3

Escola Kontyfa <3

Falei antes que nenhum intercâmbio é perfeito, mas esse chegou quase! Só não digo que foi 100% por que o banheiro do meu apartamento estourou (sim, estourou!!), e não dava para fazer nada em casa. Que situação! Ainda bem que isso só aconteceu no fim do intercâmbio hehe.

Conversei com muitas pessoas sobre a minha experiência na Hungria e reitero que também recomendo a experiência. Mas mais uma vez: é necessário estar preparado para tudo. Vai que acontece algum problema que você não está preparado para resolver? Às vezes é necessário agir no automático.

Alguns posts sobre intercâmbio na Hungria:
1 ano de alegria
Hungria: dúvidas e respostas
Hungria: mais dúvidas e respostas
Norte, sul, leste e oeste
O quê que a Hungria tem?
O dia em que o tempo parou
Voluntariado na escola Kontyfa
Tardes em Margitsziget
Primavera em Budapeste
Partiu Budapeste!

Para finalizar, eu realmente aproveitei esses períodos no exterior pela AIESEC. Formei amigos para a vida toda, tanto do Brasil como do exterior. Aprendi a me virar sozinha, levando tapa na cara ou não. Conheci lugares incríveis que antes jamais pensei em visitar. Tive a tão preciosa vivência internacional e também cresci muito como pessoa!

Respondendo à pergunta do título: o Cidadão Global vale a pena? Claro que sim!!

Na Rússia eu…

Na Rússia eu…

…fiz um anjo de neve no chão fofinho;

…bebi chá pela primeira vez na minha vida;

…presenciei os primeiros momentos da vida de filhotinhos de cabra;

…vi o céu estrelado mais bonito de toda a minha vida;

Limpando cabrinhas recém-nascidas

Limpando cabrinhas recém-nascidas

…não senti frio mesmo com uma temperatura de -30 graus;

…me acostumei a subir 5 andares de escada só para falar com meus amigos;

…escorreguei no gelo e caí de nuca no chão;

…sempre tinha o meu cabelo volumoso, que nem a crista de um leão;

…pela primeira vez peguei um ônibus lotado;

Middle of nowhere

Middle of nowhere

…passei madrugadas em claro jogando Dota, só para socializar;

…dividi uma cabine de trem com três homens que nunca havia visto;

…atolava o meu pé constantemente andando na neve;

…cozinhei o brigadeiro mais gostoso da minha vida;

…e fiz o pior café que pude imaginar;

Pose na neve!

Pose na neve!

…conheci um senhor no ônibus que lutou na guerra do Afeganistão em 1979;

…me perdi quando parei na estação de ônibus errada;

…percebi que ninguém sabia o que era “Doritos”;

…passei um fim de semana num vilarejo no meio do nada;

…descobri que tudo é muito barato;

Matrioskas

Matrioskas

…cozinhei salsicha no microondas, e até que ficou gostoso;

…fiz uma “rosquinha” com a fumaça do vento frio;

…aprendi a fazer sushi, e o apresentei como uma comida brasileira;

…me acostumei com a quantidade de estátuas do Lênin nas praças das cidades;

Alguns dos meus tickets de ônibus

…patinei no gelo, e foi terrível;

…almoçava McDonald’s quase todo dia, e achava uma delícia;

…assisti um jogo da Champions League no estádio, e pedi pra minha mãe tentar me ver na televisão;

…ganhei uma família russa;

…descobri que a neve tem cheiro;

Euzinha, no primeiro dia na Rússia!

Euzinha, no primeiro dia na Rússia!

…subi no telhado de um prédio;

…comi um sanduíche de 30 centímetros, e não sei como;

…assisti um comício do Partido Comunista, e me senti de volta no tempo;

…saí do metrô e emergi no meio de um protesto contra o governo;

…realizei um grande sonho ao conhecer esse lugar incrível.

 

Esse foi um pequeno texto que escrevi no avião, saindo de Moscou. Acabei o encontrando por acaso numa agenda antiga.

1 ano de alegria

Budapeste vista da Citadella

Budapeste vista da Citadella

Hoje é dia 12 de abril de 2014 (22:35 da noite). Esse texto sairá de uma vez só, sem revisões, estética nem nada. Simplesmente vou colocar pra fora todos os sentimentos que me vêm à mente devido a esta data especial.

Nesse exato momento há um ano atrás (considerando jetlags) eu estava no aeroporto de Fortaleza super estressada pelo fato de que o meu voo para Lisboa havia atrasado. Por consequência, eu estava tomando um belíssimo chá de cadeira no aeroporto. A sorte? Havia um wi-fi, já que o meu 3G estava horroroso ali.

Fui bem viajante. Estava com uma sapatilha bem confortável, calças jeans nem tão apertadas, uma blusa de algodão da Betty Boop, uma mochila nas costas e uma bolsa no ombro.

Em Fortaleza eu havia comido um pão de queijo com coca-cola. Para mim, uma alimentação tranquila, que eu comeria tranquilamente sem passar mal ou coisa assim. Mas chegou uma hora em que eu estava com fome de novo, e o único cheiro que me vinha era o de café. Confissão do dia: eu odeio café e fiquei enjoada.

Pior ainda, eu estava morta de sono e essas cadeiras de aeroporto não são cômodas pra quem quer dormir. Nem deitar dava.

Esse estresse estava misturado com o medo de avião (eu tenho, acreditem!), e a ansiedade. Ao contrário da maioria das ansiedades que eu sinto, eu estava bem mais insegura. Será que alguém iria me buscar no aeroporto? Será que essas seis semanas seriam complicadas ao ponto de me fazer arrepender dessa decisão? Será que não era melhor eu ter ficado em casa? Onde que eu vou morar?

Isso que eu já me considerava uma pessoa “experiente” em termos de viagens… Um ano e meio antes quando eu fui pra Rússia eu não estava assim não. Felizmente, o meu coração estaria me preparando para uma incrível experiência!

Embarquei e sentei. A impressão que tive foi que o tempo voou! Simplesmente o avião decolou, eu jantei, dormi e já estávamos descendo em Lisboa. Geralmente eu me sinto presa numa eternidade que não passa dentro do avião… isso em viagens de 12 horas, e ali eu ficaria no voo por “apenas” 7.

Cheguei em Lisboa, passei pela imigração, comi alguma coisa e esperei o voo para o destino final. Eu estava muito, mas muito nervosa!

Era no “vai ou racha”. Entrei no avião e sabia que ali era pra valer. Segurei a respiração. Tentei dormir e não conseguia. Comecei a ver o mar abaixo de mim e não sabia onde eu estava. Deveríamos passar pelo mar? O mar virou terra de novo. A terra virou montanha. Estávamos nos Alpes. Isso significaria que eu estava perto de chegar, ou pelo menos uma boa distância já tinha sido percorrida.

Enquanto isso, o almoço foi servido e eu não consegui comer. Tomei um suco e comi o arroz, e outras coisas que eu achava que eu iria aguentar no estômago. Retiraram o jantar. Tentei dormir pra ver se o tempo passava.

Parecia que aquele voo de 3 horas estava durando mais do que o de 7 que eu tinha acabado de fazer. Então os Alpes acabaram. Embaixo de nós só havia planície. Eu sabia que estávamos chegando.

Do nada, eu vi um fio d’água brilhando com o pôr-do-sol. Percebi que eu via uma cidade ao redor desse rio. E pouco a pouco eu tive a certeza de que aquela forma da cidade e daquele rio era Budapeste! Fiquei extremamente feliz! Segunda confissão de hoje: cheguei ao ponto de chorar.

Desci do avião e fiquei esperando minhas malas. Confissão número 3: estava funcionando no automático, já que eu não sabia o que iria acontecer. Simplesmente deveria estar preparada para tudo!

A maior alegria foi quando eu vi o Zsolt carregando uma plaquinha com o meu nome! Alguém tinha lembrado de mim! Aquela pessoa que eu mandava vários emails para lembrar que eu estava chegando apareceu! Confissão número quatro: eu relaxei completamente ao vê-lo.

Tive o melhor buddy do mundo! Sem mais delongas, ele foi um amor comigo, do início ao fim. Sempre muito atencioso e gentil, ele me mostrou o melhor lado da Hungria, e desde o início ele se mostrou bem solícito em me ajudar. Eu acho que eu fui a única trainee que foi levada de carro ao redor do Danúbio durante o pôr-do-sol e o acender das luzes. Essa lembrança fica pra sempre!

Ele me levou pra casa e a princípio eu fiquei com medo. A vizinhança numa primeira vista parecia assustadora. Eu teria de atravessar um parque, e estava frio e escuro.

Do nada vem uma garota na nossa direção e era a Rekha, a minha roomate que participaria do projeto comigo. Ela foi um amor comigo desde o início também! Ela me mostrou a casa, me ofereceu o computador dela (já que era sábado e o wifi para mim seria liberado apenas na segunda) e já foi me chamando pra sair, mas eu não estava me sentindo bem.

Eu só queria tomar um banho e dormir. Não consegui dormir. Tomei um dramin e não adiantou. E digo que não adiantou nada, que eu não consegui fechar o olho e ainda vomitei tudo que eu havia comido nas últimas 24 horas.

Acordei horrível. Segundo a Rekha, havia pão na cozinha e umas sopas que ela havia buscado na escola. Só que o pão já estava mofado e a sopa estava fora da geladeira, e provavelmente já estava estragada. Não sei o que que ela estava comendo naquela casa.

O Zsolt voltou no dia seguinte e me ajudou a comprar o chip de celular e o passe de ônibus mensal. Depois ele me deixou em Margitsziget e depois é só história. Conheci muita gente boa naquele dia, que ficou na memória como um dos melhores dias ever. Me sentia dentro de um filme! O céu estava azul, a grama verde, o piquenique estava gostoso e as pessoas eram incríveis. Depois fui curtir o melhor pôr-do-sol da minha vida lá no Castelo de Buda.

Uau!

Agora depois de tudo o que eu escrevi (23:11) eu vou ler o post “Primavera em Budapeste“, escrito no dia 20 de abril do ano passado. Sim, eu não atualizei o blog com tanta frequência quando eu estava na Hungria, e convenhamos, eu tinha muitas coisas para fazer lá. :)

Uma outra coisa curiosa desse post é que ainda são 12 de abril por aqui, mas ele vai ficar com a data de 13 de abril, devido ao fato de que o horário que eu seleciono é de acordo com o GMT 0, e não com o GMT -4 de onde eu moro. De qualquer maneira, dia 13 de abril foi o dia de fato em que eu cheguei na Hungria.

Eu vou comparar o que eu escrevi agora com esse post do ano passado e verificar o quanto eu mudei em relação ao que se passou durante esse tempo. Uma coisa é certa: Essa foi a experiência mais preciosa da minha vida! Voltaria para trás e faria a mesma coisa de novo. E de novo. E de novo…

Budapeste.

Budapeste.

Momento depressão: quero voltar pra Rússia!

Então, faz alguns dias que eu me encontro meio pensativa e sentindo muita nostalgia! Geralmente eu sou assim por natureza, mas a TPM combinada a algumas mensagens de amigos no whatsapp fizeram com que essa vontade de voltar pra Rússia fique mais forte!

Mas por que raios eu quero voltar pra Rússia?! Três pequenas razões:

  • A minha passagem por lá me ensinou muito. Desde como agir com as pessoas até formar a minha própria independência.
  • Eu me sinto sincronizada com a personalidade e o modo de vida do povo russo.
  • A Rússia é um lugar com história e cultura extremamente ricas.

Estou determinada a voltar pra lá logo, e se possível ainda esse ano. Estou me programando para viajar em Setembro, e vamos ver se consigo colocar a Rússia nesse itinerário!

Mas o que eu vim compartilhar agora não é um choro de saudades, e sim algumas sensações sentidas em solo russo. Assim que eu voltei pra casa, eu fiz uma relação de diversas coisas que, enfim… Na Rússia eu…

…vi o céu mais estrelado da minha vida.

…aprendi a tomar chá para agradar os outros.

…entendi o que significa “necessidade”, e tive que passar por ela.

…coloquei a expressão “te desafia” em primeiro plano.

…me coloquei na pele de terceiros e entendi os seus motivos para a tomada de decisões.

…senti saudades do Brasil depois de assistir um comercial com imagens do Rio de Janeiro.

…descobri que é possível viver feliz sem ter muito.

…senti na pele o quanto é difícil patinar no gelo.

…e também descobri que a neve e o frio nem são tão traiçoeiros assim.

…vi um comício do Partido Comunista e me senti de volta a 1917.

…comparei o Rio Volga ao Negro e acabei nem me sentindo tão longe de casa assim.

…percebi o quanto a minha região é rica após ver todas aquelas árvores mortas e cheias de neve.

…me senti que nem uma formiguinha no metrô de Moscou.

…fiquei rodeada de 90000 pessoas num jogo de futebol. Não, eu nunca havia ido a um jogo assim.

…senti calor quando a temperatura subiu para -9 graus.

…descobri que pessoas podem ter carinho por você por apenas muito pouco.

…me inspirei para colocar meus sonhos no papel.

…descobri que é possível sim subir na vida.

…coloquei meu corpo ao limite, em todas as situações.

…senti o cheiro da madeira pura quando comprei minha Matrioshka.

…vi as pessoas lutando pelos seus direitos, lutando contra a opressão e tirania.

…descobri um povo maravilhoso que se esconde por debaixo de uma carapuça dura.

…fui confundida com russa várias vezes.

…comecei a usar a maquiagem com mais frequência. Russas usam muita maquiagem!

…jantei num dos melhores restaurantes de Moscou e não paguei muito caro (milagre!).

…descobri que o jeitinho brasileiro é capenga perto do jeitão russo.

…entendi o significado de orgulho.

…aprendi a cozinhar umas comidas maravilhosas.

…ganhei uma segunda família.

…senti muitas saudades.

…aguentei firme todas as adversidades.

…e me apaixonei pelo país!

…conheci pessoas que não tinham sonhos…

…e que após ver uma pessoa que veio de tão longe somente para dar uma nova perspectiva de vida pra eles os fizeram… ter sonhos!

Representando o Brasil no exterior

Quando saímos em intercâmbio, uma das coisas que pensamos em fazer é levar objetos, comidas, roupas, souvenirs, ou qualquer outra coisa que lembre o Brasil no exterior. Essas coisinhas que gostamos de levar servem para vários propósitos: dar de presente para alguma pessoa que fazemos amizade por lá, apresentar algo curioso da região em que vivemos, ou até matar a saudade de alguma comida que não iremos encontrar fora do Brasil.

Hoje vim listar algumas coisinhas interessantes que nós, intercambistas alinhados, podemos levar para o exterior com o intuito de fazer o social, de uma maneira diferente.

1. Bandeira do Brasil
A Bandeira é um objeto clássico de quem quer representar o Brasil no exterior, e também ela é figurinha caprichada em várias fotos nos lugares mais exóticos do mundo. Artigo indispensável na sua mala!

2. Leite condensado
Obviamente usaremos o leite condensado para fazer brigadeiro, doce que absolutamente todos os estrangeiros adoram! Vale lembrar que o leite condensado é vendido em outros países, mas muitas vezes ele possui uma textura bem menos densa.

3. Camisa de futebol
O Futebol é quase como um idioma universal, e dar de presente uma camisa do local onde se joga o melhor futebol do mundo é certamente uma excelente ideia.

4. Chaveiros e/ou ímãs de geladeira
Chaveiros e ímãs de geladeira são uma ótima lembrancinha para dar de presente. São pequenos, muitas vezes baratos, e eles mostram alguma coisa do Brasil.

5. Havaianas
Para nós, as Havaianas são super comuns, mas no exterior elas são bem exóticas e acredite: elas são bem caras!

6. Músicas em geral
Um bom e velho CD com músicas tradicionalmente brasileiras é um bom presente! Lembrando que o nosso repertório nacional é bem eclético e possuímos muitas músicas de qualidade! Fica a dica também que um MP3 no computador é ótimo também.

7. Artesanatos
Aqui na minha região, o presente clássico para dar para os amigos estrangeiros são os artesanatos! Pulseiras, brincos, objetos de decoração e muito mais são lindos e ótimos para carregar!

8. Cachaça
Jovens são jovens em todo o mundo. Leve uma boa cachaça e faça uma bela caipirinha para seus amigos!

9. Cartões postais
Eles são baratos, tradicionais, e representam o Brasil e/ou a região em que vivemos de uma maneira bem clássica: através de uma foto. Cartões postais também são bons por que uma grande quantidade não ocupa muito espaço.

10. Coisas da sua região!
O Brasil é gigante e muitas tradições, comidas, cultura, artesanatos e afins são bem diferentes de uma região para a outra! Que tal viajar já com um excelente conhecimento da sua região? Leve também objetos que expressem isso! Vai lá e aproveita a sua viagem :)

Brasileiros lindos, em Brastislava

Brasileiros lindos, em Brastislava

50 sensações possíveis só para quem fez intercâmbio

Existem situações e vivências que são únicas, e cada experiência internacional que vivi me agregou muita coisa. Por isso digo que meus intercâmbios foram únicos e extremamente importantes para o meu crescimento como pessoa. Pensa em fazer algum nos próximos meses ou anos? Se prepare para alguma das melhores sensações da sua vida!

  1. Lidar com pessoas de diversos países será super comum. É tipo uma volta ao mundo sem sair de um só lugar;
  2. Com tanta diversidade cultural, as pessoas começarão a achar seus hábitos rotineiros um tanto estranhos;
  3. Mas não se preocupe, já que pessoas que você conhece há poucas semanas se tornam amigos de infância;
  4. O lema “Viva como se não houvesse amanhã” ganha um significado totalmente diferente;
  5. Se você não sai da sua zona de conforto em casa, certamente o fará durante o seu intercâmbio;

    Como não amar esse dia e essas pessoas?

    Como não amar esse dia e essas pessoas?

  6. Falando em sair da zona do conforto, se perder na cidade, pegar o ônibus errado e até passar vergonha alheia na rua é normal;
  7. E quando você comenta essas experiências com algum outro intercambista, ele(a) vai te contar alguma história bem mais bizarra;
  8. Não gosta de McDonald’s, KFC e qualquer marca de fast food? Não adianta, você sempre irá dar um pulinho por lá para poder economizar dinheiro;
  9. Na verdade, a frescura com a maioria das comidas acaba. O importante é se manter alimentado. Até mesmo um miojo ajuda!;
  10. Falando de comidas, sempre terá alguma comida típica que você vai se apaixonar. Caso ela não seja vendida no Brasil, algum dia você vai tentar pelo menos fazê-la em casa (ou morrer de vontade);

    Lángos doces

    Lángos doces

  11. Mal você chega e todo mundo quer que você poste suas fotos. Assim, todo mundo viaja “junto”;
  12. Além do mais, todo mundo quer conversar no skype com você. Acredite, conversar com alguma pessoa no Brasil é uma das melhores sensações, além de aquecer o coração;
  13. Dá vontade de chorar quando chegamos em um lugar que no fundo, sempre sonhamos em conhecer;
  14. Qualquer pequeno detalhe já é motivo pra tirar foto;
  15. Você vai descobrir que jovens são iguais no mundo todo, e que de alguma maneira, todos falam a mesma língua;

    Brasileiros lindos, em Brastislava

    Brasileiros lindos, em Brastislava

  16. Você sempre conhecerá pessoas diferentes. É tipo virar popular “ao redor do mundo”;
  17. E bote diferença e diversidade nisso. Minha roomate em Budapeste tem nacionalidade australiana, porém é nascida em Singapura, e 100% descendente de indianos. Fora isso, ela também já morou na Indonésia, Índia, Omã e Malásia. Parece que não, mas você vai encontrar muita gente com background diverso no seu intercâmbio;
  18. Apesar de toda essa diversidade dela e da minha (uma mistura de alemães, colombianos, marroquinos, indígenas, portugueses e nem sei mais o quê), conseguimos encontrar semelhanças culturais bem marcantes! Moral da história, apesar das diferenças, o que importa são as semelhanças;
  19. Pequenas coisas, como um tal pôr-do-sol ou uma vista a um céu estrelado se tornarão momentos marcantes durante a sua vida inteira;
  20. Você vai se lembrar para sempre daquela festa que todo mundo estava feliz, aquela celebração cultural única, daquele momento em que seus amigos riram…;

    Ingresso do jogo CSKA Moscou x Real Madri

    Ingresso do jogo CSKA Moscou x Real Madrid

  21. Pois o importante é ter histórias para contar aos seus netos, e você terá muitas delas para compartilhar;
  22. Mas tenha ciência que você também terá histórias ruins. Não vá se iludir que tudo seja um arco-íris;
  23. Qualquer probleminha se torna uma dor de cabeça enorme;
  24. E quando você volta para o Brasil, você ri dessas situações chatas. Afinal, é sempre bom ver tudo pelo lado positivo;
  25. Sentir saudades de casa é inevitável. Tem vezes que a melhor coisa do mundo é lembrar da sua cama, da comida da avó, e especialmente uma piscina quando você pega aquele inverno bem rigoroso;

    Middle of nowhere

    Middle of nowhere

  26. Se você está fora do Brasil durante o carnaval, o réveillon, o sete de setembro ou alguma outra data comemorativa, o coração meio que aperta;
  27. E chega um momento em que comer qualquer coisa que te lembre a comida de casa é a melhor coisa do mundo;
  28. Você não consegue sentir medo, comparado com a sua vida no Brasil;
  29. Mas quando tudo dá errado, a vontade que dá é de sair correndo para o aeroporto;
  30. Mas tem algo que te prende por lá, e o seu coração diz que é necessário tentar;

    Moscou, na semana final

    Moscou, na semana final

  31. Também existem as comparações. Não dá pra deixar de comparar qualquer coisa com o Brasil;
  32. E até que você consegue ter umas ideias sobre o que poderia melhorar na sua cidade de acordo com as coisas que você vê durante o seu intercâmbio;
  33. Independente se o intercâmbio for pra estudar na faculdade, idiomas, trabalhar em empresas ou como voluntário, você vai ter o interesse de fazer um próximo, com alguma atividade diferente;
  34. E dá aquela vontade de viver uma experiência única dentro de sua experiência única. Talvez comprar os ingressos daquele jogo importante, pagar um jantar num restaurante exótico ou viajar para a cidade dos seus sonhos seja a melhor coisa que você já tenha feito;
  35. E quando você volta pra casa, você lembra de todos esses fatos com muito carinho;

    Tem coisas que guardamos com muito carinho!

    Tem coisas que guardamos com muito carinho!

  36. Mas ao mesmo tempo fica aquela sensação de “poderia ter feito mais”;
  37. E quando você esbarra com alguém na rua que vai fazer intercâmbio na mesma cidade que você fez, seus olhos começam a brilhar, e você se voluntaria para dar dicas e afins;
  38. E sempre fica aquele gostinho de quero mais;
  39. Daí você percebe que viajar é a melhor coisa, e que é necessário sempre conhecer algo novo;
  40. E o tempo passa, e aquelas pessoas que você convivia no intercâmbio ainda são muito queridas;

    Vista de Szentendre

    Vista de Szentendre

  41. Daí a frase “Recordar é viver” também ganha um novo sentido;
  42. E dá uma vontade de viajar para todos os países para dar um abraço nos seus amigos;
  43. Então você fica super alegre e comenta como se fosse o maior especialista no assunto quando você vê na mídia alguma coisa deste lugar;
  44. Afinal de contas, por um determinado tempo, você foi um cidadão daquela cidade, e se misturou na multidão como se fosse um americano, inglês, francês, espanhol típico;
  45. Dá uma vontade de documentar o que você faz, seja através de fotos, textos, postagens;

    Felicidade imensa ao ver a neve pela primeira vez! :)

    Felicidade imensa ao ver a neve pela primeira vez! :)

  46. Não se preocupe, que a nostalgia é um sentimento bem comum;
  47. E apesar dos momentos bons, ruins, felizes ou tristes, um consenso geral é de que essa é a melhor experiência da vida;
  48. E que você viveria tudo aquilo de novo;
  49. E o que resta agora é compartilhar;
  50. E estimular os outros a terem uma experiência semelhante.
Por que o importante é ser livre!

Por que o importante é ser livre!

 

 

 

Seja a mudança!

No dia 7 de janeiro de 2012, eu estava indo mudar a minha perspectiva de vida. Consegui uma oportunidade de viajar para a Rússia e me desafiar sendo voluntária numa escola do interior.

Sabe quando a pessoa tem vontade de fazer alguma coisa, mas parece que tudo é difícil? Antes eu nem conseguia ligar para pedir uma pizza, dirigir era impossível e eu tinha medo de tudo. Decidi me dar um tratamento de choque logo de cara.

Trocaria o conforto da minha casa por dormir numa cama de ferro. Sairia do calor amazônico para o frio do inverno siberiano. Teria que me desafiar em uma cidade onde as coisas fluem diferente da minha.

Tudo ia mudar. Alfabeto, comida, amigos, clima e mais… Eu também iria mudar! E ainda bem que foi pra melhor.

Aprendi a não ter medo das coisas. Aprendi que eu poderia fazer tudo que eu quisesse, desde que eu me dedicasse bastante. Aprendi a cultivar amigos, apesar das diferenças. Aprendi que eu não devo guardar mágoas no meu peito. Entendi que é possível mudar o mundo se cada um fizer sua parte, e que a paz é sim uma utopia, mas não poderemos ficar inertes a tudo que acontece ao nosso redor.

Eu vi coisas incríveis durante a minha estadia na mãe Rússia. Conheci a Praça Vermelha, presenciei o ritual do batismo, peguei um frio de -40, e me senti de volta à 1917 quando olhei pro lado e vi um comício do Partido Comunista com todos aqueles operários balançando bandeiras com o martelo e a foice.

Eu estava na Rússia num momento em que os olhos do mundo estavam virados para ela. Eleições presidenciais iriam acontecer na semana que eu saí de lá, e vários protestos aconteceram antes e depois da minha chegada ao país.

Por uma leve coincidência, a Rússia também se encontra aos olhos do mundo agora também.  As olimpíadas de inverno estão prestes a acontecer e um grupo de pessoas querem causar uma tragédia. Volgogrado já sofreu 3 atentados terroristas e a minha linda Saratov está num clima de tensão muito grande. Segundo a minha host, são policiais pra todo lado, revistando bolsas, pedindo pra tirar os casacos e muitos deles portam armas à vista.

Mas não quero falar de tragédias aqui. Quero simplesmente agradecer pela experiência que mudou a minha vida. Obrigada Rússia pelos ensinamentos e por ter me tornado uma pessoa mais completa.

FAQ da Rússia. Por que sim.

Então, mesmo depois de tanto escrever aqui, muitas pessoas ainda me fazem todo tipo de perguntas sobre a Rússia. Após ler em vários fóruns varias perguntas e dúvidas sobre o país, resolvi dar uma ajuda indiretamente fazendo esse FAQ! Vai que não ajuda mais alguém? :)

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Matrioshkas!

Precisa de visto para entrar na Rússia?  Já houve a necessidade, porém hoje em dia não existe necessidade de visto de turista para menos de 90 dias. Porém existe a necessidade do preechimento dos papéis da imigração e de fazer o registro nos correios para quem vai ficar mais de uma semana numa mesma cidade.

A Rússia ainda é comunista? A URSS morreu em 1991 e ainda tem gente que acredita que a Rússia apenas mudou de nome. O país é 100% capitalista e desigual (porém menos desigual que o Brasil), totalmente ao contrário dos valores pregados por Marx. Porém é bem comum de encontrarmos estátuas do Lênin e muitas pessoas saudosistas dos tempos soviéticos.

Praça Lênin com o próprio Lênin ao fundo.

Praça Lênin com o próprio Lênin ao fundo.

Existe voo direto do Brasil? Não mais. A Aeroflot já operou, porém existe sempre boatos de uma nova requisição de entrada de alguma companhia russa.

Consigo me comunicar normalmente em inglês? Sim, em certos lugares. Em hotéis, restaurantes e afins os funcionários são instruídos a falar em inglês, porém em feiras, transporte público e outros lugares mais populares, é mais difícil de encontrar alguém que fale outro idioma além do russo.

Devo dar gorjetas? Na Rússia, não é uma obrigação de se dar gorjetas, como nos Estados Unidos (uma vez a moça do transfer ficou com raiva por ter ganhado 10 dólares de gorjeta!). No entanto, é bem educado dar gorjetas para bons serviços.

Qual o tipo de vestimenta a ser usada? Isso depende da estação. Geralmente verões são bem quentes e invernos bem frios. No entanto, é bom levar um casaquinho no verão para eventualidades, e no inverno não adianta colocar um casaco em cima do outro, e sim procurar algum casacão impermeável que aguente o frio pesado.

Imagina sair do calor do Brasil direto para -29 graus?

Imagina sair do calor do Brasil direto para -29 graus?

A Rússia tem muitas igrejas. Existe algum tipo de vestimenta adequada? Em nenhum lugar do mundo as pessoas são bem vistas quando entram em igrejas com shortinhos, sandálias de dedo e decotes. Respeito é essencial, e uma pessoa bem vestida de um jeito ou de outro impõe mais respeito.

Russos bebem muito? Sim, mas eu já vi tantos dados sobre consumo de álcool que nem sei qual é o verdadeiro. Na maioria deles, outras nacionalidades são vistas como mais beberronas (já vi nos primeiros lugares Irlanda, Reino Unido, Hungria, Finlândia e até mesmo a Rússia), mas saber qual dado é o certo já é um pouco mais complicado.

Existem ursos andando na rua? Por incrível que pareça muitos estrangeiros tem essa impressão que ursos andam livremente nas ruas das cidades russas. Isso é uma lenda urbana que os russos (pelo menos meus amigos, risos) alimentam com um enorme senso de humor. Mas sério gente, ursos não andam nas cidades da Rússia assim como não usamos cipós de transporte público aqui em Manaus.

É verdade que a educação é muito boa na Rússia? Com certeza! Essa é uma herança soviética muito boa que aos poucos vai perdendo força no país com a falta de investimento na educação de base. Mesmo ainda com muita infraestrutura antiga, a Rússia tem taxas altíssimas de alfabetização, e suas faculdades de ciências e engenharias são muito boas, algumas sendo até referência mundial em alta tecnologia.

Posso beber água da torneira? Reza a lenda que em algumas cidades até pra escovar os dentes é preferível usar água mineral. Só sei que bebi água tranquilamente da torneira o meu intercâmbio inteiro e não morri, risos.

Mas a Rússia é segura mesmo? Sim! Pode andar tranquilo pelas ruas de Moscou! Só é bom tomar cuidado com pickpocketers em lugares lotados (assim como em qualquer país), e o golpe do “maço de dinheiro” em turistas desavisados.

Ajudou? Depois posto mais perguntas e respostas por aqui. :)