Algumas comidinhas russas

Olá, internet! Hoje eu vim falar sobre um tópico importantíssimo e indispensável, especialmente para uma pessoa como eu. Me desafiei a postar um texto por dia sobre a Rússia durante essa semana (copa is coming), então quero tocar num assunto delicado chamado… comida!

Eu amo/sou comida, e um dos meus hobbies favoritos ao visitar lugares novos é justamente os pratos típicos dos lugares que eu vou. Na Rossiya não foi diferente e procurei provar de tudo um pouco, mas é complicado.

É complicado pois ao mesmo tempo em que somos bombardeados por sabores incríveis, as pessoas que eram próximas a mim quase não comiam comidas típicas. Cansei de comer sushi, lasanha, e outras comidas que são bem cosmopolitas. Isso foi ruim? Acho que nem tanto.

Dentre os pratos típicos que provei, foco especial para o pelmeni, que eu já escrevi sobre aqui. O Pelmeni é uma espécie de massa recheada com alguns tipos de carne, especialmente porco, mas já vi de outros sabores, como de cereja (ISSO MESMO). Ele se assemelha muito a um capeletti, mas o que diferenciava de alguma outra massa era de vez em quando ele era servido como uma sopa! Era bem gostoso, e foi de longe o prato típico que mais comi.

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Pelmeni de cereja. Não era bom. Sério.

Os blinis também são um prato típico bem conhecido, e inclusive já o vi muitas vezes aqui no Brasil. Eles são panquecas, mas feitas de um modo diferente, e elas ficam mais grossas. Mesmo com a espessura, a massa não é pesada, e eu comia vários bem rápido, haha. Você pode comer os blinis com uma diversidade de recheios, mas eu costumava comer junto com geleias.

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Blinis (eles são mais grossos do que parecem)

O borsht é provavelmente uma das comidas russas mais comentadas, e é simplesmente… uma sopa! Normalmente ela é de betteraba e tem uma cor meio rosada, mas já vi meus amigos chamando sopas de outros sabores de borsht também. Normalmente o borsht é meio cremoso e é acompanhado de sour cream. (Não tirei foto de nenhum borsht, aaaa)

Existem muitas outras comidinhas típicas da Rússia, e também posso destacar algumas mais, como o strogonoff (esse nome já diz que a origem é russa), o caviar (é interessante provar pelo menos uma vez), e tem um suco de frutas silvestres que só tomei lá e que infelizmente não descobri o nome (aaaaaaaa – era muito bom)

Mas claro que os russos não comem só comida russa, assim como os brasileiros não comem só feijoada. Como disse lá no início do texto, eu via tantos restaurantes de comida japonesa que de vez em quando eu me perguntava onde eu estava! As cidades são cheias de pizzarias e outras comidas italianas, assim como carne! Já como eu era uma espécie de estagiária, não podia ir sempre em restaurantes caros, né? De vez em sempre eu ia em diferentes fast foods, e confesso que não me decepcionava.

Mesmo em cidades pequenas (a que eu morei tinha mais ou menos 800 000 habitantes), a abundância de restaurantes e lanches era imensa. Era difícil comer nos mesmos lugares, haha.

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Moscou e segurança

Olá, internet! :)

Já que me desafiei a escrever um post por dia sobre a Rússia nesta semana, vou falar sobre outro assunto importante que de vez em quando trazem à mesa: segurança. Tem vezes que algumas pessoas questionam se a Rússia é realmente segura, ou se existe algum tipo de risco para visitantes estrangeiros.

Infelizmente eu não posso falar um contexto geral sobre TODO o país, então vou me focar mais em Moscou, que é onde boa parte dos turistas ficam, como agora nessa época de copa.

Moscou, nas minhas impressões, me pareceu uma cidade muito segura. A princípio ela pode parecer intimidadora e fechada, mas o importante é que as pessoas sentem uma grande sensação de segurança, em boa parte da cidade.

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Placa indicativa próxima ao Teatro Bolshoi

É comum ver dois tipos de policiais rondando as ruas: uns mais bonitos e longilíneos, com coats arrumados exibindo seus brasões, e outros maiores e bem fortões que utilizam uma roupa com uma estampa camuflada amarela. Os primeiros são aqueles que ficam fazendo uma guarda mais tranquila, e os segundos são ativados em situações que precisam um maior tipo de atenção, como eventos com muita gente. Eu não sei qual a diferença corporativa entre esses dois tipos de policiais (nem sei se eles são chamados exatamente assim, também), mas o importante é que você vê muitos deles nas ruas.

O povo russo em geral é bem tranquilo, e não sei se algum tipo ou característica da sociedade ajuda a inibir alguns tipos de violência. Mesmo em espaços com muita gente (como o metrô), você fica tranquilo com as pessoas ao seu redor.

Mas é claro que existem exceções. Uma vez ou outra alguém publica que foi vítima de um batedor de carteira, ou que sofreram algum golpe na rua. Um dos mais conhecidos é o tal do golpe do maço de dinheiro: uma pessoa te aborda perguntando se uma certa quantidade de dinheiro no chão é sua; daí você abre sua carteira (ou o lugar onde você guarda sua plata) pra ver se você acabou deixando algo cair, e é nesse momento que os comparsas dessa pessoa saem de algum lugar pra te assaltar.

Já aconteceram ataques terroristas recentes também. Antes da minha ida à Rússia, uma bomba explodiu no aeroporto de Domodedovo, e em outra ocasião, duas mulheres-bomba ativaram seus explosivos no metrô. Algum tempo depois, aconteceu uma situação lamentável em Volgogrado (pertinho de onde morei), e até escrevi brevemente sobre isso.

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Essas situações podem assustar, mas elas são raras. Muitas são ligadas a questões políticas, e quando a crise na Chechênia estava no seu auge, o nível de tensão era bem grande. Hoje essa questão parece estar mais tranquila comparada ao que já foi, mas honestamente, não sei muito bem opinar profundamente sobre esse assunto pois nunca mais li nem estudei sobre certos assuntos geopolíticos. :(

Mas enfim, mesmo sendo brasileira e latina, achei Moscou e a região do Volga bem seguras. Aqui no Brasil eu vivo paranoica com a questão da segurança, então não sei se meio que por isso eu já acho muitos lugares bem mais seguros. Aqui tenho medo de caminhar na rua mesmo que certa coisa fique perto da minha casa, pois na minha cabeça tenho a certeza de que serei assaltada ou pior. Às vezes eu evito sair para determinados lugares por que eu não gosto do estacionamento, seja ele ruim ou inexistente. Não gosto nem de andar sozinha na minha universidade à noite! Enfim, prefiro pecar pelo excesso. Pelo menos em Moscou eu andava sozinha em vários lugares, e mesmo sendo estrangeira nunca temi.

Russos são amigáveis sim!

Olá, internet! O tempo passa voando e falta muito pouco pra começar a copa da Rússia! Me lembro direitinho do dia que foi anunciado que este país iria sediar esse evento tão importante para nós brasileiros: eu estava conversando no skype com um amigo que morava em Moscou e trocamos algumas ideias sobre o assunto.

O que ele falou pra mim não é exatamente o tema deste post, mas vim falar sobre outra coisa aqui. Brasil e Rússia são dois países com muitas diferenças: distância geográfica enorme, origem cultural diferente, outro alfabeto, climas variados, e por aí vai.

Então, vou fazer alguns posts onde vou dar um ponto de vista como brasileira que viveu em terras russas pra tentar “desmistificar” algumas impressões que algumas pessoas podem ter dos nossos amigos russos. Hoje especificamente, vou falar sobre uma coisa que sempre me questionaram: as pessoas na Rússia são frias quanto parecem?

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Arbat ul. em Moscou

Talvez um dos maiores mitos sobre a Rússia seria a tal “frieza” das pessoas. Se você dá bom dia para qualquer pessoa que cruza seu caminho aqui no Brasil, saiba que as coisas não são tão assim na mãe Rússia. Na verdade, elas podem até parecer assim num certo momento pois muitos acreditam que não é necessário sorrir ou cumprimentar pessoas alheias na rua.

Mas isso é mais uma maneira de defesa que frieza. Como a sociedade viveu enclausurada por muito tempo, as pessoas preferem guardar pra si alguns tipos de comentários, inclusive um bom dia. Antigamente qualquer pessoa podia ser um dedo duro, e o menor dos comentários poderia te colocar em maus lençóis.

Mas obviamente se você já tem algum contato com alguma pessoa, a situação muda. Caso você vá comprar algo no mesmo mercadinho todo dia, se você vai pegar um ônibus com o mesmo cobrador, ou até se você vai com frequência comer em certo lugar, as pessoas já te reconhecem, e podem até se abrir mais.

E quando eles se abrem, você sente um carinho muito especial, principalmente das pessoas mais velhas! Eles são muito amáveis e sempre muito respeitosos (pelo menos os que eu tive contato).

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St Basil’s

Uma vez um senhorzinho puxou assunto comigo e com um amigo no ônibus e ele começou a contar da vida dele. Pelo pouco de russo que compreendemos, esse senhorzinho fez parte do Exército Vermelho e ele lutou no Afeganistão nos anos 80 (ele mostrou uma carteirinha antiga do exército com a foto dele jovem e tudo). Ele até tentou nos ensinar umas palavras em polonês no caminho, haha. Tínhamos nos visto alguma vez na vida? Nunca!

Uma senhorinha que trabalhava na escola que eu iria estagiar (algo como recepcionista, inspetora) foi uma fofa na primeira vez que nos vimos! Ela me abraçou, me deu boas vindas, e que ela estava muito feliz com a minha presença ali! Eu acabei trabalhando em outra escola, mas também com funcionários e estudantes muito acolhedores comigo e com os outros estrangeiros.

Solidariedade também é forte! Uma vez eu perdi minha luva dentro do ônibus, e todos que estavam lá se mobilizaram, me ajudaram e acabaram encontrando a luva debaixo de uma cadeira. Como ela foi parar lá, não sei! (A luva era cara, por isso me desesperei logo, haha)

Não canso de dizer que fui muito feliz no período que passei na Rússia, e sou grata por todas as experiências que vivi lá. Parte disso foi por causa do carinho recebido pelas pessoas que me acompanharam. Nessa semana ainda, escreverei mais pontos que acho que devemos saber sobre os russos!

 

Como visitar os pontos de interesse em Moscou de metrô?

Olá, pessoal! Baseado nesse post aqui sobre Paris e este outro sobre Budapeste, vou falar para vocês qual é a melhor estação de metrô para visitar alguns lugares interessantes na capital russa. Também já contei um pouco sobre a história do metrô mais bonito do mundo na minha opinião (link abaixo), e desde já adianto que se locomover neste transporte público em Moscou é muito fácil, prazeroso, e até interessante, já que ele parece uma obra de arte.

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1.Região da Praça Vermelha

Estação interessante: Teatralnaya (Театральная) – Linha 2 (verde)

O lugar mais icônico de Moscou (e talvez de toda a Rússia) se localiza bem no centro da capital. A partir de lá, a cidade cresceu e se desenvolveu, e por causa disso, muitos lugares importantes da cidade se localizam em seu entorno, como a Catedral de São Basílio, o Kremlin, o GUM, o Teatro Bolshoi e muitas outras coisas.

Uma série de estações de metrô se localizam ao redor da Praça Vermelha, mas na minha opinião, a Teatralnaya é a que se encontra em melhor posição. De lá, é possível explorar essa região e arredores. Mas se você quiser conhecer partes específicas dos arredores, como por exemplo só o Kremlin, existem estações mais específicas.

St Basil’s

2. Kremlin e museu do Exército

Estação interessante: Okhotny Ryad (Охотный Ряд) – Linhas 1 e 2 (vermelha e verde)

A Okhotny Ryad é uma estação que fica bem mais próxima à entrada do Kremlin, e confesso que era a que eu usava mais. A saída do metrô fica bem mais próxima do guichê que vende os ingressos para conhecer o que existe por dentro da muralha vermelha, assim como o museu do Exército, que gostei muito.

Também existe um shopping com esse mesmo nome com ótimas lojas e restaurantes. Os preços não são tão altos como no GUM, e dá para fazer boas compras ali. Outra estação da linha vermelha perto dali é a Biblioteka Imeni Lenina (Библиотека имени Ленина), que pelo nome já dá para perceber quem ela homenageia. Enfim, é também possível descer ali, mas a “pernada” é um pouco maior.

Caminhos do parque de Alexandre, atrás do Kremlin

3. Rua Arbat

Estação interessante: Smolenskaya (Смоленская) – Linha 3 (azul escuro)

A rua Arbat é uma das mais conhecidas de Moscou devido à grande quantidade de lojas, bares e restaurantes. Ela é bem extensa e gostosa de caminhar, e inclusive já fiz um post sobre ela aqui.

Existem duas estações de metrô da mesma linha que são interessantes para se chegar à rua Arbat: a Arbatskaya (Арбатская) e a Smolenskaya, que citei acima. Eu prefiro a Smolenskaya pelo fato de que faz mais sentido chegar por ela. A estação fica bem num dos inícios da rua e se você seguir direto, vai parar adivinha onde? Na praça vermelha, onde todas as ruas convergem em Moscou, haha.

Acho mais confuso chegar pela Arbatskaya, pelo menos eu sempre me confundia! Ela não fica exatamente na rua Arbat nem na Novy Arbat, enquanto você já sai direto na rua de interesse se você escolher chegar na estação Smolenskaya.

Rua Arbat

4. Teatro Bolshoi

Estações interessantes: Lubyanka (Лубянка) – Linhas 1 e 7 (vermelha e roxa) ou Teatralnaya (Театральная) – Linha 2 (verde)

O Teatro Bolshoi fica bem perto de você já sabe onde (Praça Vermelha, óbvio, hehe), mas existem outras opções de chegada além da estação Teatralnaya (que leva esse nome por causa do Teatro Bolshoi).

A estação Lubyanka fica em igual distância da Teatralnaya, e ali também existe a oportunidade de ver o antigo prédio da sede da KGB, a polícia secreta soviética, que também se chama Lubyanka.

Placa indicativa próxima ao Teatro Bolshoi

5. Estádio Luzhniki

Estação interessante: Sportivnaya (Спортивная) – Linha 1 (vermelha)

Quando eu visitei Moscou, meu smartphone era tão ruim que ainda não tinha acesso a mapas. Então quando nosso ônibus nos deixou em frente ao estádio Luzhniki, tivemos que procurar a pé e carregando malas (inclusive uma quebrada) por vários lugares até encontrar uma estação.

Acabamos descendo no Park Kultury, cuja caminhada até lá foi beeeeeem grande, cansativa e desnecessária, já que existe uma estação bem na frente (!!!!!!!) do estádio e não vimos. Fazer o quê, vida que segue.

Lembrando aqui que o estádio Luzhniki será o palco mais importante da copa do mundo do ano que vem! Então não caia no mesmo erro que eu e chegue e saia pela Sportivnaya, hehe.

6. Parque Gorky

Estação interessante: Park Kultury (Парк культуры) – Linha 5 (marrom)

O último ponto de interesse dessa lista é o Parque Gorky, e para chegar lá, recomendo chegar pela estação que utilizei para sair do estádio, ou seja, a Park Kultury. Confesso que a caminhada para chegar no Parque Gorky é meio comprida, mas não existe outra estação tão próxima quanto esta.

Saindo de lá, ainda é necessário atravessar uma ponte que cruza o rio Moscou, o que pode garantir lindas fotos. Para os que preferirem chegar do outro lado, pode descer também na estação Oktyabrskaya (Октябрьская).

 

Enfim, esses foram alguns lugares que selecionei para quem tem interesse em conhecer uma parte de Moscou por metrô. A cidade é muito grande e existem muitas outras estações: algumas linhas nem citei por serem mais residenciais ou não terem muito apelo para o turismo. Mas lembre-se que na dúvida, sempre tenha um mapa em mãos! ;)

 

Em volta da Praça Vermelha

Olá viajantes, como estão? Eu vou muito bem, especialmente pelo fato de que hoje é um dia especialíssimo para mim, pois há exatamente quatro anos eu comecei a minha jornada de cinco dias que me levaria até a mãe Rússia.

Nem parece que esse tempo todo se passou, e para comemorar esse fato, hoje tem post sobre a maior capital do continente europeu, com foco especial na região da cidade onde tudo começou: a Praça Vermelha.

Como assim, Sand? A região ao redor da Praça Vermelha (mais notadamente o Kremlin) é tipo o marco zero de Moscou. Ao analisar o mapa da cidade, é importante notar que a cidade é como um círculo, com as partes mais externas sendo compostas pela periferia e construções mais recentes, e o interior obviamente mais antigo. O centro desse círculo é justamente a Praça Vermelha, coração das atrações turísticas da cidade, assim como o principal centro político e econômico do país.

Moscou vista de cima, de acordo com o Google Earth

Moscou vista de cima, de acordo com o Google Earth

Então, pela região da Praça Vermelha ser culturalmente viva em Moscou, segue uma lista com o que fazer de melhor ali e em suas imediações:

1. Kremlin

O Kremlin em Moscou é um complexo fortificado que possui uma série de construções medievais, incluindo muitas igrejas ortodoxas. Historiadores russos usualmente se referem aos Kremlins como os primeiros assentamentos humanos fortificados em certas regiões, que no futuro dariam origem a grandes cidades. Um outro exemplo de cidade russa que nasceu a partir de um Kremlin é Nizhny Novgorod, que ainda preserva suas fortificações como Moscou.

 

Normalmente o Kremlin é associado com o poder político na Rússia. Isso se dá pelo fato de que o palácio presidencial e a residência oficial do presidente russo se encontram dentro das paredes vermelhas do Kremlin.

É possível de visitar o complexo, já que existem partes abertas para turistas. Quando eu fui, não era permitido tirar fotos no local e o ingresso custava 500 rublos.

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Catedral de São Basílio e o Relógio do Kremlin, com um pedacinho do palácio presidencial

2. Gum

O Gum é considerado um dos shopping centers mais sofisticados do mundo (se não o mais sofisticado de todos!), e se encontra bem na frente da Praça Vermelha. Todas as lojas do shopping – sem exceção – são de grifes, e algumas são mais acessíveis (como a Zara) e outras mais exclusivas (como a Louis Vuitton).

Em tempos soviéticos, o Gum também era uma espécie de centro comercial, porém mais focado na distribuição de produtos para a população. Mesmo com um cunho socialista, ainda não eram todas as pessoas que podiam “fazer compras ali”.

Gum iluminado

Gum iluminado

3. Tumba do Lênin

Eu já escrevi sobre o Mausoléu do Lênin e dei algumas informações sobre aqui. Vale ressaltar que independente da posição ideológica, é super interessante ver o corpo embalsamado de uma figura histórica há mais de 90 anos ali – na sua frente.

Eu ainda tenho essa curiosidade, pois apesar de ter passado 7 dias inteiros em Moscou, não consegui visitar o Mausoléu. O motivo é simples: ele fecha cedo e eu acordava sempre muito tarde. *risos*

Mausoléu do Lênin (e tentando fazer pose de turista)

Mausoléu do Lênin (e tentando fazer pose de turista)

4. Catedral de São Basílio

A Catedral de São Basílio é geralmente a imagem que o mundo tem de Moscou. Com suas torres e abóbadas coloridas, a Catedral é normalmente confundida com o Kremlin, e não dá pra negar que geralmente ela é a primeira estrutura a ser notada assim que a pessoa entra na Praça Vermelha.

O preço do ingresso é acessível e dá direito a visitar todo o interior de madeira da catedral. O valor é de 250 rublos.

St Basil's

St Basil’s

5. Museu do Exército

Esse foi um lugar bem interessante de se visitar. Em um dos cantinhos do Kremlin se encontra a entrada para o Armoury Chamber, local de exposição permanente de artigos de guerra e objetos pessoais dos antigos czares.

Ali não é permitida a entrada com eletrônicos, e consequentemente, não pode tirar fotos. Todos os visitantes recebem um audioguia explicativo, o que deixa o passeio bem interessante.

Pra quem gosta de apreciar coisas antigas, essa exposição vale muito a pena. O preço do ingresso é bem salgado também – 700 rublos a entrada.

6. Rua Arbat

Também já escrevi sobre a rua Arbat aqui. Ela não é exatamente ~na~ Praça Vermelha, mas um dos meus passeios favoritos em Moscou era andar pela rua inteira e seguir direto até à praça.

O local é super boêmio: possui vários artistas de rua, bares, lojas de artesanato locais e muitas outras coisas tradicionais. Vale a pena comprar algumas coisas de souvenirs, como matrioshkas, pelo preço ser bem mais em conta do que em outras feirinhas locais.

Rua Arbat

Rua Arbat

7. Teatro Bolshoi

O Teatro Bolshoi também não é exatamente na Praça Vermelha, mas só fica a alguns metros dela. Para assistir a alguma apresentação, é recomendável fazer reservas com algum tempo de antecedência. Eu não consegui assistir a nenhuma apresentação por causa disso, então já tenho mais outra desculpa para voltar para Moscou *mais risos*

O Teatro também é aberto para visitações, mas só é preciso ter cuidado para visitá-lo em horários que não tenham apresentações acontecendo.

8. Parque Alexandrovsky

Esse parque fica ao lado da Praça Vermelha. Não é tão grande e conhecido como o Parque Gorky, mas é um belo lugar para relaxar após um dia rondando pelos museus da região. Existe um shopping na frente do parque, que é o Okhotny Ryad, que possui alguns restaurantes e várias lojas, com preços mais acessíveis que o Gum.

Ali possuem algumas estátuas que remetem à época comunista, assim como a chama eterna e o túmulo do soldado desconhecido.

Caminhos do parque

Caminhos do parque

9. Museu Histórico do Estado

Esse museu fica bem ao lado de duas entradas da Praça Vermelha, e o prédio é um dos mais imponentes do local. Grande construção medieval e vermelha, o Museu histórico do Estado conta a história da Rússia, desde assentamentos antigos até os dias de hoje.

Museu, no fundo

Museu, no fundo

10. Catedral de Kazan

Bem no cantinho da Praça Vermelha próximo ao Gum, fica uma pequena, mas charmosa igrejinha ortodoxa, chamada de Catedral de Kazan. Como muitas coisas na Rússia (e na Europa em geral), essa igreja não é original, e sim restaurada.

Ela foi destruída pelo regime comunista, e reconstruída entre 1990 e 1993, após a queda do regime soviético. Na época da demolição, Stálin havia ordenado a demolição de algumas igrejas da região.

Cidadão Global: vale a pena? Minha experiência

O Cidadão Global é um programa de intercâmbio muito interessante promovido pela AIESEC, organização pela qual trabalhei por cerca de três anos e que hoje represento sendo alumnus. Ou seja, após ter trabalhado e contribuído com o crescimento do escritório, hoje observo e acompanho a organização de longe. Mas hoje eu não vim falar sobre a minha experiência como membro da organização, e sim a minha experiência como EP (exchange participant – participante de intercâmbios).

Para começar, a verdade foi que eu sempre quis fazer intercâmbio, mas eu pretendia viajar lá pelo final da minha faculdade em algo relacionado ao aprendizado de idiomas, passar um semestre do meu curso fora, ou até mesmo o mestrado. Até hoje essas vontades continuam de pé, e acredito sim que eu ainda vou obter mais experiências internacionais.

Apaixonada por essa vista! (Parlamento ao fundo)

Apaixonada por essa vista! (Parlamento ao fundo)

Em 2010 eu conheci a organização, comecei a trabalhar como voluntária e aos poucos tive a vontade de participar dos programas que a AIESEC oferece para viajar: hoje são dois programas, chamados de Talentos Globais e Cidadão Global.

O primeiro consiste em realizar um estágio no exterior, trabalhando em alguma empresa com algum tema relacionado à sua área de estudo: comércio exterior, engenharia, jornalismo, captação de recursos, educação de idiomas e assim sucessivamente. Esse programa oferece uma bolsa que ajuda na manutenção do intercambista pelo período em que ele(a) fica trabalhando no exterior, que pode durar de 6 semanas a 18 meses.

Eu ainda não participei do Talentos Globais, e pretendo fazê-lo após o meu mestrado. Porém esse post se trata de duas experiências maravilhosas pelo programa Cidadão Global! Nas duas vezes eu fui para o Leste Europeu e arrumei minhas malas para a Rússia e para a Hungria.

O Cidadão Global é um programa voluntário e de curta duração – 6 semanas até 3 meses. Geralmente os países que oferecem vagas se encontram na América Latina, Leste Europeu, África e Ásia, e em geral o foco do programa consiste em desenvolver projetos em educação, meio ambiente, direitos humanos, saúde e muito mais.

Arbat ul. em Moscou

Arbat ul. em Moscou

Bem, o post será longo, então vamos lá!

Então, o meu primeiro X foi pra Rússia! Sempre sonhei em conhecer esse país e sabia que eu iria amar minha experiência de qualquer maneira.

Mas por que a Rússia?
Eu queria conhecer uma realidade diferente da minha. Queria pegar um inverno rigoroso, idioma complicado, comida exótica, conhecer uma cidade menor, ou seja, fugir da minha linda zona de conforto aqui em casa. Acabei parando em Saratov, uma cidade de 800 000 habitantes na região centro-sul da Rússia. O meu projeto no Cidadão Global era o BRIC, e como o nome já diz, ele foca em estudantes desses países.

O meu projeto consistia em apresentar dados da economia e cultura dos países do BRIC para estudantes de ensino médio e universidades, e comigo foram mais dois brasileiros, três chineses e um indiano. Acabou que só o indiano trabalhou na SSTU (a universidade participante do projeto), já que todos fomos embora antes dele. Mas basicamente eu atuei só na Escola 45 de Saratov.

Para falar um pouco mais da Escola 45, eles tem uma tradição muito grande em esportes, ostentando muitos troféus em várias modalidades. Ao lado da escola existe um estádio de um dos principais times da cidade, e lá haviam turmas exclusivas de atletas, já que eles viajavam muito para competir e necessitavam de uma metodologia especial.

Escola 45 em Saratov

Escola 45 em Saratov

Fui extremamente bem recebida na escola! Os professores, alunos, a diretora e demais funcionários foram sempre muito gentis e atenciosos, e sempre muito curiosos em saber mais do Brasil. Fiz apresentações sobre história, comidas, cinema, novelas (btw, eles adoram “O Clone” por lá!), tradições, curiosidades e claro, a economia do país. Também falei bastante da minha região linda – a Amazônia – que é extremamente exótica para eles.

Escola 45 <3

Escola 45 <3

Esse período que eu trabalhei lá na escola foi relativamente bem organizado. Lidei com várias turmas e professores e senti um carinho imenso deles. Até tivemos uma festa de despedida onde ~toda~ a escola participou, com direito a apresentações de dança, música, e também apresentações sobre a Rússia, Saratov e muito mais, todas feitas pelos alunos. Foi uma maneira de agradecer pelo trabalho que nós fizemos.

Parte da escola na nossa despedida

Parte da escola na nossa despedida

Sabe, foi muito gratificante estar ali. Muitos dos alunos (e das pessoas de Saratov) não pretendiam fazer faculdade, se especializar para ter um emprego legal, nem conhecer o mundo nem nada. Algumas pessoas chegavam comigo me agradecendo pelo fato de que eu saí da minha casa – bem longe dali – para viajar pro meio do inverno para apresentar pra eles uma nova perspectiva de vida e que existem muitas possibilidades para serem exploradas.

Infelizmente o meu projeto não durou o tempo planejado. O meu CL acabou tendo um problema de know how, e só duas pessoas (a VP ICX e o LCP) estavam dando vazão ao projeto. A Katya, a VP ICX da época era a minha host e tive uma certa flexibilidade de falar com ela e de cobrar algumas coisas, mas a princípio o projeto quase não saiu do papel. Foi uma pena, mas não por falta de vontade, e sim por que eles sozinhos não estavam conseguindo dar conta de tudo.

Moscou, na semana final

Moscou, na semana final

Bem, de qualquer maneira, nenhum intercâmbio é perfeito, e devemos aprender a contornar problemas quando existirem, para o nosso próprio crescimento. Mesmo com essas dores de cabeça do projeto, tenho certeza que eu fiz a escolha certa e recomendo o intercâmbio pela AIESEC para a Rússia! Sou apaixonada pelo país e extremamente grata por tudo que eu aprendi nessa jornada. Mas é preciso saber que é necessário ter resiliência e poder de superação, não só para uma viagem para a Rússia, mas sim para qualquer lugar.

Alguns posts relacionados ao intercâmbio na Rússia:
Seja a mudança!
FAQ da Rússia
Tô indo pra Rússia. E agora?
O que eu vi do racismo
Me conte mais da mãe Rússia
Saratov, a capital do Volga
Vivendo em um vilarejo soviético
Como é difícil dizer adeus
Longe de casa, mas no centro do mundo

Mas mesmo assim eu senti que a minha experiência não foi 100% completa. Devido a esse problema de organização, eu senti que eu poderia ter feito muito mais e um belo dia eu decidi que eu faria outro intercâmbio pela AIESEC! Dessa vez eu fui mais “atenta”, buscando saber mais da reputação do escritório, depoimentos de outras pessoas que viajaram para esse lugar, acessibilidade e afins.

Da segunda vez, não foi a minha intenção ir para um lugar em que eu me desafiasse tanto, e a minha intenção era justamente combinar o lazer com o trabalho. Depois de muita busca e muita pesquisa eu acabei dando match com a AIESEC Budapest University (ou LC Corvinus, ou @BCE). A cidade é espetacular, recebe muitos intercambistas (não só da AIESEC mas também de programas de intercâmbio de universidades), e até tinha uma boa reputação entre os EPs.

Amigos de intercâmbio <3

Amigos de intercâmbio <3

O meu EP manager havia viajado por esse mesmo CL como uns 3 meses antes da minha viagem e eu pedi muito dele que me contasse tudo sobre os intercambistas, a escola em que eu trabalharia, a organização do CL, detalhes da cidade e tudo. Ele só me falou coisas boas de lá e me adiantou que eu iria adorar a escola em que eu trabalharia.

Praça dos heróis em Budapeste (e o meu amigo fazendo gracinha ali atrás)

Praça dos heróis em Budapeste (e o meu amigo fazendo gracinha ali atrás)

 

Já viajei animada e tudo que ele me confirmou se realizou. A escola em que eu trabalhei, a Kontyfa, organizou um projeto excelente (no caso o Magellan) e senti também muito apoio dos professores, do diretor e dos estudantes, assim como na Rússia. Acabei morando num apartamento anexo à escola, e sempre estava por lá. Os estudantes inclusive saíam com a gente e tudo.

Falando mais do projeto, o Magellan foi bem parecido com o BRIC: apresentações sobre os nossos países. Comigo trabalhou a Rekha, da Austrália e ficamos muito próximas! Só lembro dela me chamando para tirar um selfie, antes da expressão ser conhecida no Brasil, haha. Antes de nós, outras duas duplas de meninas haviam trabalhado lá na Kontyfa, sendo três meninas brasileiras. Mas a minha presença foi “diferente” por que as outras meninas eram de São Paulo, e eu do Norte. Ou seja, estava apresentando uma perspectiva totalmente diferente, e dessa vez apresentando a região mais linda do planeta!

Escola Kontyfa <3

Escola Kontyfa <3

Falei antes que nenhum intercâmbio é perfeito, mas esse chegou quase! Só não digo que foi 100% por que o banheiro do meu apartamento estourou (sim, estourou!!), e não dava para fazer nada em casa. Que situação! Ainda bem que isso só aconteceu no fim do intercâmbio hehe.

Conversei com muitas pessoas sobre a minha experiência na Hungria e reitero que também recomendo a experiência. Mas mais uma vez: é necessário estar preparado para tudo. Vai que acontece algum problema que você não está preparado para resolver? Às vezes é necessário agir no automático.

Alguns posts sobre intercâmbio na Hungria:
1 ano de alegria
Hungria: dúvidas e respostas
Hungria: mais dúvidas e respostas
Norte, sul, leste e oeste
O quê que a Hungria tem?
O dia em que o tempo parou
Voluntariado na escola Kontyfa
Tardes em Margitsziget
Primavera em Budapeste
Partiu Budapeste!

Para finalizar, eu realmente aproveitei esses períodos no exterior pela AIESEC. Formei amigos para a vida toda, tanto do Brasil como do exterior. Aprendi a me virar sozinha, levando tapa na cara ou não. Conheci lugares incríveis que antes jamais pensei em visitar. Tive a tão preciosa vivência internacional e também cresci muito como pessoa!

Respondendo à pergunta do título: o Cidadão Global vale a pena? Claro que sim!!

Na Rússia eu…

Na Rússia eu…

…fiz um anjo de neve no chão fofinho;

…bebi chá pela primeira vez na minha vida;

…presenciei os primeiros momentos da vida de filhotinhos de cabra;

…vi o céu estrelado mais bonito de toda a minha vida;

Limpando cabrinhas recém-nascidas

Limpando cabrinhas recém-nascidas

…não senti frio mesmo com uma temperatura de -30 graus;

…me acostumei a subir 5 andares de escada só para falar com meus amigos;

…escorreguei no gelo e caí de nuca no chão;

…sempre tinha o meu cabelo volumoso, que nem a crista de um leão;

…pela primeira vez peguei um ônibus lotado;

Middle of nowhere

Middle of nowhere

…passei madrugadas em claro jogando Dota, só para socializar;

…dividi uma cabine de trem com três homens que nunca havia visto;

…atolava o meu pé constantemente andando na neve;

…cozinhei o brigadeiro mais gostoso da minha vida;

…e fiz o pior café que pude imaginar;

Pose na neve!

Pose na neve!

…conheci um senhor no ônibus que lutou na guerra do Afeganistão em 1979;

…me perdi quando parei na estação de ônibus errada;

…percebi que ninguém sabia o que era “Doritos”;

…passei um fim de semana num vilarejo no meio do nada;

…descobri que tudo é muito barato;

Matrioskas

Matrioskas

…cozinhei salsicha no microondas, e até que ficou gostoso;

…fiz uma “rosquinha” com a fumaça do vento frio;

…aprendi a fazer sushi, e o apresentei como uma comida brasileira;

…me acostumei com a quantidade de estátuas do Lênin nas praças das cidades;

Alguns dos meus tickets de ônibus

…patinei no gelo, e foi terrível;

…almoçava McDonald’s quase todo dia, e achava uma delícia;

…assisti um jogo da Champions League no estádio, e pedi pra minha mãe tentar me ver na televisão;

…ganhei uma família russa;

…descobri que a neve tem cheiro;

Euzinha, no primeiro dia na Rússia!

Euzinha, no primeiro dia na Rússia!

…subi no telhado de um prédio;

…comi um sanduíche de 30 centímetros, e não sei como;

…assisti um comício do Partido Comunista, e me senti de volta no tempo;

…saí do metrô e emergi no meio de um protesto contra o governo;

…realizei um grande sonho ao conhecer esse lugar incrível.

 

Esse foi um pequeno texto que escrevi no avião, saindo de Moscou. Acabei o encontrando por acaso numa agenda antiga.

Influência póstuma. Até quando?

Um dos fatos mais curiosos sobre a Rússia de hoje é o fato de ainda existirem inúmeras demonstrações de saudade e apoio à União Soviética. Leia-se: esses movimentos ainda existem, porém uma pequena parte da população a apoia de fato!

E uma dessas demonstrações curiosas, especialmente para os olhos de uma pessoa “ocidental” é a presença de várias estátuas do líder da Revolução Russa em pontos importantes de várias cidades russas. Mas não é só em estátuas que a figura do Lênin é retratada. Muitas avenidas e outros lugares possuem uma representação direta ao líder comunista.

O que acontece é que os mais velhos sentem uma espécie de “saudade” da União Soviética, pois em certos pontos, ela ainda “funcionava” em meados dos anos 1960 e 1970. A educação era excelente, a ciência era vanguarda, eles tinham uma boa infraestrutura de vida e o país ainda era uma potência militar e há pouco havia ganhado uma guerra.

Veja acima que não citei questões de perseguição política, repressão e outras coisas que não entram no mérito específico deste post.

Praça Lênin com o próprio Lênin ao fundo.

Praça Lênin com o próprio Lênin ao fundo.

Quando a União Soviética se dissolveu, muitas coisas “pararam” na Rússia modernas. Com a ajuda de uma crise financeira grave e recessão profunda, uma parte da população sofreu bastante. Alguns dizem que o Partido Comunista nunca tinha sido tão forte nesse tempo de recessão (meados de 1998), já que muitos tiveram uma “comprovação” de que o capitalismo não funcionava mesmo.

Daí que vem a força e a admiração por Lênin. Aos olhos de muitos, ele foi um grande herói por ter conseguido acabar com a “hipocrisia” do império e ter dado aos trabalhadores (classes mais baixas) uma força que eles jamais haviam possuído. De fato a memória comunista ainda é muito apreciada, por ser um momento em que eles estavam “no topo do mundo”.

Mas tudo o que sobe, desce. Pouco a pouco, a Rússia está se tornando uma potência mais consolidada e confiável. No famoso grupo BRIC (não, eu não considero a África do Sul um BRIC), a Rússia é o “melhor” país do acrônimo. Dos quatro, ela é a que possui uma inflação mais baixa, a melhor infraestrutura (mesmo que antiga) e possibilidade de abertura com o exterior. Alguns economistas afirmam que em 10 anos, a Rússia estará dividindo o topo da economia mundial com os EUA, a China e a UE (sem considerar crises a partir desse ponto).

E com a constante melhora da economia, a memória de Lênin vai aos poucos se desfazendo. Alguns já consideram enterrar o corpo dele que está em exposição no mausoléu. Outros já consideram mudar os nomes das avenidas e levar as estátuas junto aos “cemitérios”.

Estátua do Lênin no estádio Lujniki

Estátua do Lênin no estádio Lujniki

Tem algumas coisas que merecem seu tempo. Na minha opinião, o tempo dele já passou faz tempo. É hora da Rússia libertar sua “memória” comunista e dar um passo para o futuro.

O mergulho nas águas

Entre os dias 18 e 19 de janeiro, um evento muito curioso acontece nas águas da Rússia e de outros países com tradição cristã ortodoxa, como a Ucrânia e a Bulgária. Esse tal evento é o Ritual da Epifania, que consiste em reproduzir o batismo de Jesus no rio Jordão nos rios do leste Europeu.

Ritual com um significado bonito, certo? Para aqueles que já ligaram os pontos (leste europeu, janeiro, inverno, frio…) deu pra perceber que esse ritual tem um quê a mais. O ritual da epifania é feito durante o inverno russo, muitas vezes com temperaturas negativas (-10, -15 graus…). Ou seja, por um motivo religioso, as pessoas mergulham nas águas gélidas do inverno como uma maneira de “lavar os pecados”.

Por coincidência, esse evento acontece de 11 a 12 dias depois do natal ortodoxo, que é comemorado no dia 7 de janeiro. Fiéis se reúnem na beira de rios e de aberturas na neve conhecidas como “iordans” (menção ao rio Jordão) para poder nadar. Adultos e crianças se divertem em passar alguns segundos na água gelada. Eles veem isso como uma maneira de se purificar, e alguns até dizem que isso faz bem pra saúde.

Agora se você pensou que eu vi com meus próprios olhos esse ritual, acertou! Se pensou que eu entrei na água, você está errado! Minha host mother nos levou à beira de um riacho cheio de pessoas prontas para assistir e nadar! Era dia 18 de janeiro à noite e todos os preparativos estavam prontos!

O padre havia benzido a água e os fieis estavam prontos para entrar na água. Nesse riacho a coisa era um pouco mais “light”. Vendo matérias na TV e na internet, vemos que em muitos casos, as pessoas nadam ao ar livre, em rios, e até mesmo no Oceano Pacífico, no caso do Far East russo. Nesse riachinho que fomos, as pessoas nadavam numa parte coberta por uma casinha. Tinha uma fila para quem iria entrar na água e quem iria apenas assistir aos outros.

Não acreditei, mas um amigo brasileiro entrou na água de verdade! Gravaram um vídeo dele pulando na água e saindo (coisa de dois segundos), mas ele conseguiu! Pontos pra ele. Os outros intercambistas não tiveram coragem. Além desse brasileiro, o namorado da minha host mother também entrou na água.

Eu não o vi entrando, mas acompanhei uma família que entrou! Foi incrível ver de pertinho a disposição dessas pessoas nessas condições tão ruins! Eles entraram, passaram uns 10 segundos na água e saíram. O “engraçado” era que todos eles meio que se aqueciam de uma maneira diferente antes e depois do mergulho. De qualquer maneira, foi incrível presenciar de pertinho todo esse ritual tão significativo para esse povo.

Posso dizer também que nós, os estrangeiros, fizemos sucesso! Muitos dos que estavam ali na fila ficaram bem impressionados com a nossa presença!

Veredicto? Adorei presenciar esse ritual. Todos os dias 18 e 19 de janeiro são marcados na minha agenda!

Entrar na cabine e ainda por cima, pegar um pouco de água benta.

Entrar na cabine e ainda por cima, pegar um pouco de água benta.

Noite circense

Acho que eu só tinha ido ao circo umas duas vezes na minha vida, e o que me chamava a atenção não eram as acrobacias, as palhaçadas (btw, nunca tive medo de palhaço), nem os clássicos como cuspir fogo, o globo da morte nem nenhuma outra coisa. Eu sempre gostei dos animais e das apresentações deles. Mas em geral, eu nunca fui a maior fã de circo, mesmo respeitando muito essa arte.

E a última coisa que eu pensava que eu iria fazer em algum dos meus intercâmbios era justamente ir ao circo! Mas sabe quando você junta o útil ao agradável e as oportunidades aparecem? Então, eu fui pro famoso circo de Saratov (sdds imensas!).

Chegando lá, eu descobri que o circo da cidade tem uma reputação enorme, já que o primeira arena dedicada às apresentações circenses no mundo foi construída lá (há controvérsias segundo o Google, não entre os moradores da cidade). No entanto, apresentações diferentes passam por lá temporada após temporada.

Quando uma nova apresentação chegou na cidade, todos os jornais trataram da notícia como o principal acontecimento. Não pelo fato da cidade ser pequena, mas sim pela grande importância e orgulho que eles sentem do circo. De qualquer forma, ir ao circo seria uma boa atividade para os intercambistas!

Mesmo com várias datas e mais de um horário de apresentações por dia, o interessante era comprar os ingressos com antecedência. Resolvemos pegar a primeira fila após o picadeiro, e esperamos a data.

Fomos eu, dois amigos brasileiros, um indiano e a irmãzinha de uma amiga nossa, que queria muito ir ao circo! Na hora da apresentação as filas estavam enormes (rá!). Compramos algumas guloseimas de praxe como algodão doce, pipoca e alguns docinhos, e fomos aos nossos lugares.

A apresentação teve vários números, dentre os quais posso citar apresentações com macaquinhos (com roupinhas brilhosas), cachorros, pássaros, equilibrismo e a atração principal, que era com tigres.

Posso fazer alguns comentários gerais, como na apresentação com os tigres. Eles rolavam no chão, pulavam em círculos com fogo, atendiam aos chamados dos cuidadores e como recompensa, ganhavam uns pedaços de carne. Me impressionei bastante com o tamanho da cabeça (e da boca) daqueles animais!

Acho que foi só uma impressão minha, mas eu senti aqueles animais super estressados, por estarem em umas espécies de containers, e se qualquer coisa saísse do controle, apenas uma redinha simples separava o picadeiro do público.

Teve momentos impressionantes com os equilibristas na corda bamba, e fofuras com os macaquinhos, mas o meu veredicto final foi que achei o circo mediano, mas mesmo assim adorei a experiência! Foi talvez o grande acontecimento da semana, e certamente foram umas duas horas bem agradáveis.

O que achei bem simpático foi que os artistas se dispuseram a dar autógrafos para as crianças (que eram muitas!), e ficamos lá na fila com a Ksenia, que estava louca para falar com eles! O momento curioso foi que eles perceberam que nós éramos estrangeiros e ficaram bem impressionados com o fato de pessoas de lugares tão distantes lá apreciando o espetáculo.

(Fico devendo fotos nessa! Posto fotos nos próximos dias!)