Entrei numa mina de ouro!

A história do Brasil nos ensinou muita coisa sobre Ouro Preto, e muitos de nós aprendemos na escola a importância do ciclo da mineração para a economia do nosso país, mesmo enquanto colônia. O que muitas vezes passa despercebido pelas nossas aulas de história são as condições que os mineiros enfrentavam na extração do ouro.

Existiam algumas maneiras de captar ouro, e uma delas era através da própria escavação nas minas. Algumas delas estão abertas até hoje, mas elas são abertas ao público com uma função turística.

Como que decidimos visitar uma mina?

Então, mesmo já tendo conhecido uma parte de Ouro Preto a pé no dia anterior, decidimos contratar uma espécie de tour com um guia, e além dos pontos turísticos e tudo, iríamos aprender um pouco de história com as explicações que escutaríamos.

Conhecer algumas coisas por si mesmo é muito bom, mas dessa vez sentimos que seria legal fazer parte de uma excursão com um guia. Seria só um dia e teríamos o transporte pra cima e pra baixo, e como estávamos sem carro, ajudaria muito a chegar nos lugares mais distantes.

O passeio na mina estava incluso, e confesso que antes de contratar essa excursão eu nem tinha pensado em conhecer uma antiga mina de ouro, então foi uma boa surpresa.

O passeio

Dentre as outras coisas que visitaríamos, a mina me parecia o lugar mais interessante! Nem imaginava como iria ser!

A única mina que havia visitado era a Catedral de Sal, que é gigante e grandiosa. Com túneis amplos e grandes estruturas dentro da montanha, ela é muito diferente do que vimos.

Visitamos a Mina du Veloso, que fica quase saindo de Ouro Preto, no sopé de uma montanha. Como estávamos numa excursão, fomos todos juntos com um guia da mina.

Colocamos o capacete e fomos entrar, daí que a ficha caiu! A entrada é muito pequenininha, e você tem que andar agachado por alguns metros dentro da montanha até ser possível ficar de pé de novo.

P1150386

Essa é a entrada da mina, e tem que ser agachado!

O passeio tem cunho histórico muito forte! O guia contava muita coisa interessante sobre a história da mineração em Ouro Preto, como os mineiros encontravam o ouro, fora muitas outras curiosidades sobre tudo que envolvia isso.

O guia foi ótimo e nos contou muita informação nova e interessante. Ele também tentava passar de relance sobre como que era a vida de um mineiro que passava sua vida tentando encontrar alguma pepita em minas daquele jeito.

Uma das coisas que ele explicou que achei bem interessante foi a origem de algumas expressões populares que utilizamos muito aqui no Brasil. “Olha o passarinho”, “De cabo a rabo”, “Dar no couro” são todas expressões que nasceram ali, e é melhor não deixar o spoiler por aqui, haha.

Fiquei pensando

Agora só imagine: se hoje em dia algumas minas ao redor do mundo enfrentam alguns problemas de estrutura, insalubridade e afins, imagina há mais de 300 anos quando essas questões ainda não eram preocupação?

Fiquei muito aflita num determinado momento por causa do local que nós estávamos – um túnel com mais de 300 anos que corre adentro de uma montanha que sabe lá quantas toneladas ainda tinha acima das nossas cabeças.

Também não gosto muito de lugares muito fechados, então me segurei também pra tentar ficar calma!

P1150388

Como é a mina por dentro

Valeu a pena visitar?

Siim, claro! Muita informação nova, e uma experiência que era inédita pra mim! Não sei se eu faria uma espécie de passeio semelhante no futuro, pois fiquei muito nervosa em determinado ponto. Só imaginava que a montanha pudesse desmoronar a qualquer momento, haha. Mas a questão é que sou bem exagerada, e só ficava pensando no pior.

Mas claro, foi uma experiência muito boa e interessante!

 

Anúncios

Villa de Leyva e memórias

A primeira vez que fui a Villa de Leyva foi em 2003. Eu já era grandinha o suficiente para me lembrar de muitos detalhes, e algumas coisas foram tão marcantes que sempre quis ter a oportunidade de voltar lá e ver tudo… de novo!

Você pode gostar também: E daqui a dez anos?

Me lembro que tinha uma praça central – normalmente na América Espanhola essas praças são chamadas de Plaza Mayor – e o piso dela era de pedras amarelas. Não de paralelepípedos, mas pedras grandes, e era muito difícil de caminhar. Dava pra estacionar bem no meio da praça, e foi lá que ficamos.

Ao redor da Plaza Mayor haviam várias casinhas brancas com telhado de barro, e elas eram divididas em várias lojinhas, que vendiam artesanatos. Era cada coisa linda! Saíamos de uma loja e entrávamos em outra, e sempre com uma sacolinha a mais! Compramos tanta coisa que por muito tempo a decoração da nossa casa era puramente colombiana, e algumas dessas coisinhas vieram dali.

P1160292

Uma loja ao redor da Plaza Mayor que vende ruanas e ponchos

Me lembro que não haviam tantos turistas. Quando víamos algum, eles falavam espanhol, e pareciam latinos mesmo. Os mais “exóticos” eram nós, os brasileiros.

Como não esquecer da viagem de carro até lá? Villa de Leyva fica num vale, e pra isso precisamos descer a montanha numa estrada cheia de curvas. O ouvido espocava e estalava, e nunca havia sentido essa dor na minha vida. Na volta me lembro claramente do meu primo me oferecendo um chiclete apimentado de metro que tinha o desenho de uma régua. A quantidade de centímetros que você mastigava te dava um apelido, algo como “você é forte por conseguir mastigar essa quantidade de chiclete”.

Pois é… recentemente consegui voltar para Villa de Leyva. Agora em Boyacá eu falei com meus primos e disse que topava viajar para qualquer lugar dali que eles quisessem, mas eu dei todas as indiretas possíveis sobre Villa de Leyva, haha. Fizemos uma programação e encaixamos essa viagem para um determinado dia lá.

Quando cheguei, vi que muita coisa continuava a mesma, mas tudo estava muito diferente! As ruas com suas pedras gigantes continuavam as mesmas. As casinhas ainda eram brancas e ainda possuíam telhadinhos de barro. As ruas continuavam floridas. As montanhas estavam iguais! O cenário que vi enquanto meu primo me dava o chiclete apimentado há muitos anos era o mesmo!

P1160309

Ruas adjacentes seguem esse padrão: piso de pedras, casas brancas com esquadrias de madeira (pintadas de verde escuro) e telhadinhos de barro

Não conseguimos estacionar o carro no meio da Plaza Mayor, nem nas ruas adjacentes. Hoje é proibido e os oficiais multam mesmo! Isso é uma coisa boa (eu acho), pois ajuda a preservar o local, impedindo que uma variedade de carros entupam sua área mais icônica.

Cadê os artesanatos? A estrutura das lojas continua no mesmo lugar, mas seu conteúdo mudou. As “artesanías” viraram bares, pizzarias e outros estabelecimentos mais internacionais, quero dizer, sem muita essência boyacense.

Enquanto em 2003 nós éramos provavelmente os únicos estrangeiros dali, hoje em 2018 vi muitos gringos nos arredores da Plaza Mayor. Alguns até aparentavam estar perdidos, mas quando estava quase indo na direção deles para oferecer ajuda (aparentemente eles não falavam espanhol), eles pegaram suas malas e saíram sem rumo como se estivessem procurando alguma coisa.

Assim, eu fico muito feliz que Villa de Leyva esteja atraindo visitantes que não são da Colômbia. Boyacá em geral é muito bonita e basicamente desconhecida do público internacional, então me enche de orgulho saber que uma pequena parte de minha terra esteja atraindo pessoas de lugares tão diversos.

É impressionante ver como a cidade cresceu. Ela ainda continua pequena se compararmos com outras cidades, mas me lembro claramente de alguns lugares nos arredores que eram cercados pelo nada e que hoje já possuem comércios e uma vida mais animada.

P1160305

Uma varandinha

Uma frase que eu sempre falo é “o tempo passa e nem percebemos”. Tempo passou muito rápido. 15 anos se passaram num piscar de olhos. É interessante comparar a primeira e a segunda visita e ver o que mudou e o que continua igual. Sabe… isso não é uma comparação ruim tipo aquelas que dizem que tal coisa é raiz e outra coisa é nutella. O passado foi muito bom, mas o presente também é bom no seu tempo. O mais legal é ver que você presenciou duas situações diferentes: como era, e como é.

Leyvinha continua linda! Hoje é meu primeiro dia de férias (teoricamente ainda não estou 100% de férias, mas falta bem pouco), então me inspirei em fazer um relato mais pessoal, mas eu queria muito em breve (tipo amanhã) escrever sobre algumas coisas interessantes para fazer em Villa de Leyva, assim como outras informações importantes.

Mas o importante é que me senti muito realizada com a minha volta para Villa de Leyva. Sinto que realizei um pequeno sonho de visitar novamente esse local.

Milagre dos Andes: história e museu

Quando eu estava planejando o meu roteiro do dia seguinte em Montevidéu, eu tive uma bela surpresa ao acessar o Trip Advisor (que btw, é uma ótima ferramenta para descobrir pontos de interesse no lugar que você vai viajar). Não conhecia, mas ali acabei descobrindo o Museu Andes 1972, que acabou sendo a melhor descoberta na capital do Uruguai.

Mas o que esse museu tem de tão especial que chamou minha atenção imediatamente?

Então, já comentei em alguns posts por aqui que eu gosto muito de aviação! Gosto de saber sobre modelos, evolução, características e também sobre a história (e isso inclui acidentes aéreos também). Houve um acidente em particular que foi amplamente divulgado na época do seu acontecimento, como também posteriormente, através de livros, documentários e até um filme, e é justamente sobre o voo 571 e seus desdobramentos que o museu é centrado.

Vou contar a história por trás do acidente, e logo depois, comentários sobre o museu. :)

A história do acidente

No dia 12 de outubro de 1972, 45 pessoas saíram de Montevidéu com destino a Santiago, no Chile. Os passageiros, em sua maioria, eram jogadores de rúgbi e membros da comissão técnica da equipe do Old Christians, que iriam participar de um amistoso no Chile. Além dos jogadores e da tripulação de 5 pessoas, alguns assentos restantes foram cedidos a parentes dos jogadores, que os acompanhariam na viagem.

O modelo do avião era um Fairchild FH-227, que pertencia à Força Aérea Uruguaia e foi fretado especialmente para essa ocasião. Na época, os passageiros decidiram fretar esse avião por motivos de economia, já que custava menos do que comprar as passagens, e ao mesmo tempo traria comodidade de datas e trajeto para os jogadores.

Neste dia o clima sobre os Andes estava ruim, e por motivos de segurança, o avião teve que pousar em Mendoza, cidade argentina ao sopé dos Andes. Na época, as restrições de visto eram mais rígidas que hoje, e os passageiros e tripulação só poderiam ficar em solo argentino por 24 horas. No dia seguinte, o clima não havia melhorado o suficiente, mas eles deveriam partir mesmo assim.

Se você olhar Mendoza e Santiago no mapa, dá pra ver que as duas cidades são bem próximas e atualmente existem voos diretos entre as duas cidades com duração de apenas uma hora, então esse trecho deveria ser mais tranquilo, correto?

Por causa do clima desfavorável, os pilotos acharam melhor não seguir em linha reta entre as duas cidades, e preferiram atravessar os Andes numa parte mais baixa da cordilheira chamada de Paso del Planchón. Para tanto, eles teriam que fazer uma espécie de movimento em “U”: Decolar de Mendoza e seguir ao sul até a cidade de Malargüe (Argentina), seguir a oeste pelo Paso del Planchón até alcançar Curicó (Chile), que já estava localizada na planície chilena, e então voltar ao norte até chegar em Santiago.

Mapa elaborado por mim, pra tentar ilustrar o que deveria ter acontecido X o que aconteceu

Mapa elaborado por mim, para tentar ilustrar o que deveria ter acontecido X o que aconteceu.

Por causa do plano de voo, os pilotos decidiram voar um pouco mais baixo que o planejado. Ao entrar pelo Paso del Planchón, os pilotos cometeram um grave erro e acreditavam que já haviam passado de Curicó, então seguiram o caminho a norte. Só que pelo fato do clima estar ruim,  a localização a olho nu era impossível, o que os impediu de observar que eles não haviam passado Curicó, e sim que ainda estavam sobrevoando os Andes.

Como planejado o avião iniciou a descida, e ao mesmo tempo que descia, as turbulências ficavam cada vez mais fortes (lembrando que o fato de sobrevoar cordilheiras aumentam as chances de acontecer as turbulências, devido à instabilidade que os ventos que batem nas montanhas trazem). Chegou um momento que o avião saiu da nuvem, o que ofereceu uma vista assustadora: a aeronave numa altitude perigosíssima, muito próxima às montanhas.

Logo depois o inevitável acontece e o avião bate na montanha. As asas são arrancadas e o corpo da aeronave deslizou pela neve de uma montanha até parar completamente. Por pouco o avião não se desintegrou.

Das 45 pessoas a bordo, 13 morreram no impacto ou nos primeiros dias após o acidente. O piloto foi encontrado muito ferido, porém preso às ferragens, e suas últimas palavras foram: “Nós passamos Curicó”.

Maquete do avião que se acidentou

Maquete do avião que se acidentou

O terreno era extremamente inóspito e isolado! Grande altitude e temperaturas baixíssimas (algumas pessoas estimam que por vezes, a temperatura chegava aos -40 graus) deixavam impossível a presença de vida ali. As notícias que chegavam também não eram das melhores. Uma busca pelo avião e possíveis sobreviventes foram iniciadas, e alguns dias depois um helicóptero chegou a sobrevoar a região, mas não conseguiram localizar os destroços devido à cor branca da fuselagem, que se misturava com a neve. Alguns dias depois, os sobreviventes ouviram pelo rádio do avião que as buscas tinham sido canceladas, e o resgate dos corpos iria acontecer em fevereiro, que seria quando a neve começaria a derreter. Como citei anteriormente, o acidente aconteceu em outubro.

Eles se consideravam virtualmente mortos, e os sobreviventes foram sofrendo com terríveis baixas com o passar dos dias. O primeiro grande dilema a ser resolvido – e também o fato que tornou esse acidente muito lembrado – foi como eles iriam conseguir comida. Água não era problema, pois os sobreviventes inventaram uma engenhoca que conseguia derreter neve através da luz solar, mas os suprimentos de comida eram extremamente baixos. Só foram encontrados alguns chocolates e coisas do gênero, até que de maneira quase unânime, após vários dias dividindo o escasso alimento, se apelou à antropofagia para poderem sobreviver.

Algumas pessoas ali possuíam câmeras. O pensamento era que eles iriam tirar fotos de todos juntos na fuselagem, assim, quem encontrasse os corpos e os destroços num futuro próximo ou distante, iriam saber que eles de fato sobreviveram, e que estariam se segurando a qualquer força para se manterem vivos. Uma dessas fotos me choca até hoje: algumas pessoas ao lado de uma carcaça humana. Só restava a costela e vértebras dessa pessoa.

Uma outra tragédia aconteceu no dia 29 de outubro. Uma avalanche soterrou a fuselagem durante à noite, e acabou matando quem estava dormindo no seu interior. Nesse dia, mais oito pessoas faleceram, incluindo a última mulher sobrevivente do primeiro impacto.

Explicação

Explicação

No total, 29 pessoas morreram até o dia do resgate. Enquanto isso, os sobreviventes faziam de tudo para se manterem vivos, e acabaram fazendo improvisações que foram extremamente úteis. Um pouco mais acima citei a máquina que “fazia” água, feita com pedaços de fuselagem. Outras coisas que chamaram a atenção foram as roupas e sacos de dormir feitos com o tecido das poltronas e os óculos de sol improvisados, já que a imensidão branca no horizonte prejudicava os olhos sem proteção.

Os dias e meses se passavam, até que se tomou alguma atitude concreta. Já não haviam muitos corpos à disposição, e combinados ao clima que havia melhorado um pouco, dois sobreviventes decidiram sair caminhando em busca de ajuda, em 12 de dezembro.

Alguns dias depois, finalmente acontece a redenção! Os dois sobreviventes haviam chegado ao sopé da montanha, onde tinham visto a primeira vegetação e água corrente em meses! Eles então avistaram a primeira pessoa desconhecida desde o acidente, que era um senhor montado a cavalo do outro lado de um pequeno rio. Eles não conseguiram se comunicar por causa do barulho das águas, mas então o senhor sabiamente amarrou numa pedra um pedaço de papel e uma caneta, onde foi anotado o seguinte recado:

“Venho de um avião que caiu nas montanhas. Sou uruguaio. Estamos caminhando há dez dias. Tenho um amigo ferido acima. No avião restam 14 pessoas feridas. Temos que sair rápido daqui e não sabemos como. Não temos comida. Estamos doentes. Quando vão nos buscar lá? Por favor, não podemos nem caminhar. Onde estamos?”

O senhor no cavalo ao ler a mensagem enviou um pedaço de pão com queijo ao sobrevivente, e foi buscar ajuda no posto policial mais próximo. Após 72 dias de espera a ajuda chegou, e em 23 de dezembro, todos os 16 sobreviventes foram resgatados, sendo um incrível presente de natal.

Mais dados

Mais dados

O museu Andes 1972

Antes de começar eu queria dizer que eu fiz vários snaps da minha visita ao museu porém VÁRIOS SNAPS sumiram da minha galeria, pensei que tinha salvado várias imagens, mas acho que não foi o caso. :(

O Museu Andes 1972 é localizado na rua Rincón, próximo à Plaza Constituición, bem no coração da Ciudad Vieja, ponto turístico indispensável para quem visita Montevidéu. O ingresso custa 200 pesos por pessoa, e você pode ficar lá o tempo que quiser.

O museu oferece um vídeo síntese de 15 minutos contando um resumo do que aconteceu: do acidente até o resgate, contendo depoimentos dos sobreviventes e imagens da época. É interessante assistir este vídeo antes de visitar o resto do museu.

Então, o museu foca na vida, e não no sensacionalismo que pode trazer o fato dos sobreviventes terem comido carne humana para terem sobrevivido todos esses dias, o que para mim é um fato muito positivo.

O museu apresenta tabelas explicativas sobre:
– Mapas: De onde saíram, para onde estavam indo, onde bateram, por onde o avião deveria ter seguido, etc.
– Vítimas e sobreviventes: quem eram, fatos importantes, quem faleceu no impacto, quem faleceu na avalanche, quem foi buscar ajuda, quem foi resgatado com vida, etc.
– Calendário e datas significativas: timeline do que aconteceu em determinado dia, incluindo uma comparação com o que aconteceu de notícia no mundo.
– Jornais: manchetes da época sobre o assunto (tanto do desaparecimento quanto do resgate).
– A aeronave: qual o modelo, fatos, etc.
– A região: fotos da época, assim como fotos de hoje em dia.

E também o que chama muito a atenção são os objetos! Muitos destroços do avião estão ali, como o estabilizador vertical e outras partes das asas, trem de pouso e mais. As câmeras onde os momentos vividos nos 72 dias perdidos estão lá, assim como todas as invenções e improvisos feitos pelos sobreviventes com os destroços e outras partes úteis do avião.

Concluindo, eu saí daquele museu me sentindo extremamente grata por estar ali. Viva. Às vezes não sentimos gratidão nas pequenas coisas que a vida nos oferece e saber que podemos ser felizes com tão pouco de fato lava a alma. Essas pessoas, em sua maioria jovens fortes e saudáveis no auge de seus 19 ou 20 anos que tiveram que passar por uma provação inimaginável seguem sendo exemplo de superação e também de inspiração para qualquer pessoa que já pensa em desistir na primeira dificuldade pelo caminho.

Essa é uma visita que recomendo a todos em Montevidéu.

Passeio de barco na Amazônia

Oi gente! Acho que já devo ter comentado isso em posts anteriores, mas 2016 está sendo um ano bem fraquinho em relação a viagens para mim. Não gosto de não ter assunto para comentar aqui, o que me deixa bem triste pois sempre gosto de ficar atualizando tudo que eu passo e aprendo em experiências fora da minha cidade. Mas chega de choro e vamos à luta! Creio que em breve terei novidades para contar, e hoje vou falar sobre o itinerário de um passeio que fiz semana passada.

Então, aqui em Manaus existe uma série de empresas de turismo que fazem um passeio de barco pelos arredores da cidade, mostrando uma “palhinha” do que há de melhor da Amazônia. Com o almoço e água inclusos o passeio ainda oferecia:

  • Ida ao Encontro das Águas;
  • Visita à comunidade do Catalão;
  • Fotos com preguiça, cobra e jacaré;
  • Avistamento da Vitória Régia;
  • Ida no pesque e pague com direito à mergulho no rio;
  • Nado com os botos;
  • Visita à tribo indígena.

O passeio custou R$ 120 e até onde eu sei se encontra na faixa média de preços aplicados pela maioria das empresas do segmento. Geralmente esses passeios ocorrem na sexta, sábado e domingo, e tem uma duração de aproximadamente 7 horas. Acho interessante você não marcar nada no resto do dia, pois esse é um passeio extremamente gratificante, porém cansativo.

Então, saímos do Porto de Manaus localizado próximo à Praça da Matriz às 9 horas da manhã, num lindo sábado ensolarado. Sorte nossa que não choveu, e ainda pegamos uma boa época do ano para navegar. Agora no final de maio e início de junho é que tradicionalmente os rios se encontram mais cheios, e em 2016 o nível do rio não subiu tanto, comparado a outros anos como 2012, onde aconteceu a “cheia histórica” que inclusive alagou várias ruas no Centro da cidade. Entre meados de outubro e novembro o rio se encontra muito baixo, às vezes impedindo a navegação por certos trechos, o que não é tão interessante para o turista.

A primeira parada era o Encontro das Águas, que obviamente tem esse nome por ser o ponto de encontro entre os rios Negro e Solimões. As águas dos dois grandes rios nunca se misturam por diferenças de velocidade, temperatura e pH, o que deixa uma divisão óbvia para todos aqueles que passam por ali.

O rio Negro é o que banha quase toda a orla de Manaus, com águas escuras e ácidas. A nascente deste rio se encontra na Colômbia, e desce pela região noroeste do Amazonas, passando pelos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos (que foi a primeira capital do Amazonas nos anos 1800). Para fins de curiosidade, o rio Negro também abriga os dois maiores arquipélagos fluviais do mundo: Mariuá e Anavilhanas.

Já o rio Solimões nasce no Peru, e aos poucos é alimentado por diversos rios tributários, e também aos poucos vai aumentando de largura e intensidade. De fato, o rio só se chama “Solimões” ao passar da tríplice fronteira Brasil-Peru-Colômbia, na cidade de Tabatinga. Após o Encontro das Águas, o Solimões passa a ser conhecido como rio Amazonas, e assim fica até a foz no Atlântico.

P1130710

P1130706

P1130708

Bem, existem alguns passeios em que é possível mergulhar no Encontro das Águas! Nesse não pudemos, por causa do tempo corrido. (O que pra mim está ótimo, risos)

Bem, em seguida passamos na frente da comunidade do Catalão, que tem todas as suas casas flutuantes! Tanto os “flutuantes” como as “palafitas” são tipos de construções bem presentes nas margens dos rios da Amazônia. Os flutuantes são construídos em cima de uma espécie de tonéis que flutuam na Água, assim a estrutura segue a altura dos rios o ano inteiro. Já as palafitas são construídas um pouco mais altas da terra, mas nem sempre elas são seguras, especialmente no caso de uma cheia muito forte que pode ultrapassar a altura do assoalho das casas.

P1130721

Flutuantes, atrás da vegetação

P1130720

Flutuantes

Palafitas ao longe

Palafitas ao longe

Essas comunidades são muito interessantes e se espalham ao redor dos rios da Amazônia. Seus habitantes geralmente são conhecido como “ribeirinhos” e sobrevivem da própria subsistência.

Enfim, logo após paramos numa pequena casa localizada no flutuante onde a família cria os animais que os turistas tiram foto: geralmente são a preguiça, a cobra e o jacaré. Eu não tive coragem de segurar a cobra e o jacaré, porém matei a curiosidade de saber como é a textura da pele deles!

Sandy e a preguiça

Eu e a preguiça

Para aqueles que acreditam que essa exposição dos animais é crueldade, não se espantem ao saber que essa prática de turistas tirarem foto é bem comum. E sendo daqui e conhecendo a realidade da região, não tem como ver maldade nisso. As famílias cuidam desses animais como se fossem domésticos e recebem comissão das empresas de turismo, o que acaba sendo uma espécie de fonte de renda para as elas.

Enfim, seguimos caminho e chegamos ao flutuante onde almoçaríamos. É bem comum irmos a flutuantes próximos à cidade no fim de semana, porém esse que fomos era mais direcionado ao turismo do que entretenimento, como os mais populares. Nesse flutuante também pudemos ver as Vitórias Régias, provavelmente uma das plantas mais reconhecidas da Amazônia.

P1130760

P1130761

Essas plantas são bem grandes e reza a lenda de que elas aguentam o peso de uma criança pequena. Existem relatos de vitórias-régias encontradas com 2 metros de diâmetro, mas as mais comumente encontradas variam entre 1 e 1,5 metro de diâmetro.

Esse flutuante, assim como vários outros nas proximidades possui uma lojinha com souvenirs indispensáveis para quem vem à Amazônia. Porém acredito que existem locais mais baratos, como na feirinha da Eduardo Ribeiro aos domingos.

P1130739

P1130774

P1130770

Enfim, após o almoço fomos a um pesque e pague onde podíamos “pescar” o Pirarucu! Esse peixe é enorme, às vezes chegando a 2 metros de comprimento. Eu coloquei pescar entre aspas por que esse peixe não se pesca com vara, e sim com rede, devido ao peso e força do bicho! Mesmo assim, às vezes é necessário ter mais de um homem na água para ajudar com a rede.

Decidimos pagar 10 reais por 3 tentativas. Mesmo sabendo que não ia dar certo, foi ótimo sentir a força desse animal! Ele pega a isca com uma força descomunal, tendo que ter muita força nos braços! Vale lembrar que o pirarucu é ameaçado de extinção, e sua pesca só é permitida em viveiros autorizados. Até para levar a carne do peixe para fora de Manaus, por avião é necessária uma burocracia imensa, precisando apresentar nota fiscal e tudo.

No momento que pega a isca

No momento que pega a isca

Ainda dava para mergulhar ali, mas fiquei receosa por que ao meu ver, aquela área parecia ser ideal para os jacarés. Sou medrosa mesmo e admito, hehe.

Então, de lá partimos para nadar com os botos! A viagem seria longa, aproximadamente uma hora pelo rio Negro. Chegando lá, tomei coragem e fui nadar com os lindos!

Eu já tinha tido essa experiência anteriormente em Novo Airão, porém valeria a pena tentar uma segunda vez. Os botos ali eram de cor cinza, também conhecido como boto tucuxi. Eles são muito dóceis, gostam de brincar e de fazer gracinhas com as pessoas. A textura de sua pele lembra a de borracha, e esses minutos com os botos na água foram cheios de “oooohhs” e “ooownnns”.

P1130833

P1130877

Vale lembrar da “lenda do boto”! Dizia que o boto em noite de lua cheia, se transformava em homem e vagava pelas praias dos rios à procura de mulheres para seduzir. Geralmente elas engravidavam e diziam que a criança era filha do boto. Hoje em dia percebemos que era uma desculpa que as meninas davam para os pais para justificar os filhos que nasciam antes do casamento.

Para finalizar, chegamos na tribo indígena. Existem algumas agências de turismo daqui de Manaus que oferecem uma estadia de fim de semana completo em algumas tribos, porém o nosso caso foi apenas uma visita rápida mesmo. Eles se apresentaram, fizeram umas danças típicas e no final nos chamaram para dançar com eles!

Tivemos tempo de comprar algumas lembrancinhas indígenas. Eu comprei uma flauta, daquelas tipo peruanas, e foi meu único investimento em souvenirs por toda a viagem.

A oca principal

A oca principal

P1130887

Amazonas, Brasil!!

Amazonas, Brasil!!

Assim o nosso passeio terminou. O dia foi repleto de paisagens incríveis, sensações inesquecíveis e claro, sentindo o grande prazer de fazer parte disso, de ser amazônida! As minhas amigas de São Paulo que estavam junto comigo procuraram se entregar ao clima e amaram a experiência! Esse tipo de turismo de aventura é essencial para quem quer visitar Manaus, e com certeza é um investimento que vale a pena!

10 coisas que você não sabia sobre o Orloj de Praga

Uma das principais atrações de Praga é o “Orloj”, que é nada mais nada menos que um relógio astronômico de tecnologia medieval instalado em 1410. Ele é o terceiro relógio deste tipo mais antigo no mundo, e o mais antigo ainda em funcionamento, e se encontra bem na praça central de Praga, na chamada “Cidade Velha”.

Foto do Orloj tirada bem cedinho. Ainda não haviam muitos turistas na área.

Foto do Orloj tirada bem cedinho. Ainda não haviam muitos turistas na área.

Várias coisas deixam esse relógio bem atrativo para o público em geral, como a idade, funcionalidade e visual. E quando eu falo em público, digo milhares de pessoas por dia admirando a beleza do relógio, paradas por vários minutos na frente do relógio, seja observando, tirando fotos ou filmando.

Multidão em Praga-1

Multidão em Praga-1

Acompanhe também: O bairro judaico de Praga e suas curiosidades

Mas existem vários motivos pelos quais o relógio chama a atenção. Vou listar 10 deles, essenciais para quem é curioso de saber mais sobre a origem de certas coisas. :)

1. Como falei antes, o Orloj teve suas primeiras partes instaladas em 1410. Porém com o passar dos anos, várias partes foram adicionadas, como estátuas (como as dos apóstolos) e outras seções do relógio. As últimas modificações foram feitas no século XIX.

2. O relógio já sofreu vários reparos, especialmente quando ele parou de funcionar algumas vezes. Porém na Segunda Guerra Mundial, ele foi bem danificado após o ataque alemão na “Revolta de Praga”.

3. O Orloj tem duas grandes fachadas:  de cima além de mostrar a hora e o anel do zodíaco, ele também mostra a posição do Sol no céu. Se o “sol” se encontra na parte azul mais escura, é o meio do dia; se for na parte branca, estamos no início ou no final do dia; se for na amarela, estamos ou no amanhecer ou no crepúsculo, e na parte preta, é noite. Estações do ano são consideradas e o relógio nunca falha.

5. Além da presença do Sol dourado no relógio, também há a representação da Lua. Em geral, ele mostra a presença de cada um destes astros na elipse da Terra.

6. A de baixo já mostra o calendário, que além de apontar o dia do ano em que estamos, apresenta o signo do zodíaco correspondente. O Brasão de Praga também se encontra bem no meio, assim como figuras representando estações do ano.

7. Uma das estátuas presentes ali é a da morte (que é um esqueleto), e ela curiosamente toca um sino. Outras figuras curiosas são do Turco tocando violão (que representa a ameaça dos Otomanos),  do Avarento (um Judeu representado com um saco de dinheiro) e da Vaidade (olhando num espelho).

8. A cada hora, uma pequena “apresentação” (com duração de cerca de um minuto) acontece, juntando sempre milhares de pessoas. Essa apresentação é uma espécie de “comemoração” pela passagem de mais 60 minutos.

9. Durante a época comunista, o relógio continuou funcionando, porém alguns significados das coisas foram alterados. Por exemplo, o homem com a venda era considerado “a falta de criatividade”.

10. Dá para subir para o topo da torre onde se encontra o relógio! Que tal tirar algumas fotos interessantes? :)

Então, o Orloj deve sim ser visitado em uma viagem para Praga. Para alguns, ele pode parecer “desapontante”, pois “ele é só um relógio”, “ele é muito velho”, ou até “o show é muito curto”. Lembrando que essas pequenas coisas são as interessantes de descobrir em qualquer viagem. Além do mais, a história do relógio e da capital da República Tcheca são profundamente interligadas, sendo assim, um símbolo gigante para os habitantes dali.

A conexão de Praga

Aquele momento que você percebe que você voltou no tempo ao atravessar a Charles Bridge (Ponte Carlos) em Praga. Já falei por aqui que Praga é uma daquelas cidades que estão bem preparadas para o turismo, e que inúmeras atrações pela cidade fazem de tudo para prender a atenção do turista, seja os peixinhos que ajudam na pedicure, os inúmeros artistas de rua e atrações incríveis, como a canoagem e passeio de balão.

Torre da Charles Bridge

Torre da Charles Bridge

O centro da atenção dos artistas (e dos turistas, claro) é a Charles Bridge, a histórica ponte de pedra que se tornou o símbolo da cidade, fazendo a conexão do Castelo de Praga com a cidade antiga!

A construção da ponte começou no século XIV, sob a jurisdição do rei Carlos (daí que vem o nome) e só terminou pra lá dos anos 1500. A construção desta ponte permanente (ela havia substituído uma outra ponte de pedra que havia sido danificada por uma enchente) foi o ponto que faltava para transformar Praga em um entreposto comercial na época, ligando a Europa ao Oriente. De certeza, a cidade cresceu muito depois disso.

Charles Bridge

Pelo background religioso de Praga, já dá para se imaginar que a ponte também segue esse estilo. Primeiramente, a ponte possui duas torres, sendo uma em cada ponta. Dá para se subir em uma escadinha pitoresca até o topo, e conseguir imagens incríveis.

Fora isso, várias estátuas se localizam por toda a ponte, e todas possuem algum tipo de significado religioso. Foca na estátua do São João Nepomuk, que foi condenado à morte jogado pela ponte no rio Vltava. Tocar na cabeça dele pode trazer boa sorte. E por favor, não toquem no cachorro! Ele traz má sorte!

A estátua da lamentação de Cristo também é bem famosa e representa Maria Madalena e a Virgem Maria tristes pela morte de Cristo na cruz. Uma curiosidade é que a cruz original foi destruída em outra enchente no Vltava. Além dela, também uma estátua de Cristo na cruz no Calvário se localiza na ponte.

Vista do Vltava

Vista do Vltava

Além das estátuas, a ponte é cheia de turistas e artistas! Muitos deles fazem autorretratos e caricaturas, alguns são ventríloquos, outros vendem pinturas a óleo e por aí vai. Entretenimento não falta por lá! Infelizmente não pude fazer minha caricatura por falta de dinheiro (chateada, Praga é meio cara), mas outras coisas tem preços bem acessíveis e bem interessantes!

Perceberam que falei bastante das enchentes nesse post? A Europa Central sofre com essas enchentes lá por junho e julho. Nesse ano de 2013, Praga sofreu outra grande enchente, e muitos se preocupam com a integridade da Charles Bridge, pois afinal de contas, ela não é uma ponte com muito recuo para a água, e obviamente ela é antiga! Isso pode torná-la um alvo fácil, mas se em 500 anos ela não foi destruída…

P1020024

O mais interessante foi perceber o contraste da Charles Bridge vazia e cheia. Assim que cheguei em Praga, poucas pessoas estavam na rua, por ser um sábado frio e chuvoso. Mas com o passar das horas, a calmaria da Charles Bridge se transformou em uma enorme passarela lotada de todos os tipos de pessoas, lembrando muito uma multidão.

Cheia ou vazia (quase nunca, por que né?), a Charles Bridge é linda de se apreciar, e é certeza de possuir boas opções de entretenimento ao redor.

A riqueza dos detalhes da Ópera

Um dos lugares mais bonitos de se visitar em Budapeste é a Magyar Állami Operaház, ou simplesmente a Ópera Nacional Húngara. Ela se encontra na avenida Andrássy, a mais famosa e badalada da cidade, e é super fácil de chegar lá via estação do metrô Opera, na linha M1.

Existem duas formas de se conhecer o edifício: assistindo um espetáculo pessoalmente, ou participar de uma visita guiada por todo o prédio. Como eu era uma simples estudante de intercâmbio que morava bem longe do centro, nunca tive coragem de assistir uma ópera em loco devido ao preço e ao horário de encerramento. Mesmo assim, tive a chance de conhecer o prédio através de uma visita guiada.

As visitas guiadas acontecem todos os dias às 15 e às 16h. Com carteirinha de estudante (eles aceitaram a minha da universidade sem problemas) o preço é de 1900 FT. O preço normal é de 2900 FT. Esse ingresso pode ser acrescido de algumas coisas, como valor para tirar fotos, e um pequeno show particular. Acabei pagando pelo show particular, e deixei de comprar a permissão para fotos.

Ópera de Budapeste

Ópera de Budapeste

Eu e a minha roomate seguimos direto ao guia em inglês (sendo que o tour também é disponível em espanhol, alemão, francês e italiano) e fomos conhecendo tudo.

Como Budapeste era uma “segunda capital” do império Austro-Húngaro, o imperador Francisco José ordenou que a ópera de Budapeste fosse menor que a de Viena, mas comparações feitas entre essas duas casas ainda no século XIX indicavam que apesar de menor, a ópera em Budapeste era muito mais bonita, pelos detalhes que existiam.

A ópera continuou sendo um dos maiores símbolos de Budapeste, especialmente em tempos difíceis como as guerras mundiais e durante a época comunista, ela era usada como um meio de defender os ideais outubristas. Desde o fim do comunismo, a ópera vem sendo usada como um elemento de integração com outros países e especialmente de vanguarda. Sempre existem atrações internacionais por lá!

Voltando aos detalhes físicos da Ópera, os detalhes em ouro são notáveis, junto com as pinturas no teto feitas à mão, lustres maravilhosos, e também algumas coisas feitas em mármore Carrara. O teatro em si é realmente pequeno, mas totalmente aconchegante é claro, ao redor de uma beleza estonteante. Posso dizer que durante a construção da ópera, vários artistas e materiais húngaros foram utilizados, refletindo então o sentimento de nacionalidade húngara na época.

Também vale ressaltar que ali era provavelmente a sala de música mais moderna do mundo, na época.

A imperatriz Sissi sempre ia até à Ópera para socializar, e muitos acreditam que, pelo fato da grande simpatia que ela tinha com a Hungria, que muitos desses encontros eram meramente políticos. Mas o fato é que a chegada da Imperatriz para assistir a ópera era tão importante que muitos consideravam o ápice em eventos sociais da época. A curiosidade fica no fato do marido dela, o imperador Francisco José só ter ido para a ópera de Budapeste uma vez, no dia da sua inauguração.

A estrutura do prédio ainda é quase inteiramente de madeira (ainda podendo ouvir aqueles barulhos da madeira se movendo) e possui cômodos muito bonitos. Ali pode ter surgido a primeira estrutura de fumódromo do mundo, assim como barzinhos particulares sempre serviam os convidados da alta sociedade húngara.

Terminando a visita, passamos na lojinha de souvenirs, e creio que comprei uma ou duas coisas para trazer de volta aqui pra casa. No geral, a visita foi muito boa e de certeza complementou o meu conhecimento sobre Budapeste. Afinal de contas, todo conhecimento é válido e acredito que não importa onde você vá, é preciso saber de tudo que te rodeia.

E sobre o fato de eu não ter ido assistir nenhum espetáculo, só digo uma coisa: terão outras oportunidades.

E o pitoresco é sempre belo

Quando a cidade é muito antiga e poucas coisas mudam, aquele ar de volta ao tempo se consolida na nossa mente, e em muitas vezes, de uma maneira belíssima! Isso que eu senti com a cidade alemã de Cochem, que fica às margens do rio Mosela.

Fomos até lá em uma excursão de ônibus, que teria Frankfurt como destino final. Pelo caminho, deveríamos passar por essa tal cidadezinha, mas sinceramente eu não esperava muito. Na verdade, nessa época eu não pesquisava muitas coisas antes sobre os lugares que eu ia, mas gostava de aprender bastante a partir do momento que eu chegasse lá.

Então, quando o ônibus começou a descer a montanha, logo vi uma das imagens mais fofas na minha vida! Um castelo no topo de um morro milimetricamente planejado com pequenas casinhas de telhados alaranjados na beira do rio. Todos que estavam no ônibus deram aquele suspiro de surpresa quando começamos a entrar na cidade.

Reichsburg Cochem

Reichsburg Cochem

Descemos todos e cada um era livre o suficiente para desvendar a cidade da sua maneira. Primeiramente seguimos até uma rua, que levava a uma parte mais moderna da cidade. Ali tudo era bem organizadinho, mas não era o que estávamos procurando. Queríamos sentir aquele choque do presente com o passado, ver construções antigas e claro, nos deleitar com a paisagem.

Voltamos até a base da ponte, que tinha um tour com um trenzinho que passava por toda a cidade. O nosso guia nos havia recomendado essa viagem pelas paisagens e quantidades de informação disponíveis, porém tínhamos como umas duas horas e meia para conhecer a cidade e o único horário disponível nesse break estava lotado de trilhares de turistas chineses.

Vista linda!

Vista linda!

Fica a dica de quem quiser andar no trenzinho, mas ainda bem que nós temos pernas e vitalidade pra andar! Atravessamos a ponte e conhecemos um pouco do outro lado da cidade, mas eventualmente acabamos voltando e continuamos sempre na margem do rio, aproveitando a vista e tentando aprender um pouquinho mais da cidade.

Nesse meio tempo, fomos tentar descobrir alguma informação importante sobre o castelo. Como não conseguimos subir até lá pelo tempo, achei importante procurar alguma informação sobre o assunto. Esse lindo castelo foi construído lá pelo século XII e logo foi ocupado por um rei, que decretou o status de castelo imperial. Com a ocupação francesa na época do Rei Sol, o castelo foi destruído e apenas nos anos 1800s, o castelo foi reconstruído e continua aberto até hoje.

Reichsburg Cochem visto da estrada

Reichsburg Cochem visto da estrada

Outras coisas interessantes de se fazer em Cochem incluem o aluguel de bicicletas para explorar a cidade, fazer trilhas pelas montanhas ao redor, a degustação de vinhos em vinhedos pela região, e dependendo da época, participar de festivais específicos ou até presenciar um “Easter Market” ou até um “Christmas Market”.

Cochem é linda demais, assim como outras cidadezinhas na beira do Reno ou do Mosela com as mesmas características. Aproveitar essa atmosfera germânica longe das grandes cidades é essencial para quem vai passar uns dias na Alemanha.

Monserrate: Bogotá vista de cima

Hoje vim falar de um lugar que sempre sonhei em conhecer mas demorei bastante a visitar, que é a catedral de Monserrate, em Bogotá. Sabe quando as coisas chegam na hora certa? Talvez se tivesse ido pra lá antes, quando eu era pequena e não guardasse detalhes de muitos lugares provavelmente não escreveria esse post.

Mas enfim, no início do ano passado meus primos todos nos acompanharam para subir até Monserrate. Para quem não sabe, Bogotá é uma cidade que nasceu no coração dos Andes, e mesmo já estando no topo de uma montanha, ainda existem mais montanhas ao redor. Em uma dessas montanhas, construíram a catedral de Monserrate, com direito a uma vista incrível da cidade!

Fomos com os meus primos lá e nos dirigimos até a bilheteria, onde compraríamos os tickets para o funicular. A fila estava grande, mas corria rápido. Sempre fica a dica de comprar dois tickets, um para a ida e outro para a volta, caso pensas ir de funicular até lá.

Existe outra maneira de ir subindo, grátis. Essa maneira é em uma gigantesca e tradicional escada! Eu não subo ali de escada de jeito nenhum, sedentarismo bate! ;) Mas quem tem pique e quer uma experiência única, não deixe de subir!

Os funiculares são quase sempre lotados, e a viagem leva uns 5 minutos. Chegando lá em cima, já é possível de se fazer tudo! Eu recomendo:

  • Visitar a catedral: quando entramos, já estava no final da missa do meio-dia. Além de ter assistido a cerimônia, andar pela parte de trás da igreja é super válido. Lá é muito bonito, e os colombianos sentem muito orgulho dessa catedral no topo de tudo.

    Monserrate!

    Monserrate!

  • Visitar a feirinha: Existe uma feirinha ali ao lado com produtos super exóticos! Muitos artesanatos da região, blusas sobre a Colômbia, comidas e bebidas típicas, chá de coca (sério!!!!) e todo tipo de souvenir.
  • Comer uma “picada”: Nessa feirinha também existem umas barraquinhas especializadas na picada, que é o churrasco colombiano. Batatas criollas, chorizo, milho, carne de cordeiro e outras iguarias feitas na brasa! Muito bom!

    Nhami!

    Nhami!

  • E claro, apreciar a paisagem e tirar muitas fotos! A vista dali é sensacional! Parece que estamos olhando a qualquer cidade da janela de um avião decolando/pousando!
    E essa vista?!

    E essa vista?!

     

 

Ir para Monserrate é incrível! Esse dia, de certeza foi um dos melhores que já passei em terras colombianas.

Passeio ao Zoológico de Budapeste

Agora que começarei a escrever esse post, me toquei de uma coisa: o único zoológico que eu tinha ido antes de ir a Budapeste foi no CIGS aqui em Manaus, e isso há mais de 10 anos com certeza! Na época, o zoológico havia sido recém-inaugurado e apresentava uma grande quantidade de animais amazônicos.

Em Budapeste, logo nos primeiros dias eu e a Rekha decidimos ir até o Budapest Zoo and Botanical Gardens (Fovárosi Állat – es Növénykert -sim, húngaro é difícil) para conhecer e aproveitar tudo! Pegamos o tram onde morávamos lá em Újpalota e fomos direto à Méxicoi ut, onde pegaríamos o metrô para Széchenyi Furdo. Descemos no parque da Cidade e logo vimos a entrada do zoológico.

Acabei conseguindo a meia entrada com a carteirinha da UFAM e logo me encantei com aquele lugar! De cara, a imagem que se vê é a da Great Rock, que é uma rocha enorme rodeada por um laguinho cheio de cisnes e outros lugares semelhantes. Era bem bonito! (Fui descobrir que a Great e a Small Rock são quase centenárias!)

O zoológico possui áreas específicas para falar de cada região/bioma do mundo, além de prédios climatizados especializados nos estudos de aves, insetos e eles possuem até uma fazendinha para a interação com crianças. Também existe um prédio dedicado à baleia azul (como uma escultura do coração da baleia em tamanho verdadeiro) e à população humana, com números em tempo real sobre a população e outros impactos humanos.

Mas, voltando pro início, o Zoológico de Budapeste é um dos mais antigos do mundo! Ele foi inaugurado inicialmente de maneira privada para a corte por ideia da imperatriz Sissi e foi passado à cidade de Budapeste ainda no século XIX. Desde então o zoológico vem oferecendo constantes mudanças para agradar ao público.

Sobre as atrações, existem seus destaques. A região que fala da América do Sul tem direito até à simulação de uma chuva tropical e às preguiças (sim, elas ficam livres). Na Austrália, vi os cangurus mas não os coalas. A parte que fala da África é bem interessante, com os gorilas, orangotangos, girafas e tudo!

Preguiça fazendo pose!

Preguiça fazendo pose!

Eu me toquei que eu nunca havia visto a maioria desses animais! Achei os elefantes lindos (tinha uma mãe com um bebê lá), fiquei louca pelas zebras e vi uma enxurrada de flamingos! Também alimentei um camelo e tinha uma moça em húngaro falando sobre a capivara (!!). Fiquei bem emocionada a ver esses animais lindos, confesso. haha.

Zebras fazendo o reconhecimento do território

Zebras fazendo o reconhecimento do território

Na parte que falava do pólo norte havia um urso polar (que parecia estar mais estressado com o sol) e uma piscina com paredes de vidro, e se ele mergulhasse, iríamos vê-lo nadar. Do outro lado, era o lugar das focas, e elas nadavam direto pela gente.

Urso polar de bobeira

Urso polar de bobeira

Existem também vários restaurantes por ali e maneiras de interação com o público! A loja de souvenirs vende muita coisa sobre os animais do zoológico, incluindo muitos ursos de pelúcia. Pelo preço, levei dois pra casa, um pinguim e um elefante, mas quase que levei uma preguiça (siiim, preguiças de pelúcia)!

O zoológico em Budapeste é certamente um dos lugares mais interessantes de se visitar na cidade. O espaço é bem amplo e existem informações sobre os animais, além de várias maneiras de interação com eles, além do lugar ser bem agradável. Uma boa maneira de se aproveitar o dia. Lembrando que o Parque da Cidade que fica ali e tem muitas atrações para se visitar.