O que fazer no Városliget, em Budapeste

O Parque da Cidade, ou Városliget em Húngaro, é um dos lugares favoritos dos húngaros e turistas para aproveitar e relaxar um pouco. O parque foi projetado em 1896 para comemorar os mil anos da nação húngara e possui uma área total de mais de 1 km2 com uma série de atrações no seu interior. Nesse post, vou mostrar para vocês o que tem para fazer lá, e se vale a pena visitar.

  1. Banhos termais

Acompanhe também: O principal banho termal de Budapeste

O Széchenyi Fürdő é o maior banho termal da Europa e o mais conhecido de Budapeste. A Hungria possui naturalmente uma série de reservas de águas termais e medicinais, e o costume de utilizar esses banhos como tratamento médico e diversão se difundiram após a ocupação de 700 anos pelos otomanos.

A entrada dos banhos termais lembra um palacete de estilo barroco, mas o que importa são suas piscinas com águas de diferentes temperaturas! Até durante o inverno tem gente que visita o lugar, um dos cartões postais de Budapeste.

Há uns dois anos, fiz um post sobre os banhos termais de Budapeste, e a minha saga não bem sucedida para visitar suas piscinas. Se quiser, acessa lá. :)

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2. Castelo de Vajdahunyad

Esse castelo lindíssimo também foi construído nas celebrações do milênio, que comemorou os 1000 anos da Hungria em 1896. O modelo e a inspiração para a construção foi o castelo de Hunyad na Transilvânia, que até então fazia parte da Hungria. (Interesting fact: muitos húngaros ainda não aceitam o fato da Transilvânia ter sido dada à Romênia como compensação de guerra).

Assim que cheguei em Budapeste, meu amigo me levou de carro até Vajdahunyad, e me falou que lá eles brincavam que esse castelo era uma cópia do da Transilvânia, e que ele era símbolo da falta da criatividade dos húngaros. Bem, foi um húngaro que disse isso, só estou repassando…

Entrada do Castelo de Vajdahunyad

Entrada do Castelo de Vajdahunyad

3. Zoológico de Budapeste

Acompanhe também: Passeio ao Zoológico de Budapeste

Eu não sei se hoje em dia eu faria visitas a algum zoológico onde quer que fosse, mas confesso que adorei a visita quando eu morava lá. Achei a visita interessante e o zoológico, na medida do possível, tentava recriar um habitat semelhante ao original dos animais.

Os animais me fascinaram tanto! É incrível como seres tão diferentes de nós conseguem evoluir e se adaptar à sua realidade. Para crianças, aquele lugar é sensacional! E os ingressos não eram tão caros: se tens interesse em zoológicos, conheça; se não tens interesse (como eu hoje em dia), não se sinta culpado em passar.

Preguiça fazendo pose!

Preguiça fazendo pose

4. Praça dos Herois

A Praça dos Herois (Hősök tere em húngaro) é a praça mais icônica de Budapeste, e seu significado é único. Ela simboliza a liberdade do povo húngaro, especialmente durante as épocas de ocupação nazista e comunista. Por causa de seu peso, a maioria das manifestações políticas acontecem ali.

Falando de aparências, a praça é extremamente bela! Atrás da praça existem algumas colunas, cada uma delas representando figuras importantes da história da Hungria. O lugar é extremamente fotogênico, e vale muito a pena tirar fotos lá.

Praça dos Herois

Praça dos Herois

5. O lago

O parque da cidade possui um lago artificial bem no seu coração. Dependendo da época do ano, uma série de atividades podem ser feitas ao seu redor. Por exemplo, agora nessa época de fim de ano, o lago congela e ele vira um ice rink, por sinal, o maior da Europa Central! Durante o inverno, esse rink de patinação se torna um dos principais pontos turísticos de Budapeste, e as recomendações pela internet são muito boas.

Na época que morei em Budapeste era primavera, então, nada de patinação no gelo. Tem uma parte do lago que possui tipo uma pequena passarela (coisa de 30 cm) que corta o lago de lado a lado. Deu a louca na minha roomate e ela atravessou tudo aquilo a pé, mas a bichinha ficou morrendo de medo no meio do caminho e não tinha como voltar! Eu fiquei com medo de cair na água, então dei a volta no lago inteiro até chegar no outro lado, haha.

lago

Pedacinho do lago: o lugar onde minha amiga atravessou, haha.

6. Estátua do anônimo

O Parque da cidade possui uma série de estátuas, mas uma que se destaca bastante é a estátua do anônimo. Na realidade, ele foi baseado num monge húngaro do século XII, cujo nome se perdeu na história. Reza a lenda que se você pegar no capuz dele, você terá boa sorte com os estudos.

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7. Museu de belas artes e Kunsthalle

Esses dois museus se encontram um em cada lado da Praça dos Herois, e são dois dos lugares mais interessantes para os entusiastas da arte na capital húngara. As coleções são fantásticas (inclui egípcia, antiga, moderna…) e merecem a visita dos turistas interessados por arte mundial.

O museu de belas artes é mais eclético enquanto o Kunsthalle foca mais em arte contemporânea. Ambos os museus foram abertos no início do século XX, e são ótimos lugares para uma visita despreocupada.

Museu

Museu

 

 

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Por fim, a Citadella

A Citadella é provavelmente o lugar onde dá para se ver a maior parte de Budapeste. Particularmente acho que a vista mais bonita da cidade fica no Bastião dos Pescadores, mas a Citadella é igualmente impressionante e é ponto indispensável para conhecer em Budapeste.

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Budapeste vista da Citadella

Tanto o Bastião dos Pescadores quanto a Citadella possuem significados especiais para mim, e são símbolos dessa epopeia húngara que vivi. O Bastião foi um dos lugares que conheci no meu primeiro dia em Budapeste; já a Citadella foi o último lugar que conheci na capital húngara.

Logo nos primeiros posts do blog, escrevi um relato curto sobre esse dia. Aquele dia foi tão fantástico e maravilhoso que eu não queria que terminasse nunca! Só ficam as boas memórias e o agradecimento.

Acompanhe também: O dia em que o tempo parou

Origens

A Citadella é uma antiga fortificação húngara localizada no topo da colina Gellért (Gellért Hill) construída em 1848, no ápice da revolução húngara.O nome Citadella já dá a entender que o local tem características de uma fortaleza.

Ela fica no lado de Buda (Buda é montanhosa, enquanto Peste é uma planície), e o fato dela estar no topo de um morro, indica que sua localização foi completamente estratégica em termos militares durante as revoltas contra os Habsburgos e a ocupação soviética.

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Em memória de todos aqueles que sacrificaram suas vidas pela liberdade e independência da Hungria

O que fazer na Citadella?

Hoje em dia o local não tem mais a maioria das características militares que outrora possuiu. Algumas muralhas foram derrubadas, mas a maior parte da estrutura original permanece.

Um mirante foi construído na ponta da Citadella, e é possível passar bastante tempo só admirando o Danúbio, a cidade e tentando descobrir suas ruas principais. Próximo ao mirante também se encontra a Estátua da Liberdade: construída para homenagear os húngaros mortos durante os períodos de opressão.

Na Citadella também se encontra o museu do Exército: uma série de bunkers decorados de uma maneira que te fazem voltar no tempo, durante a época das guerras.

Além do mirante e do museu, ainda é possível explorar a colina Gellért a pé, já que existem uma série de trilhas que a rodeiam do sopé até o topo. Mas obviamente, é necessário disposição, já que ali é uma subida.

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Despedida de Budapeste

Como citei no início do texto, esse foi o último lugar que conheci em Budapeste. Era um sábado e o meu voo para o Brasil seria na segunda de manhã. Naquele dia, o Zsolt me ligou e perguntou se eu queria dar uma volta com ele em algum lugar, mas não podia demorar já que ele possuía um compromisso à tarde.

Nessa altura eu já havia entregado as chaves do meu apartamento e estava hospedada num hotel mais ao centro da cidade. Depois de um certo horário, o Zsolt apareceu e perguntou se eu já havia conhecido a Citadella. Eu disse que não e ele me levou lá.

Nós conversamos muito durante o trajeto, e até hoje agradeço pela pessoa incrível e super prestativa que o Zsolt acabou se tornando durante toda essa viagem. Caminhamos pela maior parte do trajeto, tiramos muitas fotos e voltamos pro hotel.

Eu estava tão pra baixo naquele dia, já que a melancolia estava batendo: a maioria dos meus amigos próximos já havia ido embora. Na noite anterior tinha acontecido minha festa de despedida, com muitos rostos novos que iriam continuar a experiência que iniciei. Na sexta à noite me despedi da maioria deles, já que eu não os veria mais.

Receber a ligação do Zsolt me alegrou muito! Foi ótimo conhecer um lugar novo, e ainda em ótima companhia. Ainda nos veríamos, já que ele insistiu em me levar pro aeroporto na segunda feira.

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Mirante

Vale a pena conhecer a Citadella?

Então, voltando ao intuito mais informativo do post, acho que vale a pena conhecer a Citadella quando já se conheceu a maior parte das atrações de Budapeste. Como a Citadella fica bem longe do centro, ir até lá exige um pouco de tempo livre, pois acredito que a intenção da maioria das pessoas que visitam lá não é de chegar, bater umas fotos e ir embora: conhecer o bunker, comer em algum restaurante típico e andar pelas trilhas pode ser uma opção interessante para quem tem tempo e disposição.

A distância também foi um dos motivos pelo qual eu levei tanto tempo para conhecer o local! O único transporte público que chega até lá é ônibus, e como não conhecia Buda tão bem, sempre deixava para depois. Tive sorte pois o Zsolt me levou de carro até lá!

Mas enfim, o local é lindo, mas eu passaria a visita caso não tivesse muito tempo livre.

 

A basílica e a mão incorruptível

Na maior parte das cidades da Europa, as igrejas e catedrais são pontos turísticos notáveis, cuja história muitas vezes se mistura com a do local em questão.  Em Budapeste, isso não é diferente. Uma das principais atrações turísticas da cidade é a Basílica de Santo Estevão, tema do post de hoje.

Basílica de Santo Estêvão

Basílica de Santo Estêvão

O que é?

Seu nome em húngaro é Szent István-bazilika, e esta é uma basílica católica romana localizada no centro de Budapeste. Ela é a principal igreja do país e o prédio mais alto da capital da Hungria, dividindo o posto com o Parlamento Húngaro.

Em frente à Basílica

Em frente à Basílica

O local é considerado um ponto de referência para a fé católica no país, e seu prédio faz jus a toda a atenção recebida. A basílica ainda possui uma pequena coleção de joias e artigos, inclusive uma suposta parte do corpo do Santo Estêvão.

Esta basílica foi construída em homenagem à Santo Estêvão (István, em húngaro), primeiro rei da Hungria e fundador do país.

Quem foi Santo Estêvão?

Como disse um pouco acima, Szent István foi o primeiro rei da Hungria, e por causa disso, é também considerado o fundador da nação húngara. Não se sabe ao certo o ano de seu nascimento, mas estima-se que ele viveu entre os anos de 975 a 1038.

Sua canonização aconteceu poucos anos depois, em 1083, pelo Papa Gregório VII. Desde então, a figura de Santo Estêvão é associada com o orgulho e poder húngaro, caminhos traçados igualmente por seus objetos.

Um dos símbolos húngaros mais conhecidos é a coroa utilizada por Santo Estêvão, com a cruz torta. Essa coroa é retratada em diversos monumentos por todo o país, inclusive estando presente no brasão oficial (coat of arms) da Hungria.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/34/Coat_of_arms_of_Hungary.svg/2000px-Coat_of_arms_of_Hungary.svg.png

Uma réplica da coroa se encontra na Basílica, onde ficam alguns tesouros. Porém a original se encontra no Parlamento húngaro, inclusive à vista de visitantes que fazem o tour dentro do local.

Santa coroa húngara (câmera meh e sem flash dá nisso, né?)

Santa coroa húngara
(câmera meh e sem flash dá nisso, né?)

Dentro da Basílica

A visita dentro da basílica é gratuita, e seu interior é muito bonito. Eu diria que a Basílica de Santo Estêvão de Budapeste é muito mais bonita que a sua catedral de mesmo nome de Viena. Os tamanhos nem se comparam, muito menos os adornos do local!

P.S.1: Não pode tirar fotos com flash no interior da Basílica.
P.S.2: Minha câmera não era tão boa na época, muitas fotos saíram tremidas.

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A mão incorruptível

Santo Estêvão possui uma imagem considerada ilibada, e para a posteridade, sua figura é lembrada como se fosse incorruptível. Para tanto, sua mão foi mumificada e conservada, estando às vistas do público que visita a Basílica. Provavelmente a mão é o ponto alto do passeio, e não deixe de vê-la!

 

Urna onde se localiza a mão

Urna onde se localiza a mão

História da mão

História da mão

Como chegar até lá?

A Basílica se localiza bem no coração de Budapeste e existem várias maneiras de chegar até lá. A estação de metrô mais próxima é a Déak Ferenc Ter, a principal da cidade, e que é interseção para as linhas M1, M2 e M3 (amarelo, vermelho e verde). Também dá para chegar de tram, em estação com o mesmo nome.

Praça em frente

Praça em frente

Quanto é o tempo de visita?

Eu diria que entre 1h e 1h30 é o suficiente para fazer uma boa visita na Basílica e nos seus tesouros. Por estar numa localização central, dá para emendar a visita na Basílica com outros passeios, como o Parlamento Húngaro e diria que até a Ópera de Budapeste.

Essa é uma região na cidade muito gostosa de caminhar, cheia de prédios antigos, avenidas largas, lojas e restaurantes. Com a abundância de transportes públicos, não é difícil nem o acesso, nem a oportunidade de visitar outras coisas depois.

Cidadão Global: vale a pena? Minha experiência

O Cidadão Global é um programa de intercâmbio muito interessante promovido pela AIESEC, organização pela qual trabalhei por cerca de três anos e que hoje represento sendo alumnus. Ou seja, após ter trabalhado e contribuído com o crescimento do escritório, hoje observo e acompanho a organização de longe. Mas hoje eu não vim falar sobre a minha experiência como membro da organização, e sim a minha experiência como EP (exchange participant – participante de intercâmbios).

Para começar, a verdade foi que eu sempre quis fazer intercâmbio, mas eu pretendia viajar lá pelo final da minha faculdade em algo relacionado ao aprendizado de idiomas, passar um semestre do meu curso fora, ou até mesmo o mestrado. Até hoje essas vontades continuam de pé, e acredito sim que eu ainda vou obter mais experiências internacionais.

Apaixonada por essa vista! (Parlamento ao fundo)

Apaixonada por essa vista! (Parlamento ao fundo)

Em 2010 eu conheci a organização, comecei a trabalhar como voluntária e aos poucos tive a vontade de participar dos programas que a AIESEC oferece para viajar: hoje são dois programas, chamados de Talentos Globais e Cidadão Global.

O primeiro consiste em realizar um estágio no exterior, trabalhando em alguma empresa com algum tema relacionado à sua área de estudo: comércio exterior, engenharia, jornalismo, captação de recursos, educação de idiomas e assim sucessivamente. Esse programa oferece uma bolsa que ajuda na manutenção do intercambista pelo período em que ele(a) fica trabalhando no exterior, que pode durar de 6 semanas a 18 meses.

Eu ainda não participei do Talentos Globais, e pretendo fazê-lo após o meu mestrado. Porém esse post se trata de duas experiências maravilhosas pelo programa Cidadão Global! Nas duas vezes eu fui para o Leste Europeu e arrumei minhas malas para a Rússia e para a Hungria.

O Cidadão Global é um programa voluntário e de curta duração – 6 semanas até 3 meses. Geralmente os países que oferecem vagas se encontram na América Latina, Leste Europeu, África e Ásia, e em geral o foco do programa consiste em desenvolver projetos em educação, meio ambiente, direitos humanos, saúde e muito mais.

Arbat ul. em Moscou

Arbat ul. em Moscou

Bem, o post será longo, então vamos lá!

Então, o meu primeiro X foi pra Rússia! Sempre sonhei em conhecer esse país e sabia que eu iria amar minha experiência de qualquer maneira.

Mas por que a Rússia?
Eu queria conhecer uma realidade diferente da minha. Queria pegar um inverno rigoroso, idioma complicado, comida exótica, conhecer uma cidade menor, ou seja, fugir da minha linda zona de conforto aqui em casa. Acabei parando em Saratov, uma cidade de 800 000 habitantes na região centro-sul da Rússia. O meu projeto no Cidadão Global era o BRIC, e como o nome já diz, ele foca em estudantes desses países.

O meu projeto consistia em apresentar dados da economia e cultura dos países do BRIC para estudantes de ensino médio e universidades, e comigo foram mais dois brasileiros, três chineses e um indiano. Acabou que só o indiano trabalhou na SSTU (a universidade participante do projeto), já que todos fomos embora antes dele. Mas basicamente eu atuei só na Escola 45 de Saratov.

Para falar um pouco mais da Escola 45, eles tem uma tradição muito grande em esportes, ostentando muitos troféus em várias modalidades. Ao lado da escola existe um estádio de um dos principais times da cidade, e lá haviam turmas exclusivas de atletas, já que eles viajavam muito para competir e necessitavam de uma metodologia especial.

Escola 45 em Saratov

Escola 45 em Saratov

Fui extremamente bem recebida na escola! Os professores, alunos, a diretora e demais funcionários foram sempre muito gentis e atenciosos, e sempre muito curiosos em saber mais do Brasil. Fiz apresentações sobre história, comidas, cinema, novelas (btw, eles adoram “O Clone” por lá!), tradições, curiosidades e claro, a economia do país. Também falei bastante da minha região linda – a Amazônia – que é extremamente exótica para eles.

Escola 45 <3

Escola 45 <3

Esse período que eu trabalhei lá na escola foi relativamente bem organizado. Lidei com várias turmas e professores e senti um carinho imenso deles. Até tivemos uma festa de despedida onde ~toda~ a escola participou, com direito a apresentações de dança, música, e também apresentações sobre a Rússia, Saratov e muito mais, todas feitas pelos alunos. Foi uma maneira de agradecer pelo trabalho que nós fizemos.

Parte da escola na nossa despedida

Parte da escola na nossa despedida

Sabe, foi muito gratificante estar ali. Muitos dos alunos (e das pessoas de Saratov) não pretendiam fazer faculdade, se especializar para ter um emprego legal, nem conhecer o mundo nem nada. Algumas pessoas chegavam comigo me agradecendo pelo fato de que eu saí da minha casa – bem longe dali – para viajar pro meio do inverno para apresentar pra eles uma nova perspectiva de vida e que existem muitas possibilidades para serem exploradas.

Infelizmente o meu projeto não durou o tempo planejado. O meu CL acabou tendo um problema de know how, e só duas pessoas (a VP ICX e o LCP) estavam dando vazão ao projeto. A Katya, a VP ICX da época era a minha host e tive uma certa flexibilidade de falar com ela e de cobrar algumas coisas, mas a princípio o projeto quase não saiu do papel. Foi uma pena, mas não por falta de vontade, e sim por que eles sozinhos não estavam conseguindo dar conta de tudo.

Moscou, na semana final

Moscou, na semana final

Bem, de qualquer maneira, nenhum intercâmbio é perfeito, e devemos aprender a contornar problemas quando existirem, para o nosso próprio crescimento. Mesmo com essas dores de cabeça do projeto, tenho certeza que eu fiz a escolha certa e recomendo o intercâmbio pela AIESEC para a Rússia! Sou apaixonada pelo país e extremamente grata por tudo que eu aprendi nessa jornada. Mas é preciso saber que é necessário ter resiliência e poder de superação, não só para uma viagem para a Rússia, mas sim para qualquer lugar.

Alguns posts relacionados ao intercâmbio na Rússia:
Seja a mudança!
FAQ da Rússia
Tô indo pra Rússia. E agora?
O que eu vi do racismo
Me conte mais da mãe Rússia
Saratov, a capital do Volga
Vivendo em um vilarejo soviético
Como é difícil dizer adeus
Longe de casa, mas no centro do mundo

Mas mesmo assim eu senti que a minha experiência não foi 100% completa. Devido a esse problema de organização, eu senti que eu poderia ter feito muito mais e um belo dia eu decidi que eu faria outro intercâmbio pela AIESEC! Dessa vez eu fui mais “atenta”, buscando saber mais da reputação do escritório, depoimentos de outras pessoas que viajaram para esse lugar, acessibilidade e afins.

Da segunda vez, não foi a minha intenção ir para um lugar em que eu me desafiasse tanto, e a minha intenção era justamente combinar o lazer com o trabalho. Depois de muita busca e muita pesquisa eu acabei dando match com a AIESEC Budapest University (ou LC Corvinus, ou @BCE). A cidade é espetacular, recebe muitos intercambistas (não só da AIESEC mas também de programas de intercâmbio de universidades), e até tinha uma boa reputação entre os EPs.

Amigos de intercâmbio <3

Amigos de intercâmbio <3

O meu EP manager havia viajado por esse mesmo CL como uns 3 meses antes da minha viagem e eu pedi muito dele que me contasse tudo sobre os intercambistas, a escola em que eu trabalharia, a organização do CL, detalhes da cidade e tudo. Ele só me falou coisas boas de lá e me adiantou que eu iria adorar a escola em que eu trabalharia.

Praça dos heróis em Budapeste (e o meu amigo fazendo gracinha ali atrás)

Praça dos heróis em Budapeste (e o meu amigo fazendo gracinha ali atrás)

 

Já viajei animada e tudo que ele me confirmou se realizou. A escola em que eu trabalhei, a Kontyfa, organizou um projeto excelente (no caso o Magellan) e senti também muito apoio dos professores, do diretor e dos estudantes, assim como na Rússia. Acabei morando num apartamento anexo à escola, e sempre estava por lá. Os estudantes inclusive saíam com a gente e tudo.

Falando mais do projeto, o Magellan foi bem parecido com o BRIC: apresentações sobre os nossos países. Comigo trabalhou a Rekha, da Austrália e ficamos muito próximas! Só lembro dela me chamando para tirar um selfie, antes da expressão ser conhecida no Brasil, haha. Antes de nós, outras duas duplas de meninas haviam trabalhado lá na Kontyfa, sendo três meninas brasileiras. Mas a minha presença foi “diferente” por que as outras meninas eram de São Paulo, e eu do Norte. Ou seja, estava apresentando uma perspectiva totalmente diferente, e dessa vez apresentando a região mais linda do planeta!

Escola Kontyfa <3

Escola Kontyfa <3

Falei antes que nenhum intercâmbio é perfeito, mas esse chegou quase! Só não digo que foi 100% por que o banheiro do meu apartamento estourou (sim, estourou!!), e não dava para fazer nada em casa. Que situação! Ainda bem que isso só aconteceu no fim do intercâmbio hehe.

Conversei com muitas pessoas sobre a minha experiência na Hungria e reitero que também recomendo a experiência. Mas mais uma vez: é necessário estar preparado para tudo. Vai que acontece algum problema que você não está preparado para resolver? Às vezes é necessário agir no automático.

Alguns posts sobre intercâmbio na Hungria:
1 ano de alegria
Hungria: dúvidas e respostas
Hungria: mais dúvidas e respostas
Norte, sul, leste e oeste
O quê que a Hungria tem?
O dia em que o tempo parou
Voluntariado na escola Kontyfa
Tardes em Margitsziget
Primavera em Budapeste
Partiu Budapeste!

Para finalizar, eu realmente aproveitei esses períodos no exterior pela AIESEC. Formei amigos para a vida toda, tanto do Brasil como do exterior. Aprendi a me virar sozinha, levando tapa na cara ou não. Conheci lugares incríveis que antes jamais pensei em visitar. Tive a tão preciosa vivência internacional e também cresci muito como pessoa!

Respondendo à pergunta do título: o Cidadão Global vale a pena? Claro que sim!!

Pedaços do mundo

Cada povo possui suas próprias características e cultura, e uma das formas onde percebemos essas peculiaridades é através da culinária local. Afinal de contas, viajar por si só já é uma oportunidade de conhecer coisas novas – e a comida é um desses meios! :)

E falando em culinária local, não é preciso gastar uma fortuna em restaurantes para conhecer o que o povo daquela cidade gosta de comer. Às vezes encontramos pérolas em barraquinhas bem simples, ou em fast foods especializados da região. Mas enfim, seguem algumas dicas para aproveitar todo e qualquer tipo de comida!

Pesquise sobre a culinária local, assim você já vai se ambientando com as possíveis comidas que você vai encontrar durante a sua viagem.

Caso exista algum tipo de restrição alimentar, considere bastante o que você vai comer. Mas se essa restrição for irrelevante (especialmente quando tratamos de saúde), abra sua mente para novas possibilidades.

Barraquinhas na rua com várias pessoas é um bom sinal! Se jogue nela!

Mas se você tiver oportunidade, saia para comer num bom restaurante pelo menos uma vez. Garanto que a experiência será inesquecível.

Deixe as calorias para lá, afinal de contas, se você é um daqueles viajantes “level hard”, as andanças pelas cidades vão te ajudar a manter o peso :)

Não deixe a higiene te levar. Às vezes nos preocupamos demais com a qualidade da comida e deixamos de aproveitar coisas. Já percebeu que o Fish and Chips é dado numa folha de jornal?

Mas se a situação for muito tensa, e as condições sanitárias serem extremamente precárias, a saúde vem em primeiro lugar, obviamente.

Se a cidade possui um grande mercado, essa é uma visita que vale a pena.

Procure saber de questões culturais antes de viajar para algum país. Afinal de contas, o choque cultural também existe na mesa.

E é claro que eu pessoalmente tenho as minhas preferências na “cozinha do mundo”! Vou fugir um pouco dos estereótipos como Paella, Sushi, Pizza, Tacos e afins, e vou apresentar 5 coisas que eu adoro, mas acho difícil, ou até mesmo impossível de se encontrar para vender aqui no Brasil.

– Kürstoscalács (Hungria): Ele é um pãozinho caramelizado ao fogo que tem forma de cano, e pode receber uma espécie de “cobertura” de coco, canela, baunilha e outros sabores.

Comi esse Kürstocalács inteiro em uma tarde.

Comi esse Kürstocalács inteiro em uma tarde.

– Blinis (Rússia): Blinis não são panquecas nem crepes! Eles em geral são mais finos e são feitos com uma massa mais leve. Eles sempre são comidos com geleias que são típicas das regiões onde eles são feitos.

Mesa com blinis e biscoitos russos.

Mesa com blinis e biscoitos russos.

– Bratwürst (Alemanha): Esse é o famoso “pão com salsichão” alemão. Não importa se eu cozinho aqui no Brasil, o gosto nunca será o mesmo da Alemanha.

Nhami!

Nhami!

– Cordeiro (Colômbia): A carne de carneiro é diferente da de cordeiro, e é bem difícil de achá-la assada na brasa aqui pelo Brasil. Mesmo assim, o ar na Colômbia é diferente… o gosto sai diferente também!

Nhami!

Nhac!

– Pirulin (Venezuela): Eu classificaria o Pirulin como algum tipo de droga viciante. Ele é simplesmente a coisa mais DELICIOSA do mundo! Você come um e não consegue mais parar! Infelizmente ele só é vendido na Venezuela e faz 7 anos que eu não vou pra lá. :( Para aqueles que (infelizmente) não o conhecem, o Pirulin é um daqueles canudinhos crocantes que colocamos no sorvete recheado com Nutella. Saudades e amor eternos! :’)

Hoje só restou a lata, que guarda algumas pulseiras.

Hoje só restou a lata, que guarda algumas pulseiras.

 

Tour no Parlamento húngaro

Talvez um dos prédios que mais se destaquem no skyline (ou melhor, riverview) de Budapeste seja a sede do Parlamento Húngaro. Esse prédio enorme e imponente é um ponto turístico incrível da capital húngara, e todos aqueles que tenham interesse em história e cultura local, a visita guiada pelo interior é super recomendável (e nem leva muito tempo!).

Apaixonada por essa vista! (Parlamento ao fundo)

Apaixonada por essa vista! (Parlamento ao fundo)

Primeiramente, aí vão alguns dados! O prédio foi finalizado em 1904, após a necessidade da implementação de um parlamento devido ao novo status da Hungria. Para a construção, foram utilizados mais de 40 milhões de tijolos, 40 quilos de ouro e materiais essencialmente húngaros, além do mais, o prédio possui várias obras de arte, e 242 esculturas em suas paredes.

Todos esses números refletem uma pomposidade óbvia do edifício, que é um dos principais focos do acender das luzes da noite na beira do Danúbio. E como grande ponto turístico, visitas guiadas acontecem todos os dias!

Escadarias do Parlamento

Escadarias do Parlamento

Sobre ingressos: Eu e a minha roomate nos interessamos pela visita guiada em inglês das 15 horas. Porém nos atrasamos, e por uma questão de 5 minutos não conseguimos comprar os ingressos para esse horário (mesmo ainda sendo antes das 15 horas). A “sorte” é que existe um tour em espanhol às 16h, e me comprometi a traduzir tudinho pra ela! O ingresso custou 3500 HUF (cerca de 30 reais), e atualmente o ticket booth se encontra momentaneamente no museu de Etnografia, localizado logo atrás do Parlamento.

Aposentos apresentados: O tour passa pelas escadarias, a Cúpula Municipal, a sala de recepção do Presidente e uma das câmaras utilizadas no passado. Foco debaixo da Cúpula, onde guardas protegem a coroa do Rei Estevão I (sim, o da cruz torta).

Informações curiosas: O tour oferece um conhecimento sobre a Hungria e sua história, como número de parlamentares, territórios perdidos pela Hungria, a coroa do Rei Estevão, o cinzeiro dos parlamentares, e a curiosa história do arquiteto projetista do edifício, que ficou cego antes que tudo estivesse concluído.

Câmara utilizada antigamente

Câmara utilizada antigamente

Pode tirar fotos? Sim, porém sem flash. Um ou outro cômodo é possível tirar com flash, mas isso o guia indicará.

Quais os idiomas disponíveis para apresentação: Foco para as visitas em inglês e espanhol. Porém existem guias em Húngaro, Francês, Hebraico, Alemão, Russo e Italiano.

Opinião geral sobre o tour: Pelo valor alto (o mais alto dentre todos os lugares visitados em Budapeste), eu esperava um pouco mais. A visita dura até uns 35 minutos e muitos cômodos não são contemplados. Entendo que existe uma razão de segurança, por esse prédio ser bem visado, mas em termos de informação recebida, ele é bem completo. A guia dava um tempo para tirar fotos (e claro, me transformar em tradutora instantânea).

"Porta cigarros"

“Porta cigarros”

Como chegar? A maneira mais fácil é descer na estação Kossuth Lajos Tér, na linha M2 (vermelha).

 

Que cada ano seja melhor que o anterior!

O que eu posso falar de 2013? Desafiante? Muitas responsabilidades? Experiências novas?

2013 foi o ano em que eu aumentei minha “rede global de amigos”. Conheci pessoas de lugares que jamais pensei sequer que teria algum tipo de contato, e descobri tantas coisas incríveis sobre esses lugares que comecei a perceber que eu preciso sair da concha. Descobrir, sentir, pesquisar e viver!

Como não amar esse dia e essas pessoas?

Como não amar esse dia e essas pessoas?

 

Ainda não saí 100% da minha zona de conforto, porém tenho consciência de que a cada ano que passa, fico mais sábia em relação a várias coisas. Aprender com o próximo é uma virtude que se adquire com as diferenças e com o choque do que parece ser ordinário para muitos.

Esse ano me encantei com a Hungria! Vi tantos lugares lindos, pessoas felizes e uma organização interessante. Num país bem pequeno do centro da Europa nem parece que é possível abrigar tanto conhecimento em ciência e tecnologia. Assim como nem parece real a variedade de coisas para se fazer ali.

Apaixonada por essa vista!

Apaixonada por essa vista!

Mesmo não tendo viajado pra Singapura, descobri tanta coisa sobre essa cidade-estado por meio da minha roomate, que o meu maior desejo no momento é comprar uma passagem para lá e me hospedar no Marina Bay Sands, só para poder entrar na piscina de lá (risos). Meu chaveirinho de Singapura tá lá pendurado junto com a chave do meu carro, só para me lembrar dessa vontade todos os dias!

Esse ano descobri uma vontade enorme de conhecer a Ásia (falta dinheiro e tempo, poxa) e sei que vou conhecê-la de alguma maneira! Tenho certeza de que a Ásia é um continente fantástico e que eu já adquiri toda a resiliência que faltava para pelo menos conhecê-la e admirá-la!

2013 foi o ano em que eu mais saí da zona de conforto. Ter que andar bastante para poder chegar numa parada de ônibus, madrugar se for preciso para fazer alguma coisa, dormir de qualquer jeito no trem e na estação pra esperar o tempo passar, e também ter de fazer coisas de casa quando ninguém mais pode fazer isso por você.

Também aprendi muitas coisas. Amigos são fáceis de fazer quando se existe abertura. Se você procurar conhecer a quadra da sua casa, você pode descobrir coisas incríveis. O mundo não sabe realmente o que é a Amazônia. Não precisa ter medo, por que o não você já tem. Também aprendi a me cuidar melhor, ou a sua saúde chama a atenção (risos para a minha volta ao Brasil).

Enquanto isso no Zoológico em Budapeste...

Enquanto isso no Zoológico em Budapeste…

Provei sabores de todo tipo de comida! Pela primeira vez eu comi vegemite na vida (e odiei, eca), e na troca de comidas exóticas, dei um coração de frango para a minha roomate provar e ela também não gostou. Comi vários Gyros e pela minha tristeza, não sei como prepará-los aqui. Também bateu uma saudade do Lángos, mas esse já consegui cozinhar por aqui.

Comprei uma barra de chocolate gigante por 300 HUF. Gastei 100 euros que haviam sobrado só com roupa (e muita, muita muuuuuuuuuuuuuita roupa), e saí da Hungria com a minha mala beirando os 32 kg permitidos da companhia aérea mais 3 bolsas de mão. Comprei um casaco de frio MUITO BOM na Alemanha por 12 euros. Comprei mais souvenirs do que nunca, e deixei eles todos guardados num armário especial para eles. Descobri até que um “amigo” pegou um desses souvenirs de mim e o deu para outra pessoa.

Também me certifiquei em 2013 que o meu futuro não está aqui, e que eu preciso de muita sabedoria para ir atrás dos meus sonhos! Estudar mais, ser mais focada, otimizar o meu tempo. Tomara que essas coisas que estou planejando para 2014 (segredo!!!) se tornem realidade.

O azul do Danúbio

Ah, o Danúbio! Esse rio majestoso coroa a Europa Central com sua beleza e dá um toque especial para as diversas cidades no seu caminho. Ele possui mais ou menos 2800 km de extensão e corta 10 países na Europa: começando na pitoresca Floresta Negra na Alemanha, ainda passa pela Áustria, Eslováquia, Hungria, Croácia, Sérvia, Ucrânia, Bulgária, Moldávia e deságua na Romênia para o Mar Negro.

Desses 10 países, ele passa pelas capitais de 4 deles: Viena (Áustria), Bratislava (Eslováquia), Budapeste (Hungria) e Belgrado (Sérvia), e posso dizer que em 3 dessas cidades que já passei (todas menos Belgrado), o Danúbio é a cereja do bolo para a beleza dessas cidades!

Vista do Danúbio em Bratislava

Vista do Danúbio em Bratislava

O rio Danúbio também é uma rota comercial muito importante, servindo de integração entre esses 10 países através de transporte de passageiros, navios com carga e no escoamento da produção para o comércio internacional através do Mar Negro (existe uma conexão do Mar Negro com o Mediterrâneo através do Estreito de Bósforo, em Istambul).

Quando se fala no Danúbio, logo pensamos no Danúbio Azul. Como contei aqui no post sobre as curiosidades da Hungria, essa valsa foi escrita logo após uma viagem pelo Danúbio feita por Strauss na altura de Budapeste, onde afirmou que “o azul do Danúbio se encontrava com o azul do céu”.

Mas o Danúbio não é todo tempo azul. Durante o inverno, devido à neve, chuvas e outras tormentas no rio, a cor chega a ficar barrenta, mas nada que tira a sua beleza! Nesse momento me lembrei das aulas de Geografia do terceiro ano que apresentava as três colorações dos rios da Amazônia: águas escuras, águas barrentas e águas verdes, risos.

Vista do Danúbio da orla do meu hotel em Viena

Vista do Danúbio da orla do meu hotel em Viena

Quando eu estava em Budapeste, uma das coisas que mais me dava prazer em fazer era ficar sentada ali na margem do Danúbio, seja próximo ao Parlamento, seja em Margitsziget. Combinando o “Duna” com o famoso céu azul e a alegria das pessoas dava uma sensação incrível de tranquilidade.

Em Viena, tive uma vista em tanto! Acabei ficando no Hilton Vienna Danube, que é o único hotel em Viena que fica às margens do “Donau”. Meu quarto era logo no primeiro andar e eu tinha uma vista excelente. Parecia que o rio entraria no meu quarto a qualquer momento. Falando um pouquinho mais do hotel, eu o achei excelente! Atendimento muito bom, quartos amplos e bons serviços de bar e restaurante.

Por falar em enchentes, esse ano Budapeste sofreu a maior cheia da história! Foi de se inundar as margens até chegar basicamente aos pés do Parlamento Húngaro! Foi muito curioso ver toda essa repercussão lá, já que essa cheia aconteceu logo após a minha chegada no Brasil, mas convenhamos, eu sou do Norte e essa cheia não foi nada comparada à do ano passado por aqui. ;)

O Danúbio, ao acender das luzes

O Danúbio, ao acender das luzes em Budapeste

Existem vários tipos de cruzeiros que partem de uma cidade a outra pelo Danúbio. O google mostra muitas empresas que fazem esse tipo de percurso, mas particularmente não conheço nenhuma para indicar. Mas quem tem tempo, procura uma viagem calma e quem está disposto a apreciar a vista, viagens em barcos de Budapeste a Bratislava e até Viena se possível (ou vice-versa) são bem recomendáveis. Para Belgrado o serviço deve ser reduzido, pois a Sérvia ainda exige visto de muitas nacionalidades (incluindo brasileiros).

Do ponto de vista de qualquer capital, ou das grandes cidades cortadas pelo Danúbio, posso dizer que o rio dá uma outra cara, como uma rejuvenescida. Certamente a vista do Duna, Donau, Dunaj, Dunav ou qualquer outra maneira de se dizer “Danúbio” nos países que o cortam, ajudam a incrementar a vista, e embelezar a memória.

Norte, sul, leste e oeste

Andar de trem pela Hungria e arredores é fácil e prático, independentemente de barreiras do idioma e de outros fatores. Para tanto, o viajante deve ter perspicácia e ser esperto em qualquer situação.

Existem 4 estações de trem em Budapeste, cada uma representando uma direção: norte, sul, leste e oeste. As duas mais famosas e movimentadas são Keleti (que significa leste) e Nyugati (que significa oeste). A estação Déli (que significa sul) também tem seu movimento, e a estação Kelenfold (que não significa norte, mas se situa ao norte de Buda) eventualmente recebe algum trem advindo de lugares mais distantes.

Começando pela Keleti Pályaudvar (pályaudvar significa estação de trem), que era a mais frequentada por mim. Ela foi inaugurada em 1884 e na época era considerada uma das estações de trem mais modernas da Europa. A fachada é bem bonita e atualmente está em reforma devido às construções da linha 4 do metrô.

Falando em metrô, Keleti pu. tem uma conexão com a linha M2 e terá com a M4 no momento de sua abertura, além de possuir diversas paradas de ônibus, e receber a maior parte dos trens internacionais. Essa grande conexão levou a estabelecer Keleti como conexão direta ao aeroporto Liszt Ferenc (Ferihegy) em um projeto já em estudos.

Lembrando que eu já falei do metrô de Budapeste aqui.

Fachada de Keleti

Outra estação igualmente famosa é a Nyugati Pályaudvar, que foi construída pela Eiffel Company (sim, do mesmo sangue da Tour Eiffel). Ela também recebe muitas conexões internacionais e a estação fica num ponto bem estratégico da cidade numa interseção entre a Grand Boulevard e a Váci Avenue.

Nyugati é bem acessível por metrô (linha M3), tram e ônibus, além de muitos táxis confiáveis sondarem a região. Um dos melhores shoppings de Budapeste, o West End, fica ali pertinho, cheio de lojas muito boas de diversas marcas e preços.

Fachada da Nyugati Palyaudvar

Fachada da Nyugati Palyaudvar

Uma estação também conhecida é Déli Pályaudvar. Ela foi aberta em 1861 servindo de conexão para Rijeka, na Croácia (na época, parte do Império Austro-Húngaro), mas foi seriamente danificada durante a Segunda Guerra Mundial. Sua fachada foi refeita em 1975 e tem uma arquitetura essencialmente comunista. Déli também tem uma conexão com o metrô, sendo uma das paradas finais da linha M2.

A estação menos movimentada e conhecida de Budapeste é Kelenfold Pályaudvar, com serviços principalmente em cidades do interior da Hungria. Ela ainda não possui conexão com o metrô mas será uma das paradas finais da linha M4, prevista para inauguração em 2015.

Em qual estação irei chegar em Budapeste? Isso é bom de se informar no momento que se compra a passagem, seja online ou na estação de procedência. Geralmente eles informam nos tickets como “Budapest – Keleti”, “Budapest – Nyugati”, e assim sucessivamente.

Essas estações tem boa estrutura? Sim, todas contém uma infraestrutura adequada com casas de câmbio, restaurantes (leia-se: lanches), banheiros, informação ao turista e às vezes lembrancinhas e vendedores ambulantes.

Como me locomover por Budapeste após chegar nas estações? Em Keleti, Nyugati e Déli existem conexões com o metrô (como indicado acima), e se pode comprar tickets de 72 horas dentro das estações. As máquinas tem indicações em inglês. O metrô é fácil e simples de se usar e a partir dele se dá pra chegar nos principais lugares de Budapeste. Fora isso, sempre existem táxis do lado de fora das estações.

Como faço pra comprar passagens dentro da estação? Existem dois tipos de bilheterias: a de destinos locais e a de destinos internacionais. É só se dirigir a uma delas (dependendo do destino) e pegar uma ficha. Logo o atendimento será feito e normalmente os atendentes (muitas vezes mal educados) falam inglês. Não é bom esquecer de comprar a reserva do assento também!

Onde se informar dos horários de saída dos trens? Sempre é bom ficar de olho nos painéis eletrônicos e nas suas respectivas plataformas. Também é bom observar qual companhia férrea você comprou a passagem, pois eles verificam sempre os bilhetes no trem.

O quê que a Hungria tem?

Fazer intercâmbio em uma das cidades mais lindas do mundo de certeza não tem preço. Mas fazer intercâmbio em uma nação cheia de história, tradição, grandes inventores e paisagens já adiciona um tempero a mais, especialmente quando muitos de seus feitos são quase desconhecidos do grande público. Conhecer o nome de pelo menos um inventor dos Estados Unidos, um ponto turístico marcante da França ou tradições da Inglaterra é fácil, e por que não saber um pouco mais do desconhecido?

– Sabe o cubo mágico? Aquele mesmo em que você quebra a cabeça para deixar todos os lados da mesma cor foi invenção de um húngaro chamado Erno Rubik. Esse cubo também é chamado de “cubo de Rubik” em homenagem ao seu criador.

Cubo de Rubik

Cubo de Rubik

– Como já falei no post sobre andar de metrô, o Metrô de Budapeste é o segundo mais antigo do mundo. As construções começaram em 1896 para celebrar os mil anos da nação húngara.

– Existem cerca de 15 milhões de húngaros no mundo… e 10 milhões deles vivem fora da Hungria.

– Várias raças de cachorro bem originais vêm da Hungria. Dentre eles, o Vizsla, o Kuvasz, o Pumi, e o meu favorito, o Puli.

Puli, o cachorrinho que lembra um esfregão

Puli, o cachorrinho que lembra um esfregão

– Até 1873 a cidade de Budapeste em si não existia. Antes, existiam 3 cidades independentes chamadas Buda, Óbuda (que vivia em simbiose com Buda) e Peste. Essa união foi dada após o pacto austríaco-húngaro, que pretendia transformar Budapeste em uma vice-capital do reino.

– Outra invenção húngara bem conhecida são os fósforos como conhecemos hoje.

Maquete do Parlamento Húngaro feita de fósforos

Maquete do Parlamento Húngaro feita de fósforos

– A Hungria, junto com a República Checa, Polônia, Suécia e alguns outros países fazem parte da União Europeia, mas não fazem parte da Zona do Euro. A moeda vigente é o Forint (HUF) e 1000 forints é cerca de R$8,50 e junto com o custo de vida barato, na Hungria é bem possível de comprar camisetinhas de 1200 HUF, ou comer um Gyros grande por 500 HUF.

– A Hungria é um país com grande tradição em esportes, e atualmente eles são bem fortes em natação e em pólo aquático. Eles tiveram grande êxito no futebol na década de 1950, época do legendário jogador Ferenc Puskás, da goleada contra a Inglaterra e da chegada à final da Copa do Mundo de 1954. Na tabela geral de medalhas de todas as olimpíadas que já aconteceram até hoje, a Hungria ocupa o décimo primeiro lugar. Para curiosidade, o Brasil se encontra na trigésima oitava posição, e 373 medalhas atrás.

– A Vitamina C foi descoberta pelo húngaro Albert Szent Gyorgi. Momento de se lembrar da Hungria é quando você estiver gripado.

– Os húngaros em média consomem 16,27 litros de álcool por ano. Isso é mais do que a média russa.

– A maior sinagoga da Europa se encontra em Budapeste, mesmo que a população judia da cidade seja um décimo do total. Isso se deve ao fato de que a maior parte da população judia húngara morreu durante a Segunda Guerra Mundial.

– Geralmente os húngaros escrevem o sobrenome antes do nome. Por exemplo, vejamos algumas estações de metrô de Budapeste nomeadas em homenagem a algumas pessoas famosas do país. Puskás Ferenc (jogador de futebol), Déak Ferenc (jurista e sábio homem húngaro), Blaha Lujza (atriz e cantora do início do século XX), Kossuth Lájos (político).

– Até hoje, 10 húngaros ganharam o prêmio Nobel, sendo 3 em física, 3 em química, 3 em medicina e 1 em economia.

– A bebida mais famosa da Hungria é a Palinka, mas o vinho Tokaj é igualmente famoso. Reza a lenda de que o vinho Tokaj era o vinho favorito do rei francês Louis XIV.

– Assim como a Palinka é a bebida nacional húngara, o Gulyás (Goulash) é a comida nacional e a Páprika (pimenta) é o tempero nacional húngaro. As feiras vendem todo tipo de páprika, desde pozinhos, pastas e souvenirs decorados de pimentinhas.

– A cultura folk tem na Hungria um de seus berços. Tapeçarias folk, roupas folk, bonecas folk e tudo que você imaginar se dá pra comprar em qualquer feirinha na Hungria. Por exemplo, a Pandora, marca de joias, criou um berloque especial folk para homenagear a Hungria. Vocês acertaram se disseram que eu tenho um.

– A Nyugati Pályaudvar, uma das estações de trem de Budapeste foi projetada por Alexandre Eiffel, o mesmo da Tour Eiffel em Paris.

Fachada da Nyugati Palyaudvar

Fachada da Nyugati Palyaudvar

– O idioma húngaro é bem difícil e não tem nada a ver com a maioria dos idiomas. Pesquisadores em linguística associaram o húngaro e o finlandês como “primos”. Pra ter uma noção, são 14 vogais e 25 consoantes.

– A famosa valsa de Strauss “Danúbio Azul” foi idealizada após uma visita a Budapeste, onde o azul do Danúbio encontrava o azul do céu. Pra quem não sabe, a Blue Danube é a tradicional “valsa de 15 anos”.

O Danúbio, ao acender das luzes

O Danúbio, ao acender das luzes

 

– Falando em música, a canção mais depressiva da história, “Gloomy Sunday”, foi primeiramente gravada em húngaro por Pál Kálmar e famosa em inglês após uma versão de Billie Holiday. Ela é conhecida como “a música suicida húngara”. Essa fama veio após diversos relatos de suicídio na Hungria e Estados Unidos após escutá-la.

– A Hungria é um berço natural de águas termais. Como falei no meu último post, os banhos termais são imensamente populares pelo país.

– Além das águas termais, os principais rios da Hungria são o Danúbio (Duna, em húngaro) e o Tisza. O país não tem saída para o mar, mas os húngaros usam o lago Balaton como balneário turístico.

Acho que falei demais, não? Além desses fatos, a Hungria tem muitas mais coisas a serem descobertas! Todos os que foram com certeza a recomendam!