O que fazer em Malá Strana?

Olá a todos! Semana passada eu fiz um post sobre a Cidade Velha de Praga, a Staré Město, e para continuar a falar sobre a capital da República Tcheca, vou falar hoje sobre o que eu vi e o que é bom fazer em Malá Strana.

Essa região é conhecida como a Cidade Baixa, e ela fica do outro lado da Cidade Velha, bem no sopé do Castelo de Praga. Ela é bem diferente de Staré Město mas possui um lindo charme!

Acompanhe também: Staré Město, a cidade velha de Praga

Praça

Praça

Onde se localiza e quais são suas características gerais?

Como adiantei no texto anterior, Malá Strana se localiza na margem esquerda do rio Vltava, lembrando que a cidade de Praga é cortada por esse rio em duas grandes zonas, leste e oeste. Enquanto a Cidade Velha, a Cidade Nova e o bairro judaico de Josefov se localizam na margem direita do rio, a Cidade Baixa e o Castelo de Praga se localizam no lado oposto.

Acompanhe também: O bairro judaico de Praga e suas curiosidades

A Cidade Baixa possui características muito distintas, comparadas a outras zonas da cidade. Essa região é cheia de jardins, canais e palacetes de estilo barroco, onde vivia a antiga nobreza tcheca.

Suas ruelas tradicionais de paralelepípedos merecem ser exploradas a pé, cada uma com pubs, restaurantes, artistas de rua e muita, mas muita arte! Ali é um ótimo lugar para se hospedar também, inclusive o hostel que escolhi se localiza nesta região.

Tenho uma coisa para confessar também. Gostei mais das fotos que tirei da Cidade Velha! :/

Acredito que um dia inteiro de caminhada é o suficiente para conhecer toda Malá Strana: existem muitos lugares a se explorar, como esses que vou listar aqui agora.

I have this thing with streets

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Algumas atrações de Malá Strana

A Lennon Wall é provavelmente uma das atrações mais simbólicas de toda a cidade de Praga. Em meados dos anos 1980, este ordinário muro começou a ser preenchido com letras de músicas dos Beatles, citações do John Lennon e outras mensagens de paz.

Aos poucos, esse muro virou símbolo da resistência do povo tcheco contra a opressão do regime comunista imposto pela antiga Tchecoslováquia. Curiosamente, a maneira mais simbólica e desafiadora que jovens simples como eu e você fizeram para peitar o comunismo foi… escrevendo! Os comunistas até pintaram o muro de branco algumas vezes, mas as mensagens (felizmente) teimavam a voltar!

Hoje em dia, esse muro recebe muitos visitantes, e alguns ainda fazem suas contribuições para o muro.

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A Igreja de São Nicolau fica numa pracinha bem no coração de Malá Strana. Essa igreja é linda (se não a mais linda da cidade) e possui um estilo barroco inconfundível. Ela é aberta ao público, mas não pode tirar foto com flash do lado de dentro.

A pracinha que fica em frente à igreja é super movimentada também. Como ela está localizada num local estratégico de Malá Strana, existem muitas lojinhas e restaurantes ao redor. Não gosto de falar que um prédio é fotogênico, mas este é o caso da igreja com a pracinha, haha.

Curiosidade interessante sobre a igreja: sua construção demorou 100 anos do início ao fim!

Street view

Street view

Entrada da Igreja

Entrada da Igreja

Honestamente não sei como ali se chama, mas existe uma “pequena ponte dos cadeados” em Praga, que atravessa um pequeno canal adjacente ao rio Vltava.

Como já virou moda em alguns lugares do mundo, os cadeados que representam um casal cada ganhou seu espaço cativo na capital tcheca. Mais amor, por favor! <3

Ah, parece que dá para andar de barquinho nesse canal. Se você tiver tempo e dinheiro, acho que é uma atração que vale a pena!

O canal

O canal

No post sobre a Cidade Velha, falei um pouco sobre a Charles Bridge (Ponte Carlos), e vale a pena citar aqui de novo, já que essa ponte liga Staré Město justamente à Malá Strana. Esta ponte Carlos (Charles Bridge) é juntamente com o relógio astronômico, o principal símbolo de Praga. Essa ponte pedestre e medieval foi construída por Carlos, o rei tcheco mais conhecido, em meados do século XVI.

Originalmente a ponte que vemos hoje foi construída em substituição a outra que foi destruída por uma enchente. Também contei a história dela em outro post, onde tentei contar resumidamente tudo que envolve este belíssimo lugar!

Acompanhe também: A conexão de Praga

Vista da pontinha da Charles Bridge

Vista da pontinha da Charles Bridge

Eu poderia falar nesse post sobre o Castelo de Praga, mas teoricamente ele fica numa região de Praga separada só para ele, a Hradčany. Mas fica a dica que Malá Strana fica logo abaixo do castelo, no sopé do morro onde se localiza a melhor vista da cidade.

Mas como já dá para imaginar, essa região mais próxima ao castelo tem muitas ladeiras! Andar ali cansa bastante, mas existem uma série de lojas, patisseries, pubs e outros bem tipicamente tchecos. Encontrei ali os melhores preços para lembrancinhas.

Não parece, mas é uma ladeira íngreme

Não parece, mas é uma ladeira íngreme

Eu também posso destacar alguns outros lugares que são bem avaliados na internet em Malá Strana como a Torre Petrín, o Museu Franz Kafka e o Palácio Liechtenstein. Infelizmente tempo foi um problema e não consegui visitar nesse fim de semana off. Mas já está anotado na wishlist!

 

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Staré Město, a cidade velha de Praga

Praga, sem dúvida alguma, é uma das cidades mais bonitas da Europa Central, e grande parte de sua beleza vem da Cidade Velha, ou Staré Město em tcheco. O local é chamado de Cidade Velha devido ao fato de que esta é a região mais antiga da capital Tcheca, datando do século XII.

A maior parte das atrações da cidade estão ou orbitam a Cidade Velha, fazendo com que a visita ali seja indispensável a qualquer viajante. Então, este é o post de hoje: o guia completo da Cidade Velha de Praga! :)

Praga-1

Praga-1

Onde se localiza e quais são suas características gerais?

Uma coisa que ajuda para um melhor entendimento de Praga é conhecer seu mapa. A capital da República Tcheca é dividida pelo rio Vltava em duas grandes partes. A Cidade Velha se encontra na parte leste, enquanto a Cidade Baixa e o Castelo de Praga se localizam a oeste.

Vou deixar a parte oeste da cidade em outro post, já que existem muitas coisas interessantes nessa região da cidade! Só a subida a pé para o Castelo de Praga já merece um post inteiro.

Falando agora de Staré Město, esta conserva muitas características de suas origens medievais. Este bairro é composto quase que inteiramente de ruelas pedestres, com pequenas casinhas coloridas alegrando o espaço com suas estátuas e pinturas.

Segundo o nosso guia do Walking Tour, Praga era uma cidade rodada por muralhas que hoje já não existem mais. Dentro dessas muralhas se localizava a Staré Město, considerada coração e área nobre da cidade.

Acompanhe também: Walking Tours em Praga

Mesmo com o passar do tempo e a transformação de várias partes da cidade, Staré Město continua com suas características medievais e pitorescas, sendo um lugar de encher os olhos e as câmeras de qualquer pessoa.

Antes de continuar a falar sobre Staré Město, preciso compartilhar que Praga é uma das cidades que mais vi turistas na rua! Não se espante com a quantidade de pessoas, especialmente em volta do relógio astronômico.

Algumas atrações de Staré Město

A Old Town Square é a praça principal da cidade, e em torno dela se encontram os principais museus, restaurantes e igrejas da cidade. Os prédios que a circulam são coloridos e alguns possuem pinturas na sua decoração.

No final de semana que estive lá, uma feirinha bem interessante se localizava nos arredores da praça. A grande maioria vendia comidinhas (comi um bratwürst lá), mas algumas barracas vendiam artesanato. Na minha opinião, essa feira combina muito com o local.

Old Town Square

Old Town Square

O relógio astronômico é provavelmente o principal símbolo de Praga. Sua estrutura, cores, e o significado de cada pequena estátua são amplamente estudados por historiadores e entusiastas. É impressionante a quantidade de pessoas que ficam em volta do relógio!

A cada hora durante o dia (acredito que só não funciona de madrugada), uma pequena apresentação com cucos, bonequinhos e música acontece. Em tempos antigos, isso era uma comemoração pelo fato de que mais uma hora do dia havia passado. Lembrando que em tempos medievais, as pessoas acreditavam que o fim do mundo podia vir a qualquer momento.

Eu já fiz um post bem detalhado sobre o relógio astronômico, onde procuro explicar um pouco da sua história e seus significados. O chamado “Orloj” de Praga certamente merece a atenção de quem passeia por Staré Město.

Acompanhe também: 10 coisas que você não sabia sobre o Orloj de Praga

Foto do Orloj tirada bem cedinho. Ainda não haviam muitos turistas na área.

Foto do Orloj tirada bem cedinho. Ainda não haviam muitos turistas na área.

A Torre da Pólvora (ou Torre do Pó) é uma estrutura localizada bem nos limites da Cidade Velha, e este é o único pedaço restante da antiga muralha que rodeava a capital tcheca.

Sua aparência semelhante a um portal não é em vão, já que a torre era uma estrutura que dava acesso às rotas comerciais do resto da Europa, já que Praga era um importantíssimo entreposto comercial.

Durante o reinado de Maria Teresa, a grande imperatriz da Áustria, essa torre teve a função de guardar pólvora, motivo pelo qual ela recebe este nome hoje em dia.

Sair por aí...

Sair por aí…

A ponte Carlos (Charles Bridge) é juntamente com o relógio astronômico, o principal símbolo de Praga. Essa ponte pedestre e medieval foi construída por Carlos, o rei tcheco mais conhecido, em meados do século XVI.

Originalmente a ponte que vemos hoje foi construída em substituição a outra que foi destruída por uma enchente. Também contei a história dela em outro post, onde tentei contar resumidamente tudo que envolve este belíssimo lugar!

Acompanhe também: A conexão de Praga

A ponte Carlos também serve como uma “fronteira” de Staré Město, mas ao mesmo tempo ela possui a função de ligar a Cidade Antiga com a Cidade Baixa, que como disse antes, fica do outro lado do rio. Hoje em dia existem outras pontes que fazem essa ligação, mas a Charles Bridge teve essa função originalmente.

Multidão na Charles Bridge

Multidão na Charles Bridge

Fora essas atrações importantes, é muito válido conhecer a pé as ruas de Staré Město. As ruas são muito bonitinhas, e existem muitas lojas que vendem uma série de artigos relacionados à República Tcheca. Fora isso, existe uma imensidade de museus (tipo o museu do chocolate, museu da cerveja, museus com temas medievais, entre outros) e lugares onde comidinhas típicas são vendidas.

Fachadas

Fachadas

Roupa típica tcheca

Roupa típica tcheca

Centro de Praga

Centro de Praga

Bem cedo e chovia muito

Bem cedo e chovia muito

Amei Praga e pretendo voltar. Só passei um fim de semana na cidade, e tinha tanta, mas tanta coisa pra fazer que com certeza acabei não conhecendo tudo que queria. Mesmo assim, procurei caminhar por todas as ruas que podia, e adorei o que vi. Com certeza, uma das cidades mais lindas da Europa!

 

 

7 fotos e 7 histórias

Uma das características mais marcantes do ser humano em tempos mais atuais é a de eternizar momentos através de fotos. A história recente é cheia de vários casos em que fotos retratam sentimentos diversos, especialmente em momentos mais marcantes.

O viajante e o turista comuns também gostam de retratar esses momentos com câmeras. Uma forma de lembrar para sempre (ou pelo menos por um bom tempo) aquele lugar incrível, aquela comida maravilhosa, aquele artista de rua talentoso e também os famosos “aha-moments”, que são aqueles momentos de descoberta instantâneos, que muitas vezes te fazem cair o queixo.

Aqui separei 7 fotos minhas e suas histórias. O post será longo, e terei o maior prazer de escrever, assim como espero que vocês tenham o mesmo sentimento lendo.

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Foto 1: Satisfação na subida
Onde: Bastião dos pescadores, Budapeste, Hungria.
Quando: 14 de abril de 2013.

Aqui no Camilla Pelo Mundo eu destaquei bastante a minha experiência na Hungria, que de fato foi incrível e inesquecível. Porém eu nunca postei essa foto, apesar de ter falado um pouco sobre a história dela nesse post.

Era o meu primeiro dia em Budahome, um domingo ensolarado. Combinei de encontrar com a minha roomate em Margaret Island, onde ela estaria num piquenique com outros intercambistas. Eu teria que ir comprar meu chip de celular e o meu passe de ônibus e não poderia ir com ela, mas eu prometi que eu iria até lá depois.

Essa Margaret Island é aquela ilhazinha ali ao fundo cheia de árvores, no meio do Danúbio. Escrevi sobre ela aqui. Então, depois de caminhar bastante e morrendo de medo de me perder, acabei a encontrando numa rodinha de pessoas, todas rindo e felizes, contando suas histórias de seus países, tirando fotos, e claro, comendo.

Em 30 minutos parecia que eu já os conhecia há vários dias e estávamos em sintonia. Juro que me senti muito bem, e feliz. Até então, com um dia de estadia, a minha viagem para BP tinha valido a pena.

Então alguém, no fim da tarde, sugeriu que fossemos ao Castelo de Buda, já que algumas pessoas ainda não tinham ido até lá. Acabamos pegando o tram até o “sopé” do Castelo e subimos tudo a pé. O meu condicionamento físico era (e é) péssimo, e como eu ainda não estava ainda adaptada com o clima nem nada, aquela subida foi horrível. Aquele castelo tinha que ser bom!

Era domingo e o Castle Hill não estava tão cheio assim. Meio que por causa disso, chegamos e conseguimos conhecer muito dali. Então paramos no Fisherman’s Bastion, que é uma espécie de vista point da cidade, e a minha reação ao olhar tudo aquilo sob o pôr-do-sol foi incrível! Eu jamais havia me emocionado tanto com uma paisagem!

Meses antes eu jamais imaginava que eu poderia estar ali! Depois de sofrer um acidente feio no pé e ter deixado o trabalho para viver essa aventura, subir aquilo tudo e se deparar naquele lugar lindo cheio de gente ao redor, mas no fundo sozinha já foi uma vitória! Queria eu poder compartilhar aquela imagem e a sensação com a minha família, especialmente.

O máximo que eu pude foi tirar uma foto, que ajuda a expressar no mínimo a compreender como foi esse momento. A cara cansada e os óculos parecem ocultar, mas nunca estive tão feliz em ~apenas~ observar paisagens.

 

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Foto 2: Primeira vez.
Onde: Praça Vermelha, Moscou, Rússia
Quando: 7 de janeiro de 2012.

Ah, a minha aventura na Rússia <3. Sempre sonhei em conhecer esse país, mas não sabia como. Felizmente eu conheci o intercâmbio pela AIESEC onde a mãe Rússia é um dos principais suppliers, sempre recebendo gente. Quando fiz intercâmbio pela primeira vez, no fundo sabia que ali que era o lugar, o meu destino!

Pela AIESEC mesmo, acabei conhecendo um menino do escritório de Moscou, que queria dar “match” em outro intercambista (quando eu ainda nem pensava em viajar) e acabei mantendo contato com ele. Assim que decidi o meu destino no interior da Rússia, o contatei pedindo ajuda, já que eu chegaria em Moscou de noite e num feriado. Super solícito, ele disse que ia me buscar no aeroporto e me ajudaria a comprar a passagem de trem para Saratov.

Dito e feito e ele foi me buscar! Uma pessoa incrível e me ajudou em todos os momentos. Correu pra pegar o Aeroexpress comigo, me ajudou a comprar passagens e trocar dinheiro, e ainda me levou no Mc Donald’s pra comer, haha. E ainda por cima, foi o meu guia de turismo na Praça Vermelha.

Então, eu sou do Norte e mesmo tendo viajado para o exterior antes, eu nunca havia visto neve. Nunca! Naquele dia, as temperaturas na capital russa beiravam os 2, 3 graus positivos, mas nada de neve, apesar da umidade. Naquele momento eu percebi uma coisa que já me deixou muito chateada: a minha câmera não tirava fotos boas à noite por causa do frio. Prontamente o meu amigo me ajudou e tirou a câmera dele da mochila e começou a tirar minhas fotos, haha.

Nesse meio tempo, eu acabei vendo um montinho na neve. Me emocionei tanto e perguntei se aquilo era neve mesmo! Ele disse que sim (claro, né), por que havia nevado alguns dias antes e haviam colocado toda a neve da praça naquele cantinho. A caboclinha orgulhosa da Amazônia foi lá e se jogou no monte de neve, toda feliz! Sentei, me deitei, e o meu amigo rindo de mim tirando fotos.

O detalhe é que no fundo da foto, vemos o GUM, que é o shopping mais caro de Moscou e um dos mais requintados do mundo. Os oligarcas bilionários vivem fazendo compras lá. Se algum ricaço ou qualquer outra pessoa achou estranho essa pessoa aqui feliz no monte de neve, tanto faz, tanto fez. O importante foi que eu literalmente “me joguei” nessa aventura.

 

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Foto 3: Vista para a eternidade
Onde: Cemitério, Sotaquirá, Colômbia.
Quando: Algum dia de janeiro de 2003.

Apresento-vos o Vale de Sotaquirá, terra do meu avô. A Colômbia ainda é uma incógnita para muitos brasileiros, e mesmo assim, muitos vão saber um pouquinho mais sobre Bogotá e Cartagena. Essa região é a Andina no departamento de Boyacá e cresci com histórias sobre fazendas, vales lindos, montanhas e tudo mais, tudo vindo das memórias do meu avô.

Não era a minha primeira visita a Sota, mas foi a primeira com uma câmera digital. A qualidade da foto não está boa, por causa da tecnologia da época, mas fiz questão de pegar a câmera emprestada da minha prima para tirar essa foto.

Nesse cemitério estão enterrados o meu bisavô e alguns parentes. Olhando um pouco mais fundo, é possível perceber que esse cemitério fica numa colina, e é preciso uma boa pernada para subir. O choque vem na hora da descida, quando você se depara para o vale e as montanhas no fundo.

Aquela vista foi tão marcante pra mim, que desde então eu penso em como aquelas pessoas que estão enterradas ali são privilegiadas. Literalmente elas estão “descansando em paz”.

Passei 9 anos sem viajar para a Colômbia e quando voltei, não só recriei essa foto, mas também tirei várias outras, e o clima de paz ainda persiste! Sotaquirá é uma cidade bem pequena, na verdade um povoado, que passou muito tempo esquecido no seu clima bucólico. Hoje muitas coisas já chegaram por lá, como internet no meio das fazendas e até um hotel, coisa inexistente em 2003. Mesmo assim, algumas coisas nunca mudam, e o vale continua do mesmo jeito, deixando a vista do cemitério tão bonita quanto foi em épocas passadas. Não me importaria de ser enterrada ali.

 

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Foto 4: Gabi e as pombinhas
Onde: Piazza San Marco, Veneza, Itália.
Quando: 19 de agosto de 2010.

A foto não está muito bem “tirada” (créditos para a excelente fotógrafa, na época), mas marca uma viagem muito especial que eu fiz pra Europa com a minha família. A Bi era pequenininha ainda e ficou empolgada com as pombinhas da Piazza San Marco, que já se acostumaram com os turistas e ficam rodeando a todos.

Ela mal sabia falar e durante a viagem aprendeu a falar “pombinha”. Diferente de outras crianças, ela se empolgou com os passarinhos (mesmo sendo pombas, pq né) e se divertiu correndo atrás delas. Esse dia também tem outra foto marcante dela, “brigando” comigo, com uma carinha brava e um dedinho, meio que se estivesse apontando, mas não vem ao caso agora.

Esse dia também foi marcante pelo fato de Veneza ter se tornado uma surpresa pra mim. Eu não queria ir para lá de jeito nenhum e aquele dia quente aparentemente estaria confirmando minhas expectativas, mas não. Aquele mundaréu de turistas não tinha conseguido esconder a beleza que tinha feito dessa cidade o grande destino que é.

Momentos depois, fomos passear no Grand Canal, e no passeio de gôndolas estava incluso uma apresentação com um cantor e um sanfoneiro. Aquele foi o cartão de visitas: ~você está na Itália~. Lembram do a-ha moment? Esse com certeza foi um.

 

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Foto 5: Observando Monterey
Onde: Monterey, Califórnia, Estados Unidos.
Quando: 3 de maio de 2014.

A Costa da Califórnia é linda demais! Monterey, Carmel by-the-sea e o Big Sur oferecem vistas sensacionais! Após um dia na estrada com lindas vistas, paramos numa cidadezinha chamada Monterey, que ainda conserva muito da história colonial da Califórnia, lembrando que esta cidade foi a primeira capital do estado.

Um dos principais lugares da cidade é a Cannery Row, que é uma rua que preserva muitos aspectos da arquitetura colonial, além de possuir várias lojas e restaurantes bons. Ali também dá pra ver a majestosa vista de Monterey Bay, com direito a uma pequena praia, mirantes e afins. Ninguém estava nadando ou surfando ali, mas tinha muita gente brincando na areia, um fim de tarde qualquer.

Nessa hora, uma banda estava tocando uma espécie de música peruana, bem agradável. Tinha também um ventinho bom, crianças correndo e pessoas tirando fotos. Me apaixonei pela vista e comecei a tirar fotos. Fotos da bandeira da Califórnia, da rua em movimento, das pessoas na praia, e eu encontro essa por acaso.

Fico imaginando o que esse rapaz estaria pensando. Seja o quer que fosse, esse lugar seria o ideal para escapar da vida e pensar um pouco. Pensar é bom. Nos leva a refletir sobre aspectos da vida que estão dando errado, o que podemos fazer para acertar, e também nos ajuda a estabelecer planos e metas.

Se eu estivesse no lugar desse homem, eu sairia satisfeita dali qualquer fosse o meu pensamento. Talvez o Oceano Pacífico pudesse me dar a resposta.

 

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Foto 6: Uma forma de libertação
Onde: Lennon Wall, Praga, República Tcheca.
Quando: 4 de maio de 2013.

Fui pra Praga com a minha roomate e ela queria muito ir ver essa Lennon Wall. Honestamente eu pensava que essa parede era só um muro todo pichado por uns jovens comuns, e não sabia o por quê dela querer visitar esse muro e não gastar nosso tempo vendo outros lugares interessantíssimos de Praga.

Alguns momentos depois a ficha caiu. Outro a-ha moment me deu um insight importante, já que eu me considero tão sabida em história assim. Nos anos 80, essa parede comum começou a ser pintada por pessoas comuns com frases de músicas dos Beatles e citações de John Lennon.

Com o passar dos anos, esses dizeres começaram a “evoluir” para críticas ao regime comunista da Tchecoslováquia. O muro chegou a ser pintado algumas vezes, mas logo depois, novas frases sobre amor e paz já estavam escritas, junto com flores.

Esse muro passou a realizar um ideal muito mais profundo, mas que qualquer pessoa pode associar. A tão “proibida” liberdade de expressão do regime comunista foi desafiada com frases de amor numa parede. Aquelas pessoas que só queriam paz estavam conseguindo meios de se expressar de uma maneira muito simples, mas na época, polêmica: escrevendo.

Não é a toa que muitos jovens tiram fotos na Lennon Wall. Geralmente somos nós os que estão associados à vontade de mudança, e da difusão do amor e da paz no mundo, por mais utópicos que esses sentimentos sejam. E por mais simples que uma atitude como escrever possa parecer simples, esses jovens estavam desafiando algo muito mais complexo. De uma maneira ou outra, eles conseguiram o que queriam.

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Foto 7: Vá até onde der
Onde: Museu Albertina, Viena, Áustria.
Quando: 28 de dezembro de 2012.

Então, eu estou de muletas na foto, e o motivo é simples. Eu sofri um acidente na Alemanha e não gostaria de contar os detalhes aqui, e acabei ficando o resto da viagem de muletas e com o meu pé todo machucado. O mais plausível seria voltar pra casa e deixar essa viagem para lá.

Mas não, eu quis seguir com essa viagem até o fim! Era algo muito planejado e desejado por mim e a minha mãe, e eu ia conseguir andar o máximo que pudesse. Desistir não estava nos planos.

Essa bota rosa era bem fofinha e acabou não prejudicando o meu pé, mas ela não era impermeável, o que me deu muito frio no inverno chuvoso de Viena (como dá para se ver na foto). Acabei pensando: “Esse frio vai servir como uma compressa de gelo nos meus pés”, e fui, com frio e com dor.

Acabei andando o centro de Viena num dia, e fui pra Schönbrunn no outro. Subi desde o palácio até a Gloriette sem reclamar, e chegar ao alto, foi uma vitória por si só. Voltei pra Munique e continuei andando, e assim segui até chegar em casa. E assim ganhei novas histórias para contar, algumas até aqui no site.

Essa foto mostra o quanto eu me “deixei levar”. Estava ali e iria aproveitar de qualquer maneira, entendeu? ;) Absolutamente nada podia me derrubar, e desistir, em qualquer instância, não está nos meus planos.

 

 

10 coisas que você não sabia sobre o Orloj de Praga

Uma das principais atrações de Praga é o “Orloj”, que é nada mais nada menos que um relógio astronômico de tecnologia medieval instalado em 1410. Ele é o terceiro relógio deste tipo mais antigo no mundo, e o mais antigo ainda em funcionamento, e se encontra bem na praça central de Praga, na chamada “Cidade Velha”.

Foto do Orloj tirada bem cedinho. Ainda não haviam muitos turistas na área.

Foto do Orloj tirada bem cedinho. Ainda não haviam muitos turistas na área.

Várias coisas deixam esse relógio bem atrativo para o público em geral, como a idade, funcionalidade e visual. E quando eu falo em público, digo milhares de pessoas por dia admirando a beleza do relógio, paradas por vários minutos na frente do relógio, seja observando, tirando fotos ou filmando.

Multidão em Praga-1

Multidão em Praga-1

Acompanhe também: O bairro judaico de Praga e suas curiosidades

Mas existem vários motivos pelos quais o relógio chama a atenção. Vou listar 10 deles, essenciais para quem é curioso de saber mais sobre a origem de certas coisas. :)

1. Como falei antes, o Orloj teve suas primeiras partes instaladas em 1410. Porém com o passar dos anos, várias partes foram adicionadas, como estátuas (como as dos apóstolos) e outras seções do relógio. As últimas modificações foram feitas no século XIX.

2. O relógio já sofreu vários reparos, especialmente quando ele parou de funcionar algumas vezes. Porém na Segunda Guerra Mundial, ele foi bem danificado após o ataque alemão na “Revolta de Praga”.

3. O Orloj tem duas grandes fachadas:  de cima além de mostrar a hora e o anel do zodíaco, ele também mostra a posição do Sol no céu. Se o “sol” se encontra na parte azul mais escura, é o meio do dia; se for na parte branca, estamos no início ou no final do dia; se for na amarela, estamos ou no amanhecer ou no crepúsculo, e na parte preta, é noite. Estações do ano são consideradas e o relógio nunca falha.

5. Além da presença do Sol dourado no relógio, também há a representação da Lua. Em geral, ele mostra a presença de cada um destes astros na elipse da Terra.

6. A de baixo já mostra o calendário, que além de apontar o dia do ano em que estamos, apresenta o signo do zodíaco correspondente. O Brasão de Praga também se encontra bem no meio, assim como figuras representando estações do ano.

7. Uma das estátuas presentes ali é a da morte (que é um esqueleto), e ela curiosamente toca um sino. Outras figuras curiosas são do Turco tocando violão (que representa a ameaça dos Otomanos),  do Avarento (um Judeu representado com um saco de dinheiro) e da Vaidade (olhando num espelho).

8. A cada hora, uma pequena “apresentação” (com duração de cerca de um minuto) acontece, juntando sempre milhares de pessoas. Essa apresentação é uma espécie de “comemoração” pela passagem de mais 60 minutos.

9. Durante a época comunista, o relógio continuou funcionando, porém alguns significados das coisas foram alterados. Por exemplo, o homem com a venda era considerado “a falta de criatividade”.

10. Dá para subir para o topo da torre onde se encontra o relógio! Que tal tirar algumas fotos interessantes? :)

Então, o Orloj deve sim ser visitado em uma viagem para Praga. Para alguns, ele pode parecer “desapontante”, pois “ele é só um relógio”, “ele é muito velho”, ou até “o show é muito curto”. Lembrando que essas pequenas coisas são as interessantes de descobrir em qualquer viagem. Além do mais, a história do relógio e da capital da República Tcheca são profundamente interligadas, sendo assim, um símbolo gigante para os habitantes dali.

Um pequeno prazer

Às vezes eu paro e penso o quanto nós reclamamos da vida. “Trânsito está ruim e demoro pra chegar em casa”. “A unha acabou de quebrar”. “Não quero acordar cedo amanhã”. “Queria comer uma determinada coisa que não tem aqui em casa”. “O meu time acabou de perder o jogo”. E por aí vai.

Mas às vezes percebemos que o prazer se encontra nas pequenas coisas! Como foi bom poder andar descalça no chão, após passar um mês com o meu pé enfaixado. Um mergulho na piscina nunca foi tão gostoso, depois de passar um inverno longe de casa. Como é bom comer o que você gosta quando você está morrendo de fome!

Para percebemos isso sem ter que passar por certas situações, a reflexão é perfeita. Nada que uma bela paisagem possa resolver.

O meu papel de parede do desktop é uma foto minha no Castelo de Praga. Naquele dia, a minha roomate queria visitar os jardins do castelo, coisa que eu não queria fazer, já que eu já vi muitos jardins na vida e não é algo que me interesso. Enfim, eu acredito que ela passou cerca de uma hora passeando pelo jardim. O que eu fiz durante esse tempo todo? Nada! Isso mesmo, absolutamente nada.

Praga <3

Praga <3

Sabe aquele momento na vida em que você tem que tomar decisões efetivas para o futuro? Futuro profissional, pessoal, saúde, viagens, ambições, amigos, e todas as questões que parecem não ter resposta depois de alguns anos. Eu fiquei lá, sentada, por cerca de uma hora apenas observando a beleza de Praga com a mente vazia e ao mesmo tempo cheia de perguntas e “estratégias” para se levar na vida.

Aquela vista era tão tranquila e pacífica que eu simplesmente quis aproveitar o momento. Eu estava lá! Lá mesmo, em uma das cidades mais belas do mundo, apenas comigo e fazendo reflexões que ninguém consegue entender.

A verdade é que eu estava morta! Era umas 7 da noite, o sol ainda não havia se posto e eu estava andando desde as 6 da manhã. Subir ali no Castelo de Praga não foi nada fácil e os meus joelhos e costas estavam gritando por ajuda durante a subida na escada. Esse momento de reflexão foi super útil, fisicamente falando, mas eu confesso aqui que uma lágrima caiu. Emoção? Viver, ser feliz e estar ali.

Eu acabei de falar que eu não gosto de jardins. Mas eu passei um dos momentos mais reflexivos das minhas viagens em um jardim. Em Paris eu havia acabado de sair da minha melhor experiência de vida, na Rússia, e estava ali para aproveitar uma semana de férias quando decidi passar pelos Jardins du Luxembourg para caminhar, relaxar e pensar no que acabava de ter acontecido.

Jardins du Luxembourg

Jardins du Luxembourg

Os Jardins du Luxembourg não estavam nos seus melhores dias, já que era inverno e as folhas ainda estavam crescendo. Mas deu pra sentar ali e ficar observando a Torre Eiffel bem de longe, com a mente limpa, sem preocupações.

Talvez a associação da experiência que eu tive na mãe Rússia não fosse tão fácil assim, mas esses pequenos prazeres me fizeram perceber que sim,  eu sou uma privilegiada por ter estado lá.

Quando der, eu vou passar algum tempo só observando a paisagem e “limpando a mente”. Esse pequeno prazer faz muito bem.

 

 

O bairro judaico de Praga e suas curiosidades

Um dos lugares mais interessantes e incríveis da capital da República Checa é o Josefov, que é nada mais nada menos o reduto da comunidade judaica em Praga. Localizado aproximadamente entre a praça do relógio astronômico e do pêndulo, o bairro judaico é um dos melhores lugares para conhecer, gastar, e tirar muitas fotos.

Aqui, vou procurar contar um pouquinho de história, curiosidades e alguns pontos de interesse para quem está de passagem por Praga.

História e Curiosidades

Primeiro vai um pouquinho de história (as usual). A região da Boêmia (ou seja, Praga e seus arredores) era uma das poucas regiões da Europa junto com a Polônia, o Império Russo, a Hungria e outras localidades do leste europeu a admitirem a população judia como povo livre. Mesmo assim eles não viviam nas mesmas condições que outros cidadãos, especialmente em Praga.

A população de Praga ficou dividida em basicamente duas regiões distintas. Os mais ricos moravam em Mala Strana e Stare Mesto (onde se encontram as ruelinhas e aquele ar medieval de Praga), enquanto os judeus, mais humildes, moravam em Josefov, em uma espécie de favela, segundo historiadores.

A questão foi que a população judaica foi crescendo tanto que o Josefov começou a não comportar tantas pessoas. Lembrando que Praga tinha uma muralha, o que deixava o Josefov “preso” entre as muralhas de Praga e o rio Vltava.

Lá pelo século  XIX (não sei informar exatamente quando), boa parte do bairro judaico e seus guetos foi demolido para a criação de boulevards ao estilo parisiense. Uma das principais avenidas ali é a av. Parizska (em tcheco, Avenida de Paris), cheia de lojas chiques e caras. Uma parte da população ficou sem casa, e os judeus que enriqueceram com o comércio conseguiram comprar apartamentos fora de Josefov. Porém, os mais humildes continuaram à margem da sociedade.

Cartier na av. Parizská

Cartier na av. Parizská

Top 5 Pontos de interesse do Bairro Judaico de Praga

1. Um dos lugares mais interessantes de se conhecer no bairro judaico é o Cemitério, onde esse problema de superpopulação e pouco espaço é bem evidente. Lembrando que como Praga é uma cidade bem antiga, o nível do solo era uns três metros mais baixo que o atual. Acontece que o cemitério foi ficando tão lotado com o tempo que camadas adicionais de terra foram sendo adicionadas para que mais corpos fossem enterrados com o tempo. Após alguns séculos de existência (mais precisamente entre 1439 até 1787), o nível do solo subiu tanto que hoje ele se encontra acima do nível da rua que passa ao lado. Mesmo com o passar dos anos, o cemitério judaico conseguiu manter sua aparência medieval e ele é bem pitoresco e curioso. Vale a pena a visita.

Cemitério judaico visto da grade

Cemitério judaico visto da grade

2. Ao lado do cemitério, se encontra a Jewish Cerimonial Hall, construída principalmente para abrigar cerimônias mortuárias. Com o passar dos anos, ali se instalou um museu sobre a história judaica. Muitos dos objetos dali curiosamente foram adquiridos durante a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas tiveram um interesse de construir um museu dedicado “à civilização extinta”, ou seja, sobre os judeus. Felizmente as atrocidades pararam, e hoje em dia, o museu celebra a história da população judia.

Cerimonial hall

Cerimonial hall

3. Ali pertinho do cemitério, se encontra a Old New Synagogue, que é a sinagoga mais antiga do mundo em atividade. Não tive a oportunidade de entrar lá, mas pude olhar pela janela (risos). Essa sinagoga é bem bonita e lembra aquele ar medieval da cidade. Esse nome confuso (sinagoga velha-nova) se deve ao fato de que ela quando foi construída lá pelo século XI, não era a única sinagoga da cidade. Por isso, o nome “Nova Sinagoga” foi dado. Com o crescimento da população, outras sinagogas foram sendo construídas, e ela passou também a ser chamada de “Velha”.

Old New Synagogue

Old New Synagogue

4. A sinagoga mais antiga da cidade era chamada de “Velha Sinagoga” e de acordo com registros históricos, ela era bem simples. Com o tempo, ela foi demolida, e em seu lugar, foi construída a Sinagoga Espanhola na segunda metade do século XIX. Ela recebeu esse nome por seus detalhes arquitetônicos, e no momento, ela é a mais importante da cidade.

Sinagoga espanhola

Sinagoga espanhola

5. Na frente da Sinagoga Espanhola, se encontra a estátua de Franz Kafka, o famoso escritor de romances em alemão. Ele nasceu em Praga (na época, parte do Império Austro-Húngaro) e viveu pelas redondezas da Sinagoga Espanhola. O seu local de nascimento está indicado com uma placa e vários guias dão informações sobre ele e sua obra.

Já falei demais por aqui! Mas reafirmo que é muito bom andar pelas ruas do Josefov, e prestar atenção em simples detalhes como fachadas, praças, estátuas e tudo mais. Ali existem muitos restaurantes bons, com direito a um especializado em comida brasileira e uma padaria deliciosa! Super recomendo as lojinhas dali, cheias de lembrancinhas e artesanatos! Quem tem interesse em história, curiosidades, arquitetura e afins, a visita ao Josefov é obrigatória para quem quer passar por Praga!

A conexão de Praga

Aquele momento que você percebe que você voltou no tempo ao atravessar a Charles Bridge (Ponte Carlos) em Praga. Já falei por aqui que Praga é uma daquelas cidades que estão bem preparadas para o turismo, e que inúmeras atrações pela cidade fazem de tudo para prender a atenção do turista, seja os peixinhos que ajudam na pedicure, os inúmeros artistas de rua e atrações incríveis, como a canoagem e passeio de balão.

Torre da Charles Bridge

Torre da Charles Bridge

O centro da atenção dos artistas (e dos turistas, claro) é a Charles Bridge, a histórica ponte de pedra que se tornou o símbolo da cidade, fazendo a conexão do Castelo de Praga com a cidade antiga!

A construção da ponte começou no século XIV, sob a jurisdição do rei Carlos (daí que vem o nome) e só terminou pra lá dos anos 1500. A construção desta ponte permanente (ela havia substituído uma outra ponte de pedra que havia sido danificada por uma enchente) foi o ponto que faltava para transformar Praga em um entreposto comercial na época, ligando a Europa ao Oriente. De certeza, a cidade cresceu muito depois disso.

Charles Bridge

Pelo background religioso de Praga, já dá para se imaginar que a ponte também segue esse estilo. Primeiramente, a ponte possui duas torres, sendo uma em cada ponta. Dá para se subir em uma escadinha pitoresca até o topo, e conseguir imagens incríveis.

Fora isso, várias estátuas se localizam por toda a ponte, e todas possuem algum tipo de significado religioso. Foca na estátua do São João Nepomuk, que foi condenado à morte jogado pela ponte no rio Vltava. Tocar na cabeça dele pode trazer boa sorte. E por favor, não toquem no cachorro! Ele traz má sorte!

A estátua da lamentação de Cristo também é bem famosa e representa Maria Madalena e a Virgem Maria tristes pela morte de Cristo na cruz. Uma curiosidade é que a cruz original foi destruída em outra enchente no Vltava. Além dela, também uma estátua de Cristo na cruz no Calvário se localiza na ponte.

Vista do Vltava

Vista do Vltava

Além das estátuas, a ponte é cheia de turistas e artistas! Muitos deles fazem autorretratos e caricaturas, alguns são ventríloquos, outros vendem pinturas a óleo e por aí vai. Entretenimento não falta por lá! Infelizmente não pude fazer minha caricatura por falta de dinheiro (chateada, Praga é meio cara), mas outras coisas tem preços bem acessíveis e bem interessantes!

Perceberam que falei bastante das enchentes nesse post? A Europa Central sofre com essas enchentes lá por junho e julho. Nesse ano de 2013, Praga sofreu outra grande enchente, e muitos se preocupam com a integridade da Charles Bridge, pois afinal de contas, ela não é uma ponte com muito recuo para a água, e obviamente ela é antiga! Isso pode torná-la um alvo fácil, mas se em 500 anos ela não foi destruída…

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O mais interessante foi perceber o contraste da Charles Bridge vazia e cheia. Assim que cheguei em Praga, poucas pessoas estavam na rua, por ser um sábado frio e chuvoso. Mas com o passar das horas, a calmaria da Charles Bridge se transformou em uma enorme passarela lotada de todos os tipos de pessoas, lembrando muito uma multidão.

Cheia ou vazia (quase nunca, por que né?), a Charles Bridge é linda de se apreciar, e é certeza de possuir boas opções de entretenimento ao redor.

Sob o olhar de Stalin

Em Praga, de fato existem vários monumentos que representam diversas fases e culturas que marcaram a vida da população em alguns séculos de existência. Uma dessas eras foi certamente o comunismo, com a então Checoslováquia como um dos membros mais atuantes da cortina de ferro.

Esses países sob a influência da União Soviética absorveram certos aspectos da vida da Rússia, país soviético mais influente. Além da economia planificada, esses países tinham vários aspectos em comum, como na arquitetura caracterizada pelos novostroikis e um certo tipo de modernismo quadrado, fortes investimentos em educação e esporte, e também o culto aos líderes soviéticos, especialmente a Lênin e a Stalin.

Até hoje, Lênin é venerado na Rússia, com a presença de estátuas em diversos pontos nas cidades. Stalin já não tem um bom background, hoje sendo conhecido por frequentar vários cemitérios de estátuas por aí.

Nos anos 1950, a Checoslováquia decidiu homenagear o antigo líder soviético com uma grande estátua em umas colinas na margem esquerda do rio Vltava, bem no parque Letna, de forma com que grande parte da cidade tivesse vista para ela.

O ditador morreu em 1953, e o monumento ficou pronto apenas em 1955. Um ano depois, o então líder soviético Khrushev decidiu abolir o culto a Stalin, fazendo com que muitas dessas estátuas espalhadas pela Europa Oriental fossem retiradas ou destruídas.

A verdade é que os checos não gostavam nem um pouco da estátua. Eles sempre meio que a parodizaram, e esse monumento, em off, era motivo de vergonha para os cidadãos de Praga. Ela era enorme (15 metros de altura e 22 de largura e pesando 17000 toneladas) e pelo formato, com pessoas atrás do ditador, ela foi batizada de “fila do pão”, numa alusão à dificuldade na obtenção de alimentos no regime comunista.

"Fila do pão"

“Fila do pão”

Em 1962, ordens vindas diretamente da União Soviética apontavam que a estátua não ficaria mais ali, mas tudo foi feito de maneira comunista, ou seja, bem na surdina. Eles acharam que a melhor alternativa seria a implosão da estátua com dinamite no meio da madrugada. Acabou que vários pedaços de rocha voaram pelos ares inclusive atingindo algumas casas, e no final, a estátua não foi completamente destruída. Uma notícia bem interessante do El País em espanhol sobre o assunto se encontra aqui.

Uma outra curiosidade importante é que o artista que projetou “a fila do pão” foi obrigado pelas autoridades checoslovacas a executar esse projeto de qualquer maneira. A pressão junto da polícia secreta combinada com a insatisfação da estátua o tornou tão desgostoso que ele cometeu suicídio apenas 3 semanas antes da inauguração.

Hoje em dia, o lugar que abrigava essa fadada estátua tem uma espécie de pêndulo, que lembra um relógio ou algo assim. Ele foi construído após 1991 depois de muita discussão sobre o que fazer nesse antigo parque, que se encontrava abandonado. Na minha opinião, ele ainda continua sendo muito bizarro, e de certo modo, continua sendo uma lembrança do comunismo tão menosprezado pela população, mas mesmo assim, é muito melhor do que possuir um ditador “olhando” por cima de todos, onipotente e onipresente.

Walking tours em Praga

Praga é uma cidade absolutamente linda! A cidade velha, o bairro judeu, a ponte Carlos, o Castelo de Praga e muito mais se encontram numa cidade que respira cultura o tempo todo. Uma das maneiras mais recomendáveis pelos concierges dos hotéis e pessoas que trabalham com turismo é participar de um walking tour.

Eu havia chegado sábado às 6:30 da manhã em Praga e fiquei andando o dia todo. Conheci a pé a cidade toda, atravessei a ponte Carlos várias vezes, subi no castelo, comprei várias lembrancinhas mas mesmo assim optei por fazer esse walking tour no dia seguinte.

Os tours são grátis e o ponto de encontro é geralmente às 14:00 na frente do relógio astronômico. Alguns guias carregam umas plaquinhas anunciando os waking tours em inglês ou até em outros idiomas e as pessoas se agrupam ao redor deles. Chegamos e a minha roomate escolheu um guia, e aguardamos a partida.

Geralmente os tours duram umas duas horas, que era o tempo que esse guia havia estipulado. Saímos no total de seis pessoas e ele começou por ali mesmo.

Neste walking tour passamos por:

  • Relógio astronômico;
  • Igreja Týnsky;
  • Old Town;
  • Charles Bridge;
  • Cemitério judeu;
  • Hotel Intercontinental;
  • Sinagogas;
  • Museu de arte de Praga;
  • Torre do pó.

Realmente passamos em vários lugares, e conseguimos muita informação sobre vários lugares. Por exemplo, o Relógio Astronômico está funcionando desde o século XV e é movido a energia solar. Ele consegue identificar o dia do ano e a luz do sol no dia independente da estação.

Outra curiosidade importante foi a questão do cemitério judaico. Já como eles não podiam ser enterrados em nenhum outro lugar da cidade, eles foram subindo camadas e camadas de terra para poder abrigar seus entes queridos. Hoje o cemitério é mais elevado que o nível da rua em uns 5 metros, ainda considerando que a cidade medieval tinha um nível do solo mais baixo.

Praga também foi uma cidade com muralhas por muito tempo. A cidade velha (parte de dentro) abrigava as famílias mais ricas e no lado de fora a população judaica vivia em uma espécie de favela. No século XIX a antiga área judaica foi urbanizada.

Sobre a Ponte Carlos, existem várias estruturas. Uma delas é o do menino Jesus banhado a ouro, que reza a lenda, dá fertilidade às mulheres. Ao lado dele existe uma estátua de um cachorro também banhada a ouro (não se sabe por quem) que já traz má sorte. Geralmente as mulheres passam a mão na cabeça do menino Jesus e após passam a mão na cabeça do cachorro. É como “conseguir” a sorte e depois abrir mão dela.

Eu não saberia dessas nem de outras curiosidades se não fosse o guia do walking tour, mas mesmo assim me arrependo de ter ido.

Enumero vários motivos como que o guia não levou duas horas para todo o tour, e sim um pouco mais de 4 horas. Dessas 4 horas ele comentou muito mais sobre o estilo arquitetônico dos prédios do que sobre história. Todos os prédios que ele apontava eram “art nouveau”, e ele demonstrou sua insatisfação com os prédios comunistas de forma bem severa.

Ele também passava a maior parte do tempo com coisas irrelevantes, como a textura dos prédios, e objetos. Ele também fazia o merchan de várias coisas, como a exposição de um amigo e ele até fez um break num restaurante de uma amiga para que nós o conhecêssemos (um restaurante que mais parecia um restaurante a quilo).

Em geral, não gostei desse guia em particular, e nem tive a chance de escolhê-lo ou de sair de lá pois o walking tour era algo que a minha roomate queria muito fazer. Minha indignação ficou no fato de eu não ter dado gorjeta a ele.

Se eu iria num walking tour lá novamente? Sim! O Walking tour é uma maneira excelente de conhecer Praga aos mínimos detalhes, mas recomendo sempre procurar um guia de uma empresa recomendada pelo hotel/hostel, ser rigorosa quanto ao tempo do tour e por onde passa, qual o tipo de informação que o guia vai passar e até mesmo a quantidade de pessoas com esse guia (sim, a quantidade de pessoas é um indicador bem interessante). No nosso caso terminamos em 4, e víamos outros guias com 20 pessoas ao redor.

Mas nada melhor que tentar descobrir ao máximo por si só! O sábado que eu passei andando me proporcionou as melhores fotos, visões, compras e descoberta de lugares. Praga sozinha já é de encher os olhos!

Os artistas de Praga

Praga, a capital da República Checa é sempre citada como uma dos pontos obrigatórios a qualquer visita na Europa. Realmente a cidade é linda e única no leste europeu!

Diferente de Budapeste, com um passado imperial e vários boulevards, Praga ainda mantém muitos resquícios medievais, como ruelinhas e antigas pinturas em prédios da cidade. E ainda diferente de Budapeste, o turismo é aproveitado até a última gota! Praga é uma cidade que tem um milhão de atividades, podendo deixar viajantes ocupados o tempo inteiro!

A cidade em si é bem tranquila de andar. Eu andei todo o centro medieval de lá, o bairro judeu, subi no castelo, fui e voltei várias vezes na Charles Bridge em um dia só. Essa foi uma das viagens mais mochileiras que eu fiz, e levei bem pouco dinheiro pra gastar. Acabei que não fiz 1/10 do que queria por lá, como comprar uma réplica do relógio astronômico, fazer uma pedicure tailandesa (sim, tem várias lá!), comer “churrasquinho” de morango com chocolate, subir no balão e por aí vai. Mas eu me diverti bastante, nos dois dias!

Primeiro que em cada cantinho de Praga, existem artistas fazendo todo tipo de trabalho! Muitos deles vão para a Charles Bridge para vender seu produto. Muitos fazem auto-retratos e caricaturas. Morri de vontade de fazer um, mas acabei não fazendo por falta de dinheiro, mas era incrível como eles caracterizavam as pessoas. Tem um milhão deles na Charles Bridge.

Também tem muitos artistas que fazem pinturas ao óleo de paisagens da cidade. Uma é mais bonita que a outra! Também não comprei nenhuma por falta de grana. :(

Mas os artistas que me chamaram mais a atenção foram os mais diferentes! Brincar com fogo, por exemplo.

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Malabarismo com fogo!

Esse rapaz chamava a atenção de todo mundo lançando as massas pegando fogo lá no alto, e também perto do corpo dele. Fogo chama a atenção em qualquer lugar, assim como água ~às vezes!

Bolhas gigantes - a alegria das crianças!

Bolhas gigantes – a alegria das crianças!

Artistas que fazem bolhas gigantes como essa são bem comuns em Praga. Essa foi a única bolha que consegui captar em com a minha mega câmera (hehe). Eles costumavam fazer bolhas bem maiores que essas, mas quando tinha qualquer criança por perto… era diversão estourá-las!

Água também é música! Por que não?

Sons em taças com água.

Sons em taças com água.

Esse senhor fazia belos sons apenas passando a mão em cima de várias taças, de formatos diferentes e com quantidades diferentes de água também. Como o som sai? Não sei. Mas que era agradável e incrível, sim, era!

Mas os artistas que eu mais gostei em Praga foram os ventríloquos! Pra mim, eles davam aquele toque rústico que só Praga sabe apresentar! Fora que eu achava todo o figurino deles e dos bonecos muito fofos! Juntando com a música, fica mais lindo ainda! Realmente alegravam o lugar. :)

Ventríloquo e seu bonequinho

Ventríloquo e seu bonequinho

Claro que falando desses artistas, vídeos deixariam o post bem mais completo. Por algum motivo não consegui fazer o upload de nenhum aqui. A música com as taças de vidro é incrível! É o último tipo de objeto que pensaria que tinha um som interessante.

Praga é uma cidade incrível, cheia de arte, música e alegria! Que os artistas continuem a embelezando!